quinta-feira, maio 20, 2010

Afinal, a malta trabalha!

Portugueses e gregos trabalham tanto ou mais que a média dos trabalhadores dos países da OCDE.


Como observa Miguel Portas, as diferenças moram na produtividade, não na preguiça. Só que aquela é o resultado de múltiplos e diversos factores.
Assim, há uma questão que, inevitavelmente, se deve colocar: por que razão os trabalhadores portugueses, apesar das suas (geralmente) inferiores qualificações profissionais, quando emigram, se batem de igual para igual com os seus colegas e apenas por cá são menos produtivos? Não será um problema de deficiente gestão de recursos humanos? Não será um problema de má gestão empresarial de uma classe de empresários com um nível médio de habilitações inferior ao dos trabalhadores?
Não há dúvida… Há é um ambiente e algumas pessoas em lugares chave que conseguem transformar em mau aquilo que poderia ser bom. Talvez fosse tempo de deixarem de ver nos trabalhadores os bodes expiatórios do pecado do nosso atraso secular. O caminho para o nosso difícil desenvolvimento passa por essa atitude.

quarta-feira, maio 19, 2010

Gente sem vergonha!

Jorge Coelho, antigo ministro e dirigente 'socialista', que uma vez advertiu que 'quem se mete com o PS, leva' — ele lá sabia por quê —, afirma agora 'Não tenho mais nada a fazer na política'. E eu acredito piamente que não. Quem, em 2009, como administrador executivo do Grupo Mota-Engil, embolsou a módica quantia de 702 758 euros, não estará obviamente interessado em receber dez vezes menos para 'aturar' os 'chatos' dos eleitores e da oposição. De resto, como se vê, para esta 'gente', a política não é um serviço público, como gostam de apregoar, mas um trampolim para mais altos e rendosos voos.
Se ainda lhes restasse um pingo de vergonha e de escrúpulos, ao menos, ficavam calados. Mas, nem isso.

Acabem com a "mama"!

No sistema capitalista, é perfeitamente justificável a obtenção de lucros através do investimento em acções.
O que é de todo inaceitável e ruinoso para o sistema é comprar agora e vender a seguir para se obter mais-valias sem qualquer justificação na economia real.
Acho bem que acabem com esta 'mama'. Enquanto é tempo!

O fascismo financeiro

O fascismo financeiro

Há doze anos publiquei um pequeno texto (Reinventar a Democracia) que, pela sua extrema actualidade, não resisto à tentação de evocar aqui. […] Identificava então cinco formas de sociabilidade fascista, uma das quais era o fascismo financeiro.
[…]
A virulência do fascismo financeiro reside em que ele, sendo de todos o mais internacional, está a servir de modelo a instituições de regulação global crescentemente importantes apesar de pouco conhecidas do público. Entre elas, as empresas de rating, as empresas internacionalmente acreditadas para avaliar a situação financeira dos Estados e os consequentes riscos e oportunidades que eles oferecem aos investidores internacionais. As notas atribuídas - que vão de AAA a D - são determinantes para as condições em que um país ou uma empresa de um país pode aceder ao crédito internacional. Quanto mais alta a nota, melhores as condições. Estas empresas têm um poder extraordinário. Segundo o colunista do New York Times, Thomas Friedman, «o mundo do pós-guerra fria tem duas superpotências, os EUA e a agência Moody's». Moody's é - uma dessas agências de rating, ao lado da Standard and Poor's e Fitch Investors Services. Friedman justifica a sua afirmação acrescentando que «se é verdade que os EUA podem aniquilar um inimigo utilizando o seu arsenal militar, a agência de qualificação financeira Moody's tem poder para estrangular financeiramente um país, atribuindo-lhe uma má nota».
[…]
Num momento em que os devedores públicos e privados entram numa batalha mundial para atrair capitais, uma má nota pode significar o colapso financeiro do país. Os critérios adoptados pelas empresas de rating são em grande medida arbitrários, reforçam as desigualdades no sistema mundial e dão origem a efeitos perversos: o simples rumor de uma próxima desqualificação pode provocar enorme convulsão no mercado de valores de um país. O poder discricionário destas empresas é tanto maior quanto lhes assiste a prerrogativa de atribuírem qualificações não solicitadas pelos países ou devedores visados. A virulência do fascismo financeiro reside no seu potencial de destruição, na sua capacidade para lançar no abismo da exclusão países pobres inteiros.

Escrevia isto a pensar nos países do chamado Terceiro Mundo. Não podia imaginar que o fosse recuperar a pensar em países da União Europeia.

Boaventura Sousa Santos

"Nobre" povo

"O povo que é louco pela vacuidade de Tony Carreira, enche a Cova da Iria a implorar milagres e vota naqueles que, alternadamente, lhe sugam o sangue e comem a carne, é o mesmo.
Este jardim à beira-mar plantado merecia melhor gente. Um povo verdadeiramente mais nobre. E, sobretudo, mais inteligente.
(Desculpem se ofendi alguém… Às vezes, esgota-se-me a paciência para aturar tamanha estupidez!)"

O cadáver

Não é só na área do euro que os investidores podem ter más surpresas. A possibilidade de se verificarem problemas noutros países é enorme. A volatilidade nos mercados da dívida pública vai manter-se elevada e os riscos continuam presentes. Japão, Irlanda, Reino Unido, Espanha, Estados Unidos e, em menor medida, a França são os países desenvolvidos que enfrentam os maiores desafios de consolidação orçamental no médio prazo.
Não estou a ser alarmista. É a agência de notação financeira Fitch que o afirma.
Eu limito-me a concluir, angustiado, que este sistema económico e financeiro está putrefacto. Mas, enquanto uma minoria de criminosos sem escrúpulos continua a alimentar-se do seu cadáver, os (ir)responsáveis recusam-se a admitir esta crua e perigosa realidade. Um dia destes, quando caírem na real, pode já ser tarde!

Para onde caminhamos?

A bolsa de Lisboa conseguiu escapar à onda negativa que varreu a maior parte dos mercados europeus, num dia em que o euro bateu o valor mais baixo dos últimos quatro anos.
Apesar disso, não sei se hei-de rir se hei-de chorar…
É que, lá por fora, as principais praças europeias cederam aos receios com a recuperação económica. E nos EUA, os receios económicos são também o principal factor a ensombrar as negociações.
Repito o que há muito disse:
O capitalismo, tal como o conhecemos, está moribundo. A sua implosão é apenas uma questão de tempo. Enquanto isso, limitamo-nos a viver placidamente o dia-a-dia como se nada de anormal se estivesse a passar. Mas há uma pergunta que urgente e inevitavelmente nos temos de fazer: por este caminho, que Futuro para os nossos filhos e para os nossos netos???

quarta-feira, maio 05, 2010

Com a faca nas costas

Em vez de incentivar e aproveitar a aplicação da poupança interna em certificados de aforro e títulos do tesouro, Portugal preferiu pôr-se a jeito das agências internacionais de ‘rating’ e contrair o crédito no exterior, assistindo agora, de dia para dia, ao aumento dramático do risco de incumprimento da sua dívida.
Ao contrário, em vez de recorrer aos mercados internacionais para encaixar dois mil milhões de dólares com a venda de obrigações, Angola vai tentar obter esse montante no mercado doméstico, onde os estrangeiros poderão participar .



Se todos fizéssemos como os angolanos e mandássemos as criminosas e irresponsáveis agências de rating privadas à m**da ou se as instituições públicas internacionais criassem agências de rating sob o seu controlo, não estaríamos agora com a faca nas costas. Mas, para isso, seriam precisas coragem e vontade políticas que, de um modo geral, os governos não têm. Preferem ajoelhar-se perante a voragem insaciável dos banqueiros e dos especuladores. E depois nós é que pagamos as favas.

Que bom que é, Os Sobreviventes, Sérgio Godinho

sábado, maio 01, 2010

Carneiros. Até quando?

1º DE MAIO - DIA DO TRABALHADOR

Desde 1936 até aos nossos dias, no essencial, o que é que verdadeiramente mudou???… NADA. Continuamos a ser tratados como carneiros!

Charles Chaplin - Modern Times (Tempos Modernos)

domingo, abril 25, 2010

Abril por cumprir

  • 700 mil desempregados
  • 2 milhões de pobres
  • 1 milhão e meio de trabalhadores precários
  • desigualdade social gritante (meia dúzia a ganhar milhões e milhões a receberem tostões)
36 anos depois, Abril está por cumprir!!!…

quinta-feira, abril 15, 2010

O Programa de Empobrecimento Colectivo (PEC)

O Programa de Empobrecimento Colectivo (PEC) e o bloqueio económico e político – primeiro, o orçamento, agora o PEC. Haverá quem ainda não tenha percebido que há muitos anos estamos em processo de empobrecimento, agora acelerado, a caminho do genocídio?

Excelente trabalho sobre o PEC e as suas consequências catastróficas para a economia e a sociedade portuguesas, cujo original pode ser lido aqui, e do qual nos limitamos a transcrever o último ponto, revelador da falta de escrúpulos e integridade moral da maioria dos políticos portugueses.

As mordomias da classe política


Este assunto é o grande tabu da política portuguesa, a sua grande face oculta. Não consta do OE; não contribui para a suavização dos sacrifícios impostos à plebe; não é referido pelos media, embora estes andem sempre em entrevistas com os mandarins, tomando nota de todas as suas futilidades, evasivas e mentiras. E o PEC não os toca.
  • Quantos mandarins, reformados como tal e com menos de 65 anos estão activos, recebendo, em acumulação proveitos do exercício de funções públicas?
  • Como os mandarins se mostram – na conversa – muitos sensíveis com as dificuldades dos pobres, porque não acabam com as escandalosas reformas dos titulares de cargos políticos ao fim de 12 anos? Os deputados até, votaram em Julho de 2008, (v. "Erradicação da pobreza por lei?") uma proposta do PS, que torna os responsáveis por situações de pobreza violadores de direitos humanos! Sócrates e Cª. que tal a cadeia?
  • E as ajudas de custo, a utilização privada de veículos do Estado, as compras de carros de luxo que não param, não constituem gasto público? A Jaime Gama faria bem uma dieta.
  • Não seria de congelar também as subvenções públicas aos partidos parlamentares ao nível de 2009? E acabar com as isenções de impostos de que beneficiam?
  • Os gabinetes ministeriais onde pululam bandos de elegantes jotinhas não poderão ser reduzidos? Para mais, não evitam a contratação de consultores externos para tudo e para nada; e nem sequer foram capazes de elaborar o PEC a partir das orientações da Comissão Europeia.
Mesmo relativamente às pessoas com quem trabalham, os mandarins consideram-se como uma casta de novos brâmanes, com direitos especiais. Segue-se uma revelação pitoresca.
Na AR existe um restaurante para deputados onde não podem entrar livremente outras pessoas, se não por convite de uma eminência. Para funcionários da AR, assessores e até polícias existe um refeitório, frequentado também pelos deputados do BE, do PCP e dos Verdes, por opção. Há, portanto uma postura elitista e racista de quem montou esta discriminação, acatada gostosamente por toda a direita, PS/PSD e CDS.

Um pirómano no BCE

"Não admira que os portugueses estejam contentes com a saída de Victor Constâncio", declarou Astrid Lulling, deputada democrata-cristã luxemburguesa, ao questionar o governador do Banco de Portugal sobre os casos BCP, BPP e BPN.


Constâncio assumirá o cargo de vice-presidente do Banco Central Europeu em Junho próximo. Mas para aquela euro-deputada, entregar a supervisão do BCE ao ainda governador do Banco de Portugal" é como dar dinamite a um pirómano". fonte Expresso

Petróleo: raspar o fundo do tacho

Cerca de 57% do petróleo consumido pelos EUA é importado e a produção mundial, como se sabe, está estagnada em torno dos 85 milhões de barris/ dia. O seu declínio terá início após o fim do actual plateau (ver gráfico).


O anúncio do presidente Obama de que irá abrir à perfuração novas zonas no offshore da costa Oeste e do Alasca tem tudo a ver com isso. Eles estão a raspar o fundo do tacho, numa tentativa de adiar as consequências do Pico Petrolífero. Segundo o secretário do Interior, Ken Salazar, nas zonas agora abertas à exploração haverá 39 a 63 mil milhões de barris de petróleo recuperável. Admitindo que isto seja verdade e que se possa realmente extrair este petróleo até à última gota (e sem considerar os custos de extracção), estas reservas seriam suficientes para apenas 459 a 741 dias do consumo mundial. E depois? fonte resistir.info

Grécia: a farsa da ajuda

Dizem eles que os governos europeus oferecem ajuda de € 30 mil milhões à Grécia. O que não esclarecem é que, por exigência de Berlim, os empréstimos serão concedidos à taxa de juro do mercado, actualmente nos 5%. Contudo, isto não faz qualquer sentido:  uma operação de salvamento justifica-se precisamente quando os mercados deixam de funcionar e se recusam a refinanciar uma economia a taxas sustentáveis. Assim, insistir em taxas de mercado equivale em inviabilizar qualquer salvamento da economia grega. As contradições deles são insanáveis.
Por seu lado, o Bundesbank está à beira de um ataque de nervos porque receia que a Grécia se marimbe para a ajuda dos governos europeus e recorra directamente ao FMI que deverá impor  condições menos gravosas do que a UE. Nesse caso, o FMI pediria dinheiro aos seus membros mais importantes em troca de Direitos Especiais de Saque (DES) por ele emitidos e, dessa forma, o Banco Central Alemão seria imediatamente convocado a entregar os recursos ao FMI a fim de este os conceder à Grécia.
Nao há dúvida, eles estão num molho de brócolos. Estejamos, pois, atentos aos próximos actos desta farsa, desde logo por ser ilustrativa do que pode vir a acontecer a outros países europeus, incluindo o nosso. fonte resistir.info

quarta-feira, abril 14, 2010

O pior pode estar para vir

Tal como está, o PEC, é já um instrumento de destruição do tecido empresarial e de endurecimento das condições de vida dos desempregados, dos trabalhadores e dos reformados. Mas, num cenário, infelizmente previsível, de agravamento da crise, o Governo poderá vir a recorrer a algumas medidas que, para não variar, atingirão os mesmos de sempre:
  • Aumento do IVA, imposto cego que penaliza quem menos tem.
  • Novos cortes de benefícios fiscais.
  • Aumentar as receitas através dum corte no décimo terceiro mês e da contribuição dos dinheiros da Segurança Social para a cobertura do défice.
  • Cortes nas despesas sociais com o subsídio de desemprego e o rendimento social de inserção.
  • Protelamento da contratação de funcionários públicos.
Num dos países mais pobres e desiguais da Europa, trata-se de um drama cada vez mais doloroso mas, se a isto juntarmos os salários e prémios obscenos embolsados pelos gestores de empresas controladas pelo Estado, então estamos perante uma imoralidade absolutamente revoltante. Até quando o povo estará disposto a aceitá-la é o que veremos nos próximos tempos.

sexta-feira, abril 02, 2010

A blasfémia de Ratzinger

Bento XVI goza de imunidade enquanto Chefe de Estado do Vaticano e, por esse facto, não irá a tribunal depor, como pretendem as vítimas da pedofilia na igreja americana. Aceita-se, à face da lei. Mas o que é verdadeiramente inaceitável é que o Papa, na homilia de quinta-feira, tentando tapar o sol com a peneira, tenha silenciando completamente o escândalo que varre a sua Igreja, ao mesmo tempo que atacava o direito à interrupção voluntária da gravidez.Mesmo coberto de insultos, Cristo não insultava”, disse Ratzinger, sugerindo através de uma perversa analogia que os padres acusados de pedofilia também estão a ser insultados.
Cristo não merecia esta blasfémia, este Papa, esta Igreja. Os homens também não.

quinta-feira, abril 01, 2010

Revisão da Constituição

A Assembleia da República deliberou, com os votos favoráveis do P"S" e da Direita, proceder a uma revisão da Constituição no sentido de lhe retirar os artigos 1.º, 53.º e 59.º, por manifesta desadequação à realidade.
Só faltava esta!…

Os vampiros

Eis o pódio dos três rapazes (melhor dito, rapaces) que mais embolsaram em 2009 (por acaso, ou talvez não, estão à frente de empresas participadas pelo Estado, o que significa que uma parte dos seus "modestos" salários foi paga por nós):


1. António Mexia (EDP) — 3,1 milhões de euros



2. Zeinal Bava (Portugal Telecom) — 2,5 milhões de euros



3. Ferreira de Oliveira (GALP) — 1,6 milhões de euros


Seguem-se Rodrigo Costa (Zon Multimédia), 1,34 milhões de euros, Ricardo Salgado (BES), 1 milhão de euros, Paulo Azevedo (Sonae), 800 mil euros, Jorge Coelho (Mota-Engil), 702 mil euros, Palha Silva (Jerónimo Martins), 662 mil euros, e Santos Ferreira (BCP), 650 mil euros.
E isto é apenas o que se julga saber…
Ah, hoje é 1 de Abril mas garantimos que isto é absolutamente verdade. Infelizmente.


Os vampiros, Baladas de Coimbra (1963), José Afonso

À beira do colapso

O presidente da EDP vai receber este ano 703 mil euros em salários fixos, mais 600 mil euros em remuneração variável e 1,8 milhões de euros de prémios plurianuais relativos ao triénio 2006-2008.
No total, António Mexia embolsa a módica quantia de 3,1 milhões de euros.
No país do PEC e do congelamento de salários e pensões, onde a maioria tem de sobreviver como pode, a crise não é para todos.
Eles comem tudo e o Governo, impassível, diz (e faz) nada. Portugal está à beira do colapso.

terça-feira, março 30, 2010

Submarinos, corrupção e endividamento

Um cônsul honorário de Portugal terá recebido um suborno de 1,6 milhões de euros dos alemães para ajudar a concretizar a compra de dois submarinos pelo Estado português em 2004, quando Durão Barroso era Primeiro-ministro e Paulo Portas, Ministro da Defesa. Quando se trata de negociatas e corrupção, de uma forma ou de outra, estamos sempre envolvidos.
Seja como for, seria um bom pretexto para o imediato cancelamento do contrato de fornecimento dos submarinos, medida que permitiria a Portugal poupar a módica quantia de mil milhões de euros, qualquer coisa como mais do dobro do que o Estado prevê encaixar com o fim das deduções fiscais. Mas, para isso, precisaríamos de um Governo responsável que pusesse os interesses colectivos dos portugueses em primeiro lugar. O que não acontece.

Votar no inimigo

Apesar de ter sido novamente acusado de abuso de poder e ter visto alguns dos seus aliados envolvidos em novos escândalos de corrupção, Berlusconi aguentou-se uma vez mais, desta vez nas eleições regionais italianas.
É caso para perguntar para que servem a democracia e o direito de sufrágio se, lá como cá, a maioria do povo continua a votar nos que se governam à sua custa?!…
Como escreveu Bertolt Brecht, "quando toca a marchar, muitos não sabem que o inimigo marcha à sua frente".

Varrer o lixo para baixo do tapete

Escolas que denunciam violência são penalizadas na avaliação externa.
Um convite a que se varra o lixo para baixo do tapete.

segunda-feira, março 29, 2010

Privatize-se tudo

«Privatize-se tudo, privatize-se o mar e o céu, privatize-se a água e o ar, privatize-se a justiça e a lei, privatize-se a nuvem que passa, privatize-se o sonho, sobretudo se for diurno e de olhos abertos. E finalmente, para florão e remate de tanto privatizar, privatizem-se os Estados, entregue-se por uma vez a exploração deles a empresas privadas, mediante concurso internacional. Aí se encontra a salvação do mundo… e, já agora, privatize-se também a puta que os pariu a todos.» José Saramago – Cadernos de Lanzarote - Diário III – pag. 148

sábado, março 27, 2010

O equívoco de Alegre

Citando o seu amigo Jorge Sampaio, que em tempos afirmou que “há mais vida para além do défice”, Alegre diz agora que “há mais vida para além do PEC”.
São frases literariamente bem concebidas, reconheço, mas politicamente muito discutíveis.
É verdade que, com este PEC, há grandes vidas. Mas os trabalhadores, os reformados, os desempregados, os jovens, apenas conseguirão, a muito custo, vegetar.

Problema de (im)pressão

A crítica de grande parte dos média, uma crise política que se transformou num impasse institucional, uma situação social explosiva, um fiasco económico que obriga a medidas drásticas, a curto prazo...
Como se isso não bastasse, o impetuoso José Sócrates (dificilmente reeleito nas legislativas de Setembro de 2009) tem agora de enfrentar uma "revolta" do Parlamento que poderá forçá-lo a demitir-se ou a levar o seu partido a ter de encontrar o seu sucessor como chefe do governo. Hoje, em Lisboa, começa o trabalho de uma comissão parlamentar de inquérito que, pela primeira vez desde o fim da ditadura de Salazar, implica directamente um Primeiro-Ministro e vai obrigá-lo a comparecer fisicamente, ao menos por escrito. "Portugal é um barco à deriva em que o capitão é o mais suspeito de toda a tripulação".
Este é o início do artigo "José Sócrates, o português assoreado", do jornal francês Libération, que, segundo o Expresso, não foi publicado em Portugal devido a "problemas de impressão". Contudo, não nos admiraria que, em vez disso, alguém uma vez mais tivesse feito pressão para que nada cá chegasse!…

quarta-feira, março 24, 2010

Portugal é um manicómio. Não admira!

A Revolução de Abril trouxe-nos a liberdade, mas sobretudo o sonho de um país mais igual e de um futuro melhor. Afinal, 35 anos volvidos, continuamos a ser o país pobre e socialmente injusto que sempre fomos, onde uma minoria vive à larga ou mesmo de forma imoral, e a maioria sobrevive como pode enfrentando as maiores dificuldades — cerca de 2 milhões de pobres, mais de 1 milhão de trabalhadores precários com salários de miséria, 700 mil desempregados a maioria dos quais sem subsídio de desemprego, nível salarial e de pensões dos mais baixos da União Europeia e a repartição mais desigual do rendimento. E como se tudo isto não fosse suficientemente trágico e revoltante, a corrupção e a promiscuidade entre o poder político e os interesses financeiros mais obscuros é de tal ordem que o governo não hesita em obrigar os trabalhadores (e a classe média) a pagar uma crise que não provocaram e favorece escandalosamente os criminosos financeiros e os especuladores bolsistas com perdões e isenções fiscais.
Este é um pesadelo difícil de aguentar. Não admira, por isso, que Portugal seja o país da Europa com mais doentes mentais!

domingo, março 21, 2010

Cuba e a contra-informação

Se alguma coisa este vídeo mostra (a quem o quiser ver com atenção) é que os meios de contra-informação que propalam a notícia de que a "Polícia cubana reprime com violência o protesto das damas de branco", mentem. Descaradamente.
Na verdade, são maioritariamente os populares (e não a polícia) que, de forma decidida e enérgica, mas não violenta, impedem as contra-revolucionárias damas (apoiadas pelos Estados Unidos e pela mulher do "democrata" George W. Bush) de se "manifestarem" e as recambiam para casa da sua líder (e não para uma esquadra policial, como aconteceria em muitos países ditos democráticos).



Respeitem pois a soberania do povo cubano, como exige Pablo Milanés, que garante que os cubanos resolverão a sua situação.
E já agora, acrescentamos nós, se querem fazer alguma coisa de verdadeiramente útil pelo povo cubano, exijam o fim do desumano bloqueio americano a Cuba, que já vai em 48 anos!

sábado, março 20, 2010

Limpar Portugal

Hoje foi dia de limpeza do ambiente. Agora falta mesmo limpar a economia, a política, a ética. Para que possamos voltar a sonhar.

O vendedor de banha-de-cobra

João César das Neves revela tudo menos ignorância quando afirma que "os que protestam [leia-se 'os funcionários públicos e os trabalhadores do sector empresarial'] não são as vítimas da situação". Um professor universitário de Economia deve saber que isso não é verdade. Deve saber que os salários reais da função pública, exceptuando 2008, têm vindo a cair desde 2001, que os salários reais dos trabalhadores das empresas seguiram a mesma trajectória descendente, que temos mais de um milhão e meio de trabalhadores precários, que o desemprego não tem parado de crescer atingindo agora cerca de 700 000 pessoas. Trata-se, isso sim, de desonestidade intelectual de César das Neves.

O vendedor de banha-de-cobra

Desonestidade que atinge a mais indecorosa má-fé quando o "professor" chega ao cúmulo de acusar os trabalhadores e as suas organizações de, com os seus protestos e reivindicações, serem "os responsáveis pela crise". "Esquecendo" que quem a causou foram especuladores financeiros, banqueiros sem escrúpulos e gestores milionários irresponsáveis, ao substituírem a economia real por uma "economia de casino". "Esquecendo" que os governos esbanjaram milhões para "salvar" o sistema financeiro sem cuidar do retorno do crédito às empresas e às famílias. "Esquecendo" que, ainda agora, o PEC continua a adoptar as "corajosas" receitas de sempre — congelamento de salários e pensões, redução do subsídio de desemprego (dos que o recebem!), extinção dos benefícios fiscais com as despesas de saúde e de educação — enquanto a fraude e evasão fiscal é premiada com o perdão fiscal e as mais-valias bolsistas continuam isentas de tributação.
João César das Neves pode vender a banha-de-cobra que quiser nas aulas mas isso não faz dele um verdadeiro professor. Antes um demagogo e propagandista escondido com o rabo de fora. Não vale a pena perder mais tempo com o homem.

sexta-feira, março 19, 2010

O Pai Natal

O sucateiro de Ovar era um mãos-rotas. Entre 2002 e 2007, o Pai Natal Manuel Godinho ofereceu centenas de prendas a políticos, gestores públicos e outros funcionários do Estado. Dos contemplados, constam, como se pode ver na lista seguinte, José Penedos, José Sócrates, Jorge Coelho e Armando Vara, entre outros. Todos bons rapazes…

Fonte: Sol
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"Quiero un cambio en Cuba"

Para o cantautor cubano Pablo Milanés, "os revolucionários […] converteram-se em reaccionários das suas próprias ideias." Mas, para que não fiquem dúvidas sobre o que defende para o seu país, Pablo esclarece: "Mais do que eleições, que em Cuba haja mudança, porque tampouco acredito em eleições. Isso é um 'jogo democrático', entre comas, que também é uma farsa."


"Quero uma mudança em Cuba quanto antes", diz, mas a mudança que Pablo defende nada tem a ver com a pseudo-dissidência contra-revolucionária de prisioneiros de delito comum (mesmo que o seu estúpido suicídio por greve de fome mereça a condenação do músico "desde el punto de vista humano"). Nem com as manifestações das Damas de Blanco apoiadas por Laura Bush. Ou com as exigências do imperialismo americano que, há quase 50 anos, dá guarida a actividades terroristas contra Cuba e submete a ilha a um desumano bloqueio. Ou ainda com as pressões absurdas e intoleráveis da União Europeia, tão pressurosa a interferir no direito à soberania do povo cubano e tão silenciosa perante a humilhação de que continuam a ser vítimas os palestinos.
A mudança que Pablo Milanés defende é a renovação da liderança revolucionária e a reafirmação do socialismo em Cuba. Por isso sublinha: "Quero que respeitem a soberania do meu povo. Nós, cubanos, temos direito a reclamar os nossos direitos. Mas seremos nós que resolveremos a nossa situação."

quinta-feira, março 18, 2010

9 mil milhões de euros!

O crédito malparado não pára de aumentar atingindo já cerca de 9 mil milhões de euros. E ainda a procissão vai no adro…
Mas com o malfadado PEC e a previsível subida das taxas de juro, em 2013 estaremos bem pior.

A queda do mito?

A popularidade do presidente norte-americano continua a cair a pique. O que é estranho é que isso aconteça precisamente quando Obama tenta implementar um serviço de saúde público que garanta os serviços básicos a toda a população.

quarta-feira, março 17, 2010

Eles comem tudo

Os cinco administradores da Portugal Telecom (PT), incluindo o presidente, Henrique Granadeiro, e o presidente executivo, Zeinal Bava, receberam em salários fixos, variáveis e prémios cerca de 7 milhões de euros, em 2009.
Rui Pedro Soares, o boy envolvido na polémica tentativa de compra da TVI, recebeu 1,533 milhões, dos quais 1,035 milhões relativos a remuneração variável e prémios de gestão.
Granadeiro sentiu-se encornado quando soube do alegado plano da PT para comprar a TVI.
Agora, perguntamos nós: como há-de sentir-se a maioria dos portugueses perante estes números verdadeiramente escandalosos, numa empresa em que o Estado é o accionista principal???


Os vampiros, Baladas de Coimbra (1963), José Afonso

PEC — Os factos e a propaganda

Graças ao PEC (para nós, Plano de Estagnação do Crescimento) Portugal é o país que mais trava o investimento até 2013. Em consequência, o número de desempregados continuará acima de meio milhão e a economia portuguesa registará o crescimento mais baixo da União Europeia (menos de 2 por cento).
Porém, o Ministro da Economia, que há uma semana atrás propagandeava que o "PEC é um estímulo ao serviço do crescimento", continua a bater na mesma tecla afirmando que o "PEC não é só contenção, é também crescimento". Como se uma mentira mil vezes repetida passasse a ser verdade. Joseph Goebbels também assim pensava e não conseguiu levar a água ao seu moinho.

terça-feira, março 16, 2010

José "Trocas-te"

O primeiro-ministro foi esta terça-feira chamado de José "Trocas-te", quando ia discursar sobre a Estratégia Nacional para a Energia até 2020, no Pavilhão de Portugal, em Lisboa.



Tem a sua piada. Mas o verdadeiro problema é que Sócrates, longe de se trocar, sabe muito bem as malfeitorias que faz, como as faz e a quem as faz. Infelizmente para os jovens, os desempregados, os trabalhadores, os pensionistas e agora a classe média.

segunda-feira, março 15, 2010

Sejam homens, casem-se!…

O Vaticano pode dizer o que quiser. Pode até contrariar as leis da natureza e negar que o celibato seja responsável por abusos sexuais de clérigos. O que não pode esconder é as três mil acusações de pedofilia contra sacerdotes registadas nos últimos nove anos (sem contar os casos que tenham sido abafados).
Tenham vergonha, sejam homens! Casem-se!…

Insulto intolerável

Por proposta da Parpública, empresa controlada pelo Estado, a REN vai atribuir um prémio a José Penedos pelo desempenho em 2009, ano em que a empresa foi envolvida no caso Face Oculta e Penedos constituído arguido.
É mais um insulto intolerável, com o beneplácito de um governo que não hesita em crucificar os trabalhadores (incluindo os jovens e os desempregados), os reformados e a classe média, e deixa os grandes interesses, a especulação bolsista e a fraude e evasão fiscal à rédea solta.

O Grande Capital, À Queima-roupa, Sérgio Godinho

O povo português (ainda) é de esquerda?

Com o seu Plano de Extorsão do Contribuinte, o governo mais à direita de que há memória desde 25 de Abril de 1974 vai continuar a "chupar o sangue fresco da manada". Infelizmente, porém, a manada parece que gosta. E dá a impressão de não se importar que o Presidente da República nada faça para o impedir. Isso explica as subidas do Partido de Sócrates e de Cavaco nas intenções de voto (ainda que as sondagens nos mereçam sérias reservas).
Alguns estudiosos afirmam que o povo português é ideologicamente de esquerda. Contudo, pela forma como tem vindo a votar e a aceitar com resignação as malfeitorias da governação, parece-nos que já foi mais. É pena que assim seja.

domingo, março 14, 2010

Extorquir quem menos tem

Tributação das mais valias, afinal, só quando houver estabilidade nos mercados financeiros. Até lá, é fartar especuladores bolsistas!
Mas o congelamento de salários e pensões, e o fim dos benefícios fiscais com as despesas de saúde e educação são para já.
Extorquir quem menos tem, é o lema deste governo.

sexta-feira, março 12, 2010

PEC — Plano de Estagnação e Carestia

O PEC, eufemisticamente designado Plano de Estabilidade e Crescimento, não passa de um desgraçado Plano de Estagnação e Carestia. Estagnação da economia que, até 2013, registará o pior crescimento da União Europeia, traduzindo-se num aumento do emprego tão insignificante que não chegará à imensa maioria dos cerca de 700 mil desempregados. Carestia de vida dos trabalhadores e dos reformados que verão os seus rendimentos reais congelados, ou mesmo diminuídos perante o previsível aumento das taxas de juro dos empréstimos à habitação, do preço dos combustíveis e de muitos outros bens e serviços de primeira necessidade e, deste modo, as suas condições de vida brutalmente agravadas.
Tudo isto, sem falar da venda do que resta da "carne" do "sector público", ficando apenas os "ossos" para nós, contribuintes, suportarmos.
Mas há alguma alternativa ao PEC do Governo e da Direita? Sem dúvida. Esta, por exemplo. O problema é que, à força de tanta propaganda e chantagem, a maioria dos eleitores continua convencida que não e a confiar nos seus inimigos de há 35 anos.
Por este caminho Portugal e os portugueses não têm futuro. E o que é dramático é que a maioria continue a não perceber isso.

segunda-feira, março 08, 2010

Hoje é Dia Internacional da Mulher

Em Portugal, as mulheres possuem um nível médio de escolaridade superior ao dos homens mas as entidades patronais continuam a não reconhecer as suas competências. Na realidade, embora desempenhando as mesmas funções que os homens, as mulheres portuguesas recebem um salário mais baixo, verificando-se que a discriminação salarial é tanto maior quanto maior é a escolaridade e mais elevada é a qualificação profissional exigida.
À conta desta discriminação imoral e inconstitucional do trabalho feminino — a alínea a) do ponto 1. do Artigo 59.º da Constituição da República Portuguesa determina que "para trabalho igual salário igual" — os empresários nacionais arrecadaram, em 2009, um lucro extraordinário de 5.500 milhões de euros.
Mas a discriminação das mulheres pelas empresas não se fica por aqui. Apesar de terem um nível médio de escolaridade mais elevado, são também elas as mais atingidas pela precariedade e pelo desemprego de longa duração. E depois de terem sido discriminadas e sobre-exploradas pelas entidades patronais, quando se reformam ou são atingidas pela invalidez, sofrem ainda uma última discriminação nas respectivas pensões. Para que não haja dúvidas, está tudo aqui, preto no branco, com dados do Ministério do Trabalho.

Hoje é Dia Internacional da Mulher. Mas em Portugal, como se vê, as mulheres têm mais razões para lutar do que para festejar!

Aqui Dentro de casa, Margem de Certa Maneira (1972), José Mário Branco

O povo islandês resiste

93% dos eleitores da Islândia disseram "Não" ao pagamento de prejuízos provocados pela falência do banco online privado Icesave. O referendo foi realizado no passado sábado e é o segundo da história do país. Deste modo, o povo islandês rejeitou as pressões dos governos britânico e holandês, bem como a atitude servil do seu governo e do seu parlamento que, em Dezembro último, assinaram um acordo comprometendo-se a pagar 3,9 mil milhões de euros aos credores do banco falido. Assim, a derrota da ideologia neoliberal vai-se concretizando na prática. A pequena Islândia dá o exemplo a todos os países do mundo submetidos à extorsão do capital financeiro e imperialista : resistir.

A Igreja Católica é um antro de pecado

A Igreja Católica é um antro de pecado. Os casos de pedofilia têm-se sucedido no seu seio. Primeiro foi na América. Depois, na Irlanda. Agora, é na Alemanha.
Por muito menos, Deus queimou e arrasou Sodoma e Gomorra, tendo certamente matado muitos inocentes. E agora, assiste, impávido e sereno, a esta pouca-vergonha?
Afinal, parece que Saramago tem razão quando diz que "o Deus da Bíblia […] não é de fiar".

sábado, março 06, 2010

Cuba: de que liberdade falamos?

Defendemos intransigentemente os direitos humanos. Não apenas a liberdade e os demais direitos cívicos e políticos, mas também os direitos económicos e sociais, imprescindíveis à dignificação da pessoa humana.
É por isso que, sendo sempre solidários com a luta pela liberdade, aconteça ela onde acontecer, não alimentamos nem apoiamos campanhas cínicas e parciais vindas de países onde, grande parte das pessoas, para além da liberdade formal, tem apenas "direito" ao desemprego, à pobreza, à exclusão social, a não ter casa e a ter de pagar a educação e os serviços de saúde. Campanhas contra um país que pode ser criticável em matéria de direitos cívicos e políticos mas onde, apesar disso, existe oposição e, além do mais, não obstante o vergonhoso bloqueio económico de que é vítima há quase 50 anos, a educação e a saúde são gratuitas para todos os seus cidadãos. Porque é também e sobretudo por aí que a liberdade e a dignidade humana passam.

Liberdade , À Queima-Roupa, Sérgio Godinho

Depois da Guerra Fria, o Armagedão?

A versão oficial do 11 de Setembro continua muito mal contada. Lá que o energúmeno que anteriormente ocupou a Casa Branca tudo tenha feito para ocultar a verdade, compreende-se, dados os interesses que durante oito anos satizfez, os quais conduziram a América e o mundo ao desastre.
O que já não se entende é que o Prémio Nobel da Paz e actual presidente persista na mesma lamentável e inaceitável atitude de silenciar milhares de especialistas — cientistas, arquitectos, engenheiros, bombeiros — para quem a "teoria da conspiração" poderá ter sido "apenas" um pretexto para alimentar a indústria de guerra americana na luta contra o "terrorismo".


"Os atrasados mentais de Washington [continuam] a jogar a cartada da guerra nuclear. O impulso louco para a hegemonia americana ameaça a vida sobre a terra. O povo americano, ao aceitar as mentiras e enganos do "seu" governo, está a facilitar este resultado."
Será que, depois da Guerra Fria, caminhamos para o Armagedão?

quinta-feira, março 04, 2010

"Grande" proeza de Portugal

Grande proeza de Portugal: venceu o segundo maior produtor industrial do mundo.
Ok, tratou-se apenas de uma jogatana de futebol, "a feijões"!…
Cada um faz o que pode!…

Beber do seu próprio veneno

A dívida do Estado mais populoso dos EUA, terceiro em superfície, maior centro industrial do país e líder nacional na produção agropecuária, apresenta um risco mais elevado que a do Cazaquistão.


Ou seja, o mercado acredita ser menos provável que um país em desenvolvimento, com apenas 15,7 milhões de pessoas, deixe de pagar a quem deve do que a Califórnia, que tem a oitava maior economia do mundo.
Agora o filme é real. A América está a beber do seu próprio veneno. Não há Terminator que lhe valha!

quarta-feira, março 03, 2010

Tribunal Russell: para que serve a liberdade de imprensa?

Acaba hoje em Barcelona a primeira sessão do Tribunal Russell sobre Palestina, com o mandato de estudar as falhas, omissões e cumplicidades da União Europeia e dos seus Estados-Membros em relação à prolongada ocupação por Israel dos territórios palestinianos e as violações dos direitos humanos do povo palestiniano.
A imprensa portuguesa, tão atenta à colaboração do "nosso" Governo com o Estado espanhol na repressão dos nacionalistas bascos, mantém um silencio total e cúmplice sobre esta importante acção que visa chamar a atenção da opinião pública mundial para as violações à lei internacional na Palestina.
É caso para perguntar: para que serve a liberdade de imprensa?

Canta camarada (1969), José Afonso

terça-feira, março 02, 2010

Israel no banco dos réus

A Assembleia Geral das Nações Unidas debate sexta feira as apreciações ao relatório da comissão Goldstone, que acusa Israel e a Palestina de crimes de guerra nos confrontos em Gaza ocorridos no ano passado.

Israel invadiu a Faixa de Gaza, metralhando impiedosamente habitações, escolas, hospitais e templos, e matando cruelmente não apenas militares mas também civis (muitos dos quais, crianças inocentes, funcionários da assistência humanitária e repórteres da comunicação social), utilizando mesmo bombas de fósforo branco, proibidas pela Convenção de Genebra. As milícias do Hamas — os terroristas, como são chamadas pelos israelitas e seus aliados — limitaram-se a responder disparando uns quantos foguetes artesanais.


Em consequência, não há comparação possível entre o número de vítimas de cada lado: entre os palestinos, de 1300 a 1400 mortos, dos quais, cerca de um milhar de civis; entre os israelitas, 13 mortos (quatro atingidos pelos foguetes do Hamas lançados contra o sul de Israel) sendo três civis e dez soldados. cf Wikipédia

Agora digam-nos: perante estes factos, que crime cometeram os palestinos quando foram os sionistas que varreram a ferro e fogo a sua terra?
Partindo de um relatório tão tendencioso e injusto, não esperamos grande coisa da Assembleia Geral da ONU, muito menos a condenação de Israel pelos crimes de guerra e as sistemáticas violações do Direito Internacional que tem cometido. Oxalá estejamos enganados!

Alimentamos muito mais expectativas sobre o julgamento de Israel pelo Tribunal Russell sobre Palestina e a pressão que as suas conclusões possam vir a exercer sobre a hipocrisia das potências ocidentais.

Nefretite não tinha papeira, Venham Mais Cinco (1973), José Afonso

segunda-feira, março 01, 2010

Assim não há país que resista!

O desemprego continua a subir dramaticamente em Portugal e atinge neste momento 10,5%. Estamos agora em sexto lugar na União Europeia, cuja taxa média é de 9,5%.
Mas estes dados só revelam a sua verdadeira dimensão quando comparados com os do ano passado.
Em Janeiro de 2009, a nossa taxa de desemprego era igual à taxa média da Zona Euro, ou seja, 8,5%. Hoje, enquanto a Eurolândia regista 9,9%, Portugal afunda-se nos 10,5%, como vimos.
Por mais que Sócrates queira tapar o sol com a peneira, nao há dúvida que estamos a empobrecer inexoravelmente e a pagar cada vez mais a factura da política de um governo generoso com os banqueiros e promíscuo com os grandes grupos económicos, mas que nada faz para salvar as pequenas e médias empresas, que representam cerca de 90% do nosso tecido empresarial — só de Janeiro até agora foram à falência mais de 700!!!
Assim não há país que resista!

Fausto e Boémia (Ao vivo) — Uma Cantiga de Desemprego

domingo, fevereiro 28, 2010

José Afonso, timoneiro da liberdade

Com uma discografia completa que, contando apenas as edições originais, totaliza 28 discos, José Afonso é, em nossa opinião, o maior cantautor português de sempre, não só pela quantidade de trabalhos que gravou durante 32 anos de carreira, mas sobretudo pela qualidade inegável da sua obra e a revolução que ela representou para a nossa música popular.
Porém, Zeca não se limitou a ser um músico e cantor de génio.
Ele foi um cidadão empenhado na luta contra as ditaduras — não só a ditadura salazarista mas também a ditadura capitalista que se instalou na ressaca do 25 de Novembro — pela liberdade e a democracia, mas também por uma sociedade mais justa e solidária, uma sociedade socialista, onde o povo fosse verdadeiramente soberano e dono do seu destino.
Um cidadão que, respeitando seguramente a democracia partidária, privilegiava a Esquerda dos valores, da liberdade, da cidadania. Por isso recusou ser condecorado com a Ordem da Liberdade de um Estado hipócrita que combateu convictamente até ao fim dos seus dias. Por isso apoiou, em 1986, a candidatura presidencial independente de Maria de Lourdes Pintassilgo. Por isso no seu funeral a urna foi coberta por um pano vermelho sem qualquer símbolo, como pediu.
José Afonso, músico incontornável, cidadão vertical, mas sobretudo, timoneiro da liberdade. Cujo exemplo continuaremos a seguir. Sempre.

Utopia, Como Se Fora Seu Filho (1983), José Afonso

quinta-feira, fevereiro 25, 2010

A Segurança Social à beira do colapso?

De acordo com dados do Relatório do OE2010, entre 2005 e 2008, as dívidas totais à Segurança Social passaram de 2.150 milhões de euros para 5.249,3 milhões de euros, ou seja, aumentaram 144% (2,4 vezes) em apenas três anos.
Estes dados oficiais revelam, contrariamente ao que tem pretendido fazer crer o governo e os media que lhe são afectos, que a não entrega de contribuições assim como a evasão e a fraude contributiva à Segurança Social aumentaram significativamente com os governos de Sócrates.
Mas enquanto pouco faz para recuperar as dívidas à Segurança Social, muitas delas resultantes de descontos nos salários dos trabalhadores que não foram entregues, o mesmo governo prepara-se para conceder um gigantesco perdão às empresas, anulando as suas dívidas à Segurança Social e delapidando assim uma parte importante do seu património.
Assim, no Balanço da Segurança Social 2008 já existe uma "provisão" de 3.592,84 milhões de euros para anular (perdoar) uma parcela significativa das dívidas à Segurança Social reduzindo-as, através de uma simples operação contabilística, de 5.249,31 milhões de euros para apenas 1.650,48 milhões de euros. E é de prever que no Balanço de 2009, que o governo não apresentou, esta provisão tenha sido reforçada com mais milhões […]. Mais um "bónus" concedido às empresas à custa dos trabalhadores e da Segurança Social, a juntar a muitos outros também concedidos por este governo (redução da taxa de contribuição das empresas, concessão de subsídios ditos de apoio à criação de emprego, etc.). (excerto de estudo de Eugénio Rosa)
Por este andar, enquanto políticos e gestores conseguem reformas milionárias, muitas vezes em pouco tempo e nem sempre da forma mais ética, a imensa maioria dos portugueses arrisca-se a ter de trabalhar quase até morrer por uma reforma de miséria que não lhes dará para sobreviver.
Como diria José Mário Branco, o 25 de Abril "foi um sonho lindo que acabou".

terça-feira, fevereiro 23, 2010

Estarás sempre connosco, Zeca!

Ele bem queria que esta fosse uma terra da fraternidade, uma cidade com gente igual por dentro e gente igual por fora, mas hoje, vinte e três anos após o seu falecimento (e trinta e cinco depois de Abril), quem trepa no coqueiro ainda é o rei e os vampiros continuam a chupar o sangue fresco da manada.
Num tempo em que a injustiça social é mais aguda que nunca e a democracia jamais esteve tão ameaçada, o que faz falta é acordar a malta. Enquanto há força!


Estarás sempre connosco, Zeca!

sábado, fevereiro 20, 2010

Afinal quem é, de facto, o candidato da Esquerda?

Embora não se assuma como candidato da Esquerda (nem da Direita ou do "centro"), Fernando Nobre garante que "o seu espaço político é o da liberdade, da justiça social, do humanismo, da ética, da solidariedade, da transparência da vida pública e da adequada, justa e indispensável função redistributiva do Estado" e "propõe-se lutar, promover e incentivar a regeneração ética da vida política do país, apoiar e incentivar todos os esforços do Governo e sociedade civil no caminho da justiça social, e não pactuar com a situação trágica da justiça em Portugal".
Por seu lado, Manuel Alegre, que afirma ser o candidato da Esquerda, apoiou a reeleição de José Sócrates, cujos governos têm ameaçado as liberdades, condicionado a Justiça, fomentado a corrupção e a promiscuidade entre o Estado e os grandes grupos privados, e levado a cabo as políticas mais anti-sociais de que há memória desde o 25 de Abril.
Afinal quem é, de facto, o candidato da Esquerda? A resposta parece-nos óbvia.

Fernando Nobre: Presidente como nós.

Somos de Esquerda. Mas a Esquerda de que somos não é a das confrarias partidárias e das suas tácticas políticas. Somos da Esquerda dos valores, da independência, da livre cidadania. Esquerda da solidariedade, da justiça social, por uma sociedade mais igual.
Por isso apoiamos, inequivocamente, a candidatura de Fernando Nobre à Presidência da República. Porque tem sido um permanente exemplo de humanidade e solidariedade com os mais desfavorecidos, uma referência ética, um cidadão livre e independente que não se acomoda perante a injustiça social.


Mas também apoiamos e votaremos Fernando Nobre para Presidente da República por não querermos que seja reeleito o candidato da Direita, Cavaco Silva. Como fizemos, em 1986, com Maria de Lourdes Pintasilgo que, apesar do seu favoritismo, sem o apoio das máquinas partidárias não conseguiu ganhar, mas tal não impediu que triunfasse um candidato da Esquerda. Portanto, porque temos memória, escusam de vir acusar-nos de estarmos a fazer o jogo da Direita. A história mostrou-nos que não é assim.
Serão muitos a votar Fernando Nobre. A levá-lo à presidência, esperamos. Pelas mais diversas razões.
Pela nossa parte, pela Esquerda dos cidadãos, queremos um Presidente como nós.

quinta-feira, fevereiro 18, 2010

Já nada nos espanta

Anda já perto de 400 o número de ex-militares que se dizem prejudicados pela sua participação na revolução do 25 de Abril e estão a ser promovidos ao abrigo de uma lei de 1999, aprovada pela maioria socialista de então. Tem razão o coronel Morais e Silva, um dos capitães de Abril, quando afirma tratar-se de "uma vergonha", "um escândalo", "um roubo", infelizmente demasiado frequente num regime que de democrático pouco mais tem que a designação.
Foi, de resto, essa de completa ausência de valores democráticos que levou, há 21 anos, o então primeiro-ministro Cavaco Silva a recusar conceder a Salgueiro Maia uma pensão por "serviços excepcionais ou relevantes prestados ao país", ao mesmo tempo que a concedia a dois inspectores da criminosa PIDE.
Enfim, já nada nos espanta num país onde a democracia está agrilhoada e o 25 de Abril é apenas uma saudosa memória.

O paraíso fiscal

[…].
De acordo com o Relatório do OE2010, entre 2008 e 2009, o PIB a preços correntes (e é sobre este que incide as taxas de imposto) passou de 166.436,9 milhões € para 164.879,5 milhões €, ou seja, diminuiu em 1.557,4 milhões de euros (em percentagem baixou apenas -0,9%), enquanto as receitas fiscais totais, durante o mesmo período, diminuíram em 5.034 milhões de euros (-13,7%), pois passaram de 36.660,8 milhões de euros para apenas 31.626,8 milhões de euros.

E a situação não vai melhorar em 2010. Entre 2008 e 2010, segundo o governo, o valor do PIB a preços correntes aumenta 930,2 milhões de euros, pois passa de 166.436,9 milhões de euros para 167.367,1 milhões de euros, enquanto as receitas fiscais, durante o mesmo período, diminuem em 4.686,7 milhões de euros (-12,8%), pois passam de 36.660,8 milhões de euros para 31.974,1 milhões de euros. Estes dados do próprio governo, mostram que o descalabro a nível das receitas fiscais não é provocado apenas ou fundamentalmente pela quebra da actividade económica determinada pela crise internacional como pretende fazer crer o governo. Estimamos que, pelo menos, 3.000 milhões € da quebra de receitas é devida ao aumento significativo da evasão e fraude fiscal provocado pelo discurso permissivo do governo e pela falta de acção e de eficácia da Administração Fiscal no combate à evasão e à fraude fiscal. […].
Como consequência a injustiça fiscal continua a aumentar ainda mais em Portugal. […]. E Victor Constâncio — que vai agora tratar da vidinha e tratar-nos da "saúde" como vice-presidente do BCE — veio defender o aumento do IVA. Porque razão não propôs a eliminação da isenção total que continuam a gozar as mais-valias especulativas obtidas na bolsa em Portugal, como já acontece na maior parte dos países da UE? ler mais
Vivemos num inferno mas, para uma minoria, Portugal é um paraíso fiscal.

domingo, fevereiro 14, 2010

Demitir Sócrates, em nome do interesse colectivo

Durante pouco mais de quatro anos, a governação de José Sócrates deu uma decisiva contribuição para a situação calamitosa a que o país chegou (quer ao nível das finanças e da economia quer ao nível social) e para a degradação da actividade política e dos direitos dos cidadãos. Mas mais do que tudo isto, que não é pouco, a imagem que Sócrates tem vindo a revelar ao longo dos anos, através do alegado e sistemático envolvimento nas mais diversas irregularidades e atropelos à lei, a que agora se junta o seu anunciado envolvimento num plano para controlar a comunicação social, é a de alguém com uma gritante falta de ética e de seriedade para ocupar o cargo de Primeiro-ministro, alguém em quem os cidadãos anónimos têm certamente fundadas dúvidas em confiar.
Por isso, a sua urgente demissão seria o melhor serviço que se poderia prestar ao país. Mas podemos ter a certeza de que ele não o fará. E o Presidente da República, que nada diz, também não.
Resta então a Assembleia da República que, através da aprovação de uma moção de censura por maioria absoluta, pode levar à demissão do governo, abrindo a porta à possibilidade do Presidente da República indigitar outro elemento do partido mais votado a formar um novo governo.
Não seria difícil, nem moroso, nem custoso. Porque não seria preciso (nem conveniente, na actual situação de crise) ir de novo a votos.
Se os partidos da oposição têm a maioria, por que não avançam então? Por receio? Por calculismo? Por agenda? Não acham que o interesse colectivo deve ser posto em primeiro lugar?

Canção da Paciência, Como Se Fora Seu Filho (1983), José Afonso

sábado, fevereiro 13, 2010

Se há um "corno", alguém o "encornou"

Diz o nosso povo, na sua linguagem nua e crua, que o corno é sempre o último a saber, querendo com isso afirmar que quem é traído acaba quase sempre por só ter conhecimento da traição de que é alvo depois dela já andar nas bocas do mundo.


É o que terá acontecido com o presidente da PT que garante ter sido o último a saber do envolvimento da empresa num alegado plano do governo para controlar a comunicação social. Não me admira nem sequer choca, portanto, que Henrique Granadeiro tenha afirmado sentir-se encornado. Este tipo de linguagem não me suscita qualquer pudor, mesmo tratando-se do presidente de uma grande empresa. O que me enoja e muito são os factos que levaram o presidente da PT a sentir-se traído. Mesmo que não tenham passado de intenções. E, definitivamente, se há um corno alguém o encornou.

De Quem Foi a Traição, Fura Fura (1978), José Afonso

sexta-feira, fevereiro 12, 2010

A saída (para a crise)

Não há dúvida. A clique dirigente do PS está muito mais preocupada com a sua consolidação e eternização no poder do que com o combate à crise de que em parte também é responsável. Apesar de estarmos em democracia , ainda que apenas formalmente (ou nem isso), é o regresso às tácticas salazaristas do controlo dos meios de informação e da promiscuidade do poder político com os grandes grupos económicos.
Por isso, perante uma avalanche de indícios que revelam isso mesmo, eles assobiam para o ar e afirmam, com cinismo maquiavélico, que a "substituição de Sócrates resolve-se nas eleições". Sabem que, estranhamente, diga-se, as sondagens lhes continuam a ser favoráveis e alimentam a secreta esperança de reconquistar a maioria absoluta.
Mas este não é um problema de legitimidade democrática. O PS tem uma maioria, relativa, é certo. Exige-se-lhe, por isso, que governe, em nome do interesse colectivo (que não será exactamente o dos grandes grupos económico-financeiros).
Este é um problema de evidente falta de ética política e democrática de um cidadão que, por esse facto, não pode continuar a ser Primeiro-ministro e assim contribuir para o descrédito do país e o aprofundamento da crise que deveria ser o primeiro a procurar resolver.
Este é um problema que só o Presidente da República poderia solucionar, demitindo José Sócrates e indigitando uma nova personalidade do partido mais votado a formar governo. Mas tenho dúvidas que Cavaco o faça. Por calculismo, fraqueza ou seja lá por que razão for. Veremos.

Grândola Vila Morena, Filhos da Madrugada Cantam José Afonso (1994), Vários

O país não pode perder mais tempo

A "face" da alegada tentativa de controlo da comunicação social por parte do governo fica, a partir de hoje, bastante menos "oculta" graças à luz irradiada pelo Sol, através da publicação de novos dados que indiciam fortemente que o governo e, em particular, o Primeiro-ministro, terão estado envolvidos na tentativa não apenas de comprar 30 por cento da TVI, mas também de adquirir um grande grupo de comunicação através da PT (numa primeira fase, a mira estaria apontada para a Cofina/ Correio da Manhã ou a Impresa/ Pinto Balsemão; no fim, para o grupo Controlinveste (DN/JN/TSF), de Joaquim Oliveira).


Se tudo isto, que na perspectiva da investigação configura um crime de "atentado contra o Estado de Direito", for verdade ou não for devidamente explicado, independentemente do processo judicial só resta uma de duas saídas: ou Sócrates demite-se ou é demitido. E leva consigo o "seu" Procurador.
O país não pode perder mais tempo com esta vergonha. Tem uma profunda crise para combater.

Venho Aqui Falar, Pano-cru (1978), Sérgio Godinho

Chegou o momento

"Na altura em que fui Provedor do Público, escrevi uma crónica na qual referia que chegaria um momento de desobediência civil por parte dos jornalistas. Chegou esse momento. As escutas devem ser publicadas, os jornalistas devem esforçar-se por publicá-las e não se deixar intimidar."
"O que está em causa é matéria de interesse público e o interesse público sobrepõe-se aos direitos privados dos cidadãos." (Joaquim Vieira, presidente do Observatório de Imprensa, em declarações ao "Jornal de Negócios")

Absolutamente de acordo.
Se os órgãos competentes tudo fazem para que a verdade não seja apurada, o interesse público e o direito à informação reclamam a divulgação dos factos e
legitimam a chamada violação do segredo de justiça. Afinal é a democracia que está em causa.

Maré Alta, Três Cantos (2009), José Mário Branco, Sérgio Godinho e Fausto Bordalo Dias

quinta-feira, fevereiro 11, 2010

O governo dos ricos

Se Sócrates não comenta possibilidade de congelar os salários reais da função pública até 2013, Jorge Lacão diz que se trata de especulações e Teixeira dos Santos, sobre a matéria, se remete ao silêncio, não é difícil perceber que é precisamente isso que irá acontecer. E que os empresários, seguindo o exemplo do Estado, farão o mesmo.
Fica, portanto, claro, se dúvidas houvesse, que serão uma vez mais os funcionários públicos a pagar o défice e os trabalhadores em geral a suportar uma crise de que não foram causadores. Graças a um governo indevidamente chamado de socialista que sempre se revelou forte com os fracos e fraco, ou mesmo colaborante, com os fortes.

Queremos Ver Tudo Diferente, Um Beco Com Saída (1975), Fausto

O que resta da democracia

Depois da licenciatura obtida por processos duvidosos numa universidade tão credível que acabou por ser encerrada no rescaldo do caso, depois do alegado envolvimento no estranho licenciamento do Freeeport de Alcochete, e da compra da sua casa no edifício Heron Castilho por um montante muito abaixo do preço de mercado, ou da assinatura de projectos de moradias na Covilhã sem para isso possuir a necessária habilitação, o Primeiro-ministro, sempre ele, surge agora envolvido, de alguma forma, no processo Face Oculta.


Como se vê, portanto, o vasto currículo de trapalhadas de José Sócrates é inversamente proporcional ao seu magro currículo académico.
Mas, valha a verdade, sempre tem conseguido escapar ileso a todo este rosário de irregularidades, o que só pode acontecer num país em que "o centro da corrupção está no poder político", o qual se blinda contra toda e qualquer suspeita que sobre ele recaia.
Isso explica a benevolência do Presidente do Supremo Tribunal de Justiça e do Procurador-Geral da República com o Primeiro-ministro, o silêncio do Presidente da República, a satisfação do Presidente da Assembleia da República e, curiosamente, a tentativa de criminalização e silenciamento da divulgação das escutas levada a cabo pelo jornal Sol.
Vivemos hoje numa plutocracia, regime em que o poder não é do povo mas dos grandes interesses económicos, afirma sabiamente Saramago. Mas esta situação, já de si grave, torna-se insustentável quando o poder político, que devia combatê-la, é conivente com ela e fica impune perante e Lei.
Por tudo isto, o povo tem de acordar, vai acordar, mais tarde ou mais cedo.

Eu, o povo, Enquanto Há Força (1978), José Afonso

quarta-feira, fevereiro 10, 2010

Até quando, Sócrates, teremos de te suportar?

[…]
Não conheço precedente na nossa História para a cadeia de escândalos maiúsculos em que surge envolvido o actual Primeiro-ministro. Ela é tão alarmante que os primeiros, desde o mistério do seu diploma de engenheiro, obtido numa universidade fantasmática (já encerrada), aparecem já como coisa banal quando comparados com os mais recentes.
O último é nestes dias tema de manchetes na Comunicação Social e já dele se fala além fronteiras. É afinal um escândalo velho, que o Presidente do Supremo Tribunal e o Procurador-geral da República tentaram abafar, mas que retomou actualidade quando um semanário divulgou excertos de escutas do caso Face Oculta.
Alguns despachos do procurador de Aveiro e do juiz de instrução criminal do Tribunal da mesma comarca com transcrições de conversas telefónicas valem por uma demolidora peça acusatória reveladora da vocação liberticida do governo de Sócrates para amordaçar a Comunicação Social.


Desta vez o Primeiro-ministro ficou exposto sem defesa. As vozes de gente sua articulando projectos de controlo de uma emissora de televisão e de afastamento de jornalistas incómodos estão gravadas. Não há desmentidos que possam apagar a conspiração. Um mar de lama escorre dessas conversas, envolvendo o Primeiro-ministro. A agressiva tentativa de defesa deste afunda-o mais no pântano. Impossibilitado de negar os factos, qualifica de "infame" a divulgação daquilo a que chama "conversas privadas". Basta recordar que todas as gravações dos diálogos telefónicos de Sócrates com o banqueiro Vara, seu ex-ministro foram mandadas destruir por decisão (lamentável) do Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, para se ter a certeza de que seriam muitíssimo mais comprometedoras para ele do que as "conversas privadas" que tanto o indignam agora, divulgadas aliás dias depois de, num restaurante, ter defendido, em amena "conversa" com dois ministros seus, a necessidade de silenciar o jornalista Mário Crespo da SIC Noticias.
Não é apenas por serem indesmentíveis os factos que este escândalo difere dos anteriores que colocaram José Sócrates no banco dos réus do Tribunal da opinião pública. Desta vez a hipótese da sua demissão é levantada em editoriais de diários que o apoiaram nos primeiros anos e personalidades políticas de múltiplos quadrantes afirmam sem rodeios que não tem mais condições para exercer o cargo.
O cidadão José Sócrates tem mentido repetidamente ao País, com desfaçatez e arrogância, exibindo não apenas a sua incompetência e mediocridade, mas, o que é mais grave, uma debilidade de carácter incompatível com a chefia do Executivo.
Como pode tal criatura permanecer como Primeiro-ministro?
— Até quando, Sócrates, teremos de te suportar?

O Charlatão, Os Sobreviventes (1971), Sérgio Godinho

terça-feira, fevereiro 09, 2010

O pior cego é o que não quer ver

Pinto Monteiro afirmou que quer ele "quer o presidente do Supremo Tribunal de Justiça, Noronha do Nascimento, não viram indícios de atentado ao Estado de direito nas certidões do processo Face Oculta. O PGR (ou será Procurador Geral do Governo?) disse também que não viu indícios de tentativa de controlo da comunicação social por parte do primeiro-ministro ou do Governo nas escutas reveladas pelo "Sol".


Sem ofensa a quem infelizmente sofre de cegueira, é caso para concluir que não há pior cego do que aquele que não quer ver. Por mais sol que faça.

Toca a todos

Um estudo da docente do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade Técnica de Lisboa, Raquel Ribeiro, demonstra que a actual crise económica encontra eco nos jovens da classe média, entre os 19 e os 45 anos, que temem pelo nível de vida dos seus filhos num futuro próximo.
O aumento das desigualdades sociais e a consequente queda do nível de vida, aliadas à precariedade no emprego, a uma maior competitividade e a um acelerado ritmo profissional, constituem os grandes receios destes jovens.
A autora acrescenta que "o prolongamento da escolarização, a banalização dos diplomas e a precariedade laboral e afectiva vão possivelmente penalizar a independência e a abastança económica dos mais jovens[…]".
Pois é, toca a todos: aos proletas e à classe "média", que acabará também por ser proletarizada.
Como disse Marx, há 200 (!) anos, já todos compreendemos o mundo. O que importa agora é transformá-lo. Estaremos dispostos a isso?

Queixa das Almas Jovens Censuradas, Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades (1971), José Mário Branco

Que mal fiz eu para ter de aguentar isto?

Durão Barroso está "feliz" e "orgulhoso" pelo apoio recebido do Parlamento Europeu para um novo mandato de cinco anos. É normal. Está a tratar da vidinha. Para mais, quando todos os seus colegas criminosos — Bush, Blair e Aznar — de uma forma ou de outra, já foram arrumados na prateleira…


Eu é que já não posso dizer o mesmo. Estou triste e pesaroso por ter de gramar este funcionário reles e oportunista na liderança executiva da UE por 10 intermináveis anos! Sem ter culpa alguma…
Que mal fiz eu para ter de aguentar Sócrates em Portugal e Barroso em Bruxelas?

Os eunucos, Traz Outro Amigo Também (1970), José Afonso

Prémio Nobel… da Guerra

A politica da administração Obama, o Prémio Nobel da Paz (não o esqueçamos), ameaça a humanidade.
Dito desta forma, nua e crua, parece impossível de acreditar. Mas é Miguel Urbano Rodrigues, com a sabedoria e a frontalidade que se lhe reconhecem, que explica por quê.


Recentes iniciativas do Governo dos EUA confirmam que a actual Administração, longe de renunciar a uma estratégia de dominação mundial, se propõe a ampliá-la em múltiplas frentes. Aquilo que parecia impossível há um ano está a acontecer: a política externa de Obama é mais agressiva e perigosa para a Ásia, África e América Latina do que a de George Bush. Mas essa realidade não se tornou ainda evidente para as grandes maiorias, influenciadas pela campanha de âmbito mundial que apresenta o presidente dos EUA como um político progressista e um defensor da paz. Os actos desmentem-lhe, porém, as promessas e a oratória. Os media ocidentais dedicam atenção mínima a iniciativas que se integram na expansão planetária do militarismo estado-unidense. Mas esse silêncio não impede que ela seja uma realidade. ler tudo aqui

Guerra e Paz, Três Cantos (ao vivo), José Mário Branco - Sérgio Godinho - Fausto Bordalo Dias

O capitalismo está em coma

Muitos inquietam-se com o rápido crescimento da dívida dos EUA e estão a pedir uma solução para o problema. O que eles não percebem é que, com o actual sistema financeiro, pura e simplesmente não há solução. Neste momento é já matematicamente impossível para o governo americano liquidar a sua dívida nacional porque ela ultrapassa a quantidade de dólares realmente existentes. Se o governo actuasse hoje e tomasse cada cêntimo de todos os bancos, negócios e contribuintes americanos, ainda assim não seria capaz de liquidar a dívida nacional. E se assim fizesse, obviamente a sociedade americana deixaria de funcionar porque ninguém teria dinheiro para comprar ou vendar fosse o que fosse.
Não há dúvida que o capitalismo, como o conhecemos, está em coma. Só não sabemos quando lhe vão desligar a máquina. ler tudo aqui

O avô cavernoso, Eu vou ser como a toupeira (1972), José Afonso

segunda-feira, fevereiro 08, 2010

Corrupção, coisa de "pouca monta"

Um comunicado do Ministério das Obras Públicas refere textualmente que "vinte e duas das entidades tuteladas pelo Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações nunca se relacionaram com empresas do 'Grupo Godinho', sete relacionaram-se dentro dos parâmetros legais e em cumprimento dos procedimentos contratuais, e apenas em cinco casos foram detectadas irregularidades nos procedimentos".
Com efeito, a Inspecção-Geral de Obras Públicas apenas detectou irregularidades nas relações das empresas Estradas de Portugal, Metropolitano de Lisboa, Refer, Transtejo e CP com empresas do sucateiro de Ovar. Coisa de pouca monta, como se vê. Podemos ficar descansados.

Os vampiros, Baladas de Coimbra (1963), José Afonso

A verdade a que temos direito

O Bloco de Esquerda anunciou ontem que vai propor a constituição de uma comissão de inquérito parlamentar sobre a alegada intervenção do Governo na intenção de compra de parte da TVI pela PT. O PCP, embora defenda que o mais importante é encontrar uma forma "expedita de obter esclarecimentos" (sem explicar qual), não exclui a realização de um inquérito parlamentar. O PSD também "não exclui" a possibilidade da comissão de inquérito proposta pelo Bloco.
Já que a Justiça não funciona, ou antes, funciona como capa protectora do poder, ao menos que a Assembleia faça alguma coisa. Apesar de os resultados práticos destas comissões serem, por sistema, nulos, sempre ficamos mais perto da verdade dos factos. Verdade a que temos direito.

Já o tempo se habitua, Contos Velhos Rumos Novos (1969), José Afonso