sábado, dezembro 19, 2009

O Titanic começa a afundar-se

Em 2010, novo ponto de viragem da crise sistémica global:
O nó corrediço dos défices públicos começa a estrangular estados e sistemas sociais


Segundo o LEAP/ E2020, a crise sistémica global vai experimentar um novo ponto de inflexão a partir da Primavera de 2010. Com efeito, nesta data, as finanças públicas dos principais países ocidentais vão-se tornar inadministráveis porque, por um lado, novas medidas de apoio à economia se impõem devido ao fracasso dos estímulos de 2009 e, por outro, a amplitude dos défices orçamentais proíbe qualquer nova despesa significativa.
Se este "nó corrediço" dos défices públicos que, em 2009, os governos puseram voluntariamente à volta do do pescoço, ao recusarem-se a obrigar o sistema financeiro a assumir o preço dos seus erros, vai pesar duramente sobre o conjunto das despesas públicas, ele vai afectar muito particularmente os sistemas sociais dos países ricos empobrecendo cada vez mais a classe média e os reformados e deixando os mais desfavorecidos à deriva.



Paralelamente, a cessação de pagamentos de um número crescente de estados e de colectividades locais (regiões, províncias, estados federados) vai provocar um duplo fenómeno paradoxal de subida das taxas de juros e de fuga das divisas rumo ao ouro. Diante da ausência de uma alternativa organizada a um dólar estado-unidense cada vez mais fraco e a fim de encontrar uma alternativa à perda de valores dos títulos do tesouro (em particular americanos), os bancos centrais do mundo inteiro deverão em parte "reconverter-se ao ouro", o velho inimigo da Reserva Federal dos EUA, ainda que sem o declararem oficialmente. Com o desafio da retoma já completamente perdido pelos governos e pelos bancos centrais, este ponto de inflexão da Primavera de 2010 vai representar o princípio da transferência maciça dos 20 milhões de milhões de "activos fantasmas" para os sistemas sociais dos países que os acumularam. ver artigo completo em português

O capitalismo está irreversivelmente moribundo e o Estado social caminha a passos largos para a implosão. O mais grave é que a grande maioria continua despreocupadamente a dançar ao som da orquestra enquanto o Titanic começa a afundar-se.

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