segunda-feira, junho 07, 2010

Empurram-nos para o abismo

Estamos a pagar uma crise que não provocámos, vamos continuar a pagá-la e no fim, por este caminho, o mais provável é a União Europeia e o euro virem a desmoronar-se.
Acham talvez que estou a dramatizar, mas se lerem o excerto seguinte da entrevista de Jacques Attali ao Euronews, verão que, infelizmente, não há qualquer exagero nas minhas palavras (E não se trata de um 'perigoso' esquerdista mas de uma personalidade do sistema, economista e ex-presidente do Banco Europeu para a Reconstrução e Desenvolvimento).


A crise era uma pequena crise dos subprimes americanos, que devia ter custado 10 mil milhões de dólares e se tornou numa crise mundial de bancos que pode custar 500 mil milhões de dólares ..continuamos a não fazer nada, salvo transferir para os contribuintes, o que se transformou em crise da dívida pública que atinge os 7,8 biliões de dólares.
Os bancos continuam a especular exactamente como antes, os actos imorais também continuam do mesmo modo, nada, absolutamente nada mudou num sistema que está totalmente nas mãos do mercado financeiro internacional.
[…]
Há três anos que digo que não fazemos mais do que transferir a dívida privada para a dívida pública.
Desde o momento em que se deu a crise do Lehman, escolhemos transferir a dívida privada para a dívida pública, e como aceitámos transferir aceitámos financiar todas as perdas dos mais diversos bancos e, Lehman à parte, não deixar ninguém declarar falência.
Assim, aceitámos que o contribuinte de amanhã, para além das dívidas que tenha, pague esses erros.
[…]
A decisão de apelar ao FMI é desonrada porque o Fundo Monetário é uma estrutura honorável mas não é uma estrutura europeia. Assim, confiámos a outros, ou seja, aos americanos e outros não europeus a responsabilidade de decidir a política que convém seguir num país europeu.
Assim, optamos por uma estratégia que está a destruir a identidade europeia.
E o encargo principal será europeu, pois são os europeus que vão pagar a crise.
[…]
Acho que estamos a ir para pior, e pior é dizer entre dois a três anos, até menos, uma desintegração da Europa. A única questão é se os políticos que não tiveram a coragem de decidir na calma podem fazê-lo durante a tempestade.

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