sábado, julho 02, 2011

O horror em que vivemos

Os processos inventados e aperfeiçoados para a destruição do humano são arrepiantes. E este século XXI parece não amainar o ódio e o terror. Contra esta onda de perversidades ergue-se, um pouco por todo o lado, a contestação daqueles que não aceitam este mundo. Os partidos, incendiados pela corrupção e minados pelos interesses cavilosos que defendem, sofrem uma erosão nunca vista. A crise estrebuchante do capitalismo, a batalha pela hegemonia planetária e a consequente oposição das nações e dos povos são características assustadoras desta época.

O que acontece na Grécia deveria representar uma situação exemplar, para nossa reflexão. É simples e tolo, além de manipulador, a ideia que nos induz a que a crise grega resulta de uma política megalómana e facilitista. Claro que a corrupção desempenhou e desempenha um papel fundamental. Mas a corrosão do sistema foi preparada, com minúcia e eficácia. Não se esperava e resposta dos gregos. E, até agora, as coisas não melhoram. É preciso não esquecer que as exigências do FMI, do Banco Central e da própria União, dominada pelo Partido Popular Europeu, organização de direita e de extrema-direita, têm sido factores decisivos nesta crise.

A violência implica reacção violenta. Nada está definitivamente resolvido, e nada parece solucionado, em termos de sistema económico. Os gregos, no fundo, dizem o que todos nós pensamos: isto não pode continuar. E o absurdo do nosso viver colectivo vulgariza-se de tal forma que a própria violência nos parece normal. Não é. E temos de nos insurgir contra essa inversão de valores que corrói os laços sociais e a harmonia desejável entre as pessoas.

[…] Marx explicou que o capitalismo chegaria a um estádio tão horroroso que seria necessário criar uma outra concepção de vida e de destino. Não é preciso ser marxista ou acusado de comunista para se perceber que as perdas de referências morais foram-nos incutidas por uma astuta manipulação informativa. […]. Temos, creio, de adaptar os nossos velhos conceitos a uma batalha mais geral, cujos indícios estão à vista.  Texto completo aqui
Baptista Bastos

quarta-feira, junho 29, 2011

Marx estava certo!

Apenas um ano decorrido sobre um primeiro resgate de 110 mil milhões de euros à Grécia que, se para alguma coisa serviu foi para endividar e empobrecer ainda mais os gregos, a UE (incluindo a Finlândia, que tantas reservas levantou em relação a Portugal) e os bancos franceses e alemães, perceberam finalmente que o problema grego também é um problema da Eurolândia e, muito provavelmente, do sistema capitalista. O que os governos e as instituições financeiras internacionais parecem ainda não ter percebido é que, enquanto não acabarem com as criminosas agências de rating e puserem os especuladores e mercados financeiros na ordem, avançar com um novo resgate de mais 110 mil milhões é pura e simplesmente tentar o impossível: apagar um incêndio com gasolina.


Bem pode o Parlamento grego ter aprovado mais austeridade (sempre mais e para os mesmos). Bem pode o FMI saudar a sua aprovação. Bem pode a Europa respirar de alívio. Bem podem os especuladores e os banqueiros esfregar as mãos de contentes com a subida das cotações. Os gregos continuarão a lutar desesperadamente pela sua sobrevivência. Outros se lhes seguirão. Talvez nós, quem sabe?!…
O casino capitalista, imoral e desumano, tem os dias contados, mais tarde ou mais cedo. A luta de classes está viva. Há quase 150 anos atrás, Marx estava certo!

terça-feira, junho 28, 2011

É para eles que governam!

Para os políticos, economistas e comentadores do regime, são sempre os trabalhadores os culpados da baixa competitividade das empresas portuguesas. "Esquecem" convenientemente que a produtividade não depende apenas do trabalho mas de outros factores. E a verdade é que, enquanto os salários são dos mais baixos da Europa, os ordenados e prémios dos gestores e administradores situam-se  muito acima da média europeia, o mesmo acontecendo com os custos energéticos e financeiros. Nem sequer é sério afirmar-se que a baixa produtividade se deve a um suposto défice de formação profissional: os nossos trabalhadores têm, apesar de tudo, uma escolaridade média superior à dos patrões e, quando emigram, provam ser tão produtivos como os seus colegas de outros países



Mas este é o discurso e a "verdade" do sistema. Por isso, desta vez, como não podem reduzir os já de si miseráveis salários, vão cortar drasticamente a famigerada taxa social única, corte que, para evitar um perigoso buraco na segurança social, será compensado com o agravamento do IVA (designadamente sobre muitos produtos essenciais). É mais fácil. Nos grandes interesses não tocam. É para eles que governam!