segunda-feira, setembro 14, 2009

Alegre: ponto final.

Manuel Alegre afirma que "o PS está a travar um combate muito difícil". Na realidade, ele próprio tem lutado para reabilitar um partido que, embora tenha uma matriz ideológica de esquerda, outra coisa não tem feito senão governar à direita, quando está no poder.

E acrescenta que, entre o PS e o PSD, está totalmente com o PS, o que, em nossa opinião, ainda seria compreensível, se de algum modo se demarcasse da actual direcção do partido, que nada tem a ver com a Esquerda. Era o mínimo que se esperaria de quem enfrentou Sócrates na corrida para secretário-geral do PS, se candidatou à Presidência da República como independente contra o candidato oficial do seu partido, constituiu um Movimento Independente de Cidadãos e abriu o diálogo e a reflexão política à Esquerda, assumiu posições de completa rotura com a direcção do P"S" em matérias fundamentais como o Código Laboral e a avaliação de professores.

Mas, ao afirmar peremptoriamente que "se for preciso fazer alguma coisa com José Sócrates, [fá-lo-á]", Alegre desfaz definitivamente as dúvidas que poderiam subsistir sobre os seus objectivos políticos: não são a recuperação do PS como partido de Esquerda, não são o diálogo e a unidade da Esquerda, são sim o posicionamento para uma futura candidatura às eleições presidenciais. 
Tem toda a legitimidade para o fazer. Não contará é com o nosso apoio e com o nosso voto. Ponto final.

sexta-feira, setembro 11, 2009

Centrão ou Maioria de Esquerda?

As sondagens de opinião valem o que valem e as últimas, sobre as intenções de voto para o Parlamento Europeu, como se verificou, valeram muito pouco.
Dito isto, o estudo de opinião da Eurosondagem para a SIC, o Expresso e a Rádio Renascença atribui as seguintes intenções de voto:
  • PS - 33,6%
  • PSD - 32,5%
  • BE - 9,6%
  • CDU - 9,4%
  • CDS - 8,0%


Sabendo-se que a margem de erro da amostra é de 2,2%, neste momento regista-se um empate técnico entre PS e PSD.
Em todo o caso, se se viessem a verificar aproximadamente estes resultados, para além de um Governo de Bloco Central (PS/ PSD), só restaria a hipótese de um Governo de Maioria de Esquerda (PS/ BE/ PCP), curiosamente, defendida por 70% dos respondentes a uma enquete deste blogue.

quinta-feira, setembro 10, 2009

P"S" e desigualdade

Obama propôs a criação de taxas de 90% sobre as chorudas indemnizações pagas a gestores que saltam de umas empresas para outras.
Por cá, o PCP seguiu-lhe as pisadas e propôs a mesma medida. O Bloco defende um imposto sobre as grandes fortunas. Sócrates, tão forte e decidido com os mais fracos, privatiza ao desbarato, como aconteceu com a venda da Galp a Américo Amorim, e contenta-se com um escalão máximo de 42% do IRS, que se aplica tanto a Belmiro de Azevedo como a qualquer anónimo cidadão com um rendimento médio.
É, portanto, fácil de perceber por que é que, excluída a Roménia, Portugal é o país mais desigual da União Europeia em matéria de repartição do rendimento. O que já não se percebe é que isso aconteça com um governo que se autoproclama de socialista.

O(s) sonho(s) de Obama

I have a dream that one day this nation will rise up and live out the true meaning of its creed: 'We hold these truths to be self-evident, that all men are created equal.' (Martin Luther King)

A América é um paradoxo. Os americanos são capazes do melhor e do pior. E, muitas vezes, tendem a opor-se a quem quer resolver os graves problemas sociais do país (deve ser um problema de uma educação caracterizada pelo individualismo exacerbado, pelo salve-se quem puder). É o que está a acontecer com Obama, cuja popularidade parece estar a descer por querer implementar um plano que garanta o direito à assistência na doença a todos os americanos, em particular aos mais de quarenta milhões que actualmente não têm quaisquer meios para contratar um seguro de saúde. Mas estou certo que ele vai conseguir. Com a força da razão que lhe assiste.

quarta-feira, setembro 09, 2009

Legislativas — o que pensam os nossos leitores

Apresenta-se, a seguir, os resultados da sondagem feita aos leitores do blogue Cantigas do Maio, entre 23/8 e 6/9, sobre as eleições legislativas.
Estes resultados, vinculando apenas quem se dignou responder às questões formuladas, não são de modo algum extrapoláveis para a realidade nacional.


No seu entender, qual a opção de voto que melhor contribuiria para reforçar a Esquerda?
  • PS 8%
  • BE 34%
  • CDU 30%
  • BE ou CDU 26%
  • Qualquer das hipóteses anteriores 0%

Se acha que a resolução dos problemas de Portugal e dos portugueses passa por uma política de esquerda, qual a solução governativa que deveria resultar da próxima eleição?
  • Governo de maioria absoluta do PS 5%
  • Governo minoritário do PS 0%
  • Governo de coligação PS-BE 11%
  • Governo de coligação PS-CDU 11%
  • Governo de coligação PS-BE-CDU 70%

sábado, setembro 05, 2009

Recuperar a democracia é preciso

Mesmo que seja discutível o modelo informativo adoptado pela TVI e não se goste do estilo jornalístico praticado por Manuel Moura Guedes, o seu silenciamento e afastamento daquela estação televisiva não é de forma alguma aceitável pela forma e no tempo que foi feito (justamente quando decorre a campanha eleitoral para as eleições legislativas) e por configurar uma grave violação do direito constitucional à liberdade de informação.
Como é natural, todos os partidos condenaram energicamente este lamentável episódio e o próprio Presidente da República declarou textualmente esperar "que a liberdade de expressão e informação conquistada no 25 de Abril não esteja a ser posta em causa com o caso".
Pode não estar provado que houve (e admito que não tenha havido) instruções ou sugestões de Sócrates ou do P"S" no sentido do saneamento de MMG da TVI. Desde logo porque seriam eles as principais vítimas dos estilhaços do rebentamento da bomba num período tão delicado como o actual. Mas uma coisa é inegável, com o seu autismo, a sua arrogância, a prepotência como utilizou a sua maioria absoluta — criticando e pressionando a comunicação social, influenciando a magistratura judicional e o Ministério Público, ignorando, desprezando e, nalguns casos, policiando as organizações representativas dos trabalhadores — Sócrates alimentou uma cultura de desrespeito pelos mais elementares princípios democráticos. Não tem, portanto, qualquer legitimidade moral e política para vir agora fazer-se passar por vítima de uma situação que ele próprio criou ao longo dos últimos quatro anos e que tem vindo a estiolar o funcionamento da democracia.

sexta-feira, setembro 04, 2009

A unidade da Esquerda é possível (e desejável)

O debate entre Francisco Louçã e Jerónimo de Sousa não podia ter ido mais ao encontro da Unidade da Esquerda que temos defendido.
Evitando sempre o confronto e desvalorizando as diferenças que existem entre os seus partidos, o líder do BE referiu a convergência com o PCP no combate às medidas mais gravosas do governo-Sócrates, apontando como exemplo o Código do Trabalho, enquanto o líder comunista considerou que o Bloco é apenas um partido concorrente, sublinhando que o adversário do PCP é "a política de direita e os seus executantes".
Francisco Louçã e Jerónimo de Sousa convergiram na crítica clara e frontal à política económica do Partido de Sócrates e, sobre a aliança com um eventual futuro governo do P"S", coincidiram igualmente na negativa, justificando que, com Sócrates, o PS não vai mudar de rumo.
Para quem estava à espera de um combate de boxe ou de uma guerra fratricida, terá sido uma desilusão.
Para nós, foi um debate, discussão, encontro — chamem-lhe o que quiserem — sobre a grande política entre dois grandes políticos, dois homens de esquerda, dois camaradas, que, em nome do interesse colectivo e de uma política ao serviço do povo português, souberam por de lado o que os divide e valorizar o que os une.
A partir de agora, não digam mais que não existe uma alternativa de esquerda para governar Portugal. Só é preciso que os socialistas do PS queiram. E, embora Sócrates não seja um deles, acredito que são a maioria.

Fontes: DN, TSF, Jornal de Negócios, SIC

quinta-feira, setembro 03, 2009

Jerónimo e Louçã

Espero, sinceramente, que logo à noite, Francisco Louçã e Jerónimo de Sousa façam um debate esclarecedor, vivo, de qualidade, onde apresentem com serenidade os contributos do Bloco e do PCP para uma política de Esquerda verdadeiramente alternativa às políticas de direita que P"SD" e P"S" têm protagonizado ao longo dos anos, com os resultados desastrosos que todos conhecemos e sofremos.
Se quiserem capitalizar o descontentamento do eleitorado socialista do Partido de Sócrates, têm de resistir à tentação de se considerarem mutuamente "o inimigo principal". Os verdadeiros adversários da Esquerda são, obviamente, os partidos da Direita, mas também aqueles que, autoproclamando-se de Esquerda, mais não têm feito que levar por diante políticas nefastas para a maioria da população e satisfazer os apetites dos grupos económicos.
Em vez de um "Jerónimo versus Louçã", gostaria de assistir logo a um "Jerónimo e Louçã". Ou vice-versa.

Lurdes Rodrigues e Sócrates: o testo e a panela

É perfeitamente claro que, Maria de Lurdes Rodrigues foi caucionada e inequivocamente apoiada por Sócrates, não apenas na política de desqualificação da Educação que conduziu, mas também na forma humilhante como tratou os professores. A prová-lo, o facto de, apesar de ter sido alvo da maior contestação alguma vez vista no nosso país, ter sido segurada até ao fim no Ministério da Educação.
Lurdes Rodrigues tem, por isso, razão quando afirma que não viu uma crítica ao seu trabalho nas declarações do primeiro-ministro na entrevista de terça-feira à RTP. Nós também não.
Com o aproximar das eleições, o que assistimos é à tentativa desesperada e hipócrita de ambos de "amaciarem o pêlo" aos professores, como se estes não tivessem memória dos maus tratos que eles lhes infligiram durante os quatro anos do seu mandato.

Pasto para os grandes interesses privados

O relatório da Comissão Europeia sobre o sector da energia e transportes na UE, datado de 2009 e referente a 2006, revela que, em 27 Estados-membros, Portugal é o quinto com mais auto-estradas por cem mil habitantes, sendo que em nove das 25 auto-estradas portuguesas circulam em média, por dia, menos de dez mil carros, um dos critérios internacionais para justificar uma auto-estrada. Mesmo assim, com os projectos rodoviários em curso e os quatro a serem lançados até Junho de 2010, a rede irá aumentar 860 quilómetros. E entre Lisboa e Porto surgirá uma terceira ligação deste tipo. Correio da Manhã


Os responsáveis governativos não se cansam de repetir que toda esta asfaltização avassaladora tem por objectivos promover o crescimento económico, o desenvolvimento do país e o aumento da segurança rodoviária. Mas os factos demonstram que, com tantas auto-estradas, Portugal continua a ser um dos países mais pobres, mais assimétricos e com a maior sinistralidade automóvel da União Europeia. Ao contrário da Noruega, onde a quase inexistência de auto-estradas não impede que seja um dos países mais desenvolvidos do mundo.

Quer-nos parecer que as razões que subjazem a esta estratégia são outras! Não têm a ver com os reais interesses do país mas antes satisfazer os apetites dos grandes interesses privados!

quarta-feira, setembro 02, 2009

No dia 27, os professores farão o seu melhor

Depois de quatro anos de perseguição sistemática à classe docente,
durante os quais tudo fez para transformá-la no bode expiatório dos
males da Educação, na conversa em família de ontem à noite na RTP1,
José Sócrates afirmou que tudo fará para restaurar uma relação
"delicada" e "atenta" com os professores
. Interrogado sobre o que
fará, concretamente, para reconquistar a confiança daqueles
profissionais, caso vença as próximas eleições legislativas, o líder
do P"S" respondeu: "Farei o meu melhor". Ou seja, o mesmo que fez até
aqui.
Bem, à primeira, qualquer um pode cair; à segunda, só cai quem quer.
Acredito e espero, portanto, que no próximo dia 27 sejam os professores
a fazer o seu melhor.

O país desigual (filhos e enteados)

Segundo dados do Eurostat, com excepção da Roménia, Portugal é o país da União Europeia com a mais desequilibrada repartição do rendimento, aquele onde a diferença entre ricos e pobres é mais acentuada, de nada valendo ter um governo que, embora se autoproclame de socialista, objectivamente, nada faz para remediar esta vergonhosa situação.
Não admira por isso que, com a crise que atravessamos e os constantes apelos à contenção salarial, seja o pessoal sistematicamente a pagar a factura da redução dos custos das empresas, enquanto administradores e gestores continuam a ver escandalosamente aumentadas as suas já de si principescas remunerações. Como aconteceu na EDP

terça-feira, setembro 01, 2009

Farinha do mesmo saco

Peço cinco minutos do vosso precioso tempo (que não serão seguramente mal empregues) para lerem esta deliciosa crónica de António Manuel Pina e verem este hilariante vídeo com o "actor" José Sócrates.
E a questão que agora se coloca é o que é que ambos têm em comum. Fácil, não é? Mostram à evidência que Ferreira Leite e Sócrates dizem uma coisa na oposição e fazem precisamente o contrário no governo. Não admira… são farinha do mesmo saco, como muito bem observou Jerónimo de Sousa.

Detesto perder! Prefiro fazer batota a ter que perder!

Carolina Patrocínio é uma jovem com uns olhos espertos que gostam de andar sempre muito juntos, uma cara patusca, um sorriso simpático e fácil. É rica, famosa e aparece em tudo o que é programa de televisão e revista cor de rosa. Ninguém sabe se aparece por ser famosa ou se é famosa porque aparece.
Os portugueses devem gostar muito de a ver em fato de banho, atendendo a que é quase impossível arranjar na net uma fotografia da moça vestida com outra indumentária. Muitos desses portugueses devem ter, para além disso, um especial prazer em vê-la a "ausentar-se", tal é a quantidade de fotografias em que aparece de costas.
Até há pouco tempo, não se lhe conhecia uma ideia sobre coisa nenhuma. Uma entrevista recente registada neste vídeo, onde Carolina fala exaustivamente do que gosta e não gosta, embora mantendo o suspense quanto às suas ideias sobre a situação sociopolítica nacional e internacional, as eleições que temos aí à porta e a sua importância para a juventude portuguesa, as saídas profissionais (ou a falta delas) para essa mesma juventude, etc, etc, etc, mesmo assim, deu-nos a conhecer outras características da jovem "apresentatriz". Ficámos a saber que trabalha apenas para se divertir (pois "felizmente não precisa de trabalhar"), que "detesta frutas que tenham que ser descascadas" e que "só come cerejas se a empregada lhes tirar os caroços" (aplicando o mesmo princípio às grainhas das uvas, que, segundo ela, "são uma grande trabalheira").
Foi escolhida para Mandatária para a Juventude pelo Partido Socialista de José Sócrates, provocando discussões acaloradas por todo o lado.
Para além de, como quase toda a gente, também não vislumbrar o que é que Sócrates acha que a juventude portuguesa com idade para votar deve ver na jovem e mediática Carolina Patrocínio, que lhe sirva como modelo ou exemplo a seguir, gostaria de chamar a atenção para uma pequena frase da Mandatária, logo a seguir à tal das cerejas e que parece ter escapado aos espectadores, que terão, muito compreensivelmente, ficado apardalados com a problemática dos caroços e das grainhas. Diz a Mandatária da Juventude:
"Sou muito competitiva. Detesto perder! Prefiro fazer batota, a ter que perder!"
Ora aí está! Quase que aposto ter sido esta a "qualidade" — para Sócrates um verdadeiro programa eleitoral... — que cativou o Primeiro Ministro e fez de Carolina uma incontornável Mandatária.

Guerra e paz

A ainda-mas-espero-que-por-breve-tempo Ministra dita da Educação, Maria de Lurdes Rodriges, diz que "a oposição tenta comprar a paz por um preço que o país não pode pagar".
Ora, o que o país e as gerações futuras vão ter de pagar são as consequências da guerra que ela obstinadamente levou a cabo, promovendo o facilitismo e a indiciplina na Educação e a desqualificação e destruição da Escola Pública.

segunda-feira, agosto 31, 2009

A verdadeira escolha

Conhecemos bem a mundivisão retrógrada e conservadora de Ferreira Leite. O seu pensamento político sobre o papel da Familia, do Serviço Nacional de Saúde e do Estado, não deixa margem para dúvidas. E a sua folha de serviço enquanto ex-Ministra das Finanças e da Educação também não.
Mas, se a mundivisão de Sócrates se traduz em mais de seiscentos mil desempregados (cerca de metade dos quais sem receberem qualquer apoio), no encarecimento do Serviço Nacional de Saúde cada vez menos acessível às pessoas mais carenciadas, na desqualificação da Escola Pública, no endividamento insensato do país com a construção de obras megalómanas e dispensáveis, na perseguição fiscal das famílias e das pequenas e médias empresas, ao mesmo tempo que viabiliza negócios duvidosos e lucros chorudos aos grandes grupos económicos, a escolha dos portugueses — se ainda lhes resta um pingo de discernimento — não pode ser entre Ferreira Leite e Sócrates, entre o P"SD" e este P"S".
A nossa escolha é entre o Bloco Central, responsável pela desgraça e a inércia em que estamos mergulhados há 30 anos, e a Esquerda da solidariedade, da modernidade, da transparência. Simples, portanto.

Sócrates versus Sócrates

Na linha da famosa rábula revisteira da grande Ivone Silva, no duplo papel de Olívia patroa e Olívia costureira, um momento imperdível de comédia, ou melhor, tragicomédia, com o maior clown e embusteiro de todos os tempos da política nacional, no papel de líder da oposição e de chefe do governo.
Isto merece e deve ser visto e divulgado todos os dias, até 25 de Setembro, pelo menos.

quinta-feira, agosto 27, 2009

A herança de Sócrates

São os trabalhadores dos segmentos mais frágeis da população – operários e trabalhadores não qualificados, trabalhadores com mais baixo nível de escolaridade, jovens – que estão a ser mais afectados pelo desemprego e pela falta de protecção social.
É esta a herança da 
brilhante governação Sócrates.

Segundo as Estatísticas do Emprego do INE relativas ao 2º Trimestre de 2009, o desemprego em Portugal continuava a aumentar e tinha ultrapassado meio milhão, o que constitui um verdadeiro drama para centenas de milhares de famílias portuguesas que têm o trabalho como principal fonte de rendimento para viver. No entanto, o problema não está a afectar da mesma forma os diversos sectores sociais e económicos, encontrando-se os mais fragilizados numa situação particularmente insustentável.
A primeira conclusão a tirar é que, no último ano, verificou-se uma destruição líquida de emprego de mais de 150 mil, situação que, a continuar, fará com que, no lugar dos novos 150.000 empregos prometidos por Sócrates, tenhamos menos 150.000. Ou seja, a economia portuguesa não só não está a criar emprego para aqueles que entram de novo no mercado de trabalho, mas está também a destruir o emprego de muitos que o tinham.
Por outro lado, o desemprego não está atingir de forma igual os trabalhadores de diferentes níveis de escolaridade. No mesmo período, os trabalhadores com menor escolaridade foram as principais vítimas, entrando no desemprego cerca de 235 000, ao passo que o número de empregos dos trabalhadores com o ensino secundário aumentou em 48,9 mil, e o dos trabalhadores com formação superior subiu em 34,1 mil.
Outra conclusão a tirar é que, enquanto os "Operários, artífices e trabalhadores similares" registaram uma destruição líquida de  115 mil empregos, e os Trabalhadores não qualificados", mais de 90 mil, o emprego de "Quadros superiores" aumentou em 46,4 mil e o de "Especialistas das profissões cientificas e intelectuais" em 23,1 mil.
Os jovens (15 aos 34 anos) foram também duramente penalizados, com uma diminuição líquida do emprego que representa 73,5% do total.
Finalmente, constata-e que dos 635,2 mil desempregados efectivos, apenas 323,2 mil recebem subsídio de desemprego, o que corresponde a somente 51% do total.
Em resumo, são os trabalhadores dos segmentos mais frágeis da população – operários e trabalhadores não qualificados, trabalhadores com mais baixo nível de escolaridade, jovens – que estão a ser mais afectados pelo desemprego e pela falta de protecção social.
É esta a herança da brilhante governação Sócrates. [adaptado daqui]

terça-feira, agosto 25, 2009

Cavaco: dois pesos e duas medidas!

O Presidente da República vetou a nova lei das uniões de facto, de nada valendo a convergência da esquerda — o PS lamentou profundamente o veto, o PCP afirmou ter-se perdido uma oportunidade para reparar situações de desprotecção e o BE considerou que Cavaco foi insensível a um diploma que visa sobretudo corrigir injustiças.
Justificando a sua decisão, Cavaco considerou inoportuno que em final de legislatura se façam alterações de fundo à actual lei. No entanto, ainda há bem poucos dias promulgou a farsa da pseudo-avaliação simplificada de professores, vulgo simplex, que apenas contou com a aprovação da maioria governamental.
Enfim, dois pesos e duas medidas. Ou melhor, o que antes devia ter vetado promulgou, o que agora devia ter promulgado, vetou.

Semear ilusões, fazer propaganda

Se a redução do abandono e do insucesso escolar significasse uma efectiva melhoria da aprendizagem, todos teríamos razões para estarmos felizes e satisfeitos. Acontece que isso não corresponde de todo à verdade. Os resultados verificados foram obtidos à custa do facilitismo e da diminuição do rigor e da exigência em nome de um sucesso meramente estatístico e a qualquer preço. Preço que o país, em geral, e os jovens, em particular, virão mais tarde a pagar.
Por agora, que as eleições estão próximas, o que interessa ao governo é continuar a semear ilusões e a fazer propaganda.

quarta-feira, agosto 19, 2009

O charlatão

Qualquer semelhança com a actual situação é uma lamentável coincidência.

Contra a hipocrisia, a luta continua!

O Primeiro-ministro admitiu que existem "discrepâncias" entre o simplex e as disposições contidas no Estatuto da Carreira Docente.
O Tribunal Constitucional admite que o decreto regulamentar que simplificou o modelo de avaliação de desempenho docente pode estar ferido de ilegalidade mas considera que esta matéria escapa à sua competência.
Finalmente, o Presidente da República lava as mãos e promulga o trambolho.
Estão bem uns para os outros. Todos a fazer de conta que nada de anormal se passou. Anormalidade de que são co-responsáveis.
Os professores prometem regressar à luta já em Setembro. Será que lhes deram outra alternativa?

Três cantos enfim juntos

Três cantos. Três formas de amar, de ser livre, de resistir. Três cantos. Com voz própria, caminho distinto, personalidade singular. Três cantos enfim juntos. Solidários, cúmplices, no plural. Três cantos. Coro que, apesar de ser no Outono, será sempre da Primavera. Cantigas do Maio, porque viver (também) é lutar. Três cantos. Que serão milhares, vindos de todos os cantos. "Ergue-te ó sol de Verão, somos nós os teus cantores!"

segunda-feira, agosto 17, 2009

Gasolineiras à rédea solta

Portugal é um dos países mais pobres da UE mas, paradoxalmente, é um dos que tem os combustíveis mais caros. A Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos que, supostamente, devia regular a transparência do mercado, limita-se a elaborar longos estudos, mas nada faz, deixando as gasolineiras subir os preços a seu bel-prazer (mesmo com quedas do crude, como hoje se verificou) e engrossar os seus astronómicos lucros.
O PCP pede ao Governo uma intervenção urgente no mercado de combustíveis mas, a um mês das legislativas, é absolutamente claro que a única coisa que Sócrates vai continuar a fazer é propaganda eleitoral. Em 27 de Setembro ajustamos contas!

Varrer o lixo p'ra baixo do tapete

Mas afinal que limpeza é que Manuela Ferreira Leite fez no PSD ao "engolir" a candidatura de Santana Lopes à Câmara de Lisboa e aceitar arguidos nas listas do partido? Que limpeza existe num grupo de conveniência que dá cobertura a um títere que passa a vida a ofender os portugueses do continente e os órgãos de soberania da República?
Já não há pachorra para aguentar os dislates que Alberto João Jardim arrota constantemente… Uma vez que ninguém consegue pô-lo na linha, o melhor seria mesmo ignora-lo, mas é deste lixo que a imprensa se alimenta. Infelizmente!…

quarta-feira, agosto 12, 2009

O Estado não é pessoa de bem

A procura do "factoring" (cedência de créditos a uma empresa que trata da sua cobrança) aumentou durante o primeiro semestre de 2009 devido a atrasos de pagamento no sector público.
Não admira. Quando se trata de cobrar, o Estado anda sempre à frente. Já para reembolsar os contribuintes não é tão expedito. E para pagar as dívidas à maioria dos fornecedores, como se vê, então nem se fala.

terça-feira, agosto 11, 2009

Simulações

Um projecto desenvolvido por duas empresas de Coimbra, em parceria com congéneres finlandesas, pretende ensinar os estudantes portugueses a poupar energia nas escolas já a partir do próximo ano lectivo.
A ideia até que faria sentido se, à semelhança das escolas finlandesas, as escolas portuguesas funcionassem em edifícios eficientes do ponto de vista térmico. Porém, o que na realidade acontece é que nas nossas miseráveis escolas (algumas a funcionar em pré-fabricados e contentores) se tirita de frio durante o Inverno e se sufoca com o calor no terceiro período. Nestas condições adversas não vejo como é possível poupar mais energia!
Diz-se que "a partir dos dados recolhidos os alunos poderão simular medidas para melhorar consumos e os índices energéticos das suas escolas". 
Na realidade, os alunos só podem mesmo fazer simulações, porque medidas a sério para poupar energia, sem pôr em risco a sua saúde, terão inevitavelmente de passar pela melhoria da eficiência energética e do conforto dos edifícios escolares. Mas, no país do faz-de-conta, ainda hão-de passar muitos e bons anos para que isso venha a acontecer. 

domingo, agosto 09, 2009

Um proletariado explorador?

Já há muito tempo sabíamos que os americanos vivem literalmente à custa dos chineses. Os asiáticos são os maiores detentores de obrigações do Tesouro da Reserva Federal Americana, razão pela qual manifestam grande preocupação sobre a segurança do seu investimento, tendo em atenção o crescimento do astronómico défice orçamental norte-americano. E o pior é que o valor das obrigações é agora bem mais baixo do que quando foram adquiridas, o que não só desaconselha o seu resgate, como ainda leva a comprar mais títulos de modo a afastar o perigo do afundamento da economia americana.
Enfim, parece que o dólar ainda não vai sair de cena tão cedo. E ocorre-me a velha questão de Charles Bettelheim: (há) "Um proletariado explorador?"

sexta-feira, agosto 07, 2009

Lurdes Rodrigues é o problema

Lurdes Rodrigues, afirma que as alterações ao Estatuto da Carreira Docente (ECD), aprovadas em Conselho de Ministros, respondem "a muitos dos problemas" sentidos pelos professores quanto ao seu desenvolvimento profissional, mas não a todos.
E nós acrescentamos: sobretudo aos principais — a divisão da carreira em professor e professor titular, as quotas para atribuição de "Muito Bom" e "Excelente" no âmbito da avaliação de desempenho e a existência de um limite de vagas no acesso à categoria de titular.
Ao fim e ao cabo, as ditas alterações não passam de peanuts para ludibriar os incautos. Mas em Setembro os professores vão mostrar que ela e este PS são o verdadeiro problema. Já falta pouco!

sábado, julho 18, 2009

Desliguem-lhe a corrente, por favor!

"Cada vez que o PS passa pelo Governo, reduz-se a pobreza e as desigualdades sociais". 
Na era do digital, agora que o vinil e a cassete passaram à história, este é um dos loops que mais vamos ter de gramar até 25 de Setembro.
Mesmo que este país continue a ser um dos mais pobres e desiguais da União Europeia (pior, só mesmo a Roménia).

quinta-feira, julho 16, 2009

Desigualdades e pobreza: na mesma como a lesma

Sócrates vangloria-se de que as desigualdades e a pobreza reduziram-se em Portugal, na última legislatura.
Com efeito, ao longo dos quatro anos da sua governança, mesmo com as medidas de ajuda social do Estado, a percentagem de população a viver abaixo do limiar de pobreza desceu apenas de 20 para 18 por cento. Além disso, os jovens, com 23 por cento, e os idosos, com 22 por cento, são grupos particularmente afectados pela pobreza que, em valores absolutos, continua a flagelar cerca de 2 milhões de portugueses.

(clicar na imagem para ampliar)

Em matéria de desigualdade da repartição do rendimento, em 27 estados-membros, pior do que nós só mesmo a Roménia, (como se pode ver no gráfico)!
Perante tão tristes resultados, a um governo supostamente socialista, melhor ficaria uma autocrítica e um pedido de desculpas do que o foguetório propagandístico que tem feito. Mas percebe-se. Começou a campanha eleitoral!

Bandeira da liberdade

É verdade, só há duas hipóteses

Sócrates considera que só há duas hipóteses: "Ou o PS ou a direita".

Errado. Há três hipóteses: ou o P"S", ou a Direita ou a Esquerda. Ou melhor, tendo em atenção que este P"S" governa à direita, as opções são, de facto, duas: ou Direita (P"S" incluído) ou Esquerda.

quarta-feira, julho 15, 2009

Pior do que um incompetente…

Só mesmo três! Arre!…



Por aqui se percebe a razão do facilitismo no ensino. Quem dá este triste espectáculo não pode fazer grandes exigências!…

terça-feira, julho 14, 2009

O socialismo na gaveta

Sócrates diz que "nunca houve vitórias da esquerda com o enfraquecimento do PS". Mentira!
A esquerda e o país é que nunca ganharam com o PS a governar sozinho. O PS no poder mete o socialismo na gaveta e governa à direita. Essa é a verdade.
Por Portugal, pela esquerda, maioria absoluta do P"S", nunca mais!

domingo, julho 12, 2009

Sócrates e Alegre: que convergências?

Replicando ao artigo de Manuel Alegre publicado pelo "Expresso", Sócrates, num golpe de rins em que já se tornou especialista, afirma preferir salientar os pontos de convergência com Alegre, como se eles existissem.
Vejamos então os ponto de convergência entre ambos…
Primeiro, enquanto Sócrates fala na necessidade de mobilizar o P"S", Alegre defende que é urgente acordar o partido e exigir uma mudança de estilo, de pessoas e de políticas, ou seja, uma verdadeira refundação do PS.
Segundo, para Sócrates, a disputa destas eleições é entre o P"S" e a Direita. Porém, Alegre não reconhece em nenhum ponto da sua análise que este PS, com o "buraco negro" resultante da perda de "grande parte da sua base social", consiga, sozinho, fazer frente à Direita. E além disso, não considera que o P"S" tenha governado à esquerda, o que significa que não é uma alternativa fiável e credível à Direita.
Enfim, estas pseudo-convergências de Sócrates com Alegre mostram que, no P"S" nada de novo. Ao eleitorado de esquerda só resta reforçar a votação nos partidos de esquerda. E o PS de Sócrates não é um deles!

Aproximar as esquerdas

Manuel Alegre gostaria que o PS tivesse governado de outra maneira, à esquerda. Na educação, no trabalho (cujo Código acha imperioso rever), na Justiça, na função pública, na relação com os sindicatos, na afirmação do primado da política e na urgência de libertar o Estado de interesses que o condicionam. Mas tal não aconteceu.
Apesar de afirmar ser preciso que os socialistas acordem urgentemente do seu torpor e que dentro do PS haja uma mudança não só de estilo, mas de pessoas e de políticas, no seu íntimo, ele não  acreditará que isso seja possível neste P"S" alienado pelo culto da personalidade e anestesiado pelo pensamento único e a subserviência.
Por isso, ao fim de 34 anos como deputado, decidiu não concorrer às legislativas pelo seu partido de sempre.
E fez muito bem. Dá um sinal claro de que é imprescindível criar pontes que aproximem as esquerdas. Para que  um país maioritariamente de esquerda não acabe uma vez mais a ser governado pela direita.

quinta-feira, julho 09, 2009

Faces da mesma moeda

Os portugueses podem estar confusos, não saberem ainda bem o que querem, mas se há coisa que os resultados das eleições europeias não escondem é que eles estão a ficar fartos da bipolarização no P"S" e no P"SD" e, ainda mais, das maiorias absolutas. Na realidade, nunca os partidos do centrão, responsáveis pela medíocre governação que já dura há mais de trinta anos, tiveram, em conjunto, um resultado tão baixo, enquanto a Esquerda registou o seu melhor resultado de sempre e a Direita conseguiu uma votação significativa. Quanto ao P"S", sofreu uma das derrotas mais expressivas da sua história.
Sócrates percebe muito bem tudo isto mas, fiel à sua táctica de mistificar a realidade, insiste em impor-nos uma falsa dicotomia: ou o P"SD", que "quer rasgar as políticas sociais" e faz da "resignação, do pessimismo e do negativismo" uma "linha política", ou o P"S", "que tem confiança no país, vontade e ambição" e "acredita no Estado social". Porém, a maioria dos portugueses começa a perceber que a diferença entre este P"S" e o P"SD" é apenas de nome e de semântica. Quanto ao resto, que é o essencial, eles são faces da mesma moeda.
Bem pode vir agora o Primeiro-ministro, à última da hora, apregoar "as três marcas da sua governação" — "Rigor e responsabilidade, ambição nas reformas modernizadoras do país e a marca social" — que a gente não vai esquecer!
Não vamos esquecer que a dívida pública se aproxima dos 100 por cento do PIB, o défice sobe para o nível do início da legislatura e milhões de euros foram enterrados na banca sem proveito para a economia real.
Como não vamos esquecer que a reforma da Educação semeou o caos, a indisciplina e o facilitismo na Escola Pública em nome de um sucesso meramente estatístico, o Serviço Nacional de Saúde, que a Constituição diz ser tendencialmente gratuito, é cada vez mais pago pelos utentes, a reforma da Justiça deixou tudo na mesma e o Código do Trabalho agravou a precariedade do emprego, já de si elevadíssima.
Como não podemos esquecer os mais de 600 mil desempregados (200 mil dos quais sem subsídio de desemprego), os quase dois milhões de pobres, os milhares de reformados com pensões de miséria que não chegam para as despesas de saúde.
Não. A verdadeira opção não é entre este P"S" e o P"SD" que, no essencial, põem em prática políticas semelhantes, políticas antipopulares, políticas de Direita. É uma escolha sem sentido.
A verdadeira opção tem de ser entre políticas de Direita e políticas de Esquerda. Para quem está cansado da falsa alternância do P"S" e do P"SD" no poder, a escolha é, portanto, muito clara: votar à Esquerda.

quarta-feira, julho 08, 2009

Desinfecção da 5 de Outubro

A Ministra da Saúde tem razão.  Adiar a abertura do ano lectivo não é solução para evitar a propagação do vírus. Como também o não é paralisar o país (mais do que o que já está).
Mas não basta adoptar medidas profilácticas severas em todas as escolas. É preciso não esquecer a desinfecção da 5 de Outubro. Mas disso encarregamo-nos nós em 27 de Setembro.

A ministra continua a delirar

Para a Ministra da "Educação", as responsabilidades do insucesso nunca são das suas políticas. São (algumas vezes) dos alunos, (quase sempre) dos professores e agora (até) dos jornalistas!
Não seria melhor riscar os artigos 37.º e 38.º da Constituição? Maria de Lurdes Rodrigues continua a delirar.

segunda-feira, julho 06, 2009

Governador do BdP ganha mal

É preciso fazer alguma coisa para que tudo continue como dantes. É o que se pode dizer do inquérito parlamentar, se assim lhe podemos chamar, ao caso BPN que, ao fim de seis meses, se limita a ilibar o Banco de Portugal de falhas na sua acção fiscalizadora pois, "no mundo dos negócios, como noutras esferas, é possível praticar actos fraudulentos e mantê-los em segredo".
A Comissão de Inquérito considera, no entanto, "que Vítor Constâncio podia ter sido mais diligente". Mas esquece que o Dr. Constâncio é "apenas" o terceiro governador mais bem pago do mundo. Se querem que o homem trabalhe mais têm de lhe pagar um pouco melhor!…

O sol brilha p'ra todos nós

Avante camarada, avante
Junta a tua à nossa voz
Avante camarada, avante camarada
O sol brilhará p'ra todos nós


O sol brilha p'ra todos nós. A crise, para alguns. Por acaso, são a imensa maioria…
Na realidade, a crise é apenas para os mais de seiscentos mil desempregados, metade dos quais não recebe qualquer subsídio, para os cerca de dois milhões de trabalhadores precários que nunca sabem se em cada dia que vem ainda têm trabalho, para os quase dois milhões de pobres que sobrevivem silenciosamente à margem daquilo que é mais elementar.
Mas é também para os milhares de jovens que procuram desesperadamente o primeiro emprego que teima em não aparecer, para as dezenas de milhares de empresários muitos dos quais não conseguiram evitar a falência das suas micro, pequenas e médias empresas, para os reformados cujas pensões de miséria, em muitos casos, não dão sequer para pagar as despesas de saúde.
E até para muitas pessoas da classe média que, tendo contraído empréstimos que agora não conseguem liquidar, se vêem numa situação muito difícil.

Já para os banqueiros, os grandes empresários e os administradores e gestores dos grandes grupos económicos e financeiros, não há crise.
Eles continuam  a viver nas mesmas sumptuosas vivendas, a conduzir os mesmos luxuosos carros, a fazer férias nos mesmos extravagantes destinos.
Alguns, na ânsia de enriquecerem cada vez mais e mais rapidamente, terão mesmo contribuído para a crise através de criminosas operações de engenharia financeira mas, da forma que a Justiça (não) funciona neste país, Jerónimo de Sousa bem pode esperar sentado para vê-los atrás das grades.

Por alguma razão, segundo o Eurostat, Portugal é o país da zona euro com a repartição do rendimento mais desigual.
Por alguma razão a corrupção no nosso país, que já era elevada em 2004, aumentou nos últimos quatro anos.

sábado, julho 04, 2009

O maior problema de Portugal

A teoria de que a Constituição é a força que bloqueia o desenvolvimento do país é velha, como a Direita que a subscreve.
Conheço suficientemente a CRP para considerar que não é a Constituição que impede Portugal de se tornar um país mais desenvolvido, mais justo e mais igualitário.
O problema reside nos governos que há 30 anos se têm sucedido e nas políticas que têm implementado. Mas também na maioria dos eleitores que, por opção consciente ou, quiçá na maior parte dos casos, por ignorância ou ingenuidade, os têm sufragado com o seu voto.
Em suma, mais do que o défice orçamental, o maior problema de Portugal é o défice de educação dos portugueses.

Os monólogos da sinistra criatura

Para além da forma rasteira e vil como foram tratados, os professores chegam ao fim da legislatura com uma mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma. Foi nisto que deu a participação em simulacros de negociação com uma equipa ministerial que outro objectivo não nunca teve senão passar a ideia de que estava disponível para o diálogo mas desde cedo se revelou completamente surda, autista e prepotente. E indisponível para toda e qualquer verdadeira negociação.
Há muito que os sindicatos deveriam ter deixado de participar numa encenação. Há muito que Lurdes Rodrigues devia ter sido deixada a monologar.

Cantiga do ódio

Há-de sentir o meu ódio
quem o meu ódio mereça:
ó vida, cega-me os olhos
se não cumprir a promessa.

Cantiga do Ódio, Carlos de Oliveira

Ao longo do seu trágico mandato, Maria de Lurdes Rodrigues não fez outra coisa senão odiar os professores.
Impôs-lhes um estatuto perverso e abusivo, dividiu-lhes a carreira em duas categorias impedindo a maioria de alguma vez poder atingir o topo daquela, tentou submetê-los a uma avaliação de desempenho baseada num modelo burocrático, injusto e inviável que acabaria por ser transformado numa palhaçada inqualificável, liquidou o que restava da gestão democrática das escolas, diminuindo drasticamente a participação dos professores e restaurando a figura autocrática do Director.
Mas, por baixo do seu falso ar seráfico, Lurdes Rodrigues tem aos professores uma raiva cega.
Por isso os desautorizou, ofendeu, humilhou, semeando a indisciplina e a desordem nas escolas e transformando-os em sacos de boxe de alunos e pais, ao mesmo tempo que se vangloriava proclamando "perdi os professores mas ganhei a população".
E o fel é tanto que os professores foram vilipendiados e apodados de professorzecos, ratos, covardes.

E vem agora esta mulherzinha queixar-se do ódio de quem quer que seja — mesmo que já tenha sido ministra da Educação e também não tenha deixado boas recordações — depois do esterco que fez e a que, eufemisticamente, chama políticas educativas? Que autoridade moral tem para tanto? Nenhuma.

Todo o ódio que os professores tivessem a Lurdes Rodrigues seria sempre pouco para as maldades que lhes fez e o calvário em que transformou as suas vidas.
Mas eles não se deixarão envenenar e paralisar por esse justo sentimento. Eles têm uma tarefa, direi mesmo um imperativo: contribuir para desinfectar a Educação desta coisa verde e pestilenta que a está a estiolar. E vão fazê-lo. Já falta pouco…

sexta-feira, julho 03, 2009

A 'obra' de Manuel Pinho

O primeiro-ministro, José Sócrates, aceitou hoje a demissão de Manuel Pinho, na sequência do incidente ocorrido na Assembleia da República, durante o debate do "estado a que a Nação chegou".
Evocamos aqui as principais realizações do ex-ministro da economia durante os seus quase quatro anos de passagem pelo governo:
  • Em 2006, anunciou o "fim" da crise em Portugal.
  • Em 2007, tentou lançar o programa 'Allgarve' para promover o turismo algarvio, que abortou pelo ridículo do nome.
  • No mesmo ano, numa visita à China, apelou ao investimento chinês no Terceiro Mundo em Portugal argumentando que os custos salariais são inferiores à média da União Europeia (UE).
  • Já este ano, entrou numa polémica envolvendo Paulo Rangel e Basílio Horta, dizendo que o líder parlamentar do P"SD" tinha "de comer muita papa Maizena para chegar aos calcanhares do Dr. Basílio Horta".
  • Ontem, tentou enfrentar a bancada do PCP mas, em vez de usar a cabeça, por ventura porque não suporta o vermelho, acabou por fazê-lo com "corninhos".

Sócrates perde assim uma cabeça dura, que muita falta lhe pode fazer para o renhido combate eleitoral que o espera.

De promessas está o inferno cheio

Primeiro dizia que queria rasgar tudo. Agora promete mudar tudo: o estatuto do aluno, o estatuto da carreira docente, o sistema de avaliação dos professores e a carga burocrática a que estão sujeitos.
Naturalmente isto é música para os ouvidos de quem, durante quatro longos e penosos anos, foi humilhado, vexado, perseguido pelo governo mais autoritário e arrogante de que há memória em 30 anos de democracia.
Mas atenção, Ferreira Leite já foi Ministra da Educação e não deixou boas recordações. E de promessas está o inferno cheio (as últimas que lá caíram foram as de Sócrates!…).
É por isso que vou pela Esquerda: porque estou farto deste P"S", porque estou farto de maiorias absolutas, porque estou farto da eterna alternância do centrão!… E de promessas!…

quinta-feira, julho 02, 2009

Se…

Se um homem ou mulher é professor(a) é porque é (minimamente) inteligente.
Se é inteligente, sabe distinguir o que está certo do que está errado.
Se sabe o que está certo, sabe que o Ministério da (des)Educação está errado.
Se sabe que o Ministério está errado, sabe que não deve votar no P"S".
Se sabe que não deve votar no P"S", só o fará se tiver má-fé ou for estúpido.
Como um professor não é estúpido, se votar no P"S" só o fará por má-fé.
Se votar por má-fé não merece ser chamado 'Professor'.
Portanto, um professor digno desse nome não vota P"S".

Porque tem memória. Porque tem honra. Porque quer ter um futuro.
Porque quer andar de cabeça erguida. Na escola e na vida.

A cassete da Milú

Dizem as más línguas que o PCP utiliza sempre a mesma cassete.
Pois, neste caso, se alguém vai usar cassete é a Ministra da Confusão Educação, que, como aconteceu da última vez, o mais certo é encravar. Mas o problema técnico será facilmente resolvido com a entrada em cenas dos seus papagaios secretários de Estado que se limitarão a repetir o discurso do ministério pela enésima vez.
Os problemas reais, esses continuaram sem solução enquanto esta gente estiver na 5 de Outubro.
Espero e desejo ardentemente que seja por muito pouco tempo! Oxalá!…

Ralham as comadres

Ralham as comadres, descobrem-se as verdades. E a verdade é que P"SD" e P"S", apesar das suas desavenças, são partidos irmãos. Há 30 anos que lutam pelo poder e nele se têm alternado sucedido. Os resultados dessa suposta alternância, infelizmente, estão à vista: Portugal continua a ser um dos países mais pobres da Europa e aquele onde a desigualdade social é mais gritante, o desemprego é uma chaga e a maioria do emprego é precário, a produção nacional está quase desmantelada e a dependência do exterior é crónica, o Serviço Nacional de Saúde rebenta pelas costuras e a Escola Pública tem no Governo (pasme-se!) o principal inimigo, a corrupção e o compadrio campeiam e a Justiça demora uma eternidade para que nada aconteça.
Até quando é que esta calamidade vai continuar? Até que a maioria dos portugueses acorde da letargia em que está megulhada há três décadas. Será que vai acordar de vez???…

terça-feira, junho 30, 2009

Fundamentalismo católico "socialista"

O artigo 43.º da Constituição da República Portuguesa garante "a liberdade de aprender e ensinar" e afirma que "o ensino público não será confessional".
Porém, a realidade é bem diferente do laicismo defendido pela constituição, uma vez que a disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica, ainda que com carácter facultativo, nunca deixou de fazer parte dos currículos do ensino básico e secundário.
Mas, para a cedência do Estado à Igreja Católica ser ainda maior, um governo supostamente socialista e laico, acaba de assinar um despacho que garante aos catequistas professores de "religião e moral", que entram nas escolas por nomeação do episcopado, sem concurso público, o privilégio de poderem leccionar outras disciplinas e exercerem cargos pedagógicos ou de gestão.
Para regressarmos ao "fundamentalismo católico" do salazarismo, já só falta recuperarem a Concordata que deu cabo da vida a milhares de portuguesas e portugueses!

segunda-feira, junho 29, 2009

Rasgar a "alternância"

Depois de um longo período em que fez voto de silêncio, Manuela Ferreira Leite, embalada pela queda vertiginosa do P"S" nas eleições europeias, surge-nos agora numa atitude mais rasgativa, tentando fazer-nos crer que, se ganhar as eleições, irá não apenas "rasgar" o essencial do programa de obras públicas, mas também inverter prioridades no sector da educação, através de uma reforma curricular profunda e do aumento da exigência na aprendizagem.
Pra começar, não está mau, mas seria bom saber o que pensa a senhora, do Estatuto da Carreira Docente, da divisão da carreira docente em categorias e do novo modelo de gestão das escolas, por exemplo. E já agora, da avaliação do desempenho docente. Eu por mim não alimento grandes expectativas. Ferreira Leite já foi ministra da Educação (e das Finanças) e não deixou propriamente grandes saudades.
O que é preciso é rasgar a alternância. Está na hora de procurarmos verdadeiras alternativas. À Esquerda, de preferência.

Mentirosos compulsivos

Coitado do mentiroso
Mente uma vez, mente sempre
Mesmo que fale verdade
Todos lhe dizem que mente

António Aleixo


"O gabinete de comunicação [do Ministério da Educação] não mente". Equivoca-se! Pois…
Mas, será isto para admirar num governo cujo chefe é um mentiroso compulsivo?

Avaliação terceiro-mundista

Um estudo comparativo dos modelos de avaliação dos docentes em Portugal, França, Inglaterra, Holanda e Polónia, encomendado pelo Ministério da Trapalhada Educação à consultora Deloitte, revela algumas conclusões particularmente interessantes:
Deste modo, se dúvidas houvesse, comprova-se agora que a sanha avaliadora do governo Sócrates não visa uma verdadeira melhoria das práticas docentes mas antes um corte drástico nos gastos com o pessoal docente, tratando-se, portanto, de um modelo economicista.
Com o mesmo objectivo, ao contrário das boas práticas dos países mais desenvolvidos, é um modelo persecutório e discriminatório, que promove o divisionismo e a competição cega em detrimento da cooperação e da dinâmica grupal.
É um modelo terceiro-mundista, decalcado do modelo chileno, há muito o sabíamos.

A questão que agora se coloca é a seguinte: que vai Lurdes Rodrigues fazer com este estudo, que arrasa por completo a monstruosidade que ela urdiu para avaliar os docentes? Não sei, mas, com as eleições a proximarem-se, admito que esta gente seja capaz de qualquer operação de cosmética para levar os professores à certa!…
Quanto a mim, sei bem o que vou fazer em 27 de Setembro: chumbar a pior equipa que alguma vez passou pelo Ministério da Educação!…

domingo, junho 28, 2009

Pobreza de espírito

Numa casa portuguesa fica bem
pão e vinho sobre a mesa.
Quando à porta humildemente bate alguém,
senta-se à mesa co'a gente.
Fica bem essa franqueza, fica bem,
que o povo nunca a desmente.
A alegria da pobreza
está nesta grande riqueza
de dar, e ficar contente.

Quatro paredes caiadas,
um cheirinho á alecrim,
um cacho de uvas doiradas,
duas rosas num jardim,
um São José de azulejo
sob um sol de primavera,
uma promessa de beijos
dois braços à minha espera...
É uma casa portuguesa, com certeza!
É, com certeza, uma casa portuguesa!

No conforto pobrezinho do meu lar,
há fartura de carinho.
A cortina da janela e o luar,
mais o sol que gosta dela...
Basta pouco, poucochinho p'ra alegrar
uma existência singela...
É só amor, pão e vinho
e um caldo verde, verdinho
a fumegar na tigela.

Quatro paredes caiadas,
um cheirinho á alecrim,
um cacho de uvas doiradas,
duas rosas num jardim,
um São José de azulejo
sob um sol de primavera,
uma promessa de beijos
dois braços à minha espera...
É uma casa portuguesa, com certeza!
É, com certeza, uma casa portuguesa!

A maioria dos portugueses, apesar de pobre, considera-se feliz.
De repente, fica claro por que sessenta por cento dos portugueses não votam e, dos que o fazem, mais de setenta por cento se conformam com uma governação que, em trinta anos, melhor não fez do que manter Portugal como um dos países mais pobres e desiguais da Europa.
Hoje, como ontem, na "casa portuguesa", a pobreza de espírito é, lamentavelmente, a maior pobreza, "com certeza"!…

sábado, junho 27, 2009

Pela Esquerda é que vamos

Contra a crise e o seu cortejo de terríveis consequências — o aumento imparável do desemprego, o alastramento da pobreza, o agravamento das desigualdades sociais — só há lugar para uma política económica que aposte no investimento. Não o investimento em obras faraónicas que, além de constituir pasto apetitoso para os grandes grupos económicos, apenas serviria para agravar a dívida pública e a dependência comercial face ao exterior, mas antes, o investimento em sectores como a saúde, a educação, a requalificação urbana e ambiental, as energias renováveis, os bens transaccionáveis, que, seguramente, revitalizaria o tecido empresarial e estimularia a criação de emprego, melhorando o nível de vida da população e o desenvolvimento do país. Uma política económica que aposte mais nas pessoas do que nos números e recuse a extrema desigualdade e a pobreza cada vez maior que nos colocam na cauda da Europa, promovendo não apenas o crescimento, mas também uma maior justiça social na repartição da riqueza criada. Uma política económica de Esquerda, como já aqui tinha defendido. E como também defende agora um grupo de sessenta académicos. Ainda bem. É sempre bom que haja mais, muitos mais, a pensar e a sonhar como nós. Porque pelo sonho e pela Esquerda é que vamos.

sexta-feira, junho 26, 2009

Política de esquerda, precisa-se

Segundo a OCDE, a nossa economia cairá, este ano, 4,5 por cento, o que, se isso nos serve de consolo, será ligeiramente melhor que a contracção de 4,8 por cento da zona euro. Mas em 2010, apesar da recuperação prevista, a situação começará a inverter-se. Com excepção da Irlanda e da Espanha, Portugal terá o pior desempenho da zona euro, com um crescimento ainda negativo de 0,5 por cento. Finalmente, passada (?) a recessão internacional, de 2011 a 2017, voltaremos à nossa triste condição de "lanterna vermelha" do pelotão dos 30 países da OCDE, com um tímido crescimento de 1,5 por cento, aquém dos 2,3 por cento estimados para a zona euro.
Se estas previsões se confirmarem — e infelizmente não se vislumbram razões que nos levem a pensar que será diferente — é forçoso concluir que:
  • contrariamente ao que o Primeiro-ministro tem propagandeado, enfrentamos não apenas uma crise internacional, resultante da voracidade insaciável do neo-liberalismo capitalista, mas também a nossa própria crise, fruto de políticas que têm conduzido ao desmantelamento da produção nacional;
  • a nossa crise não é meramente conjuntural e, como tal, não é imputável apenas ao governo de José Sócrates; trata-se de uma crise estrutural que se arrasta há mais de trinta anos;
  • não se trata da crise do socialismo nem da social-democracia (que tão bons resultados deram e dão nos países nórdicos) mas antes "obra" de partidos que se autoproclamam socialistas e social-democratas, cujas políticas outra coisa não têm feito senão apoiar os grandes grupos financeiros, contribuir para o desmantelamento da produção nacional e, assim, levar ao enriquecimento cada vez maior duma minoria e ao empobrecimento dramático da maioria dos portugueses.
Por tudo isto, é urgentemente precisa uma política que estimule o crescimento da economia real e a recuperação da produção, promova o desenvolvimento e a justiça social. Uma política de esquerda, naturalmente.

segunda-feira, junho 22, 2009

Sócrates e Lurdes Rodrigues: chumbados!

O Relatório sobre o Acompanhamento e a Monitorização da Avaliação do Desempenho Docente, aprovado por unanimidade pelo Conselho Científico para Avaliação de Professores (CCAP), não podia ser mais devastador para a forma atabalhoada como o Ministério da Educação insistiu na implementação do processo de avaliação e as consequências que o mesmo teve (e continua a ter) na vida das escolas.
Perturbação, semeada por quem tem, em vez disso, o dever de apoiar na busca de soluções, e medo, instilado por um governo supostamente democrático e socialista, dominaram o clima que se instalou no nosso ensino, envenenado também pela deterioração das relações profissionais e afectivas entre os intervenientes no processo, conclui o relatório.
Em vez de construir um processo avaliativo assente no princípio do acompanhamento científico, pedagógico e didáctico, o ME enveredou por uma prática e normativa e prescritiva que haveria de transformar a avaliação num processo burocrático e inexequível, primeiro, improfícuo, depois.
O CCAP vai ao fundo do problema e considera mesmo "que a avaliação do desempenho docente foi afectada pela concomitância de outras medidas de política educativa, nomeadamente o Estatuto da Carreira Docente, o concurso para acesso a categoria da professsor titular, o Estatuto do Aluno e o novo regime de autonomia, administração e gestão dos estabelecimentos púbicos da educação pré-escolar e dos ensinos básico e secundário".
Perante tal libelo acusatório, que apenas vem confirmar e dar notoriedade ao que todos nós infelizmente já conhecíamos, é forçoso concluir que quem tem de ser avaliado, e de forma profundamente negativa, é esta incompetente equipa ministerial e o Primeiro-ministro que desde sempre a apoiou cegamente. É isso que se espera dos professores, em particular, e dos portugueses, em geral, nas legislativas de Outubro.

quinta-feira, junho 18, 2009

Um fato Armani, apenas

A ancestral sabedoria popular que, entre muitas coisas, ensina que "o hábito não faz o monge", permite hoje concluir que um fato Armani, ainda que comprado em Beverly Hills, não faz um Primeiro-ministro. Mesmo contratando os técnicos de imagem de Obama.
Há coisas muito difíceis, senão impossíveis, de mudar numa pessoa. A falta de carácter, por exemplo.

Livro Negro

LIVRO NEGRO DAS POLÍTICAS EDUCATIVAS DO XVII GOVERNO CONSTITUCIONAL:

Contrariamente ao que alguns pretendem fazer crer, oitenta páginas de razões incontornáveis para que nenhum professor vote Sócrates!

quarta-feira, junho 17, 2009

Narcisista e cínico

1. O Primeiro-ministro, agora em estilo "português suave", mas com o narcisismo que o caracteriza, diz estar muito satisfeito consigo.
Quem, certamente, não pensará da mesma forma são os cerca de 74 por cento de portugueses que não votaram P"S" mais os 63 por cento que se abstiveram nas eleições europeias, ou seja, mais de 90 por cento de eleitores. Ainda mais agora que Sócrates garantiu ir manter o rumo das suas nefastas políticas, incluindo o ruinoso investimento no TGV.

2. Depois da guerra que declarou aos docentes e da instabilidade que semeou nas escolas, o Primeiro-ministro, agora que a sua avaliação se aproxima, afirma que gostaria de não ter apresentado uma proposta (?) de avaliação de professores tão exigente, tão complexa, tão burocrática. É preciso ter muita lata. É preciso ser-se muito cínico…

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Listening to: Sérgio Godinho - O charlatão
via FoxyTunes

Afinal a escravatura não morreu

Quando concebeu o materialismo histórico, Marx estava, certamente, longe de imaginar que, mil e quinhentos anos após o desaparecimento do modo de produção esclavagista, viéssemos a assistir, em plena vigência do capitalismo, à ressurreição da escravatura mais ignóbil, como a que acontece na África e na Ásia, onde até as crianças são obrigadas a trabalhar para sobreviver, ou neste caso, em que se pede trabalho em troca de nada.

Sócrates e Lurdes Rodrigues ao contrário da OCDE

A maioria dos pais não educa os filhos. Porque não tem tempo, por incapacidade ou, pura e simplesmente, porque não está para se maçar com isso.
O ministério dito da Educação maltrata e desautoriza os professores, borrifando-se nas consequências desastrosas dessa atitude.
Os professores, ainda que tenham a sorte de não ser insultados ou agredidos por algum aluno ou pelo respectivo papá, são obrigados a perder a maior parte do tempo a manter a disciplina na aula.
A conclusão é da OCDE, que defende que os ministérios têm que prever incentivos mais eficazes para os professores, recompensando-os e reconhecendo o seu trabalho.

Aposto que Sócrates e Lurdes Rodrigues não lêem estas coisas!…

terça-feira, junho 16, 2009

TGV, jamé!

Como aqui ontem previ, o receio de novo desaire eleitoral do P"S" levou ao adiamento da decisão final sobre o TGV para a próxima legislatura. Pena é que não tenha sido para o dia de S. Nunca! Teremos de ser nós, em Outubro, a decidir definitivamente: TGV, jamé! Viva o Alfa!…

Com que então, ingénuo?!…

Vítor Constâncio, declarou à comissão parlamentar de inquérito à alegada roubalheira do BPN que não houve falhas de supervisão nem negligência por parte da entidade supervisora, mas admitiu ter havido alguma ingenuidade na sua actuação.
Embora haja más línguas que afirmam que o BPN já custou ao erário público dois mil e quinhentos milhões de euros, segundo Constâncio, as perdas para o contribuinte resultantes da ingenuidade do Banco de Portugal naquele caso não deverão ultrapassar a bagatela de mil milhões de euros!
Ficamos, portanto, a saber que o governador do Banco de Portugal, que é apenas o terceiro mais bem pago do mundo, ganha um salário astronómico para ser… ingénuo. E fazer de nós parvos, pelos vistos.

segunda-feira, junho 15, 2009

É difícil entender isto?

Ainda o TGV…
A prioridade da futura rede portuguesa de alta velocidade deve ser a ligação entre Lisboa e Madrid e tudo o resto deve ser adiado, explica quem sabe.
Senhor Primeiro-ministro, senhor Ministro Mário Lino, desculpar-me-ão mas é preciso ser-se muito burro para não entender isto! Ou, entendendo, ser-se absolutamente irresponsável.

A alta velocidade

Mário Lino, que ficará no anedotário nacional por ter afirmado que "a margem esquerda é um deserto" e que "aeroporto em Alcochete, jamé!", diz que não vê razões para o Presidente da República não promulgar a lei de bases do contrato de concessão do projecto de alta velocidade.
O maior cego é o que não quer ver e, infelizmente, a cegueira tem sido um dos piores males deste governo.
Mas Lino e Sócrates, receosos do impacto que a decisão da adjudicação da faraónica obra possa ter no resultado das legislativas, preparam-se para adiá-la para depois das eleições. Deve ser a isto que o Primeiro-ministro chama "manter o rumo" (desviando a atenção dos cidadãos, acrescento eu).
Se eu fosse PR, o único projecto que eu assinava seria o que afastasse esta cambada de incompetentes da governação. A alta velocidade.

O cinismo sionista não tem limites

A Palestina pertence aos palestinos, da mesma forma que a Inglaterra pertence aos ingleses, ou a França aos franceses.
É errado e desumano impor os judeus aos árabes. O que está acontecendo na Palestina não é justificável por nenhuma moralidade ou código de ética. Os mandatos não têm valor. Certamente, seria um crime contra a humanidade reduzir o orgulho árabe para que a Palestina fosse entregue aos judeus parcialmente ou totalmente como o lar nacional judaico.
(Mahatma Gandhi, 1938)

Apesar das palavras sábias de Gandhi, o Estado judaico viria a ser criado na Palestina, em 1948, com base numa vergonhosa resolução da ONU e o apoio das grandes potências mundiais.
A tragédia que daí resultou, passados sessenta anos, está hoje à vista: o esquartejamento e roubo do território palestino com a abusiva implantação de colonatos hebraicos, a transformação da pátria palestina num imenso campo de concentração onde não falta sequer um muro de alta segurança e check-points por todo o lado, o massacre sistemático dos palestinos e a destruição dos seus lares e infraestruturas através de um hediondo terrorismo de Estado (como recentemente aconteceu na Faixa de Gaza). Ou seja, ao povo que ali vive há milhares de anos ainda hoje não é reconhecido — pelo menos pelos sionistas israelitas — o direito elementar a ter uma pátria livre e independente.
Agora, certamente em resposta aos apelos de Obama, o Primeiro-ministro israelita vem dizer que aceita a criação de um Estado palestino se for desmilitarizado e que não serão construídos novos colonatos.
É caso para perguntar: que legitimidade tem um país armado até aos dentes e que ocupa territórios alheios, para fazer este tipo de exigências e declarações?
E ainda, retomando um comentário que li algures: como se defende um Estado desmilitarizado das bárbaras agressões de que frequentemente é vítima???…
O cinismo sionista não tem limites.

sexta-feira, junho 12, 2009

O (mau) exemplo vem de cima

"Mais depressa se apanha um mentiroso que um coxo." (ditado popular)

Um mês antes das eleições, Sócrates admitia que as europeias (também) serviriam para avaliar as políticas do seu governo. Agora, depois da sova mestra que levou, já vem dizer, no seu habitual estilo de dama ofendida, que "é um abuso" retirar ilações sobre a sua (des)governação dos resultados das eleições de domingo passado.
Não é este, seguramente, o tipo de exemplos que António Barreto exortou o poder a dar, no seu esclarecedor discurso do 10 de Junho.
Bem pode o Presidente da República criticar os elevados níveis da abstenção eleitoral. Com comportamentos deste jaez, a participação política dos portugueses e a sua confiança no regime democrático só podem ser cada vez menores. E, obviamente, preocupantes.

domingo, junho 07, 2009

Cá se fazem, cá se pagam!

Eu bem avisei aqui que os professores ajustariam contas com Sócrates. E foi o que aconteceu. A hecatombe foi te tal ordem que, como também aqui antecipei, (provavelmente) nenhum professor terá votado P"S".
Mas isto foi apenas a primeira fase do exame do governo. A fase final será em Outubro, com as legislativas. Aí será o chumbo definitivo de Sócrates, pela defesa da Escola Pública e por uma nova política educativa que qualifique o ensino e dignifique a classe docente.

Vem aí o Bloco Central?

Não foi uma grande vitória, a do PSD, cuja percentagem de votos de 31,7%, de resto, foi inferior à de 2004, em que atingiu 33,3%, embora coligado com o CDS.
Grande, estrondosa mesmo, foi a derrota do Partido de Sócrates, que deu um trambolhão caindo fragorosamente dos 44,5% de 2004 para os actuais 26,6%.
E a Esquerda só podia subir e ganhar com esta sangria do P"S": mais o Bloco, que cresceu de 4,9% para 10,7% , duplicando ou, porventura, triplicando o único mandato que tinha, do que a CDU, que passou de 9,1% para 10,7%, mantendo os dois mandatos que já possuía.
A maioria absoluta do P"S" está, portanto, feita em cacos. Ainda bem. Foi no que deu o seu autoritarismo e arrogância desenfreados, a sua falta de humildade democrática e de sensibilidade social.
Vamos agora para as legislativas e, se o actual cenário se mantiver, outro desafio se coloca já à Esquerda: reforçar o apoio ao Bloco e à CDU, de modo a evitar que este P"S" (ou o que dele resta) caia na tentação de reeditar o Bloco Central com o PSD. Apesar do centrão registar a sua mais baixa expressão eleitoral, não estamos completamente livres que um tal golpe possa vir a acontecer…

O voto é um dever cívico

Não me absterei, porque o voto é um dever cívico. Dever que cumprirei, desta vez, com redobrada convicção.
Vou penalizar quem me ofendeu e me humilhou, podem estar certos.

sexta-feira, junho 05, 2009

Com o P"S" é impossível sair da crise

Ao cabo de trinta anos de governança, as políticas de Direita mais não fizeram do que manter-nos entre os países mais pobres e atrasados da Europa e fazer de Portugal o mais injusto e desigual de todos, com uma pobreza endémica, um desemprego galopante, uma corrupção incontrolável, ao mesmo tempo que garantiram proventos abjectos aos políticos que as conduziram e às suas ávidas clientelas.
Com o CDS, o P"SD" e, infelizmente, o P"S", é impossível sair da crise (não apenas da que vem de fora, mas daquela que há muitos anos carregamos às costas e da qual são eles os únicos e exclusivos responsáveis, por acção ou omissão).
É por isso que agora é hora da Esquerda. Porque ontem já era tarde.

Sócrates, deixa-nos em paz!

Miguel Portas afirmou que objectivo do Bloco de Esquerda é que o PS fique "suficientemente longe da maioria absoluta". Pediu, por isso, que ninguém deixe de ir votar no próximo domingo, "para dizer a José Sócrates que se acabou a arrogância da maioria absoluta".
Absolutamente de acordo. O que nós queremos mesmo é que Sócrates nos deixe viver em paz. Maioria absoluta do P"S", jamé!

Mais trabalho e menos passeio

Ora vamos lá conferir a avaliação dos deputados portugueses ao Parlamento Europeu e aproveitemos para comparar o desempenho de Edite Estrela e Ilda Figueiredo:
As conclusões parecem-me óbvias: embora passe menos tempo em Estrasburgo que Edite Estrela, Ilda Figueiredo é a melhor eurodeputada portuguesa e a que mais trabalha.
Jerónimo de Sousa tem portanto toda a razão quando, da forma educada que o caracteriza, recomenda "mais cuidado" à número dois da lista do P"S" às eleições europeias, afirmando que Ilda Figueiredo "trabalhou três vezes mais" que Edite Estrela. Eu, que não sou tão delicado como Jerónimo, ter-lhe-ia recomendado mais trabalho e menos passeio.

P'ra grandes males…

Alguns dirão que isto é um caso de populismo, um atentado à liberdade económica ou o que resta dos genes do regime soviético, sei lá.
Para mim, trata-se apenas da intervenção reguladora do Estado numa economia capitalista onde a liberdade de iniciativa e o mercado não podem justificar tudo. Designadamente, não se pagar os salários a quem trabalha.
Em Portugal sucede o contrário. Os governos (este e os anteriores) são cúmplices, por acção ou omissão, com a injustiça social e até com a roubalheira.

quarta-feira, junho 03, 2009

Estou farto deles!


Não voto P”S”
Não voto na Direita


1. Infelizmente, Portugal é um dos países europeus onde a falta de transparência e a corrupção são mais elevadas e manifestam tendência para aumentar (de 2004 para 2008 passámos do 27.º para o 32.º lugar na lista da Transparency International), o que nos atira para a cauda da Europa em matéria de desenvolvimento e justiça social.

2. O caso é de tal modo grave que o vice-presidente do FMI afirmou em 2005 que, não fora a corrupção e Portugal poderia ser tão desenvolvido como a Finlândia!

3. Talvez se trate também de uma questão cultural. Não é por acaso que somos considerados um povo de brandos costumes: aguentámos pacientemente uma ditadura de 48 anos e agora há 30 que nos comportamos como zombies perante uma alternância democrática que nos leva a lado nenhum (a não ser uma desgraça cada vez maior).

4. Alternância democrática eufemisticamente chamada de centrão ou bloco central mas que, verdadeiramente, não é mais do que a Direita, quer através de coligações, algumas contra-natura, como aconteceu em 1978, entre o PS e o CDS, e em 1983, entre o PSD e o PS, ou de governos partidários do PSD ou do PS (que só é de Esquerda quando está na oposição!).

5. De uma forma ou de outra, o regime democrático está transformado numa vergonhosa cleptocracia em que a Direita (CDS, PSD e P”S” governamental) se tem aproveitado do poder político para distribuir prebendas e mordomias de Estado às suas clientelas e assenhorear-se de cargos milionários nos conselhos de administração das empresas públicas.

6. Como pôr um ponto final neste regabofe? Há quem desabafe dizendo que tal só seria possível com um novo 25 de Abril, desta vez a sério, sem cravos nas espingardas. Mas para isso seria precisa uma conjugação de factores que jamais se repetirá. Os militares e as pessoas estão hoje mais preocupados com as suas vidas. O 25 de Abril “foi um sonho lindo que acabou”, cantou um dia, desencantado, J. M. Branco.

7. Resta-nos, portanto, lutar com as forças que nos sobram e os direitos que a Constituição (ainda) nos garante: manifestarmo-nos, protestarmos, fazermos greve. Porém, com um governo autista e autoritário como é o actual, a vitória não é certa, como se tem visto com a luta gigantesca dos professores!

8. Temos, por isso, que democratizar o Poder, enfraquecendo a Direita e reforçando a Esquerda e para tal, é urgente retirar a maioria absoluta, no mínimo, ao Partido de Sócrates.

9. Nesse sentido, votar CDS, PSD ou P”S” está fora de questão. Seria mais do mesmo, ou seja, a continuação da desgraça.

10. Quanto à abstenção, mesmo que alguns disso não tenham consciência, representa a negação da democracia e a crença num regime autocrático e em salvadores-da-pátria (de que já bastaram 48 anos!).

11. Já o voto branco, embora seja uma escolha democrática, se fosse um voto em larga escala, como aconteceu na ficção de Saramago, Ensaio sobre a Lucidez, talvez provocasse um terramoto político de consequências ainda que imprevisíveis certamente mais interessantes do que o pântano em que estamos atolados. Na realidade, porém, trata-se de um voto residual e, mesmo que desta vez tivesse uma expressão ligeiramente maior, não teria qualquer influência nos resultados da eleição, como esclarece a CNE: “O voto em branco não é válido para efeitos de determinação do número de candidatos eleitos, não tendo influência no apuramento do n.º de votos e da sua conversão em mandatos, nos termos do artigo 16º da Lei nº 14/79. Deste modo, ainda que o número de votos em branco seja maioritário, a eleição é válida, visto que existem votos validamente expressos, só esses contando para efeitos do apuramento.” Na prática, portanto, de nada adianta votar branco.

12. A hipótese de votar em pequenos partidos apenas com o objectivo de diminuir o peso do centrão (o m.q. Direita), a única coisa que faz é enfraquecer a oposição, pela dispersão de votos que provoca.

13. De tudo isto, resulta que, no actual contexto político e social, as duas únicas opções de voto que se  afiguram aconselháveis são o Bloco de Esquerda e a CDU.

14. É entre elas que, no domingo, farei a minha escolha.