segunda-feira, abril 29, 2013

Estamos fartos!


Estamos fartos. Do "governo da troika", do Coelho e do Gaspar. Da interminável austeridade e do "memorando". De sermos indecentemente roubados e a "dívida" (que não fizemos) não parar de aumentar, o desemprego não parar de alastrar, a economia não parar de se afundar. Estamos FARTOS, não é filhos?!…
Aliás já estávamos, com os PEC's do Sócrates. E, por isso, há quase dois anos, a maioria dos votantes — "eleitores de alterne", que há 30 anos andam a votar basicamente no mesmo pensando que votam diferente! — com o seu habitual (congénito?) preconceito anti-esquerda, nem pensou duas vezes: atirou-se para os braços da direita (PSD-CDS). Os resultados estão à vista!…
Agora, o governo está em estado de coma, a coligação que o suporta esboroa-se, mas Cavaco (o "génio da banalidade", como lhe chamou o nosso génio da literatura) insiste na "necessidade" de consenso quando do que verdadeiramente estamos precisados é de ruptura política e mudança de vida!…


Seja como for, o P"S" diz que já é tarde para esse consenso e quer eleições (que BE e PCP há muito também defendem). Mas Seguro, que até sonha com a maioria absoluta (que todas as sondagens estão longe de prever) e se diz disponível para fazer coligações com todos, como se fosse possível e desejável regressarmos aos tempo da União Nacional salazarista, não denuncia o memorando da troika, não defende a renegociação da dívida, em suma, não corta a direito com a maldição da austeridade (que horror… os compromissos, mesmo que ponham em causa a sobrevivência do país, são para respeitar!).

Estamos fartos. Da troika. Da austeridade. E de todos os que a defendem. E também dos que não a denunciam nem cortam com ela de forma clara.

sexta-feira, abril 26, 2013

Cavaco, adversário político dos portugueses!…

Não foi o Presidente da República quem discursou nas comemorações oficiais do 39.º aniversário do 25 de Abril, na Assembleia da República. Foi Aníbal Cavaco Silva, que se comportou como adjunto de Passos Coelho, ao defender um consenso político podre e o prosseguimento da política de austeridade. O coro de críticas não se fez esperar sobre aquele que é hoje não o presidente dos portugueses mas o presidente da troika.
A "Associação 25 de Abril" diz que Cavaco é conivente com a austeridade. A CGTP e a UGT estiveram unidas na manifestação e nas críticas a Cavaco: Arménio Carlos diz que Cavaco “assumiu-se como chefe do Governo” e um dos “responsáveis” pela política de austeridade em Portugal; O secretário-geral da UGT considerou que o discurso de Cavaco “não tem eco para as pessoas que mais sofrem e que sentem os sacrifícios que lhes são impostosJerónimo de Sousa, do PCP, considerou o discurso de Cavaco «identificado» com o Governo da maioria, enquanto o líder do Bloco de Esquerda, João Semedo, criticou um «discurso de facção que ofende os princípios da pluralidade». Só Seguro não tomou posição face ao discurso de Cavaco dizendo que será o Congresso do PS a fazê-lo — o costume!


Enfim, se dúvidas houvesse, ficou demonstrado que em Belém não temos um Presidente da República mas sim um adversário político!…

terça-feira, abril 23, 2013

A terceira pior economia do mundo

Segundo dados do próprio FMI, entre os 187 países que integram a organização, neste momento, Portugal regista:

      • 3.º pior resultado do crescimento do PIB, (- 2,3%) 
      • 3.º pior resultado da taxa de desemprego (18,2%) 
      • 4.º pior resultado da dívida pública (123% do PIB) 

Ou seja, apesar da troika ter afirmado, em Março, que "em termos gerais, a execução do programa continua no bom caminho", a verdade é que Portugal é já, basicamente, a terceira pior economia do mundo. E por este "bom caminho", se não dermos meia volta e não mandarmos a troika e o seu governo darem uma volta, é bem provável que ainda cheguemos ao fundo!

segunda-feira, abril 22, 2013

A implosão da austeridade

O falhanço da política de austeridade na consolidação orçamental, na diminuição da dívida e, mais importante, na economia e na vida das pessoas, mais do que previsível, era certo. Já nas legislativas de 2011, BE e PCP (e muitos cidadãos) não se cansaram de chamar a atenção para essa inevitabilidade. Por isso não assinaram o memorando da troika.
Mas aquilo que para a esmagadora maioria sempre foi uma trágica evidência, foi agora cientificamente demonstrado: o modelo teórico que suportava a austeridade não passa de um fiasco, de um erro de graves consequências!


Porém, como afirma Krugman, os verdadeiros responsáveis pela tragédia em que estamos mergulhados, mais do que os economistas que criaram aquele modelo impossível, são os decisores políticos que, na sua obsessão ideológica pela austeridade, o aceitaram e puseram em prática sem o questionar, utilisando-o antes como capa para a sua criminosa actuação. 
Finalmente, ao fim de mais de três anos a lavrarem num erro empiricamente compreensível e visível a olho nu, a Comissão Europeia e a Alemanha, começam a reconhecer a impossibilidade da política de austeridade. Devagar, devagarinho, para diluírem as responsabilidades e salvarem a face. De gente sem escrúpulos e sem vergonha. 
Só faltava, no fim desta implosão europeia da austeridade, continuarmos nós a ser triturados por ela! Passos e Gaspar são suficientemente crentes e mais papistas que o papa para isso!…

sábado, abril 20, 2013

A grandeza de Saramago e a pequenez de Cavaco

Apesar da sua extensa e valiosa obra, apesar dos inúmeros prémios literários que conquistou, entre os quais o Prémio Camões, em 1995, e o Prémio Nobel da Literatura, em 1998, apesar de ser o segundo autor de língua portuguesa mais traduzido e um dos que mais contribuiu para a divulgação da nossa língua no mundo, José Saramago nunca conseguiu a admiração de Aníbal Cavaco Silva. Certamente por insensibilidade cultural de Cavaco, mas também, quase seguramente, por divergências políticas e ideológicas deste com o escritor. 



O que até poderia compreender-se e aceitar-se se Cavaco Silva não tivesse sido o Primeiro-ministro de Portugal, quando um seu subsecretário de Estado da Cultura vetou um livro de Saramago de uma lista de romances portugueses candidatos a um prémio literário europeu por "atentar contra a moral cristã". Ou se Cavaco não fosse o Presidente da República quando resolveu não ser mais do que o senhor Aníbal e continuar de férias nos Açores em vez de, como lhe competia, enquanto chefe de Estado, estar presente no funeral da maior figura da nossa literatura contemporânea. Ou ainda, se o homem não continuasse a ser o Presidente da República e no entanto, como agora aconteceu no seu discurso de inauguração da Feira do Livro de Bogotá, entendeu não fazer qualquer referência ao único escritor de língua portuguesa galardoado com o Prémio Nobel da Literatura.
Não há dúvida. À beira da grandeza de José Saramago, o cidadão Aníbal Cavaco Silva não tem estatura para o desempenho da função presidencial. É uma nulidade. A história encarregar-se-á de colocá-lo no sítio que merece: a arca do esquecimento.

quarta-feira, abril 17, 2013

A armadilha

"Estou convencido de que é preciso continuar a dizer não,
mesmo que se trate de uma voz pregando no deserto" (José Saramago)

O PS diz não acreditar na vontade do Governo de conseguir entendimentos no encontro desta manhã entre Passos Coelho e António José Seguro e suspeita que se trata de uma encenação de diálogo.
Mas será que Seguro resistirá à armadilha, montada por pressão da Troika, se o "governo", como o CDS e Cavaco defendem, lhe acenar com algumas medidas para relançar o crescimento económico e o 
emprego?…



Não é seguro que… Seguro seja capaz de dizer NÃO e não acabe por engolir a moção de censura que votou contra o "governo". E se assim for, ficará o caminho escancarado aos cortes no 'Estado Social'.
Veremos…

Vergonha de polícia! (actualização)

A actriz Fernanda Policarpo foi ontem detida num protesto organizado pelo movimento "Que se Lixe a Troika", junto ao hotel Ritz em Lisboa, onde estão hospedados os homens do fraque, que procedem à conclusão da 7.ª "avaliação" do cumprimento do programa de austeridade pelo governo da Troika.




Como as fotografias comprovam, Fernanda Policarpo foi tratada com brutalidade e imobilizada no chão pelos guarda-troikas, sendo posteriormente detida pela PSP que, não satisfeita, mentiu descaradamente ao afirmar que a actriz agredira um polícia!…
Comportamento vergonhoso e inaceitável de uma organização que deveria zelar pela segurança e os direitos dos cidadãos e que, ainda há pouco tempo, no Chiado, varreu tudo o que mexia a cassetete, trazendo à nossa memória os odiosos tempos da polícia de choque salazarista!…

segunda-feira, abril 15, 2013

Quem semeia ventos colhe tempestades

Duas fortes explosões causaram pelo menos dois mortos e mais de 20 feridos, nesta segunda-feira, na linha de chegada da Maratona de Boston. Um terceiro engenho explosivo foi descoberto e detonado pela polícia, tendo-se ainda verificado uma outra explosão na Biblioteca Memorial JFK, nos arredores do centro de Boston.
Seja como for, são actos cobardes que lamentamos e condenamos sem reservas. Como condenamos a cobarde matança de civis inocentes no Paquistão, no Iêmen e na Somália, levada a cabo por 'drones' (aviões não tripulados) americanos, com a expressa autorização do presidente que é Prémio Nobel da Paz.
É triste, muito triste, mas quem semeia ventos, mais tarde ou mais cedo, colhe tempestades.

Gaspar, Ministro das Finanças da Troika

A 'troika' regressa hoje a Portugal mas já conhece as linhas gerais do novo pacote de austeridade que Vítor Gaspar se prepara para aplicar às vítimas do costume como vingança pela declaração de inconstitucionalidade de quatro medidas do orçamento, pelo Tribunal Constitucional. Ora, não admira que assim seja pois, ao contrário do responsável do FMI que participou na elaboração do programa de ajustamento da Irlanda, que assume que a aposta na austeridade não resultou, Gaspar reafirma cegamente que a mesma é para continuar, o que levou os jornalistas da TV pública irlandesa a considerá-lo, mais do que Ministro das Finanças de Portugal, o Ministro das Finanças da 'troika'!

terça-feira, abril 09, 2013

Mais austeridade, NÃO!

Bem podem os membros do "governo" de Passos, Gaspar e Portas andar de bandeirinha portuguesa na lapela que não é essa vergonhosa ostentação que faz daquela cambada o governo de Portugal e, muito menos, dos portugueses.
Na realidade, não passam de coveiros que enterram cada vez mais o país numa espiral recessiva e numa dívida crescente; de salteadores sem escrúpulos que empobrecem a esmagadora maioria dos portugueses e infernizam a sua vida com doses maciças de austeridade. "Governo", só do capital, do qual, os grupos económico-financeiros, os bancos e os especuladores contam com a maior benevolência. "Governo", só da troika, sempre disponível para cumprir cegamente as suas exigências e ir até mais longe do que o que lhe é exigido.
É este suposto governo, que não não tem qualquer respeito pela Lei fundamental do país nem pela independência e competência dos Tribunais que, mais uma vez, quer hipotecar os interesses de Portugal e dos portugueses, preparando-se para ceder miseravelmente à chantagem dos credores — Alemanha,  Comissão Europeia, FMI — que exigem a aplicação de mais uma dose letal de austeridade, a qual irá agravar ainda mais a trágica situação do nosso país. É o que garante Paul Krugman, Prémio Nobel da Economia, que aconselha os portugueses a dizerem NÃO a novas medidas de austeridade.


Com este governo antidemocrático, apoiado por uma maioria parlamentar e pelo Presidente da República, temos pela frente a "tempestade perfeita". Mas não podemos desistir. Não queremos naufragar.
António Arnaut, o "pai do SNS", apela à revolta cívica e democrática. É isso que devemos fazer. Mais austeridade, NÃO!

segunda-feira, abril 08, 2013

Governo neo-fascista

Um governo que é incapaz de assumir a responsabilidade do estrondoso falhanço e das nefastas consequências da sua desgraçada política; um governo que, em vez disso, se desculpabiliza com a Lei e a Constituição, as competentes e independentes decisões dos Tribunais, as legítimas iniciativas da oposição, a justa acção reivindicativa das organizações sindicais; um governo que, não satisfeito com o seu intolerável e sistemático atropelo às mais elementares regras da democracia, decide manter-se em funções, prosseguir a sua política de desastre nacional e chantagear a esmagadora maioria da população, declarando-lhe uma autêntica guerra social; um governo assim, se governo lhe podemos chamar, não é legítimo nem democrático.


Apesar de ter sido eleito (como Hitler também foi), é um governo neo-fascista. E o povo tem toda a legitimidade para exigir a sua imediata demissão!

quinta-feira, abril 04, 2013

O palhaço da companhia

O palhaço da companhia já lá vai. A sua saída só peca por tardia mas não deve distrair-nos do essencial.


Agora faltam os outros. Falta a urgente demissão dum "governo" que outra coisa não faz senão destruir o país com uma austeridade inútil e estúpida, dum governo que está fora do prazo de validade (que nunca teve!).




quarta-feira, abril 03, 2013

A quem serve a austeridade?

Não é preciso ser especialista de economia para entender e interpretar este gráfico.


Antes do início da crise, em 2008, a taxa de desemprego da Alemanha situava-se bem acima da taxa média da Zona Euro e da taxa da França (a título de exemplo). Depois de 2008 é o que se vê: enquanto a taxa média de desemprego da Zona Euro e a da França (e ainda, apesar do gráfico não as representar, as taxas de desemprego dos países do sul da Europa, Portugal incluído) sobem drasticamente, a taxa de desemprego da Alemanha não pára de descer!
Por aqui se vê claramente a quem serve a austeridade! A nós não, com toda a certeza!…
Uma política que destrói a economia, agrava o desemprego, aumenta a pobreza e por fim nos endivida cada vez mais, não faz sentido. De resgate em resgate, é uma inútil e penosa travessia do deserto que não nos levará à "terra prometida" mas à catástrofe final!
É necessário e urgente pensar na única saída que nos dará alguma possibilidade de sobrevivermos enquanto país — a saída da Zona Euro!

sexta-feira, março 15, 2013

A "maldição"

Esta sondagem foi realizada nos dias 9, 10 e 11 de Março, uma semana depois da manifestação que reuniu centenas de milhares de portugueses nas ruas de 40 cidades exigindo a demissão do governo da troika e o fim da política de austeridade.


Isto é tão triste, tão lamentável, tão recorrente, que inevitavelmente traz-nos à memória a "maldição" de Almeida Garrett: "O país é pequeno e a gente que nele vive também não é grande." E o que está em causa não é o tamanho físico do país mas a dimensão espiritual e mental dos seus habitantes.

sábado, fevereiro 23, 2013

José Afonso vive!


José Afonso faleceu faz hoje 26 anos. Mas um homem é as suas ideias, as suas convicções, a sua obra, o seu exemplo de cidadania. Por isso o Zeca permanece vivo na nossa memória. Mais do que nunca!

A nossa homenagem a José Afonso, com as suas próprias palavras…


CARTA AO ZECA
(com as palavras que ele nos deixou)

Tu querias que esta fosse
uma terra da fraternidade,
uma cidade sem muros nem ameias,
com gente igual por dentro
e gente igual por fora.
Mas tu sabias como era a lei
nesta terra em que quem trepa no coqueiro é o rei,
nesta terra em que eles comem tudo,
comem sempre tudo,
e não deixam nada.
Por isso nos chamavas:
— Venham mais cinco! Traz outro amigo também!
E cada um de nós respondia-te,
com a coragem e a força que nos davas:
— A gente ajuda, havemos de ser mais, eu bem sei…

Partiste.
Passaram já tantos anos
Mas parece que foi ontem!
Parecerá sempre que foi ontem,
porque as tuas palavras, as tuas canções, o teu exemplo,
continuam connosco a dizer-nos 
que o que faz falta é avisar a malta,
porque o pão que muitos comem ainda sabe a merda,
porque continua a haver infância que nunca teve infância,
porque ainda há homens que dormem na valeta.

— Mudem de rumo! Mudem de rumo! 
— Que a voz não vos esmoreça, vamos lutar! — pedias.
É isso que faremos. Enquanto há força!

quarta-feira, fevereiro 20, 2013

Enquanto há força

Começou hoje a 7.ª "avaliação" da Troika e somos já confrontados com o trágico descalabro de apenas 50 dias de execução do orçamento de 2013: a recessão afinal será o dobro da que foi prevista, verifica-se já um desvio nas contas públicas de 1 600 milhões de euros e o desemprego atinge o máximo histórico de 1 milhão de pessoas (número 'oficial', já que na realidade, o número de desempregados ronda 1 milhão e 400 mil!).


Claro que não se trata de uma verdadeira avaliação mas de um simulacro de avaliação. O "professor" não irá chumbar o "aluno" e ambos farão tudo para que o país continue no caminho da austeridade a afundar-se numa espiral recessiva de destruição da economia e empobrecimento da população. Espiral recessiva para a qual Cavaco — é o Presidente da República, se por acaso já não se lembram do homem… — alertou e sobre a qual mantém agora o mais sepulcral dos silêncios!
Uma coisa é certa, se a Troika não vai chumbar o "governo", porque ele está a fazer o que a Troika quer, mais cedo do que alguns pensam, é o país que vai chumbá-lo e exigir outra política e um governo! Enquanto há força. 

sábado, janeiro 12, 2013

À espera de um milagre?

O arrastão fiscal para 2013 foi promulgado por quem faz de Presidente da República. Mesmo que a fiscalização sucessiva pedida por Cavaco, pelo Provedor de Justiça e pelos deputados da Esquerda, leve à declaração de inconstitucionalidade de algumas das suas normas, nunca deixará de ser o maior assalto fiscal de que alguma vez os portugueses foram vítimas.

Além disso, a corja "governante" já há muito manifestara publicamente, através do seu megafone de serviço, Marques Mendes, a intenção de reduzir brutalmente a despesa pública, de forma permanente, em 4 mil milhões de euros/ ano à custa das vítimas do costume e pelos métodos habituais: despedimentos em massa na função pública, cortes nos vencimentos, nas pensões e nos subsídios, aumento das taxas moderadoras de saúde e das propinas escolares, entre outros.

Adivinha-se, portanto, uma verdadeira catástrofe social.




No entanto, a esmagadora maioria dos portugueses mantém-se serena. Ou mesmo resignada, entorpecida. Talvez à espera de um milagre, que nunca acontecerá.
Só isso pode explicar que mais de 70 por cento rejeitem eleições antecipadas e a possibilidade de lavarem a merda que tomou conta deste país. Porque, como os salteadores que (se) governam e o presidente-faz-de-conta, também acham que uma "crise política" não seria solução preferindo continuarem a arrastar-se na podridão desta crise social sem fim à vista.
Só isso e a sua cobardia de eleitores de alterne que, durante mais de 30 anos, outra coisa não têm feito senão darem tiros nos pés votando sempre em mais do mesmo — ou na direita ou no P"S" (que governa como a direita) — e queixarem-se depois que os políticos são todos iguais!

quinta-feira, dezembro 27, 2012

O fascismo com pezinhos de lã

"Na realidade o muito que se fez pôs talvez mais em evidência o que não foi possível fazer, se realizou imperfeitamente ou se deixou perder depois de praticamente realizado. E na nossa mente deve ter-se sempre a necessidade de fomentar constantemente e por todos os meios o aumento do nível de vida geral do povo português, de resolver, em todos os escalões, o problema ainda premente da habitação e de levar a educação e a instrução a todos os lares portugueses. Continua a haver, infelizmente, muita gente que vive mal e com dificuldades imensas: façamos tudo, mas tudo, para que a sua vida não continue a ser apenas um martírio. Com este apelo, que vem do mais intimo da minha alma , chego ao fim desta mensagem. Mas não quero terminá-la sem que antes exprima, mais uma vez, toda a minha fé e toda a minha esperança nos destinos de Portugal." (Américo Tomás, último Presidente da República da ditadura, 1 de Janeiro de 1966)

 

"Este não foi o Natal que merecíamos. Muitas famílias não tiveram na Consoada os pratos [a] que se habituaram. Muitos não conseguiram ter a família toda à mesma mesa. E muitos não puderam dar aos filhos um simples presente. Já aqui estivemos antes. Já nos sentámos em mesas em que a comida esticava para chegar a todos, já demos aos nossos filhos presentes menores porque não tínhamos como dar outros. Mas a verdade é que para muitos, este foi apenas mais um dia num ano cheio de sacrifícios, e penso muitas vezes neles e no que estão a sofrer.
A eles, e a todos vós, no fim deste ano tão difícil em que tanto já nos foi pedido, peço apenas que procurem a força para, quando olharem os vossos filhos e netos, o façam não com pesar mas com o orgulho de quem sabe que os sacrifícios que fazemos hoje, as difíceis decisões que estamos a tomar, fazemo-lo para que os nossos filhos tenham no futuro um Natal melhor." (Pedro Passos Coelho, actual Primeiro-ministro, 26 de Dezembro de 2012)

Passados 46 anos, 38 dos quais em regime supostamente democrático, e descontada a diferença de idade e de cargo dos protagonistas, o que existe de verdadeiramente diferente nestas duas mensagens?
NADA!
Ambas são perfeitos exercícios de reles propaganda política, cinismo e hipocrisia.
Ambas exalam o mofo pestilento do salazarismo.

"O fascismo é uma minhoca
Que se infiltra na maçã
Ou vem com botas cardadas
Ou com pezinhos de lã"

Não há dúvida. Paulatinamente, ele está aí outra vez… Não tarda nada!