sábado, dezembro 31, 2005

2006: não deixem de lutar para ser felizes!

(…)
O negro espectro que plana sobre as nossas cabeças mais do que ameaçar uma parte de nós, constitui um perigo para todos. As relações entre os portugueses deterioraram-se com as injustiças, as mentiras, as falsas (e, por isso, hediondas) promessas.
(…)
Vivemos numa dessas épocas tenebrosas. O País não está coeso, nem espiritual, nem social nem politicamente. A ética cívica e o sentido da solidariedade, bandeiras republicanas, decompuseram-se de tal modo que, perante as negações, aparentemente sem remédio, a prefiguração do salvador da pátria reemerge do pior dos nossos abismos ancestrais.
(…)
Os crimes (porque de crimes se trata) cometidos em nome da "competitividade", do "desenvolvimento sustentado", da "modernidade", espezinharam quase todas as formas de benevolência e de compaixão. Católicos de genuflexão, rosário e reza, trepados aos diversos Governos, do PS e do PSD, tripudiaram sobre os preceitos mais rudimentares das suas crenças, e alimentaram a ganância, a busca do lucro, o crescendo da precarização do trabalho e do desemprego.
(…)
Dir-se-á: mas os restaurantes estão cheios, as viagens são cada vez mais e para longes sítios, carros há-os por todo o lado. É verdade que há gente feliz. É verdade que há gente cheia de lágrimas. Esta última é a maior de todas as maiorias. O sinistro avejão que paira, medonho, representa um sistema de valores contrário às aspirações populares, e elimina, completamente, a possibilidade de uma sociedade mais justa, mais fraterna, mais comprometida com a própria noção de comunidade e de partilha. Não há sistema sem imposições.
Chegámos a um patamar onde a necessidade de mudança é um imperativo. No entanto, a "mudança" resulta de decisões governativas, nunca de iniciativas presidenciais, a não ser que, subrepticiamente, se pretenda alterações profundas ao regime. Seja como for, a situação tornou-se dilemática. E não está posta de parte a eventualidade de um golpe de Estado constitucional.
Dilectos: aconteça o que acontecer, cá estamos para o que der e vier. Independentemente da consciência das incertezas, Boas-Festas, um Bom Ano, e - por favor! - nunca deixem de lutar para ser felizes!

Ano Novo, vida velha

A partir de 1 de Janeiro, as portagens nas pontes 25 de Abril e Vasco da Gama vão aumentar, respectivamente, 4,3 e 5 por cento na classe 1 (ligeiros de passageiros).

Prestação da casa pode subir 10% até final de 2006.

Pão, tabaco e portagens sobem mais em 2006 do que preços tabelados.

Ano novo, preços novos. Tudo mais caro a partir de Domingo. Alguns produtos como o pão, os cigarros ou as portagens vão mesmo subir acima da inflação.

Os impostos sobre os combustíveis vão aumentar mais de quatro cêntimos por litro a partir do início de 2006, prevendo-se uma incidência de 10% no gasóleo e 7% na gasolina.


Hoje vamos celebrar o quê?

quinta-feira, dezembro 29, 2005

Memórias


Alentejo, 1955
© Henri Cartier-Bresson / Magnum Photos

Nazaré, 1955
© Henri Cartier-Bresson / Magnum Photos

A nossa "guerra"

"Ao Presidente da República, como comandante supremo das Forças Armadas, cabe-lhe a defesa do território. Mas não temos inimigos, defender o território é lutar pelo desenvolvimento do país."

Quo vadis Portugal?

Um estudo recente dos Institutos de Estatística de Portugal e de Espanha veio comprovar aquilo que nós já sabíamos: o nosso nível de desenvolvimento é bem inferior ao do país vizinho, com excepção da região de Lisboa que, dando razão ao velho ditado "Portugal é Lisboa e o resto é paisagem", é a única que se compara com as regiões mais abastadas de Espanha, como Madrid e Catalunha.
Portugal, que é actualmente o único país da União dos 25 com um crescimento abaixo da média europeia, pode no entanto "gabar-se" de estar à frente na sinistralidade automóvel e possuir a maior árvore de Natal da Europa! Nalguma coisa havíamos de ser os primeiros, ora!…

quarta-feira, dezembro 28, 2005

Empresários têm défice de formação

Segundo o documento "A Península Ibérica em números", publicado pelos institutos nacionais de estatística de Portugal e de Espanha, no ano passado, apenas um em cada quatro patrões portugueses era licenciado ou tinha completado o ensino secundário, o que representa metade da percentagem registada em Espanha.
No que respeita à formação dos empregados, ainda no ano passado, a Espanha tinha também o dobro de empregados licenciados ou com o ensino secundário completo em relação a Portugal, que se ficava pelos 27 por cento, situação, apesar de tudo, ligeiramente melhor que a que se refere aos empresários.
Já na União Eueropeia, os valores médios daqueles indicadores são de 71 por cento, no caso dos patrões, e de 72 por cento, no caso dos empregados.
Duas conclusões se podem daqui extrair:
1. Resulta daqui claramente por que é que a nossa produtividade é bem inferior à da Espanha e da média europeia.
2. As razões da nossa baixa produtividade não podem ser exclusivamente assacadas aos nossos trabalhadores, como alguns gostam de fazer, uma vez que os nossos empresários têm uma formação comparativamente pior.

Woody Allen, ontem, no CCB

Realizador e comediante genial. Até a tocar clarinete é divertido!



terça-feira, dezembro 27, 2005

O "grande timoneiro"…

Dando cada vez mais fartos e brilhantes exemplos dos seus conhecimentos em matéria constitucional, Cavaco Silva veio desta vez propor a criação de uma secretaria de Estado para acompanhar as empresas estrangeiras "esquecendo-se" que, na condição de (candidato a) Presidente da República, está a ingerir em assuntos que são da exclusiva competência do Governo.
E acrescenta à insconstitucionalidade que isto revela, a sua estranha concepção de "liberdade" e "transparência" do mercado, de resto já muito praticada por Salazar na década de 60 para "comprar" a conivência e o silêncio de algumas grandes potências capitalistas perante a política e a guerra colonial!
Decididamente, este homem não tem perfil para Presidente da República. Nunca irá "esquecer" que foi primeiro-ministro (e mau). E em Belém iria querer ser o "grande timoneiro"…
Não há, portanto, nada a fazer senão evitar a sua eleição! A todo o custo…

O Carrasco vai ser julgado? Tarde de mais…

Augusto Pinochet subiu ao poder no Chile através de um golpe militar, em 11 de setembro de 1973, que derrubou Salvador Allende, o primeiro presidente socialista eleito democraticamente num país latino-americano.
Com a ditadura de Pinochet, o Chile deixou de ser a sociedade liberal que era desde 1930. Tornou-se palco de uma repressão criminosa, torturas e assassinatos. Cerca de trinta mil chilenos foram mortos e mais de cem mil foram presos sem julgamento. Foi o reinado do terror. Quem se opôs à junta de Pinochet foi perseguido e eliminado. O Estádio Nacional de Santiago a última prisão para milhares de vítimas.

Pinochet, que governou o Chile de 1973 a 1990, começou por ser indiciado e incriminado pelo Juiz espanhol Baltazar Garzón, em 1999, mas a defesa do ditador conseguiu sempre impedir o seu julgamento alegando razões de saúde.

Agora, o Supremo Tribunal chileno rejeitou o apelo para que Pinochet não fosse submetido a julgamento pelo seu envolvimento na “Operação Colombo”, que resultou em 119 desaparecidos, a primeira de uma série de acusações relacionadas com violações dos direitos humanos cometidas enquanto esteve no poder.

segunda-feira, dezembro 26, 2005

Canção de Natal

Aurélio Malva - Bento Airoso


Oh Bento airoso mistério divino
Encontrei a Maria à beira do rio
E lavando os cueiros do bendito filho

Oh Bento airoso mistério divino
Maria lavava, S. José estendia
E o Menino chorava c'o frio que fazia

Oh Bento airoso mistério divino
Calai meu Menino, calai meu amor
É que as vossas verdades me matam com dor


Tradicional de Paradela, Miranda do Douro
Recolha de Michel Giacometti, 1960

domingo, dezembro 25, 2005

Um dia como os outros

Dia de natal

Tristeza vai-te embora
Tristeza
pequena morte
Chega a noite, vai-se o dia
e assim há-de desaparecer este pobre diabo
que eu sou
com calças rotas
camisola cosida
Esperavas um milagre nesta noite de natal?
A camisola não recebeste
as calças não tas deram
Bem feito
para não acreditares em anjos.

Mário, 1960
in "a criança e a vida", de Maria Rosa Colaço

sábado, dezembro 24, 2005

Prendas do Natal

MEU QUERIDO JESUS:

Aqui estou neste sítio pobre
nesta rua fria
com as árvores vermelhas
a anunciar a tua chegada,
Os anjinhos de estrelas
que vieram a meu lado
quando eu estava sentado naquela rocha
disseram-me que não chorasse
porque teria umas calças vermelhas
e uma camisola de lã branca.
Mas só tenho os pés roxos
os dedos não os sinto
Se me deixasses uma caixa de fósforos
para me aquecer
ou me levasses nos braços para o céu
como se fosse um farrapo de neve
essa era a minha melhor prenda de Natal

Victor Moreira, 1960
in "a criança e a vida", de Maria Rosa Colaço

Carta para o Pai Natal


Ho ho ho ho ho ho
Merry Christmas

olá, pai natal, é a primeira vez que escrevo para ti
venho de Lisboa, o pessoal chama-me AC
desculpa o atrevimento, mas tenho alguns pedidos
espero que não fiquem nalguma prateleira esquecidos
como nunca te pedi nada,
peço tudo de uma vez e fica a conversa despachada
talvez aches os pedidos meio extravagantes
queria que pusesses juízo na cabeça destes governantes
tira-lhes as armas e a vontade da guerra,
é que senão acabamos a pedir-te uma nova terra
ao sem-abrigo indigente dá-lhe uma vida decente
e arranja-lhe trabalho em vez de mais uma sopa quente
e ao pobre coitado e ao desempregado
arranja-lhe um emprego em que ele não se sinta explorado
e ao soldado manda-o de volta para junto da mulher,
acredita que é isso que ele quer
vai ver África de perto, não vejas pelos jornais
dá de comer às crianças, ergue escolas e hospitais
cura as doenças e distribui vacinas
dá carrinhos aos meninos e bonecas às meninas
e dá-lhes paz e alegria
ao idoso sozinho em casa arranja-lhe boa companhia
já sei que só ofereces aos meninos bem comportados
mas alguns portam-se mal e dás condomínios fechados
jactos privados, carros topo de gama importados,
grandes ordenados, apagas pecados a culpados
desculpa o pouco entusiasmo, não me leves a mal
não percebo como é que isto se tornou um feriado comercial
parece que é desculpa para um ano de costas voltadas
e a única coisa que interessa é se as prendas estão compradas
e quando passa o natal dás à sola,
há quem diga que não existes, que quem te inventou foi a coca-cola
não te preocupes que eu não digo a ninguém
e se és pai natal, deves ser pai de alguém
para mim natal é qualquer hora, basta querer
gosto de dar e não preciso de pretextos para oferecer
e já agora para acabar sem querer abusar,
dá-nos paz e amor e nem é preciso embrulhar
muita felicidade, saúde acima de tudo
se puderes dá-nos boas notas com pouco estudo
desculpa o incómodo e continua com as tuas prendas...
feliz natal para ti e
já agora, baixa as rendas!

Feliz Natal!

sexta-feira, dezembro 23, 2005

Cavaco e o modelo norte-coreano

Depois do líder do "partido neo-salazarista" (eufemisticamente designado CDS) ter afirmado que "o terrorismo contemporâneo tem origens na esquerda", "esquecendo-se" que a Al Qaeda, a maior e mais perigosa organização terrorista da actualidade, foi apoiada e encorajada pelos Estados Unidos e pelo Paquistão (já para não falar das ligações à Arábia Saudita), que não são propriamente regimes de Esquerda, agora foi a vez do pequeno líder do "partido liberal" (mais conhecido por PSD) acusar o Governo de agir "ao melhor estilo norte-coreano" criticando e lamentando a aposta no betão em detrimento da inovação.
Para além dos dislates e da sede de revanche sempre tão característicos da Direita a que infelizmente temos direito, ficamos a saber que o grande timoneiro Cavaco, durante a sua "governação", também seguiu o modelo norte-coreano, tal foi a sua aposta no betão!…

Uma frase terrorista

Interrogado pelos jornalistas sobre o que pensava da afirmação do presidente do partido eufemisticamente chamado CDS-PP, de que "o terrorismo contemporâneo tem origens na esquerda", Manuel Alegre respondeu de forma sintética, exacta e não menos brilhante:
É uma frase terrorista!…
E pronto. Ficou tudo dito.

quarta-feira, dezembro 21, 2005

A Liberdade tem de ser sempre conquistada


Freedom - 2005 (clicar na imagem)

1' video col, computer animation 2D
Subject, screenplay and 2D animation: Bruno Bozzetto
Music and sound effects : Roberto Frattini

Celebration for the 60 years of freedom in Italy. Produced by "Comune di Bergamo".


RTP discriminou Manuel Alegre

Ao privar a candidatura de Manuel Alegre de se ver representada no painel que ontem à noite comentou os debates presidenciais, a RTP, serviço público de televisão suportado pelos impostos dos contribuintes, prestou um mau serviço à Democracia e desrespeitou grosseiramente os direitos dos cidadãos, ao violar de forma flagrante a "liberdade de expressão e informação" e impedir objectivamente "a possibilidade de expressão e confronto das diversas correntes de opinião", princípios expressamente consignados na Constituição.
Ontem à noite, A RTP não foi a televisão de todos os portugueses e isso é algo de intolerável numa sociedade que queremos livre e democrática!…

Clique aqui, preencha o formulário respectivo e proteste junto da RTP por esta grosseira violação da legalidade democrática! Exerça a sua cidadania!…

Soares espremeu Cavaco!

No debate de ontem à noite ficámos a saber o que já sabíamos: que Soares é um "ouvidor", o que, por muito simpático que seja, em termos práticos, significa o aval à política do Governo, qualquer que ela e ele sejam, e que Cavaco continua obsessivamente a pensar que pode "dirigir" a governação do país, como se estivéssemos num regime presidencialista.
No que mais se pareceu com uma luta de sumo, o certo é que Soares, com a fibra invejável dos seus 81 anos, alguma demagogia e até, por uma vez, insinuações — desnecessárias — à mistura, conseguiu espremer Cavaco e mostrar que ele não é o "presidente" que Portugal precisa!

Alegre acredita na vitória! Nós também…

No dia em que uma sondagem aponta Manuel Alegre como o segundo candidato presidencial mais votado, o nosso candidato não tem qualquer dúvida de que vai passar à segunda volta e acredita mesmo que vai vencer as eleições.

terça-feira, dezembro 20, 2005

Parabéns Martinha!

A filha mais linda do mundo!

Por ti, vou votar Alegre !

Cavaco em Belém?

Se esta desgraça acontecesse, seria o requiem pelo 25 de Abril, o adeus ao Estado social, o salve-se quem puder!

segunda-feira, dezembro 19, 2005

A Voz da Liberdade não se rende!

Manuel Alegre garante que vai até ao fim e afirma que "quem cometeu erros que os assuma e que dê a cara pelos erros que cometeu; em República não há presidentes coroados, em democracia não há coroações e em eleições democráticas não há vencedores antecipados."

Manuel Alegre afirma igualmente que, se for eleito Presidente da República, não aspira a governar, mas recusará ser um «corta-fitas» e qualquer conivência com o Executivo.

domingo, dezembro 18, 2005

A ignorância e o provincianismo ao Poder!…


"O dr. Cavaco foi a Paris para prometer, à puridade, «recuperar a imagem de Portugal no estrangeiro». Quis, assim, de cabeça alta e a costumeira graciosidade espelhada no rosto, criticar a prosápia e a vilania dos governos que o antecederam - os quais teriam, maldosamente, ofuscado essa imagem. Depois, satisfeitíssimo, tomou o avião e regressou à pátria, por ele considerada «excessivamente deprimida». Claro que também possui remédio e sólidos métodos para extirpar esta atroz maleita.

Há algo de equívoco nas afirmações do candidato do PSD-CDS. Foi num governo dele que Saramago se viu impedido de participar num importante prémio europeu, o que atribuiu à «imagem de Portugal» um colete de infâmia, de intolerância e de estupidez. Enorme chinfrim fez a Imprensa lá de fora. Nessa ocasião, como em outras, o dr. Cavaco, primeiro-ministro, não exautorou nem despediu, como lhe competia, os vigilantes da «cultura» no seu governo: Santana Lopes e Sousa Lara.

O culto da juventude pela juventude atingiu, na década de Cavaco, o requinte de doutrina de governo e de símbolo de «modernidade». É a época na qual é inculcada a concepção da economia como sagrada força de exemplo. Por sistema foram ignorados a educação, o desenvolvimento harmonioso, a aplicação dos modos relativos à natureza das técnicas. A genealogia da amnésia histórica começou a exteriorizar-se, com o apagamento do passado e a remoção daqueles que representavam o espírito do 25 de Abril. Assistiu-se ao aggiornamento de abjurados da extrema-esquerda, promovidos a lugares de decisão. Ressurgiram os velhos mitos patrioteiros e a preponderância do autoritarismo sobre a razão. Bem entendido: não foi Cavaco Silva o autor da teoria: faltam-lhe leitura e reflexão filosóficas, bases culturais e prospectiva. Ele foi a causa determinante.

Sabe-se que ciência, arte, literatura, cinema, teatro não se encontram no quadro dos interesses essenciais do dr. Cavaco. E que as suas famosas confusões culturais, deploráveis num primeiro-ministro tornam-se imperdoáveis num homem que ambiciosa Belém. Mesmo o gosto pelo fado «novo», trovado por Katia Guerreiro, é aquisição recente e, suspeito, passageira.

(...)

Na inesquecível viagem a Paris, utilizando o patronímico na forma majestática, declarou: «Todos eles atacam o Cavaco porque há falta de argumentos melhores». Entre a urdidura desta frase, trôpega pelo percalço gramatical, a verdade dos factos, e a pompa egocêntrica, compõe-se o retrato de um homem que tem de si próprio a melhor das opiniões. Além de nos reforçar a ideia de que não possui um pingo de humor.

Estamos a grande distância do perfil adequado a um Presidente da República, o qual deve legar-nos uma égide de humanismo, contemporização, ampla curiosidade de interesses, espírito dialogante, aproximação afectiva. Este homem não é só um frigorífico de emoções: desperta muito do que de mais assustador existe, adormecido ou dissimulado, na sociedade portuguesa. (...)."

Com Alegre até ao fim, decididos e unidos!

Sócrates quer governar com Cavaco Silva em Belém. Vasco Graça Moura já o tinha aqui demonstrado lucidamente.
Por isso o PS escolheu Soares para candidato à Presidência da República, sabendo que dificilmente ele poderia fazer o pleno da Esquerda e derrotar Cavaco.
Mas essas sinistras intenções surgem agora bem mais claras, com os pesos-pesados Jorge Coelho, António Vitorino e António Costa a apelarem descaradamente à desistência dos candidatos da Esquerda a favor de Soares, sabendo-se que, nesse caso, muitos eleitores de Alegre, Louçã e Jerónimo optariam pela abstenção, já para não admitir que alguns até poderiam votar logo em Cavaco facilitando a sua vitória na primeira volta. Sócrates poderia assim atribuir as culpas da derrora de Soares aos que "dividiram a Esquerda" e não a um erro de escolha do PS ou mesmo à recusa pelo eleitorado do regresso a Belém de alguém que já cumpriu dois mandatos presidenciais.
Mas para que esta maquiavélica estratégia resultasse na "perfeição", seria necessário que Mário Soares, mesmo perdendo, ficasse claramente à frente de Manuel Alegre. É que se acontecer o contrário — Alegre ter mais votos que Soares — , além de ser uma humilhação para Sócrates (& Cia.), a situação tornar-se-lhe-á delicada, pois a escolha dos eleitores será entendida como uma crítica às políticas anti-sociais do Governo, tornando-o assim mais dependente do apoio do "presidente" Cavaco Silva.
Não admira, por isso, que, com o agudizar da campanha, o directório do PS, mais do que preocupar-se em derrotar Cavaco, eleja Manuel Alegre o principal adversário a abater!

Mas nós não desistiremos. Iremos com Alegre até ao fim, decididos e unidos!

E acreditem, como dizia Sérgio Godinho,


"que não sou o único que acho
que a gente o que tem é que estar unida,
unida como as uvas estão no cacho."

sábado, dezembro 17, 2005

O DN faz propaganda a Bush?

O senhor embaixador americano em Portugal, Alfred Hoffman Jr., vem dizer-nos que os EUA — um país que viola grosseiramente o Direito Internacional invadindo Estados soberanos (democráticos ou não, essa não é a questão…) e assassinando milhares de civis inocentes, desrespeita os Direitos Humanos praticando a tortura e a prisão arbitrária, "passeia" abusivamente pelo espaço aéreo e os aeroportos de nações soberanas como se fosse dono do mundo — "estão empenhados nesta organização mundial [ONU] enquanto instrumento de promoção da paz, segurança, liberdade, direitos humanos e desenvolvimento."
Se não se tratasse de uma questão verdadeiramente trágica, esta afirmação seria desde já candidata à melhor piada de 2005!
Em todo o caso, estamos perante um péssimo serviço do Diário de Notícias ao jornalismo e à (in)formação, ao publicar um texto propagandístico, como de uma simples e legítima opinião se tratasse!
Ou será que se trata de "serviço" a pagar pela administração americana à conta dos 300 milhões que Bush vai gastar em propaganda?…

Ainda a crise — irreversível — do petróleo e o "cemitério" da Ota

Após o pico de Hubbert, e a consequente alta do preço do petróleo, o volume de tráfego aéreo em todo o mundo irá estagnar e até mesmo regredir.

Todos reconhecem já esta dramática — não há qualquer exagero na palavra — realidade: Alan Greenspan, presidente do banco central dos EUA, a Chevron, uma das maiores companhias petrolíferas do mundo, que solicita a ajuda do público a fim de racionalizar o uso do petróleo e a maioria dos governos e instituições, como se pode conferir no sítio da ASPO.

O governo "socrático", que nada herdou do pai da filosofia e parece mais empenhado em seguir cegamente a máxima cavaquista ("nunca tenho dúvidas e raramente me engano"), em vez de ter participado na importante conferência internacional realizada em Lisboa pela ASPO, em 19-20 de Maio último, onde poderia ter tomado consciência da preocupante realidade que se avizinha, preferiu assobiar e fazer de conta que vivemos no melhor dos mundos. É preciso dar pasto fresco aos lobbies da construção civil e da alta finança, mesmo que no fim, em vez de um aeroporto cuja plena utilização virá muito provavelmente a estar em dúvida, venhamos a ter um cemitério de aviões parados… por falta de jet-fuel!
Em todo o caso, se o senhor engenheiro ainda quiser rever a sua obstinada decisão, pode consultar aqui as comunicações apresentadas no encontro.

Resta-me desejar-vos um bom fim de semana com… pouco automóvel e muita caminhada.

sexta-feira, dezembro 16, 2005

Bush investe na propaganda

Até ao momento, a administração americana já "enterrou" mais de 226 biliões de dólares com a Invasão (ilegal, nunca é de mais recordá-lo) e ocupação do Iraque e lançou para a morte 2152 militares americanos — sem falar dos prejuízos e vítimas, dezenas de vezes mais elevados, do lado iraquiano, tudo isto porque, segundo as patranhas inventadas por Bush e os seus sequazes, Saddam apoiava a Al Qaeda, o Iraque possuía MDW's e era uma perigosa ditadura (pelos vistos a Coreia do Norte, o Paquistão, o Irão, são democracias!…). Wolfowitz, ao menos, foi sincero, numa entrevista ao Guardian, a propósito da invasão: "o que é que vocês querem, o país (o Iraque) nada num lago de petróleo", disse.
Mas George W. fez mais: a sua política ambiental (ou ausência dela) tem contribuído para o maior surto de furacões e catátrofes naturais de que há memória o que, aliado, à sua incompetência para prevenir e acautelar esse tipo de calamidades originou o "lindo" resultado de Nova Orleães, de consequências ainda por apurar exactamente.

E, apesar da economia americana registar um crescimento razoável de cerca de 4/5% (superior ao da UE, mas muito aquém do da China ou de outros "tigres" asiáticos…), Bush, com a sua política armamentista tresloucada, colocou a América nas mãos dos investidores asiáticos, vendendo-lhes títulos da Reserva Federal Americana, por causa dos gigantescos défices comercial e orçamental (são de tal ordem de grandeza que preocupam inclusivamente o FMI… e talvez nos devessem preocupar também a nós, europeus — uma falência dos EUA aonde é que pode levar o Mundo?).

Com tudo isto e depois do que (não) fez, sentindo o terreno da popularidade a fugir-lhe debaixo dos pés, Bush vai gastar 300 millhões em propaganda. De resto, uma prática habitual dos ditadores, como aconteceu com Hitler e o seu Gobells, ou Salazar e o seu António Ferro. Neste caso, no entanto, o "homem" é tão "mauzinho" que bem pode gastar os milhões que quiser em "cosmética" que dificilmente enganará quem quer que seja! Parafraseando um site humorístico americano, "he's too stupid to be president"!

Humor presidencial

Cavaco Silva e Mário Soares declinaram o convite para participarem no programa "Levanta-te e ri!"...




Um não consegue rir-se…






… o outro não consegue levantar-se!

quarta-feira, dezembro 14, 2005

Saddam: que "julgamento"?

"O conceito, o pessoal, o financiando e as funções do Tribunal Especial Iraquiano foram escolhidos e são ainda controlados pelos Estados Unidos, dependendo da sua vontade e dos seus desejos particulares. Isso contribui para corromper a justiça, de fato e na aparência, e criar mais ódio e somente um outro tribunal, que seja realmente competente, independente e imparcial, pode realizar um julgamento de acordo com a Lei.
Qualquer tribunal que considerar as acusações de crimes contra Saddam Hussein deve ter o poder e o mandato de considerar igualmente as acusações contra os líderes e o pessoal militar dos Estados Unidos, da Grã-Bretanha e das outras nações que participaram na agressão contra o Iraque, se a igualdade da Justiça perante a Lei ainda tem algum significado.
Nenhum poder, ou pessoa, podem estar acima da lei. Para que haja paz, os dias da "Justiça" do vencedor têm de acabar. A defesa de um caso destes é um desafio de grade importância para a Verdade, o primado da Lei e a Paz. Um advogado qualificado para esta tarefa e capaz de empreendê-la, se for escolhido, deve aceitar este serviço como o seu dever mais elevado."
Ramsey Clark, ex-advogado geral (attorney general) do antigo Presidente Lyndon B. Johnson

Condoleezza Rice, no entanto, acusou ontem a comunidade internacional de boicotar o "julgamento" do antigo ditador iraquiano Saddam Hussein e de ter feito pouco para o perseguir na justiça.
Percebe-se este frenesim da Casa Branca em "julgar" Saddam depressa e de qualquer forma, ou antes, da forma que melhor convém a George Bush e aos seus capangas, ilibando-os da destruição e do genocídio que perpetraram no Iraque!
É que Saddam, que os americanos criaram e colocaram no Poder, sabe demais…

segunda-feira, dezembro 12, 2005

Até Luís Delgado reconheceu…

Quem tenha assistido ao debate entre Cavaco Silva e Francisco Louçã, na TVI, com o mínimo de seriedade, é forçado a admitir que o deputado do Bloco de Esquerda fez o candidato da Direita passar um mau bocado.
Até mesmo 0 "propagandista neo-liberal" Luís Delgado, adepto confesso de Cavaco, reconhece que este perdeu o debate, atribuindo-lhe apenas 3, 5 pontos enquanto a Louçã deu 4!…

domingo, dezembro 11, 2005

Arruaça na campanha

"Um antigo combatente da guerra colonial insultou e agrediu neste domingo em Barcelos o candidato a Presidente da República Mário Soares, apelidando-o de "vigarista" devido ao seu papel na descolonização." (SIC online)


Estas atitudes, que de democrático nada têm e só contribuem para confundir o eleitorado, são sempre de condenar, venham da Esquerda (como na Marinha, em 1985), ou da (Extrema-)Direita, como no caso presente!

No entanto as situações parecem-me bem distintas.
Desde logo, como atrás referi, nas motivações ideológicas que lhe estão subjacentes.
E depois, porque, enquanto na Marinha Grande a agressão foi a expressão colectiva do descontentamento das massas contra a anterior governação impopular de Soares, agora resultou da acção desesperada, mas individual, de um saudosista do colonialismo, há muito condenado pela História, em todo o mundo.

Portanto, não acredito — e não espero, como apoiante de Alegre — que o Dr. Mário Soares venha a tirar dividendos eleitorais deste episódio, mas aproveito para lhe testemunhar a minha solidariedade democrática!

São sempre os mesmos a "pagar as favas"

Os trabalhadores portugueses podem não ser os melhores do mundo mas, devidamente dirigidos e enquadrados, pedem meças a quaisquer outros!…
Já os "nossos" empresários e gestores é o que se vê. Os primeiros não funcionam (?) sem subsídios, contenção salarial, isenção fiscal (quando não recorrem mesmo à fuga ao fisco e às contribuições para a Segurança Social, ou até ao branqueamento de capitais…). Os segundos, cuja competência, eficácia e responsabilidade tanto deixam a desejar, ganham frequentemente mais que os seus colegas de países bem mais ricos, mais até que alguns craques da bola (talvez porque aquilo que fazem não seja assim tão diferente do pontapé no "coiro"… neste caso, no "nosso" coiro!).
Enfim, certo certo é que, 30 anos de "alternância democrática" e "centrão gelatinoso" deram nisto: Portugal é um pântano sem Futuro onde são sempre os mesmos a "pagar as favas". Nós!…
O que nos vale (?) é sermos "um povo de brandos costumes"! Se assim não fosse, há muito já teria havido "festa rija" e "fogo de artifício"…

Jerónimo e Soares: a mesma "luta"!

É lamentável, é triste, é incompreensível, que, segundo as sondagens, uma parte significativa dos eleitores comunistas, à segunda volta (se é que não é já à primeira…) vá votar Cavaco, chegando ao cúmulo de, se fosse Soares a enfrentá-lo, darem apenas pouco mais de 40 por cento dos seus votos ao candidato do PS e quase 50 por cento ao candidato da Direita. Com Alegre, apesar de tudo, os comunistas portar-se-iam bem melhor e dar-lhe-iam quase 70 por cento dos seus votos.
Indiferente a esta "calamidade", Jerónimo prefere continuar a "bater" em Alegre, seguindo o exemplo de Soares. Será que existe algum acordo entre os dois, que nós desconheçamos?
A acompanhar com atenção os próximos capítulos…

sábado, dezembro 10, 2005

O Contraditório

Os nossos inimigos… nunca deixam de pensar em novas formas de fazer mal ao nosso país e ao nosso povo, e nós também não.

Our enemies...never stop thinking about new ways to harm our country and our people, and neither do we.

George W. Bush




Todos estão preocupados em pôr fim ao terrorismo. Bem, há uma maneira realmente fácil: deixar de participar nele.

Everybody's worried about stopping terrorism. Well, there's a really easy way: stop participating in it.

Noam Chomsky

A mentira não resultará

Mário Soares, candidato presidencial apoiado pelo Partido Socialista, acusou Manuel Alegre e Cavaco Silva de andarem a "vender gato por lebre quando dizem que não são políticos, que não são apoiados por partidos", mas mentiu.
Não em relação a Cavaco. Mas no que a Alegre diz respeito. Primeiro, porque nunca ninguém ouviu Manuel Alegre afirmar que não é político, antes pelo contrário, que tem muita honra em sê-lo. E depois, porque a sua candidatura é rigorosamente apartidária e apoiada apenas por cidadãos.
O Dr. Mário Soares mentiu, portanto, e certamente vai continuar a mentir, na tentativa desesperada de caçar votos para ir à segunda volta. Mas desta vez não vai conseguir. 1985 não se repetirá.
Contra a vontade dos directórios partidários, Manuel Alegre passará à segunda volta e irá ser eleito Presidente da República. Por vontade dos cidadãos.

sexta-feira, dezembro 09, 2005

Elogios mútuos

No debate entre Mário Soares e Jerónimo de Sousa não houve grandes divergências. E até houve elogios.
Soares que, segundo algumas sondagens, num hipotético cenário de segunda volta, obteria menos votos dos comunistas que Cavaco, classificou-os como “um eleitorado consciente” e o seu líder como “inteligente”, numa tentativa descarada e não muito ética de inverter aquela tendência.
Jerónimo haveria de declarar que gostou do segundo mandato presidencial de Soares, tudo levando a crer que se prepara para lhe estender a passadeira.
E ainda dizem que o debate Alegre – Cavaco foi morno!… E este foi o quê?…

quinta-feira, dezembro 08, 2005

John Lennon forever!

J. Lennon - Imagine


Há 25 anos tiraram-te cobardemente a vida, mas as tuas palavras, essas ninguém as apagará da nossa memória. Porque nos falam de paz e solidariedade, de partilha e fraternidade. Porque nos falam da utopia de um mundo novo:

Imaginem que o paraíso não existe
(É fácil se tentarem)
Sem inferno por baixo
E por cima apenas o céu
Imaginem toda a gente
A viver o dia a dia

Imaginem que não há países
(Tentem, não é difícil)
Que não existe nada por que se mate ou se morra
Nem religião também
Imaginem toda a gente
Vivendo a vida em paz...

Imaginem que a propriedade não existe
Admiro-vos se forem capazes
A ganância ou a fome não fazem qualquer falta
Todos os homens são irmãos
Imaginem toda a gente
Partilhando o mundo inteiro...

Podem dizer que sou um sonhador
Mas não sou o único
Espero que um dia nos juntemos todos
E o mundo será apenas um

Portugal Melhor, precisa-se!

A competitividade e a sobrevivência da nossa economia, da qual depende certamente a continuidade de Portugal enquanto nação soberana, só será possível com uma estratégia que privilegie a qualidade e a excelência, e nunca a quantidade e a massificação que caracterizam as economias que recorrem à sobre-exploração dos trabalhadores.
De resto, no debate com Alegre, Cavaco reconheceu ter dado "muita atenção à quantidade" e menos à "qualidade", quando foi primeiro-ministro.
Então porque é que, no slogan da sua campanha, volta a cometer o mesmo erro e a defender um “Portugal Maior”?…

Pois é, senhor professor, o que nós precisamos é de um PORTUGAL MELHOR… com Alegre na Presidência! Claro!…

Cantiga de Maio (7)

Utopia


Cidade
Sem muros nem ameias
Gente igual por dentro
Gente igual por fora
Onde a folha da palma
afaga a cantaria
Cidade do homem
Não do lobo, mas irmão
Capital da alegria

Braço que dormes
nos braços do rio
Toma o fruto da terra
É teu a ti o deves
lança o teu desafio


Homem que olhas nos olhos
que não negas
o sorriso, a palavra forte e justa
Homem para quem
o nada disto custa
Será que existe
lá para os lados do oriente
Este rio, este rumo, esta gaivota
Que outro fumo deverei seguir
na minha rota?


Zeca Afonso, "Como se fora seu filho", 1983

quarta-feira, dezembro 07, 2005

O Expresso apoia Cavaco?

Um "estudo de opinião", levado a cabo pela Eurosondagem, entre as 22h e as 23h15 da passada segunda feira, concluiu que para 27,3 por cento dos inquiridos Cavaco Silva ganhou o debate presidencial, enquanto 15,7 por cento acharam que foi Manuel Alegre o vencedor.
No entanto, mais de metade dos inquiridos — 57 por cento — responderam não ter visto o debate, não saber qual dos candidatos saiu vencedor, ou ainda, que não queriam responder.
Então, se a maioria das pessoas sondadas efectivamente não se pronunciou, como é que um jornal pode titular que "Cavaco saiu-se melhor"? Só se estiver a fazer campanha pelo candidato da Direita, claro!…

Comunistas a votar na Direita??? Argh…

Segundo esta sondagem, num cenário de segunda volta contra Cavaco, Manuel Alegre teria melhor resultado que Mário Soares sendo que os votos que recolheria a mais viriam, sobretudo, da CDU. Até aqui, tudo bem.
Por outro lado, se fosse Alegre a concorrer contra Cavaco, 67,8 por cento dos comunistas votaria no candidato da Esquerda, o que, ainda assim, se aceita. Mas, no caso de um confronto Cavaco - Soares, apenas 41,6 por cento dos comunistas votaria no candidato do PS, enquanto 48,2 por cento daria o seu voto ao candidato da Direita!
Ó camarada Jerónimo, mas o que é isto? Já não há comunistas como os de antigamente!… Perderam a memória, a decência ou ambas as coisas!… Votar no inimigo???…


terça-feira, dezembro 06, 2005

3=4

Ontem à noite, na SIC, o professor Cavaco, aquele que raramente tem dúvidas e nunca se engana, disse e repetiu, gesticulando com os dedos, que não há desenvolvimento sem estas três partes: económica, social, ambiental e cultural.

Alegre: perfil presidencial

Foi bom ver e ouvir Manuel Alegre, com a voz vibrante e timbrada que o distingue, afirmar ontem à noite, na SIC, que é um homem de esquerda que se dirige a todos os que acreditam nos valores da pátria, da liberdade e da democracia para o ajudarem a vencer o candidato que representa o centro-direita.
Mais relevante, no entanto, foi ter contrastado, de forma serena mas transparente, a sua concepção humanista e social da politica com a de Cavaco, que considerou economicista e tecnocrática.
De resto, Alegre foi claro em todas as questões abordadas. Desde a cooperação institucional com os outros órgãos de soberania (que Cavaco chama de “estratégica” e não consegue explicar o que é) até ao comando e à participação das Forças Armadas em conflitos internacionais, do funcionamento da Justiça e da actuação do PGR até ao modelo de União e Constituição Europeia, passando pelo projecto-OTA, Alegre demarcou-se inequivocamente do seu adversário, que, umas vezes, como é seu hábito, mostrou não ter opinião, outras, mais não conseguiu do que balbuciar que estava “de acordo com o deputado Manuel Alegre” (depois do tabu do silêncio, agora até concorda com o adversário — com Cavaco, a caça ao voto não tem limites e a falta de pudor também não).
Em conclusão (ideologia à parte): o candidato da Esquerda mostrou ser o único com um verdadeiro perfil presidencial! Só não viu quem não quer ver!…

segunda-feira, dezembro 05, 2005

São como cristal, as palavras (5)

Privatizado

Privatizaram a tua vida, o teu trabalho, a tua hora de amar e o teu direito de pensar.
É da empresa privada o teu passo em frente,
o teu pão e o teu salário. E agora, não contentes, querem
privatizar o conhecimento, a sabedoria,
o pensamento, que só à humanidade pertence.


Os que lutam

Há aqueles que lutam um dia e por isso são bons.
Há aqueles que lutam muitos dias e por isso são muito bons.
Há aqueles que lutam anos e são melhores ainda.
Porém, há aqueles que lutam toda a vida; esses são imprescindíveis.


Bertolt Brecht (1898-1956)

domingo, dezembro 04, 2005

Sem palavras (X)






Balão Vermelho (1922)
Paul Klee

Votar Alegre! Pela Esquerda, obviamente.

Na corrida à Presidência da República, a Direita está unida. Pelo menos aparentemente.
Marcelo nunca se assumiu verdadeiramente, Santana, por mais que fale, já ninguém o leva a sério e Portas escondeu o ódio de estimação pelo professor Cavaco. Assim, do PSD ao CDS/ PP, do centro-direita à extrema-direita, dos autodenominados sociais-democratas aos liberais e neo-liberais, não esquecendo o capital financeiro, todos estão com a candidatura de Cavaco Silva, tentando tudo por tudo para que, pela primeira vez em trinta anos de regime democrático, a Direita se instale em Belém e, pior do que isso, como alguns já defendem abertamente, “assalte” o Poder através da subversão da Constituição da República e da adopção de um sistema presidencialista.

Deste lado — o nosso lado — a Esquerda apresenta-se na sua pluralidade e diversidade, o que em si não teria qualquer mal se os seus vários candidatos não gastassem tempo e energias a atacarem-se mutuamente em vez de assestarem as baterias na candidatura da Direita. São horas de os candidatos da Esquerda perceberem que tem de ser muito mais aquilo que os une do que aquilo que os separa e que o seu principal adversário está do outro lado da barricada e chama-se Aníbal Cavaco Silva.

Nós, cantores do Maio, há muito elegemos Cavaco como o candidato a derrotar. Depois, descobrimos na candidatura livre e apartidária de Manuel Alegre a melhor opção para afirmarmos livremente a nossa cidadania e a nossa convicção nos ideais da Esquerda. Mas queremos que fique claro que, embora acreditemos que seja Manuel Alegre a disputar a segunda volta com Cavaco, se tal não se verificar, daremos o nosso voto a qualquer dos outros candidatos da Esquerda: Francisco Louçã, Jerónimo de Sousa ou mesmo Mário Soares. Pela Liberdade, pela Democracia, contra o revanchismo da Direita, "engoliremos os sapos" que forem precisos!

Maio e A. Malva

sábado, dezembro 03, 2005

Estados Unidos: olho por olho…

Ontem, às duas horas da tarde, Kenneth Lee Boyd, de 57 anos, tornou-se o 1000.º condenado executado nos Estados Unidos, nos últimos trinta anos.
Os Estados Unidos são uma das escassas "democracias" constitutionais que executam condenados. Juntamente com a China, o Irão e o Vietname, é um dos países com o número mais elevado de execuções, em 2004.
Pelo contrário, o Conselho da Europa proibiu a pena de morte em todos os seus 46 Estados-membros e a abolição da pena de morte é um dos requisitos para um Estado ser admitido na União Europeia.
Não está provado que a pena de morte reduza o crime. Na realidade, na América, a taxa de assassinato em estados onde vigora a pena de morte é 44 por cento mais elevada do que nos estados onde a pena capital não existe. E os Estados Unidos têm uma taxa de homicídio quatro vezes maior que a da Europa, que não executa qualquer criminoso, por mais grave que seja o crime de que é culpado.
Por que persistem então os Estados Unidos na aplicação da pena de morte?
A nosso ver, para além de uma questão de direitos humanos (ou da sua negação), trata-se, antes do mais, de um problema cultural. Os Estados Unidos são um "jovem" país, com pouco mais de duzentos anos, edificado, desde os tempos do Far-west, com base na "Lei da bala" e da "corda".
Não admira, por isso, que o xerife pistoleiro Bush, um dos maiores criminosos de guerra dos nossos dias, apoie "firmemente" a pena de morte! Está-lhe nos genes…

sexta-feira, dezembro 02, 2005

Cavaco segundo Jerónimo

Jerónimo de Sousa não desarma e adverte que Cavaco faz mal… ao país:

Finge ser independente, mas tem na sua comissão política e núcleo duro a direita mais interesseira e retrógrada.

Finge não ter opinião sobre os problemas concretos da actual governação para não perder votos.

Foi e é o candidato do grande capital económico e financeiro, que muito mal fez aos trabalhadores e ao país.

Foi o responsável pela destruição da agricultura, das pescas e da indústria, deixando o país numa profunda crise.

Pela sua saúde, não vote Cavaco!

quinta-feira, dezembro 01, 2005

A Guerra

"A bipolarização Cavaco-Soares, que tem formatado a comunicação social até aqui, só existe nos alinhamentos televisivos, nos títulos de alguns jornais e na cabeça dos responsáveis da Eurosondagem. Por que será?"

Em primeiro lugar, porque estamos numa democracia partidarizada que favorece as clientelas e estimula o arrebanhamento, marginalizando e estiolando a participação cívica e política autónoma dos cidadãos.

Depois, porque a democracia é cada vez mais uma plutocracia onde a soberania popular é condicionada ou mesmo subvertida pelo poder do capital que, em última instância, é quem define a linha editorial das empresas privadas de comunicação.

E, por fim, porque as empresas públicas de comunicação, devidamente governamentalizadas e arregimentadas, cumprem zelosamente o seu papel de centrais de propaganda do poder vigente.

Esta guerra, porque de guerra se trata, é um ataque cerrado à Cidadania e à Democracia, mas agora, mais do que nunca, é preciso seguirmos o exemplo de Manuel Alegre: não deixaremos pôr em causa a Democracia, não deixaremos que nos intimidem, não desistiremos! Nunca!…

quarta-feira, novembro 30, 2005

Cavaquismo (1985-1995): 10 anos perdidos!

Esta é a melhor forma de mistificar a realidade. Apresentar um gráfico como se ele fosse a verdade toda. E a verdade é que não é…

Entre 1985 e 1995, o HDI (índice de desenvimento humano) de Portugal cresceu efectivamente (0.826 em 1985; 0.849 em 1990; 0.878 em 1995).
O que aconteceu foi que os outros também cresceram e, apesar do propalado "milagre", o nosso "extraordinário" crescimento apenas deu, tangencialmente, para subirmos um lugar no ranking do desenvolvimento (de 25.º para 24.º), por troca com a Grécia (0.876 em 1995).

Só por falta de seriedade intelectual ou por despudorada campanha propagandística se pode pretender "tapar o sol com a peneira"! Os 10 anos do cavaquismo foram 10 longos anos perdidos. Irremediavelmente…

Sócrates, o Príncipe!

Se dúvidas ainda existissem sobre a maquiavélica escolha de Mário Soares como candidato presidencial apoiado pelo PS, por parte de José Sócrates, elas são aqui completamente desfeitas por um indefectível cavaquista: Vasco Graça Moura. Que, obviamente, aplaude o primeiro-ministro. Vejamos…

Começa por afirmar que "Sócrates percebeu finalmente que precisava de um Presidente da República com um perfil muito especial", "disponível para cooperar activamente com o Governo", referindo-se, naturalmente, a Cavaco Silva.

Prossegue depois dizendo que "se tivesse optado por Manuel Alegre, (Sócrates) não poderia ter com ele uma coabitação pacífica ou fecunda". (Pacífica não seria, seguramente, já que a governação de Sócrates tem sido tudo menos… pacífica!).

E conclui referindo que "restava pois Mário Soares como opção residual e inofensiva (...), porque Sócrates sabia à partida tratar-se de um candidato já sem condições para ser eleito". "Soares está condenado a perder. E essa derrota convém deveras ao primeiro-ministro", que no seu íntimo, embora não o possa admitir publicamente, "conta com a cooperação isenta e competente de Cavaco Silva na chefia do Estado".

Sócrates até "poderá imputar a Alegre uma parte das razões do insucesso de Soares e sair do caso sem uma beliscadura".

"Brilhante"! Para José Sócrates, versão contemporânea d' O Príncipe, de Nicolau Maquiavel, na política "os fins justificam os meios", que é como quem diz, vale tudo!…

Só espero que o tiro lhe saia pela culatra e venhamos a ter um poeta na presidência!…

terça-feira, novembro 29, 2005

Estado Novo II ?…

Cavaco Silva, o grande mestre do tabu, que não tem manifestado opinião sobre o que quer que seja e, como diz Jerónimo de Sousa, tem adoptado a táctica do “macaco sábio, que não vê, não ouve e não fala”, desta vez não hesitou em "desembainhar a espada" e alinhar na "cruzada contra os infiéis”, em defesa dos “valores do catolicismo”.


Por este andar, se fosse eleito, ainda haveríamos de ver o seu retrato e o de Sócrates, ladeando um crucifixo, nas salas de aula das nossas escolas! Pelos vistos, vontade não lhe falta…

segunda-feira, novembro 28, 2005

O Mundo é da Humanidade

Resposta do ex-Ministro da Educação do Brasil, CRISTOVAM BUARQUE, durante um debate numa universidade dos Estados Unidos, ao ser questionado sobre o que pensava da internacionalização da Amazónia — ideia que surge com alguma insistência nalguns sectores da sociedade americana e que muito incomoda os brasileiros — por um jovem americano, que lhe pediu que respondesse como humanista e não como brasileiro:

"De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazónia. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse património, ele é nosso. Como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazónia, posso imaginar a sua internacionalização, como também de tudo o mais que tem importância para a humanidade.
Se a Amazónia, sob uma ética humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro... O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazónia para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extracção de petróleo e subir ou não o seu preço.
Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado. Se a Amazónia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono, ou de um país. Queimar a Amazónia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação.
Antes mesmo da Amazónia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas à França. Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo génio humano. Não se pode deixar esse património cultural, como o património natural Amazónico, seja manipulado e destruído pelo gosto de um proprietário ou de um país. Não faz muito tempo, um milionário japonês, decidiu enterrar com ele, um quadro de um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado.
Durante este encontro, as Nações Unidas estão realizando o Fórum do Milénio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA. Por isso, eu acho que Nova York, como sede das Nações Unidas, deve ser internacionalizada. Pelo menos Manhatan deveria pertencer a toda a humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza específica, sua história do mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro.
Se os EUA querem internacionalizar a Amazónia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos também todos os arsenais nucleares dos EUA. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maior do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil.
Nos seus debates, os actuais candidatos à presidência dos EUA têm defendido a ideia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida. Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do Mundo tenha possibilidade de COMER e de ir à escola. Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram, como património que merece cuidados do mundo inteiro. Ainda mais do que merece a Amazónia.
Quando os dirigentes tratarem as crianças pobres do mundo como um património da Humanidade, eles não deixarão que elas trabalhem quando deveriam estudar, que morram quando deveriam viver.
Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo.
Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazónia seja nossa. Só nossa!"

Os crucifixos e o fundamentalismo católico

A primeira versão da actual Constituição da República Portuguesa entrou em vigor no dia 25 de Abril de 1976 e, daí para cá, em nome da "liberdade de aprender e ensinar", ficou garantido no seu artigo 43.º que "o ensino público não será confessional".

Por essa razão, as aulas de Religião e Moral Católica deixaram de ter carácter obrigatório, delas ficando dispensados os alunos cujos pais expressamente o desejarem.

Mais recentemente, na sequência de uma queixa apresentada por uma associação, o Ministério da Educação, com um "pequeno" atraso de quase 30 anos, resolveu fazer cumprir a legalidade e determinar que as escolas públicas retirem os símbolos religiosos (crucifixos) das salas de aula, decisão absolutamente indispensável à garantia da liberdade e da igualdade de tratamento próprias de um Estado de Direito democrático.

Entretanto, numa atitude reveladora do mais puro "fundamentalismo religioso", que tanto criticam ao Islão, a Igreja Católica e o seu braço político, o CDS/PP, já vieram histericamente manifestar a sua oposição à medida. Demagogicamente, defendem até que o ME deveria respeitar a autonomia pedagógica das escolas e permitir que estas consultassem os pais, os alunos e a comunidade, sobre o assunto, "esquecendo" que a Lei estabelece que a autonomia das escolas só pode ser exercida no respeito pela Constituição da República!

Nesta matéria, portanto, as escolas só têm mesmo uma coisa a fazer: cumprir a Lei vigente e o que preceitua a Constituição! É assim que se procede num Estado democrático, onde o Direito se sobrepõe a tudo e a todos. Sem excepções!

sábado, novembro 26, 2005

O Cavaco mata


Neo-liberalismo e apocalipse *

Baptista Bastos

"A crise do capitalismo é uma evidência, que nem os seus turiferários já ocultam. A lex mercatoria, levada aos extremos a que assistimos, regula unilateralmente. E os mercados alargaram a sua influência e estenderam o seu domínio aos Governos. Estes, pondo de parte o princípio de que o direito privado é dependente do direito público, tripudiam sobre as próprias Constituições e, despudoradamente, acedem às exigências, cada vez mais inclementes, das transnacionais.

Os Estados Unidos funcionam como sede do Império. E quem se lhe opõe, timidamente que seja, é esmagado. São alarmantes as recentes informações, segundo as quais a CIA tem usado aeroportos, um pouco por todo o lado, para transportar presumíveis «terroristas» e interná-los em campos de concentração, onde a prática de sevícias e de torturas as mais aprimoradas se tornou num desporto requintado.

É evidente que esta situação não se pode eternizar. O mal-estar generalizado alastra, com reacções amiúde tumultuosas, e de consequências imprevisíveis porque larvares - mesmo que pareçam atenuadas ou definitivamente aplacadas. Se o Estado Social está agonizante, o que nos apontam como alternativa é assustador. Num segundo nível a crise (longe de ser passageira) inspira uma noção mais substancial de autoritarismo e introduz elementos não apenas conservadores, como, sobretudo, criptofascistas.

A disputa Presidencial no nosso país permite-nos, com um mínimo de seriedade e de lucidez, fazer aproximações ideológicas. O terreno apresenta-se fértil para soluções «musculadas». E muitos portugueses anseiam por isso. É difícil especificar, minuciosamente, as condições que tornaram possível este cenário. Porém, não andaremos afastados da realidade histórica se verificarmos que, no contexto actual, a representação política nega a oportunidade de todos e estimula o privilégio de alguns, poucos." (Ler mais aqui)

* Título nosso

sexta-feira, novembro 25, 2005

25 de Novembro

Não sei o que seria hoje o nosso país se, precisamente há 30 anos, a Direita, liderada pelo PS, não tivesse conseguido derrotar a Esquerda no poder e logrado impor o seu modelo político e económico!…


Mas, com o “golpe” de 25 de Novembro, o que sei é que a economia portuguesa depressa voltou às mãos de meia dúzia de grandes capitalistas, a “alternância dos mesmos” (que, eufemisticamente, dizem democrática) tomou conta do Estado, e, apesar disso e da imensidão de fundos comunitários entretanto recebidos, Portugal é agora um dos países mais pobres e socialmente mais injustos da Europa!

Talvez por isso o 25 de Novembro seja uma data esquecida! Talvez pese na consciência (se é que tem) do poder vigente!…

quinta-feira, novembro 24, 2005

Manuel Alegre: ensinar Sócrates a ser socialista!

"(...) O facto de ser necessário tomar medidas corajosas para ultrapassar os problemas existentes não significa que se tenha de utilizar o "quero, posso e mando" conferido pela maioria parlamentar. Afinal ainda estamos em democracia! Não é admissível o que se faz com os funcionários públicos, com os professores, com as forças de segurança, com o aumento do IVA, etc. E os bancos ? E as seguradoras ? E as empresas de telecomunicações? Continuam a apresentar resultados milionários!
Portugal precisa de um Presidente da República que ensine ao Eng.º Sócrates o que é ser socialista (...)." (ler tudo aqui).

Ou entra bolo-rei… ou sai asneira!

Apesar de manter ainda uma confortável vantagem sobre os seus mais directos opositores, de Outubro para cá Cavaco desceu de 48,8% para 44% nas intenções de voto, certamente em consequência da sua entrevista à TVI.
Agora, que se aproximam os debates televisivos, mais do que nunca é preciso fazer tudo para que o “candidato que não têm opinião” abra a boca. É que de cada vez que Cavaco abre a boca, ou entra bolo-rei… ou sai asneira!

Ideias claras

Jerónimo de Sousa defende a dissolução da NATO e o impedimento da criação de novos blocos político-militares.
Ao contrário de Cavaco, que ninguém sabe o que pensa do que quer que seja, aqui está um candidato com ideias claras. E pacifistas. Que, no entanto, apenas obtém 5 por cento das intenções de voto do eleitorado.
Será que os portugueses preferem a guerra?

Coitados dos portugueses!

Como ficou demonstrado na entrevista à TVI, Cavaco não tem opiniões sobre o que quer que seja! Não tem opinião sobre a presidência de Jorge Sampaio. Não tem opinião sobre o governo de Sócrates. Não tem opinião sobre o Orçamento. Não tem opinião sobre a União europeia. Não tem opinião sobre o regime político.
Agora, questionado sobre o projecto do aeroporto da OTA, manteve-se igual a si mesmo e disse coisa nenhuma!
É que Cavaco há muito percebeu que o melhor é não ter opiniões sobre o Presente e atirar o Passado para trás das costas (pelo sim pelo não… não vá o gato escondido deixar o rabo de fora!). Por isso o professor não se cansa de dizer que só "pensa no Futuro". E os portugueses, que gostam de sonhar com quimeras e manhãs de nevoeiro, pelos vistos, apreciam. Coitados!

quarta-feira, novembro 23, 2005

Humor… negro!

A Professora e a segregação racial


A professora pergunta a um dos alunos:

— Pedro, o que fizeste durante o recreio?

— Estive a brincar na areia, professora.

— Muito bem, Pedro. Se conseguires escrever no teu caderno a palavra "areia" correctamente, dou-te um Muito Bom.

O garoto escreve a palavra correctamente e a professora exclama:

— Muito bem! E agora tu, Filipe, o que é que fizeste no recreio?

— Eu também estive a brincar na areia, professora.

— Certo. Se conseguires escrever a palavra "brincar", também correctamente, dou-te um Muito Bom.

O garoto escreve correctamente a palavra e mais uma vez a professora exclama:

— Óptimo! E tu, Mutombo? O que fizeste durante o recreio?

— Eh, eu esquria brincar nos areia pá, mas eles non mi deixarem...

— Que horrrrrooooor! Que feio! Isso é discriminação! Olha Mutombo, se escreveres correctamente "segregação racial contra um grupo étnico minoritário", dou-te um Muito Bom a ti, também.


Enviado pela Catarina

O "cemitério" da Ota

O governo insiste na construção de um novo aeroporto que, a concretizar-se, seria inaugurado por volta de 2017, ou seja, muito depois do "pico petrolífero", altura em que os custos energéticos resultantes da irreversível escassez da produção de petróleo face à sua procura afectarão cada vez mais o sector dos transportes e estagnarão (ou farão mesmo regredir) o volume de tráfego aéreo em todo o mundo.

Assim, investir na construção de um novo aeroporto, seja na Ota ou em qualquer outro lado, é um erro gigantesco e ruinoso para a economia nacional e constituirá um pesado encargo para as gerações vindouras, uma vez que Portugal (e provavelmente qualquer outro país do mundo) não precisa de nenhum aeroporto, a não ser para servir de futuro "cemitério" de aviões parados.

Se o governo tivesse lucidez deveria era, quanto antes, aplicar os recursos que dispõe numa política geral de substituição do petróleo por gás natural e outros meios energéticos, em todos os sectores de actividade, a começar pelos transportes.

Mas não!
Em vez disso toma uma decisão aberrante e, no mínimo, reveladora duma ignorância espantosa acerca da realidade energética mundial (será que o Eng.º Sócrates já ouviu falar do pico de Hubbert?).
Ou, pior ainda, submete-se aos lobbies da alta finança e da construção civil e subordina o interesse nacional aos interesses dos grandes grupos privados.

Haverá vida para além do petróleo?

Os especialistas consideram que os aumentos dos custos energéticos e as falhas de abastecimento podem levar a economia mundial a uma recessão sem precedentes, cujos primeiros sintomas se estão tornando cada vez mais evidentes, assim como a uma escalada nas tensões entre as grandes potências do planeta motivada pelo controlo das escassas reservas.

Há cerca de cem anos, a humanidade encontrou um recurso único, o petróleo, que lhe deu a possibilidade de dispor de uma fonte de energia muito eficiente, fácil de extrair, transportar e utilizar, assim como de obter uma grande variedade de materiais a partir do mesmo. A disponibilidade de petróleo permitiu boa parte das profundas mudanças que a humanidade experimentou no último século, até chegar ao estado de enorme dependência do “ouro negro” em que se encontra o mundo actual, pois está presente em quase tudo o que utilizamos nas nossas vidas e é a fonte de energia que move 95 % dos transportes mundiais. O petróleo foi também determinante no incremento da capacidade de produzir e distribuir alimentos e nos avanços conseguidos na medicina, contribuindo dessa maneira para a multiplicação da população mundial, desde os mil milhões de seres humanos, em meados do século XIX, até aos seis mil e quinhentos milhões, na actualidade.

Os geólogos estimam que a humanidade consumiu, em apenas cem anos, aproximadamente metade do petróleo que se havia formado ao longo de milhões de anos no subsolo do nosso planeta. Os especialistas em geologia e recursos energéticos há décadas que vêm advertindo que a geração do começo do século XXI haveria de enfrentar o momento em que se alcançaria o zénite da produção mundial de petróleo, a partir do qual a sua disponibilidade começaria a decair. Este facto constitui um dos maiores desafios que a humanidade enfrenta nos nossos dias, pois não existe nenhum outro recurso conhecido com as qualidades e prestações do petróleo e, apesar das mudanças realizadas, não se dispõe de alternativas que permitam substitui-lo a tempo no indispensável fornecimento de energia, em especial para os transportes, nem tampouco como matéria-prima para os mais de 3.000 produtos de uso comum que dele se obtêm.

Nos últimos anos vem-se detectando uma progressiva redução da capacidade de produção excedentária de petróleo, devido às dificuldades para incrementar a oferta ao forte ritmo exigido pela procura, de forma que o preço do crude sofreu uma subida notável. Nos próximos anos, em consequência da continuação do aumento da procura, espera-se que este processo se acentue, em especial a partir do momento em que a produção de crude comece a decair. Os especialistas consideram que os aumentos dos custos energéticos e as falhas de abastecimento podem levar a economia mundial a uma recessão sem precedentes, cujos primeiros sintomas se estão tornando cada vez mais evidentes, assim como a uma escalada nas tensões entre as grandes potências do planeta motivada pelo controlo das escassas reservas.

terça-feira, novembro 22, 2005

BuSSh: Culpado de Crimes de Guerra!…

Seis milhões de crianças morrem por ano, no mundo, devido à fome e à desnutrição, segundo a FAO. (Ler mais aqui).

No entanto, os mais de 220 biliões dólares "derretidos" até agora pela administração BuSSh na guerra no Iraque dariam para fazer face à fome no mundo durante... 9 anos!