sábado, março 31, 2007

"Alternância democrática": todos diferentes, todos iguais!

Uma auditoria do Tribunal de Contas (TC) aos gabinetes ministeriais e dos primeiros-ministros dos últimos três governos confirma aquilo que a maior parte de nós já sabia ou suspeitava: a falta de transparência nos processos de admissão de funcionários, a total discricionaridade na tabela salarial e a ilegalidade de muitas das práticas adoptadas.
Por outras palavras… Para satisfazer as respectivas clientelas, os governos de Barroso, de Santana e de Sócrates contrataram quem quiseram, como quiseram, quanto quiseram e quando quiseram. Pagaram remunerações escandalosas, muitas vezes superiores às dos ministros ou mesmo do primeiro-ministro. E fizeram tudo isso, as mais das vezes, sem suporte legal e a indispensável publicação no Diário da República. Como se não estivéssemos num Estado de direito, mas antes numa qualquer "república das bananas".

Mas o TC afirma ainda que estes governos adoptaram a prática sistemática e anómala de inscrever, como despesa dos gabinetes governamentais, verbas muito substanciais, destinadas a ser transferidas para as mais diversas entidades, públicas e privadas, estranhas a qualquer tipo de apoio aos gabinetes governamentais e sem a mínima contrapartida para os mesmos. Passaram assim, de uma despesa real com pessoal e funcionamento, de 216,3 milhões de euros, para um autêntico saco azul de 12,5 mil milhões de euros, verba quatro vezes maior que o custo previsto do aeroporto da Ota!

Apesar de a OCDE aconselhar Portugal a ser mais activo na luta contra a corrupção, com governos tão exemplares como são estes, na falta de transparência e de rigor, é duvidoso que o nosso país consiga sair rapidamente do pântano onde se encontra (o meio mais propício, como é sabido, para as sanguessugas)!…
São faces da mesma moeda, a "alternância democrática", como gostam de se auto-designar: todos diferentes, todos iguais!

sexta-feira, março 30, 2007

Escola privada, para que te quero?

Ora aqui está uma boa notícia!
É que, sempre me recusei a aceitar a abertura à iniciativa privada de sectores cujo objectivo não pode ser, de forma alguma, a rentabilidade financeira e o lucro, mas antes a qualidade e seriedade do serviço que prestam. Como o prova o caso da chamada Universidade Independente (afinal, dependente de interesses que nada tinham a ver com os dos alunos que a frequentavam).

Dar à luz em regime ambulatório

Em consequência da sanha economicista do governo, que levou ao encerramento de diversas maternidades por todo o país, muitos dos nascituros portugueses têm grandes probabilidades de vir a nascer a meio de uma corrida numa qualquer estrada ou auto-estrada.
Foi o que aconteceu recentemente, já por duas vezes, na A 14, que liga a Figueira da Foz a Coimbra.
Mas, como não há duas sem três — e muitas mais hão-de haver — mais um parto ocorreu antes de se chegar à maternidade, em Coimbra. Desta vez nem foi possível alcançar a A 14: o bebé nasceu na garagem de um prédio, em Buarcos!
É o que se pode chamar de maternidade em regime ambulatório.

Por enquanto, com a nossa proverbial capacidade de improviso, vamo-nos desenrascando!
Oxalá não venhamos a pagar caro tanta poupança orçamental!…

quinta-feira, março 29, 2007

Fascismo nunca mais!

Seguindo na esteira dos fascistas da Frente Nacional, que reclamam "a França para os franceses", o dejecto político auto denominado Partido Nacional Renovador colocou um cartaz no centro de Lisboa em que defende um "Portugal para os portugueses" e que "basta de imigração".
Os rapazolas do PNR estão, pelos vistos, incomodados com os cerca de 400 mil imigrantes que escolheram o nosso país para fazer pela vida, mas "esquecem" que eles contribuem com cerca de 500 milhões de euros para a nossa produção. E esquecem que Portugal, que foi, desde sempre, o país da diáspora, ainda hoje tem mais de 4 milhões e 500 mil emigrantes espalhados pelos quatro cantos do mundo, 1 milhão dos quais precisamente em… França (o chefe do bando "esqueceu-se" até que ele próprio também foi emigrante).
Racistas e xenófobos da pior espécie, é o que eles são!
A Constituição da República Portuguesa, no ponto 4 do Artigo 46.º, diz expressamente que "Não são consentidas […] organizações racistas ou que perfilhem a ideologia fascista."
Por que espera, então, o Estado democrático para fazer cumprir a Lei?

O charlatão

É entrar, senhorias
a ver o que cá se lavra
sete ratos, três enguias
uma cabra abracadabra

Sérgio Godinho


Ele continua a andar por aí. Hoje à noite, vai estar no Café Nicola para falar dos problemas que não resolveu e dos que arranjou.

quarta-feira, março 28, 2007

Arte de furtar

O Estado vai indicar para gestor da REN um ex-quadro da Galp, que recebeu cerca de meio milhão de euros de indemnização, quando saiu da petrolífera, há menos de um ano.
No entanto, para o Ministério das Finanças, a situação é considerada normal porque não envolve duas empresas públicas, uma vez que, na altura em que o gestor saiu da Galp, o Estado já só detinha um terço do capital da empresa.

E esta, heim?…
Na cleptocracia portuguesa, a arte de furtar não tem limites! E a vergonha também não!…

terça-feira, março 27, 2007

Atar o ganho na ponta do lenço!

1. Em Portugal, o Rendimento Nacional Bruto (RNB) é já bastante inferior ao Produto Interno Bruto (PIB). Em 2006, a preços correntes, o PIB atingiu 155.289 milhões de euros, enquanto o RNB foi apenas de 149.111 milhões de euros. Isto deve-se à transferência de uma parcela crescente da riqueza criada no País, para o estrangeiro. Só nos dois anos de governo de Sócrates, essa parcela aumentou 113,4%, passando de 2.894,3 milhões de euros para 6.177,5 milhões de euros. Isto mostra como o domínio da economia portuguesa pelos grandes grupos económicos estrangeiros cresceu significativamente nos dois anos do actual governo do PS.
Esta expatriação de uma parte cada vez maior da riqueza criada em Portugal, determina que o valor que fica, por cada português, seja inferior ao que se calcula tomando como base o PIB. Com efeito, utilizando dados do PIB e do RNB, a preços constantes de 2000, conclui-se que, entre 2004 e 2006, o PIB por habitante aumentou apenas em 1%, mas o RNB por habitante diminuiu efectivamente em -1%. Estes dados revelam que o crescimento da riqueza em Portugal é de tal forma reduzido que, com esta sangria para o exterior, podemos até concluir que os portugueses estão a empobrecer.

2. Uma das principais causas do reduzido crescimento económico e do aumento significativo do desemprego é a quebra continuada no investimento, em particular o investimento público que, nos dois anos de governo de Sócrates, diminuiu em -20,6%, tendo passdo de 4.479,5 milhões de euros para apenas 3.558 milhões de euros.
Foi precisamente esta forte redução do investimento público (associada ao crescimento significativo do saldo da Segurança Social) que explica a redução do défice, dos 4,6% do PIB inicialmente previstos, para 3,9% do PIB.
Mas, se tivermos em conta que o défice orçamental de -4,6% correspondia já a um défice estrutural de apenas -3,4% (conforme pág. 11 do Relatório do OE2007), é bem provável que o défice orçamental de -3,9% corresponda a um défice estrutural inferior a 3%, ou seja, abaixo do que o próprio tratado da União Europeia exige.
Mesmo assim, Sócrates pretende continuar a estrangular a economia e a agravar as condições de vida dos portugueses. Que continuam condenados a "atar o ganho na ponta do lenço"!

segunda-feira, março 26, 2007

O concurso

Dizem que se tratou apenas de um concurso mas, com este resultado foi, infelizmente, bem mais do que isso.
Ao cabo de 30 anos de alternância dita democrática e 20 de integração europeia, quase tudo está por fazer em Portugal…
Continuamos a ser um dos países menos desenvolvidos da UE e, pior do que isso, aquele onde a diferença entre ricos e pobres é mais acentuada, com um quinto dos portugueses — 2 milhões — a viver abaixo do limiar da pobreza. Os desempregados ultrapassam meio milhão e o emprego é profundamente precário, com salários dos mais baixos da UE. O analfabetismo, a iliteracia e a taxa de abandono escolar são das mais elevadas e o nível de escolaridade dos trabalhadores portugueses é dos mais baixos. A economia portuguesa, com um crescimento muito abaixo da média comunitária, mantém-se na cauda da Europa. A agricultura, as pescas, muitas indústrias transformadoras foram varridas pela concorrência por não terem sido reconvertidas — de resto, boa parte dos fundos comunitários foram mal investidos, malbaratados e, em muitos casos, criminosamente desviados.
São estes os brilhantes resultados da governação clientelar do bloco central e da cleptocracia estabelecida.
Nada de admirar, portanto, que entre os dez finalistas do concurso, não tenham figurado nenhum dos figurões — Soares, Cavaco, Guterres, Barroso,… — que conduziram o país a esta situação!…
O que admira e preocupa é que ainda existam portugueses que continuem a acreditar em salvadores da pátria e não percebam (ou não queiram perceber) que, se ainda hoje somos um dos países mais atrasados da Europa, em boa parte o devemos ao ditador a quem eles deram o primeiro lugar… no concurso!…

quinta-feira, março 22, 2007

Parir na estrada

Depois do encerramento da maternidade da Figueira da Foz, já são dois os partos de urgência que, no curto período de quinze dias, se verificam em ambulância, na auto-estrada A 14, que liga aquela cidade a Coimbra.
Como é de bom tom, para mostrar que está preocupado com o assunto, Correia de Campos mandou abrir um inquérito às ocorrências mas foi dizendo que não está "nada arrependido" de ter fechado a maternidade da Figueira. Para o ministro, estes casos "não têm qualquer relação com o fecho de maternidades" mas antes com o facto de "haver pessoas que não utilizam o Serviço Nacional de Saúde como deviam". Ou seja, a culpa é das parturientes!
Devo dizer que, em parte, "concordo" com o ministro da saúde: a culpa deve ser mesmo das parturientes!… Pelo menos daquelas (e de todos os) que votaram PS e lhe deram maioria absoluta. Na verdade, se não o tivessem feito, as maternidades não teriam sido encerradas e os bebés continuariam a nascer calmamente onde sempre nasceram.

quarta-feira, março 21, 2007

Coro da Primavera

Cobre-te canalha
Na mortalha
Hoje o rei vai nu

Os velhos tiranos
De há mil anos
Morrem como tu

Abre uma trincheira
Companheira
Deita-te no chão

Sempre à tua frente
Viste gente
Doutra condição

Ergue-te ó Sol de Verão
Somos nós os teus cantores
Da matinal canção
Ouvem-se já os rumores
Ouvem-se já os clamores
Ouvem-se já os tambores

Livra-te do medo
Que bem cedo
Há-de o Sol queimar

E tu camarada
Põe-te em guarda
Que te vão matar

Venham lavradeiras
Mondadeiras
Deste campo em flor

Venham enlaçdas
De mãos dadas
Semear o amor

Ergue-te ó Sol de Verão
Somos nós os teus cantores
Da matinal canção
Ouvem-se já os rumores
Ouvem-se já os clamores
Ouvem-se já os tambores

Venha a maré cheia
Duma ideia
P'ra nos empurrar

Só um pensamento
No momento
P'ra nos despertar

Eia mais um braço
E outro braço
Nos conduz irmão

Sempre a nossa fome
Nos consome
Dá-me a tua mão

Ergue-te ó Sol de Verão
Somos nós os teus cantores
Da matinal canção
Ouvem-se já os rumores
Ouvem-se já os clamores
Ouvem-se já os tambores

José Afonso, Cantigas do Maio, 1971

Depois de casa roubada, trancas à porta!…

Mais vale prevenir que remediar, diz o povo. Povo que é quem mais ordena, canta o Zeca.
Porém, a sabedoria do povo é cada vez mais desprezada e a vontade popular, sistematicamente desrespeitada por uma lógica de subordinação do bem comum aos interesses privados.
São disto exemplos, a especulação fundiária e imobiliária e a explosão urbanística, concentradas na faixa litoral entre Viana do Castelo e Setúbal e no litoral algarvio, acompanhadas da negligência — quando não da conivência — do poder político. Com as consequências que todos começamos a ver: desordenamento do litoral, fragilização da linha de costa, insegurança das populações.
E depois de casa roubada, trancas à porta!…

terça-feira, março 20, 2007

A memória da Arte

Uma cantiga do maio para uma obra de arte...

A morte
Saiu à rua
Num dia assim
Naquele
Lugar sem nome
Pra qualquer fim

Uma
Gota rubra
sobre a calçada
Cai

E um rio
De sangue
Dum
Peito aberto
Sai

O vento
Que dá nas canas
Do canavial

E a foice
Duma ceifeira
De Portugal
E o som
Da bigorna
Como
Um clarim do céu

Vão dizendo
em toda a parte
O pintor morreu

Teu sangue,
Pintor, reclama
Outra morte
Igual

Só olho
Por olho e
Dente por dente
Vale

À lei assassina
À morte
Que te matou
Teu corpo
Pertence à terra
Que te abraçou

Aqui
Te afirmamos
Dente por dente
Assim

Que um dia
Rirá melhor
Quem rirá
Por fim

Na curva
Da estrada
Há covas
Feitas no chão

E em todas
Florirão rosas
Duma nação

José Afonso, Eu vou ser como a toupeira, 1972

Direitos

Os Estados Unidos não reconhecem o novo governo palestino de unidade nacional. Condoleezza Rice criticou aquele governo por continuar a defender o que chama de "direito de resistir à ocupação de Israel". Ou seja, Israel arroga-se o direito de ocupar e colonizar territórios palestinos; mas aos palestinos, os EUA apenas reconhecem o "direito" de aceitarem passivamente esta humilhação!
Dois pesos e duas medidas, o que não é para admirar, vindo de quem sempre apoiou o Estado sionista!
Vergonhoso e profundamente lamentável é que a União Europeia avalize esta posição, pondo-se de cócoras, uma vez mais, perante os falcões americanos.

segunda-feira, março 19, 2007

Risco de vida

Neste país, prevenção e segurança continuam a ser palavras vãs e os alertas, como aqui foi relatado, de nada valem.
Neste país, a maioria dos responsáveis trata apenas da sua vidinha e governa-se à nossa custa, e a culpa, essa morre quase sempre solteira.
Neste país, para quem trabalha, viver é um enorme risco. Às vezes fatal.
Infelizmente.
Até quando? pergunto eu…

domingo, março 18, 2007

O tigre de papel

De acordo com os estudos da equipa LEAP/E2020, os Estados Unidos estão à beira de se afundarem numa "Muito Grande Depressão", cujo ponto de inflexão poderá ocorrer já no próximo mês de Abril, com a extensão do contágio da actual crise imobiliária — mais de um milhão e meio de acções de despejo e, pelo menos, uma centena de falências de sociedades de crédito imobiliário — à esfera financeira e ao consumo das famílias, provocando severas consequências em numerosos sectores económicos e no dólar. Paralelamente, estas tendências vão acelerar consideravelmente a guerra comercial com a China.
Significativo é o facto da actual crise bolsista mundial ter começado na China, pela queda brutal de quase 10% na bolsa de Xangai, após declarações das autoridades chinesas visando limitar a especulação bolsista, proferidas, certamente não por acaso, na véspera da chegada do Secretário de Estado americano do Tesouro, à Ásia. Como por acaso não terá sido a declaração do governador do Banco Central chinês sobre a diversificação das reservas de divisas do seu país, fora do dólar, o que desencadeou, em Novembro de 2006, uma queda brutal da moeda americana face a todas as grandes divisas.
O governo de Pequim transmite assim sinais claros a Washington de que não vê com bons olhos a intenção dos Estados Unidos de adoptarem medidas proteccionistas. Mas os Democratas, que lideram o Congresso, se quiserem conservar a sua maioria e manter a possibilidade de elegerem o seu candidato presidencial, vêem-se obrigados fazer alguma coisa para proteger o emprego e, por esse facto, preparam-se para votar uma panóplia proteccionista especialmente elaborada para bloquear uma parte das exportações chinesas.
Porém, com um défice comercial de 200 mil milhões USD com a China, os americanos não estão mais em posição de ditar as regras do jogo. Se insistirem neste caminho, mais não farão do que desencadear uma perigosa guerra comercial que, inevitável e facilmente, alastrará às esferas financeira e monetária. É que, doravante, é em Pequim que se determinam os valores do dólar e dos Títulos do Tesouro americano, em que os chineses aplicaram boa parte do seu superávite comercial, financiando a dívida pública americana.
Onde quer que esteja, Mao Ze Dong deve estar a rir-se e a pensar como tinha razão quando, em 1956, afirmou que "o imperialismo americano é um tigre de papel".

sexta-feira, março 16, 2007

A Cimeira da Guerra

A Cimeira das Lajes foi há quatro anos.
Ficaria infelizmente conhecida por Cimeira da Guerra, por ter sido aí que George W. Bush, com a cumplicidade de Tony Blair e José Maria Aznar, e o apoio expresso do mordomo Durão Barroso, decidiu invadir um país soberano, a pretexto de mentiras forjadas e em flagrante violação do Direito Internacional.
Reunião de malfeitores directa ou indirectamente responsáveis por um crime de guerra hediondo que arrasou um país e causou o genocídio de centenas de milhares dos seus habitantes.
Como diz José Saramago, "É um aniversário para não esquecer, que além de trágico é absolutamente grotesco." Conservê-mo-lo, pois, na nossa memória. Para que, de futuro, não mais se realizem cimeiras da guerra na nossa terra!

A Palestina às escuras

Lá para o reino da Arábia
Havia amêndoas aos centos
Que grande rebaldaria
E a Palestina às escuras

Os Sheikes israelitas
Já que estou com a mão na massa
Lembram-me os Sheikes das fitas
Que dão porrada a quem passa

Zeca Afonso, Nefretite não tinha papeira

O Governo de Israel anunciou, ontem, que se recusa a negociar com o novo Executivo palestiniano […].
O Executivo, liderado por Ismail Haniyeh do Hamas, inclui 12 ministros desta organização, seis da Fatah (partido do presidente, Mahmud Abbas), e sete de outras organizações e independentes.


A raiz da tragédia e humilhação palestiniana remonta à criação abusiva do Estado judaico, em território que só aos palestinianos pertencia, no já distante ano de 1948, na sequência da orquestrada Resolução 181 da ONU.
Como então dizia Ghandi:
"A Palestina pertence aos palestinos, da mesma forma que a Inglaterra pertence aos ingleses, ou a França aos franceses.
É errado e desumano impor os judeus aos árabes. O que está acontecendo na Palestina não é justificável por nenhuma moralidade ou código de ética. Os mandatos não têm valor. Certamente, seria um crime contra a humanidade reduzir o orgulho árabe para que a Palestina fosse entregue aos judeus parcialmente ou totalmente como o lar nacional judaico."
Mas foi isso que veio a acontecer. As grandes potências e a ONU marimbaram-se em Ghandi, nos palestinos e na paz. O resto da história é por demais conhecido…

Lembram-se dele?

Foi subsecretário de Estado da Defesa (leia-se da Guerra) das administrações Bush (pai & filho) e o "arquitecto" das invasões do Iraque (1991 e 2003), que provocaram a destruição e o caos daquele país, causando a morte de centenas de milhares de civis inocentes.
Maquiavelicamente, inventou a mentira das armas de destruição em massa, que o Iraque alegadamente teria, mas pouco depois da invasão e quando já todos sabíamos que aquelas armas pura e simplesmente não existiam, numa entrevista ao Guardian, foi terrivelmente claro, afirmando sem nenhum pudor: "Nós não tínhamos qualquer escolha no Iraque. O país nada num mar de petróleo."

Se o Direito Internacional fosse aplicado, se houvesse justiça no mundo, Paul Wolfowitz seria julgado e condenado por crimes de guerra contra a humanidade!
Em vez disso, em reconhecimento pelos serviços prestados ao complexo industrial-militar e ao imperialismo americanos, foi nomeado presidente do Banco Mundial (também conhecido pelo eufemismo de BIRD — Banco Internacional para a Reconstrução e o Desenvolvimento!).

quarta-feira, março 14, 2007

Acabou o carnaval na Madeira?

Alberto João Jardim anunciou que só aceita governar a Madeira se obtiver maioria absoluta nas eleições antecipadas e que esse será o seu último mandato.

Agora, que a mama se lhe está a acabar, ao fim de quase trinta anos de reinado carnavalesco alimentado pelo festim das dotações orçamentais e dos fundos comunitários, o rei Momo da Madeira recorre, pela enésima vez, à jogada em que é verdadeiramente mestre: a chantagem!
Primeiro, demite-se, a seguir, candidata-se, e por fim ameaça que, se não tiver maioria absoluta, não governa. Como se, daqui pra trás o tivesse feito — pelo menos, de forma justa, transparente e genuinamente democrática!…
Sem euros, já nem acena com o espantalho do separatismo, como tanto gostava de fazer. Agora, percebendo que não está habilitado para governar com recursos escassos e de forma séria, ensaia a fuga prá frente. Quem vier atrás que pague a conta!…

terça-feira, março 13, 2007

Falar claro

"Um governo do PS tem a obrigação indeclinável de fazer as reformas possíveis que encurtem as desigualdades sociais e reduzam as injustiças."
"Nem sempre isso tem acontecido."
António Arnault, fundador do PS

Jobs for the boys (o regabofe)

Nem de propósito! Depois do que aqui atrás escrevi acerca da generosa distribuição de tachos levada a cabo pelo actual governo, o DN dá-nos agora os números exactos do regabofe (deste governo e dos que o antecederam):
  • Em dois anos de mandato, o Governo de Sócrates já fez, pelo menos, 2373 nomeações (sem contar os dados do Ministério da Justiça, cujo titular nomeou a filha como assessora).
  • No entanto, aquele ex-primeiro-ministro que trocou o seu Governo pelo tacho da presidência da Comissão Europeia, fez um pouco "melhor": 2804 nomeações.
  • Mas se considerarmos apenas as nomeações para os gabinetes, nesse caso, o líder incontestado dos "jobs for the boys" ainda é… António Guterres, com 2132 nomeações, seguindo-se José Barroso, com 1140, e José Sócrates, com 1077.
Enfim, já não falta tudo para os 150 000 "postos de trabalho" que o primeiro-ministro prometeu criar durante esta legislatura!
Agora mais a sério: governado há 30 anos por políticos e políticas deste quilate, é por isso que Portugal é um país eternamente adiado, sem presente, e de futuro duvidoso!…

segunda-feira, março 12, 2007

Tarde demais!

Quando devia falar, calou-se!
Agora, quatro anos após uma invasão fora-da-lei e brutal que destruiu um país e liquidou centenas de milhares dos seus habitantes, é que vem dizer o que todos estamos fartos de saber: que Bush e Blair falsearam o relatório sobre as supostas armas químicas do Iraque, substituindo os pontos de interrogação por pontos de exclamação no relatório que apresentou.
Bem me parecia que o problema deles era "gramática"!
E o problema de Blix? Falta de coragem? Ou desonestidade? Talvez as duas coisas…

"Contentem-se" com mais deveres!

O Ministro das Finanças quer que as promoções e aumentos na Função Pública passem a depender do orçamento de cada serviço e da gestão de recursos humanos. Teixeira dos Santos prepara-se também para alterar os deveres de zelo e lealdade a que estão obrigados os trabalhadores.

Se é o Ministério das Finanças que estabelece as dotações orçamentais para cada ministério e serviço, é o mesmo que dizer que não vai haver aumentos nem promoções para ninguém. Os trabalhadores que se "contentem" com mais deveres!…
Claro que nada disto se aplica aos directores de serviços, e gestores do banco de Portugal e das empresas públicas. E aos familiares e amigos de governantes, para quem o tacho está sempre garantido.
Este é o governo mais corporativo e neo-fascista de que há memória, desde 1974!

domingo, março 11, 2007

Surrealismo puro

Após saber que vai a julgamento, no âmbito do processo "Apito Dourado", Valentim Loureiro disse que quer ser julgado na televisão porque, conforme se queixou, nos tribunais ninguém o leva a sério.
Mas como é que o senhor major quer que o levem a sério, quando ele brinca com coisas sérias?…
Só faltava voltarmos a ter na TV "O Juiz decide"!…
Não há dúvida, isto é surrealismo puro!

Afinal Obama é igual aos demais

O essencial do discurso de Barack Obama sobre Israel é agora conhecido e, como era esperado, o candidato não fez qualquer segredo do seu apoio e dedicação ao relacionamento especial entre os Estados Unidos e Israel. “A minha visão é que o relacionamento especial dos Estados Unidos com Israel obriga-nos a ser-lhe útil na busca de parceiros credíveis com quem possa fazer a paz, e ao mesmo tempo, a apoiar Israel na sua defesa dos inimigos que juram querer a sua destruição” — foram as palavras de Obama ao Haaretz [jornal israelita], na semana passada. Hoje, ele soou tão forte como Clinton, tão apoiante como Bush, tão amigável como Giuliani. Pelo menos na retórica, Obama passou em todos os testes que qualquer um tenha querido que ele passasse. Portanto, ele é pro-Israel. Ponto final. [traduzido daqui]

Ou seja, Obama, Clinton e Giuliani, democratas e republicanos, embora diferentes, nesta matéria são todos iguais!
Da América, os palestinianos não podem esperar outra coisa que não seja o apoio vergonhoso àqueles que os matam, os roubam, os humilham, os não deixam viver livremente na terra que sempre foi a sua!

sábado, março 10, 2007

Viva Portugal!

Joguei râguebi, durante apenas dois anos, na equipa da faculdade, já lá vão quase 35 anos!
Mas foi o suficiente para ficar, para sempre, adepto desta modalidade. Porque valoriza o colectivo, a táctica, a entreajuda, o estoicismo. Porque promove o jogo limpo. Porque é desporto.
Fiquei, por isso, feliz pela vitória de Portugal frente ao Uruguai, que nos deixa agora a um pequeno passo do apuramento para o Mundial 2007. O que seria um feito inédito, por duas razões: primeira, porque nunca estivemos num mundial de râguebi, e segunda, porque seríamos a primeira equipa amadora a alcançar uma fase final da prova.

Postado também aqui

Portugal é o último mas Sócrates está satifeito!…

Em 2006, com uma taxa de crescimento do PIB de 1,3%, Portugal foi apenas o país da União Europeia que registou o menor crescimento económico. Muito aquém do crescimento médio da UE-25, que foi de 2,9%, ou de nuestros hermanos, que alcançaram os 3,9%. Mas, bom mesmo é o crescimento das economias do leste europeu. Podem conferir tudo aqui, no Eurostat.
Entrementes, o primeiro-ministro, que não deve consultar o Eurostat, fez uma festa do caraças e declarou que os dados do INE representam um bom sinal para a evolução da economia em 2007, e comprovam que Portugal está em progressiva melhoria.
Como se isso fosse possível, com todos os outros países a crescerem mais do que nós!!!…

sexta-feira, março 09, 2007

A cereja no cimo do bolo!

Votei "sim" no referendo de 11 de Fevereiro pelas razões que aqui expus e que se traduzem no respeito pela liberdade de um ser humano inteiro, a mulher, cujos direitos não podem ser minimizados e postos em causa pelos direitos de uma forma de vida ainda embrionária, por mais respeito que ela nos possa merecer (e merece).
Saúdo, portanto, a nova lei do aborto, aprovada pela maior Maioria de Esquerda — PS, PCP, BE e Verdes —, a que se associaram 21 deputados do PSD.
E registo com agrado o equilíbrio da sua formulação.
Por um lado, porque o novo diploma, no respeito pelo veredicto popular, garante a liberdade de decisão da mulher.
Mas, por outro lado, introduz um elemento de responsabilidade no acto, uma vez que, relativamente à mulher que pretenda abortar:
  • não a dispensa de uma consulta médica prévia;
  • obriga-a a um período de reflexão não inferior a três dias;
  • disponibiliza-lhe acompanhamento psicológico e social; e
  • garante-lhe aconselhamento obrigatório de planeamento familiar de modo a prevenir novas situações de gravidez indesejada.
Por tudo isto, esta nova lei da IVG representa, indubitavelmente, um grande passo em frente da democracia e da liberdade, no nosso país.
A sua aprovação no Dia Internacional da Mulher foi a cereja no cimo do bolo!

quinta-feira, março 08, 2007

Celebrar a luta pela igualdade

A Constituição da República Portuguesa estabelece, no artigo 59.º, que "todos os trabalhadores, sem distinção de […] sexo […], têm direito à retribuição do trabalho, segundo a quantidade, natureza e qualidade, observando-se o princípio de que para trabalho igual salário igual, […]. "
No entanto, hoje, que é o Dia Internacional da Mulher, não é demais lembrar que as mulheres portuguesas, que estão já em maioria na população empregada com o ensino secundário e superior, e também em subgrupos e grupos profissionais de qualificação elevada e média, continuam a ser profundamente discriminadas no salário recebido, na segurança no emprego, no rendimento de substituição (em caso de perda do emprego) e na reforma.
Já no artigo 25.º, a CRP consagra o direito à integridade pessoal mas o que ainda hoje, Dia Internacional da Mulher, se verifica é que as mulheres portuguesas são muitas vezes, demasiadas vezes, vítimas — quantas vezes silenciosas… — da violência doméstica e do medo.
A Constituição da República garante ainda, a todos, o direito de "participação na vida pública" (artigo 48.º) e o direito de acesso a cargos públicos (artigo 50.º) mas o facto é que Portugal é, ainda hoje, Dia Internacional da Mulher, um país onde a desejada paridade entre homens e mulheres, nesta matéria, deixa muito a desejar.

Estamos em 2007, o Ano Europeu da Igualdade de Oportunidades para Todos, mas as mulheres portuguesas sabem bem que, no que lhes diz respeito, isso está ainda muito longe de corresponder à verdade.
Elas sabem que, embora possam contar com a solidariedade de muitos de nós, homens, terão de lutar de forma paciente e corajosa, como sempre fizeram, pelo pleno reconhecimento dos seus direitos. Direitos, ao fim e ao cabo, devidos a todo e qualquer ser humano.

quarta-feira, março 07, 2007

Com o Diabo, todo o cuidado é pouco!

Segundo aqui se relata, os locais por onde Bush passar na sua próxima visita ao Brasil, integrada numa digressão pela América Latina, poderão ser exorcizados e limpos com enxofre.
Na verdade, como bem sabemos, o Diabo tece-as. Por isso, com ele, todo o cuidado é pouco!

Humor

Esta é mesmo pra rir!…

terça-feira, março 06, 2007

segunda-feira, março 05, 2007

Hipocrisia ou estupidez?

Primeiro humilhou os professores e destruiu a sua dignidade profissional, fazendo-os reféns da avaliação de encarregados de "educação" que, na sua maioria, nem sequer de educar os filhos são capazes.
Agora vem dizer que quer mais autoridade para os professores.
Porque não pensou nisso antes? Não será tarde demais?…

(Não há limites para a hipocrisia!… Ou será estupidez?…)

domingo, março 04, 2007

Em vermelho, em multidão



O povo manifesta-se nas ruas de forma nunca vista em Portugal.
Contra o desemprego (há mais de 600 000 desempregados) e a precariedade do trabalho, o congelamento dos salários e a injustiça social (Portugal é o país da União Europeia com maior diferença de rendimento entre "ricos" e "pobres"). Mas também, contra o encerramento de urgências hospitalares, o fecho de maternidades, a destruição do Serviço Nacional de Saúde. E ainda, contra a extinção de escolas, a humilhação dos professores, a degradação da Educação.
Entretanto, o governo, apoiado na sua implacável máquina de propaganda, faz de conta que não se passa nada (não terá sido inocente a publicação de uma sondagem, precisamente no dia em que uma multidão de 150 000 pessoas, naquela que foi a maior manifestação de sempre em Portugal, inundou as ruas da capital em protesto contra as políticas governamentais…).
Mas a luta vai continuar. Disso não há a menor dúvida.
É que, apesar da maioria absoluta de que goza e das sondagens que o favorecem, o governo não é detentor exclusivo da razão.
Os portugueses querem reformas, mas dispensam o autoritarismo, a prepotência, a arrogância. E não aceitam mais mentiras, nepotismo, ladroagem.

sábado, março 03, 2007

O medo global

Os que trabalham têm medo de perder o trabalho.
Os que não trabalham têm medo de nunca encontrar trabalho.
Quem não tem medo da fome, tem medo da comida.
Os automobilistas têm medo de caminhar e os peões têm medo de ser atropelados.
A democracia tem medo de recordar e a linguagem tem medo de dizer.
Os civis têm medo dos militares, os militares têm medo da falta de armas.
É o tempo do medo.
Medo da mulher à violência do homem e medo do homem à mulher sem medo.

Eduardo Galeano

sexta-feira, março 02, 2007

Professores humilhados, Educação comprometida

O novo Estatuto da Carreira Docente dos professores do Ensino Básico e Secundário, imposto pelo governo de forma unilateral, prepotente e autoritária, depois de um processo negocial com os sindicatos que não passou de uma farsa, prevê, entre outros "mimos", que os docentes possam ser avaliados pelos encarregados de educação dos seus alunos.
Vai daí, muitos dos encarregados de educação (seguramente, encarregados de qualquer coisa menos de educação…), não têm perdido tempo e têm treinado afincadamente para a sua novel condição de futuros "avaliadores". Que o diga a professora da Escola Primária do Cerco, no Porto, que depois de "avaliada" pela mãe de uma aluna, à porta da escola, teve de receber tratamento hospitalar. Que o diga o professor da Escola Básica do 1º ciclo de Campinas, no Porto, que também não passou sem assistência hospitalar devido ao "entusiasmo" com que o avô de um aluno resolveu "avaliá-lo". Que o digam os 390 professores que no passado ano lectivo foram "avaliados" por esse país fora, em muitos casos, seguramente, por alunos.
Apesar do Código Penal prever o agravamento da pena a quem "avalia" os professores de forma tão "simpática", curiosamente não há memória da aplicação de uma pena de prisão a um encarregado de educação, por exemplo, que tenha "avaliado" um professor dentro da escola ou nas suas imediações.

Em França, o Ministério da Educação Nacional promoveu uma campanha de reabilitação da classe docente subordinada ao lema "Todos devemos algo a um professor".
Ao contrário, por cá, a ministra Maria de Lurdes Rodrigues afirmou "Perdi os professores mas ganhei a população".
Os resultados, esses, começam a estar à vista: o respeito pelos professores bateu no fundo, a sua imagem e a sua dignidade foram irremediavelmente atingidas, e desta forma, a Educação em Portugal ficará seriamente comprometida.

quinta-feira, março 01, 2007

Economia norte-americana: a depressão ao virar da esquina!

Com as vendas a retalho em ponto morto, em Janeiro de 2007, o défice comercial recorde e a revisão em baixa do crescimento, em 2006, a confirmação da desaceleração económica pela Reserva Federal (FED), falências em série dos organismos de empréstimos hipotecários e a continuação do afundamento do sector imobiliário, a economia dos Estados Unidos parece estar, definitiva e irreversivelmente, à beira da crise.
Segundo o n.º 12 do GEAB, as consequências directas desta crise, que se manifestarão de forma exponencial e convergente já a partir do próximo mês de Abril, conduzindo a economia norte-americana a uma forte depressão de consequências imprevisíveis, irão traduzir-se na:
  • aceleração do ritmo e da importância das falências de sociedades financeiras (de uma por semana, hoje, a uma por dia, em Abril);
  • alta espectacular dos arrestos imobiliários (10 milhões de americanos postos no olho da rua);
  • queda acelerada dos preços dos imóveis (25%);
  • entrada em recessão da economia dos EUA;
  • baixa precipitada das taxas da FED;
  • importância crescente dos conflitos comerciais China-EUA;
  • venda, por parte da China, de dólares americanos e o retorno ao comércio efectuado em Yen;
  • queda brutal do dólar americano em relação ao Euro, ao Yuan e ao Yen; e
  • queda da Libra esterlina.
Afinal, a sobreviver à custa dos capitalistas asiáticos que têm vindo a financiar os seus astronómicos défices (orçamental e comercial), a economia norte-americana não passa de um “tigre de papel”, cujo afundamento afectará, pela certa, muitos milhões de americanos.
Só lamento que também possa vir a sobrar para nós!…