sexta-feira, abril 03, 2009

A latrina imunda

Escrevo aqui e agora sobre Pinto da Costa, não porque o futebol me interesse, particularmente, como tema de discussão. Vejo um ou outro jogo, como sou capaz de ir ao circo. E isso me basta.

O eterno presidente do Futebol Clube do Porto vem aqui à colação porque o Tribunal de Gaia absolveu-o das acusações que sobre ele impendiam no âmbito do processo "Apito Dourado" — afinal, o árbitro Augusto Duarte, foi a casa de PC apenas tomar um cálice de porto. Se alguma coisa mais houve, para a meritíssima juíza não ficou provado.
Como não se irá, seguramente, provar que José Sócrates terá tido a ver com a corrupção associada ao estranho licenciamento do Freeport, por mais suspeitas que sobre ele recaiam. De resto, para tal seria necessário que ele fosse constituído arguido, o que duvido que alguma vez venha a acontecer.
Como não foi provado nenhum dos vinte e três crimes de que foi acusado o deputado Paulo Pedroso, no âmbito do processo Casa Pia, que apesar de ter estado em prisão preventiva, acabou por sair em liberdade sem sequer ser julgado.
E, estranhamente, só há um arguido na gigantesca fraude do BPN. Convenhamos que foi demasiada vigarice para uma pessoa apenas, mesmo tratando-se do ex-presidente do Conselho de Administração do Banco.
E não podemos deixar de recordar os julgamentos exemplares de Valentim Loureiro, Fátima Felgueiras e Avelino Ferreira Torres.
Bem, fico-me por aqui, que estou a ficar nauseado. Foda-se, este país é uma latrina imunda!

1 comentário:

  1. "O logro"

    A decisão do Tribunal de Gaia, no "caso do envelope", não proclamou vitória de ninguém. O encontro de um presidente dum clube com um árbitro foi catalogado pela juíza como suspeito e imprudente, mas em caso de dúvida beneficia-se o réu. Poder-se-á dizer que a justiça actual não cumpriu o seu principal mandamento: igualdade de todos os cidadãos perante a lei, ou seja, existem testemunhas mais credíveis do que outras pois o impoluto político ou dirigente desportivo vive num patamar de moralidade social superior!


    Juntando uma pitada de incompetência do Ministério Público à mediatização instrumentalizada, temos uma falácia perfeita. O pior é quando o poder judicial é desacreditado na opinião pública, pois essa há muito tempo que fez o seu julgamento e está farta de acreditar em conspirações orquestradas.

    http://dylans.blogs.sapo.pt/

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