sexta-feira, maio 15, 2009

No país da ficção

Em comparação com o primeiro trimestre de 2008, a economia portuguesa caiu 3,7 por cento no primeiro trimestre deste ano, registando o pior resultado de há 30 anos a esta parte.
Porém, não deve ser caso para alarme porque o senhor primeiro-ministro, embora reconheça que o abrandamento da economia “é preocupante”, lembra-nos que Portugal regista um abrandamento inferior ao de outros países da União Europeia.
De resto, a situação é de tal modo normal que o senhor ministro das Finanças, que garante que as despesas públicas estão controladas e não é necessário um orçamento rectificativo, afirma que a recuperação económica poderá iniciar-se no final do corrente ano e manter-se de forma gradual durante o ano de 2010.
Não. Não se riam. Eles sabem o que dizem e o que fazem. É gente séria e competente. Podemos, portanto ficar descansados porque os 500 mil desempregados, os 2 milhões de precários, os 2 milhões de pobres, a gigantesca dívida pública e o imparável défice orçamental, é tudo ficção.

Avaliação do governo-Sócrates

No próximo dia 30, é a vez dos professores, por respeito à sua dignidade, avaliarem José Sócrates e as malfeitorias do seu "governo".

E em Junho e em Outubro, vamos ao ajuste de contas. Sócrates? Não, obrigado.

Lutar até ao fim

Lutar até ao fim. Com dignidade. Pelo direito à dignidade.

Utopias (ou talvez não…)

Amanhã, Manuel Alegre irá finalmente desfazer o seu tabu mas é já praticamente certo que não abandonará o PS e não caucionará, portanto, a criação de um novo partido.
Em nome de uma difícil mas não impossível federação da Esquerda, penso que é a decisão certa, contanto que resista à tentação de integrar as listas de Sócrates para as legislativas. E isso é o mínimo que dele se espera. Sobretudo depois de ter exigido a revogação do código laboral, a suspensão do modelo de avaliação dos professores, a abolição das taxas moderadoras, e não ter obtido qualquer resposta do governo. E ainda, depois das ofensas soezes de que foi vítima por parte dos lacaios do secretário-geral do P"S".
Só assim pode continuar a ser uma referência da Esquerda e contribuir para que o PS possa vir a recuperar a sua matriz socialista.
Só assim pode aspirar a ser o próximo Presidente da República. Com os votos da Esquerda.
A decisão é dele.

quinta-feira, maio 14, 2009

Palavras sábias e justas (desta vez)

Um Estado e uma pátria independente para os palestinianos, o abate do muro de segurança construído por Israel, o fim do bloqueio a Gaza e a recusa do terrorismo — e certamente o Papa não estava apenas e principalmente a referir-se aos bombistas suicidas e aos rockets artesanais do Hamas, mas também aos massacres perpetrados pela máquina de guerra sionista —, tudo isto defendeu Bento XVI na visita que está a efectuar à Palestina, em contraste com o alheamento e a inoperância da maioria dos líderes políticos e organismos internacionais. E insistiu que só o diálogo pode levar à paz. Desta vez, as suas palavras são sábias e justas. O problema será passar das palavras aos actos. Mas, para isso, talvez não cheguem os seus veementes apelos…

quarta-feira, maio 13, 2009

Sócrates devia era sentir remorsos…

Antes da crise global, a economia portuguesa já crescia muito abaixo da média europeia.
Depois, quando já era previsível o trambolhão que iríamos dar, em vez de prevenir os acontecimentos, o Governo tentou camuflar a situação com um orçamento tão irrealista que, passados quinze dias, estava desactualizado.
Agora, com mais de meio milhão de pessoas no desemprego e a respectiva taxa a caminhar para os 10 por cento, mais de dois milhões de trabalhadores precários, cerca de dois milhões de portugueses a viver abaixo do limiar da pobreza, a dívida pública a aproximar-se dos 90 por cento do PIB, o défice orçamental a regressar à casa dos 6 por cento, a que se acrescenta a eliminação de boa parte dos direitos sociais e laborais, a liquidação da agricultura e das pescas, o vergonhoso alastramento da corrupção e o aumento da criminalidade, não há propaganda nem manipulação de informação que possa esconder esta dramática situação em que a irresponsabilidade do Primeiro-ministro e da sua fiel maioria mergulharam o país.
É caso para insónias, sem dúvida, mas da maioria da população, que a cada dia tem mais dificuldades de sobreviver. Sócrates devia era sentir remorsos e vergonha. E tirar daí as devidas consequências…

terça-feira, maio 12, 2009

Uma austera, apagada e vil tristeza

Ao fim de dois anos de luta prolongada e crescente, que a dada altura chegou a mobilizar a quase totalidade dos professores portugueses, apenas cerca de vinte por cento se terá recusado a definir e entregar os objectivos individuais e, provavelmente, se nada mudar até final de Julho, a totalidade entregará a respectiva ficha de auto-avaliação (o que é humanamente compreensível, já que as lutas dispensam mártires e ganham-se ou perdem-se colectivamente). No final, ninguém terá sido verdadeiramente avaliado, apenas participado numa bem urdida encenação, mas o governo terá alcançado o seu objectivo: poder proclamar que avaliou os professores.
Uma luta que haveria de culminar nas duas maiores manifestações alguma vez feitas por uma classe profissional e numa greve participada em mais de 90%, que obteve o apoio de todos os partidos da Oposição e até de algumas individualidades do partido governamental, que suscitou a solidariedade da Igreja, a compreensão de algumas organizações de pais e o destaque esclarecedor de boa parte da comunicação social, que, apesar de rotulada de corporativa pelo Governo, ultrapassou largamente a dimensão profissional, assumindo um carácter nacional, com a defesa da qualidade do ensino e da Escola Pública, uma luta assim, jamais deveria acabar deste modo, sob a forma "duma austera, apagada e vil tristeza".
Talvez os professores venham a perder o combate. Talvez… Mas o prejuízo maior não será deles. Será dos jovens e do país. Disso podemos estar certos.

O Magalhães e o choque oftalmológico

Segundo a Sociedade Portuguesa de Oftalmologia, a utilização do computador Magalhães pode fazer disparar os casos de miopia entre as crianças devido ao tamanho do portátil e às letras muito pequenas.
Depois das barracas com o software e das demoras na entrega, só faltava mais esta. É no que dá a miopia política do governo-Sócrates. O propalado choque tecnológico pode, assim, estar seriamente comprometido e dar lugar a um preocupante choque… oftalmológico.

FAQ's sobre o Bloco "Central"

em actualização

segunda-feira, maio 11, 2009

A certificação do faz-de-conta

A empresa Energie, da Póvoa de Varzim, apadrinhada por José Sócrates e Manuel Pinho, perdeu a certificação para a produção de equipamentos solares térmicos, apurou o PÚBLICO. O laboratório alemão, que tinha certificado os seus produtos, retirou-lhe essa classificação por estar em causa o facto de os painéis da Energie usarem a energia eléctrica não de forma subsidiária, mas como fonte principal, o que leva ao agravamento da factura de electricidade.
Afinal, o que se poderia esperar de um Primeiro-ministro que tirou uma licenciatura por processos duvidosos numa universidade que o prório governo teve de encerrar, tantas eram as irregularidades? que monta um sistema de atribuição de diplomas do 12.º ano que mais parece uma fábrica de chouriços? e que ilude o insucesso escolar através do facilitismo e das estatísticas?
A certificação do faz-de-conta.

Terra da fraternidade

Para José Afonso, a Galiza sempre foi "terra da fraternidade".
Por isso os galegos o homenagearam ontem em Santiago de Compostela, dando o seu nome a um dos parques da cidade e cantando emocionadamente "Grândola, Vila Morena".
Em Portugal, ao contrário, o nosso maior cantor popular é quase votado ao esquecimento!…

sexta-feira, maio 08, 2009

Corrupção: É fartar, vilanagem!

Nunca tanto se falou da necessidade de regulação e bem precisa ela seria num país onde muitos dos agentes económicos nem sempre primam pela seriedade no seu comportamento.
Entidades reguladoras existem mas, para além dos ordenados milionários que pagam aos seus dirigentes, o que têm feito para garantir a transparência dos mercados?
O Banco de Portugal fecha os olhos às negociatas especulativas e criminosas da Banca. A Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos deixa a Galp e a EDP à rédea solta, fixando os preços dos combustíveis e da electricidade a seu bel-prazer e arrecadando lucros astronómicos à custa dos consumidores.

O mesmo acontece com a corrupção. Todos (ou quase todos) falam da necessidade de a combater. Existe até um orgão pomposamente chamado Conselho de Prevenção da Corrupção mas, provavelmente, não é para ser levado a sério. E os resultados da actuação da Justiça são o que se (não) vê. Por isso o polvo cresce cada vez mais — segundo a Transparency International, em 2004, Portugal já ocupava um modesto 27.º lugar no ranking da corrupção, mas de então até 2008, caiu para o 32.º. É fartar, vilanagem!

quarta-feira, maio 06, 2009

Vergonha para a democracia

Como já é habitual, Maria de Lurdes Rodrigues não vai ter de ir à Assembleia da República prestar contas pela forma pidesca como a DGS Inspecção-Geral da Educação foi a Fafe interrogar os alunos sobre a organização da manifestação contra a ministra da "educação" e os acontecimentos então ocorridos.
Chefiada por alguém que, provavelmente, já não se lembrará do papel que desempenhou na liderança da contestação estudantil, no final da década de sessenta, a carneirada maioria governamental não o permitiu, perpetrando, deste modo, mais um atentado à democracia e às liberdades individuais.
Uma "vergonha para a democracia", como diria o Primeiro-ministro.

Senhor Secretário de Estado, cale-se, se faz favor!

O Ministério dito da Educação que, para não variar, mais uma vez não chegou a acordo com os sindicatos dos professores, desta vez, para a Revisão do Estatuto da Carreira Docente, pela voz do secretário de Estado Jorge Pedreira, veio dizer que a manifestação de professores, uma semana antes de eleições, é "insólita" e "pouco adequada".
Se tivesse aprendido alguma coisa quando foi (?) sindicalista, Jorge Pedreira devia saber que, acerca do agendamento das acções de protesto, os sindicatos só têm que dar satisfação aos profissionais que representam, cumpridas as formalidades legais.
Além disso, se ainda lhe restasse um pingo de vergonha, depois da desgraçada política educativa que o seu ministério tem prosseguido e da sistemática perseguição que tem movido aos professores, essas sim, muito mais do que insólitas e pouco adequadas, verdadeiramente criminosas, calava-se. E, de caminho, prestava um grande serviço ao país: demitia-se. De outro modo, vamos ter de correr com ele.

Todos contra Sócrates

A luta dos professores poderá entrar pela campanha para as legislativas. E nós defendemos: tem de entrar!
Quem tiver memória e ainda lhe sobrar um resto de dignidade só pode votar contra o Partido de Sócrates. Independentemente da opção que fizer — Nós aqui vamos pela Esquerda. Por convicção e porque da Direita, há 30 anos, nada de novo.

segunda-feira, maio 04, 2009

Povo de brandos costumes: até quando?

Infelizmente, conhecemos bem as consequências dos trinta anos de alternância governativa entre o P"S" e o P"SD" (por vezes com a participação do CDS/ PP) e dos dois anos (1983-1985) do governo de coligação do P"S" com o P"SD": pobreza extrema, injustiça social, desemprego crescente e emprego precário para a maioria dos trabalhadores, enquanto alastra a prosmiscuidade entre a governança e a finança, grassa a corrupção e florescem as negociatas obscuras, perante a passividade ou impotência da Justiça.
É esta a estabilidade em nome da qual Jorge Sampaio considera ser necessária, mais uma vez, a formação de um governo do bloco central? Que, por estranha coincidência, Francisco Van Zeller, o patrão da CIP, também defende? Será que estes senhores ainda não se aperceberam do barril de pólvora social que pode estar a ser criado com a governação insensível e desumana do eterno centrão?
Por enquanto, a indignação e a revolta não têm dado lugar a mais do que umas bocas e uns empurrões inofensivos, uma vergonha para a democracia, dizem os democratas de pacotilha. Mas não sei até quando os portugueses, cada vez mais desesperados e maltratados pelas políticas do P"S" e do P"SD", estão dispostos a ser "um povo de brandos costumes" e a suportar a vergonhosa liquidação da democracia pelos plutocratas e cleptocratas que se têm governado à sua custa!

Há sempre alguém que diz não

Sílvio Berlusconi, considerado o homem mais rico da Itália e o 15.º mais rico do mundo, acusado diversas vezes de corrupção e ligações com a Máfia, representa o que há de mais promíscuo e asqueroso na relação dos negócios, as mais das vezes sujos, com a política, tendo criado os próprios partidos, ou melhor, as máquinas de propaganda, que lhe permitiram, por três vezes, conquistar o poder.
Seja como for, a verdade é que, por outras tantas vezes, o eleitorado italiano se deixou enganar, se apenas de um engano se tratou, por um refinado neo-fascista e populista, à beira do qual, Alberto João Jardim até poderia ser considerado um excelso democrata.
Mas, como diz o poeta, "há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz não". E às vezes é quem menos se espera.
Ao fim de 19 anos de casamento, Veronica Lario, a segunda mulher de Berlusconi, vai pedir o divórcio, porque quer voltar a ser uma pessoa normal e respeitável.
Ainda bem que nem todos os italianos se deixam levar por Berlusco!

sábado, maio 02, 2009

Senhor Primeiro-ministro, tenha vergonha!

Quando alguém obteve a sua licenciatura em engenharia por processos engenhosos, assinou projectos de moradias feitos por outros, comprou a sua casa por quase metade do preço real e a da senhora sua mãe num paraíso fiscal, tem demasiadas telhas de vidro para atirar pedras aos telhados alheios.
Quando esse alguém, como governante, licenciou um gigantesco empreendimento, numa área protegida, em tempo relâmpago, alegadamente, a troco de luvas, então perde toda a autoridade moral para acusar as pessoas de comportamentos, porventura, menos próprios, mas que são o resultado do desespero a que a sua actuação, como primeiro-ministro, as conduziu.
Apesar de todo o foguetório e propaganda, ao fim de quatro anos de mandato, é hoje claro o drama em que José Sócrates mergulhou Portugal: a maior injustiça social e a pior repartição de rendimento da União Europeia, cerca de dois milhões de pobres, mais de meio milhão de desempregados e dois milhões de trabalhadores precários, enquanto a corrupção tem crescido e alimentado obscuros e milionários negócios, e salários chorudos e reformas douradas de gestores e políticos sem escrúpulos.

sexta-feira, maio 01, 2009

Sócrates não tem desculpa

O professor Vital, que há vinte anos saiu do PCP e é hoje a cara do P"S" nas eleições para o Parlamento Europeu, em vez de se dirigir ao Marquês, onde começava o desfile dos seus actuais correligionários da UGT, resolveu ir para o Martim Moniz, ponto de partida da manifestação da CGTP, onde, provavelmente, encontraria alguns antigos camaradas comunistas, e seguramente, largos milhares de pessoas descontentes com o governo do Partido de Sócrates.
Enganou-se, portanto, ou foi fazer campanha em seara alheia, o que é mais grave. Não tem, por isso, de que se queixar e muito menos de esperar um pedido formal de desculpas da CGTP e do PCP, como pretende o Dr. Vitalino. Primeiro, porque o PCP nada teve a ver com a organização. Segundo, porque, apesar de Carvalho da Silva até ter lamentado o sucedido, a CGTP não pode, obviamente, responder pelo comportamento individual de cada um dos manifestantes. Terceiro, porque não era difícil de imaginar que, entre os largos milhares que lá estavam, muitos dos quais a viver momentos de grande angústia e sofrimento devido às políticas anti-populares e anti-sociais do governo, pudesse haver meia dúzia que não fosse capaz de conter a sua justa indignação dentro dos limites do aceitável.
E a propósito de desculpa: quem não a tem é José Sócrates e o seu governo, pelas malfeitorias que têm causado aos trabalhadores, aos pequenos e médios empresários, aos jovens, aos reformados e ao povo em geral!

A Galiza não esquece o Zeca

Os galegos são nossos irmãos. Pese embora o centralismo e a castelhanização a que têm sido submetidos ao longo do tempo, a sua ancestral afinidade linguística e cultural com os portugueses mantém-se de tal modo viva que chegam a tratar melhor do que nós alguns dos nomes da nossa cultura.
Assim acontece com José Afonso, desde sempre considerado na Galiza uma referência cimeira da música popular.
Não admira, por isso, que ainda hoje, vinte e dois anos após o seu falecimento, os galegos lhe prestem homenagens como esta, em Santiago de Compostela.