quinta-feira, abril 12, 2007

De pé atrás, cada vez mais!…

Pronto. Lá ficámos a saber, numa "entrevista" feita à sua medida, que o senhor primeiro-ministro, afinal, é licenciado em engenharia civil por aquela universidade que o seu governo mandou encerrar por "degradação pedagógica".
O que, provavelmente, nunca saberemos é por que é que, das cinco cadeiras que fez na Uni, quatro foram feitas com o mesmo professor, cuja nomeação como assessor no governo de Guterres viria mais tarde a assinar, ou ainda, como é que as classificações de quatro das cadeiras feitas foram lançadas no mesmo dia, em Agosto!…
Mas, para o senhor primeiro-ministro, "um aluno não é responsável pelo funcionamento de uma universidade".
Pois… Apesar das trapalhadas, irregularidades, relações duvidosas, para um aluno, o importante é concluir o seu curso. Mesmo que se tratasse de José Sócrates, futuro ministro e primeiro-ministro, e portanto, responsável pelo funcionamento de todas as universidades!

Enfim, num país onde tanto valor se dá aos penduricalhos académicos, Sócrates admitiu que, afinal, não é engenheiro, mas provou que é doutor. Uma coisa bem mais importante ficou, no entanto, por esclarecer, como pediu Louçã: se favoreceu ou foi favorecido pela Independente. Mas isso nem a melhor das entrevistas alguma vez esclarecerá. Só uma séria investigação, que nunca será levada a cabo.
Num país com um Estado minado por interesses clientelares, as palavras dos governantes valem cada vez menos! Razão temos nós para estar de pé atrás, cada vez mais!…

segunda-feira, abril 09, 2007

Iraque: 4 anos de ocupação e de resistência

Tens of thousands of protesters loyal to the militant Shiite cleric Moktada al-Sadr took to the streets of the holy city of Najaf on Monday in an extraordinarily disciplined rally to demand an end to the American military presence in Iraq, burning American flags and chanting “Death to America.” [NY Times]

Longe vão os tempos em que os americanos sonhavam ser recebidos em festa pelos iraquianos, em sinal de agradecimento pela sua libertação.
Hoje, quatro anos após a invasão ilegal e criminosa do Iraque, que provocou o genocídio de centenas de milhares dos seus habitantes e permitiu a pilhagem dos seus recursos naturais, os iraquianos exigem a retirada dos invasores e, no calor da revolta, queimam a "stars & stripes" e gritam "Morte à América".
Pode parecer excessivo mas, depois de todo o mal que lhe têm feito, é compreensível.
E não esqueçamos quem foi o verdadeiro culpado de tudo isto: GW Bush, um criminoso de guerra que, infelizmente, ficará impune.

domingo, abril 08, 2007

Problemas

1.
O problema não é um primeiro-ministro não ser engenheiro ou licenciado no que quer que seja.
O problema é fazer-se passar por tal, como todas as notícias até agora publicadas levam a supor.
Se isso for efectivamente verdade, depois do rigor e seriedade que exige aos outros, parece que só restará mesmo a José Sócrates fazer duas coisas: pedir desculpas e apresentar a demissão.

2.
A nomeação de alguém devidamente qualificado e da confiança política do Governo para o conselho de administração de uma empresa pública não é um problema nem deve constituir motivo de polémica.
Problema, que pode atingir foros de escândalo, é quando essa nomeação recai em comissários políticos sem a adequada experiência profissional, cuja habilitação académica, ainda por cima, poderá ter sido obtida de forma, no mínimo, pouco transparente, como parece ser o caso de Armando Vara.
Estamos ainda longe — ou talvez não… — de perceber os verdadeiros contornos da dependência da Universidade (In)dependente!…

segunda-feira, abril 02, 2007

Etanol, crime contra a Humanidade

O Diabo recusa-se a regular a emissão de gases com efeito de estufa mas agora, que lhe resta cada vez menos petróleo na sua terra e o controlo do petróleo dos outros é-lhe cada vez mais difícil, mascarou-se de pseudo-ambientalista e decidiu virar-se para o negócio do etanol.
Etanol que não será a solução para combater o dramático e urgente problema do aquecimento global e cuja produção agravará a já precária subsistência alimentar de milhões de seres humanos.
Razão tem o velho Comandante quando considera sinistra e trágica a ideia de transformar alimentos em combustíveis, e adverte que, se se der financiamentos para os países pobres produzirem etanol a partir do milho ou qualquer tipo de alimento, não sobrará uma árvore para defender a humanidade da mudança climática.
Mas, de um genocida como Bush, que outra coisa podemos esperar senão crimes contra a Humanidade?

Diplomacia ou "nova" guerra preventiva?

Depois dos crimes em que recentemente envolveu a Inglaterra — invasão ilegal e genocida de um país, que causou a morte de centenas de milhares de civis, com o objectivo de garantir a continuação do saque do seu petróleo pelas companhias ocidentais — agora, que 15 marinheiros ingleses tiveram o azar de ser feitos prisioneiros por terem entrado indevidamente em águas territoriais do Irão, não ficaria mal a Blair assumir a responsabilidade pelo erro e dele pedir desculpas.
Mas será que vai ser capaz de o fazer?
Ou será que isto irá ser um pretexto para justificar mais uma miserável guerra preventiva do pistoleiro Bush a um país que, como o Iraque de Saddam, não está disposto a vender-lhe petróleo e, ainda por cima, prefere o euro ao dólar?
Aguardemos, pois…

domingo, abril 01, 2007

O canudo de Sócrates

Mais importante do que as habilitações académicas do primeiro-ministro, que estão a ser um dos temas mais apetecidos da blogosfera e da comunicação social, é a forma obsessivamente economicista (e tendenciosa) como José Sócrates tem governado o país, com consequências preocupantes no fraco crescimento da economia e no agravamento das condições de vida da maioria da população.
Mas, quando o governo tanto tem insistido em reformar o nosso sistema educativo (diga-se, de passagem, de forma prepotente e sem cuidar de gerar os desejáveis consensos) e elevar o nível de escolaridade dos trabalhadores portugueses, não é um bom exemplo para os estudantes e para todos aqueles que, nas mais diversas situações escolares e profissionais, têm de ser devidamente avaliados, a forma, no mínimo, duvidosa, pouco transparente e pouco credível — talvez mesmo pouco séria — como o actual primeiro-ministro de Portugal terá conseguido o diploma da sua licenciatura em Engenharia Civil (como se pode ler aqui e aqui).
Se o exemplo colhe e a moda pega, o que passa a interessar é a obtenção dum canudo. Qualquer que ele seja. A qualificação será apenas um pretexto…

sábado, março 31, 2007

"Alternância democrática": todos diferentes, todos iguais!

Uma auditoria do Tribunal de Contas (TC) aos gabinetes ministeriais e dos primeiros-ministros dos últimos três governos confirma aquilo que a maior parte de nós já sabia ou suspeitava: a falta de transparência nos processos de admissão de funcionários, a total discricionaridade na tabela salarial e a ilegalidade de muitas das práticas adoptadas.
Por outras palavras… Para satisfazer as respectivas clientelas, os governos de Barroso, de Santana e de Sócrates contrataram quem quiseram, como quiseram, quanto quiseram e quando quiseram. Pagaram remunerações escandalosas, muitas vezes superiores às dos ministros ou mesmo do primeiro-ministro. E fizeram tudo isso, as mais das vezes, sem suporte legal e a indispensável publicação no Diário da República. Como se não estivéssemos num Estado de direito, mas antes numa qualquer "república das bananas".

Mas o TC afirma ainda que estes governos adoptaram a prática sistemática e anómala de inscrever, como despesa dos gabinetes governamentais, verbas muito substanciais, destinadas a ser transferidas para as mais diversas entidades, públicas e privadas, estranhas a qualquer tipo de apoio aos gabinetes governamentais e sem a mínima contrapartida para os mesmos. Passaram assim, de uma despesa real com pessoal e funcionamento, de 216,3 milhões de euros, para um autêntico saco azul de 12,5 mil milhões de euros, verba quatro vezes maior que o custo previsto do aeroporto da Ota!

Apesar de a OCDE aconselhar Portugal a ser mais activo na luta contra a corrupção, com governos tão exemplares como são estes, na falta de transparência e de rigor, é duvidoso que o nosso país consiga sair rapidamente do pântano onde se encontra (o meio mais propício, como é sabido, para as sanguessugas)!…
São faces da mesma moeda, a "alternância democrática", como gostam de se auto-designar: todos diferentes, todos iguais!

sexta-feira, março 30, 2007

Escola privada, para que te quero?

Ora aqui está uma boa notícia!
É que, sempre me recusei a aceitar a abertura à iniciativa privada de sectores cujo objectivo não pode ser, de forma alguma, a rentabilidade financeira e o lucro, mas antes a qualidade e seriedade do serviço que prestam. Como o prova o caso da chamada Universidade Independente (afinal, dependente de interesses que nada tinham a ver com os dos alunos que a frequentavam).

Dar à luz em regime ambulatório

Em consequência da sanha economicista do governo, que levou ao encerramento de diversas maternidades por todo o país, muitos dos nascituros portugueses têm grandes probabilidades de vir a nascer a meio de uma corrida numa qualquer estrada ou auto-estrada.
Foi o que aconteceu recentemente, já por duas vezes, na A 14, que liga a Figueira da Foz a Coimbra.
Mas, como não há duas sem três — e muitas mais hão-de haver — mais um parto ocorreu antes de se chegar à maternidade, em Coimbra. Desta vez nem foi possível alcançar a A 14: o bebé nasceu na garagem de um prédio, em Buarcos!
É o que se pode chamar de maternidade em regime ambulatório.

Por enquanto, com a nossa proverbial capacidade de improviso, vamo-nos desenrascando!
Oxalá não venhamos a pagar caro tanta poupança orçamental!…

quinta-feira, março 29, 2007

Fascismo nunca mais!

Seguindo na esteira dos fascistas da Frente Nacional, que reclamam "a França para os franceses", o dejecto político auto denominado Partido Nacional Renovador colocou um cartaz no centro de Lisboa em que defende um "Portugal para os portugueses" e que "basta de imigração".
Os rapazolas do PNR estão, pelos vistos, incomodados com os cerca de 400 mil imigrantes que escolheram o nosso país para fazer pela vida, mas "esquecem" que eles contribuem com cerca de 500 milhões de euros para a nossa produção. E esquecem que Portugal, que foi, desde sempre, o país da diáspora, ainda hoje tem mais de 4 milhões e 500 mil emigrantes espalhados pelos quatro cantos do mundo, 1 milhão dos quais precisamente em… França (o chefe do bando "esqueceu-se" até que ele próprio também foi emigrante).
Racistas e xenófobos da pior espécie, é o que eles são!
A Constituição da República Portuguesa, no ponto 4 do Artigo 46.º, diz expressamente que "Não são consentidas […] organizações racistas ou que perfilhem a ideologia fascista."
Por que espera, então, o Estado democrático para fazer cumprir a Lei?

O charlatão

É entrar, senhorias
a ver o que cá se lavra
sete ratos, três enguias
uma cabra abracadabra

Sérgio Godinho


Ele continua a andar por aí. Hoje à noite, vai estar no Café Nicola para falar dos problemas que não resolveu e dos que arranjou.

quarta-feira, março 28, 2007

Arte de furtar

O Estado vai indicar para gestor da REN um ex-quadro da Galp, que recebeu cerca de meio milhão de euros de indemnização, quando saiu da petrolífera, há menos de um ano.
No entanto, para o Ministério das Finanças, a situação é considerada normal porque não envolve duas empresas públicas, uma vez que, na altura em que o gestor saiu da Galp, o Estado já só detinha um terço do capital da empresa.

E esta, heim?…
Na cleptocracia portuguesa, a arte de furtar não tem limites! E a vergonha também não!…

terça-feira, março 27, 2007

Atar o ganho na ponta do lenço!

1. Em Portugal, o Rendimento Nacional Bruto (RNB) é já bastante inferior ao Produto Interno Bruto (PIB). Em 2006, a preços correntes, o PIB atingiu 155.289 milhões de euros, enquanto o RNB foi apenas de 149.111 milhões de euros. Isto deve-se à transferência de uma parcela crescente da riqueza criada no País, para o estrangeiro. Só nos dois anos de governo de Sócrates, essa parcela aumentou 113,4%, passando de 2.894,3 milhões de euros para 6.177,5 milhões de euros. Isto mostra como o domínio da economia portuguesa pelos grandes grupos económicos estrangeiros cresceu significativamente nos dois anos do actual governo do PS.
Esta expatriação de uma parte cada vez maior da riqueza criada em Portugal, determina que o valor que fica, por cada português, seja inferior ao que se calcula tomando como base o PIB. Com efeito, utilizando dados do PIB e do RNB, a preços constantes de 2000, conclui-se que, entre 2004 e 2006, o PIB por habitante aumentou apenas em 1%, mas o RNB por habitante diminuiu efectivamente em -1%. Estes dados revelam que o crescimento da riqueza em Portugal é de tal forma reduzido que, com esta sangria para o exterior, podemos até concluir que os portugueses estão a empobrecer.

2. Uma das principais causas do reduzido crescimento económico e do aumento significativo do desemprego é a quebra continuada no investimento, em particular o investimento público que, nos dois anos de governo de Sócrates, diminuiu em -20,6%, tendo passdo de 4.479,5 milhões de euros para apenas 3.558 milhões de euros.
Foi precisamente esta forte redução do investimento público (associada ao crescimento significativo do saldo da Segurança Social) que explica a redução do défice, dos 4,6% do PIB inicialmente previstos, para 3,9% do PIB.
Mas, se tivermos em conta que o défice orçamental de -4,6% correspondia já a um défice estrutural de apenas -3,4% (conforme pág. 11 do Relatório do OE2007), é bem provável que o défice orçamental de -3,9% corresponda a um défice estrutural inferior a 3%, ou seja, abaixo do que o próprio tratado da União Europeia exige.
Mesmo assim, Sócrates pretende continuar a estrangular a economia e a agravar as condições de vida dos portugueses. Que continuam condenados a "atar o ganho na ponta do lenço"!

segunda-feira, março 26, 2007

O concurso

Dizem que se tratou apenas de um concurso mas, com este resultado foi, infelizmente, bem mais do que isso.
Ao cabo de 30 anos de alternância dita democrática e 20 de integração europeia, quase tudo está por fazer em Portugal…
Continuamos a ser um dos países menos desenvolvidos da UE e, pior do que isso, aquele onde a diferença entre ricos e pobres é mais acentuada, com um quinto dos portugueses — 2 milhões — a viver abaixo do limiar da pobreza. Os desempregados ultrapassam meio milhão e o emprego é profundamente precário, com salários dos mais baixos da UE. O analfabetismo, a iliteracia e a taxa de abandono escolar são das mais elevadas e o nível de escolaridade dos trabalhadores portugueses é dos mais baixos. A economia portuguesa, com um crescimento muito abaixo da média comunitária, mantém-se na cauda da Europa. A agricultura, as pescas, muitas indústrias transformadoras foram varridas pela concorrência por não terem sido reconvertidas — de resto, boa parte dos fundos comunitários foram mal investidos, malbaratados e, em muitos casos, criminosamente desviados.
São estes os brilhantes resultados da governação clientelar do bloco central e da cleptocracia estabelecida.
Nada de admirar, portanto, que entre os dez finalistas do concurso, não tenham figurado nenhum dos figurões — Soares, Cavaco, Guterres, Barroso,… — que conduziram o país a esta situação!…
O que admira e preocupa é que ainda existam portugueses que continuem a acreditar em salvadores da pátria e não percebam (ou não queiram perceber) que, se ainda hoje somos um dos países mais atrasados da Europa, em boa parte o devemos ao ditador a quem eles deram o primeiro lugar… no concurso!…

quinta-feira, março 22, 2007

Parir na estrada

Depois do encerramento da maternidade da Figueira da Foz, já são dois os partos de urgência que, no curto período de quinze dias, se verificam em ambulância, na auto-estrada A 14, que liga aquela cidade a Coimbra.
Como é de bom tom, para mostrar que está preocupado com o assunto, Correia de Campos mandou abrir um inquérito às ocorrências mas foi dizendo que não está "nada arrependido" de ter fechado a maternidade da Figueira. Para o ministro, estes casos "não têm qualquer relação com o fecho de maternidades" mas antes com o facto de "haver pessoas que não utilizam o Serviço Nacional de Saúde como deviam". Ou seja, a culpa é das parturientes!
Devo dizer que, em parte, "concordo" com o ministro da saúde: a culpa deve ser mesmo das parturientes!… Pelo menos daquelas (e de todos os) que votaram PS e lhe deram maioria absoluta. Na verdade, se não o tivessem feito, as maternidades não teriam sido encerradas e os bebés continuariam a nascer calmamente onde sempre nasceram.

quarta-feira, março 21, 2007

Coro da Primavera

Cobre-te canalha
Na mortalha
Hoje o rei vai nu

Os velhos tiranos
De há mil anos
Morrem como tu

Abre uma trincheira
Companheira
Deita-te no chão

Sempre à tua frente
Viste gente
Doutra condição

Ergue-te ó Sol de Verão
Somos nós os teus cantores
Da matinal canção
Ouvem-se já os rumores
Ouvem-se já os clamores
Ouvem-se já os tambores

Livra-te do medo
Que bem cedo
Há-de o Sol queimar

E tu camarada
Põe-te em guarda
Que te vão matar

Venham lavradeiras
Mondadeiras
Deste campo em flor

Venham enlaçdas
De mãos dadas
Semear o amor

Ergue-te ó Sol de Verão
Somos nós os teus cantores
Da matinal canção
Ouvem-se já os rumores
Ouvem-se já os clamores
Ouvem-se já os tambores

Venha a maré cheia
Duma ideia
P'ra nos empurrar

Só um pensamento
No momento
P'ra nos despertar

Eia mais um braço
E outro braço
Nos conduz irmão

Sempre a nossa fome
Nos consome
Dá-me a tua mão

Ergue-te ó Sol de Verão
Somos nós os teus cantores
Da matinal canção
Ouvem-se já os rumores
Ouvem-se já os clamores
Ouvem-se já os tambores

José Afonso, Cantigas do Maio, 1971

Depois de casa roubada, trancas à porta!…

Mais vale prevenir que remediar, diz o povo. Povo que é quem mais ordena, canta o Zeca.
Porém, a sabedoria do povo é cada vez mais desprezada e a vontade popular, sistematicamente desrespeitada por uma lógica de subordinação do bem comum aos interesses privados.
São disto exemplos, a especulação fundiária e imobiliária e a explosão urbanística, concentradas na faixa litoral entre Viana do Castelo e Setúbal e no litoral algarvio, acompanhadas da negligência — quando não da conivência — do poder político. Com as consequências que todos começamos a ver: desordenamento do litoral, fragilização da linha de costa, insegurança das populações.
E depois de casa roubada, trancas à porta!…

terça-feira, março 20, 2007

A memória da Arte

Uma cantiga do maio para uma obra de arte...

A morte
Saiu à rua
Num dia assim
Naquele
Lugar sem nome
Pra qualquer fim

Uma
Gota rubra
sobre a calçada
Cai

E um rio
De sangue
Dum
Peito aberto
Sai

O vento
Que dá nas canas
Do canavial

E a foice
Duma ceifeira
De Portugal
E o som
Da bigorna
Como
Um clarim do céu

Vão dizendo
em toda a parte
O pintor morreu

Teu sangue,
Pintor, reclama
Outra morte
Igual

Só olho
Por olho e
Dente por dente
Vale

À lei assassina
À morte
Que te matou
Teu corpo
Pertence à terra
Que te abraçou

Aqui
Te afirmamos
Dente por dente
Assim

Que um dia
Rirá melhor
Quem rirá
Por fim

Na curva
Da estrada
Há covas
Feitas no chão

E em todas
Florirão rosas
Duma nação

José Afonso, Eu vou ser como a toupeira, 1972

Direitos

Os Estados Unidos não reconhecem o novo governo palestino de unidade nacional. Condoleezza Rice criticou aquele governo por continuar a defender o que chama de "direito de resistir à ocupação de Israel". Ou seja, Israel arroga-se o direito de ocupar e colonizar territórios palestinos; mas aos palestinos, os EUA apenas reconhecem o "direito" de aceitarem passivamente esta humilhação!
Dois pesos e duas medidas, o que não é para admirar, vindo de quem sempre apoiou o Estado sionista!
Vergonhoso e profundamente lamentável é que a União Europeia avalize esta posição, pondo-se de cócoras, uma vez mais, perante os falcões americanos.

segunda-feira, março 19, 2007

Risco de vida

Neste país, prevenção e segurança continuam a ser palavras vãs e os alertas, como aqui foi relatado, de nada valem.
Neste país, a maioria dos responsáveis trata apenas da sua vidinha e governa-se à nossa custa, e a culpa, essa morre quase sempre solteira.
Neste país, para quem trabalha, viver é um enorme risco. Às vezes fatal.
Infelizmente.
Até quando? pergunto eu…