terça-feira, novembro 11, 2008

Coimbra aqui tão perto

Até o modelo ser revisto, a Escola Secundária de Dona Maria suspende o processo de avaliação do desempenho.
Entretanto, conselhos executivos de escolas do distrito de Coimbra reúnem quinta-feira, na Escola Secundária da Quinta das Flores, para "uma tomada de posição conjunta acerca do processo de avaliação, nomeadamente pedindo a suspensão do modelo".

Saí há pouco da minha escola e ouvi esta bela notícia na Antena 1. Agora confirmei-a no Público.

Daí pra cá não me sai da cabeça uma velha cantiga de Sérgio Godinho que diz:

Ai, eu estive quase morto
no deserto
e o Porto [Coimbra]
aqui tão perto

Acho, por isso, que é preciso, é urgente, fazermos alguma coisa…
E não estou propriamente a pensar na "melhoria" das fichas e das grelhas de um modelo de avaliação comprovadamente impossível, contra o qual se manifestaram 80% dos professores e, certamente, também não é aceite pela maior parte dos restantes 20% (para não falar de muitos pais que igualmente já perceberam que, com toda esta trapalhada pretensamente avaliadora, a aprendizagem dos seus filhos é que sai a perder).

sexta-feira, novembro 07, 2008

S. Pedro está com os professores

O governo está contra nós, professores, mas S. Pedro está do nosso lado: amanhã teremos bom tempo, em Lisboa. Os quatro quilómetros do Terreiro do Paço ao Marquês de Pombal, passando pelo Rossio e pela gloriosa Avenida da Liberdade, vão parecer-nos quatrocentos metros. Marchar por gosto e por convicção não cansa.

Educação: evitar o desastre!

Este governo e a sua ministra da educação são os coveiros do Ensino Público em Portugal.
Com o ECD que impuseram e a divisão arbitrária da carreira docente que engendraram, preparam agora o funeral com este modelo de "avaliação" do desempenho docente.

Por isso, estaremos amanhã, em Lisboa, 100 mil — ou mais — professores. É importante mostrar que não aceitamos esta política educativa desastrosa.
Mas não nos iludamos. Mesmo que lá estivéssemos TODOS, o governo mais autista e autoritário de que há memória em 34 anos de democracia, vai continuar cego surdo e mudo perante a realidade.

A partir da próxima segunda-feira, se não reinventarmos, continuarmos e intensificarmos a luta, seremos inevitavelmente derrotados. O desastre da Educação consumar-se-á definitivamente. Com prejuízo para todos: os professores, os estudantes e as suas famílias, a sociedade portuguesa.
A escolha é nossa!

A Educação é um campo de batalha

David Justino, ex- ministro da Educação e Assessor de Cavaco Silva, diz que a educação está a ser "demasiado fustigada" e transformada num "campo de batalha".
Fenprof concorda com David Justino e responsabiliza o Governo pelo clima de conflito. Nós também…

A avaliação dos professores compromete a aprendizagem dos alunos


Felizmente, muitos pais não se revêm na CONFAP do Sr. Albino e preocupam-se verdadeiramente com a aprendizagem e a educação dos seus filhos! Por isso, solidários com os professores, também exigem ao Governo outro modelo de avaliação do desempenho docente.

Resistências

1. Os pais estão ao lado dos docentes, contra a sua "avaliação", na primeira escola pública do ranking — a Secundária Infanta Dona Maria.
Não serão, infelizmente, a maioria, mas ainda há pais inteligentes, que só querem o melhor para os seus filhos.
[notícia do Público]

2. 1573 escolas aprovaram moções contra a avaliação burocrática de desempenho! É obra!…
Entretanto, o Secretário de Estado da Educação, Jorge Pedreira, afirma, sem qualquer pudor, que "a avaliação decorre normalmente nas escolas".
Não é original. Joseph Goebbels, que defendia que "uma mentira mil vezes repetida torna-se verdade", fazia o mesmo, E Salazar, que afirmava que, "em política, o que parece é", também.

3. Professores da E. S. Jaime Cortesão, Coimbra, recusam o modelo burocrático de avaliação de desempenho.

sábado, junho 21, 2008

O funeral da gestão democrática

Tudo começou com a aprovação desse rol de malfeitorias eufemisticamente designado de Estatuto da Carreira Docente. Na realidade, as desgraças com que o actual Governo nos tem vindo a brindar já lá estavam todas: a divisão da carreira em categorias, a existência de quotas de avaliação e de vagas para acesso aos escalões de topo, o aumento dos horários de trabalho, o exame para ingresso na profissão, a extinção dos quadros de escola, a perda de tempo de serviço por razões de doença legalmente comprovada, entre muitas outros mimos. Mas nós, porventura mais preocupados com o nosso trabalho e com os nossos alunos, ou pensando que a coisa não viesse a ser tão feia como parecia, esperámos para ver. E calámos. E, como é sabido, quem cala consente.
Veio depois o concurso para professor titular e, com ele, a divisão artificial e artificiosa da classe docente em professores de primeira e professores de segunda. Mas nós, ainda que tal nos parecesse injusto e injustificado, alinhámos no jogo.
Seguiu-se a avaliação do desempenho e então, finalmente, o nosso descontentamento acordou, engrossou, alastrou de norte a sul. E culminou num protesto como jamais se viu. Parecia que desta vez tínhamos feito valer as nossas justas razões. Mas houve alguém que se/ nos enganou. E tudo voltou à estaca zero. Ou quase.

Ao mesmo tempo, era aprovado o "novo" regime de gestão que vem extirpar de vez a democracia da Escola Pública: acaba com a direcção executiva colegial (impondo a figura do director omnipotente) e com a sua eleição por sufrágio directo e universal, põe fim à eleição dos coordenadores das estruturas pedagógicas intermédias pelos professores, reduzindo-os à mera condição de "funcionários" e, depois de no projecto inicial considerar, de forma humilhante e vexatória, que os professores não tinham os mesmos direitos que os outros elementos do Conselho Geral, concede-lhes finalmente o "favor" de também poderem ser eleitos para a presidência daquele órgão.
Por isso temos vindo a ser convocados para a farsa eleitoral para o Conselho Geral. Convidados a candidatarmo-nos, a votarmos, a legitimarmos, ao fim e ao cabo, o estabelecimento do poder autocrático nas nossas escolas.
Mas, desta vez, a minha memória ainda está bem fresca. E dorida. Por isso não me candidatei. Por isso não votei. De mim não hão-de dizer que participei no funeral da gestão democrática.

Aurélio Malva, 20/06/2008

quinta-feira, junho 19, 2008

O milagre não aconteceu (mais uma vez)

A eficácia alemã acabou com Portugal. Mas tal não aconteceu por acaso. Nem por milagre. No futebol, como na vida, só há uma receita para progredir e triunfar: precisamente aquela que faz da Alemanha um dos países mais desenvolvidos da Europa — trabalho, competência, organização, seriedade, colectivismo.

Por cá, os tugas preferem engalanar as casas e os automóveis com bandeiras nacionais e implorar o apoio da Virgem de Fátima ou da sua homóloga de Caravaggio.
Por este caminho, em dez jogos com a Alemanha, Portugal talvez ganhe um. E, pior e muito mais importante do que isso, nunca mais deixará de ser um dos países mais pobres e desgraçados da União Europeia.

terça-feira, junho 10, 2008

Ou vai ou racha!… Será que vai mesmo?…

Depois da gaffe de Cavaco, para desenjoar, sugiro vivamente a audição de De coração e raça, de Sérgio Godinho…

Pimp My Profile

"Sou português de coração e raça
Não há talvez maior fortuna e graça"
(De um conhecido hino)

Sou português de coração e raça
meio século comido pela traça
fechados numa caixa
e agora ou vai ou racha
e agora ou vai ou racha

Agora vamos é ser
donos do nosso trabalhar
em vez de andar para alugar
com escritos na camisa
e o dinheiro que desliza
do salário prá despesa
compro cama vendo mesa
deito contas à pobreza

Sou português de coração e raça
meio século comido pela traça
fechados numa caixa
e agora ou vai ou racha
e agora ou vai ou racha

Agora vamos é ser
donos do nosso produzir
em vez de ter que partir
com escritos numa mala
e a idade que resvala
do nascimento prá morte
vou pró leste perco o norte
e o meu corpo é passaporte.

Sou português de coração e raça
meio século comido pela traça
fechados numa caixa
e agora ou vai ou racha
e agora ou vai ou racha

O dia da "raça"

A sucessão de acontecimentos tem sido de tal modo avassaladora que nos sentimos constantemente ultrapassados e sem fôlego para acompanhar a realidade.
Os aumentos quase diários dos preços absolutamente incomportáveis dos combustíveis e a paralisação dos pescadores, primeiro, dos agricultores, depois, e dos camionistas, agora, a que se junta o gigantesco protesto dos trabalhadores contra as alterações ao Código do Trabalho, ameaçam colocar o país à beira do caos e da completa paralisia. O Governo, que vai perdendo a sua arrogância e se desfaz a cada dia que passa, receando o desastre eleitoral mais que previsível, refugia-se no autismo e na ausência de diálogo e manda a GNR tratar do assunto.
Ao mesmo tempo, para se alhearem da crise, os tugas vão para a praia apanhar banhos de sol, enquanto esperam por mais uma jogatana de bola da nossa milionária selecção, com os checos.
Instado a comentar a situação, o Presidente da República, de forma infeliz e certamente involuntária, diz que prefere sublinhar, acima de tudo, a raça, o dia da raça, numa alusão a valores e ideologias que julgávamos definitivamente enterrados com a ditadura.
Mas, já nada me espanta neste Portugal que, de Abril, pouco ou nada conserva…
Na RTP, Cavaco fala aos dignitários do regime e distribui-lhes as comendas do costume. À mesma hora, para estupidificar ainda mais o pagode, o nacional-cançonetismo de sempre é receita infalível: na SIC, Ana Malhôa, e na TVI (para não lhe ficar atrás), Mikael Carreira!

Ó meus amigos, será que tudo isto não passa de um pesadelo? Belisquem-me, por favor, e digam-me que nada disto é verdade!…

quarta-feira, maio 28, 2008

O advento do apocalipse

As proclamadas reservas petrolíferas da OPEC estão sobre-avaliadas em cerca 340 mil milhões de barris (Gb). Encontram-se com elevada probabilidade mais perto dos 570 mil milhões de barris, do que dos anunciados 904 Gb. Combinando este valor com as estimativas do Oil and Gas Journal sobre as reservas fora da OPEC, na ordem dos 280 Gb, chegamos a uma base global das reservas comprovadas e provavelmente existentes na ordem dos 846 mil milhões de barris, bem abaixo dos 1140 mil milhões que foram sendo assumidos como dados pela economia nos últimos anos. [Oil Reserves: Where Ghawar goes, the rest of OPEC follows, Phil Hart, 27 Maio 2008]

Isto significa que, se não houver em breve uma quebra acentuada do consumo petrolífero mundial, que vai na ordem dos 85,7 milhões de barris por dia/ 31.280,5 milhões por ano (dados confirmados relativos a 2007), e por conseguinte o mundo continuar a consumir esta quantidade astronómica de petróleo, o mesmo esgotar-se-à por volta de 2035. Mas muito antes desta data fatídica ocorrer, a economia do petróleo chegará ao fim se entretanto não houver uma sucessão de crises cujos resultados sejam uma dramática redução dos consumos deste ouro negro. O ano 2020 tem sido apontado como o da grande ruptura, e o ano da graça em que estamos ficará para a História como o da percepção planetária do Pico Petrolífero, bem como do início da queda irremediável dum paradigma energético. Até lá veremos de tudo um pouco: crises económicas assimétricas de proporções gigantescas, fome extrema, destruição das classes médias nos Estados Unidos e na Europa, conflitos bélicos em cascata, guerras civis e, finalmente, se não travarmos os falcões deste mundo, a III Guerra Mundial... nuclear! [O António Maria]

Ainda não é o apocalipse mas não há dúvida que, se não mudarmos urgentemente o nosso paradigma energético e civilizacional, para lá caminharemos a passos largos.
Porra! Que mundo vamos deixar aos nossos filhos?…
Maldito capitalismo selvagem!…

terça-feira, maio 27, 2008

Pais que eduquem, precisa-se!

Em Portugal, quando um aluno agride um professor, o pior que lhe pode acontecer é ser transferido de escola.
Já em Espanha, como aqui é relatado, os pais, como primeiros e principais responsáveis pela educação dos seus filhos, respondem pelo seu mau comportamento.
Com efeito, esta é a base de uma verdadeira educação.
Mais do que encarregados de educação que não educam, os pais têm de ser verdadeiros educadores. É essa, também e principalmente, a sua função.

segunda-feira, maio 26, 2008

Por que não nacionalizar?

Se o país nada ganhou com a privatização da Galp e se estamos a ser destruídos como nação pela desalmada política de preços que a única refinadora nacional pratica, porquê insistir neste modelo? Enunciemos a mesma pergunta noutros termos…

Quem é que tem vindo sistematicamente a ganhar nestes nove anos de privatização da Galp, que alienaram um bem que já foi exclusivamente público? Os espanhóis da Iberdrola, os italianos da ENI e os parceiros da Amorim Energia certamente que sim. O consumidor português garantidamente que não. Perdeu ontem, perde hoje e vai perder mais amanhã. Mas levemos a questão mais longe houve algum ganho de eficiência ou produtividade real que se reflectisse no bem-estar nacional com esta alienação da petrolífera? A resposta é angustiantemente negativa. A dívida pública ainda lá está, maior do que nunca, e o preço dos combustíveis em Portugal é, de facto, o pior da Europa. Nesta fase já não interessa questionar se o que estamos a pagar em excesso na bomba se deve ao que os executivos da Galp ganham, ou se compram mal o petróleo que refinam ou se estão a distribuir dividendos a prestamistas que exigem aos executivos o seu constante "quinhão de carne" à custa do que já falta em casa de muitos portugueses. Nesta fase, é um desígnio nacional exigir ao Governo que as centenas de milhões de lucros declarados pela Galp Energia entrem na formação de preços ao consumidor. Se o modelo falhou, por que não nacionalizar […]? Aqui nacionalizar não seria uma atitude ideológica.

Seria, antes, um recurso de sobrevivência, porque é um absurdo viver nesta ilusão de que temos um mercado aberto com um único fornecedor. Se o Governo de Sócrates insiste agora num purismo incongruente para o Serviço Nacional Saúde, correndo com os existentes players privados e bloqueando a entrada de novos agentes, por que é que mantém este anacronismo bizarro na distribuição de um bem que é tão essencial como o pão ou a água? Como alguém já disse, o melhor negócio do Mundo é uma petrolífera bem gerida, o segundo melhor é uma petrolífera mal gerida. Na verdade, o negócio dos petróleos em Portugal, pelas cotações, continua a ser bom. Só que o país está exangue. Há fome em Portugal e vai haver mais. O negócio, esse, vai de vento em popa para o Conselho de Administração da Galp, para os accionistas, para Hugo Chávez e José Eduardo dos Santos. Mas para mais ninguém. A maioria de nós vive demasiado longe da fronteira espanhola para se poder ir lá abastecer.

Faz o que eu digo…

Não nutro propriamente grande simpatia pelo nuclear como alternativa à escassez de combustíveis fósseis mas, num tempo em que se corre de forma voraz para a depleção da última gota de petróleo, não podemos descartar essa solução energética, por mais perigosa que a sua utilização se afigure. É que vale mais garantir, de alguma forma, o futuro, do que correr-se o risco de não ter futuro algum.
Já a utilização da energia atómica para fins bélicos é absolutamente inaceitável e as dúvidas que se levantam sobre as reais intenções de qualquer programa nuclear não podem deixar de preocupar os amantes da paz. Os verdadeiros, porque os outros, os que detêm os maiores arsenais nucleares do planeta e enchem a boca com a paz para justificar as suas guerras genocidas, o que querem verdadeiramente é manter o seu poderio. Por isso exigem aos outros aquilo que eles não fazem. Com que autoridade moral?

quinta-feira, maio 22, 2008

Bandeiras pretas

Somos um país pobre.
Sempre o fomos, aliás (apesar da nossa grandiosa história recheada de feitos gloriosos, heróis valentes e marinheiros destemidos). E não é por sermos um pequeno país (outros bem mais pequenos do que nós conseguem desenvolver-se). É, antes, por nos deixarmos abater pelo fado. E estarmos sempre à espera de um qualquer D. Sebastião. Ou de um salvador da pátria, chame-se ele Salazar, Cavaco ou Sócrates.
Somos pobres. É inquestionável. Mas pior é sermos o país mais injusto e desigual da União Europeia. Aquele onde os pobres são mais pobres e os ricos, mais ricos. Isso é que é de todo inaceitável. Sobretudo com um governo que, dizendo-se socialista, tinha a obrigação política de combater a desigualdade e promover a justiça social.

Entretanto, a milionária selecção portuguesa de futebol prepara-se para a fase final do campeonato da Europa. E os tugas, como se estivessem a viver no melhor dos mundos, aprestam-se a engalanar as suas janelas com bandeiras nacionais.
Ora, parece-nos que, se temos razão para manifestar alguma coisa, só pode ser o nosso profundo descontentamento com o (des)governo e a injustiça deste pobre país. E, para isso, nas nossas janelas, em vez de bandeiras verde-rubras, o que deveremos pôr são bandeiras… pretas. Vamos a isso?

segunda-feira, maio 12, 2008

Os sheikes israelitas

Lá para o reino da Arábia
Havia amêndoas aos centos
Que grande rebaldaria
E a Palestina às escuras
Os Sheikes israelitas
Já que estou com a mão na massa
Lembram-me os Sheikes das fitas
Que dão porrada a quem passa

José Afonso

A pretexto das comemorações do 60.º aniversário do cozinhado anglo-americano que levou à fundação abusiva do estado sionista de Israel em terras da Palestina, o governo israelita, arbitrariamente, como é seu costume, mantém isoladas, desde a última quarta-feira, as regiões de Gaza e da Cisjordânia, impedindo a entrada ou saída de pessoas e de mercadorias naqueles territórios.
Em Gaza, devido à falta de combustível, a situação é de tal modo grave que um terço da população está sem luz e pão desde sábado.
Perante mais esta intolerável violação dos Direitos Humanos e do Direito Internacional, a comunidade internacional e as Nações Unidas mantêm um silêncio cúmplice e vergonhoso.
Tão pressurosos a condenar a luta desesperada dos palestinos e em relação ao terrorismo de Estado hebreu lavam as mãos! Hipócritas!…

quinta-feira, maio 08, 2008

Petróleo: sempre a subir!

O preço do barril de crude ultrapassou hoje os 124 dólares, tendo aumentado mais de 12 em apenas uma semana. Por este andar, não tarda muito estará nos 200!
O recurso aos biocombustíveis, que se julgava ser uma alternativa viável aos combustíveis fósseis, começa a originar uma situação de escassez e carestia dos bens alimentares de tal forma insustentável que, no futuro, vamos ter de fazer uma escolha difícil (para não dizer impossível…): abastecer o carro ou abastecer o estômago. A não ser que voltemos a andar de bicicleta. Ou de carroça.

quarta-feira, maio 07, 2008

A corrupção à solta

Um estudo realizado pelo Instituto Superior das Ciências do Trabalho e da Empresa, em colaboração com o Departamento Central de Investigação e Acção Penal, ontem divulgado, revela que mais de metade das queixas de corrupção são arquivadas pelo Ministério Público, limitando-se este a investigar corruptelas e pequenos crimes de peculato de uso, cujo valor não ultrapassa, na maioria dos casos, os 1500 euros.
Não admira, por isso, que Portugal tenha registado, em 2007, um dos maiores níveis de corrupção entre os países da OCDE, tendo ficado na 28.ª posição da classificação da Transparency International, atrás de países como Singapura, Hong Kong, Chile, Barbados, Santa Lúcia, Uruguai e Eslovénia e, pior do que isso, evidenciando uma tendência para o agravamento da situação durante o mandato do actual governo. Talvez isto ajude a perceber as escandalosas nomeações de ex-"governantes" e destacados militantes do P"S" para os conselhos de administração das grandes empresas…

terça-feira, maio 06, 2008

Vem aí a Longa Emergência

O barril de petróleo ultrapassou a barreira dos 120 dólares e, pior do que isso, a subida do seu preço não vai mais parar.
Para esta inevitabilidade contribuem a desvalorização sucessiva do dólar, em virtude da crise da economia americana, os conflitos militares nas áreas geo-estratégicas visando o controlo dos recursos energéticos e, principalmente, o facto de termos atingido já o pico global da exploração petrolífera, a partir do qual a produção e a oferta de petróleo começarão inexoravelmente a ser insuficientes para satisfazer a procura.

E nem mesmo os biocombustíveis parecem ser uma saída para a situação, constituindo, pelo contrário, mais um grave problema, com efeitos devastadores para milhões de seres humanos, ao provocar o encarecimento dos bens alimentares.
As consequências da selvajaria capitalista e do crescimento sem regras estão à vista: caminhamos para a Longa Emergência!

segunda-feira, maio 05, 2008

Despachar o despacho!

É o que defende esta fundamentada análise, pondo a nu o chorrilho de ilegalidades e atropelos processuais do Secretário de Estado Adjunto e da Educação, Jorge Pedreira, em mais um dos seus famigerados despachos internos (no caso vertente, o de 7 de Abril de 2008).
Trata-se de um exemplo acabado do que poderá vir a acontecer se os professores se limitarem a aceitar passivamente a imposição do modelo de avaliação do ministério e ficarem a aguardar a sua eventual alteração no final do próximo ano lectivo, como acordaram os signatários do entendimento. Receio que, então, seja demasiado tarde!
Por isso, resistir é preciso! Desde já.

domingo, maio 04, 2008

Gestores "mal" pagos. Coitadinhos!…

Segundo dados do Ministério do Trabalho, em 2006, seis mil gestores de empresas declararam ganhar apenas o salário mínimo nacional, o que outra coisa não é senão uma despudorada fuga ao fisco e à segurança social.
Num país onde a corrupção é endémica e grande parte dos empresários se habituou a viver de expedientes pouco lícitos e do incumprimento das obrigações mais elementares, país que, segundo o Eurostat, regista uma das maiores assimetrias entre ricos e pobres, situações como esta já não me causam qualquer perplexidade. Enoja-me, isso sim, o facto dos sucessivos governantes nada fazerem para lhes pôr cobro. O que, infelizmente, também não é para admirar. Eles estão lá para defender os interesses da finança e tratar da sua vidinha. O resto é a conversa de sempre. Apenas para caçar votos.

sábado, maio 03, 2008

Não entendo a razão de tanta confusão no PSD. Não entendo. É o que dá termos um PS de direita arraçado, ainda que tão-só levemente, de esquerda. Entendamo-nos: direita é um modo de estar na Humanidade, um modo de se organizar na luta de classes (a tal de que falava Marx cheiínho de razão) - "de direita" são os banqueiros, os grandes industriais, a malta do bago farto e os respectivos ajudantes. Ora sendo o PS actual o que é, e o PSD o que diz ser, não faz falta nenhum "novo" PSD - já está aí um PS que faz muito bem o trabalho da direita, embora sofra de um problema grave de identidade (insistindo em dizer-se de esquerda). Eu não me sinto capaz de dar grandes sugestões, mas... mesmo assim vou sugerir! Em vez deste folhetim em que a Ferreira Leite dos impostos para os pobres ainda vai sair como salvadora da Pátria, o melhor seria o PSD inscrever-se massivamente no PS. Era a maneira de atingirmos o climax da estabilidade governativa com a vantagem de evitar chatear a malta com aquela macacada das eleições da "alternância democratica" em que, uma vez um outra vez outro, se promete pra nunca se cumprir. Passava a ser aquilo e aquilo mesmo, tipo destino. E se as coisas corressem mal era só mudar de secretário-geral (como de resto já hoje acontece). Boa?

Acabem com a "mama" no SNS!

A Inspecção-Geral de Saúde descobriu que, no Hospital de S. João, no Porto, estavam a ser feitas cirurgias estéticas às mamas de funcionárias do próprio hospital. Algumas estavam mesmo inscritas como doentes na lista de espera do serviço, enquanto outras eram chamadas para a cirurgia quando faltava um doente para outra operação.

É uma situação de descarado oportunismo e manifesto aproveitamento, tanto mais inaceitável por se verificar num país em que muitos doentes chegam a esperar durante largos meses, quiçá anos, por uma cirurgia, na maioria dos casos, bem mais importante do que as que a notícia refere.
E não adianta o senhor Bastonário da Ordem dos Médicos, tão pressuroso na crítica aos autarcas que têm recorrido a Cuba para resolver rapidamente os problemas oftalmológicos dos seus munícipes, vir agora defender que cabe a cada médico ou, em última análise, ao director de serviço, decidir o que se faz. Não quero acreditar que seja por se tratar de um caso de mamas…
Certo é que estamos perante a utilização de um serviço público, que é de todos, em benefício de alguns, de uma situação de intolerável e abjecta imoralidade, de um verdadeiro atentado à deontologia profissional. Que a Ordem dos Médicos, mais do que todos, deveria condenar.

A palhaçada

Supostamente, este seria um vídeo humorístico. Porém, depois de vê-lo fica-se sem vontade de rir.
Realmente, na escola actual, onde o trabalho deu lugar à diversão e a exigência foi substituída pelo laxismo, a aula torna-se um circo. E o professor, um palhaço.
Mas esta palhaçada vai acabar mal. Sem Educação, um país não tem futuro!

sexta-feira, maio 02, 2008

Os portugueses estão na "merda" e gostam

Ao cabo de três anos de governança do Partido (impropriamente designado de) Socialista, o panorama do nosso país não podia continuar a ser mais negro: dois milhões de pobres, mais de meio milhão de desempregados, emprego cada vez mais instável e precário, agravamento da carestia de vida, endividamento familiar crescente, serviços de saúde cada vez mais caros e demorados, educação desqualificada por uma cultura de facilitismo e desautorização dos professores, justiça inoperante, corrupção terceiromundista, promiscuidade escandalosa entre o poder político e a finança.

Apesar disto, segundo esta sondagem, se as eleições fossem agora, o Partido Socialista estaria à beira de renovar a sua maioria absoluta, que tão bons resultados tem conseguido.
Os portugueses não querem nada com o PSD. Compreendo-os. Trata-se de um saco de gatos onde cada um parece mais preocupado com a sua carreira política e a sua vidinha do que com os problemas do país. Ao fim e ao cabo, juntamente com o PS, o partido é responsável pela situação a que chegámos, ao fim de trinta anos de suposta alternância.
O que estranho (ou talvez não…) é a aversão aos comunistas. Parece-me ser um caso do foro psicopatológico. Provavelmente continuam a pensar que eles comem criancinhas ao pequeno almoço!…
E em relação ao Bloco, o argumento costumeiro: têm razão mas não têm credibilidade (ouve-se)!
Votar branco, ignoram o que significa (não leram Ensaio sobre a Lucidez, de Saramago). Não sabem que têm nas mãos a vassoura que poderia varrer o lixo que conspurca a nossa democracia.

Enfim, os portugueses estão na merda, não há dúvidas. Mas, pior do que isso, parece que gostam!…

quinta-feira, maio 01, 2008

1.º de Maio é todos os dias!

Que país é este, com mais de meio milhão de desempregados, emprego precário com recurso ao uso e abuso da contratação a recibo verde, carestia de vida com aumentos escandalosos e sucessivos dos combustíveis e dos produtos alimentares, dois milhões de pobres e muitas famílias endividadas a sobreviver graças à solidariedade do Banco Alimentar, da AMI e de outras organizações???
Que país é este, em que, ao mesmo tempo, banqueiros e capitalistas engordam as suas fortunas imorais, onde boa parte dos governantes e dos políticos se preocupa sobretudo em tratar da sua vidinha e onde, segundo o Eurostat, se regista a maior desigualdade entre ricos e pobres da União Europeia???
Obviamente não estamos a falar do Zimbabwe. Trata-se do nosso país, Portugal. Ao fim de trinta anos de governança de um bloco central de interesses, de partidos que, da social-democracia e do socialismo, apenas usam, abusiva e indevidamente, o nome.

Hoje é o 1.º de Maio, dia dos trabalhadores, momento de evocação e, em muitos casos, de festa. Mas os portugueses não têm razões para pôr foguetes. Pelo contrário, com um governo que se prepara para aprovar um novo código laboral, com o objectivo de flexibilizar os despedimentos e legalizar a precariedade do emprego (em nome de uma suposta competitividade das empresas), só lhes resta mesmo lutar. Hoje e em cada um dos dias do ano. E ajustar contas, na primeira oportunidade, com quem há muito os anda a enganar.

sexta-feira, abril 25, 2008

25 de Abril, sempre!…

Contra o esquecimento, é preciso recordar Abril! E, mais do que isso, é urgente resgatá-lo! Em nome da nossa sobrevivência colectiva.


Grândola Vila Morena: liturgia de Sara Tavares!
Ou, de como não se dá pela falta das palavras quando elas estão
gravadas na nossa memória!…

domingo, abril 20, 2008

Só podemos confiar em nós!

Quando toca a marchar, muitos não sabem que o inimigo marcha à sua frente.
Cartilha de Guerra Alemã, Bertolt Brecht

Travámos uma das lutas mais participadas e intensas de que há memória. Estivemos unidos e mobilizados como nunca. Fizemos a mais grandiosa manifestação de professores que alguma vez aconteceu. Conquistámos as atenções da comunicação social e conseguimos a simpatia da maior parte dos fazedores de opinião. Toda a oposição política, da direita à esquerda, e mesmo algumas personalidades do partido do poder, estiveram connosco. Pusemos o Primeiro-Ministro à beira de um ataque de nervos e a Ministra da Educação com a demissão à vista. Em suma, tivemos tudo para vencer o combate e, afinal, acabámos por morrer na praia.
Quem ganhou em toda a linha foi Sócrates. Segurou Maria de Lurdes Rodrigues e mantém, no essencial, a sua política educativa e o seu modelo de avaliação. Por isso, canta vitória.
Nós, pelo contrário, temos é razões para estar desiludidos, indignados, revoltados. Não apenas porque nenhum dos principais objectivos da nossa luta foi alcançado mas, sobretudo, por termos sido utilizados como moeda de troca e vergonhosamente traídos. De forma calculista, ignóbil, pérfida. Ao mais alto nível, como aqui é relatado.
Caso para perguntar: com dirigentes destes quem precisa de inimigos?
Infelizmente, só podemos confiar em nós. É o que iremos fazer!

sexta-feira, abril 18, 2008

Os ricos que paguem a crise!

Há por aí no planeta (sobretudo nos Estados Unidos e na Europa) uns 10 biliões de US dólares que não valem mais do que as notas do meu Monopólio de infância. Todos os que possuem tais "activos-fantasmas" querem ver-se livres deles, mas não sabem como! Procuram activos de carne e osso onde fundir os seus ficheiros electrónicos desprovidos de qualquer valor, mas este tipo de realidade escapa-se-lhes como enguias. O G7 anda de cabeça perdida e o FMI, tal como o Banco Mundial, estão falidos. Vendem ouro, despedem pessoal, fazem apelos patéticos sobre a trampa que eles próprios criaram, em suma caminham, a par da Reserva Federal americana, para a lata do lixo da história das instituições financeiras do imperialismo saído da segunda guerra mundial. Até que enfim! Entretanto, para sofrermos menos do que o previsível, há que estar atentos e denunciar todas as manobras em curso visando despejar o fardo do colapso nas costas de quem trabalha honestamente. Não devemos confundir a criação de riqueza com as dona-branquices piramidais, com a corrupção dos Estados, nem com a corja que inventou a especulação financeira como estratégia de exploração e expropriação do valor produzido pela maioria da humanidade. OS RICOS QUE PAGUEM A CRISE!

A direita não perdeu o seu líder

Com o P"S" (Partido de Sócrates) a governar da forma que era suposto caber aos partidos da direita, compreende-se perfeitamente o desnorte e a incapacidade de afirmação do P"SD" perante o seu eleitorado.
Os grandes interesses económico-financeiros sentem-se bem defendidos pelo actual primeiro-ministro e, de resto, agradecem-lhe generosamente com lugares para os amigos nos conselhos de administração das suas empresas.
Neste contexto, a demissão de Luís Filipe Menezes é um facto há muito esperado e absolutamente normal que, enquanto militante da esquerda, não me preocupa.
O que, de facto, me preocupa é que a direita não tenha perdido o seu verdadeiro líder. Na realidade, ele continua a chefiar o governo. E, pelo caminho que as coisas levam, por lá continuará. Para o mal do país.

quinta-feira, abril 17, 2008

Ministério caloteiro

O Governo deveria, em todas as circunstâncias, comportar-se como pessoa de bem e constituir-se como um exemplo de integridade cívica e ética para os cidadãos.
Porém, quando há ministros que se julgam acima da Lei e desafiam as decisões judiciais, é o bom nome do Estado que é posto em causa e o erário público, suportado pelos nossos impostos, que fica a perder.

Trata-se, ao fim e ao cabo, de um problema de impunidade e de falta de pudor. Se lhes saísse da carteira, certamente comportar-se-iam de outra forma.

O discurso do "inimigo principal"

Este acordo deixa-me muito satisfeito e quero felicitar publicamente a senhora ministra da Educação porque valeu a pena perseverar.

Fico muito satisfeito por todos os parceiros sociais terem reconhecido a importância da avaliação dos professores.

A oposição, há um mês atrás, o que queria era que se suspendesse a avaliação e que a ministra saísse do Governo. [Não aconteceu] nem uma coisa nem outra: a ministra está no Governo a conduzir de forma inteligente, capaz, determinada a política de educação e, por outro lado, a avaliação dos professores avança.

O mais importante é que o acordo refere que no próximo ano serão avaliados todos os professores, de acordo com as normas que constam do decreto regulamentar.

Disse muitas vezes que não seria mais um primeiro-ministro que passaria por este lugar sem fazer a avaliação dos professores, que nos últimos 30 anos prosseguiam na carreira sem nenhum tipo de avaliação.


Palavras de José Sócrates, comentando o acordo entre o Governo e os sindicatos, sobre a avaliação dos professores.
Palavras que nos suscitam, forçosamente, uma pergunta muito simples:

Foi para isto que se travou uma das lutas mais vigorosas e participadas de que há memória, no sector do ensino?

Se é professor, adivinho a sua resposta. E a sua desilusão…


Nota

O título desta posta começou por ser "O discurso da vitória" . Porém, depois do saudável debate com o companheiro FJSantos, acho que o actual fica bem melhor!

quarta-feira, abril 16, 2008

Luta dos professores: balanço e perspectivas

Definitivamente, se foram 90 por cento de 50 mil os professores que ontem avalizaram a assinatura do acordo com o ministério, não se pode falar de uma maioria esmagadora, quer no universo de 145 mil docentes existentes em todo o país, quer tendo como referência os 100 mil que participaram na inesquecível Marcha da Indignação. Será uma maioria — porque em democracia só os votos expressos contam — mas apenas relativa, que não pode levar os dirigentes sindicais a ignorar o profundo descontentamento e a enorme desilusão de largos milhares de professores pelo magro resultado alcançado.
Nunca será demais repetir que o acordo (ou entendimento, se preferirem) apenas soluciona, no imediato e pontualmente, o problema dos docentes contratados ou em vias de progressão. Quanto ao resto, que é o principal, nada resolve. O Estatuto da Carreira Docente, fonte de todas as injustiças, continua intocável, e o modelo de avaliação do ministério, burocrático, subjectivo, iníquo e, por que não dizê-lo, antipedagógico, regressará já em 2008/2009. Isto para não acrescentar ainda o novo modelo de gestão e autonomia escolar, mais uma ofensa à dignidade dos professores e à sua importância na vida da escola.


Tenhamos, por isso, consciência que, apesar da grandiosa luta de massas que os docentes têm travado, mesmo que, por enquanto, não tenham sido derrotados, se alguém ganhou esta primeira batalha foi o governo: primeiro, porque resistiu à demissão, a certa altura inevitável, da incompetente Ministra da Educação; segundo, porque Maria de Lurdes Rodrigues pode repetir, até à exaustão, que a avaliação dos professores não foi suspensa. E, quando as eleições começam a emergir no horizonte, trata-se de uma preciosa vitória política de José Sócrates.
Não haja, portanto, quaisquer ilusões quanto ao entendimento — o essencial, ou seja, quase tudo, está por conseguir! Que ele não sirva para anestesiar e manietar os docentes! A luta recomeça em Setembro, mais intensa que nunca…
Até lá, é tempo de contar as espingardas e afinar a táctica. E continuar a protestar, às segundas à noite, para não se apagar a chama, como canta José Afonso.

terça-feira, abril 15, 2008

O prato de lentilhas

Ao que parece, boa parte (senão a maioria) dos professores e das escolas não concorda com a assinatura do entendimento entre o Ministério da Educação e a Plataforma Sindical.
E na verdade, olhando friamente o que foi conseguido — o ME apenas cedeu na avaliação simplificada dos professores contratados enquanto tudo o resto permanece — pode dizer-se que não passa de uma mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma.
De resto, a antiga secretária de Estado da Educação socialista, Ana Benavente, não hesita mesmo em acusar os sindicatos de cederem à chantagem do Governo e afirmar que a avaliação a que chegaram é a que existe (ou seja, a que o ministério quer impor), enquanto o Movimento em Defesa da Escola Pública considera que o acordo entre os sindicatos e o ministério não soluciona nenhum problema e apenas serve para legitimar toda uma política educativa que está na origem do profundo descontentamento dos professores. Até a Fenprof admite não assinar o entendimento com o governo, se não for essa a vontade da maioria.
Certo é que a classe docente, apesar da sua aparente divisão, não dá mostras de querer abrandar a luta. E tem todas as razões para isso. Os 100 000 merecem muito mais do que um prato de lentilhas!

Actualização

Pronto. Afinal os professores aprovaram por maioria o entendimento com o ministério. Não terá sido uma maioria tão esmagadora e, muito menos, um acordo tão significativo mas, enfim, é apenas uma batalha que não põe fim à guerra. Que promete ser longa e difícil. A luta recomeça em Setembro.

Respeitar os professores em nome da Educação

Se o actual Governo tivesse verdadeiramente por objectivo a melhoria do ensino no nosso país, a última coisa que teria feito seria ter transformado os professores em bodes expiatórios da situação a que a Educação chegou em Portugal, a qual se deve, sobretudo, às políticas erráticas do ministério da tutela. Porém, em vez de seguir os bons exemplos dos países europeus mais desenvolvidos como a Islândia, a Finlândia ou a Noruega, onde os docentes não apenas são socialmente respeitados e dignificados, como não são submetidos a qualquer avaliação vexatória (como aqui, aqui e aqui é confirmado), José Sócrates preferiu eleger os professores como inimigo público de estimação e alvo preferencial da sua política economicista de corte nas despesas públicas. Para esse fim, impôs-lhes um estatuto gravoso e humilhante que, entre outras malfeitorias, conduziu à divisão da profissão em duas categorias, estabelece uma prova de ingresso na função e abre a porta a um novo modelo de avaliação (com este objectivo, o primeiro-ministro de Portugal e a sua ministra da Educação não hesitaram, sequer, em afirmar que os professores não eram avaliados o que, como aqui se comprova, não passa de uma despudorada mentira, da qual, se fossem pessoas sérias e decentes, deviam pedir desculpas públicas).
É contra este vergonhoso opróbrio que os professores têm vindo a lutar, como nunca antes acontecera, a ponto de terem feito, em 8 de Março, a maior manifestação de que há memória desde o 25 de Abril.
Por isso o entendimento conseguido entre a Plataforma Sindical e o Ministério, embora não deva ser negligenciado, sabe-lhes a pouco.
Por isso o Dia D' hoje é importante e decisivo para afirmarem que, com ou sem assinatura do entendimento, continuam unidos e dispostos a lutar, não apenas contra a irracionalidade do modelo de avaliação que o Ministério da Educação pretende levar por diante, mas sobretudo por uma profunda revisão do estatuto da carreira docente que o expurgue das injustiças que encerra.
Respeitar os professores é preciso. E urgente. Em nome da Educação. E do desenvolvimento a que o país tem direito.

segunda-feira, abril 14, 2008

Portugal tomado de assalto

Houve um elemento que se destacou na "Quadratura do Círculo" quando José Pacheco Pereira "enunciou" o "problema" da ida de Jorge Coelho para a Mota-Engil. Foi o silêncio de Jorge Coelho. Ouviu coisas terríveis a seu respeito e ouviu-as impávido. Foram enunciadas sugestões de compadrio, sinecura, favoritismo e até incompetência para o lugar que vai assumir. Jorge Coelho manteve-se esfíngico não manifestando ter sentido qualquer ofensa. Se a sentiu ou não, não sei. Sei que não a manifestou. Conseguiu manter-se imperturbado enquanto era apregoado um terrível libelo de incoerências da vida pública em Portugal com ele no epicentro de impropriedades de comportamento. Nada de ilegal, mas tudo impróprio.
O antigo ministro do Equipamento Social de António Guterres não clamou nem inocência, nem ultraje. Olhou de frente o seu acusador e, com o silêncio, deu a única resposta que saiu do seu empedernido semblante e que eu traduzo como querendo dizer "É assim!". E é mesmo assim em Portugal. Perde-se o pudor, fica-se com o poder.

excerto de Perdido o pudor fica o poder, de Mário Crespo, JN

Petróleo, biocombustíveis e fome

Quando em 1956, o até então prestigiado investigador Marion King Hubbert previu que o pico global da exploração petrolífera iria acontecer aproximadamente cinquenta anos depois, ninguém o quis levar a sério. A comunidade científica ridicularizou-o e votou-o ao ostracismo e os políticos, inebriados numa orgia de crescimento económico desregrado, esqueceram por completo que estavam a lidar com um recurso natural não renovável o qual, mais tarde ou mais cedo, viria inevitavelmente a esgotar-se.
Infelizmente Hubbert não se enganou e, embora não haja uma unanimidade total em relação ao preciso momento da sua ocorrência, todos reconhecem que o pico do petróleo está a acontecer. As suas consequências começam a ser demasiado evidentes e dramáticas para as ignorarmos.
A era do petróleo barato acabou. A partir de agora as reservas caminham para uma inexorável depleção e o preço do crude não mais deixará de subir.

Em consequência disso, instalou-se a paranóia da corrida aos biocombustíveis, cuja produção e utilização está longe de ser isenta de riscos ambientais e sociais. Primeiro, porque parecem ser ainda mais poluentes que o petróleo; segundo, porque poderão levar a uma redução da área de cultivo dos bens alimentares, com a consequente diminuição da sua produção e o inevitável aumento do seu preço.
Se não se arrepiar urgentemente caminho, a humanidade pode estar à beira de uma tragédia de dimensões incalculáveis. Isso explica que o FMI, um dos sustentáculos da ordem mundial capitalista, venha agora alertar para os perigos duma situação a que o capitalismo ultra-liberal e sem escrúpulos não é, de forma alguma, alheio. Quem diria?!…

domingo, abril 13, 2008

Que democracia?…

Em Itália, o neo-fascismo prepara-se para retomar o poder. Pela via eleitoral. Na pessoa do vigarista e corrupto Sílvio Berlusconi que, após os dois anteriores mandatos, os italianos parecem ainda não conhecer devidamente.
A democracia é, de facto, muito frágil. De tal forma que, quando o eleitorado não passa de um rebanho dócil e sem ponta de cidadania, pode até dar muito jeito para legitimar as situações mais absurdas. Ou mesmo trágicas. Como aconteceu com a eleição de Adolfo Hitler.

Corrupção: o Terceiro Mundo é aqui!

Alguém afirmou que, não fora o problema da corrupção e Portugal poderia ser um país tão desenvolvido como a Finlândia.
Embora aceite a afirmação como verdadeira, entendo que também podemos ver esta relação causa-efeito de modo inverso. Ou seja, a meu ver, é por sermos um país com um apreciável défice de desenvolvimento — a que não são alheias as nossas carências em matéria de alfabetização, escolaridade e educação, e as fragilidades da nossa cidadania, tão indulgente com as arbitrariedades e os desmandos do poder político e a sua promiscuidade com o poder económico — que a corrupção encontra em Portugal terreno propício para grassar, alimentando fortunas fáceis, ao mesmo tempo que impede o país de se desenvolver.

Não admira, por isso, que Portugal tenha registado, em 2007, um dos maiores níveis de corrupção entre os países da OCDE, tendo ficado na 28.ª posição da classificação da Transparency International, atrás de países como Singapura, Hong Kong, Chile, Barbados, Santa Lúcia, Uruguai e Eslovénia e, pior do que isso, evidenciando uma tendência para o agravamento da situação durante o mandato do actual governo. Talvez isto ajude a perceber as escandalosas nomeações de ex-"governantes" e destacados militantes do P"S" para os conselhos de administração das grandes empresas… As negociatas com o Estado não precisam de administradores com currículo profissional desde que eles tenham peso político, não é verdade?

Ó Portugal Oculto, de que é que tu estás à espera?

O Portugal Oculto é, também, aquele cujos contornos permitem a promiscuidade entre a política e os grandes empresários.
[…]
O que vai restando das nossas esperanças de uma sociedade mais justa está a ser seriamente danificado. Não é de mais repeti-lo. E as frases bem boleadas, as declarações de princípio cheias de bons sentimentos não chegam para ocultar o que exalta, indigna e fere o […] outro Portugal.
[…]
[“] Creio que o estado a que as coisas chegaram é assustador. A fragmentação social indica-nos que a experiência do “mercado” não contém, em si, a panaceia para resolver a pobreza, nem é o único processo de desenvolvimento. Nunca o mundo possuiu tamanho grau de conhecimento. Nunca o conhecimento consentiu tamanho grau de miséria, desolação e sofrimento. O “mercado”, ao contrário do que proclamam os seus turiferários, não estruturou uma economia pública, nem estimulou um crescimento mais aberto. No caso português, então, a soma é pavorosa, e chega, até, à degradação.
O Portugal Oculto existe como uma chaga dos desamados e cresce com o ressentimento dos excluídos contra aqueles que só têm criado obstruções e alimentado um clima de violência – que deixou de ser latente para constituir uma ameaça e uma desafronta.

excerto de O Portugal da desafronta, de Baptista Bastos

sábado, abril 12, 2008

A escolha é nossa

Especialistas insuspeitos asseguram que, até ao fim de 2008, vamos assistir a uma derrocada sem precedentes dos fundos de pensões a nível mundial.
Se a este dramático descalabro financeiro acrescentarmos a queda livre do dólar americano em relação ao Euro, ao Yen e ao Yuan, as subidas imparáveis do preço do ouro e do petróleo, as quedas acentuadas das bolsas mundiais e o fracasso da última tentativa da Reserva Federal para travar a crise financeira dos bancos americanos, facilmente perceberemos que os fundamentos da ordem económico-financeira das últimas décadas estão a entrar vertiginosamente em colapso e começam a estar reunidos todos os sinais de uma profunda crise do capitalismo mundial.

As experiências comunistas do século passado, com os graves erros que cometeram, já pertencem à História mas, mais cedo do que muitos supunham, a realidade vem provar, de forma incontestável, que o futuro da humanidade não está na selva capitalista. Afinal Marx tinha razão quando afirmava que o capitalismo contem em si os germes da sua própria destruição.
Mais do que nunca, as alternativas continuam a ser o socialismo ou a barbárie. A escolha, como sempre, é nossa!

sexta-feira, abril 11, 2008

Ressuscitar Abril!

Apesar do autêntico euromilhões proveniente de duas décadas de fundos comunitários, trinta anos de alternância democrática do P"SD" e do P"S" na governação não fizeram melhor do que manter Portugal no pelotão dos países mais pobres e menos desenvolvidos da União Europeia. Os dois milhões de portugueses a viver abaixo do limiar da pobreza e o nosso afundamento no 17.º lugar da UE27, infelizmente, aí estão para atestá-lo.
Mas, se esta situação é já de si deveras grave, é absolutamente inaceitável que, enquanto a maioria da população é flagelada pela crise, uma minoria dela se aproveite para locupletar-se imoralmente com o suor alheio, fazendo de Portugal um dos países com pior repartição do rendimento da UE27, tendo apenas abaixo de si a Letónia!

A crise está aí, sem dúvida, mas não atinge a maior parte dos políticos, mais expeditos e preocupados em tratar das suas vidas e governar para quem os recompensa.
A crise está aí, sem dúvida, mas não afecta os oligarcas da alta finança e os empresários dos grandes grupos económicos.
A crise está aí, sim, para os trabalhadores, os pequenos e médios empresários, a classe média (ou o que dela resta), para quem os sonhos e as promessas da Revolução dos Cravos se esvaneceram quase completamente.
Com o consentimento, porventura ingénuo, de muitos de nós, o bloco central matou Abril e arrumou as suas conquistas nas prateleiras da História. Por isso, só nos restam duas alternativas: carpir a memória do ente querido ou ressuscitá-lo. A escolha parece-me óbvia e há situações em que devemos ser crentes!…

A lista "dourada"

Em Portugal, para muitos, a política em geral e a governação em particular, mais do que um serviço, uma missão ou qualquer coisa de nobre é, sobretudo, um meio fácil de ganhar a vida (para o qual, diga-se de passagem, nem sequer é exigida grande competência ou mesmo honestidade, como os factos têm vindo a comprovar ao longo dos anos).
Para outros tantos, porém, trata-se apenas de um placa giratória que, mais tarde ou mais cedo, lhes permitirá voar muito mais alto e com muito mais proveito.

A lista é imensa.
Sem procurarmos ser exaustivos, aqui vão os casos principais:

  • Fernando Nogueira, ex-Ministro da Presidência, Justiça e Defesa, actual Presidente do BCP Angola
  • José de Oliveira e Costa, ex-Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, actual Presidente do Banco Português de Negócios (BPN)
  • Rui Machete, ex-Ministro dos Assuntos Sociais, actual Presidente do Conselho Superior do BPN e Presidente do Conselho Executivo da FLAD
  • Armando Vara, ex-Ministro adjunto do Primeiro Ministro, actual Vice-Presidente do BCP
  • Paulo Teixeira Pinto, ex-Secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros, ex-Presidente do BCP (Depois de 3 anos de "trabalho", saiu com 10 milhões de indemnização e mais 35.000 € por mês até morrer...)
  • António Vitorino, ex-Ministro da Presidência e da Defesa, actual Vice-Presidente da PT Internacional e Presidente da Assembleia Geral do Santander Totta
  • Celeste Cardona, ex-Ministra da Justiça, actual vogal do CA da CGD
  • José Silveira Godinho, ex-Secretário de Estado das Finanças, actual Administrador do BES
  • João de Deus Pinheiro, ex-Ministro da Educação e Negócios Estrangeiros, actual vogal do CA do Banco Privado Português.
  • Elias da Costa, ex-Secretário de Estado da Construção e Habitação, actual vogal do CA do BES
  • Ferreira do Amaral, ex-Ministro das Obras Públicas (que entregou todas as pontes a jusante de Vila Franca de Xira à Lusoponte) e actual Presidente da… [claro!…] Lusoponte
  • António Pires de Lima, ex-deputado do CDS e actual CEO da Unicer
  • Pina Moura, ex-Ministro das Finanças e actual presidente da Média Capital e da Iberdrola
  • Manuela Ferreira Leite, ex-Ministra das Finanças e actual administradora do Santander
  • João Cravinho, ex-Ministro do Equipamento, Planeamento e Administração do Território e deputado do PS, actual administrador do BERD, em Londres
  • Fernando Gomes, ex-Ministro da Administração Interna e ex-Presidente da Câmara do Porto, actual administrador da Galp Energia
  • Jorge Coelho (a estrela mais recente da constelação), ex-Ministro da Administração Interna e do Equipamento Social, Vice-Presidente do Conselho de Administração e CEO da Mota Engil
Em actualização (infelizmente!).

quinta-feira, abril 10, 2008

O Ministério da Confusão

Se a ministra da Educação quisesse verdadeiramente avaliar o desempenho dos professores, a primeira e urgente medida que deveria tomar seria suspender o modelo de avaliação que a sua delirante equipa ministerial engendrou, trapalhada sem precedentes que apenas serviu para acrescentar mais confusão aquela que já havia nas escolas.
Mas, como já aqui disse, isso nunca irá acontecer porque, com as eleições a surgirem no horizonte, tal facto constituiria uma derrota de consequências imprevisíveis para os planos hegemónicos de José Sócrates.
Assim, para Maria de Lurdes Rodrigues, the show must go on, que é como quem diz, siga a avaliação! E que cada escola faça como entender, avalie à sua maneira e segundo os seus próprios métodos e critérios! Mesmo que os professores, numa atitude absolutamente legítima e responsável, não estejam pelos ajustes e exijam seriedade no processo e uniformidade no tratamento.
De confusão em confusão, a ministra vai alijando responsabilidades — as escolas lá estão para arcar com elas! — e ganhando tempo. Quem perde são os professores. Mas também os alunos e as suas famílias e, ao fim e ao cabo, o país.
A propósito, o que é feito do Presidente da República?

quarta-feira, abril 09, 2008

A feira de vaidades

Portugal é o segundo país onde o Governo atribui mais importância às Tecnologias de Informação.

À partida, até que seria caso para estarmos contentes. Porém, num país em que a corrupção e o compadrio são um modo de vida, com um sistema educativo onde imperam o laxismo e a indulgência, uma economia anémica mais virada para o lucro fácil do que para a criação sustentada de emprego e riqueza, um empresariado desde sempre habituado a viver à sombra dos subsídios e favores do Estado, uma governança inepta, minada pelo carreirismo e o tachismo, enfim, numa sociedade de que a cidadania e a solidariedade andam cada vez mais arredias e, pelo contrário, em que a população se deixa embriagar mais e mais numa orgia de consumismo exacerbado, a pergunta que todos devemos fazer é: Afinal, para que é que isso serve?
Decididamente, o choque tecnológico é uma feira de vaidades!

Avaliação do Governo, precisa-se!

Desde cedo se percebeu que Sócrates não iria querer perder a guerra com os professores, que a sua incompetente e inábil ministra da Educação comprou. Mesmo que estes tenham sido capazes desafiá-lo com a participação em peso na maior manifestação de que há memória desde o 25 de Abril. Depois de ter batido em retirada face à contestação popular ao fecho das urgências e servido a cabeça de Correia de Campos, era certo que não aceitaria ser derrotado outra vez, a pouco mais de um ano das eleições, ainda por cima, por uma corporação de professorzecos.
Por isso, Maria de Lurdes Rodrigues não será demitida, já o sabemos. E, ao fim e ao cabo, é bom que não o seja. É bom que se mantenha, qual lancinante ferida em carne viva, na memória de todos os professores, para que, na hora de votar, não esqueçam o vilipêndio e a humilhação de que foram vítimas.

Também por isso, a famigerada avaliação dos professores não será suspensa. Mesmo que, na prática, seja isso que vai (está a) acontecer. Na realidade, de cedência em cedência, a ministra quer agora que se faça, ao menos, uma avaliação simplex dos professores contratados e dos que estão em vias de progressão, os quais serão avaliados a sério, como todos os outros, no próximo ano.
Deste modo, o Ministério e o Governo salvam a face perante a opinião pública. Brilhante!
O que se pergunta é se é aceitável que se tenham arrogado a perturbar o funcionamento das escolas e o desempenho dos professores, durante um ano, através de um braço-de-ferro tanto mais estúpido e incompreensível quanto serviu verdadeiramente para coisa nenhuma?!… Obviamente que não. E, num país de cidadãos atentos e exigentes, isso teria consequências políticas. Em Portugal, infelizmente, tenho as minhas dúvidas…

terça-feira, abril 08, 2008

Conversa da treta

1. Vítor Constâncio, do alto da sua bem paga sapiência, afirma que o crescimento da economia portuguesa, em 2008 e 2009, afinal vai ser mais baixo que o anteriormente previsto pelo Banco de Portugal. Ainda assim, garante que será convergente com o da Zona Euro que, segundo disse, será inferior a dois por cento. Depois dos sacrifícios a que a grande maioria dos portugueses tem vindo a ser submetida é caso para dizer que se trata de uma grande proeza!

2. Por seu lado, o Ministro das Finanças propagandeia que a economia portuguesa atingiu o ponto mais forte dos últimos 30 anos e por isso é capaz de enfrentar as incertezas nos mercados internacionais.
O principal problema parece ser o facto de os portugueses não estarem tão optimistas quanto o senhor ministro. Com efeito, para Teixeira dos Santos, a grande ameaça ao crescimento é a queda dos níveis de confiança dos portugueses. Somos uns ingratos, é o que é!

O Governo da ilegalidade

A redução cega e obsessiva das despesas públicas em sectores de relevante importância social tem sido uma das pedras de toque da actual (des)governação, tudo valendo para atingir esse objectivo, mesmo e principalmente através da criação de dificuldades de toda a ordem aos profissionais das diversas áreas que, em muitos casos, se vêem coagidos a uma aposentação antecipada não desejada e financeiramente penalizadora, como forma de fugirem a uma situação cada vez mais insustentável.
É o que tem vindo a acontecer com a classe docente, designadamente com a sua divisão, de forma pouco menos que arbitrária e discricionária, através do rocambolesco Concurso para Professor Titular, que outro objectivo não teve senão o de limitar ou mesmo impedir o acesso ao topo da carreira a milhares de excelentes profissionais. Concurso enviezado, capcioso, hipócrita. E profundamente injusto. Cuja injustiça o Tribunal Constitucional se encarregou agora de pôr a nú!

segunda-feira, abril 07, 2008

Homenagem e agradecimento

Estive uns dias hospitalizado, situação que me impediu de postar com a regularidade com que tento e gosto de fazer.
Mas, ao invés, esse facto permitiu-me acompanhar, de perto e por dentro, a forma a um tempo missionária e heróica como homens e mulheres, sejam eles médicos, enfermeiros ou auxiliares, desempenham a sua humanitária acção, mantendo viva, apesar da sanha economicista do Governo, uma das conquistas mais emblemáticas de Abril, o Serviço Nacional de Saúde.
A minha sentida homenagem e o meu sincero agradecimento a todos eles!

terça-feira, abril 01, 2008

Felizmente há… Brasil!

O Governo venezuelano decidiu incluir a língua portuguesa como disciplina de opção no currículo oficial do próximo ano lectivo mas a falta de professores portugueses foi considerada um obstáculo para a iniciativa.
No entanto, o Brasil, que não brinca em serviço, resolve o problema.
Mais danos colaterais em consequência da obsessiva redução do défice orçamental!…

Sozinha

Acho espantoso que sobre a ocorrência na Carolina Michaelis várias opiniões insistam que a professora não devia ter entrado em "braço-de-ferro" com a aluna por causa do telemóvel. Não houve "braço-de-ferro" nenhum. A Professora recusou-se a capitular. Não deixou que lhe tirassem à força algo que, no exercício das competências em que está investida, tinha achado por bem confiscar. E não cedeu face a pressões selváticas. E não capitulou face a agressões verbais. E manteve-se digna no posto que lhe foi confiado pela sociedade, com elevação e consistência, cumprindo as expectativas depostas na sua missão. A Dra. Adozinda Cruz é um modelo de coragem que o país tem que aplaudir. Que a nossa confusa sociedade precisa de aplaudir porque é uma sociedade carente de pessoas como ela. A Professora de francês fez aquilo que tinha que ser feito. Sozinha. Porque trabalha numa escola onde o Conselho Directivo tolera que a placa com nome do estabelecimento, baptizado em honra de uma excepcional pedagoga que foi a primeira mulher portuguesa a conseguir leccionar numa universidade, esteja conspurcada, num muro com inenarráveis graffitis que mandam cá para fora a mensagem que lá dentro tolera-se a bandalheira. Numa escola onde durante minutos se ouviu a algazarra infernal dessa bandalheira, onde ela estava a ser agredida e nenhum colega ou funcionário ou aluno se atreveu a abrir a porta e ver se podia ajudar. Foi dessa cobardia geral e conformismo abúlico que a Dra. Adozinda Cruz se demarcou quando não deixou que a desautorizassem. É por isso funesto não lhe reconhecer a coragem e diminuí-la num bizarro processo de culpabilização da vítima. Estar a tentar encontrar fragilidades comportamentais num ambiente de tal hostilidade é injusto. E o facto é que não fora a louvável e pronta actuação do Procurador-geral da República a Dra Adozinda Cruz ficaria sozinha.

segunda-feira, março 31, 2008

O Estatuto do Bom Selvagem

O ESTATUTO [do Aluno] cria um regime disciplinar em tudo semelhante ao que vigora, por exemplo, para a Administração Pública ou para as relações entre Administração e cidadãos. Pior ainda, é criado um regime disciplinar e sancionatório decalcado sobre os sistemas e os processos judiciais. Os autores deste estatuto revelam uma total e absoluta ignorância do que se passa nas escolas, do que são as escolas. Oscilando entre a burocracia, a teoria integradora das ciências de educação, a ideia de que existe uma democracia na sala de aula e a convicção de que a disciplina é um mal, os legisladores do ministério da educação (deste ministério e dos anteriores) produziram uma monstruosidade: senil na concepção burocrática, administrativa e judicial; adolescente na ideologia; infantil na ambição. O estatuto não é a causa dos males educativos, até porque nem sequer está em vigor na maior parte das escolas. Também não é por causa do estatuto que há, ou não há, pancadaria nas escolas. O estatuto é a consequência de uma longa caminhada e será, de futuro, o responsável imediato pela impossibilidade de administrar a disciplina nas escolas. O estatuto não retira a autoridade na escola (aos professores, aos directores, aos conselhos escolares). Não! Apenas confirma o facto de já não a terem e de assim perderem as veleidades de voltar a ter. O processo educativo, essencialmente humano e pessoal, é transformado num processo “científico”, “técnico”, desumanizado, burocrático e administrativo que dissolve a autoridade e esbate as responsabilidades. Se for lido com atenção, este estatuto revela que a sua principal inspiração é a desconfiança dos professores. Quem fez este estatuto tinha uma única ideia na cabeça: é preciso defender os alunos dos professores que os podem agredir e oprimir. Mesmo que nada resolva, a sua revogação é um gesto de saúde mental pública.

sexta-feira, março 28, 2008

25 de Abril, sempre!

Tenho esta viola numa mão
Tenho a minha vida noutra mão
Tenho um grande amor
Marcado pela dor
E sempre que Abril aqui passar
Dou-lhe este farnel para o ajudar


"Vozes de Abril", assim se chama espectáculo organizado pela Associação 25 de Abril, que se realizará no dia 4 de Abril, em Lisboa, no Coliseu dos Recreios.
Será gravado pela RTP e transmitido no dia 25 de Abril.

25 de Abril, sempre!

Defender o ambiente da Educação!

Há dias, António Barreto afirmou, na SIC Notícias, que aquele ministério da 5 de Outubro é a fonte de todos os males da Educação e devia ser isolado por um cordão sanitário.
Agora, as escolas do ensino secundário foram convidadas a participar num concurso que visa imaginar e lançar campanhas de sensibilização ambiental que convençam a comunidade escolar, devendo aquelas ter efeitos práticos visíveis, e ser capazes de surpreender os outros e de os convencer a alterar o seu comportamento no dia-a-dia.
Ora aí está uma excelente oportunidade para concretizar a ideia de António Barreto.
Os efeitos práticos seriam seguramente visíveis no ambiente da Educação e das escolas, e no comportamento de todos quantos nelas trabalham.

A culpa morre solteira

Não foi essa a educação que lhe demos. Quem nos conhece sabe que a Patrícia teve e tem aquela que nós achamos ser a melhor educação.
Mãe da aluna da Escola Secundária Carolina Michaelis

Caso para perguntar: se não foram os pais da aluna que lhe deram aquela educação, quem foi então? A Escola? A Sociedade?
Muito interessante este alijar de responsabilidades de quem deveria ser o primeiro a assumi-las.
E no entanto, acham sempre que deram a melhor educação. Os resultados, infelizmente, estão à vista!…

"Quo vadis" Escola Pública?

Portugal é um dos países da OCDE com maior défice em matéria de Educação. A alfabetização de adultos está ainda longe dos valores de referência. A população activa regista um dos piores níveis de escolaridade. O abandono escolar e a iliteracia são preocupantes.
A democratização da Escola, se é certo que garantiu o acesso generalizado da população ao ensino a que muito justamente tem direito, não lhe assegurou, por outro lado, os níveis de formação e educação característicos de qualquer sociedade desenvolvida.
Este falhanço ficou, em grande parte, a dever-se a uma Educação centrada no conceito de aprendizagem como actividade essencialmente lúdica, sempre impregnada de indulgentes teses psico-pedagógicas, levando os alunos a crer que os objectivos poderiam ser alcançados sem exigência e esforço. A verdade é que, apesar deste governo continuar a apostar no facilitismo e no sucesso escolar a qualquer preço, por este caminho, talvez subamos um pouco o nosso lugar nas estatísticas, mas não elevaremos o nível da nossa formação e educação.
Se a tudo isto juntarmos a crise de autoridade — não confundir com autoritarismo… — instalada em muitas das nossas escolas, a que não é alheia uma política que não concede verdadeira autonomia nem meios aos órgãos de gestão, desacredita e menoriza os professores e, para cúmulo, é tolerante e permissiva com os maus comportamentos dos alunos, estão criadas as condições para se chegar onde se chegou: uma escola que não existe (passe o exagero da afirmação de Fátima Bonifácio, ontem à noite, no debate da SIC Notícias)!
E, na verdade, uma Escola que castiga de tal forma que mais parece estar a premiar, uma Escola que não é capaz de se solidarizar com um seu elemento vítima de agressão… não existe!
Resta ao ofendido esperar que a Justiça do Estado de Direito funcione!…

quinta-feira, março 27, 2008

A origem da violência

A crise económica, social e moral que grassa no nosso país é o caldo de cultura favorece o recrudescimento da violência nas escolas e na sociedade.
Quanto mais nos afundarmos na Europa dos pobres e da injustiça social, mais o problema se agravará.
Em todo o caso, enquanto essa situação não for invertida, tem de se começar por algum lado.
Concordamos, portanto, com a decisão do Procurador-geral da República de investigar a violência nas escolas. Julgamos, porém, que deveria começar pelo ministério da 5 de Outubro. É lá que grande parte da violência tem origem. Pelo menos, contra os professores.

Por qué no te callas?

Santana Lopes quer falar menos em público mas não vai consegui-lo. Está-lhe nos genes. Precisa do microfone e dos holofotes como do ar para respirar. E a comunicação social faz-lhe o jeito. Será que isto é uma notícia?

quarta-feira, março 26, 2008

A "generosidade" de Sócrates

A obsessiva redução do défice orçamental foi conseguida à custa das mesmas receitas de sempre — corte nas despesas públicas com a educação, a saúde, a segurança social, congelamento de salários e despedimentos na função pública, agravamento da carga fiscal — que, não só não relançaram a economia, como acabaram por originar uma das maiores crises sociais dos últimos trinta anos, com cerca de dois milhões de portugueses a (sobre)viver abaixo do limiar da pobreza, ao mesmo tempo que uma minoria enriquece escandalosamente como jamais se viu.
Deste modo, o primeiro-ministro, dando largas à sua "generosidade", começa por baixar a taxa do IVA de 21 para 20 por cento. E explica que é uma medida prudente e responsável […] face à incerteza que ainda se vive na economia internacional. Porém, como haverá eleições em 2009, acena já com mais uma "estrondosa" redução de 1% para essa altura, se a economia portuguesa evoluir favoravelmente. E podem crer que isso acontecerá. Pelo menos no discurso de Sócrates. É que, como dizia o Botas, na política, o que parece é!

Nota final

E, já agora, ainda estamos para ver se esta descida do IVA, que há muito devia ter acontecido, se traduzirá numa baixa dos preços para o consumidor ou num aumento dos lucros das empresas?!… Fiscalização é preciso!…

Tão simples quanto isto!

Não é com medidas pontuais, reactivas e eleitoralistas, de quem o que tem feito é atirar gasolina para a fogueira com a completa desvalorização do papel do professor e o facilitismo e a indulgência com que tem brindado os alunos e os seus encarregados de educação, que o problema da indisciplina e da violência será erradicado das escolas.
É antes com medidas generalizadas e coerentes entre si. A saber…
  • reforço da autoridade dos docentes
  • co-responsabilização das famílias relativamente à convivência e sucesso escolares dos alunos
  • redução do número de alunos por turma e do número de turmas distribuídas a cada docente
  • criação de equipas multidisciplinares de mediação de conflitos
  • integração da temática da gestão de conflitos na formação inicial e contínua dos professores
Isto sim, seria governar. Mas exige algum investimento. E o objectivo deste governo não é esse. Antes, descredibilizar a Escola Pública para abrir caminho aos negócios privados da Educação que aí vêm! O último grande negócio que lhes faltava!

Ministério da "Educação", a raiz da indisciplina

A indisciplina e a violência nas escolas, fenómeno que tem vindo a aumentar nos últimos anos, não será exclusivamente imputável ao actual Ministério da "Educação" mas, por mais que o secretário de Estado, Valter Lemos, afirme a pés juntos que este é o Governo que mais medidas tomou relativamente ao combate a estes problemas, é hoje por demais evidente que a sua política de desautorização dos professores e desculpabilização do mau comportamento dos alunos só podia ter como consequência o agravamento e a generalização da situação.

Bem pode Valter Lemos querer tapar o sol com a peneira, tentando convencer-nos de que os incidentes de violência ocorrem apenas em 7% dos estabelecimentos de ensino quando, segundo o Observatório de Segurança Escolar, a cada dia que passa, registam-se em média duas agressões a professores nas escolas portuguesas. Infelizmente, o caso da Secundária de Carolina Michaellis, do Porto, é apenas a ponta de um gigantesco icebergue. Basta percorremos o You Tube para vermos a quantidade de histórias abjectas que por lá pululam!
O melhor serviço que esta equipa do M"E" podia prestar ao país seria autocriticar-se, pedir desculpa dos prejuízos que já causou (e foram muitos) e ir embora. Mas não o fará. O interesse nacional exigia-o, mas o calendário eleitoral não o permite. A campanha, de resto, já começou! É o que se pode concluir da apresentação de uma medida mirabolante, apenas destinada às escolas que tiverem um grande problema de indisciplina generalizada. De acordo com o aforismo que reza depois de casa roubada trancas na porta. À prevenção, Valter Lemos diz nada. As escolas e os professores que se aguentem à bronca! Como é costume…