segunda-feira, março 26, 2012

Ronda dos mafarricos

José Afonso, o Zeca, como sempre foi tratado pelos amigos, companheiros e camaradas, para além de figura cimeira da música popular portuguesa, foi um cidadão profundamente empenhado na luta pela liberdade, contra a ditadura e, até ao último dia da sua vida, no combate por uma sociedade justa e solidária.
Ideológicamente de Esquerda, nunca aderiu a qualquer partido político, tendo preferido militar em organizações populares de base e participar ao lado do povo nas suas lutas concretas. Não admira, por isso que, por sua expressa vontade, no seu funeral, a urna fosse coberta com um simples pano vermelho sem qualquer símbolo ou inscrição.
É, portanto, legítima, justa e compreensível — e só pode merecer de todos nós a mais sentida e profunda solidariedade — a indignação de Zélia Afonso, viúva do Zeca, pelo uso abusivo e insultuoso de versos da autoria do cantor, no congresso do PSD, um partido cujos princípios e ideologia sempre foram e são (hoje mais do que nunca) contrários aos que José Afonso sempre defendeu.


O poder está nas mãos de neo-liberais e neo-fascistas sem o mínimo decoro, pudor, vergonha, que não olham a meios para atingir os seus fins. Inclusive, usarem a mais refinada impostura e manipularem a memória de José Afonso para efeitos de maquiavélica propaganda.
Os bruxos estiveram reunidos durante o fim de semana. Eram mais de quatrocentos, na ronda dos mafarricos.

5 comentários:

  1. Estavam todas juntas, quatrocentas bruxas....
    (à espera de gamar)

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    1. Urbana Guerra27/3/12 21:36

      E que VIVA O PODER POPULAR!

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  2. M. Eduarda27/3/12 21:39

    Longos anos de vida a Zélia Afonso!!!
    (abraço solidário para ela)

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    1. e para ti, também, "Maio"

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  3. A luta continua, e continuará sempre até derrotar-mos estes governos neoliberais que nos estão a destruir económicamente e como povo, desrespeitando tudo aquilo que foram as conquistas de Abril, a nossa cultura, a nossa identidade, a Constituição da República Portuguesa e a nossa História. Vasmos vencer, porque o povo é quem mais ordena!

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