sábado, janeiro 06, 2007

José Pacheco Pereira, contorcionista

1.
José Pacheco Pereira escreveu, no Abrupto:
Antes de se falar da morte de Saddam, o que "fala" nas imagens que vimos na televisão é a morte.

E não é a morte que "fala", nas centenas de milhares de vítimas mortais causadas por uma estúpida e hipócrita invasão e nas dezenas ou centenas de mortos que diariamente acontecem devido a uma não menos estúpida e hipócrita ocupação?
Escreve, JPP, que "Não há diálogo com a Ceifeira, não há palavras que possam ser ditas", apenas porque é politicamente correcto, porque, como se viu obrigado a reconhecer, "Saddam portou-se com dignidade". A dignidade, a moralidade e a verdade de que outros não deram mostras quando invadiram o Iraque e provocaram o morticínio brutal que todos sabemos. E que JPP e muitos outros apoiaram.
E vêm, ainda e agora, despudoradamente, acusar de "irracionalidade" os que sempre se opuseram à irracionalidade e estupidez de um genocídio? Tenham um pingo de decência, se lhes resta alguma…

2. Todo o arrazoado de JPP está refém do apoio que deu à invasão do Iraque. Não espanta, por isso que, condenando apenas o espectáculo da execução — por mais ginástica verbal que use foi apenas isso que fez — tenha dado o seu aval ao simulacro de julgamento do tribunal "especial" iraquiano. Cujo desfecho era não só previsível mas desejável por parte dos cúmplices de Saddam.

E JPP, cínico, escreveu:
Havia, aliás, uma maneira não americana, nem ingénua de pensar esta questão. Estaline era especialista nessa maneira, que certamente seria muito mais realista e eficaz: a de que "acabando-se com o homem, acabava-se com o problema."

E não é isso que, de forma brutal, foi feito com a arbitrariedade de uma invasão?
E não é isso que, de forma subtil — falhou apenas a "cerimónia" do enforcamento — foi feito com Saddam?

É que o TPI, para quem se recusa a submeter-se-lhe, poderia ser um incómodo. Pois…

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