segunda-feira, dezembro 12, 2005

Até Luís Delgado reconheceu…

Quem tenha assistido ao debate entre Cavaco Silva e Francisco Louçã, na TVI, com o mínimo de seriedade, é forçado a admitir que o deputado do Bloco de Esquerda fez o candidato da Direita passar um mau bocado.
Até mesmo 0 "propagandista neo-liberal" Luís Delgado, adepto confesso de Cavaco, reconhece que este perdeu o debate, atribuindo-lhe apenas 3, 5 pontos enquanto a Louçã deu 4!…

domingo, dezembro 11, 2005

Arruaça na campanha

"Um antigo combatente da guerra colonial insultou e agrediu neste domingo em Barcelos o candidato a Presidente da República Mário Soares, apelidando-o de "vigarista" devido ao seu papel na descolonização." (SIC online)


Estas atitudes, que de democrático nada têm e só contribuem para confundir o eleitorado, são sempre de condenar, venham da Esquerda (como na Marinha, em 1985), ou da (Extrema-)Direita, como no caso presente!

No entanto as situações parecem-me bem distintas.
Desde logo, como atrás referi, nas motivações ideológicas que lhe estão subjacentes.
E depois, porque, enquanto na Marinha Grande a agressão foi a expressão colectiva do descontentamento das massas contra a anterior governação impopular de Soares, agora resultou da acção desesperada, mas individual, de um saudosista do colonialismo, há muito condenado pela História, em todo o mundo.

Portanto, não acredito — e não espero, como apoiante de Alegre — que o Dr. Mário Soares venha a tirar dividendos eleitorais deste episódio, mas aproveito para lhe testemunhar a minha solidariedade democrática!

São sempre os mesmos a "pagar as favas"

Os trabalhadores portugueses podem não ser os melhores do mundo mas, devidamente dirigidos e enquadrados, pedem meças a quaisquer outros!…
Já os "nossos" empresários e gestores é o que se vê. Os primeiros não funcionam (?) sem subsídios, contenção salarial, isenção fiscal (quando não recorrem mesmo à fuga ao fisco e às contribuições para a Segurança Social, ou até ao branqueamento de capitais…). Os segundos, cuja competência, eficácia e responsabilidade tanto deixam a desejar, ganham frequentemente mais que os seus colegas de países bem mais ricos, mais até que alguns craques da bola (talvez porque aquilo que fazem não seja assim tão diferente do pontapé no "coiro"… neste caso, no "nosso" coiro!).
Enfim, certo certo é que, 30 anos de "alternância democrática" e "centrão gelatinoso" deram nisto: Portugal é um pântano sem Futuro onde são sempre os mesmos a "pagar as favas". Nós!…
O que nos vale (?) é sermos "um povo de brandos costumes"! Se assim não fosse, há muito já teria havido "festa rija" e "fogo de artifício"…

Jerónimo e Soares: a mesma "luta"!

É lamentável, é triste, é incompreensível, que, segundo as sondagens, uma parte significativa dos eleitores comunistas, à segunda volta (se é que não é já à primeira…) vá votar Cavaco, chegando ao cúmulo de, se fosse Soares a enfrentá-lo, darem apenas pouco mais de 40 por cento dos seus votos ao candidato do PS e quase 50 por cento ao candidato da Direita. Com Alegre, apesar de tudo, os comunistas portar-se-iam bem melhor e dar-lhe-iam quase 70 por cento dos seus votos.
Indiferente a esta "calamidade", Jerónimo prefere continuar a "bater" em Alegre, seguindo o exemplo de Soares. Será que existe algum acordo entre os dois, que nós desconheçamos?
A acompanhar com atenção os próximos capítulos…

sábado, dezembro 10, 2005

O Contraditório

Os nossos inimigos… nunca deixam de pensar em novas formas de fazer mal ao nosso país e ao nosso povo, e nós também não.

Our enemies...never stop thinking about new ways to harm our country and our people, and neither do we.

George W. Bush




Todos estão preocupados em pôr fim ao terrorismo. Bem, há uma maneira realmente fácil: deixar de participar nele.

Everybody's worried about stopping terrorism. Well, there's a really easy way: stop participating in it.

Noam Chomsky

A mentira não resultará

Mário Soares, candidato presidencial apoiado pelo Partido Socialista, acusou Manuel Alegre e Cavaco Silva de andarem a "vender gato por lebre quando dizem que não são políticos, que não são apoiados por partidos", mas mentiu.
Não em relação a Cavaco. Mas no que a Alegre diz respeito. Primeiro, porque nunca ninguém ouviu Manuel Alegre afirmar que não é político, antes pelo contrário, que tem muita honra em sê-lo. E depois, porque a sua candidatura é rigorosamente apartidária e apoiada apenas por cidadãos.
O Dr. Mário Soares mentiu, portanto, e certamente vai continuar a mentir, na tentativa desesperada de caçar votos para ir à segunda volta. Mas desta vez não vai conseguir. 1985 não se repetirá.
Contra a vontade dos directórios partidários, Manuel Alegre passará à segunda volta e irá ser eleito Presidente da República. Por vontade dos cidadãos.

sexta-feira, dezembro 09, 2005

Elogios mútuos

No debate entre Mário Soares e Jerónimo de Sousa não houve grandes divergências. E até houve elogios.
Soares que, segundo algumas sondagens, num hipotético cenário de segunda volta, obteria menos votos dos comunistas que Cavaco, classificou-os como “um eleitorado consciente” e o seu líder como “inteligente”, numa tentativa descarada e não muito ética de inverter aquela tendência.
Jerónimo haveria de declarar que gostou do segundo mandato presidencial de Soares, tudo levando a crer que se prepara para lhe estender a passadeira.
E ainda dizem que o debate Alegre – Cavaco foi morno!… E este foi o quê?…

quinta-feira, dezembro 08, 2005

John Lennon forever!

J. Lennon - Imagine


Há 25 anos tiraram-te cobardemente a vida, mas as tuas palavras, essas ninguém as apagará da nossa memória. Porque nos falam de paz e solidariedade, de partilha e fraternidade. Porque nos falam da utopia de um mundo novo:

Imaginem que o paraíso não existe
(É fácil se tentarem)
Sem inferno por baixo
E por cima apenas o céu
Imaginem toda a gente
A viver o dia a dia

Imaginem que não há países
(Tentem, não é difícil)
Que não existe nada por que se mate ou se morra
Nem religião também
Imaginem toda a gente
Vivendo a vida em paz...

Imaginem que a propriedade não existe
Admiro-vos se forem capazes
A ganância ou a fome não fazem qualquer falta
Todos os homens são irmãos
Imaginem toda a gente
Partilhando o mundo inteiro...

Podem dizer que sou um sonhador
Mas não sou o único
Espero que um dia nos juntemos todos
E o mundo será apenas um

Portugal Melhor, precisa-se!

A competitividade e a sobrevivência da nossa economia, da qual depende certamente a continuidade de Portugal enquanto nação soberana, só será possível com uma estratégia que privilegie a qualidade e a excelência, e nunca a quantidade e a massificação que caracterizam as economias que recorrem à sobre-exploração dos trabalhadores.
De resto, no debate com Alegre, Cavaco reconheceu ter dado "muita atenção à quantidade" e menos à "qualidade", quando foi primeiro-ministro.
Então porque é que, no slogan da sua campanha, volta a cometer o mesmo erro e a defender um “Portugal Maior”?…

Pois é, senhor professor, o que nós precisamos é de um PORTUGAL MELHOR… com Alegre na Presidência! Claro!…

Cantiga de Maio (7)

Utopia


Cidade
Sem muros nem ameias
Gente igual por dentro
Gente igual por fora
Onde a folha da palma
afaga a cantaria
Cidade do homem
Não do lobo, mas irmão
Capital da alegria

Braço que dormes
nos braços do rio
Toma o fruto da terra
É teu a ti o deves
lança o teu desafio


Homem que olhas nos olhos
que não negas
o sorriso, a palavra forte e justa
Homem para quem
o nada disto custa
Será que existe
lá para os lados do oriente
Este rio, este rumo, esta gaivota
Que outro fumo deverei seguir
na minha rota?


Zeca Afonso, "Como se fora seu filho", 1983

quarta-feira, dezembro 07, 2005

O Expresso apoia Cavaco?

Um "estudo de opinião", levado a cabo pela Eurosondagem, entre as 22h e as 23h15 da passada segunda feira, concluiu que para 27,3 por cento dos inquiridos Cavaco Silva ganhou o debate presidencial, enquanto 15,7 por cento acharam que foi Manuel Alegre o vencedor.
No entanto, mais de metade dos inquiridos — 57 por cento — responderam não ter visto o debate, não saber qual dos candidatos saiu vencedor, ou ainda, que não queriam responder.
Então, se a maioria das pessoas sondadas efectivamente não se pronunciou, como é que um jornal pode titular que "Cavaco saiu-se melhor"? Só se estiver a fazer campanha pelo candidato da Direita, claro!…

Comunistas a votar na Direita??? Argh…

Segundo esta sondagem, num cenário de segunda volta contra Cavaco, Manuel Alegre teria melhor resultado que Mário Soares sendo que os votos que recolheria a mais viriam, sobretudo, da CDU. Até aqui, tudo bem.
Por outro lado, se fosse Alegre a concorrer contra Cavaco, 67,8 por cento dos comunistas votaria no candidato da Esquerda, o que, ainda assim, se aceita. Mas, no caso de um confronto Cavaco - Soares, apenas 41,6 por cento dos comunistas votaria no candidato do PS, enquanto 48,2 por cento daria o seu voto ao candidato da Direita!
Ó camarada Jerónimo, mas o que é isto? Já não há comunistas como os de antigamente!… Perderam a memória, a decência ou ambas as coisas!… Votar no inimigo???…


terça-feira, dezembro 06, 2005

3=4

Ontem à noite, na SIC, o professor Cavaco, aquele que raramente tem dúvidas e nunca se engana, disse e repetiu, gesticulando com os dedos, que não há desenvolvimento sem estas três partes: económica, social, ambiental e cultural.

Alegre: perfil presidencial

Foi bom ver e ouvir Manuel Alegre, com a voz vibrante e timbrada que o distingue, afirmar ontem à noite, na SIC, que é um homem de esquerda que se dirige a todos os que acreditam nos valores da pátria, da liberdade e da democracia para o ajudarem a vencer o candidato que representa o centro-direita.
Mais relevante, no entanto, foi ter contrastado, de forma serena mas transparente, a sua concepção humanista e social da politica com a de Cavaco, que considerou economicista e tecnocrática.
De resto, Alegre foi claro em todas as questões abordadas. Desde a cooperação institucional com os outros órgãos de soberania (que Cavaco chama de “estratégica” e não consegue explicar o que é) até ao comando e à participação das Forças Armadas em conflitos internacionais, do funcionamento da Justiça e da actuação do PGR até ao modelo de União e Constituição Europeia, passando pelo projecto-OTA, Alegre demarcou-se inequivocamente do seu adversário, que, umas vezes, como é seu hábito, mostrou não ter opinião, outras, mais não conseguiu do que balbuciar que estava “de acordo com o deputado Manuel Alegre” (depois do tabu do silêncio, agora até concorda com o adversário — com Cavaco, a caça ao voto não tem limites e a falta de pudor também não).
Em conclusão (ideologia à parte): o candidato da Esquerda mostrou ser o único com um verdadeiro perfil presidencial! Só não viu quem não quer ver!…

segunda-feira, dezembro 05, 2005

São como cristal, as palavras (5)

Privatizado

Privatizaram a tua vida, o teu trabalho, a tua hora de amar e o teu direito de pensar.
É da empresa privada o teu passo em frente,
o teu pão e o teu salário. E agora, não contentes, querem
privatizar o conhecimento, a sabedoria,
o pensamento, que só à humanidade pertence.


Os que lutam

Há aqueles que lutam um dia e por isso são bons.
Há aqueles que lutam muitos dias e por isso são muito bons.
Há aqueles que lutam anos e são melhores ainda.
Porém, há aqueles que lutam toda a vida; esses são imprescindíveis.


Bertolt Brecht (1898-1956)

domingo, dezembro 04, 2005

Sem palavras (X)






Balão Vermelho (1922)
Paul Klee

Votar Alegre! Pela Esquerda, obviamente.

Na corrida à Presidência da República, a Direita está unida. Pelo menos aparentemente.
Marcelo nunca se assumiu verdadeiramente, Santana, por mais que fale, já ninguém o leva a sério e Portas escondeu o ódio de estimação pelo professor Cavaco. Assim, do PSD ao CDS/ PP, do centro-direita à extrema-direita, dos autodenominados sociais-democratas aos liberais e neo-liberais, não esquecendo o capital financeiro, todos estão com a candidatura de Cavaco Silva, tentando tudo por tudo para que, pela primeira vez em trinta anos de regime democrático, a Direita se instale em Belém e, pior do que isso, como alguns já defendem abertamente, “assalte” o Poder através da subversão da Constituição da República e da adopção de um sistema presidencialista.

Deste lado — o nosso lado — a Esquerda apresenta-se na sua pluralidade e diversidade, o que em si não teria qualquer mal se os seus vários candidatos não gastassem tempo e energias a atacarem-se mutuamente em vez de assestarem as baterias na candidatura da Direita. São horas de os candidatos da Esquerda perceberem que tem de ser muito mais aquilo que os une do que aquilo que os separa e que o seu principal adversário está do outro lado da barricada e chama-se Aníbal Cavaco Silva.

Nós, cantores do Maio, há muito elegemos Cavaco como o candidato a derrotar. Depois, descobrimos na candidatura livre e apartidária de Manuel Alegre a melhor opção para afirmarmos livremente a nossa cidadania e a nossa convicção nos ideais da Esquerda. Mas queremos que fique claro que, embora acreditemos que seja Manuel Alegre a disputar a segunda volta com Cavaco, se tal não se verificar, daremos o nosso voto a qualquer dos outros candidatos da Esquerda: Francisco Louçã, Jerónimo de Sousa ou mesmo Mário Soares. Pela Liberdade, pela Democracia, contra o revanchismo da Direita, "engoliremos os sapos" que forem precisos!

Maio e A. Malva

sábado, dezembro 03, 2005

Estados Unidos: olho por olho…

Ontem, às duas horas da tarde, Kenneth Lee Boyd, de 57 anos, tornou-se o 1000.º condenado executado nos Estados Unidos, nos últimos trinta anos.
Os Estados Unidos são uma das escassas "democracias" constitutionais que executam condenados. Juntamente com a China, o Irão e o Vietname, é um dos países com o número mais elevado de execuções, em 2004.
Pelo contrário, o Conselho da Europa proibiu a pena de morte em todos os seus 46 Estados-membros e a abolição da pena de morte é um dos requisitos para um Estado ser admitido na União Europeia.
Não está provado que a pena de morte reduza o crime. Na realidade, na América, a taxa de assassinato em estados onde vigora a pena de morte é 44 por cento mais elevada do que nos estados onde a pena capital não existe. E os Estados Unidos têm uma taxa de homicídio quatro vezes maior que a da Europa, que não executa qualquer criminoso, por mais grave que seja o crime de que é culpado.
Por que persistem então os Estados Unidos na aplicação da pena de morte?
A nosso ver, para além de uma questão de direitos humanos (ou da sua negação), trata-se, antes do mais, de um problema cultural. Os Estados Unidos são um "jovem" país, com pouco mais de duzentos anos, edificado, desde os tempos do Far-west, com base na "Lei da bala" e da "corda".
Não admira, por isso, que o xerife pistoleiro Bush, um dos maiores criminosos de guerra dos nossos dias, apoie "firmemente" a pena de morte! Está-lhe nos genes…

sexta-feira, dezembro 02, 2005

Cavaco segundo Jerónimo

Jerónimo de Sousa não desarma e adverte que Cavaco faz mal… ao país:

Finge ser independente, mas tem na sua comissão política e núcleo duro a direita mais interesseira e retrógrada.

Finge não ter opinião sobre os problemas concretos da actual governação para não perder votos.

Foi e é o candidato do grande capital económico e financeiro, que muito mal fez aos trabalhadores e ao país.

Foi o responsável pela destruição da agricultura, das pescas e da indústria, deixando o país numa profunda crise.

Pela sua saúde, não vote Cavaco!

quinta-feira, dezembro 01, 2005

A Guerra

"A bipolarização Cavaco-Soares, que tem formatado a comunicação social até aqui, só existe nos alinhamentos televisivos, nos títulos de alguns jornais e na cabeça dos responsáveis da Eurosondagem. Por que será?"

Em primeiro lugar, porque estamos numa democracia partidarizada que favorece as clientelas e estimula o arrebanhamento, marginalizando e estiolando a participação cívica e política autónoma dos cidadãos.

Depois, porque a democracia é cada vez mais uma plutocracia onde a soberania popular é condicionada ou mesmo subvertida pelo poder do capital que, em última instância, é quem define a linha editorial das empresas privadas de comunicação.

E, por fim, porque as empresas públicas de comunicação, devidamente governamentalizadas e arregimentadas, cumprem zelosamente o seu papel de centrais de propaganda do poder vigente.

Esta guerra, porque de guerra se trata, é um ataque cerrado à Cidadania e à Democracia, mas agora, mais do que nunca, é preciso seguirmos o exemplo de Manuel Alegre: não deixaremos pôr em causa a Democracia, não deixaremos que nos intimidem, não desistiremos! Nunca!…