quarta-feira, junho 30, 2010

Realismo é do que precisamos

Afinal, depois da nota que publiquei sobre um estudo do ISCTE, que, entre outras conclusões, afirmava que os portugueses, apesar das enormes dificuldades por que estão a passar, dizem ser felizes, o INE revela-nos agora que, apesar da ligeira melhoria do 'clima económico', nós estamos mais pessimistas.
Assim como não percebo tamanha felicidade da maioria dos portugueses — qual hiena, que se alimenta de fezes, faz sexo apenas uma vez por ano e passa o tempo a 'rir' — também não vejo razão para o congénito (?) pessimismo lusitano.
Realismo é do que precisamos. E consciência de que a grave crise económica e social em que nos mergulharam não é conjuntural — antes, a crise definitiva de um sistema que já deu o que tinha a dar: cada vez mais pobreza e injustiça social. E milionários.
É por isso que não podemos fazer como a hiena. Nem como a avestruz. Se quisermos uma sociedade, um país, um mundo, melhores, temos de lutar por eles. Deus e os governantes não o farão por nós.

terça-feira, junho 29, 2010

Pobretes mas alegretes

Um quinto dos portugueses (o que perfaz dois milhões) (sobre)vive abaixo do limiar da pobreza, enfrentando enormes dificuldades para satisfazer as necessidades básicas. Por outro lado, mais de metade das famílias portuguesas tem de viver como pode com menos de 900 euros mensais. Apesar de tanta pobreza e desigualdade social, que colocam o nosso país entre os últimos da UE, os portugueses são um povo resignado e conformista e a grande maioria considera-se mesmo feliz.
Já sabíamos que assim era mas este estudo vem agora comprová-lo.
Há 50 anos, o nacional-cançonetismo salazarista propagandeava "a alegria da pobreza" na "casa portuguesa". Com o 25 de Abril, julguei que os portugueses se tivessem libertado definitivamente desse fado. Afinal, parece que me enganei. Lamentavelmente, continuam "pobretes mas alegretes".

quinta-feira, junho 24, 2010

Cada vez mais longe do país cor-de-rosa

Portugal vai estar mergulhado na recessão até 2012. Menos procura interna, menos investimento, mais desemprego (que no próximo ano subirá para 11,7%), é o cenário que vamos ter de enfrentar durante os próximos anos, consequência de uma governação que exauriu as finanças públicas com o esbanjamento de biliões de euros para garantir os lucros da banca, mas é absolutamente incapaz de apoiar as famílias, as pequenas e médias empresas e o crescimento da economia.
Cenário negro que, infelizmente, pode vir a revelar-se trágico se o país entrar em bancarrota, uma hipótese cada vez menos descartável em virtude da total inoperância da União Europeia no controlo da voracidade de banqueiros e especuladores financeiros (não é por acaso que, de acordo com o relatório mundial de riqueza, elaborado pelo Merrill Lynch e pela Capgemini, não só passou a haver mais ricos no mundo, como as fortunas dos mais ricos dispararam em plena crise!).
Enfim, estamos cada vez mais longe do país cor-de-rosa que o senhor Sócrates tanto apregoou e prometeu!

segunda-feira, junho 21, 2010

O Presidente da República não existe

As acções ficam com quem as pratica, diz a sabedoria popular. Vem isto a propósito das declarações de Aníbal Cavaco Silva que diz ter cumprido as suas obrigações como Presidente da República, mas foi incapaz de interromper as suas férias nos Açores para estar presente, como lhe competia enquanto primeira figura do Estado, nas cerimónias fúnebres do nosso Prémio Nobel da Literatura e figura cimeira da Lusofonia.
Quando deve intervir ou falar, Cavaco fica quieto e calado como uma múmia; agora, tenta justificar o injustificável. Ao contrário de José Saramago, envergonha e empobrece Portugal. Verdadeiramente, este Presidente da República não existe.

sexta-feira, junho 18, 2010

quinta-feira, junho 17, 2010

De boas intenções está o inferno cheio!

Os líderes dos 27 Estados-membros da União Europeia (UE) adoptaram hoje, formalmente, as cinco grandes metas da Estratégia Europa 2020, a saber:
  1. reduzir em 20 milhões o número que vive abaixo do limiar da pobreza e da exclusão, promovendo a inclusão social.
  2. aumentar em 75 por cento a taxa de emprego da população com idade entre 20 e 64 anos do nível, nomeadamente através de uma maior participação da população jovem, dos trabalhadores mais velhos ou com menos qualificação e uma melhor integração dos migrantes legais
  3. reduzir a taxa de abandono escolar entre os jovens para dez por cento e aumentar a percentagem da população com idade entre 30 e 34 anos que completou estudos superiores de 31 para, pelo menos, 40 por cento
  4. reduzir as emissões de gases com efeito de estufa em 20 por cento relativamente aos níveis de 1990, subir para 20 por cento a parte das energias renováveis no consumo final de energia e aumentar na mesma percentagem a eficiência energética
  5. investir três por cento do Produto Interno Bruto em investigação e desenvolvimento

Tudo isto é bonito e absolutamente indispensável. O problema é a enorme distância que sempre vai das intenções à realidade. E de boas intenções está o inferno cheio! Veremos…

O país dos três "efes"

A OCDE confirmou hoje que o desemprego, em Portugal, atingiu o nível recorde de 10,8%, sendo agora o nosso país o que tem a quarta taxa de desemprego mais elevada entre os 31 membros da organização.
Por outro lado, após uma semana fora do 'clube da bancarrota', regressámos desta vez ao 8º lugar dos países com maior risco de incumprimento da dívida soberana, o que, aliás, já aqui tinha escrito que não me admiraria que voltasse rapidamente a acontecer.
Mas, tudo isto, que não é pouco, não parece ser motivo de preocupação para a generalidade dos portugueses, mais preocupados com a selecção nacional de futebol, na véspera do seu primeiro jogo do Mundial. A inversão de valores é de tal ordem que o assunto assume foros de tema no programa Prós e Contras, na televisão pública. Como se do resultado de um simples jogo de futebol ou mesmo da classificação da selecção no Mundial dependesse a solução da crise e o futuro do país! Não há dúvida: voltámos a ser o país dos três 'efes' — Fátima, Fado e Futebol — se alguma vez deixámos de sê-lo!

segunda-feira, junho 14, 2010

Sobra sempre para nós

A administração Obama e os responsáveis superiores da BP estão a trabalhar freneticamente não para travar o pior desastre petrolífero do mundo, mas sim para esconder a verdadeira extensão da catástrofe ecológica real causada pela gigantesca fuga de petróleo no Golfo do México (e quem o afirma não são os republicanos).
E as organizações ambientalistas, que deveriam exigir que a BP, o governo dos EUA e outros actuem verdadeira e decisivamente, remetem-se a um silêncio cúmplice graças a generosos subornos da petrolífera.
Obama compara o desastre ambiental com o 11 de Setembro mas a verdade é que as suas consequências podem vir a ser bem mais devastadoras não apenas para a América mas também para a Europa e o mundo.


Com efeito, segundo os cientistas, o petróleo não está apenas em vias de cobrir as praias do Golfo. Ele propagar-se-á para as costas do Atlântico até à Carolina do Norte e então para o Mar do Norte e a Islândia e, além do dano para as praias, a vida marinha e os abastecimentos de água podem ser seriamente afectados. A corrente do Golfo, decisiva para o equilíbrio do planeta, tem uma química, composição, densidade e temperatura muito características. O que acontecerá se o petróleo e os dispersantes (e todos os compostos tóxicos que eles criam) realmente mudarem a sua natureza? Ninguém pode descartar mudanças potenciais, incluindo o trajectória da corrente, e mesmo pequenas mudanças poderiam ter enormes impactos. Não esqueçamos que a Europa, incluindo a Inglaterra, não é um deserto gelado devido ao aquecimento da Corrente do Golfo.
Enfim, já não chegava termos de suportar uma crise económica e social que não causámos. Agora também podemos ser vítimas de uma crise ambiental de que não somos responsáveis. Sobra sempre para nós.

A insustentável leveza das palavras

Nas Comemorações do 10 de Junho, Presidente da República e Primeiro-ministro revelaram leituras divergentes da realidade a que o país chegou. Assim, enquanto Cavaco Silva, no seu discurso, afirmou que 'chegámos a uma situação insustentável', José Sócrates, imediatamente a seguir, replicou aos jornalistas que 'não estamos numa situação insustentável'.
No entanto, a única certeza que, infelizmente, temos é que, em 25 anos de integração europeia, a situação social e económica do país agravou-se: temos mais pobres, mais desempregados, mais desigualdade social, mais défice e endividamento público, menos investimento e crescimento económico. Perante esta realidade objectiva que sobre nós se abate, Cavaco e Sócrates melhor fariam se nos poupassem às suas inúteis querelas semânticas. Desde logo porque ambos contribuíram, directa ou indirectamente, para a situação — sustentável ou insustentável, mas, seguramente, muito difícil — em que o país hoje se encontra.

sexta-feira, junho 11, 2010

Mudou alguma coisa?

Portugal já saiu do clube da bancarrota, ou seja, já não está entre os 10 países com maior risco de incumprimento da dívida soberana onde, durante as últimas semanas, esteve em 7º lugar.
Mas o que é que, na realidade, mudou com isso? Nada. Continuamos com o mesmo profundo endividamento externo, a mesma estagnação do investimento e do crescimento económico, o mesmo alarmante desemprego, a mesma gritante pobreza e injustiça social.
Por isso, enquanto a economia real continuar refém da pomposamente chamada 'volatilidade do mercado financeiro' (leia-se 'apetite insaciável dos especuladores'), notícias como esta estão longe de deixar-nos definitivamente descansados. Amanhã ou depois já podemos cair novamente no clube. Basta que os vampiros das agências de rating acordem mal dispostos.

terça-feira, junho 08, 2010

Basta de demagogia!

Tudo serve para desviar a nossa atenção da crise em que estamos mergulhados, da qual seguramente não sairemos tão cedo, se não viermos a afogar-nos nela.
Como se não bastassem a Selecção e as vuvuzelas para nos anestesiarem, temos também o 'patriótico' apelo do Senhor Presidente da República que, enquanto pouco ou nada fez para contrariar o estúpido esbanjamento de biliões de euros na banca privada e a política recessiva do governo que tem atirado centenas de empresas para a falência e condenado milhares de famílias à penúria, vem agora sugerir aos portugueses que façam férias 'cá dentro' para não aumentar o endividamento nacional, porque segundo o economista Cavaco Silva, as 'férias passadas no estrangeiro são importações e aumentam a dívida externa portuguesa'.
O Presidente da República sabe que a maioria dos portugueses, neste momento, não tem sequer meios para passar férias em Portugal e, muito menos, no estrangeiro.
O Presidente da República sabe que os portugueses que ainda conseguem passar férias no estrangeiro são cada vez menos e um número residual.
Mas o economista Cavaco Silva também sabe que a balança de turismo portuguesa regista sempre um saldo muito positivo (em 2009, por exemplo, foi superior a 4,2 biliões de euros), justamente porque a entrada de divisas resultante dos fluxos turísticos internacionais, no nosso caso, é sempre largamente superior à saída. E o professor Cavaco Silva sabe ainda que o proteccionismo, seja no comércio externo, seja no turismo internacional, só prejudica os países que têm vantagens, como é o caso de Portugal, no sector do turismo.
O Senhor Presidente da República percebe que os outros chefes de Estado têm o mesmo direito de fazer este tipo de apelo aos seus cidadãos e que, se tal acontecesse, seríamos nós quem ficaria a perder. E muito.
Senhor Presidente da República, faça o que lhe compete.
Professor Cavaco Silva, basta de demagogia!

segunda-feira, junho 07, 2010

O capital é quem mais ordena

Há muito anos que José Saramago, com a lucidez e frontalidade que o caracterizam, vem advertindo que vivemos hoje numa plutocracia. Já não é o povo quem mais ordena, se alguma vez isso verdadeiramente aconteceu, mas os ricos. Nós servimos apenas para eleger aqueles que zelam pelas suas fortunas. Aqui, como em qualquer outra parte.

Empurram-nos para o abismo

Estamos a pagar uma crise que não provocámos, vamos continuar a pagá-la e no fim, por este caminho, o mais provável é a União Europeia e o euro virem a desmoronar-se.
Acham talvez que estou a dramatizar, mas se lerem o excerto seguinte da entrevista de Jacques Attali ao Euronews, verão que, infelizmente, não há qualquer exagero nas minhas palavras (E não se trata de um 'perigoso' esquerdista mas de uma personalidade do sistema, economista e ex-presidente do Banco Europeu para a Reconstrução e Desenvolvimento).


A crise era uma pequena crise dos subprimes americanos, que devia ter custado 10 mil milhões de dólares e se tornou numa crise mundial de bancos que pode custar 500 mil milhões de dólares ..continuamos a não fazer nada, salvo transferir para os contribuintes, o que se transformou em crise da dívida pública que atinge os 7,8 biliões de dólares.
Os bancos continuam a especular exactamente como antes, os actos imorais também continuam do mesmo modo, nada, absolutamente nada mudou num sistema que está totalmente nas mãos do mercado financeiro internacional.
[…]
Há três anos que digo que não fazemos mais do que transferir a dívida privada para a dívida pública.
Desde o momento em que se deu a crise do Lehman, escolhemos transferir a dívida privada para a dívida pública, e como aceitámos transferir aceitámos financiar todas as perdas dos mais diversos bancos e, Lehman à parte, não deixar ninguém declarar falência.
Assim, aceitámos que o contribuinte de amanhã, para além das dívidas que tenha, pague esses erros.
[…]
A decisão de apelar ao FMI é desonrada porque o Fundo Monetário é uma estrutura honorável mas não é uma estrutura europeia. Assim, confiámos a outros, ou seja, aos americanos e outros não europeus a responsabilidade de decidir a política que convém seguir num país europeu.
Assim, optamos por uma estratégia que está a destruir a identidade europeia.
E o encargo principal será europeu, pois são os europeus que vão pagar a crise.
[…]
Acho que estamos a ir para pior, e pior é dizer entre dois a três anos, até menos, uma desintegração da Europa. A única questão é se os políticos que não tiveram a coragem de decidir na calma podem fazê-lo durante a tempestade.

Cá se fazem, cá se pagam

A Faixa de Gaza é um território palestino que faz fronteira com o Egipto, a sul, é cercada pelo território de Israel a leste e a norte e confina com o Mediterrâneo, a ocidente. Tem cerca de 41 quilómetros de comprimento e a sua largura varia entre 6 e 12 km, com uma área total de 360 km², sendo um dos territórios mais densamente povoados do planeta, com 1,4 milhão de habitantes para uma área de 360 km².


É este território que os fora-da-lei israelitas se arrogam o direito de transformar no maior e mais vergonhoso 'campo de concentração' do mundo, cercando-o com muralhas, controlando o seu espaço aéreo, impedindo o seu acesso marítimo e submetendo a população palestina a um bloqueio desumano que a priva das mais elementares condições de vida. E, como se isto não fosse já suficientemente criminoso, o Estado nazi-sionista de Israel invade, destrói, metralha, assassina em massa, como aconteceu em Janeiro de 2009.
Agora, com a complacência dos Estados Unidos e da União Europeia e a tolerância das Nações Unidas, arma-se em dono das águas internacionais e impede o acesso e a ajuda internacional a Gaza, assassinando aqueles que ousam fazê-lo.
(Se ainda assim não acha que tudo isto é uma monstruosidade verdadeiramente inaceitável, imagine, por momentos, que Portugal é a Faixa de Gaza e a Espanha, o Estado de Israel!…)
Contudo, acredito que o crime e a iniquidade não são eternos. Mais tarde ou mais cedo, os nazis israelitas terão o mesmo fim que os nazis alemães. Como diz a sabedoria popular, cá se fazem, cá se pagam.

O Titanic II ??

Ao enterrar milhões de euros para salvar a banca privada e, assim, garantir os lucros dos seus accionistas e os salários e prémios imorais dos seus administradores, como aconteceu com o BPN, onde injectou mais de 4 mil milhões, a Caixa Geral de Depósitos pôs-se a jeito dos vampiros. Espero que não lhe aconteça o mesmo que sucedeu com o Titanic. Seria trágico. O mar está encapelado e cheio de tubarões e não há botes e bóias de salvação para a maioria!

Cidadãos europeus, uni-vos!

(Versão reduzida do original do Prof. Boaventura Sousa Santos)

O modelo social europeu e o Estado Providência; a possibilidade, sem precedentes na história, de os trabalhadores e suas famílias poderem fazer planos de futuro a médio prazo (educação dos filhos, compra de casa); a paz social; o continente com os mais baixos níveis de desigualdade social — todo este sistema está à beira do colapso e os resultados são imprevisíveis. O relatório que o FMI acaba de divulgar sobre a economia espanhola é uma declaração de guerra: […] reduzir drasticamente os salários, destruir o sistema de pensões, eliminar direitos laborais (facilitar despedimentos, reduzir indemnizações).
A mesma receita será imposta a Portugal, como já foi à Grécia, e a outros países da Europa, muito para além da Europa do Sul. A Europa está a ser vítima de uma OPA por parte do FMI […].
O senso comum neoliberal diz-nos que a culpa é da crise, que vivemos acima das nossas posses e que não há dinheiro para tanto bem-estar. Mas qualquer cidadão comum entende isto: se a FAO calcula que 30 mil milhões de dólares seriam suficientes para resolver o problema da fome no mundo e os governos insistem em dizer que não há dinheiro para isso, como se explica que, de repente, tenham surgido 900 mil milhões para salvar o sistema financeiro europeu? […].
O que fazer? Haverá resistência mas esta, para ser eficaz, tem de ter em conta dois factos novos. Primeiro, a fragmentação do trabalho e a sociedade de consumo ditaram a crise dos sindicatos. […]. A resistência terá nos sindicatos um pilar mas ele será bem frágil se a luta não for partilhada em pé de igualdade por movimentos de mulheres, ambientalistas, de consumidores, de direitos humanos, de imigrantes, contra o racismo, a xenofobia e a homofobia. […].
Segundo, não há economias nacionais na Europa e, por isso, a resistência ou é europeia ou não existe. As lutas nacionais serão um alvo fácil dos que clamam pela governabilidade ao mesmo tempo que desgovernam. Os movimentos e as organizações de toda a Europa têm de se articular para mostrar aos governos que a estabilidade dos mercados não pode ser construída sobre as ruínas da estabilidade das vidas dos cidadãos e suas famílias. Não é o socialismo; é a demonstração de que ou a UE cria as condições para o capital produtivo se desvincular do capital financeiro ou o futuro é o fascismo e terá que ser combatido por todos os meios.

terça-feira, junho 01, 2010

Lavar as mãos não limpa a consciência

Contrariando a advertência de um homem cuja superioridade moral é indiscutível, o Estado de Israel viria a ser criado, em 1948, com a cumplicidade da ONU, de forma apressada, obscura e parcial, sem acautelar os direitos fundamentais do povo palestino e a sua milenar convivência com os judeus. O futuro, nomeadamente, a partir da guerra de 1967, veio infelizmente dar razão a Gandhi.
À margem do Direito Internacional, Israel não tem parado de levar a cabo acções criminosas e intoleráveis contra os palestinianos. Retalha-lhes e rouba-lhes o território confinando-os em verdadeiros campos de concentração. Destrói-lhes as escolas, os hospitais, as habitações, corta-lhes a energia eléctrica, rouba-lhes a água. Metralha-os e massacra-os impiedosamente praticando um vergonhoso genocídio que não poupa sequer crianças e mulheres. Tudo isto, à margem do Direito Internacional, chegando ao ponto de atacar aqueles que têm a coragem de se solidarizar activamente com o povo palestino, como ainda agora aconteceu.


É por isso que, no momento em que os Judeus se colocam ao lado dos Palestinianos, como sempre estiveram há mais de 2000 anos, na luta contra a brutalidade do sionismo israelita, não é moralmente aceitável que lavemos as mãos como Pilatos, fazendo de conta que não é nada connosco. É um problema da Humanidade. Por esse facto, de todos e de cada um de nós. Seja qual for a nossa religião, se alguma tivermos.

O(s) candidato(s) da Esquerda

O líder da Federação do Porto do PS afirma que a candidatura de Manuel Alegre é a 'possível da esquerda', incorrendo desde logo em dois graves equívocos. Primeiro, ainda não sabe se a direcção do seu partido apoiará o (até agora) candidato do Bloco de Esquerda. Segundo, se tal apoio se concretizar, Alegre, refém desse 'beijo de Judas', jamais será um verdadeiro e, muito menos, exclusivo candidato da Esquerda. Porque o provável e até agora desconhecido candidato do PCP nunca será menos candidato da Esquerda que Alegre. E Fernando Nobre, mesmo apoiado por personalidades da Direita, mesmo afirmando que não é candidato da Esquerda nem da Direita, mesmo sem apoio dos partidos, pelos valores e ideais que defende, pelo conceito de presidência em que aposta, é também candidato da Esquerda, dos cidadãos. Por isso o apoio.
Mas se houver segunda volta, votarei sem hesitar contra o candidato da Direita. Cavaco ou quem quer que seja. Quantos poderão dizer/ fazer o mesmo?

Terrorismo

Os terroristas israelitas não param de cometer atrocidades. Desta vez metralharam criminosamente um navio turco que transportava ajuda para Gaza tendo assassinado, pelo menos, quinze pessoas.
É no que dá a hipocrisia de Obama (Prémio Nobel da Paz, lembram-se?) e da União Europeia, tão pressurosos a criticar e boicotar o Irão e sempre a dar palmadinhas nas costas a Israel, uma das maiores potências nucleares e o Estado que mais viola o Direito Internacional e os Direitos Humanos, que sistematicamente dá mostras de nada ter aprendido com os horrores de Auschwitz e de Treblinka.