terça-feira, novembro 22, 2005

"Prestígio" para Portugal!…

Ao fim de um ano à frente da Comissão Europeia, Durão Barroso é acusado de falta de liderança política e de seguidismo em relação a Tony Blair, sendo ainda considerado um tecnocrata sem alma política que privilegia a desregulação económica.

Ao fim e ao cabo, tudo grandes "qualidades" que já lhe reconhecíamos!…

segunda-feira, novembro 21, 2005

Dia Mundial em Memória das Vítimas na Estrada

Ontem foi o Dia Mundial em Memória das Vítimas na Estrada.

Entre os países da OCDE, ficamos em segundo lugar no número de automóveis por cada 1000 habitantes, com 756 (apenas ultrapassados pelos EUA, com 807), em terceiro lugar no consumo de álcool por cabeça, com 13 litros, mas apenas em décimo oitavo lugar relativamente à rede de estradas.

Se a tudo isto juntarmos um dos mais baixos índices de escolaridade — o que nada ajuda em matéria de educação e civismo — temos reunidas as condições para sermos
os primeiros na sinistralidade automóvel, com 165 mortos na estrada, por cada milhão de habitantes, ou seja, mais de 1600 por ano!

"Dia de vítimas na estrada", em Portugal, é todos os dias! Desgraçadamente…

A indústria da guerra

Dezenas de indivíduos convergiram este verão na cidade de EL Paso, no Texas, com o objectivo de irem seis meses para as prisões iraquianas, não na condição de prisioneiros, mas como “especialistas” de interrogatório, no que representa mais uma flagrante violação da Convenção de Genebra. Só pela assinatura do contrato, estes mercenários receberam desde logo um cheque de $2.000 dólares de uma empresa que rapidamente se está a tornar num dos maiores empregadores no mundo da inteligência: Lockheed Martin, o maior grupo privado mundial, da indústria da guerra.


Antes da partida para o Iraque, é-lhes fornecido um saco do exército dos EUA com os artigos básicos utilizados na guerra do Médio Oriente: calças e camisas apropriadas, camuflados, capacetes de Kevlar e máscaras químicas. Após uma semana de orientação e de exames médicos, voam para a Florida e depois para os seus destinos finais — as infames prisões iraquianas, incluindo Abu Ghraib, Camp Cropper, uma prisão no aeroporto internacional de Bagdade, e o acampamento Whitehorse, perto de Nassiria. (Ler mais aqui).

Longe vão os tempos em que a guerra era um assunto de Estado.
Hoje é uma actividade altamente lucrativa onde os grandes grupos privados investem cada vez mais.

A destruição, o sofrimento, as mortes são apenas "danos colaterais"!…

domingo, novembro 20, 2005

Cavaco, o mesmo de sempre: nada de nada!

Baptista Bastos

"A presença de Cavaco na TVI foi suficiente para assinalarmos nele um homem inseguro, cheio de fragilidades, temente talvez a Deus mas mais, muito mais, ao debate com os homens. Foi uma linguagem redonda e melancólica na qual, por vezes, aflorava a irritação e o desconforto. Nada de nada. E a obstinação dele, em afirmar a sua «independência», longe dos partidos, e, propositadamente, de característica «nacional», constituiu impressionante manifestação de hipocrisia. Assim como a imposição da ideia de que, com ele em Belém, o Governo seria outro, porventura melhor. Pequenos truques de efeitos perversos. O candidato sabe que a Constituição impõe limites à acção do Presidente; e, a não ser que provoque um golpe de Estado constitucional, nada poderá fazer que contrarie as disposições da Carta."
"(...)
Cavaco mete medo, mas Cavaco tem medo. Medo das palavras, medo das interpelações, medo das perguntas, medo do debate, medo do diálogo, medo das multidões, medo das mudanças. Sobretudo medo daqueles que podem comprovar as suas medíocres qualidades para desempenhar um cargo com tradições humanísticas, intelectuais, filosóficas e culturais. Ele é o mesmo de sempre. Nunca deixou de o ser, nunca se converteu num outro."
(Ler tudo aqui).

Cantiga de Maio (6)

O que será

O que será que será
Que andam suspirando pelas alcovas
Que andam sussurrando em versos e trovas
Que andam combinando no breu das tocas
Que anda nas cabeças, anda nas bocas
Que andam acendendo velas nos becos
Estão falando alto pelos botecos
E gritam nos mercados que com certeza
Está na natureza
Será que será
O que não tem certeza nem nunca terá
O que não tem conserto nem nunca terá
O que não tem tamanho

O que será que será
Que vive nas idéias desses amantes
Que cantam os poetas mais delirantes
Que juram os profetas embriagados
Que está na romaria dos mutilados
Que está na fantasia dos infelizes
Está no dia-a-dia das meretrizes
No plano dos bandidos dos desvalidos
Em todos os sentidos, será que será
O que não tem decência nem nunca terá
O que não tem censura nem nunca terá
O que não faz sentido

O que será que será
Que todos os avisos não vão evitar
Porque todos os risos vão desafiar
Porque todos os sinos irão repicar
Porque todos os hinos irão consagrar
E todos os meninos vão desembestar
E todos os destinos irão se encontrar
E mesmo o padre eterno que nunca foi lá
Olhando aquele inferno vai abençoar
O que não tem governo nem nunca terá
O que não tem vergonha nem nunca terá
O que não tem juízo

Chico Buarque

sábado, novembro 19, 2005

Sem palavras (IX)


Greve na Citroën-Javel pela defesa dos direitos adquiridos, Paris, 1938
Willy Ronis


Manifestação — 1916
André Kertész

Qu'importa a fúria do "mar"?…

Apesar da autêntica armadilha que tinha sido montada na véspera, com os “amarelos” da FNE e outros que nem sequer “existem” a aceitarem uma “mão cheia de nada” da ministra da Educação, os professores não se deixaram iludir com promessas vãs de última hora e foram para a luta, como há muito não se via: cerca de 50 por cento das escolas encerradas, uma adesão à greve a rondar os 80 por cento e uma gigantesca manifestação frente ao ME — talvez a maior de sempre — que reuniu cerca de dez mil participantes.
“Candidamente”, Maria de Lurdes Rodrigues limitou-se a reconhecer que a greve "é um direito que os trabalhadores têm para manifestar a sua insatisfação". Significa isto que a luta ainda agora começou e, se é em Maio que começa a luta, com este governo, qualquer mês é… o mês de Maio!

Profissões e azares

Azar! Estar à hora errada no sítio errado, foi “apenas” o que aconteceu, pela última vez, ao militar português que prestava serviço no Afeganistão, depois do carro patrulha em que seguia com mais três camaradas ter feito detonar uma mina.

É esta, sem dúvida, uma profissão de alto risco. Uma profissão que, no entanto, compete a cada um decidir (ou não) abraçar, um risco que cada um é livre de correr (ou não). Mas é, por isso mesmo, uma profissão bem paga. E, quando a morte acontece, a vítima é elevada à condição de herói nacional, com direito a cerimónias protocolares e discurso de Estado.

Já o mesmo não acontece com outras, igualmente dignas, respeitosas e, quiçá, mais úteis, profissões. Quando um agricultor morre dilacerado por uma charrua mecânica, um pedreiro se desfaz no chão após a queda de um andaime ou um pescador é tragado pela fúria inesperada do mar, por muito que estejam a contribuir para a riqueza nacional, ninguém dá qualquer destaque à sua desdita. São enterrados no mais humilde anonimato e… ponto final. Não se fala mais nisso!

quinta-feira, novembro 17, 2005

Quem quer saúde pague-a!

Há dias, o ministro da Saúde anunciou pomposamente a redução em seis por cento do preço de todos os fármacos , mas, ao mesmo tempo acabava com a comparticipação de dez por cento no preço dos genéricos. Contas bem feitas, os utentes passaram a deixar mais dinheiro na farmácia com esta “brilhante” medida.

Agora, Correia de Campos, empenhadíssimo como anda em acabar com o que resta do Serviço Nacional de Saúde e uma vez que o Natal se aproxima, decidiu dar mais uma prenda aos portugueses aumentando as taxas moderadoras.

Razão têm Jerónimo de Sousa e Manuel Alegre quando se insurgem contra a injustiça e a inconstitucionalidade da medida.

Cantiga de Maio (5)

Um Homem na Cidade

Agarro a madrugada
como se fosse uma criança,
uma roseira entrelaçada,
uma videira de esperança.
Tal qual o corpo da cidade
que manhã cedo ensaia a dança
de quem, por força da vontade,
de trabalhar nunca se cansa.
Vou pela rua desta lua
que no meu Tejo acendo cedo,
vou por Lisboa, maré nua
que desagua no Rossio.
Eu sou o homem da cidade
que manhã cedo acorda e canta,
e, por amar a liberdade,
com a cidade se levanta.
Vou pela estrada deslumbrada
da lua cheia de Lisboa
até que a lua apaixonada
cresce na vela da canoa.
Sou a gaivota que derrota
tudo o mau tempo no mar alto.
Eu sou o homem que transporta
a maré povo em sobressalto.
E quando agarro a madrugada,
colho a manhã como uma flor
à beira mágoa desfolhada,
um malmequer azul na cor,
o malmequer da liberdade
que bem me quer como ninguém,
o malmequer desta cidade
que me quer bem, que me quer bem.
Nas minhas mãos a madrugada
abriu a flor de Abril também,
a flor sem medo perfumada
com o aroma que o mar tem,
flor de Lisboa bem amada
que mal me quis, que me quer bem.

José Carlos Ary dos Santos

quarta-feira, novembro 16, 2005

O único

25 anos de “alternância democrática” do PSD e do PS deram nisto: Portugal é o único dos 25 países da União Europeia que regista, simultaneamente, uma taxa de crescimento do PIB inferior à média comunitária e um valor do PIB per capita abaixo da média da UE25. Ou seja, continuamos pobres e, pior do que isso, a atrasarmo-nos cada vez mais. Sós! Sem quaisquer motivos de orgulho…

Sem palavras (VIII)


Braga
Jean Dieuzaide, 1950

terça-feira, novembro 15, 2005

Falar claro

Foi o que fez Jerónimo de Sousa na apresentação da sua candidatura, afirmando que nenhum presidente, até hoje, cumpriu e fez cumprir a Constituição e que, "a pretexto de que aquilo a que se chama o Estado Social se encontra em crise, a política de direita entrega aos grandes grupos e interesses económicos, sob diversas formas, equipamentos de saúde, degrada a escola pública, descapitaliza a Segurança Social, altera de forma injusta e desumana a idade da reforma, penaliza ainda mais os desempregados e os jovens à procura do primeiro emprego, mantém em condições de pobreza extrema a grande massa dos reformados, pensionistas e idosos".

Segundo o candidato comunista, estas são algumas das políticas levadas a cabo nos últimos trinta anos "pela direita e pelo PS", a que "nenhum responsável político, e muito menos um presidente da República, poderá ser indiferente".

Na mouche!

segunda-feira, novembro 14, 2005

Também eu acredito nos portugueses

É ou não verdade que, no seu longo consulado de dez anos, Cavaco beneficiou de condições absolutamente excepcionais, algumas das quais irrepetíveis — avultados fundos comunitários, receitas chorudas da venda de empresas públicas, petróleo a baixo preço, dólar barato, economia internacional em expansão?

É ou não verdade que, Cavaco governou a maior parte do tempo com maiorias absolutas, o que constitui uma inegável vantagem para uma governação eficaz?

É ou não verdade que o betão e o asfalto foram os principais legados do "milagre cavaquista", ficando o CCB para a história como um monumento ao despesismo e à derrapagem orçamental?

É ou não verdade que Cavaco nada fez para combater a corrupção, designadamente no que se refere ao roubo — porque de roubo se tratou! — dos fundos comunitários?

É ou não verdade que, enquanto os fundos comunitários se "evaporaram", as pescas, a agricultura e a indústria (particularmente a têxtil) levaram o "golpe de misericórdia", enfraquecendo seriamente a economia nacional e lançando milhares de trabalhadores no desemprego?

É ou não verdade que o "mago das finanças públicas e do rigor orçamental" nunca conseguiu conter as despesas do Estado e reduzir o défice e, apesar disso, a reforma da Administração e a modernização dos Serviços Públicos ficou por fazer?

É ou não verdade que Cavaco, apesar de ter gozado de condições de governabilidade excepcionais, foi incapaz de colocar o país na rota do desenvolvimento (tendo antes aberto o caminho para o seu irremediável afundamento na cauda da Europa) enquanto outros (Irlanda, Espanha), quiçá com condições menos favoráveis, conseguiram desenvolver-se?

Claro que tudo isto é inquestionavelmente verdade!

É por isso que, tal como Cavaco, também eu “Acredito que os portugueses saberão distinguir um dos candidatos. Perante a situação difícil que Portugal atravessa, eles vão ter o bom senso e sabedoria para escolher aquele que consideram o candidato mais adequado para ajudar a resolver os problemas do país.

Só que, por tudo o que fez (e também pelo que não fez), não pode ser Cavaco o escolhido!…

domingo, novembro 13, 2005

Era sempre Natal, mas só para alguns

Sátira delirante e impiedosa ao "milagre cavaquista", "The great portuguese disaster, 1985-1995".
A não perder! Sobretudo por aqueles que tenham a memória curta ou sofram de amnésia.
Ler
aqui.

sábado, novembro 12, 2005

São como cristal, as palavras (4)

La poesía es un arma cargada de futuro


Cuando ya nada se espera personalmente exaltante
mas se palpita y se sigue más acá de la conciencia,
fieramente existiendo, ciegamente afirmando,
como un pulso que golpea las tinieblas,

cuando se miran de frente
los vertiginosos ojos claros de la muerte,
se dicen las verdades:
las bárbaras, terribles, amorosas crueldades:

(...)

(...)

Poesía para el pobre, poesía necesaria
como el pan de cada día,
como el aire que exigimos trece veces por minuto,
para ser y en tanto somos dar un sí que glorifica.

Porque vivimos a golpes, porque apenas si nos dejan
decir que somos quienes somos,
nuestros cantares no pueden ser sin pecado un adorno.
Estamos tocando el fondo.

Maldigo la poesía concebida como un lujo
cultural por los neutrales
que, lavándose las manos, se desentienden y evaden.
Maldigo la poesía de quien no toma partido hasta mancharse.

Hago mías las faltas. Siento en mí a cuantos sufren
y canto respirando.
Canto, y canto, y cantando más allá de mis penas
personales, me ensancho.

Quisiera daros vida, provocar nuevos actos,
y calculo por eso con técnica, qué puedo.
Me siento un ingeniero del verso y un obrero
que trabaja con otros a España en sus aceros.

(...)

No es una poesía gota a gota pensada.
No es un bello producto. No es un fruto perfecto.
(...)

(...)
Son lo más necesario: Lo que no tiene nombre.
Son gritos en el cielo, y en la tierra, son actos.

Gabriel Celaya, "Poesía urgente"

sexta-feira, novembro 11, 2005

Alegre sobe, candidato-esfinge desce

Segundo a última sondagem Correio da Manhã/ Aximage, o cenário das intenções de voto para as presidenciais continua ainda desfavorável à Esquerda mas a tendência é para melhorar.

Cavaco, o candidato-esfinge, fazendo jus ao aforismo popular “o calado vence tudo”, vai tentando manter-se em silêncio porque já percebeu que quando fala desce nas sondagens: caiu de 56,7 para 52,7 por cento.

À Esquerda, todos registaram subidas, com destaque para Manuel Alegre que é, definitivamente, aquele que cada vez mais se apresenta em melhores condições para defrontar e derrotar (por que não?) “o homem que nunca se engana e raramente tem dúvidas”.
É que a verdadeira sondagem será só em 22 de Janeiro e, até lá, Cavaco não pode permanecer mudo!…

ONU vota fim do bloqueio a Cuba

Mais uma resolução — a décima quarta — exigindo o fim do bloqueio económico, comercial e financeiro imposto pelos EUA a Cuba, desde o início dos anos 60, foi aprovada na Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque, no passado dia 8.

Dos 191 países representados na Assembleia Geral, apenas quatro votaram contra a resolução (Estados Unidos, Israel, Palau e Ilhas Marshall), um absteve-se (Micronésia) e uma esmagadora maioria de 186 votaram favoravelmente, no que constituiu o resultado mais retumbante de quantos se verificaram até aqui.

Trinidade, Cuba/ 2003

A resolução agora aprovada condena também os efeitos extraterritoriais da lei Helms-Burton, promulgada em Março de 1996, que prevê castigos às empresas estrangeiras com negócios nos EUA que estabeleçam laços comerciais com Cuba, e proíbe a entrada nos "States" de directores dessas companhias.

Se os EUA fossem um pais, decente, democrático e respeitador do direito internacional e das decisões das Nações Unidas, há muito tinham acabado com esta vergonhosa e intolerável ingerência nos assuntos internos de um país soberano. Como assim não acontece, como há bem pouco tempo ficou provado com a invasão prepotente e ilegal do Iraque, receio bem que estejamos perante mais uma vitória meramente simbólica da comunidade internacional…

Cantiga de Maio (4)

A vida é feita de pequenos nadas

(Segunda-feira
trabalhei de olhos fechados
na terça-feira
acordei impaciente
na quarta-feira
vi os meus braços revoltados
na quinta-feira
lutei com a minha gente
na sexta-feira
soube que ia continuar
no sábado
fui à feira do lugar
mais uma corrida, mais uma viagem
fim-de-semana é para ganhar coragem)

muito boa noite, senhoras e senhores
muito boa noite, meninos e meninas
muito boa noite, Manueis e Joaquinas
enfim, boa noite, gente de todas as cores
e feitios e medidas
e perdoem-me as pessoas
que ficaram esquecidas
boa noite, amigos, companheiros, camaradas
a vida é feita de pequenos nadas
a vida é feita de pequenos nadas

Somos tantos a não ter quase nada
porque há uns poucos que têm quase tudo
mas nada vale protestar
o melhor ainda é ser mudo
isto diz de um gabinete
quem acha que o casse-tête
é a melhor das soluções
para resolver situações
delicadas
a vida é feita de pequenos nadas

E o que é certo
é que os que têm quase tudo
devem tudo aos que têm muito pouco
mas fechem bem esses ouvidos
que o melhor ainda é ser mouco
isto diz paternalmente
quem acha que é ponto assente
que isto nunca vai mudar
e que o melhor é começar a apanhar
umas chapadas
a vida é feita de pequenos nadas

Ouvi dizer que quase tudo vale pouco
quem o diz não vale mesmo nada
porque não julguem que a gente
vai ficar aqui especada
à espera que a solução
seja servida em boião
com um rótulo: Veneno!
é para tomar desde pequeno
às colheradas
a vida é feita de pequenos nadas
boa noite, amigos, companheiros, camaradas
a vida é feita de pequenos nadas.

Sérgio Godinho, Pano Crú, 1978