terça-feira, junho 28, 2011

O regresso à escola do "Estado Novo"?…

O novo Ministro da Educação "lembra que primeiro é preciso saber os nomes das capitais e as linhas de caminho de ferro e só depois pensar. Sublinha que a política educativa deve servir para seleccionar e não para incluir. Diz ainda que em Portugal não há exames e que isso é uma pena porque a fazer exames aprende-se mais do que a estudar de forma calma e descontraída." Esquerda.Net


Nuno Crato quer ressuscitar a escola do "Estado Novo"!… Só falta mesmo pôr a malta a cantar o Hino da Mocidade Portuguesa!…

Até ver…

Era o tempo da longa noite do fascismo.



Hoje — pensávamos nós que vivíamos em democracia!… — os vampiros continuam aí! E o capital, com as suas agências de rating, os seus meios de comunicação (leia-se "propaganda") e esse tenebroso mecanismo a que chamam mercado, é quem mais ordena! Até ver…

sexta-feira, junho 24, 2011

Volta amanhã, realidade!

A crise existe mas não para todos. Os banqueiros, por exemplo, que trataram de sacar o maior volume de dividendos possível e guardá-los bem guardados em off-shores, fugindo ao fisco e descapitalizando a banca!…
Mas isso que lhes importa, se vão receber 12 mil milhões para tapar o buraco que criaram e mais 35 mil milhões de avales do Estado para se financiarem, e quem vai pagar tudo isso são os outros??… (Os outros somos nós, os portugueses. Sim, os portugueses, que ao contrário dos gregos e dos espanhóis, que resistem como podem, parece que só pensam nas férias! Pois, podem ter a certeza que de nada adiantará enterrar a cabeça na areia da praia! Em Setembro, a realidade estará à nossa espera, mais crua do que nunca!…)

Eles comem tudo

Em Portugal, a concentração bancária é muito superior à média da UE. Segundo o Banco de Portugal, em 2009, os cinco maiores bancos a operar no nosso País controlavam mais de 70% do valor dos "activos" de todos os bancos, quando na UE os cinco maiores bancos controlavam, em média, em cada país 42% dos "activos". Este poder já enorme dos cinco maiores bancos é ainda aumentado pela posição dominante que também têm nos outros segmentos de mercado do sector financeiro (seguros; fundos de pensões; fundos de investimento mobiliário; fundos de investimento imobiliário; e gestão de activos). Esta situação, associada ao facto de uma parte importante do capital dos 4 maiores bancos privados já pertencer a grandes grupos financeiros internacionais, dá-lhes um imenso poder sobre o poder politico e sobre todo o processo de desenvolvimento em Portugal, condicionando-o de acordo com os seus interesses

A banca é um negócio "especial", pois os banqueiros negoceiam fundamentalmente com dinheiro alheio obtendo assim elevados lucros. Segundo o Banco de Portugal, em Dezembro de 2010, o valor de todos os "Activos" da banca a operar em Portugal atingia 531.715 milhões €, enquanto os chamados "Capitais Próprios" da banca, ou seja, o que pertencia aos seus accionistas, somava apenas 32.844 milhões €, isto é, correspondia a 6,2%; por outras palavras, o valor dos Activos era 16,2 vezes superior ao valor do "Capital Próprio" dos "Activos". Este rácio revela o elevado grau de "alavancagem " existente no sistema bancário em Portugal que permite aos banqueiros obter elevados lucros com pouco capital próprio (o que lhes pertence).

A banca a operar em Portugal está descapitalizada devido a uma elevada distribuição de lucros (o mesmo sucede com a EDP e PT, por exemplo). Mesmo em plena crise os banqueiros não se coibiram de o fazer. Segundo o Banco de Portugal, no período 2007-2010, os lucros líquidos da banca, depois do pagamento dos reduzidos impostos a que está sujeita, somaram 8.972 milhões €. Entre Dezembro de 2007 e Dezembro de 2010, os Capitais Próprios da banca aumentaram apenas 4.571 milhões €. Apesar de redução de "Capitais Próprios" em 2008, uma parte dos 4.401 milhões € de lucros líquidos restantes foram distribuídos. E isto é reforçado quando o aumento de "capital" foi também conseguido através de novos accionistas. O Fundo de Garantia de Depósitos, cujo provisionamento é da responsabilidade da banca, está também subfinanciado (pensa-se em 15.000 milhões €). Este fundo é referido no ponto 2.15 do " Memorando".
Fala-se muito da divida do Estado, mas segundo o Banco de Portugal, a banca devia, em Dez-2010, 49.157 milhões € ao BCE e 81.125 milhões € a outros bancos, ou seja, 130.282 milhões €.

A banca em Portugal está profundamente fragilizada. A prova disso é que ela é incapaz de se financiar nos "mercados internacionais" sem a ajuda (o aval do Estado). A banca é também incapaz de financiar a economia, agravando a crise e o desemprego. Entre Dez-2009 e Dez-2010, o crédito em Portugal diminuiu em 1.965 milhões €, apesar dos depósitos na banca terem aumentado em 12.080 milhões €. A continuar, milhares de empresas entrarão em falência fazendo disparar ainda mais o desemprego. A agravar tudo isto está a exigência de "desalavancagem do sector bancário" constante dos pontos 2.2 e 2.3 do Memorando. O "rácio" de transformação na banca (quociente entre o credito liquido a clientes e os depósitos) é considerado pelas agências de rating, pelo FMI e pelo BCE como sendo muito elevado, e estão a pressionar o governo e o Banco de Portugal para que desça. Entre Dez/2009 e Dez/2010, o "rácio" de transformação diminuiu de 146% para 138%, ou seja, a banca reduziu o crédito de 1,46€ para 1,38€ por cada um euro de depósitos. A redução para 120%, como exigem as agências de rating, reduzirá ainda mais a capacidade da banca para financiar a economia, agravando a crise.

Esta situação é agravada pela profunda distorção da política de crédito dos banqueiros na busca de lucros fáceis e elevados, responsável também pela actual crise. Entre 2000 e 2010, o crédito a habitação aumentou em 156%; o crédito ao consumo subiu em 137%; mas o crédito à actividade produtiva (agricultura, pescas e industria transformadora) cresceu apenas em 41%. Em Dez/2010, o crédito à actividade produtiva representava apenas 5,5% do credito total, enquanto à habitação atingia 34,6%, à Construção e Imobiliário 12,6% e ao Consumo 4,9%. E tenha-se presente que a banca financiou o crédito à habitação, que é um crédito a longo prazo (30-40 anos), com empréstimos a curto e médio prazo, pois não possui meios financeiros próprios. E como não consegue novos financiamentos para os substituir, as dificuldades da banca crescem, e corta ainda mais no crédito. No "Memorando de entendimento" estão duas medidas: (1) O Estado conceder avales à banca até 35.000 milhões para esta se poder financiar; (2) O Estado endividar-se até 12.000 milhões € para reforçar o capital da banca. Mas isto é só admissível se o Estado controlar os bancos que forem apoiados, até porque a situação difícil que vive a banca "portuguesa" é consequência também da má gestão dos banqueiros, e deixá-los à "solta", é permitir que continuem uma politica que tem sido nefasta para o País e para os portugueses.  artigo original em resistir.info
Eugénio Rosa, economista

quarta-feira, junho 15, 2011

Não queremos ser comidos, certo?…

O dólar entrou numa espiral de morte e a economia americana precipita-se para a falha do sistema. Juntando a isto o descalabro da Eurolândia e a interminável estagnação do Japão, não estaremos, certamente, perante o fim da História, mas poderá ser, provavelmente, o deflagrar da implosão do sistema capitalista! A ver vamos…
Seja como for, na encruzilhada em que nos encontramos, talvez ainda seja cedo para sabermos o que virá a seguir… Acreditamos que há-de ser uma sociedade mais justa, solidária, igual, uma sociedade socialista. Mas alcançá-la não será nada fácil. Teremos de lutar. Com sangue, suor e lágrimas. Porque nesta "democracia em que vivemos […], sequestrada, condicionada, amputada" (cf. José Saramago), "a liberdade de eleição permite-nos [apenas] escolher  o molho com que seremos comidos" (cf. Eduardo Galeano).

terça-feira, junho 07, 2011

O "rating" da democracia portuguesa

MAP tem razão. Com mais de "40 por cento de portugueses maiores, vacinados e com direito de voto", a assobiarem para o lado como se nada fosse consigo, e a maioria dos restantes a votarem na "mudança" das moscas e na continuação da "merda" — o plano de saque dos "mercados", que apenas garante  recessão, pobreza, desemprego, despedimentos fáceis, destruição do SNS, e da escola e da segurança social públicas —, a "democracia" portuguesa atingiu, finalmente, o "rating" de "lixo"!
Mais do que resgatar a dívida, é a democracia que deveríamos ter resgatado! Espero que ainda não seja tarde…

Temos a "democracia" que merecemos!

"A democracia em que vivemos é uma democracia sequestrada, condicionada, amputada, porque o poder do cidadão […] limita-se a tirar um governo de que não gosta e a pôr outro de que talvez venha a gostar. Nada mais! Mas as grandes decisões são tomadas numa outra esfera: as grandes organizações financeiras internacionais […]." Isto disse José Saramago há alguns anos. E foi precisamente o que aconteceu no passado domingo.
A esmagadora maioria dos portugueses, votando ou abstendo-se, limitou-se a correr com o governo do P"S", de que não gostava (mais até José Sócrates, que já não podia ver), e a escolher um governo da Direita, de que imagina vir a gostar.
Claro que só pode ser imaginação doentia já que o programa com que nos querem arrancar a pele continua a ser o que era — foi imposto pelas "organizações financeiras internacionais", lembram-se? — e, aliás, Passos Coelho já fez questão de afirmar que o "novo" Governo pode surpreender e ir além das metas da 'troika'!…
Para ser franco, depois do que aconteceu no passado dia 5, já nada me surpreenderá! Temos a "democracia" que merecemos!…
Só lamento que, tal como a minoria que não teve quaisquer responsabilidades nesta desastrosa escolha eleitoral, também tenha de sofrer as suas consequências!…

segunda-feira, junho 06, 2011

Vencedores

Em nenhumas eleições desta espécie de democracia que é a portuguesa foi tão fácil escrever por antecipação como nas presentes.
E assim posso escrever à sexta-feira de manhã que, à margem de todas as sondagens, estas legislativas antecipadas constituíram a crónica de vencedores anunciados e coligados.
E os vencedores foram as agências de ‘rating', paradigma do império da manipulação sobre as regras de vida democrática, e também o Fundo Monetário Internacional e a Comissão Europeia presidida pelo dr. Barroso — que prega austeridade para os pobres e, ao que se diz, esbanja milhões em festanças. E porque é que são estes os vencedores? Ora ainda bem que me fazem essa pergunta. Porque os primeiros provocaram uma crise, elevando os custos de resgate da dívida para níveis insustentáveis; e os segundos, usando o pretexto da crise, impuseram uma mudança política e social radical e de longa duração em Portugal.
Os vencedores das eleições são efémeros: duram uma ou duas legislaturas e depois vergam-se à lei do alterne democrático porque, de algum modo, a actuação dos eleitos fica sujeita a um próximo escrutínio. No caso presente, não houve nem haverá escrutínio para a vitória do FMI e da Comissão Europeia de fundamentalistas neoliberais. As mudanças não ficam sujeitas às legislaturas. Isso será apenas para os gerentes da nova ordem das coisas em Portugal, capatazes que aceitam submeter-se às ordens de patrões não eleitos. As mudanças no plano político, económico e social são para ficar.
Estes são os vencedores. Quanto aos vencidos, o que mais perdeu foi o regime democrático. Pois se até a Constituição da República, em vez de mandar nas leis, vai ser adequada ao que os novos patrões de Portugal já decidiram...

sábado, junho 04, 2011

Já reflectiste filho?

por Mário Tomé

Já reflectiste? reflecte filho reflecte. Os gajos andam aí a dizerem-te para reflectires ontem, para toda a vida. Já reflectiste filho? Olha que os gajos foram dar porrada no pessoal no Rossio. Eles andam-se a treinar, primeiro em Setúbal, depois em Lisboa. Porquê? não interessa. Estavas onde devias estar, na rua que é tua, é o espaço da democracia e não estavas a chatear ninguém. Mas eles prendem e arreiam porque sim, porque se não estavas a chatear, irias chatear, e se não fosse chatear, isso és tu que dizes, que eles têm informações, que a democracia é contra a ordem. Bem lhes podes dizer que é contra a democracia que eles dizem que a democracia é contra a ordem! Quem os ensinou? os respeitáveis democratas do nosso país: o Ministro da Administração Interna e o Presidente da Câmara, o querido António Costa, a polícia acho que foi a municipal — o pessoal preso foi para a esquadra da Palhavã. E os democratas já mataram muita gente que defendia a democracia e eles disseram que era contra a ordem: o Luís Caracol, à cacetada na rua no Governo do PS com o CDS, em 1977, o José Jorge Morais, a tiro (para o ar que os ricochetes são certeiros) no Governo do PS com o CDS. E deixaram o Jorge Falcato Simões hemiplégico e os gajos do Cavaco, na luta da ponte deixaram o Luís Miguel de cadeira de rodas. E é assim, não há responsáveis nem altos nem baixos nem medianos. Há só as famílias a chorar e a malta a enterrar os mortos. Já vês por que é que os cabrões não querem qu'a malta tenha memória?
E não querem qu'a malta ocupe o seu lugar na rua (a rua é nossa, não é dos cabrões dos esbirros, nem dos cabrões dos que mandam neles, as altas entidades do Governo, o Sócrates, os Ministro, o Presidente, a Troika, os ladrões e corruptos que fizerem da corrupção uma coisa de gente séria!
Estás entalado filho, estás lixada filha, se não preparas as coisas para o grande combate que aí vem.
Eu sei filho que os que te vão tirar não sei quantos do salário, do abono, do emprego, da pensão, do subsídio, do tempo de trabalho aos bochechos, e é se queres, que lá foram há muitos à espera de serem postos a recibo verde, os que te vão pôr a trabalhar até aos 70, que te lixam o SNS, a escola mesmo esta de fazer chouriços, e te vão fazer pagar mais IVA para os patrões serem produtivos, sabes como é, não sabes? então não digas que não sabes.
Os senhores da Troika, mais a Troika dos senhores enchem a mula (viste esta do Durão? era lá capaz disso um homem tão capaz!, dizias tu) e querem gozar contigo.
É tempo de os lixares. Precisamos de dar força a um programa político que os deixe a falar sozinhos. […].
Reflecte filho, reflecte. Já reflectiste? Bem me parecia.

Vejam bem

Sócrates nunca prestou nem presta, […] Passos Coelho não presta nem nunca prestará e […] Paulo Portas foi, é e será imprestável.

Aos 47 anos, não era para admirar: a minha optometrista demonstrou-me que os meus olhos padecem de hipermetropia e presbiopia. O olho esquerdo acumula estas moléstias com um assinalável véu astigmático. Quer dizer que troquei os óculos de leitura por umas cangalhas de lentes progressivas para o resto da vida. Sou, portanto, hipermétrope, presbita e astigmata. Paciência: a idade e as fadigas deram-me as duvidosas mas indubitáveis prendas do “olho curto”, da ovalação da córnea e da formação de imagens atrás da retina.
Quero porém deixar claramente expresso, sem pretender dar nas vistas, que nada disto me impede de ver com toda a nitidez que Sócrates nunca prestou nem presta, que Passos Coelho não presta nem nunca prestará e que Paulo Portas foi, é e será imprestável. Não há desfoque físico que me impeça de ver tudo isto com a mais cristalina, reverberante, nívea, luminosa e iluminada clareza.
Podem ser turvas as minhas escleróticas, pupilas e córneas; pode o meu humor aquoso ter conhecido dias bem mais solares; pode qualquer das minhas íris nunca mais irisar com olhos de ver; pode o humor vítreo estar estilhaçado como nunca; pode o nervo óptico andar mais nervoso do que vidente; pode o cristalino achar-se, até por melancolia, mais turvo do se calhar merecia; podem a retina e a coróideia ter chegado a este ponto algo torpe da insuficiência de acomodação tão própria dos presbitas. Podem, podem.
O que não podem é impedir-me de continuar a ter os olhos abertos. Eles estarão cansados, tristes e a funcionar mal no mundo das volumetrias luminoplastas. Eles, os olhos, estão. A vista está. Mas a visão, não. Olho com dificuldade, mas vejo perfeitamente.
E o que perfeitamente vejo é que Sócrates nunca prestou nem presta, que Passos Coelho não presta nem nunca prestará e que Paulo Portas foi, é e será imprestável. Dia 5 de Junho, na posse dos meus óculos novos, não terei qualquer dificuldade em ver de onde venho e para onde quero ir. Os meus leitores verão, naturalmente, o que quiserem ver. Porque ver é ser, não é olhar para o lado.
O mais que recomendo é que, em vez de vistas curtas, se lembrem da canção que dá nome a esta crónica. Porque “não há só gaivotas (ou milhafres) em terra / quando um homem se põe a pensar”.



terça-feira, maio 24, 2011

O eucalipto e os fiscais

"A banca é um eucalipto que secará tudo à sua volta, impedindo que haja mais justiça e mais riqueza”. E, na verdade, se dos 78 mil milhões que estão prometidos, os bancos engolirem mais de metade (12 mil milhões, directamente, e 35 mil milhões, em garantias do Estado) e cerca de 30 mil milhões forem para pagamento de juros, é fácil de perceber que nada sobrará para a recuperação da economia e o combate ao desemprego.
E no entanto, será a maioria dos portugueses a pagar, com sangue, suor e lágrimas, a chamada ajuda externa, se votar na coligação de fiscais do FMI (PS-PSD-CDS). A menos que vote na Esquerda (BE-CDU) e, deste modo, possibilite a formação de um governo capaz de exigir uma rigorosa auditoria à dívida e a sua indispensável renegociação. Só assim conseguiremos levantar a cabeça e sair do atoleiro em que nos atascaram.

domingo, maio 22, 2011

Manifesto Plural

MANIFESTO PLURAL
(aprovado na Assembleia Popular do Rossio)
Os reunidos no Rossio, conscientes de que esta é uma acção em marcha e de resistência, acordaram manifestar o seguinte:

1. Depois de muitos anos de apatia, um grupo de cidadãs e cidadãos de diferentes idades e estratos sociais (estudantes, professores, bibliotecários, desempregados, trabalhadores…), REVOLTADOS com a sua falta de representação e com as traições levadas a cabo em nome da democracia, reuniram-se, no Rossio, em torno da ideia de Democracia Verdadeira.

2. A Democracia Verdadeira opõe-se ao paulatino descrédito de instituições que dizem representar os cidadãos, convertidas em meros agentes de administração e gestão, ao serviço das forças do poder financeiro internacional.

3. A democracia promovida a partir dos corruptos aparelhos burocráticos é, simplesmente, um conjunto de práticas eleitorais inócuas, em que os cidadãos têm uma participação nula.

4. O descrédito da política trouxe consigo um sequestro das palavras, por parte de quem detém o poder. Devemos recuperar as palavras e dar-lhes significado, para que não se manipule com a linguagem e se deixe a cidadania indefesa e incapaz de uma acção coesa.

5. Os exemplos de manipulação e sequestro da linguagem são numerosos e constituem uma ferramenta de controlo e desinformação.

6. Democracia Verdadeira significa dar nome à infâmia em que vivemos: Fundo Monetário Internacional, Banco Central Europeu, NATO, União Europeia, as agências de notação financeira (rating), como a Moody’s e a Standard and Poor’s, o PS, PSD, CDS; contudo, há muitos mais e a nossa obrigação é nomeá-los.

7. É preciso construir um discurso político capaz de criar um novo tecido social, sistematicamente fragilizado por anos de mentiras e corrupção. Nós, cidadãos, perdemos o respeito pelos partidos políticos maioritários, mas isso não significa perder o nosso sentido crítico. Pelo contrário, não tememos a POLÍTICA. Tomar a palavra é POLÍTICA. Procurar alternativas de participação cidadã é POLÍTICA.

8. Uma das nossas premissas principais é devolver à Democracia o seu verdadeiro sentido: um governo dos cidadãos. Uma democracia participativa. E, para além disso, exigimos uma deontologia para os políticos que assegure as boas práticas.

9. Fazemos finca-pé em que os cidadãos aqui reunidos compomos um movimento TRANSGERACIONAL, porque pertencemos a várias gerações condenadas a uma perda intolerável de participação nas decisões políticas que condicionam a sua vida diária e o seu futuro.

10. Não apelamos à abstenção. Exigimos que o nosso voto tenha uma influência real na nossa vida.

11. Hoje não estamos aqui para reclamar simplesmente o acesso a subsídios ou para protestar contra as insuficiências do mercado de trabalho. ESTE É UM ACONTECIMENTO. E, como tal, um evento capaz de abrir novos sentidos às nossas acções e discursos. Isto nasce da RAIVA. Mas a nossa RAIVA é imaginação, força, poder cidadão.
fonte 5 dias 

Subscrevemos na íntegra. E relevamos os pontos 6. — é preciso chamar os "bois" pelos nomes — e 7. — defender a democracia directa e participativa não exclui o dever de votarmos por uma política ao serviço dos cidadãos (já só faltam 15 dias para o fazermos!).

sábado, maio 21, 2011

Finalmente!

As tuas palavras começam a fazer eco, José. Finalmente!…


A Porta do Sol abre-se à indignação e ao protesto. Contra o desemprego, a precariedade, a pobreza. Por uma democracia verdadeira, já, solidária e justa. Não apenas em Madrid e em Espanha. Mas por toda a Europa. E pelo Mundo.

O Circo e a Revolução

Por cá, começa hoje o circo da campanha eleitoral e, com a mais que previsível vitória da troika PS-PSD-CDS, tudo continuará na mesma, ou seja, no plano inclinado para a bancarrota.

Ver aqui 44 fotos que falam por si
Aqui mesmo ao lado, a revolução tomou conta da rua e nada será como dantes. Gracias España!

sexta-feira, maio 20, 2011

Quando o povo acorda é sempre cedo

O ataque cerrado ao euro, eufemisticamente designado por "nervosismo dos mercados", não cessa, graças à acção concertada dos especuladores financeiros e das suas agências de "notação" (que, por estranha coincidência, são todas do país do dólar!).
Não admira, por isso, que o risco de incumprimento de pagamento da dívida e a consequente probabilidade de bancarrota de Portugal esteja a aumentar de dia para dia, ainda antes da aplicação da receita do FMI/Comissão Europeia!
Não admira, por isso, que sejam já os próprios responsáveis europeus a admitir aquilo que o BE e o PCP desde sempre têm vindo a defender: a renegociação/restruturação imediata de uma dívida, que nunca poderemos pagar com as condições que o FMI e a Comissão Europeia do senhor Barroso nos querem impor, e que PS/PSD/CDS aceitam sem pestanejar.
O que nos admira e entristece é que a maioria dos portugueses não entenda o descalabro que está a acontecer, de forma tão vertiginosa, e continue a vitoriar Sócrates, Coelho e Portas como se tudo isto mais não fosse do que um carnaval!… Talvez um destes dias acordem e descubram que afinal a situação é mesmo grave e é a própria Europa que corre o risco de implodir! Talvez um destes dias acordem e descubram que afinal a revolução já anda nas ruas! "Quando o povo acorda é sempre cedo", escreveu Ary dos Santos. Esperemos que continue a ter razão.

quinta-feira, maio 19, 2011

Democracia ou bancarrota?

Simplesmente não é possível que as políticas infligidas à Grécia, Irlanda e agora Portugal reduzam o fardo da dívida daqueles países – acontecerá exactamente o oposto, como se viu desde a Zâmbia, na década de 1980, até a Argentina, no princípio da última década. Políticas semelhantes àquelas que estão a ser infligidas à Europa viram o rácio dívida/PIB da Zâmbia duplicar na década de 80 quando a economia se contraiu. A Argentina incumpriu as suas dívidas maciças em 2011, após uma recessão de três anos provocada pelas políticas do FMI. Tal como à Irlanda, hoje, disseram à Argentina que havia ido longe demais, apesar de a dívida ter disparado por causa de um desastroso conjunto de privatizações e de um atrelamento da divisa impingido ao país pelo mesmo FMI. A economia só começou a recuperar um mês após o incumprimento.
Então, por que é que estas políticas ainda estão a ser prosseguidas? Quase todos os comentadores souberam desde o primeiro dia que os pacotes de "ajuda" não tornariam sustentáveis as dívidas da Grécia ou da Irlanda. Mas […] este não é o problema em causa. O problema em causa é recuperar tanto dinheiro dos investidores quanto possível, por mais responsáveis pela crise que eles tenham sido, e transferir o passivo para a sociedade. Excerto de um artigo de Nick Dearden, Director da Jubilee Debt Campaign,
Não há dúvida, os povos têm de se levantar contra este roubo. O movimento de contestação às políticas do FMI e da CE já começou na Grécia, na Irlanda e até na Espanha. E nós, vamos resignar-nos? Rejeitamos o Programa do FMI e da Comissão Europeia, nas ruas e nas eleições de 5 de Junho, ou aceitamos ser depenados até ao último cêntimo? Queremos democracia ou bancarrota? A resposta é nossa.

terça-feira, maio 17, 2011

Voto útil

Nem de propósito!… Depois de ainda ontem aqui termos afirmado que a CDU e, em particular o BE, parecem estar a ser vítimas de uma possível transferência de votos para o PS, votos que, em nosso entender, não são apenas inúteis mas, pior do que isso, desastrosos, sabe-se agora que Henrique Neto, histórico militante socialista, declarou publicamente que não vai votar no seu partido e que a sua opção de voto deverá recair na CDU, por entender que "o país está primeiro".


Isto sim, é um excelente exemplo de voto útil. Bom seria que outros se lhe seguissem!…

segunda-feira, maio 16, 2011

O voto desastroso

Mesmo que a percentagem de indecisos e abstencionistas potenciais atinja ainda cerca de 44 por cento, CDU e, mais acentuadamente, Bloco de Esquerda, parecem estar a perder demasiados eleitores para o PS, que ultrapassa já o PSD nas sondagens.


Pensando porventura que, votando desta forma, contribuirão para impedir uma vitória eleitoral da Direita e do PSD, estes eleitores mais não fazem do que escolher o programa comum do PS-PSD-CDS, imposto pelo FMI/BCE, o qual, a ser levado à prática, agravaria a recessão económica, o desemprego, a pobreza e a própria dívida, e, muito provavelmente, empurrar-nos-ia, de resgate em resgate, para o desastre da bancarrota.
Pensam que se trata de um voto útil mas nem sequer inútil o podemos considerar. É, isso sim, um voto desastroso!

As opções

Em 5 de Junho, as opções que se me colocam são duas e muito nítidas:

ou quero o "programa" do FMI/BCE, em que 30 dos 78 mil milhões do empréstimo são para pagar juros, 12 milhões vão directamente para a banca (e 35 milhões podem lá ir parar sob a forma de garantias do Estado), a taxa de juro vai ser de 5,5 a 6 por cento (com a economia a cair 2 dois por cento ao ano!!), que não é um plano de resgate mas um suicídio que irá aumentar o desemprego, a pobreza e a própria dívida, e daqui a um ano, o país estará pior, a renegociar a dívida e a pedir outro resgate — e voto PS/PSD/CDS;

ou quero uma alternativa que defenda a renegociação imediata da dívida (com juros e prazos comportáveis), relance a economia e o emprego, reparta os sacrifícios da austeridade com justiça exigindo mais aos que mais têm, única forma de conseguirmos honrar os nossos compromissos, sairmos do ciclo vicioso da pobreza em que nos querem manter e garantirmos o direito ao futuro — e voto BE/CDU.


Sou livre de votar como entender.
Até de dar um tiro no pé. Mas depois não adianta queixar-me dos "políticos" que escolher.

Para ler e meditar (todos os dias, se necessário for) e decidir convenientemente — BE ou CDU, obviamente.
Se tiver dúvidas, discuta-as e esclareça-se.
No seu próprio interesse, partilhe com amigos e conhecidos e faça campanha.

quarta-feira, maio 11, 2011

Queriam beijinhos, é ???…

Grécia acolhe inspectores da UE e do FMI com greve geral.
Com os "brilhantes" resultados a que a "receita" que lhes impuseram conduziu — queda do PIB de mais de 4 por cento e taxa de desemprego perto de 15 por cento —, queriam que os gregos lhes dessem beijinhos, é ???…
Será que nem assim a maioria dos portugueses vai perceber que votar na troika executante (PS-PSD-CDS) é votar no programa de destruição nacional da troika mandante (FMI-BCE-UE) ???…

Sabedoria popular

A sabedoria popular é inesgotável.
em 2009, Jerónimo de Sousa advertia que PS e PSD são “farinha do mesmo saco”. E a verdade é que, posteriormente, os factos vieram demonstrar que ele tinha razão.
Ontem à noite, no debate com Passos Coelho, quando Judite de Sousa lhe perguntou se preferia um governo liderado pelo PSD em vez do PS, o dirigente do PCP, respondeu prontamente que "isso seria a mesma coisa que saltar da frigideira para o lume".
Ou seja, trata-se de uma escolha que só mesmo diabos podem fazer. E acreditem que eles — FMI-BCE-UE — já a fizeram. A menos que os portugueses, no dia 5 de Junho, sejam dignos herdeiros da sabedoria dos seus antepassados e lhes troquem as voltas! 

O que faz falta é acordar a malta!

Mais de 30 dos 78 mil milhões de euros que, "generosamente", FMI e BCE nos vão emprestar são para pagar juros. Com a economia a cair 2 dois por cento ao ano e uma taxa de juro entre 5,5 e 6 por cento, "não é possível pagar esta taxa de juro". "É inaceitável. É um insulto à economia portuguesa".
Se a Grécia e a Irlanda viram a sua situação agravar-se e tiveram de renegociar as taxas de juro para níveis inferiores (e já se fala da necessidade de um novo resgate da dívida grega de 60 milhões de euros), porque razão a União Europeia insiste na mesma receita usurária e recessiva para Portugal?… Porque razão PS-PSD-CDS aceitam, sem pestanejar, o programa do FMI/BCE/UE, que Cavaco Silva considera uma oportunidade mas a experiência dos outros países revela tratar-se de um "suicídio" que, com as condições que impõe, nos conduzirá a um novo pedido de intervenção externa?… E porque razão a maioria dos portugueses parece insistir em "suicidar-se" em 5 de Junho, como as sondagens continuam a indiciar???…
O que faz falta é acordar a malta! Urgentemente.

quinta-feira, maio 05, 2011

A pilhagem do "bom acordo"

O programa imposto pela troika mandante (FMI, BCE e CE), apoiado pela troika obediente (PS, PSD e CDS) e assinado por José Sócrates, não é um "acordo" e, muito menos, "bom". Pelo menos, para a esmagadora maioria dos portugueses, como se pode comprovar por algumas das gravosas medidas nele previstas:
  • Despedimentos mais fáceis e baratos;
  • Redução da duração e do montante do subsídio de desemprego;
  • Congelamento do salário mínimo nacional e desvalorização geral dos salários;
  • Diminuição real de todas as pensões e reformas durante três anos;
  • Aumento do IVA, designadamente nas taxas de bens e serviços essenciais;
  • Aumento do IRS por via da redução ou eliminação de deduções fiscais (saúde, educação, habitação);
  • Eliminação das isenções do IMI nos primeiros anos, após a compra da casa;
  • Aumento dos preços da energia eléctrica e do gás;
  • Aumento das rendas da habitação e facilitação dos despejos;
  • Continuação dos cortes nas prestações sociais;
  • Agravamento significativo das taxas moderadoras e diminuição das comparticipações dos medicamentos;
  • Cortes significativos na saúde, educação, justiça, administração local e regional;
  • Congelamento durante três anos dos salários da função pública e redução de dezenas de milhares de postos de trabalho na administração pública;

Só mesmo para os grupos económicos e financeiros nacionais e estrangeiros se pode falar em "ajuda", com um programa feito à sua medida:
  • Entrega de empresas e participações estratégicas ao capital privado;
  • Privatização da participação do Estado na EDP, na REN e na TAP, já em 2011;
  • Alienação dos direitos especiais do Estado (“golden shares”) em empresas estratégicas como a PT;
  • Privatização da Caixa Geral de Depósitos no seu ramo segurador (mais de 30% da actividade financeira do grupo);
  • Privatização das empresas municipais e regionais;
  • Ofensiva contra o sector público de transportes de passageiros e mercadorias, designadamente com a privatização da ANA, CP Carga, Linhas ferroviárias suburbanas, gestão portuária, etc.;
  • Venda generalizada de património público;
  • Transferência para o sector privado, por via do encerramento e degradação de serviços públicos, de vastas áreas de intervenção até aqui asseguradas pelo Estado;
  • Isenção da Banca e dos grupos económicos de qualquer medida de penalização;
  • Transferência de 12 mil milhões de euros para a banca, acrescida de garantias estatais no valor de 35 mil milhões de euros;
  • Assunção pelo Estado dos prejuízos da gestão fraudulenta do BPN, através da sua privatização até Julho de 2011, sem preço mínimo e liberta de qualquer ónus para o comprador;
Em suma, se o "bom acordo" de José Sócrates e da "União Nacional" (PS/PSD/CDS) vier a concretizar-se, os portugueses e Portugal serão vítimas da maior pilhagem efectuada desde os tempos do fascismo. E a economia continuará em queda, o desemprego a subir e a pobreza a aumentar.
Por tudo isto, nunca uma eleição terá sido tão dramaticamente importante como a de 5 de Junho. Se a maioria dos portugueses não acordar rapidamente e for capaz de dizer NÃO a este crime, as conquistas de Abril não serão mais do que uma saudosa memória e Portugal um país cada vez menos viável. É isso que está em jogo!

quarta-feira, maio 04, 2011

Obama assegurou a sua reeleição!

Segundo consta, o homem até já teria sido assassinado. Mas, mesmo sem apresentar fotografias da morte do líder da Al Qaeda e tendo feito desaparecer o seu cadáver em menos de vinte e quatro horas nas profundezas do Índico, se Obama afirmou que apanhou Osama, não seremos nós que o vamos contradizer ("em política o que parece é" — dizia Salazar — e os EUA têm meios de sobra para impor a sua verdade).
De resto, este é até um final mais adequado à estória, podendo assim concluir-se que o criador, finalmente, pôs fim à criatura — um Frankenstein criado pela CIA para combater a ocupação soviética do Afeganistão, que, mais tarde, haveria de virar-se contra os amigos americanos e os seus fiéis aliados.


Bin Laden foi o principal responsável por actos de terrorismo absolutamente condenáveis que tiraram a vida a milhares de cidadãos. Mais tarde ou mais cedo teria obrigatoriamente de ser julgado e pagar pelos crimes que cometeu. Porém, acabou por ser executado sumariamente, à revelia da justiça, por aqueles que se acham acima da Lei e do Tribunal Penal Internacional e que, desde a Guerra do Vietname até à actualidade, foram responsáveis por verdadeiros actos de terrorismo de Estado que tiveram como trágica consequência a invasão e a destruição de vários países e a morte de milhões de pessoas.
Seja como for, apesar do assassinato de Osama, o terrorismo não acabará tão depressa, infelizmente. Nem dum lado (a miséria, o atraso e o fanatismo religioso são um cocktail explosivo), nem do outro (o complexo industrial-militar americano precisa de guerra para facturar). Mas uma coisa é certa: Obama já assegurou a sua reeleição!

Dizem que é uma espécie de bom acordo!

De PEC em PEC, com mais e mais austeridade sobre as vítimas do costume, Sócrates conduziu-nos à beira do precipício. Sempre com o aval do PSD.
Quando percebeu que não tinha saída, avançou com o PEC IV, sabendo antecipadamente que ele seria chumbado. Foi o pretexto de que necessitava para se demitir e alegar que o FMI, com quem afinal já governava, iria cá entrar por causa dos outros.
Mas hoje, já todos sabemos que o FMI cá está porque o PS e a Direita, de uma forma ou de outra, assim o quiseram. E ontem demonstraram-no, uma vez mais, na televisão, numa despudorada manobra de pura campanha eleitoral e de criminosa ocultação da dura realidade a que nos querem sujeitar nos próximos anos — Sócrates afirmou sem pestanejar que conseguiu um bom acordo; Catroga respondeu, sem hesitar, que o PSD foi crucial para o resultado alcançado. Uma vez mais, estão de acordo, no essencial!
Num país decente, políticos deste jaez, que põem a luta pelo poder e os interesses partidários, acima dos interesses colectivos, "mereciam era cadeia, porque são eles os responsáveis pela bancarrota!", como dizia um cidadão anónimo. Infelizmente, vamos ter de ser nós a fazer alguma coisa pela limpeza da política e da governação, no dia 5 de Junho. Espero que o façamos!

domingo, maio 01, 2011

Primeiro de Maio só de quinze em quinze anos?

Precisamente em 1979, o ano em que, pela primeira vez, o FMI andou por cá a tratar-nos da saúde, Sérgio Godinho, no tema "Arranja-me um emprego", do álbum "Campolide", cantava com a sua ironia corrosiva:
Se eu mandasse neles
os teus trabalhadores
seriam uns amores
greves era só
das seis e meia às sete
em frente a um cassetete
primeiro de Maio
só de quinze em quinze anos
feriado em Abril
só no dia dos enganos
e reivindicações
quanto baste ma non troppo
anda, bebe mais um copo
arranja-me um emprego
Arranja-me um emprego
pode ser na tua empresa
concerteza
que eu dava conta do recado
e para ti era um sossego
Ingenuamente, muitos deverão ter pensado que SG não estaria a fazer um sério aviso, que deveria estar a brincar ou a exagerar!… Pois não estava. Como agora não estão Belmiro de Azevedo e Soares dos Santos quando pressionam os seus empregados a trabalharem no dia 1.º de Maio. Para estes "senhores", o mercado é quem mais ordena e, em nome do lucro, são até capazes de aderir ao "princípio da loja chinesa" e abrir os hipermercados Continente e Pingo Doce 365 dia por ano!… P'ra falar verdade, com o(s) governo(s) que temos (tido), sempre a porem-se a jeito dos grandes grupos económicos e a fazerem vista grossa aos seus desmandos, não me admiraria que tal viesse a acontecer!…

quinta-feira, abril 28, 2011

Que país é este?

Alegam que não têm dinheiro. Recusam-se a comprar mais dívida pública e exigem a entrada do FMI/ BCE, para os outros — os outros somos nós!… — pagarem. Os outros, a quem eles, os bancos, fazem cada vez mais exigências para conceder crédito!
Apesar disso, os seus lucros não param de engrossar!…
A democracia está gravemente ferida (de morte, talvez!). Enquanto a maioria do povo, anestesiada, dá mostras de se resignar e de aceitar as coisas como elas sempre foram, o capital é quem mais ordena!
Que país é este???… A Terra da Fraternidade, que o Zeca cantou, não é, seguramente.

segunda-feira, abril 25, 2011

25 de Abril, sempre! Sem confusões!…

A troika mandante (FMI-BCE-UE) vai pedir um "compromisso" aos partidos já esta semana. E podem ter a certeza que há uma troika obediente (PS-PSD-CDS) que vai dizer sim. Mesmo se a receita que nos querem impôr vai trazer mais recessão económica, falências, desemprego, cortes nos salários e nas pensões, aumento de impostos e agravamento generalizado das condições de vida da esmagadora maioria dos portugueses, cujas expectativas são das mais baixas do mundo.
De resto, amanhã, Aníbal Cavaco Silva, o primeiro Presidente da República com popularidade negativa (que, estranhamente, conseguiu ser reeleito depois do apoio que deu às políticas anti-sociais de Sócrates e dos escândalos em que se envolveu!), vai também ele reforçar a necessidade daquele "compromisso", que mais não é do que uma imposição, aos partidos da "União Nacional".
Enquanto em Lisboa, na Avenida da Liberdade, e por todo o país, milhares de portugueses celebrarão o 25 de Abril, cada vez mais "marcado pela dor" e com "tanta raiva a andar a solta", em Belém, Cavaco e os seus convidados, se alguma coisa vão comemorar só pode ser o 25 de Novembro. Hoje, como em 1975, Esquerda e Direita estão bem separadas. Antes assim! Para que não haja confusões!…

quarta-feira, abril 20, 2011

Otelo é burro

O regime salazarista negou os mais elementares direitos cívicos e políticos aos portugueses, prendendo, torturando e assassinando muitos dos seus opositores; manteve o povo na mais completa miséria, sem saúde pública, sem ensino universal e gratuito, sem segurança social, razão pela qual, quase não havia dívida pública nem défice orçamental (como Medina Carreira, "desonestamente" propagandeia sem explicar por quê); e, apesar do crescimento económico, nas décadas de 50 e de 60, que não se deveu a um milagre da Senhora de Fátima, nem mesmo à política económica seguida, mas sim à boleia da melhor conjuntura internacional do capitalismo, "os 30 anos gloriosos" (1945-1973), nunca tirou Portugal da cauda da Europa.
Pois apesar do lamentável hiato histórico que foi a ditadura salazarista, Otelo Saraiva de Carvalho vem agora afirmar que "Precisávamos de um homem com a inteligência de Salazar".
Não fico chocado, nem triste, nem mesmo admirado, por incrível que pareça. Otelo é um mito que há muito caiu. Há muito deixou de ser um símbolo do 25 de Abril. Não direi que seja fascista ou salazarista. É simplesmente burro. Nada mais.

segunda-feira, abril 18, 2011

Falta de comparência

À semelhança do que aconteceu com Sócrates, quando propôs a todos os partidos um suposto acordo governamental que ele sabia perfeitamente que nunca iria acontecer, o convite da troika FMI-BCE-UE ao BE e ao PCP, para participarem nas negociações da ajuda, não passou, é certo, de uma hipócrita formalidade. No entanto, apesar disso, BE e PCP não deveriam ter-se recusado a comparecer, ainda que fosse apenas para, frente a frente, reafirmarem que não aceitam uma receita que agrave a miséria em que o país já está atolado, e que a Esquerda tem uma política alternativa para enfrentar a crise.
Podemos perder o jogo, mas que não seja por falta de comparência, caramba!

quinta-feira, abril 14, 2011

O "resgate" imposto

O "resgate" da dívida portuguesa foi cozinhado e imposto pelos "mercados" e as suas "agências de serviço". Com a aceitação e a passividade do Governo, do Presidente da República (de quem a formação em Economia de nada nos serve!) e dos partidos do FMI (PS/ PSD/ CDS). Já o sabíamos, mas dito pelo insuspeito New York Times, tira todas as dúvidas a quem ainda as alimentasse…
O "RESGATE" DESNECESSÁRIO A PORTUGAL 
O pedido de ajuda de Portugal ao Fundo Monetário Internacional e à União Europeia, na semana passada, por causa da sua dívida, deve ser um aviso para todas as democracias. A crise, que começou com o "resgate" à Grécia e à Irlanda, no ano passado, tomou um rumo feio. No entanto, este terceiro pedido de "resgate" não é realmente sobre a dívida. Portugal teve um forte desempenho económico em 1990 e estava a gerir a sua recuperação da recessão global melhor do que vários outros países na Europa, mas tem estado sob pressão injusta e arbitrária por parte dos negociantes de títulos, dos especuladores e dos analistas de notação de crédito que, por miopia ou por razões ideológicas, já conseguiram expulsar um governo democraticamente eleito e, potencialmente, amarrar as mãos do próximo. Se forem deixadas sem regulamentação, estas forças de mercado ameaçam eclipsar a capacidade dos governos democráticos — talvez até mesmo dos Estados Unidos — para fazer suas próprias escolhas sobre impostos e gastos.
Está aqui o artigo completo, em inglês, na fonte.

quarta-feira, abril 13, 2011

A escolha é nossa!

Apesar dos resultados desencorajadores/manipuladores (?) das sondagens, apesar da (des)informação da comunicação social, apesar do desconhecimento e da confusão do eleitorado, apesar de pretenderem fazer-nos crer que as eleições não servirão para nada porque o programa do FMI terá de ser assinado entre o governo e a UE até 15 de Maio, a verdade é que, ao contrário, as eleições de 5 de Junho são absolutamente decisivas para o futuro do país. Os portugueses têm, por isso, de ser confrontados com esta escolha:
☁ ou querem o FMI, mais recessão económica e falência de empresas, mais desemprego, mais cortes nos salários e nas pensões, mais impostos, ficar sem o 13.º mês, ficar sem casa, passar fome (e ainda assim o país não conseguir pagar a dívida!), e votam nos partidos do arco do FMI e da bancarrota (PS/PSD/CDS);

☼ ou querem uma política alternativa que defenda a renegociação da dívida (juros e prazos), faça uma auditoria às contas públicas, reparta os sacrifícios através duma política fiscal justa que taxe mais os que mais têm, reduza drasticamente as despesas sumptuárias e inúteis do Estado e das empresas públicas e municipais, reveja as ruinosas parcerias publico-privadas, dinamize a economia incentivando o investimento e promovendo o emprego, e votam na Esquerda (BE/PCP).
Em 5 de Junho, mais do que votar num partido, vamos, portanto, ter de escolher uma de duas alternativas: ou o "fim" que nos impõe o FMI, ou o direito a (re)construirmos o nosso futuro, como estão a fazer os islandeses. Em 5 de Junho, a escolha é nossa! Em 5 de Junho, se quisermos, o povo (ainda) é quem mais ordena!

Vamos passar a mensagem. Aos nossos amigos, aos amigos dos nossos amigos, a toda a gente de bem. Vamos travar este decisivo combate. Por nós. Pelos nossos filhos. Por Portugal.

terça-feira, abril 12, 2011

F*da-se!…

Chegaram os homens do fraque. Dizem-nos que vêm por causa da ajuda. Mas o que eles vêm fazer é cobrar-nos uma esmagadora dívida, de que não somos responsáveis, mas que nos querem obrigar a pagar, com sangue, suor e lágrimas.
A "maioria" (*), como sempre, parece achar bem. Não bastava sermos pobres, também tínhamos de ser estúpidos! F*da-se!…

(*) Maioria de inquiridos nesta sondagem (cerca de 80 por cento)

sexta-feira, abril 08, 2011

Já chega de meter golos na própria baliza!

A política não é como o futebol. É uma coisa muito mais séria, da qual depende a nossa vida. Na política não jogamos todos numa mesma "equipa", nem sequer numa "selecção nacional". Porque os interesses dos trabalhadores (empregados e desempregados), dos jovens, dos reformados e dos pensionistas, dos pequenos/ médios empresários, até das "classes médias", não se confundem com os interesses dos banqueiros, dos administradores, dos grandes capitalistas e da minoria que tem enchido os bolsos com a governança que tem sido levada a cabo há mais de 30 anos. Por isso há políticas, políticos, partidos, que defendem a solidariedade e a justiça social, e as suas propostas para atacar a crise passam, desde logo, por uma justa repartição dos sacrifícios; e há políticas, políticos e partidos que nada mais fazem do que manter ou agravar a injustiça social e as desigualdades, descarregando sempre em cima da maioria que (sobre)vive com dificuldades todos os sacrifícios para pagar uma crise de que não teve quaisquer culpas. Por isso há Esquerda e há Direita (por muito que haja quem queira escamoteá-lo!). São estas as "equipas" neste "futebol" a sério. Cada um deverá saber (é importante e urgente que o saiba!), de uma vez por todas, de que lado quer alinhar. E, por favor, já chega de meter golos na própria baliza!

quinta-feira, abril 07, 2011

A vítima que se segue

Inevitavelmente, já se fazem apostas sobre quem será a próxima vítima das fauces insaciáveis dos mercados e dos seus cães de caça (as chamadas agências de rating).
Espanha ou Bélgica? Não apostamos… p'ra casino, já chega este capitalismo selvagem dominado pela alta finança e a especulação sem freio. E preferíamos que a tragédia ficasse por aqui. Mas, a haver próxima vítima — infelizmente o mais provável… — preferíamos que não fosse a Espanha. Porque:

  • Existe uma profunda e importante cooperação ibérica, não apenas cultural mas financeira e comercial e, obviamente, o que for mau para os espanhóis será mau para nós (a propósito, não será demais lembrar que somos históricamente um povo da antiga Hispânia e, como tal, mais do que europeus, somos hespanhóis);
  • Seria a demonstração de que cá em baixo, no 'midi', ainda haverá quem tenha coluna vertebral e tomates para não ceder à chantagem dos verdadeiros culpados da crise, "os loiros de olhos azuis", como lhes chamou, sem papas na língua, Lula da Silva; e
  • Se a UE fosse atingida mesmo no coração (Bélgica), talvez se convencesse de uma vez por todas que, ou enfrenta o banditismo especulador e financeiro internacional como um bloco (em vez de imolar os cordeirinhos periféricos, um a um, no altar da crise), ou o euro terá definitivamente os dias contados e, mais tarde ou mais cedo, o dominó europeu ruirá fragorosamente.

quarta-feira, abril 06, 2011

Os culpados

"Os principais culpados da crise política e da grave situação que Portugal está a enfrentar são José Sócrates e Pedro Passos Coelho; e o próprio Presidente da República também nada fez para evitar que isto acontecesse." Para muitos de nós isto é óbvio, mas é muito importante que tenha sido afirmado, em directo, pelo director da SIC Notícias, António José Teixeira, precisamente antes da declaração do Primeiro-ministro ao país. Talvez ajude a maioria dos portugueses, que continuam inexplicavelmente a manifestar a intenção de votar no P"SD" e no P"S", como revela esta sondagem, a perceberem de uma vez por todas quem os conduziu à desgraça, e a pensarem numa verdadeira alternativa de voto e de política que nos tire do atoleiro para onde fomos empurrados. Para nós, um voto e uma política de Esquerda.

terça-feira, abril 05, 2011

Há alternativas!

Da (des)governação do Partido dito Socialista sabemos que, de PEC em PEC, arrastou a economia para a recessão e colocou o país à beira da bancarrota. Do Partido dito Social-democrata, que até há duas semanas foi conivente com o governo de José Sócrates, para além dos "disparates" avulso que Passos Coelho tem debitado, sabe-se apenas que defende a submissão aos ditames do FMI, escondendo as gravosas e insuportáveis consequências que daí adviriam para a esmagadora maioria dos portugueses.
Mas há alternativas às políticas liberais que nos conduziram a esta hecatombe e que, teimosamente, irresponsavelmente, criminosamente, o P"S" e os partidos da Direita persistem em prosseguir. Esta. Ou esta. Ou uma que result(ass)e da desejável e imprescindível unidade da Esquerda.


domingo, abril 03, 2011

Unidade da Esquerda, precisa-se!

Por uma alternativa às políticas de austeridade do P"S" e da Direita, por uma política que recuse a recessão e promova o crescimento da economia, o emprego, a justiça social, contra o desastre económico e a falência nacional, Unidade da Esquerda, precisa-se! Absolutamente de acordo. Mas, antes de a anunciar, primeiro é preciso dar passos concretos para a sua construção. Vamos a isso!

quarta-feira, março 23, 2011

P"SD" e P"S", a mesma política

Acabado aquilo que era para ter sido um debate parlamentar sobre as "novas" medidas de austeridade propostas pelo Governo e que outra coisa não foi senão apenas mais um acto de luta cega e irresponsável pela governança, uma importante conclusão foi possível retirar — o P"SD", pela voz seráfica de Manuela Ferreira Leite, desfez as dúvidas que pudessem existir sobre a receita que verdadeiramente defende: "o problema não é das medidas e das políticas adoptadas, se elas são boas ou más… o problema é de "credibilidade" do Governo e do partido que o apoia". Ou seja, com o P"S" ou o P"SD" no poder, teremos, no essencial, a mesma governação, a mesma política, a mesma austeridade. E um país cada vez mais endividado, pobre, injusto e desigual.
Ainda ontem afirmámos que P"S" e P"SD" são faces da mesma moeda. Extraordinário é que, apenas um dia depois, seja MFL a reconhecê-lo!

terça-feira, março 22, 2011

Faces da mesma moeda

Sabemos, por experiência própria, o que têm sido os PEC's. I, II, e III.  Temos sentido na pele e na carne os seus efeitos dilacerantes. E só quem anda completamente distraído não saberá que eles foram aprovados pelo P"S" com a conivência do P"SD". Assim como o Orçamento de 2011, apadrinhado  também pelo douto economista Cavaco Silva, orçamento que, era sabido, iria inevitavelmente arrastar a economia portuguesa para a recessão, aumentando as falências de empresas, diminuindo o investimento, agravando o desemprego, e juntando a tudo isto os cortes dos salários e dos subsídios e o aumento da carga fiscal, tornar a vida da esmagadora maioria da nossa população num verdadeiro inferno. E conduzir a um "novo" PEC que, de novo nada traz, a não ser acrescentar os pensionistas e reformados à imolação em honra do "santo sacrifício" da consolidação orçamental, e ter sido acordado com os donos (do que resta) da União Europeia, sem o conhecimento prévio do país e dos órgãos de soberania que democraticamente (ainda?) o representam.
Desta vez, Sócrates esticou a corda e pôs-se a jeito do P"SD". Que faz birra e repete que não apoia o PEC IV. Mas não apresenta quaisquer alternativas. Porque não as tem. Quer apenas ir para eleições, para que o poder lhe caia no prato, e fazer o mesmo (ou antes, pior!).
Amanhã, o "novo" PEC vai ser discutido na Assembleia da República. A Esquerda irá defender a sua rejeição, sugerindo dezenas de medidas visando o relançamento da economia e uma justa repartição dos sacrifícios para combater a crise. O Governo  (P"S") e o P"SD", faces da mesma moeda, farão o teatro do costume para defender a mesma receita — quem tem mais dificuldades que pague a crise! Sem eleições ou com eleições. Eles contam com os votos da maioria dos eleitores. Tem sido assim há mais de 30 anos. Infelizmente.