domingo, maio 24, 2009

Vais levar poucas, vais!…

Com o Vital a jogar em casa e a presença do "grande líder europeu, Sapateiro Zapatero", Pinócrates Sócrates, com todo o jeito que se lhe reconhece para mistificar a realidade, afirmou que fez um grande comício de abertura da campanha.
Só se na foi montagem televisiva porque o facto é que não conseguiu encher o modesto pavilhão.
Porreiro, pá! Vais levar poucas, vais!…

sexta-feira, maio 22, 2009

A negligência compensa

Só os governadores do banco central de Hong Kong e do banco central de Itália são mais bem pagos que Vítor Constâncio. O governador do Banco de Portugal, no cargo desde 2000, recebe cerca de 250 mil euros por ano. Ou seja, quase o dobro dos 140 mil euros que aufere o presidente da Reserva Federal dos Estados Unidos, Ben Bernanke, […] e 18 vezes o rendimento per capita de Portugal […].
A remuneração de Constâncio é, portanto, 39,7 vezes maior que o salário mínimo nacional.
Em qualquer país decente e desenvolvido dificilmente isto aconteceria. Em Portugal, um dos países mais pobres e atrasados da União Europeia e, mais precisamente, aquele onde se verifica a pior distribuição do rendimento, com um banco central cuja actuação na regulação do funcionamento da Banca tem sido verdadeiramente passiva e complacente, como o atestam as fraudes ocorridas no BCP, BPN e BPP, assume foros de vergonhosa imoralidade.
Para ficar de bem com a consciência, se a tem, o governador do Banco de Portugal diz-que-tem-dito "que deveria haver uma redução". O Ministro das Finanças encolhe os ombros como se não fosse o responsável-mor do escândalo.
Em Portugal nem só o crime compensa. Como se vê, a negligência também.

Quem semeia ventos…

… (mais tarde ou mais cedo) colhe tempestades!

Então não é que agora até um simples projecto de requalificação de uma escola de artes, antes mesmo de a obra sequer começar, também tem de ser inaugurado? e logo por três artistas membros do governo? A propaganda eleitoral do P"S" não tem limites.

Os genes pidescos não se extinguiram

Os efeitos colaterais do choque tecnológico aí estão, chocantes: delação e bufaria por via electrónica. Os genes pidescos não se extinguiram em definitivo. Adaptaram-se à sociedade digital.

Afinal ainda há democracia

Afinal ainda há democracia. Mas não é cá. Acredite se quiser.

O país e a justiça que temos

Num país em que a Justiça actuasse de forma expedita, seis meses seria tempo mais do que suficiente para deduzir a acusação de um arguido, por mais "excepcional" que fosse a "complexidade" do processo em questão. De resto, num país assim seria impensável, ao fim de tanto tempo, haver apenas um único arguido (???…) em prisão preventiva, tratando-se, afinal, de um processo excepcionalmente tão complexo.
Mas este é o país e a justiça que temos. Por isso a corrupção grassa como a erva daninha.

O primeiro prémio já tem dono

Sócrates é, indubitavelmente, um especialista em castelos de areia: o Magalhães (também conhecido por Cegalhães), a Avaliação-faz-de-conta, os Diplomas-CNO-para-contagem-estatística, sem esquecer as obras-primas — o TGV e o aeroporto do "Deserto".
Se o Primeiro-ministro concorrer à maior exposição de esculturas em areia do mundo, o primeiro prémio já tem dono.

quinta-feira, maio 21, 2009

Dar o sangue e a pele

Até há bem pouco tempo, apesar da crise interna com que a nossa economia já se debatia, a Auto-Europa era apontada como um modelo de concertação social entre administração e trabalhadores. Agora, com a recessão internacional definitivamente instalada e o desemprego a subir em flecha, pedem mais competitividade às empresas.

Obviamente não estão a sugerir a contenção das remunerações chorudas nem a supressão das mordomias escandalosas dos administradores. O que eufemisticamente querem dizer é que o único direito que os trabalhadores têm é o de dar o sangue e a pele em troca do posto de trabalho. E, se for preciso, passam a comer enquanto são comidos trabalham, como caricaturou o genial Charlie Chaplin no sempre actual "Tempos Modernos".
Maldito capitalismo sem escrúpulos!

Em política, o que parece é

Por estas e por outras é que Portugal é um país eternamente adiado e enterrado nos fundos do quintal europeu.
Chamar reforma ao ambiente envenenado que se instalou nas escolas à conta de uma farsa a que a ministra sabe-se lá de quê insiste em chamar de avaliação, já é uma redonda mentira. Dizer que a dita avaliação é uma reforma ganha (???!!!) é, de facto, um caso de cegueira incurável. Ou de discurso em circuito fechado.
Creio mesmo que, para este governo, uma mentira mil vezes repetida passa a ser verdade, o que é muito mais grave. Goebbels, ministro da propaganda de Hitler, já assim pensava e fazia. E Salazar, que um dia afirmou que "em política, o que parece é", também.

quarta-feira, maio 20, 2009

Em nome da "ética" e da "transparência"

Lopes da Mota, representante de Portugal no Eurojust e presidente desta instituição da União Europeia, criada em 2002 para aumentar a eficácia da investigação e acção judicial nos Estados-membros, terá feito exactamente o contrário no caso Freeport, ou seja, terá, alegadamente, pressionado os seus colegas encarregados da investigação no sentido de arquivarem o processo.
Perante a gravidade da denúncia, feita pelo Sindicato dos Magistrados do Ministério Público, e o mal-estar criado, o Procurador-Geral da República, Pinto Monteiro, acabou por ser obrigado a abrir, tarde e a más horas, um processo disciplinar ao presidente do Eurojust.
Entretanto, a PGR que, de imediato, deveria ter procedido à suspensão de funções de Lopes da Mota, ou até proposto a sua demissão ao governo, decidiu, em vez disso, excluir o Eurojust das diligências relacionadas com a investigação do caso Freeport.
O governo, escudado na sua obediente carneirada maioria, escusa-se, uma vez mais, a prestar contas à Assembleia.
Tudo em nome da "ética" e da "transparência".

terça-feira, maio 19, 2009

Salvemos a Democracia, Salvemos a Escola!

"Pode-se utilizar uma gravação áudio de parte de uma aula para suspender uma professora mas não se pode utilizar uma gravação vídeo, incriminatória, do ing.º Socas para nada?" [in Educação SA] Veja-se ainda o caso do Procurador Lopes da Mota. Continua em funções mesmo depois do resultado do inquérito e enquanto corre o processo disciplinar que lhe foi movido. Ah, dirão os leitores, mas é muito diferente! Claro que é. Num caso temos uma simples professora e no outro um importante Procurador Geral Adjunto da República.

O comportamento da professora e as expressões que utilizou perante alunos de doze anos, ainda que reveladores de alguém que, provavelmente, não se encontra nas melhores condições psíquicas e emocionais para o desempenho da profissão docente, são de todo reprováveis, inaceitáveis e, depois do competente processo disciplinar, certamente, puníveis. Ainda que, a acusação acabe por se basear em provas obtidas ilegalmente e não aceites pela justiça portuguesa, diz-se.
Porém, a Constituição da República Portuguesa, no seu Artigo 13.º, garante que "todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei" mas estes factos revelam que alguns são mais "iguais" do que outros. Sobretudo quando detêm o poder, seja ele económico, político ou ambas as coisas.
Como o lince da Malcata, Democracia e Escola são espécies em vias de extinção. Salvêmo-las, pois!


Notícias:

Maioria absoluta? Não, obrigado.

PS rejeita audição no Parlamento de Lopes da Mota, presidente do Eurojust.

PS inviabiliza ida do presidente do Instituto do Emprego à Assembleia da República para esclarecer o "apagão" de 15 mil desempregados dos registos oficiais.

Três casos entre, muitos outros, que nos sugerem a seguinte pergunta:
Para que serve uma carneirada maioria absoluta?
Pretendem uns quantos propagandistas fazer-nos crer que é para que seja assegurada a estabilidade política e a resolução dos problemas nacionais. Ora, se tal fosse verdade, há muito Portugal teria deixado de ser o país mais pobre, desigual e um dos mais corruptos, da União Europeia.
Sucede que não só nada disso aconteceu, como a democracia está hoje mais ameaçada que nunca, nos últimos trinta anos.
Maioria absoluta? Não, obrigado.


segunda-feira, maio 18, 2009

Um ano para descobrir o que já sabíamos

Com preços de electricidade que chegam a ser superiores em 22% aos da UE15, os lucros da EDP já atingiam € 962,4 milhões, no 1.º semestre de 2008, e no fim do ano, cifraram-se em € 1 090 milhões.
A operar em regime de monopólio, perante a passividade do governo e o silêncio da entidade reguladora (ERSE), é evidente que a EDP só pode ter lucros astronómicos. De resto, não admira que a ERSE, que até teve o descaramento de propor que as dívidas incobráveis da EDP fossem pagas pelos clientes, tenha demorado mais de um ano a concluir que a EDP há muito tempo nos anda a extorquir . Por aqui se vê o tipo de fiscalização que existe actualmente em Portugal em relação aos grandes grupos económicos!…

Ministério precisa de manual de instruções

"Agora vou distribuir as provas. Deixem as provas com as capas para baixo", "Podem voltar as provas. Escrevam o vosso nome no espaço destinado ao nome", "Querem perguntar alguma coisa?", "Podem começar. Bom trabalho!", "Ainda têm 15 minutos", "Acabou o tempo", "Estejam à porta da sala às 11 horas e 20 minutos em ponto", "Podem sair. Obrigado pela vossa colaboração!", são frases que todos os papagaios professores deverão ler em voz alta aos alunos que hoje começam as provas nacionais de aferição do 4.º e 6.º anos da escolaridade e que constam do chamado Manual do Aplicador elaborado pelo Ministério dito da Educação.

Nada tenho contra qualquer manual de instruções, enquanto conjunto de normas de procedimento que vise garantir, tanto quanto possível, a igualdade de tratamento e de circunstâncias. Agora ir ao extremo de se exigir que os professores papagueiem as instruções (e até algumas simples expressões de cortesia) literalmente da mesma forma é que já me parece um perfeito absurdo, um completo disparate, uma estúpida inutilidade que outra coisa não representa senão pretender passar mais um atestado de menoridade intelectual aos docentes. Ora, pela sua incompetência e falta de ética, esta é justamente a equipa ministerial que menos autoridade tem para o fazer. Se alguém precisa de manual de instruções, é a ministra e os seus secretários de Estado. Embora acredite que isso nada adiante.

domingo, maio 17, 2009

Mudar o sistema, mudar o ensino

Negligenciar a formação integral não prepara os alunos para mais tarde enfrentarem o imprevisto e a mudança.
Temos a necessidade de reformar radicalmente o actual modelo de ensino nas universidades e escolas secundárias […] porque actualmente o conhecimento está desintegrado em fragmentos disjuntos no interior das disciplinas, que não estão interligadas entre si e entre as quais não existe diálogo. Conhecer apenas fragmentos desagregados da realidade faz de nós cegos e impede-nos de enfrentar e compreender problemas fundamentais do nosso mundo enquanto humanos e cidadãos, e isto é uma ameaça para a nossa sobrevivência
. Edgar Morin, filósofo
Ora aí está, preto no branco, a razão da confrangedora iliteracia, ignorância e imprepração das novas gerações, vítimas de um sistema de ensino assente no paradigma da especialização cega e da competitividade desenfreada, mais preocupado com a produção de mão-de-obra descartável e acrítica do que com a formação de cidadãos conscientes e responsáveis.
Mas isto não acontecerá por acaso. É uma exigência de um sistema social onde impera a selvajaria económica e a lei do mais forte. Que tem de ser combatido e modificado. Urgentemente. Porque "é uma ameaça para a nossa sobrevivência".

A inutilidade do Bloco Central

Com o humor corrosivo que o caracteriza, RAP demonstra a inutilidade do Bloco Central. Na verdade, os partidos do centrão, para além do nome, pouco diferem.
A recentralização do problema do Bloco Central passa pela explicação da impossibilidade do Bloco Central. Uma tarefa, apesar de tudo, fácil: o leitor que conte os casos de militantes que trocaram o PCP pelo PS, e de militantes do CDS que se juntaram ao PSD. São inúmeros. Mas são muito mais raros aqueles que trocaram o PSD pelo PS e vice-versa: de facto, são os partidos mais distantes um do outro, justamente porque acabam por estar no mesmo sítio. Não faz sentido trocar um pelo outro. É como trocar o nosso carro por um exactamente igual, com o mesmo número de quilómetros e o mesmo barulho na panela de escape. É evidente que aquela gente não se pode ver. Eles têm exactamente a mesma visão do País e as mesmas soluções. A razão pela qual uns são poder e os outros oposição é realmente incompreensível, e eles revezam-se a invejarem-se e a lamentar a própria sorte. Ricardo Araújo Pereira, Visão

sábado, maio 16, 2009

Correr com a cambada!

Se o Partido [dito] Socialista tivesse uma nova maioria absoluta iria fazer doer a dobrar, no plano dos salários, dos direitos. Porque eles não encontram outra solução.
Os grande tubarões e as grandes fortunas vão dizendo que é preciso baixar os salários, retirar direitos, alterar os horários e que os portugueses estão a viver acima das suas responsabilidades.
É conversa. Eles querem é resolver a crise através do aumento da exploração dos trabalhadores, dos que menos têm e menos podem.
Independentemente da minha opção de voto, da qual, neste momento, apenas sei que será, como sempre foi, à Esquerda, concordo plenamente com o discurso anterior.
É tempo de correr com a cambada que fez de Portugal o país mais desigual e um dos mais corruptos, da Europa. A decisão é nossa. Se não o fizermos, ninguém o fará por nós. Depois não nos queixemos…

Alegre apoiará Sócrates? Veremos…

Manuel Alegre negou hoje, em absoluto, que tenha negociado, com José Sócrates, nomes da sua corrente para integrarem a lista de candidatos a deputados do P"S" nas próximas eleições legislativas.
A ser verdade, retiro parte do que aqui escrevi.
Fico apenas na expectativa de saber se Alegre irá estar ao lado de Sócrates na "luta eleitoral contra a Direita", para usar uma expressão sua. Seria um equívoco lamentável e inaceitável pois as políticas de direita não se combatem com quem as defende e implementa.
Aguardemos os próximos desenvolvimentos.

Alegre & Sócrates: divergências… ultrapassadas

Que não criaria um novo partido e continuaria no PS, sabia-se. Que não integraria as listas do partido para as legislativas era praticamente certo. Agora fica a saber-se que os seus apoiantes continuarão no PS como tendência organizada. Tudo isto pode ser positivo para que o partido não perca definitivamente a sua matriz de esquerda. Admito.

a provável inclusão de três "alegristas" nas listas do P"S" é que me parece uma inaceitável caução à política anti-social do governo, para mais, vinda de quem declara ter divergências insanáveis com José Sócrates. Como significativa é a afirmação tonitruante de Alegre de que estará sempre ao lado dos socialistas numa luta eleitoral contra a direita, sintomática de que o veremos na campanha de Sócrates que, por sinal, governa à direita e de socialista só tem o cartão partidário.
Por mais que me esforce, não vejo aqui, por isso, um caso de coerência raríssima. O que vejo é a tentativa desesperada do P"S" de obter nova maioria absoluta que, mesmo com o apoio camuflado ou expresso de Manuel Alegre, não há-de ter. Pelo menos com o meu voto.