Domingo, Março 18, 2012

Afastem de mim esse cálice!

Salazar foi politicamente responsável por milhares de mortos numa sangrenta guerra colonial que durou 13 anos! Salazar foi politicamente responsável pelo assassinato de dezenas de opositores a uma férrea ditadura que durou quase meio século!
Estudar e assumir a nossa história, mesmo no que teve de mais trágico, é uma coisa; reabilitar um criminoso ditador, mesmo se através de uma operação de marketing comercial, outra bem diferente.
Vinho "Memórias de Salazar"???... Por favor, senhor Presidente da Câmara de Santa Comba Dão, afaste de mim esse cálice de vinho tinto de sangue!...


Turismo cavaquista

Cavaco Silva aproveitou o fim de semana para fazer mais uma passeata pelo Portugal profundo. Paga por todos nós, obviamente, ao contrário da sua lamentável reeleição para a Presidência da República, que aconteceu com os votos de apenas 23 por cento dos eleitores (nunca será demais relembrá-lo!).


E podem crer que, agora que a popularidade de Cavaco nunca foi tão baixa, o "turismo cavaquista" vai continuar. E a hipocrisia, também. De quem, quando foi Primeiro-ministro, destruiu a agricultura e agravou a desertificação rural e vem agora defender o desenvolvimento e repovoamento agrário do interior. De quem fala de cuidados de saúde, de escolaridade, de emprego, de confiança, e nada tem feito para contrariar as políticas que têm desgraçado o país e minado a confiança dos portugueses.

***

O código de conduta e ética aprovado pelo Governo no passado dia 1 de Março deixou de se aplicar à Presidência da República. Ao ficar excluído deste código de conduta, o Presidente da República não fica, na prática, obrigado a declarar que prendas recebe.
Ainda bem… Assim já não teremos de aturar as pieguices de Cavaco a queixar-se de que as pensões que recebe não lhe chegam para pagar as despesas!…




Sexta-feira, Março 16, 2012

O povo

Depois do governo da direita lhes cortar salários, pensões, subsídios, lhes destruir a economia e o emprego empurrando-os para a emigração e a pobreza, lhes dificultar o acesso a bens e serviços tão essenciais como a alimentação, os cuidados de saúde, a energia, os transportes, os massacrar com impostos e contribuições, ao mesmo tempo que fomenta os lucros obscenos dos grupos financeiros, avaliza as remunerações milionárias de gestores e administradores, distribui mordomias e prebendas às suas clientelas, depois de tudo isto, os portugueses continuam a preferir os partidos da direita para governar. Como que a confirmar que somos, afinal, um povo com uma "morosa paciência de boi manso", um "povo de brandos costumes".


Acreditamos (acreditaremos sempre) que o socialismo e a democracia são o caminho para uma sociedade livre, justa e solidária. Mas isso só será possível, "o povo vencerá", se acreditar que "o povo unido jamais será vencido". Se assim não for, terá apenas o que merece!

Quinta-feira, Março 15, 2012

Coveiros

O comissário europeu Olli Rehn diz que "o Governo está a cumprir as reformas da Troika" (não é novidade, está até a ir mais longe, como sabemos). E afirma que "Portugal está no bom caminho".
Mas o Eurostat é como o algodão, não engana!…
Segundo o gabinete de estatísticas da UE, no último trimestre de 2011, Portugal foi o Estado-membro que registou a maior queda do PIB e aquele onde se verificou a segunda maior extinção de postos de trabalho, de nada valendo ser, a par da Irlanda, o país onde os custos da mão-de-obra (já de si baixos) mais baixaram. E a tudo isto junta-se uma taxa de inflação que, em Fevereiro, era já a terceira mais elevada da zona euro. Ou seja, estamos sempre nos lugares do pódio das desgraças!


Desgraças que, a continuarmos no "bom caminho", não ficarão certamente por aqui: o risco e os juros da dívida continuam a subir e não estamos livres de novo resgate ainda este ano!
Este governo é o coveiro de Portugal!

Quarta-feira, Março 14, 2012

Governo do capital

Se dúvidas ainda existissem sobre quem e que interesses defende o actual governo (se "governo" podemos chamar a uma trupe que outra coisa não tem feito senão destruir a economia nacional e submeter a maioria dos portugueses à mais desumana austeridade e pobreza), elas ficam agora definitivamente desfeitas.


Um "governo" que aceita a demissão (ou demite) um secretário de Estado que teve a "ousadia" de enfrentar os produtores de energia eléctrica e os seus interesses financeiros, e de querer moralizar os preços escandalosos por eles cobrados à famílias e às empresas, e pelo contrário nada fez em relação ao pagamento indevido de milhões de euros de compensações à Lusoponte (que já tinha cobrado portagens) e de dividendos a investidores estrangeiros, quando ainda nem sequer eram titulares das acções da REN e da EDP, um "governo" que, em vez disso, não defende o interesse nacional nem os cidadãos, não é o Governo de Portugal. É, isso sim, o governo do capital.

Terça-feira, Março 13, 2012

Delegação

Aí está, a Espanha vai beneficiar de um défice de 5,3 por cento, inferior aos 5,8 que o Governo espanhol pretendia, é verdade, mas bem mais confortável que os 4,4 por cento que o Eurogrupo estabeleceu para este ano e o denominado "Governo português" vai obedientemente, como sempre, cumprir.
É cedo para se saber se os nossos vizinhos vão conseguir articular a estabilização orçamental com a urgente necessidade de relançar o crescimento e o emprego. Mas pelo menos afirmaram a sua soberania. E vão tentar.


Nós, pelo contrário, pelo caminho da obediência cega e invertebrada aos ditames do fundamentalismo orçamental e da política de austeridade, já temos uma certeza: neste momento estamos em primeiro lugar no "clube da bancarrota". E com a mais que certa continuação da destruição da economia, da multiplicação do desemprego, do agravamento da pobreza, não faltará muito para lá cairmos.
Portugal não tem governo. Somos governados (leia-se 'massacrados') por uma "delegação da troika para Portugal". 

Sábado, Março 10, 2012

Novela

Na Assembleia da República, Bloco de Esquerda e PCP demonstraram, uma vez mais, de forma crua e contundente, que Portugal não tem um verdadeiro Governo, nem sequer um Primeiro-ministro que saiba e coordene o que a sua equipa anda a fazer: o país está a saque dos interesses instalados e os portugueses pagam, porventura com a vida, os desmandos desta política.
Os economistas Francisco Louçã e Mariana Mortágua publicaram o livro "A Dividadura — Portugal na Crise do Euro", no qual demonstram como em nome da crise e da austeridade "estamos a ser enganados e explorados pela ditadura da dívida".

foto WEHAVEKAOSINTHEGARDENBLOGSPOT.COM
Mas tudo isso foi ontem. E "ontem" é muito tempo, já não interessa à comunicação social (mesmo se interessa ao país que somos nós…).
Hoje a "notícia" é a novela de Aníbal Cavaco Silva, um ajuste de contas com o passado através do qual acusa Sócrates de "falta de lealdade institucional" mas esquece convenientemente que nada fez para contrariar as suas desastrosas políticas, as quais, de resto, têm sido continuadas e agravadas, no presente, por Passos Coelho e pelo governo da direita, sempre com a sua aquiescência.

O desemprego atinge já cerca de um milhão e duzentos mil portugueses, a economia continua em queda livre, a austeridade depena a esmagadora maioria das pessoas e pode até matar as mais desprotegidas, mas isso que interessa verdadeiramente a um Presidente (ressabiado) reeleito com os votos de pouco mais de 20 por cento dos eleitores??…

Segunda-feira, Março 05, 2012

Riscos

“Calendário eleitoral mundial é um risco para os mercados”???...


Não... Quem está em risco de sobrevivência, com a ganância e as malfeitorias dos "mercados", são as pessoas e a democracia!!!...


Anedota

De um programa cujo objectivo é a redução drástica e cega da despesa pública e do défice orçamental, através de uma política de austeridade assente na destruição da actividade económica, na pilhagem da esmagadora maioria da população e no brutal agravamento das suas condições de vida, nada de bom há a esperar, como se constata em todos os países onde a receita está a ser aplicada.
De um Governo que não se limitou a assinar e a executar um tal programa, mas insiste em ir mais longe e mais fundo do que as exigências nele contidas, não hesitando em empurrar os seus cidadãos para o desemprego, a emigração, a pobreza, a morte, só podemos esperar as piores malfeitorias e a destruição do que nos resta enquanto país soberano.


De um Ministério da Economia que não passa de "um guichet para registar as falências das empresas e o aumento do desemprego e das dificuldades" num país em que "economia não há", ministério cuja mais brilhante ideia para relançar o crescimento económico é a exportação do pastel de nata, pode dizer-se que é uma completa anedota que, dada a gravidade da situação, não é para rir.

Sábado, Março 03, 2012

Invertebrado

Passos Coelho, que, como bem sentimos na pele, insiste em ser mais troikista que a troika, em 2011, conseguiu a "proeza" de reduzir o défice orçamental para 4% do Produto Interno Bruto (PIB), quando a redução que nos foi exigida era de 5,9%. Para isso, não hesitou em destruir a economia, multiplicar o desemprego, agravar a pobreza, cortando salários e pensões, retirando subsídios, aumentando impostos, taxas e preços de bens e serviços fundamentais, numa palavra, saqueando a bolsa da esmagadora maioria dos portugueses. Com fidelidade canina e total subserviência à dona da "União" Europeia.
Mariano Rajoy, Primeiro-ministro de Espanha, que tem a maior taxa de desemprego da Europa, no mesmo dia em que, tal como o seu homólogo português, assinou o novo Tratado orçamental da UE que estabelece uma redução do défice para 4,4% do PIB, em 2012, anunciou que, no seu país, tendo em conta as dificuldades por que está a passar, a redução será mais suave e não ultrapassará os 5,8%.


Não sabemos se a soberania espanhola ganhará o braço-de-ferro com os "fundamentalistas orçamentais"; e sabemos, por outro lado, que Passos Coelho e Rajoy, no essencial, perfilham a mesma ideologia e aplicam a mesma receita política, com as quais não nos identificamos. Mas uma coisa fica clara: Rajoy existe, faz-se ouvir, tem coluna vertebral, enquanto Passos Coelho não passa de um invertebrado (para nossa desgraça!). 

Quinta-feira, Março 01, 2012

Cobaias

Quem tiver um pouco de memória, lembrar-se-á facilmente que, há alguns meses atrás e em particular durante a campanha para as últimas eleições legislativas, os partidos de esquerda (com excepção do PS, que frequentemente não se comporta como tal) denunciaram de forma clara e vigorosa o programa da troika, por assentar numa política de austeridade que tem como único objectivo a redução drástica do défice orçamental e da dívida pública, mas não cuida do necessário crescimento económico e, em vez disso, promove a recessão, avoluma o desemprego e agudiza perigosamente a crise social. Deixando de lado a importante questão da legitimidade da dívida, uma coisa é certa, sem crescimento económico é impossível pagar seja o que for. E já na altura a falência do primeiro resgate grego o demonstrava.


Agora, nove meses depois, parece que os irresponsáveis líderes europeus começam finalmente a perceber a impossibilidade da sua política de desastre evidente. Espero que não seja tarde demais!
Cambada de filhos da puta! Escusavam de nos usar como simples cobaias!…

Encenação

O poder sabe bem que a união faz a força e, por esse facto, uma das suas tácticas favoritas sempre foi dividir para reinar. Isto explica por que, no distante ano de 1978, PS, PSD e CDS (por coincidência os partidos que têm partilhado a governança e subscrevem hoje o programa de liquidação nacional imposto pela troika) apadrinharam a fundação da União Geral de "Trabalhadores". Como aconteceu com os sindicatos corporativos, durante o salazarismo, dá imenso jeito a quem governa contra o povo ter uma "central sindical" sempre disponível para assinar acordos de concertação social (leia-se de agressão social) que só trazem mais despedimentos, desemprego, recessão e pobreza; para elogiar um presidente da República que nada faz para travar esta política de malfeitorias; para declarar até que a troika tem compreensão perante os efeitos da austeridade!!!…


Agora, depois de nada ter feito para se lhe opor, a UG"T" receia uma grave crise social. Aparentemente, é  contraditório, mas faz parte, afinal, da encenação e da mentira a que sempre nos habituou. 

Quarta-feira, Fevereiro 29, 2012

Hipocrisia

É impossível impor mais austeridade. Esta é uma dolorosa verdade que a esmagadora maioria dos portugueses sente na pele e na carne. Mas na boca de Cavaco Silva cheira a despudorada hipocrisia. Sobretudo por vir de quem, na qualidade de Presidente da República, nada tem feito para travar a política mais austera e injusta de toda a União Europeia (promulgando todas as decisões do governo e elogiando até a sua coragem); e não teve quaisquer escrúpulos de se queixar públicamente que as suas reformas não lhe chegam para as despesas.


Senhor Presidente da República, o senhor não tem autoridade política nem moral para dizer certas verdades! Por favor, não confunda ainda mais os 25 por cento de eleitores que o elegeram! E poupe a paciência da maioria que há muito percebeu que nada de útil pode esperar do Chefe de Estado!

Segunda-feira, Fevereiro 27, 2012

Crime contra a humanidade

O G20 não toma decisões. A UE nada decide. O BCE parece ter fechado a torneira. Enquanto isso, a Europa desliza e a economia mundial não está fora de perigo.
Dizem que é preciso criar uma "barreira de protecção" (firewall) contra a crise da dívida pública (como se tudo não tivesse tido origem no sector privado e na especulação financeira) e insistem em não perceber o que é uma evidência: a sua política de austeridade é um crime contra a humanidade.
Mais tarde ou mais cedo, o mundo e a história não lhes perdoarão!


Domingo, Fevereiro 26, 2012

Portugal, pobre e desigual

Portugal faz parte do grupo de países onde existe maior desigualdade na distribuição dos rendimentos. Ou seja, onde os pobres são muito pobres e a riqueza está concentrada nos bolsos de uma minoria.
Podíamos adoptar o modelo dos países nórdicos, onde a política social conduz a uma repartição mais equitativa dos rendimentos, mas preferimos seguir os exemplos dos Estados Unidos e de Israel, onde impera o ultra-liberalismo sem princípios e o salve-se quem puder.
O resultado é o que sabemos: um país não apenas pobre mas, pior ainda, desigual, cada vez mais à beira da ruptura social.


Sábado, Fevereiro 25, 2012

Qual é a surpresa?

É suposto que Cavaco Silva estivesse razoavelmente informado sobre o estado do país. Pelo cargo que ocupa e a função que (supostamente) desempenha, pelas reuniões semanais que tem com o Primeiro-ministro, por ser considerado (por alguns) um reputado economista. 


Afinal, no início de um pomposo 'Roteiro para a Juventude', e apenas uma semana depois de ter recusado ouvir os jovens da Escola António Arroio, Cavaco declara-se "surpreendido com a taxa de 14% de desemprego da população activa registada no último trimestre de 2011, bem como com os 35% de jovens sem trabalho." Nós, pelo contrário, já não nos surpreendemos com as suas declarações, por mais aberrantes que elas sejam. O que desde sempre nos surpreendeu foi a sua eleição (e mais ainda a sua reeleição) para a Presidência da República.

Segunda-feira, Fevereiro 20, 2012

A carta

Não me espanta que Merkel e Sarkozy não assinem esta carta, que pede à União Europeia que promova o crescimento e o emprego. O que acho inacreditável é que o Chefe do Governo de um país com cerca de 1 200 000 desempregados e uma queda do crescimento económico de 1,5 por cento não o faça. A menos que Passos Coelho não passe de um mero representante de negócios da Troika e Portugal outra coisa não seja já senão um protectorado da Alemanha?!…


Quarta-feira, Fevereiro 01, 2012

Assalto

Depois do roubo escandaloso do subsídio de férias e do subsídio de Natal, do aumento do IVA aplicado a dezenas de produtos alimentares e aos serviços de restauração, das subidas da factura da electricidade, das rendas, das portagens e dos serviços de saúde, a sangria continua, a partir de hoje, com aumentos no tarifário dos transportes públicos de cerca de 20 por cento!


Enquanto isso, o monstro insaciável do BPN prepara-se para abocanhar mais 600 milhões que nos foram criminosamente extorquidos.
O assalto continua, portanto. A luta (aqui, aqui e aqui) também.