Esta sondagem foi realizada nos dias 9, 10 e 11 de Março, uma semana depois da manifestação que reuniu centenas de milhares de portugueses nas ruas de 40 cidades exigindo a demissão do governo da troika e o fim da política de austeridade.
Isto é tão triste, tão lamentável, tão recorrente, que inevitavelmente traz-nos à memória a "maldição" de Almeida Garrett: "O país é pequeno e a gente que nele vive também não é grande." E o que está em causa não é o tamanho físico do país mas a dimensão espiritual e mental dos seus habitantes.
sexta-feira, março 15, 2013
sábado, fevereiro 23, 2013
José Afonso vive!
José Afonso faleceu faz hoje 26 anos. Mas um homem é as suas ideias, as suas convicções, a sua obra, o seu exemplo de cidadania. Por isso o Zeca permanece vivo na nossa memória. Mais do que nunca!
A nossa homenagem a José Afonso, com as suas próprias palavras…
A nossa homenagem a José Afonso, com as suas próprias palavras…
CARTA AO ZECA
(com as palavras que ele nos deixou)
Tu querias que esta fosse
uma terra da fraternidade,
uma cidade sem muros nem ameias,
com gente igual por dentro
e gente igual por fora.
Mas tu sabias como era a lei
nesta terra em que quem trepa no coqueiro é o rei,
nesta terra em que eles comem tudo,
comem sempre tudo,
e não deixam nada.
Por isso nos chamavas:
— Venham mais cinco! Traz outro amigo também!
E cada um de nós respondia-te,
com a coragem e a força que nos davas:
— A gente ajuda, havemos de ser mais, eu bem sei…
Partiste.
Passaram já tantos anos
Mas parece que foi ontem!
Parecerá sempre que foi ontem,
porque as tuas palavras, as tuas canções, o teu exemplo,
continuam connosco a dizer-nos
que o que faz falta é avisar a malta,
porque o pão que muitos comem ainda sabe a merda,
porque continua a haver infância que nunca teve infância,
porque ainda há homens que dormem na valeta.
— Mudem de rumo! Mudem de rumo!
— Que a voz não vos esmoreça, vamos lutar! — pedias.
É isso que faremos. Enquanto há força!
(com as palavras que ele nos deixou)
Tu querias que esta fosse
uma terra da fraternidade,
uma cidade sem muros nem ameias,
com gente igual por dentro
e gente igual por fora.
Mas tu sabias como era a lei
nesta terra em que quem trepa no coqueiro é o rei,
nesta terra em que eles comem tudo,
comem sempre tudo,
e não deixam nada.
Por isso nos chamavas:
— Venham mais cinco! Traz outro amigo também!
E cada um de nós respondia-te,
com a coragem e a força que nos davas:
— A gente ajuda, havemos de ser mais, eu bem sei…
Partiste.
Passaram já tantos anos
Mas parece que foi ontem!
Parecerá sempre que foi ontem,
porque as tuas palavras, as tuas canções, o teu exemplo,
continuam connosco a dizer-nos
que o que faz falta é avisar a malta,
porque o pão que muitos comem ainda sabe a merda,
porque continua a haver infância que nunca teve infância,
porque ainda há homens que dormem na valeta.
— Mudem de rumo! Mudem de rumo!
— Que a voz não vos esmoreça, vamos lutar! — pedias.
É isso que faremos. Enquanto há força!
quarta-feira, fevereiro 20, 2013
Enquanto há força
Começou hoje a 7.ª "avaliação" da Troika e somos já confrontados com o trágico descalabro de apenas 50 dias de execução do orçamento de 2013: a recessão afinal será o dobro da que foi prevista, verifica-se já um desvio nas contas públicas de 1 600 milhões de euros e o desemprego atinge o máximo histórico de 1 milhão de pessoas (número 'oficial', já que na realidade, o número de desempregados ronda 1 milhão e 400 mil!).
Claro que não se trata de uma verdadeira avaliação mas de um simulacro de avaliação. O "professor" não irá chumbar o "aluno" e ambos farão tudo para que o país continue no caminho da austeridade a afundar-se numa espiral recessiva de destruição da economia e empobrecimento da população. Espiral recessiva para a qual Cavaco — é o Presidente da República, se por acaso já não se lembram do homem… — alertou e sobre a qual mantém agora o mais sepulcral dos silêncios!
Uma coisa é certa, se a Troika não vai chumbar o "governo", porque ele está a fazer o que a Troika quer, mais cedo do que alguns pensam, é o país que vai chumbá-lo e exigir outra política e um governo! Enquanto há força.
sábado, janeiro 12, 2013
À espera de um milagre?
O arrastão fiscal para 2013 foi promulgado por quem faz de Presidente da República. Mesmo que a fiscalização sucessiva pedida por Cavaco, pelo Provedor de Justiça e pelos deputados da Esquerda, leve à declaração de inconstitucionalidade de algumas das suas normas, nunca deixará de ser o maior assalto fiscal de que alguma vez os portugueses foram vítimas.
Além disso, a corja "governante" já há muito manifestara publicamente, através do seu megafone de serviço, Marques Mendes, a intenção de reduzir brutalmente a despesa pública, de forma permanente, em 4 mil milhões de euros/ ano à custa das vítimas do costume e pelos métodos habituais: despedimentos em massa na função pública, cortes nos vencimentos, nas pensões e nos subsídios, aumento das taxas moderadoras de saúde e das propinas escolares, entre outros.
Adivinha-se, portanto, uma verdadeira catástrofe social.
No entanto, a esmagadora maioria dos portugueses mantém-se serena. Ou mesmo resignada, entorpecida. Talvez à espera de um milagre, que nunca acontecerá.
Só isso pode explicar que mais de 70 por cento rejeitem eleições antecipadas e a possibilidade de lavarem a merda que tomou conta deste país. Porque, como os salteadores que (se) governam e o presidente-faz-de-conta, também acham que uma "crise política" não seria solução preferindo continuarem a arrastar-se na podridão desta crise social sem fim à vista.
Só isso e a sua cobardia de eleitores de alterne que, durante mais de 30 anos, outra coisa não têm feito senão darem tiros nos pés votando sempre em mais do mesmo — ou na direita ou no P"S" (que governa como a direita) — e queixarem-se depois que os políticos são todos iguais!
Além disso, a corja "governante" já há muito manifestara publicamente, através do seu megafone de serviço, Marques Mendes, a intenção de reduzir brutalmente a despesa pública, de forma permanente, em 4 mil milhões de euros/ ano à custa das vítimas do costume e pelos métodos habituais: despedimentos em massa na função pública, cortes nos vencimentos, nas pensões e nos subsídios, aumento das taxas moderadoras de saúde e das propinas escolares, entre outros.
Adivinha-se, portanto, uma verdadeira catástrofe social.
Só isso pode explicar que mais de 70 por cento rejeitem eleições antecipadas e a possibilidade de lavarem a merda que tomou conta deste país. Porque, como os salteadores que (se) governam e o presidente-faz-de-conta, também acham que uma "crise política" não seria solução preferindo continuarem a arrastar-se na podridão desta crise social sem fim à vista.
Só isso e a sua cobardia de eleitores de alterne que, durante mais de 30 anos, outra coisa não têm feito senão darem tiros nos pés votando sempre em mais do mesmo — ou na direita ou no P"S" (que governa como a direita) — e queixarem-se depois que os políticos são todos iguais!
quinta-feira, dezembro 27, 2012
O fascismo com pezinhos de lã
"Na realidade o muito que se fez pôs talvez mais em evidência o que não foi possível fazer, se realizou imperfeitamente ou se deixou perder depois de praticamente realizado. E na nossa mente deve ter-se sempre a necessidade de fomentar constantemente e por todos os meios o aumento do nível de vida geral do povo português, de resolver, em todos os escalões, o problema ainda premente da habitação e de levar a educação e a instrução a todos os lares portugueses. Continua a haver, infelizmente, muita gente que vive mal e com dificuldades imensas: façamos tudo, mas tudo, para que a sua vida não continue a ser apenas um martírio. Com este apelo, que vem do mais intimo da minha alma , chego ao fim desta mensagem. Mas não quero terminá-la sem que antes exprima, mais uma vez, toda a minha fé e toda a minha esperança nos destinos de Portugal." (Américo Tomás, último Presidente da República da ditadura, 1 de Janeiro de 1966)
"Este não foi o Natal que merecíamos. Muitas famílias não tiveram na Consoada os pratos [a] que se habituaram. Muitos não conseguiram ter a família toda à mesma mesa. E muitos não puderam dar aos filhos um simples presente. Já aqui estivemos antes. Já nos sentámos em mesas em que a comida esticava para chegar a todos, já demos aos nossos filhos presentes menores porque não tínhamos como dar outros. Mas a verdade é que para muitos, este foi apenas mais um dia num ano cheio de sacrifícios, e penso muitas vezes neles e no que estão a sofrer.
A eles, e a todos vós, no fim deste ano tão difícil em que tanto já nos foi pedido, peço apenas que procurem a força para, quando olharem os vossos filhos e netos, o façam não com pesar mas com o orgulho de quem sabe que os sacrifícios que fazemos hoje, as difíceis decisões que estamos a tomar, fazemo-lo para que os nossos filhos tenham no futuro um Natal melhor." (Pedro Passos Coelho, actual Primeiro-ministro, 26 de Dezembro de 2012)
Passados 46 anos, 38 dos quais em regime supostamente democrático, e descontada a diferença de idade e de cargo dos protagonistas, o que existe de verdadeiramente diferente nestas duas mensagens?
NADA!
Ambas são perfeitos exercícios de reles propaganda política, cinismo e hipocrisia.
Ambas exalam o mofo pestilento do salazarismo.
"O fascismo é uma minhoca
Que se infiltra na maçã
Ou vem com botas cardadas
Ou com pezinhos de lã"
Não há dúvida. Paulatinamente, ele está aí outra vez… Não tarda nada!
A eles, e a todos vós, no fim deste ano tão difícil em que tanto já nos foi pedido, peço apenas que procurem a força para, quando olharem os vossos filhos e netos, o façam não com pesar mas com o orgulho de quem sabe que os sacrifícios que fazemos hoje, as difíceis decisões que estamos a tomar, fazemo-lo para que os nossos filhos tenham no futuro um Natal melhor." (Pedro Passos Coelho, actual Primeiro-ministro, 26 de Dezembro de 2012)
Passados 46 anos, 38 dos quais em regime supostamente democrático, e descontada a diferença de idade e de cargo dos protagonistas, o que existe de verdadeiramente diferente nestas duas mensagens?
NADA!
Ambas são perfeitos exercícios de reles propaganda política, cinismo e hipocrisia.
Ambas exalam o mofo pestilento do salazarismo.
"O fascismo é uma minhoca
Que se infiltra na maçã
Ou vem com botas cardadas
Ou com pezinhos de lã"
Não há dúvida. Paulatinamente, ele está aí outra vez… Não tarda nada!
O Dia das Mentiras
Este ano, o Dia de Natal foi o Dia das Mentiras, tal a incomensurável distância entre o discurso televisivo de Passos Coelho e a realidade a que a sua política conduziu este desgraçado país.
O homem — se assim lhe podemos chamar — que fala de "um futuro próspero", de "vitória sobre a crise", de "uma sociedade mais justa", e de outras miragens, por incrível que pareça, é o mesmo Primeiro-ministro que, como nenhum outro, tem empobrecido e humilhado os portugueses, destruído a economia nacional, endividado Portugal e vendido o que dele resta, e se prepara para aprofundar esta catástrofe em 2013.
É um charlatão, um impostor, um mentiroso sem escrúpulos que devia ter vergonha de conspurcar "a Bandeira Nacional, símbolo da soberania da República, da independência, unidade e integridade de Portugal", usando o seu pin na lapela.
O homem — se assim lhe podemos chamar — que fala de "um futuro próspero", de "vitória sobre a crise", de "uma sociedade mais justa", e de outras miragens, por incrível que pareça, é o mesmo Primeiro-ministro que, como nenhum outro, tem empobrecido e humilhado os portugueses, destruído a economia nacional, endividado Portugal e vendido o que dele resta, e se prepara para aprofundar esta catástrofe em 2013.
| Excerto da tanga de Passos Coelho (clicar) |
sexta-feira, dezembro 14, 2012
Palavras!
Na sua "Mensagem de Boas Festas", Cavaco Silva tem o desplante de nos dizer que "não podemos perder a esperança", que, "Se caminharmos unidos, ultrapassaremos as dificuldades" e "de mãos dadas, conquistaremos um futuro melhor".
Palavras de circunstância, ocas, ofensivas até, vindas de quem tem sido conivente com um governo e uma política que nos têm infernizado a vida, que nos têm conduzido para um caminho sem saída, liquidando sonhos e expectativas de um futuro digno.
Mensagem que termina com a ironia de nos desejar "um ano de 2013 tão bom quanto possível", quando o seu autor bem sabe que isso será completamente impossível e, de resto, nada fará para o contrariar, a começar por ir promulgar sem pestanejar o OE2013, o maior roubo de que há memória, e assobiar para o lado aos 4 mil milhões de cortes previstos nas prestações sociais e nas despesas com a educação e a saúde.
Diz Cavaco (e nós concordamos) que "O povo português tem dado belos exemplos de solidariedade".
Lamentavelmente também tem dado péssimos exemplos de consciência cívica e política. Nomeadamente quando reelegeu este Presidente com os votos de apenas 23 por cento de eleitores. E, não contente com isso, deu a maioria a partidos que iriam governar com o programa da troika e matá-lo com uma austeridade cega e estúpida. Caso para dizer que "Quem 'boa' cama faz nela se deita"…
sexta-feira, novembro 16, 2012
Cuidado, este governo mata a democracia!
Estivemos a ver o "Opinião Pública", na SIC Notícias, sobre a "Violência na Manifestação" e, resumidamente, algumas perguntas muito claras se nos impõe fazer e forçosas conclusões retirar.
Assim, dado que o arremesso de pedras e as provocações à "polícia de choque" (eufemisticamente designada por corpo de intervenção) partiram de uma vintena de arruaceiros que se encontravam mesmo nas barbas dos agentes e bem destacados da grande massa de cidadãos que legal, pacífica e legitimamente manifestavam a sua indignação contra o governo, pergunta-se:
1. Por que não foram esses indivíduos imediatamente presos pela Polícia (dita) de Segurança Pública, que, como as fotos (foto 1, foto 2, foto 3, foto 4) documentam, até tinha agentes à paisana infiltrados na manifestação (afinal, com que intenção? prender os provocadores ou colaborar na provocação???)?
2. Por que só passadas duas longas horas o corpo de intervenção se decidiu a intervir, quando se aproximava a hora dos jornais televisivos e da grande "informação", transformando aquele facto na notícia do dia?
3. Por que é que o corpo de intervenção, que supostamente existe para defender o Estado de Direito democrático e as liberdades, direitos e garantias, carregou de forma brutal e indiscriminada (foto 1, foto 2, foto 3) sobre tudo o que mexia e o que não mexia, num perímetro muito para além do largo da Assembleia, incluindo as avenidas e ruas adjacentes, em vez de o fazer apenas no raio de 20/30 metros onde se encontravam os elementos desordeiros?
4. Afinal, a quem interessou esta brutal e mediática carga policial (a maior desde 1990, precisamente quando Cavaco era Primeiro-ministro) que outra coisa não foi senão uma grosseira violação de direitos humanos (cuja explicação a própria Amnistia Internacional já pediu ao governo)?
Tudo isto leva-nos a concluir que esta intervenção policial, tardia, indiscriminada, selvática, não aconteceu por acaso. Fez parte de uma táctica com objectivos que surgem agora com toda a nitidez. A saber:
1. Criar um facto/notícia que desvalorizasse e subalternizasse aquela que deveria ter sido, naturalmente, pela sua dimensão, a notícia do dia: uma das maiores greves gerais desde o 25 de Abril. E a que, por isso, não foi dado o relevo mais que devido.
2. Semear o medo nos cidadãos, em especial naqueles que agora estão a acordar para a participação cívica e para a luta pelos seus direitos, tentando desesperadamente fazê-los regressar ao "bom caminho" do "come e cala".
Esta intervenção e este comportamento da Polícia interessam pois ao Governo. E são da sua inteira e exclusiva responsabilidade.
De um governo que tudo faz para destruir a economia e a vida dos seus cidadãos.
De um governo que tudo faz para destruir o Estado Social e abandonar a esmagadora maioria das pessoas à sua sorte.
De um governo que tudo faz para "sequestrar, condicionar, amputar" o Estado de Direito democrático.
Cuidado, este governo mata a democracia!
Assim, dado que o arremesso de pedras e as provocações à "polícia de choque" (eufemisticamente designada por corpo de intervenção) partiram de uma vintena de arruaceiros que se encontravam mesmo nas barbas dos agentes e bem destacados da grande massa de cidadãos que legal, pacífica e legitimamente manifestavam a sua indignação contra o governo, pergunta-se:
1. Por que não foram esses indivíduos imediatamente presos pela Polícia (dita) de Segurança Pública, que, como as fotos (foto 1, foto 2, foto 3, foto 4) documentam, até tinha agentes à paisana infiltrados na manifestação (afinal, com que intenção? prender os provocadores ou colaborar na provocação???)?
2. Por que só passadas duas longas horas o corpo de intervenção se decidiu a intervir, quando se aproximava a hora dos jornais televisivos e da grande "informação", transformando aquele facto na notícia do dia?
3. Por que é que o corpo de intervenção, que supostamente existe para defender o Estado de Direito democrático e as liberdades, direitos e garantias, carregou de forma brutal e indiscriminada (foto 1, foto 2, foto 3) sobre tudo o que mexia e o que não mexia, num perímetro muito para além do largo da Assembleia, incluindo as avenidas e ruas adjacentes, em vez de o fazer apenas no raio de 20/30 metros onde se encontravam os elementos desordeiros?
4. Afinal, a quem interessou esta brutal e mediática carga policial (a maior desde 1990, precisamente quando Cavaco era Primeiro-ministro) que outra coisa não foi senão uma grosseira violação de direitos humanos (cuja explicação a própria Amnistia Internacional já pediu ao governo)?
Tudo isto leva-nos a concluir que esta intervenção policial, tardia, indiscriminada, selvática, não aconteceu por acaso. Fez parte de uma táctica com objectivos que surgem agora com toda a nitidez. A saber:
1. Criar um facto/notícia que desvalorizasse e subalternizasse aquela que deveria ter sido, naturalmente, pela sua dimensão, a notícia do dia: uma das maiores greves gerais desde o 25 de Abril. E a que, por isso, não foi dado o relevo mais que devido.
2. Semear o medo nos cidadãos, em especial naqueles que agora estão a acordar para a participação cívica e para a luta pelos seus direitos, tentando desesperadamente fazê-los regressar ao "bom caminho" do "come e cala".
Esta intervenção e este comportamento da Polícia interessam pois ao Governo. E são da sua inteira e exclusiva responsabilidade.
De um governo que tudo faz para destruir a economia e a vida dos seus cidadãos.
De um governo que tudo faz para destruir o Estado Social e abandonar a esmagadora maioria das pessoas à sua sorte.
De um governo que tudo faz para "sequestrar, condicionar, amputar" o Estado de Direito democrático.
Cuidado, este governo mata a democracia!
sexta-feira, novembro 02, 2012
PORTUGAL, COLÓNIA DO FMI
Quando nas eleições legislativas de 5 de junho de 2011, cerca de 42 por cento dos eleitores se abstiveram e a esmagadora maioria dos restantes 58 por cento deram o seu voto aos partidos que assinaram o memorando da Troika, era sabido que tínhamos o destino traçado: passaríamos a ser um protectorado do FMI & Cia. e a ser “governados” (roubados, humilhados, aniquilados, entenda-se) segundo os seus ditames.
Porém, pouco mais de um ano passado, a realidade revela-se bem mais trágica. Portugal perdeu completamente a sua soberania e não passa agora de uma colónia “governada” por meros gestores de negócios da Troika e do capitalismo mundial.
Porém, pouco mais de um ano passado, a realidade revela-se bem mais trágica. Portugal perdeu completamente a sua soberania e não passa agora de uma colónia “governada” por meros gestores de negócios da Troika e do capitalismo mundial.
Isso explica que a chamada “reforma do estado” — que outra coisa não é senão a destruição do que resta do Estado Social e visa, no imediato, cortar 4 mil milhões de euros nas despesas com a Saúde, a Educação e a Segurança Social (cortes que, não tenhamos ilusões, serão para continuar) — seja imposta e executada pelo próprio FMI!…
Portugal está a ser destruído à velocidade da luz. Com a conivência, o silêncio ou a impotência dos seus órgãos de “soberania”, soberania que alienaram ou são incapazes de exercer.
Só o povo, por mais desmoralizado ou distraído que ainda esteja, pode por fim a esta catástrofe. E estamos certos que o fará, quando não conseguir suportar mais austeridade, dor e humilhação.
Só o povo, por mais desmoralizado ou distraído que ainda esteja, pode por fim a esta catástrofe. E estamos certos que o fará, quando não conseguir suportar mais austeridade, dor e humilhação.
“Quando o povo acorda é sempre cedo.”
quarta-feira, outubro 24, 2012
Agarrem-me que vou vomitar!
Em Portugal, o subsídio de desemprego é dos mais baixos da Europa, constituindo um grave problema para centenas de milhares de pessoas, grande parte das quais obrigada a sobreviver abaixo do limiar da pobreza.
Mas não para este governo, que há dias, numa jogada de propaganda, admitiu vir a pedir uma autorização legislativa para taxar as transacções financeiras — no dia de S. Nunca, é claro! —, mas agora manifesta a intenção de cortar 10 por cento nas magras prestações que os desempregados recebem. É esta a noção de equidade de uma corja de malfeitores cuja imaginação não tem limites quando se trata de desgraçar a vida não apenas de quem trabalha mas até quem nem sequer essa possibilidade tem. Agarrem-me que vou vomitar!
terça-feira, outubro 23, 2012
O regresso ao salazarismo
Não deixa de ser curioso e paradoxal que o FMI, apesar de ser habitualmente o elemento da Troika mais odiado pelos manifestantes, ao contrário do silêncio da Comissão Europeia e do BCE, dominados pela Alemanha, seja a única organização a reconhecer a dificuldade de aplicação dos "programas de ajustamento", tendo mesmo a sua presidente Christine Lagarde afirmado que é preciso pôr um travão na austeridade.
Cavaco Silva, em quem ninguém tem posto a vista em cima, por ter-se esquecido que ainda é o Presidente da República, ou por medo de enfrentar a contestação popular, lembrou-se que tem uma conta no Facebook e, aproveitando as palavras de Lagarde, foi lá deixar um recadinho, afirmando "esperar que a orientação do FMI chegue aos ouvidos dos políticos europeus dos chamados países credores e de outras organizações internacionais".
Coisa certa mas pouca. Tão pouca que o PSD ironizou com o facto de Cavaco ter usado as redes sociais para marcar posição e o Ministro das Finanças veio de imediato afirmar não ter retirado esse entendimento das declarações do FMI.
Concluindo, quando tanto precisamos de um Presidente da República que utilizasse todos os poderes que a Constituição lhe confere para confrontar o "governo" com a realidade e responsabilizá-lo pela tragédia que está a incubar, parece que voltámos aos tempos do salazarismo: o Ministro das Finanças (foi por aí que Salazar começou antes de ser Presidente do Conselho) manda e o Presidente da República corta fitas ou (com medo) nem isso.
quinta-feira, outubro 18, 2012
A Lusofonia é uma festa da diversidade cultural
O último dia do III Encontro de Escritores de Língua Portuguesa, em Natal, foi um forrobodó literário, uma verdadeira festa da diversidade cultural e literária da língua de Camões, com os países da lusofonia unidos numa mesma dança a dar ancas às consoantes e devolver seios às vogais (para usar uma expressão de Mia Couto).
Curiosamente, muito se falou sobre Literatura Oral e Tradicional, de línguas e dialectos que não conhecem expressão escrita, da pluralidade do português e ninguém se lembrou do Acordo Ortográfico. Ainda bem. A Lusofonia e a Língua Portuguesa dispensam-no perfeitamente.
quarta-feira, outubro 17, 2012
Azar e sorte
É um enorme azar, mas percebe-se, que António Borges, um facínora ultra-liberal, seja consultor da "corja de salteadores" (ministro extra-numerário, como lhe chamou Louçã) e lidere o processo de liquidação do que resta dos recursos nacionais.
Mas é uma enorme sorte, em tempos de tristeza e depressão, termos um palhaço que não se enxerga ao espelho quando acusa os outros de ignorantes e, sempre que fala, só debita asneiras e piadas (ainda que de mau gosto).
É que é mesmo um enorme azar termos um ministro das finanças que tudo tem feito, de forma consciente e ideológica — não, o homem não é louco! — para destruir o país, a economia e a vida da esmagadora maioria dos portugueses, com doses massivas de austeridade e orçamentos impossíveis de executar, porque não passam de gigantescos assaltos à mão armada a quem já pouco mais tem que se lhe roube!
Mas, apesar de tudo, é uma enorme sorte para todos nós que a obsessão do homem consiga pôr todo o país contra ele e leve ao desmoronamento da coligação governamental, à queda do governo e ao chumbo do "arrastão fiscal" para 2013. Já falta pouco…
PS — Coincidência (ou talvez não): António Borges é o único a vir a público defender Vítor Gaspar; e Alexandre Soares dos Santos, dono do Pingo Doce e o homem mais rico de Portugal, o único a defender o seu "inteligente" administrador!
terça-feira, outubro 16, 2012
Bem-vindos ao neo-fascismo!…
Trabalhadores e pensionistas vão pagar 70 por cento do défice. Carga fiscal vai atingir 36,8 por cento do PIB e será a mais elevada dos últimos 35 anos. 80 por cento da chamada consolidação orçamental (que no fim não acontecerá) vai ser feita do lado da receita. O Governo abre a corrida às reformas até ao final do ano. Protestos em São Bento acabam com carga policial em frente à residência do primeiro-ministro.
O que é que tudo isto tem a ver com a democracia?… Rigorosamente nada!…
Sejam bem-vindos ao neo-fascismo!…

O que é que tudo isto tem a ver com a democracia?… Rigorosamente nada!…
Sejam bem-vindos ao neo-fascismo!…
segunda-feira, outubro 15, 2012
A arte de furtar
OE2013: menos 2,7 mil ME na despesa, mais 4 mil ME na receita: Maioria da consolidação é conseguida do lado da receita, ao contrário do que a troika queria
.
Sentimos demais na pele, na carne, e até na alma, os efeitos da maldita e inútil austeridade. O caminho não pode ser este!
Mas não deixa de ser "curioso" que a troika defenda que a "consolidação" orçamental se faça sobretudo pelo redução da despesa pública, em particular as gorduras e mama do Estado, e os "salteadores", pelo contrário, prefiram ir sempre e mais à carteira do povo.
O Orçamento é uma obra de arte: a arte de furtar!…
Sentimos demais na pele, na carne, e até na alma, os efeitos da maldita e inútil austeridade. O caminho não pode ser este!
Mas não deixa de ser "curioso" que a troika defenda que a "consolidação" orçamental se faça sobretudo pelo redução da despesa pública, em particular as gorduras e mama do Estado, e os "salteadores", pelo contrário, prefiram ir sempre e mais à carteira do povo.
O Orçamento é uma obra de arte: a arte de furtar!…
quinta-feira, outubro 11, 2012
Marx estava certo
A agressão dirigida a pessoas no poder pode aumentar, tal como os suicídios, revela a psiquiatria.
O segundo aspecto cremos que é uma dramática consequência da competição, da pressão e do stress a que a vida moderna e o sistema em que a mesma se insere submetem os indivíduos.
Já o primeiro não é senão fruto do sentimento de revolta que se apodera da maioria da sociedade, quando finalmente descobre que o poder estabelecido defende os interesses de uma minoria, em vez de prosseguir o bem comum, como propagandeia.
Ou seja, a luta de classes está viva. Porque este sistema iníquo e imoral enriquece cada vez mais uma minoria de exploradores à custa do empobrecimento cada vez maior e mais generalizado da população. Porque a maioria da sociedade já não acredita (ou tem imensas dificuldades de acreditar) num sistema em que "a liberdade de eleição permite apenas escolher o molho com que seremos devorados." Porque a minoria que detém o poder e os privilégios nunca deles abdicará, voluntária e pacificamente, em prol duma sociedade mais justa e igualitária. Há 150 anos, Marx estava certo.
O segundo aspecto cremos que é uma dramática consequência da competição, da pressão e do stress a que a vida moderna e o sistema em que a mesma se insere submetem os indivíduos.
Já o primeiro não é senão fruto do sentimento de revolta que se apodera da maioria da sociedade, quando finalmente descobre que o poder estabelecido defende os interesses de uma minoria, em vez de prosseguir o bem comum, como propagandeia.
quarta-feira, outubro 10, 2012
2.º lugar na subida de impostos
Portugal em 2.º lugar na subida de impostos no mundo! Antes dos novos impostos a aplicar em 2013. Para o ano, está garantida a subida ao primeiro lugar!


segunda-feira, outubro 01, 2012
O ministro extraordinário
Quando um irresponsável é encarregado pelo governo, no âmbito do Memorando da Troika, de vender a pataco o que resta do sector empresarial do Estado, de fazer de conta que anda a renegociar as parcerias público-privado deixando o sorvedouro continuar, de estruturar a Banca (que continua a fechar a torneira do crédito às (pequenas e médias) empresas… Quando tem a obsessão de cortar nos salários (que são já dos mais baixos da União Europeia) para aumentar a competitividade das empresas, estando provado que esse está longe de ser o factor mais importante para o conseguir, além de agravar a recessão da economia pela diminuição do poder de compra das famílias e a destruição do mercado interno… Quando consegue a crítica (quase) unânime da esquerda à direita, dos sindicatos às confederações patronais, da esmagadora maioria dos economistas…
E, no entanto, do alto da sua presunção, acha que todos os outros não passam de uma cambada de ignorantes, poderíamos pensar que a luminária não é senão uma anedota.
Acontece porém que a coisa é muito mais grave. O energúmeno, milionariamente pago pelos contribuintes, é conselheiro de Passos Coelho. Uma espécie de ministro extraordinário cuja doutrina económica ultra-liberal pode conduzir este país a um abismo sem retorno.
sexta-feira, setembro 28, 2012
Enquanto é tempo. Enquanto há força.
Os dois objectivos da política da Troika e do "governo" que a executa zelosamente são a redução do défice orçamental e a redução da dívida pública. A todo o custo.
Mesmo que para isso tenham de empurrar a economia para a recessão, levando milhares de empresas à falência e agravando imparavelmente o desemprego (que ultrapassa já 1 milhão e 300 mil desempregados).
Mesmo que para isso tenham de cortar salários e pensões, roubar subsídios, e cortar mais e sempre nas despesas em áreas fundamentais como a saúde, a educação e a segurança social.
Mesmo que para isso aumentem dramaticamente as contribuições e impostos e não percebam que, desse modo, liquidando a economia e a vida das pessoas, acabam por conseguir menos receitas fiscais.
Acontece, porém, que, com esta austeridade estúpida, com esta política irracional, o défice orçamental está, afinal, bem longe da meta inicialmente prevista (6,8% do PIB em vez de 4,5%) e a dívida pública sobe para cerca de 119% do PIB!
A juntar a este falhanço esperado, a Segurança Social, pela primeira vez em 11 anos, regista um défice de 694 milhões de euros!
É este o "bom caminho" de que o "governo" fala: o caminho do empobrecimento generalizado dos portugueses, o caminho da destruição do país, o caminho para o inferno.
De uma vez por todas: se queremos inverter este caminho e evitar a tragédia, temos de pôr fim a esta política e correr com os seus executores. Enquanto é tempo. Enquanto há força.
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