quarta-feira, setembro 18, 2013

A descida aos infernos

Os juros da dívida portuguesa foram os que mais subiram nos últimos trinta dias, ultrapassando os 7,4 por cento.
Os economistas do FMI (certamente com hipocrisia, mas com razão) reconhecem (finalmente) que cortar o défice demasiado rapidamente pode ser contraproducente e causar impactos dramáticos. Apesar disso, o BCE e a Comissão Europeia estão-se "cagando" e acham que a meta de 4 por cento é mesmo para cumprir, doa a quem doer (as vítimas do costume: pensionistas, trabalhadores, desempregados).


Calcula-se que a economia portuguesa demoraria oito anos a recuperar da crise se crescesse ao ritmo da última década, 1% ao ano. Mas esse é um cenário irrealista para uma economia que continua mergulhada na recessão. Como irrealista é a redução da dívida, mesmo se apenas dos actuais 130% para 90% do PIB, o que só aconteceria com um inimaginável crescimento "à chinesa" da ordem dos 6 a 8%!…
Desenganem-se, portanto, os que pensam que já batemos no fundo. Com ou sem segundo resgate (que, aliás, nunca foi tão iminente), a descida aos infernos vai prosseguir. Com a continuação e o agravamento da austeridade, real e trágica será a contínua destruição das nossas vidas, da economia, do país. E mais dolorosa ainda quando a indiferença e a resignação dos portugueses parecem nunca ter sido tão generalizadas, silenciosas, insuportáveis.

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