sábado, março 21, 2009

Todos não somos demais. Obviamente.

A contestação ao modelo de suposta avaliação do desempenho dos docentes, que Sócrates e Lurdes Rodrigues persistem cegamente em impor, no essencial, tem sido levada a cabo pelos professores e pelas suas organizações e movimentos de classe, com altos e baixos, há já dois longos e sofridos anos. Dos conselhos executivos, apesar de eleitos com os votos dos professores, nunca seria de esperar muito, dada a forma como foram manietados, ameaçados ou simplesmente aliciados pelo ministério da "educação".
Ora, é por isso que, num momento em que a luta parece confinada à frente jurídica, através da interposição de providências cautelares, pelos sindicatos, e da fiscalização preventiva da lei, solicitada ao Tribunal Constitucional, pelo PCP, o Bloco de Esquerda e o CDS-PP, nos parece relevante a posição hoje tomada por 180 presidentes de conselhos executivos, afirmando publicamente que “nada na lei obriga à entrega de objectivos” e que, por esse facto, “não [estão] obrigados a aplicar medidas penalizadoras sobre os professores que o não tenham feito". Posição tão mais relevante (e não tão óbvia como alguns consideram) quanto o facto de muitos dos 1 020 que não a apoiaram estarem, provavelmente, dispostos a executar fielmente as ameaças do ministério.
Bem sei que se caminha a passos largos para o fim do ano lectivo, ou seja, para o momento crucial da decisão da entrega ou não da ficha de auto-avaliação, sabendo que a entrega significará a capitulação e a concordância com um arremedo de avaliação — com as eleições à porta, o que interessa ao governo é poder propagandear que fez a avaliação dos professores, mesmo que nenhum deles tenha sido verdadeiramente avaliado de forma séria e justa — e a não-entrega, a recusa em alinhar numa farsa, injusta e indecente, para consumo eleitoral.
Certo é que, até lá, muito há que lutar e todos não somos demais. Obviamente.

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