segunda-feira, março 01, 2010

Assim não há país que resista!

O desemprego continua a subir dramaticamente em Portugal e atinge neste momento 10,5%. Estamos agora em sexto lugar na União Europeia, cuja taxa média é de 9,5%.
Mas estes dados só revelam a sua verdadeira dimensão quando comparados com os do ano passado.
Em Janeiro de 2009, a nossa taxa de desemprego era igual à taxa média da Zona Euro, ou seja, 8,5%. Hoje, enquanto a Eurolândia regista 9,9%, Portugal afunda-se nos 10,5%, como vimos.
Por mais que Sócrates queira tapar o sol com a peneira, nao há dúvida que estamos a empobrecer inexoravelmente e a pagar cada vez mais a factura da política de um governo generoso com os banqueiros e promíscuo com os grandes grupos económicos, mas que nada faz para salvar as pequenas e médias empresas, que representam cerca de 90% do nosso tecido empresarial — só de Janeiro até agora foram à falência mais de 700!!!
Assim não há país que resista!

Fausto e Boémia (Ao vivo) — Uma Cantiga de Desemprego

domingo, fevereiro 28, 2010

José Afonso, timoneiro da liberdade

Com uma discografia completa que, contando apenas as edições originais, totaliza 28 discos, José Afonso é, em nossa opinião, o maior cantautor português de sempre, não só pela quantidade de trabalhos que gravou durante 32 anos de carreira, mas sobretudo pela qualidade inegável da sua obra e a revolução que ela representou para a nossa música popular.
Porém, Zeca não se limitou a ser um músico e cantor de génio.
Ele foi um cidadão empenhado na luta contra as ditaduras — não só a ditadura salazarista mas também a ditadura capitalista que se instalou na ressaca do 25 de Novembro — pela liberdade e a democracia, mas também por uma sociedade mais justa e solidária, uma sociedade socialista, onde o povo fosse verdadeiramente soberano e dono do seu destino.
Um cidadão que, respeitando seguramente a democracia partidária, privilegiava a Esquerda dos valores, da liberdade, da cidadania. Por isso recusou ser condecorado com a Ordem da Liberdade de um Estado hipócrita que combateu convictamente até ao fim dos seus dias. Por isso apoiou, em 1986, a candidatura presidencial independente de Maria de Lourdes Pintassilgo. Por isso no seu funeral a urna foi coberta por um pano vermelho sem qualquer símbolo, como pediu.
José Afonso, músico incontornável, cidadão vertical, mas sobretudo, timoneiro da liberdade. Cujo exemplo continuaremos a seguir. Sempre.

Utopia, Como Se Fora Seu Filho (1983), José Afonso

quinta-feira, fevereiro 25, 2010

A Segurança Social à beira do colapso?

De acordo com dados do Relatório do OE2010, entre 2005 e 2008, as dívidas totais à Segurança Social passaram de 2.150 milhões de euros para 5.249,3 milhões de euros, ou seja, aumentaram 144% (2,4 vezes) em apenas três anos.
Estes dados oficiais revelam, contrariamente ao que tem pretendido fazer crer o governo e os media que lhe são afectos, que a não entrega de contribuições assim como a evasão e a fraude contributiva à Segurança Social aumentaram significativamente com os governos de Sócrates.
Mas enquanto pouco faz para recuperar as dívidas à Segurança Social, muitas delas resultantes de descontos nos salários dos trabalhadores que não foram entregues, o mesmo governo prepara-se para conceder um gigantesco perdão às empresas, anulando as suas dívidas à Segurança Social e delapidando assim uma parte importante do seu património.
Assim, no Balanço da Segurança Social 2008 já existe uma "provisão" de 3.592,84 milhões de euros para anular (perdoar) uma parcela significativa das dívidas à Segurança Social reduzindo-as, através de uma simples operação contabilística, de 5.249,31 milhões de euros para apenas 1.650,48 milhões de euros. E é de prever que no Balanço de 2009, que o governo não apresentou, esta provisão tenha sido reforçada com mais milhões […]. Mais um "bónus" concedido às empresas à custa dos trabalhadores e da Segurança Social, a juntar a muitos outros também concedidos por este governo (redução da taxa de contribuição das empresas, concessão de subsídios ditos de apoio à criação de emprego, etc.). (excerto de estudo de Eugénio Rosa)
Por este andar, enquanto políticos e gestores conseguem reformas milionárias, muitas vezes em pouco tempo e nem sempre da forma mais ética, a imensa maioria dos portugueses arrisca-se a ter de trabalhar quase até morrer por uma reforma de miséria que não lhes dará para sobreviver.
Como diria José Mário Branco, o 25 de Abril "foi um sonho lindo que acabou".

terça-feira, fevereiro 23, 2010

Estarás sempre connosco, Zeca!

Ele bem queria que esta fosse uma terra da fraternidade, uma cidade com gente igual por dentro e gente igual por fora, mas hoje, vinte e três anos após o seu falecimento (e trinta e cinco depois de Abril), quem trepa no coqueiro ainda é o rei e os vampiros continuam a chupar o sangue fresco da manada.
Num tempo em que a injustiça social é mais aguda que nunca e a democracia jamais esteve tão ameaçada, o que faz falta é acordar a malta. Enquanto há força!


Estarás sempre connosco, Zeca!

sábado, fevereiro 20, 2010

Afinal quem é, de facto, o candidato da Esquerda?

Embora não se assuma como candidato da Esquerda (nem da Direita ou do "centro"), Fernando Nobre garante que "o seu espaço político é o da liberdade, da justiça social, do humanismo, da ética, da solidariedade, da transparência da vida pública e da adequada, justa e indispensável função redistributiva do Estado" e "propõe-se lutar, promover e incentivar a regeneração ética da vida política do país, apoiar e incentivar todos os esforços do Governo e sociedade civil no caminho da justiça social, e não pactuar com a situação trágica da justiça em Portugal".
Por seu lado, Manuel Alegre, que afirma ser o candidato da Esquerda, apoiou a reeleição de José Sócrates, cujos governos têm ameaçado as liberdades, condicionado a Justiça, fomentado a corrupção e a promiscuidade entre o Estado e os grandes grupos privados, e levado a cabo as políticas mais anti-sociais de que há memória desde o 25 de Abril.
Afinal quem é, de facto, o candidato da Esquerda? A resposta parece-nos óbvia.

Fernando Nobre: Presidente como nós.

Somos de Esquerda. Mas a Esquerda de que somos não é a das confrarias partidárias e das suas tácticas políticas. Somos da Esquerda dos valores, da independência, da livre cidadania. Esquerda da solidariedade, da justiça social, por uma sociedade mais igual.
Por isso apoiamos, inequivocamente, a candidatura de Fernando Nobre à Presidência da República. Porque tem sido um permanente exemplo de humanidade e solidariedade com os mais desfavorecidos, uma referência ética, um cidadão livre e independente que não se acomoda perante a injustiça social.


Mas também apoiamos e votaremos Fernando Nobre para Presidente da República por não querermos que seja reeleito o candidato da Direita, Cavaco Silva. Como fizemos, em 1986, com Maria de Lourdes Pintasilgo que, apesar do seu favoritismo, sem o apoio das máquinas partidárias não conseguiu ganhar, mas tal não impediu que triunfasse um candidato da Esquerda. Portanto, porque temos memória, escusam de vir acusar-nos de estarmos a fazer o jogo da Direita. A história mostrou-nos que não é assim.
Serão muitos a votar Fernando Nobre. A levá-lo à presidência, esperamos. Pelas mais diversas razões.
Pela nossa parte, pela Esquerda dos cidadãos, queremos um Presidente como nós.

quinta-feira, fevereiro 18, 2010

Já nada nos espanta

Anda já perto de 400 o número de ex-militares que se dizem prejudicados pela sua participação na revolução do 25 de Abril e estão a ser promovidos ao abrigo de uma lei de 1999, aprovada pela maioria socialista de então. Tem razão o coronel Morais e Silva, um dos capitães de Abril, quando afirma tratar-se de "uma vergonha", "um escândalo", "um roubo", infelizmente demasiado frequente num regime que de democrático pouco mais tem que a designação.
Foi, de resto, essa de completa ausência de valores democráticos que levou, há 21 anos, o então primeiro-ministro Cavaco Silva a recusar conceder a Salgueiro Maia uma pensão por "serviços excepcionais ou relevantes prestados ao país", ao mesmo tempo que a concedia a dois inspectores da criminosa PIDE.
Enfim, já nada nos espanta num país onde a democracia está agrilhoada e o 25 de Abril é apenas uma saudosa memória.

O paraíso fiscal

[…].
De acordo com o Relatório do OE2010, entre 2008 e 2009, o PIB a preços correntes (e é sobre este que incide as taxas de imposto) passou de 166.436,9 milhões € para 164.879,5 milhões €, ou seja, diminuiu em 1.557,4 milhões de euros (em percentagem baixou apenas -0,9%), enquanto as receitas fiscais totais, durante o mesmo período, diminuíram em 5.034 milhões de euros (-13,7%), pois passaram de 36.660,8 milhões de euros para apenas 31.626,8 milhões de euros.

E a situação não vai melhorar em 2010. Entre 2008 e 2010, segundo o governo, o valor do PIB a preços correntes aumenta 930,2 milhões de euros, pois passa de 166.436,9 milhões de euros para 167.367,1 milhões de euros, enquanto as receitas fiscais, durante o mesmo período, diminuem em 4.686,7 milhões de euros (-12,8%), pois passam de 36.660,8 milhões de euros para 31.974,1 milhões de euros. Estes dados do próprio governo, mostram que o descalabro a nível das receitas fiscais não é provocado apenas ou fundamentalmente pela quebra da actividade económica determinada pela crise internacional como pretende fazer crer o governo. Estimamos que, pelo menos, 3.000 milhões € da quebra de receitas é devida ao aumento significativo da evasão e fraude fiscal provocado pelo discurso permissivo do governo e pela falta de acção e de eficácia da Administração Fiscal no combate à evasão e à fraude fiscal. […].
Como consequência a injustiça fiscal continua a aumentar ainda mais em Portugal. […]. E Victor Constâncio — que vai agora tratar da vidinha e tratar-nos da "saúde" como vice-presidente do BCE — veio defender o aumento do IVA. Porque razão não propôs a eliminação da isenção total que continuam a gozar as mais-valias especulativas obtidas na bolsa em Portugal, como já acontece na maior parte dos países da UE? ler mais
Vivemos num inferno mas, para uma minoria, Portugal é um paraíso fiscal.

domingo, fevereiro 14, 2010

Demitir Sócrates, em nome do interesse colectivo

Durante pouco mais de quatro anos, a governação de José Sócrates deu uma decisiva contribuição para a situação calamitosa a que o país chegou (quer ao nível das finanças e da economia quer ao nível social) e para a degradação da actividade política e dos direitos dos cidadãos. Mas mais do que tudo isto, que não é pouco, a imagem que Sócrates tem vindo a revelar ao longo dos anos, através do alegado e sistemático envolvimento nas mais diversas irregularidades e atropelos à lei, a que agora se junta o seu anunciado envolvimento num plano para controlar a comunicação social, é a de alguém com uma gritante falta de ética e de seriedade para ocupar o cargo de Primeiro-ministro, alguém em quem os cidadãos anónimos têm certamente fundadas dúvidas em confiar.
Por isso, a sua urgente demissão seria o melhor serviço que se poderia prestar ao país. Mas podemos ter a certeza de que ele não o fará. E o Presidente da República, que nada diz, também não.
Resta então a Assembleia da República que, através da aprovação de uma moção de censura por maioria absoluta, pode levar à demissão do governo, abrindo a porta à possibilidade do Presidente da República indigitar outro elemento do partido mais votado a formar um novo governo.
Não seria difícil, nem moroso, nem custoso. Porque não seria preciso (nem conveniente, na actual situação de crise) ir de novo a votos.
Se os partidos da oposição têm a maioria, por que não avançam então? Por receio? Por calculismo? Por agenda? Não acham que o interesse colectivo deve ser posto em primeiro lugar?

Canção da Paciência, Como Se Fora Seu Filho (1983), José Afonso

sábado, fevereiro 13, 2010

Se há um "corno", alguém o "encornou"

Diz o nosso povo, na sua linguagem nua e crua, que o corno é sempre o último a saber, querendo com isso afirmar que quem é traído acaba quase sempre por só ter conhecimento da traição de que é alvo depois dela já andar nas bocas do mundo.


É o que terá acontecido com o presidente da PT que garante ter sido o último a saber do envolvimento da empresa num alegado plano do governo para controlar a comunicação social. Não me admira nem sequer choca, portanto, que Henrique Granadeiro tenha afirmado sentir-se encornado. Este tipo de linguagem não me suscita qualquer pudor, mesmo tratando-se do presidente de uma grande empresa. O que me enoja e muito são os factos que levaram o presidente da PT a sentir-se traído. Mesmo que não tenham passado de intenções. E, definitivamente, se há um corno alguém o encornou.

De Quem Foi a Traição, Fura Fura (1978), José Afonso

sexta-feira, fevereiro 12, 2010

A saída (para a crise)

Não há dúvida. A clique dirigente do PS está muito mais preocupada com a sua consolidação e eternização no poder do que com o combate à crise de que em parte também é responsável. Apesar de estarmos em democracia , ainda que apenas formalmente (ou nem isso), é o regresso às tácticas salazaristas do controlo dos meios de informação e da promiscuidade do poder político com os grandes grupos económicos.
Por isso, perante uma avalanche de indícios que revelam isso mesmo, eles assobiam para o ar e afirmam, com cinismo maquiavélico, que a "substituição de Sócrates resolve-se nas eleições". Sabem que, estranhamente, diga-se, as sondagens lhes continuam a ser favoráveis e alimentam a secreta esperança de reconquistar a maioria absoluta.
Mas este não é um problema de legitimidade democrática. O PS tem uma maioria, relativa, é certo. Exige-se-lhe, por isso, que governe, em nome do interesse colectivo (que não será exactamente o dos grandes grupos económico-financeiros).
Este é um problema de evidente falta de ética política e democrática de um cidadão que, por esse facto, não pode continuar a ser Primeiro-ministro e assim contribuir para o descrédito do país e o aprofundamento da crise que deveria ser o primeiro a procurar resolver.
Este é um problema que só o Presidente da República poderia solucionar, demitindo José Sócrates e indigitando uma nova personalidade do partido mais votado a formar governo. Mas tenho dúvidas que Cavaco o faça. Por calculismo, fraqueza ou seja lá por que razão for. Veremos.

Grândola Vila Morena, Filhos da Madrugada Cantam José Afonso (1994), Vários

O país não pode perder mais tempo

A "face" da alegada tentativa de controlo da comunicação social por parte do governo fica, a partir de hoje, bastante menos "oculta" graças à luz irradiada pelo Sol, através da publicação de novos dados que indiciam fortemente que o governo e, em particular, o Primeiro-ministro, terão estado envolvidos na tentativa não apenas de comprar 30 por cento da TVI, mas também de adquirir um grande grupo de comunicação através da PT (numa primeira fase, a mira estaria apontada para a Cofina/ Correio da Manhã ou a Impresa/ Pinto Balsemão; no fim, para o grupo Controlinveste (DN/JN/TSF), de Joaquim Oliveira).


Se tudo isto, que na perspectiva da investigação configura um crime de "atentado contra o Estado de Direito", for verdade ou não for devidamente explicado, independentemente do processo judicial só resta uma de duas saídas: ou Sócrates demite-se ou é demitido. E leva consigo o "seu" Procurador.
O país não pode perder mais tempo com esta vergonha. Tem uma profunda crise para combater.

Venho Aqui Falar, Pano-cru (1978), Sérgio Godinho

Chegou o momento

"Na altura em que fui Provedor do Público, escrevi uma crónica na qual referia que chegaria um momento de desobediência civil por parte dos jornalistas. Chegou esse momento. As escutas devem ser publicadas, os jornalistas devem esforçar-se por publicá-las e não se deixar intimidar."
"O que está em causa é matéria de interesse público e o interesse público sobrepõe-se aos direitos privados dos cidadãos." (Joaquim Vieira, presidente do Observatório de Imprensa, em declarações ao "Jornal de Negócios")

Absolutamente de acordo.
Se os órgãos competentes tudo fazem para que a verdade não seja apurada, o interesse público e o direito à informação reclamam a divulgação dos factos e
legitimam a chamada violação do segredo de justiça. Afinal é a democracia que está em causa.

Maré Alta, Três Cantos (2009), José Mário Branco, Sérgio Godinho e Fausto Bordalo Dias

quinta-feira, fevereiro 11, 2010

O governo dos ricos

Se Sócrates não comenta possibilidade de congelar os salários reais da função pública até 2013, Jorge Lacão diz que se trata de especulações e Teixeira dos Santos, sobre a matéria, se remete ao silêncio, não é difícil perceber que é precisamente isso que irá acontecer. E que os empresários, seguindo o exemplo do Estado, farão o mesmo.
Fica, portanto, claro, se dúvidas houvesse, que serão uma vez mais os funcionários públicos a pagar o défice e os trabalhadores em geral a suportar uma crise de que não foram causadores. Graças a um governo indevidamente chamado de socialista que sempre se revelou forte com os fracos e fraco, ou mesmo colaborante, com os fortes.

Queremos Ver Tudo Diferente, Um Beco Com Saída (1975), Fausto

O que resta da democracia

Depois da licenciatura obtida por processos duvidosos numa universidade tão credível que acabou por ser encerrada no rescaldo do caso, depois do alegado envolvimento no estranho licenciamento do Freeeport de Alcochete, e da compra da sua casa no edifício Heron Castilho por um montante muito abaixo do preço de mercado, ou da assinatura de projectos de moradias na Covilhã sem para isso possuir a necessária habilitação, o Primeiro-ministro, sempre ele, surge agora envolvido, de alguma forma, no processo Face Oculta.


Como se vê, portanto, o vasto currículo de trapalhadas de José Sócrates é inversamente proporcional ao seu magro currículo académico.
Mas, valha a verdade, sempre tem conseguido escapar ileso a todo este rosário de irregularidades, o que só pode acontecer num país em que "o centro da corrupção está no poder político", o qual se blinda contra toda e qualquer suspeita que sobre ele recaia.
Isso explica a benevolência do Presidente do Supremo Tribunal de Justiça e do Procurador-Geral da República com o Primeiro-ministro, o silêncio do Presidente da República, a satisfação do Presidente da Assembleia da República e, curiosamente, a tentativa de criminalização e silenciamento da divulgação das escutas levada a cabo pelo jornal Sol.
Vivemos hoje numa plutocracia, regime em que o poder não é do povo mas dos grandes interesses económicos, afirma sabiamente Saramago. Mas esta situação, já de si grave, torna-se insustentável quando o poder político, que devia combatê-la, é conivente com ela e fica impune perante e Lei.
Por tudo isto, o povo tem de acordar, vai acordar, mais tarde ou mais cedo.

Eu, o povo, Enquanto Há Força (1978), José Afonso

quarta-feira, fevereiro 10, 2010

Até quando, Sócrates, teremos de te suportar?

[…]
Não conheço precedente na nossa História para a cadeia de escândalos maiúsculos em que surge envolvido o actual Primeiro-ministro. Ela é tão alarmante que os primeiros, desde o mistério do seu diploma de engenheiro, obtido numa universidade fantasmática (já encerrada), aparecem já como coisa banal quando comparados com os mais recentes.
O último é nestes dias tema de manchetes na Comunicação Social e já dele se fala além fronteiras. É afinal um escândalo velho, que o Presidente do Supremo Tribunal e o Procurador-geral da República tentaram abafar, mas que retomou actualidade quando um semanário divulgou excertos de escutas do caso Face Oculta.
Alguns despachos do procurador de Aveiro e do juiz de instrução criminal do Tribunal da mesma comarca com transcrições de conversas telefónicas valem por uma demolidora peça acusatória reveladora da vocação liberticida do governo de Sócrates para amordaçar a Comunicação Social.


Desta vez o Primeiro-ministro ficou exposto sem defesa. As vozes de gente sua articulando projectos de controlo de uma emissora de televisão e de afastamento de jornalistas incómodos estão gravadas. Não há desmentidos que possam apagar a conspiração. Um mar de lama escorre dessas conversas, envolvendo o Primeiro-ministro. A agressiva tentativa de defesa deste afunda-o mais no pântano. Impossibilitado de negar os factos, qualifica de "infame" a divulgação daquilo a que chama "conversas privadas". Basta recordar que todas as gravações dos diálogos telefónicos de Sócrates com o banqueiro Vara, seu ex-ministro foram mandadas destruir por decisão (lamentável) do Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, para se ter a certeza de que seriam muitíssimo mais comprometedoras para ele do que as "conversas privadas" que tanto o indignam agora, divulgadas aliás dias depois de, num restaurante, ter defendido, em amena "conversa" com dois ministros seus, a necessidade de silenciar o jornalista Mário Crespo da SIC Noticias.
Não é apenas por serem indesmentíveis os factos que este escândalo difere dos anteriores que colocaram José Sócrates no banco dos réus do Tribunal da opinião pública. Desta vez a hipótese da sua demissão é levantada em editoriais de diários que o apoiaram nos primeiros anos e personalidades políticas de múltiplos quadrantes afirmam sem rodeios que não tem mais condições para exercer o cargo.
O cidadão José Sócrates tem mentido repetidamente ao País, com desfaçatez e arrogância, exibindo não apenas a sua incompetência e mediocridade, mas, o que é mais grave, uma debilidade de carácter incompatível com a chefia do Executivo.
Como pode tal criatura permanecer como Primeiro-ministro?
— Até quando, Sócrates, teremos de te suportar?

O Charlatão, Os Sobreviventes (1971), Sérgio Godinho

terça-feira, fevereiro 09, 2010

O pior cego é o que não quer ver

Pinto Monteiro afirmou que quer ele "quer o presidente do Supremo Tribunal de Justiça, Noronha do Nascimento, não viram indícios de atentado ao Estado de direito nas certidões do processo Face Oculta. O PGR (ou será Procurador Geral do Governo?) disse também que não viu indícios de tentativa de controlo da comunicação social por parte do primeiro-ministro ou do Governo nas escutas reveladas pelo "Sol".


Sem ofensa a quem infelizmente sofre de cegueira, é caso para concluir que não há pior cego do que aquele que não quer ver. Por mais sol que faça.

Toca a todos

Um estudo da docente do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade Técnica de Lisboa, Raquel Ribeiro, demonstra que a actual crise económica encontra eco nos jovens da classe média, entre os 19 e os 45 anos, que temem pelo nível de vida dos seus filhos num futuro próximo.
O aumento das desigualdades sociais e a consequente queda do nível de vida, aliadas à precariedade no emprego, a uma maior competitividade e a um acelerado ritmo profissional, constituem os grandes receios destes jovens.
A autora acrescenta que "o prolongamento da escolarização, a banalização dos diplomas e a precariedade laboral e afectiva vão possivelmente penalizar a independência e a abastança económica dos mais jovens[…]".
Pois é, toca a todos: aos proletas e à classe "média", que acabará também por ser proletarizada.
Como disse Marx, há 200 (!) anos, já todos compreendemos o mundo. O que importa agora é transformá-lo. Estaremos dispostos a isso?

Queixa das Almas Jovens Censuradas, Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades (1971), José Mário Branco

Que mal fiz eu para ter de aguentar isto?

Durão Barroso está "feliz" e "orgulhoso" pelo apoio recebido do Parlamento Europeu para um novo mandato de cinco anos. É normal. Está a tratar da vidinha. Para mais, quando todos os seus colegas criminosos — Bush, Blair e Aznar — de uma forma ou de outra, já foram arrumados na prateleira…


Eu é que já não posso dizer o mesmo. Estou triste e pesaroso por ter de gramar este funcionário reles e oportunista na liderança executiva da UE por 10 intermináveis anos! Sem ter culpa alguma…
Que mal fiz eu para ter de aguentar Sócrates em Portugal e Barroso em Bruxelas?

Os eunucos, Traz Outro Amigo Também (1970), José Afonso

Prémio Nobel… da Guerra

A politica da administração Obama, o Prémio Nobel da Paz (não o esqueçamos), ameaça a humanidade.
Dito desta forma, nua e crua, parece impossível de acreditar. Mas é Miguel Urbano Rodrigues, com a sabedoria e a frontalidade que se lhe reconhecem, que explica por quê.


Recentes iniciativas do Governo dos EUA confirmam que a actual Administração, longe de renunciar a uma estratégia de dominação mundial, se propõe a ampliá-la em múltiplas frentes. Aquilo que parecia impossível há um ano está a acontecer: a política externa de Obama é mais agressiva e perigosa para a Ásia, África e América Latina do que a de George Bush. Mas essa realidade não se tornou ainda evidente para as grandes maiorias, influenciadas pela campanha de âmbito mundial que apresenta o presidente dos EUA como um político progressista e um defensor da paz. Os actos desmentem-lhe, porém, as promessas e a oratória. Os media ocidentais dedicam atenção mínima a iniciativas que se integram na expansão planetária do militarismo estado-unidense. Mas esse silêncio não impede que ela seja uma realidade. ler tudo aqui

Guerra e Paz, Três Cantos (ao vivo), José Mário Branco - Sérgio Godinho - Fausto Bordalo Dias

O capitalismo está em coma

Muitos inquietam-se com o rápido crescimento da dívida dos EUA e estão a pedir uma solução para o problema. O que eles não percebem é que, com o actual sistema financeiro, pura e simplesmente não há solução. Neste momento é já matematicamente impossível para o governo americano liquidar a sua dívida nacional porque ela ultrapassa a quantidade de dólares realmente existentes. Se o governo actuasse hoje e tomasse cada cêntimo de todos os bancos, negócios e contribuintes americanos, ainda assim não seria capaz de liquidar a dívida nacional. E se assim fizesse, obviamente a sociedade americana deixaria de funcionar porque ninguém teria dinheiro para comprar ou vendar fosse o que fosse.
Não há dúvida que o capitalismo, como o conhecemos, está em coma. Só não sabemos quando lhe vão desligar a máquina. ler tudo aqui

O avô cavernoso, Eu vou ser como a toupeira (1972), José Afonso

segunda-feira, fevereiro 08, 2010

Corrupção, coisa de "pouca monta"

Um comunicado do Ministério das Obras Públicas refere textualmente que "vinte e duas das entidades tuteladas pelo Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações nunca se relacionaram com empresas do 'Grupo Godinho', sete relacionaram-se dentro dos parâmetros legais e em cumprimento dos procedimentos contratuais, e apenas em cinco casos foram detectadas irregularidades nos procedimentos".
Com efeito, a Inspecção-Geral de Obras Públicas apenas detectou irregularidades nas relações das empresas Estradas de Portugal, Metropolitano de Lisboa, Refer, Transtejo e CP com empresas do sucateiro de Ovar. Coisa de pouca monta, como se vê. Podemos ficar descansados.

Os vampiros, Baladas de Coimbra (1963), José Afonso

A verdade a que temos direito

O Bloco de Esquerda anunciou ontem que vai propor a constituição de uma comissão de inquérito parlamentar sobre a alegada intervenção do Governo na intenção de compra de parte da TVI pela PT. O PCP, embora defenda que o mais importante é encontrar uma forma "expedita de obter esclarecimentos" (sem explicar qual), não exclui a realização de um inquérito parlamentar. O PSD também "não exclui" a possibilidade da comissão de inquérito proposta pelo Bloco.
Já que a Justiça não funciona, ou antes, funciona como capa protectora do poder, ao menos que a Assembleia faça alguma coisa. Apesar de os resultados práticos destas comissões serem, por sistema, nulos, sempre ficamos mais perto da verdade dos factos. Verdade a que temos direito.

Já o tempo se habitua, Contos Velhos Rumos Novos (1969), José Afonso

Para bom entendedor…

D. Manuel Clemente, bispo do Porto, cuja atribuição do Prémio Pessoa 2009, segundo o escritor Mário Cláudio, constituiu uma" lufada de ar fresco" para a cultura da Igreja Católica e, nas palavras do júri do prémio, é "uma referência ética para a sociedade portuguesa nos tempos difíceis como os que vivemos actualmente", comentou hoje o alegado plano do Governo para controlar a comunicação social, considerando que as personalidades públicas têm responsabilidades acrescidas de se justificar publicamente. Para bom entendedor…
Por falar em 'bom entendedor', parece que só mesmo os apoiantes de Sócrates, parafraseando Bertolt Brecht, "não sabem que o inimigo marcha à sua frente".

No comboio descendente, Eu vou ser como a toupeira (1972), José Afonso

Magalhães

Magalhães, o navegador, ficou na história por ter realizado a primeira viagem de circum-navegação à Terra, há mais de quinhentos anos.
Magalhães, o computador, em pleno século XXI, não consegue chegar aos Açores.

"Notícias"

Os operários da Oliva ficaram sem trabalho, o país está de tanga, o governo ameaça a liberdade e a democracia, mas o que é que tudo isso importa? Isto e isto sim, são "notícias". Bah…

O país vai de carrinho, Como se fora seu filho, José Afonso

sábado, fevereiro 06, 2010

O nosso drama

Afinal, segundo a imprensa que se recusa a ser voz-do-dono, as escutas do processo "Face Oculta" parecem revelar que os "amigos" Sócrates e Vara, com currículos já bastante recheados de trapalhadas e jogadas de seriedade muito duvidosa, terão agora, alegadamente, planeado criar uma crise política com o objectivo de antecipar as eleições legislativas para 2011, financiar a campanha com dinheiro de empresas públicas e controlar a comunicação social, e, simultâneamente, atingir o Presidente da República através de ataques políticos ou usando os interesses económicos do seu genro.
Na opinião dos responsáveis pela investigação, trata-se de um crime que tem uma moldura penal de 2 a 8 anos de prisão, se for consumado, e de 1 a 4 anos, na forma tentada. Por isso o Juiz de Aveiro enviou as escutas ao presidente do Supremo Tribunal de Justiça (STJ) que, como já todos sabemos, as mandou destruir por, em seu entender, não revelarem "ilícito penal"!!!

Como facilmente se percebe de tudo isto, este primeiro-ministro, com a evidente protecção do STJ e da Procuradoria Geral da República, nunca será julgado pelo que quer que seja.
Restaria apenas saber o que faria o Presidente da República mas já se viu que não fará nada de especial, mais que não seja para deixar Sócrates fritar no lume brando da crise. Por isso não o demitirá. De resto, se o fizesse e fôssemos novamente a votos, palpita-me que ficaria tudo rigorosamente na mesma. É esse o nosso drama.

Coro dos Tribunais, álbum "Coro dos Tribunais", José Afonso

sexta-feira, fevereiro 05, 2010

O país dos três "efes"

A economia está de rastos, o desemprego é uma chaga que alastra e a desigualdade e a injustiça nunca foram tão gritantes, estamos endividados até às orelhas e sem crédito no exterior e o governo, perante a tragédia que, em parte, a sua política originou, faz chantagem e ameaça bater em retirada. Mas que importa tudo isso, se as peregrinações a Fátima estão mais concorridas que nunca, o Fado nunca esteve tão na moda e no pontapé-na-bola, às vezes à rasca, é certo, não deixamos os créditos por mãos alheias (apurámo-nos para a final do mundial na África do Sul e agora fomos escolhidos como cabeças-de série para o Euro-2012)?…
Como há 50 anos, continuamos a ser o  país dos três efes e isso nos basta.

quinta-feira, fevereiro 04, 2010

A coisa está preta

A coisa está preta mas ou me engano muito ou o pior ainda está para vir. Parece que para os "espertos" das agências de rating as medidas anunciadas para a redução do défice ainda são pouco ambiciosas e agora os holofotes do mercado apontam para nós.
Definitivamente, a selvajaria capitalista e a especulação bolsista são uma maldição.

O certo é que Portugal está a ser olhado como (mau) exemplo a evitar. Está finalmente à vista — tarde de mais! — a tragédia da governação de Sócrates!

domingo, janeiro 31, 2010

Os haitianos não têm presidente

Um presidente que não passa de um títere do governo americano, que nada faz pelo seu martirizado povo e que o abandona à sua sorte, está à espera de quê? De ser recebido com aplausos?
Este tipo não existe. Ou melhor, tal como o terramoto, René Préval é um pesadelo para os haitianos.


Os fantoches de Kissinger, Com as minhas tamanquinhas, José Afonso, (arquivo AJA)

Extraordinário! Nunca imaginei…

"A política de colonização de Israel é um erro", afirmou o primeiro-ministro italiano ao diário iaraelita Haaretz.
Extraordinário! Nunca imaginei poder vir a concordar com Berlusconi!…


Nefretite não Tinha Papeira, Venham Mais Cinco, José Afonso (arquivo AJA)

Pela santa Liberdade

Faz hoje 119 anos que a monarquia chegou a ser suspensa durante nove horas, na sequência da revolta militar de 31 de Janeiro de 1891, no Porto, contra as cedências da Coroa portuguesa ao Ultimato Inglês, que acabaria por ditar a humilhante transferência de grande parte dos territórios ultramarinos portugueses para a posse da Inglaterra.
Num momento em que há quem advogue o regresso à monarquia, convirá lembrar que a sua queda posterior, em 1910, ficou a dever-se a uma insanável crise económica, social e moral, não fazendo hoje sentido, portanto, ficar à espera de um qualquer D. Sebastião que supostamente nos viesse tirar da crise. Será sempre no quadro de um regime e de um sistema que garantam a completa liberdade e participação política — como são a república e a democracia — que os cidadãos poderão escolher plenamente e construir a sociedade em que querem viver. Assim queiram fazer por isso!
Como reza o Hino da Maria da Fonte, "Pela santa Liberdade, triunfar ou perecer."

>> As Sete Mulheres do Minho, Fura Fura, José Afonso (interpretação das Faltriqueira)

O colonialismo não acabou

O petróleo do Haiti já era fruto da cobiça dos americanos. Agora parece que são as crianças haitianas.
Afinal o colonialismo não acabou no séc. XIX, como era suposto.


Lá no Xepangara, Coro dos Tribunais, José Afonso (arquivo AJA)

sexta-feira, janeiro 29, 2010

Israelitas não têm moralidade

A libertação de Auschwitz fez anteontem 65 anos tendo a data sido assinalada na Polónia e em Berlim. A perseguição e o genocídio dos judeus pelo regime nazi foi certamente uma das maiores vergonhas da história contemporânea e a humanidade não pode deixar de condená-la com veemência.

Auschwitz

 
Gaza

Mas, sejamos claros, sessenta e cinco anos depois do fim da Segunda Guerra Mundial e dos Julgamentos de Nuremberga, que condenaram os principais responsáveis pelas atrocidades cometidas pelos nazis, os actuais dirigentes políticos israelitas não têm qualquer autoridade moral para reclamarem mais julgamentos quando, além da fundação unilateral e abusiva do Estado de Israel, em 1948, a partir de 1967 mais não têm feito senão roubar quase por completo o restante território da Palestina, bombardear e massacrar cruelmente os palestinianos e obrigar os que têm tido a sorte de escapar a sobreviverem em verdadeiros campos de concentração, como é o caso da Faixa de Gaza. Como autoridade moral também não têm quando, possuindo um dos maiores arsenais de armas nucleares do mundo, exigem que o Irão ponha fim ao seu projecto nuclear.
Não, estes "senhores" não aprenderam nada com a história. E é pena.

Recordai, ó irmãos meus (Encomendação das Almas, Beira-Baixa), Eleven Commendation of the Souls, Fernando Lopes-Graça

quinta-feira, janeiro 28, 2010

Portugal é Lisboa

De acordo com o Orçamento de Estado para 2010 Bragança é a região que mais perde e Lisboa a menos afectada na distribuição distrital das verbas do Programa de Investimentos e Despesas de Desenvolvimento da Administração Central (PIDDAC).
Por esta e outras é que Portugal sempre foi e continua a ser um país macrocéfalo. Como reza o popular ditado, "Portugal é Lisboa e o resto é paisagem".

Maria, Ao vivo no Pavilhão Atlântico, Xutos & Pontapés

Quando o mar bate na rocha…

Apesar da crítica da maioria da imprensa americana ao primeiro discurso do Estado da União de Barack Obama, classificando as medidas anunciadas de "populistas" e afirmando que fazem parte de uma estratégia de recuperação do desgaste de imagem sofrido durante os primeiros meses no cargo, não podemos deixar de sublinhar que o presidente americano tenha definido a criação de emprego como a sua prioridade número um em 2010, canalizando para o efeito os 30 biliões de dólares já devolvidos pelos grande bancos que receberam ajuda do governo no auge da crise. E tenha afirmado ainda que só a partir de 2011 vá congelar os gastos do governo, por três anos, sem no entanto afectar a segurança nacional, a saúde e a segurança social.
Por cá, os milhões injectados na banca foi como se tivessem caído num poço sem fundo tendo apenas servido para aumentar os lucros do sector. Por isso a economia não cresceu e o desemprego aumentou (e vai continuar a aumentar). Já o défice público atingiu o valor mais elevado em trinta e cinco anos de regime democrático (9,3% do PIB). A receita para a desgraça vai ser a do costume, própria de um governo corajoso e socialista: congelamento dos salários da função pública (e por contágio, dos restantes trabalhadores) e cortes nas pensões dos funcionários públicos (podem os banqueiros e os especuladores ficar descansados que os seus lucros e mais-valias não serão tributados).
Como diz o rifão, "quando o mar bate na rocha, quem se lixa é o mexilhão".

Venho aqui falar, Pano-cru, Sérgio Godinho

terça-feira, janeiro 26, 2010

Capitalismo: a verdadeira pandemia

Pronto. A gripe A foi uma falsa pandemia e um dos maiores escândalos médicos do século. À sua conta foram gastos rios de dinheiro no que constituiu um negócio escandaloso para a indústria farmacêutica e se traduziu na perda de confiança das pessoas na Organização Mundial de Saúde, em virtude do alarmismo com que os governos enfrentaram a situação.



Quem o diz é um insuspeito alto responsável e especialista: Wolfgang Wodarg, presidente da Comissão de Saúde da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa e médico especialista em epidemiologia.
Ou seja, a verdadeira pandemia continua a ser o capitalismo sem escrúpulos e sem rédea.

O Elixir da Eterna Juventude, Noites Passadas, Sérgio Godinho

segunda-feira, janeiro 25, 2010

Petróleo: depois do Iraque, o Haiti

Há prova de que os Estados Unidos descobriram petróleo no Haiti décadas atrás e que, devido a circunstâncias geopolíticas e a interesses do big business, foi tomada a decisão de manter o petróleo haitiano na reserva para quando o do Médio Oriente escasseasse. (1)
Há também evidências de que as grandes companhias petrolíferas americanas, inter-relacionadas com os monopólios da engenharia e da defesa, fizeram planos, décadas atrás, para utilizar portos de águas profundas do Haiti tanto para refinarias de petróleo como para desenvolver parques de tancagem ou reservatórios onde o petróleo bruto pudesse ser armazenado e posteriormente transferido para pequenos petroleiros com destino aos portos dos EUA e do Caribe. (2)



Não será, de resto, por acaso, a não ser por razões económicas e estratégicas, que os EUA construíram a sua quinta maior embaixada do mundo — após as embaixadas na China, no Iraque, no Irão e na Alemanha — no minúsculo Haiti, na sequência da mudança do regime haitiano pela administração Bush. Como por acaso não é o facto de, após a invasão do Haiti em 2004, os EUA terem utilizado tropas da ONU como suas procuradoras militares para esvaziar a acusação de imperialismo e racismo. Nem tampouco a nomeação de Bill Clinton (3) como enviado especial da ONU para o Haiti, que já veio afirmar que as tropas da ONU/ EUA ali permanecerão por um longo período de tempo.
Por tudo isto, um terramoto é, sem dúvida, um excelente pretexto para os objectivos criminosos destas aves de rapina. Mas era a última coisa que um povo desgraçado e impiedosamente explorado precisava.

(1)  Oil in Haiti, Georges Michel
(2) Oil in Haiti – Economic Reasons for the UN/US Occupation, Marguerite Laurent
(3) What UN Special Envoy Bill Clinton May Do to Help Haiti, Ezili Danto

Eu Marchava de Dia e de Noite, Coro dos Tribunais, José Afonso

sábado, janeiro 23, 2010

Haiti - EUA: quem deve a quem?

Porque é que os EUA devem milhares de milhões ao Haiti? Colin Powell, antigo secretário de Estado dos EUA, definiu a sua política externa como a "regra do Pottery Barn". Ou seja – "quem parte, paga".
Durante 200 anos os EUA fizeram tudo para "partir" o Haiti. Estamos em dívida para com o Haiti. Não é uma questão de caridade. Estamos em dívida para com o Haiti por uma questão de justiça. Indemnizações. E não apenas os 100 milhões de dólares prometidos pelo presidente Obama – isso são trocos. Os EUA devem ao Haiti milhares de milhões – com Ms maiúsculos.
Há séculos que os EUA têm feito tudo para dar cabo do Haiti. Os EUA usaram o Haiti como uma plantação. Os EUA ajudaram a sangrar o país economicamente desde que ele se tornou independente, invadiu várias vezes o país com forças militarizadas, apoiou ditadores que violentaram a população, utilizaram o país como caixote do lixo para nossa conveniência económica, arruinaram as suas estradas e a sua agricultura, e derrubaram os eleitos pela população. Os EUA até usaram o Haiti como os antigos proprietários de plantações e esgueiravam-se para ali frequentemente para recreação sexual.
Eis [aqui] a história mais resumida de algumas das principais tentativas dos EUA para dar cabo do Haiti.

sexta-feira, janeiro 22, 2010

Muita parra e pouca uva

Cândida Almeida foi reconduzida no cargo de directora do Departamento Central de Investigação e Acção Penal, por mais três anos, por proposta do procurador-geral da República, Pinto Monteiro, e decisão do Conselho Superior do Ministério Público.
Caso para concluir que, "a oeste nada de novo". Com estes dois, na justiça portuguesa continuará a haver "muita parra mas pouca (ou nenhuma) uva".

Coro dos Tribunais, Coro dos Tribunais, José Afonso

Estamos fritos

Sócrates recebe hoje Portas, antes de Ferreira Leite. O acordo entre o Governo e o CDS/PP com vista a garantir a aprovação do Orçamento de Estado para 2010 poderá ser fechado já, antes de o primeiro-ministro receber amanhã Ferreira Leite.
De uma forma ou de outra, prossegue afanosamente a santa aliança que nos vai continuar a cozinhar em lume brando. Ou antes, estamos fritos!

Venho Aqui Falar, Pano-cru, Sérgio Godinho

quinta-feira, janeiro 21, 2010

Os números e a realidade

Sócrates adora números, estatísticas, sucesso encenado. E o FMI — aquela simpática organização que nos esmifra quando temos o azar de ter de lhe bater à porta a pedir dinheiro quando estamos tesos — também. Não admira que ambos tenham ficado embevecidos com os supostos resultados do Simplex: no âmbito dos três programas concluídos (2006, 2007 e 2008), foram implementadas 630 medidas, 46 por cento das quais com impactos na redução de encargos para as empresas. O que admira é que tanta simplificação de processos e redução de encargos não tenha evitado a falências de tantas empresas, com as consequências económicas e sociais que todos conhecemos.

O Charlatão, Os Sobreviventes, Sérgio Godinho

Tomem nota

Com a abstenção do PSD, PS e CDS chumbaram hoje o projecto de lei do PCP que pretendia impedir a possibilidade de aumentar os horários de trabalho até 12 horas diárias e 60 horas semanais. Tomem nota. Para que não digam que não vos avisei.

O que faz falta, Coro dos Tribunais, José Afonso

O galego não é castelhano

Em opiniom do Conselho da Associaçom Galega da Língua (AGAL), a legislaçom estabelece dous factos: que há duas línguas oficiais na Galiza e que umha delas, a própria, "ocupa um lugar periférico a respeito da outra, a castelhana". Ainda, a mesma legislaçom marca como objectivos que a administraçom altere esse estado de cousas promovendo a língua mais periférica e de menos presença social e que o sistema educativo garanta a mesma competência nas duas línguas oficiais. Porém, para alcançar estes objectivos, a Junta pretende que um terço das horas semanais tenham o galego como língua veicular, um outro terço o castelhano e o restante prevê-se para ser leccionado "em língua(s) estrangeira(s)". De um ponto de vista técnico, a AGAL considera que o procedimento nem ajuda a alterar o estado periférico da língua própria da Galiza nem garante a igualdade de competência lingüística nos dous idiomas oficiais. "Alunos e alunas aprendem as línguas no seu ambiente social. A escola deve servir para compensar a língua menos presente socialmente". Neste ponto a associaçom lembra que nos ambientes urbanos da maioria das cidades galegas, a presença ambiental do galego é "muito reduzida, quando nom inexistente", polo que marcar a mesma quota horária para galego e castelhano "nom vai permitir a mesma competência" em ambas as línguas. Por estes motivos, o Conselho da AGAL deu o seu apoio à jornada de greve e à manifestaçom em defesa do uso do galego no ensino que terám lugar no dia 21 de janeiro.

Percebemos facilmente este texto da AGAL, não é verdade? Porque o galego e o português actuais evoluíram da mesma origem, o galaico-português.
Por esse facto, apoiamos a greve no ensino e a manifestação que hoje decorrem na Galiza, pela defesa da língua galega, contra a sua castelhanização.

O meu amor se te fores, Leilía


Chega de porrada!

Depois da invasão do Iraque, da guerra do Afeganistão e do crescente número de bases militares nas Caraíbas, os Estados Unidos reforçam dia para dia a presença militar no Haiti. Começaram pelo controlo do aeroporto e agora, a pretexto dos protestos e da violência geradas pela desorganização e atraso da assistência à martirizada população, prosseguem com o aumento do número de tropas no país.
Ora, o  que os haitianos precisam é de assistência médica, alimentação, alojamento, amizade. Urgentemente. Como disse um militar brasileiro, para manter a ordem, o lema é "braço forte, mão amiga". De porrada, 200 anos já chegaram.

Sair (ou não sair) do morro

Lula quer acabar com as favelas até 2016, ano dos Jogos Olímpicos. O plano prevê a construção de bairros habitacionais para erradicar 109 favelas e mais de 12 mil habitações até 2014. É simples, dizem, as autoridades vão tomar de assalto os bairros considerados mais violentos, implementando a ordem policial como "poder único" e deitando abaixo a liderança das guerrilhas da droga.
Não sei se é assim tão simples… Para mais, com o mentor do projecto a deixar a presidência em 2011. E receio que muitos desgraçados inocentes sejam apanhados na linha de fogo do poder único. Não seria a primeira vez que tal aconteceria.

Opinião, álbum "Sertão e Favelas", Zélia Barbosa


terça-feira, janeiro 19, 2010

Os pecados do Haiti

A história do assédio contra o Haiti, que nos nossos dias tem dimensões de tragédia, é também uma história do racismo na civilização ocidental.



Melhor do que ninguém é Eduardo Galeano quem o explica com toda a clareza. Aqui.

segunda-feira, janeiro 18, 2010

Quem fechou as portas que Abril abriu?

Faz hoje 26 anos que faleceu José Carlos Ary dos Santos.
Mas a sua memória permanece viva nas palavras que escreveu e disse.
Porque era poeta, mas castrado, NÃO!
Porque descreveu, com um coração do tamanho deste país,'as portas que Abril abriu':
da liberdade, da dignidade, da solidariedade,
mas também do sonho e até da utopia.

Faz hoje 26 anos que faleceu José Carlos Ary dos Santos.
E há uma pergunta que não me larga,
Que certamente ele faria se cá estivesse:
Quem fechou as portas que Abril abriu?

Evocar 18 de Janeiro de 1934

Chegado ao poder em 5 de Julho de 1932, Salazar cuidou de preparar a base constitucional e legislativa do chamado Estado Novo, regime autoritário que se caracterizaria pela extinção dos mais elementares direitos e liberdades dos cidadãos e pela completa negação do pluralismo partidário. Com a aprovação da Constituição de 1933, decreta a proibição da greve e do lock-out e institui o princípio do sindicato único com o objectivo de acabar com os sindicatos livres e em seu lugar criar sindicatos nacionais corporativos controlados pelo Estado.
E é contra este edifício legislativo fazcizante e a ilegalização das organizações existentes, que se prepara, para o dia 18 de Janeiro de1934, uma "greve geral revolucionária" onde teriam influência marcante a Confederação Geral dos Trabalhadores, de inspiração anarquista, e o Partido Comunista Português, com forte implantação no Sindicato Nacional dos Vidreiros.





Na véspera, no entanto, a polícia política (PVDE) prende alguns dos principais dirigentes sindicais e outros activistas ligados ao movimento. Ainda assim, em Lisboa, na noite de 17, explode uma bomba no Poço do Bispo e o caminho de ferro é cortado em Xabregas, enquanto que, em Coimbra, explodem duas bombas na central eléctrica. Há ainda movimentações em diversos outros pontos do país, como Leiria, Barreiro, Almada, Sines e Silves, sendo a mais forte, no entanto, na Marinha Grande, onde grupos de operários ocupam o posto da GNR e os edifícios da Câmara Municipal e dos CTT.
A repressão não se faria esperar. Diversos participantes do 18 de Janeiro estão entre os prisioneiros que inaugurarão, dois anos depois, a colónia penal do Tarrafal, uma das odiosas prisões da ditadura salazarista.
A revolta operária e greve geral de 18 de Janeiro de 1934 foi há 76 anos. Evocá-la hoje, 36 anos depois de Abril, mais do que uma celebração, deve constituir uma inequívoca manifestação de vontade de continuar a lutar por um país mais justo onde todos, sem excepção, vejam reconhecidos não apenas os direitos cívicos e políticos mas também os direitos humanos e sociais. Será essa a melhor homenagem que prestaremos aos revolucionários de 1934.

Liberdade, À Queima-Roupa, Sérgio Godinho

Ai do Haiti!

A "ajuda" deles

O director-geral do FMI acaba de anunciar a sua intenção de mobilizar uma "ajuda" de 100 milhões de dólares para o Haiti. Diz ele que isso será feito através de uma "facilidade ampliada de crédito". Ou seja, os haitianos terão de devolver tal ajuda, mesmo que estejam debaixo de escombros. E devolver com juros. Com ajudas assim, os haitianos ficam ainda mais desgraçados do que já estavam!
Por outro lado, o controle do aeroporto de Port-au-Prince pela U.S. Air Force já está a prejudicar severamente o Haiti. Os militares americanos proibiram a aterragem de um avião francês que transportava um hospital de campanha e dez equipes de cirurgiões. A ocupação militar do país pelo imperialismo, sob o pretexto da "ajuda humanitária", já é uma situação de facto. Os EUA, que não souberam ajudar o seu próprio povo quando o furacão Katrina devastou Nova Orleães, arrogam-se agora ao direito de enviar porta-aviões como "ajuda" às vítimas no Haiti. Após um terramoto, uma ocupação militar. (*)



Pacto com o Diabo

O racismo acaba de atingir profundidades nunca imaginadas pelo conde Gobineau. O reverendo Pat Robertson, um fanático da extrema-direita estado-unidense, acaba de dar a sua "explicação" para o terramoto que assolou o Haiti. Diz ele que se trata de um castigo divino pelo facto de 200 anos atrás os escravos haitianos terem-se rebelado e libertado dos seus amos franceses. (O vídeo com a entrevista deste "teólogo" encontra-se aqui).
Mas a estupidez é contagiosa. O bispo espanhol José Ignacio Munilla minimiza a catástrofe, asseverando ele "há males maiores que o do Haiti, como a nossa situação espiritual" (sic). (A notícia encontra-se aqui). (*)

Uma coisa é indubitavelmente certa: como se vê, 127 anos depois da sua morte, Marx continua a ter razão — a religião é o ópio povo.

Fim do bloqueio a Gaza!

A Amnistia Internacional pediu a Israel o levantamento imediato do bloqueio imposto à Faixa de Gaza, considerando injusta esta "punição" que atinge em cerca de 1,5 milhões de habitantes.



Mas os terroristas sionistas, que têm o apoio daqueles que há quase 50 anos fazem o mesmo a Cuba, vão seguramente ignorar o pedido da AI, como sempre fizeram com os pedidos de outras organizações e com os protestos da opinião pública mundial.
Como os Estados Unidos, Israel não respeita o Direito Internacional. E o Tribunal Penal Internacional é para os outros.

Nefretite não tinha papeira, Venham Mais Cinco, José Afonso

Má sina estar desempregado

Na Banca foram esbanjados milhões de euros mas o Estado gasta cada vez menos com os desempregados.
Má sina estar no desemprego. Especialmente em Portugal.

sexta-feira, janeiro 15, 2010

O P"S" à frente, o país atrás!

Portugal está de rastos.
Com uma dívida superior ao valor do PIB, um défice incontrolável, um volume de desemprego dramaticamente crescente.
E cada vez mais desigual, com uma minoria mais e mais rica e uma maioria a sobreviver como pode.
Para nos animar, dizem-nos que o pior já passou, que logo mais iremos recomeçar a crescer. O que não esclarecem é que, ainda que isso venha a acontecer, continuaremos a afastar-nos da média europeia. Porque, mesmo que a crise internacional abrande, o que não é de todo seguro, havemos de continuar a carregar com a nossa, a que resulta de 30 anos de "alternância" governativa do P"S" e da Direita.
Mas a maioria do povo, que aguentou docilmente uma ditadura de 48 anos, gosta. Por isso o P"S" continua à frente nas intenções de voto. E o país cada vez mais atrás em matéria de desenvolvimento e justiça social.


Década de Salomé, "Galinhas do Mato", José Afonso

quinta-feira, janeiro 14, 2010

O Haiti (também) é aqui

Ninguém está absolutamente a salvo da fúria da Natureza mas quando ela se abate impiedosamente sobre os mais desgraçados, os mais pobres, os mais deserdados por uma ordem económica internacional iníqua e imoral, como agora aconteceu no Haiti, a tragédia adquire a dimensão de um horrendo holocausto.
É nestas alturas que a selvajaria capitalista mostra bem o que representa para a maioria pobre da humanidade — uma maldição.
Como diz a canção, "O Haiti é aqui".

Antes que seja tarde

As agências de rating, afirmam que "Portugal e Grécia enfrentam risco de morte lenta". Depois da Islândia, elas estão assustadas, não com o nosso futuro ou o dos gregos, mas sim com os especuladores que querem recuperar o seu dinheiro. Mas o descrédito daquelas agências, que não foram sequer capazes de prever o afundamento da Islândia, nem dos países bálticos e nem dos próprios Estados Unidos, é cada vez maior.
Na realidade, a verdadeira morte lenta do nosso país é a progressiva desindustrialização de Portugal, o encerramento de sectores inteiros da economia nacional, o desemprego crescente, a falta de perspectivas para a juventude, a ausência de política energética, os investimentos ruinosos (como o novo aeroporto) programados pelo governo de Sócrates.
Este sombrio panorama foi preparado pelo PS e o PPD com a destruição do Sector Empresarial do Estado e é por isso que só com um novo programa de nacionalizações, a principiar pela banca privada, será possível inverter esta preocupante situação. Antes que seja tarde.

Antes O Poço Da Morte, "O Irmão Do Meio", Sérgio Godinho + Xutos & Pontapés

quarta-feira, janeiro 13, 2010

Tempos "modernos"

PCP quer pôr fim às 60 horas de trabalho semanal 
O actual Código Laboral, aprovado pela anterior maioria absoluta do P"S", permite que, em determinadas condições, os trabalhadores sejam obrigados a trabalhar 12 horas diárias, até um máximo de 60 horas semanais, sem a correspondente compensação remuneratória.



É a esta exploração abusiva e imoral, verdadeira escravatura da era moderna, atentatória da dignidade humana e da estabilidade familiar, que o PCP quer pôr cobro, indo para o efeito apresentar a debate no plenário da Assembleia da República um projecto de lei que prevê o seu fim.
Perante esta justa iniciativa, veremos como se comportam aqueles partidos que passam a vida a apregoar a defesa da família!…
Foi a trabalhar (Sérgio Godinho, "De pequenino se torce o destino")

segunda-feira, janeiro 11, 2010

Sem condições prévias

A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, disse hoje trabalhar para um reinício do diálogo entre Israel e os palestinianos "o mais cedo possível e sem condições prévias",  não confirmando a existência de qualquer plano e prevendo um ciclo de negociações em "dois anos" (leia-se interminável).
Depois de lhes roubarem a quase totalidade do território, a água, a segurança, a vida, os palestinianos têm ainda de suportar toda a sorte de hipocrisias.
Mas alguém que não seja completamente ingénuo ou moralmente desonesto acredita que os maiores amigos dos sionistas têm vontade política e são suficientemente imparciais para exigir o reconhecimento da pátria palestina?
Isso sim, devia ser feito já. Para acabar de vez com uma das maiores vergonhas da história contemporânea. Sem condições prévias.

quarta-feira, dezembro 30, 2009

Receita de Ano Novo

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação como todo o tempo já vivido
(mal vivido ou talvez sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?).
Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de Janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

Carlos Drummond de Andrade, 1997

O 'socialismo' segundo Mário Soares



Temos profundas desigualdades sociais, um défice assustador e um endividamento elevado, políticos e empresários cuja seriedade deixa muito a desejar. Mas, que diabo, após 35 anos de governação do P"S" e da Direita, apesar de muita gente não ter emprego e muitos mais viverem na pobreza, "já ninguém anda descalço em Portugal".
Somos uns mal agradecidos!…

terça-feira, dezembro 29, 2009

Os palhaços

Apesar de todo o populismo e justicialismo que emana das crónicas de Mário Crespo, neste vídeo é o próprio que deixa perceber as suas convicções e as soluções políticas que defende para a governação do país, as quais, ao fim de 35 anos, mostraram bem o que (não) valem ao conduzir Portugal ao estado comatoso em que se encontra.
Chamar, por isso, Sócrates de palhaço, escondendo que outros palhaços contribuíram para a situação que hoje vivemos, não é propriamente jornalismo mas antes uma… palhaçada.

Falta de juízo

Os dados ontem divulgados pela SIBS, mostram que por comparação com 2008, entre 1 e 26 de Dezembro, os portugueses levantaram mais dinheiro (2,53%) e gastaram mais nas compras (subida de 10,64%). Só num dia esturraram 380 milhões de euros!
Isto acontece num país com cerca de 600 mil desempregados, quase 2 milhões de pobres e um nível de vida 25% abaixo da média comunitária!
Perante esta crua realidade, só posso concluir que também devemos padecer de um elevado défice de juízo. Parece-me.

A loucura não tem fim

A crise veio para ficar e cavar cada vez mais o fosso entre uma maioria crescente de pobres e explorados e uma minoria cada vez mais rica e sem escrúpulos.
O pico petrolífero é uma realidade. A produção de petróleo já não cresce desde 2004 e, a partir de agora, o ouro negro vai caminhar inexoravelmente para o esgotamento.
Porém, a loucura parece não ter fim. E ninguém se mostra disposto a travar a marcha da Humanidade para o abismo.

segunda-feira, dezembro 28, 2009

Tratar da vidinha

Temos os salários mais baixos da União Europeia e um salário mínimo que, apesar do recente aumento, se fica por uns míseros 475 euros, o qual, mesmo assim, não é pago em muitas 'empresas'. E somos o país da União Europeia onde o investimento público, nos últimos dez anos, teve o maior recuo, com uma diminuição média de 4,6% ao ano em termos reais.
Sabe-se agora também que Portugal é dos países europeus em que a assistência às famílias é mais reduzida, representando a transferência de verbas do Estado para as famílias apenas 1,2% do PIB, enquanto a média europeia é 2,1% e a Dinamarca, o Luxemburgo e a Alemanha, que lideram, distribuem o equivalente a mais de 3% do PIB.
Em consequência, por cá, a percentagem de menores de 18 anos que pode cair na malha da pobreza atinge os 21%, enquanto a média europeia é de 19%.

Os governantes — não apenas os actuais mas também os que os precederam — não se cansam de propagandear que têm apoiado as famílias, as empresas, os trabalhadores, mas os resultados estão à vista! Afinal o que é que têm andado a fazer?… A tratar da vidinha, claro.


sábado, dezembro 26, 2009

Mentiroso compulsivo

"Entre 1998 e 2008 Portugal foi o país da União Europeia onde o investimento público teve o maior recuo, com uma diminuição média de 4,6% ao ano em termos reais."
"O Eurostat indica que o investimento público total em Portugal correspondia, em 2004, a 3,1% do PIB. Já em 2008 este valor fica-se pelos 2,1% do PIB", verificando-se assim uma "redução em percentagem do PIB de cerca de 32%."
O Primeiro-ministro passa a vida a afirmar que tem privilegiado o investimento público. Porém, como os números demonstram uma vez mais, Sócrates não passa de um mentiroso compulsivo que, em vez de relançar a economia através do apoio ao investimento, preferiu enterrar milhões de euros na banca especulativa.
Assim nunca mais sairemos da crise.

Lembrar Gaza

VIGÍLIA
27 de Dezembro das 15h às 19h
em frente à Embaixada de Israel
  • Para evocar o massacre de Gaza! 
  • Para exigir o fim do cerco ilegal a Gaza! 
  • Para apelar ao apuramento da responsabilidade pelos crimes de guerra e crimes contra a Humanidade! 

No dia 27 de Dezembro de 2008, as forças armadas do Estado de Israel desencadearam um assalto militar em larga escala contra toda a população de Gaza, após ano e meio de um bloqueio
cruel que transformou 1,5 milhão palestinianos em reclusos nas suas próprias casas.
Os bombardeamentos massivos dos primeiros dias culminaram numa invasão devastadora. Na operação militar “Chumbo fundido” as forças armadas israelitas lançaram fósforo branco
sobre zonas urbanas densamente povoadas e lançaram fogo a mesquitas, escolas, hospitais, cimenteiras, instalações da ONU, padarias e habitações.
Finda em 18 de Janeiro de 2009, a operação assassinou mais de 1400 palestinianos, a maior parte civis – crianças, mulheres e idosos – e causou ainda milhares de feridos em três semanas de violência desmedida.
Israel invocou auto-defesa como justificação para o ataque contra Gaza e chamou à operação uma guerra, mas, na verdade, foi um massacre! A consciência do mundo ficou chocada com esta demonstração de força militar desumana.



Passado um ano sobre o massacre, o cerco ilegal a Gaza continua e a ocupação e colonização israelita dos territórios palestinos intensifica-se. e não permite ao povo palestino recuperar da destruição.
Não nos podemos esquecer de Gaza!
A Iniciativa “Lembrar Gaza” convoca, por isso, uma vigília, no próximo dia 27 de Dezembro, pelas 15h, frente à Embaixada de Israel, em Lisboa, para evocar, solenemente, as vítimas e a destruição, os crimes de guerra e contra a Humanidade e exigir o cumprimento do direito internacional e o levantamento do cerco ilegal a Gaza!

terça-feira, dezembro 22, 2009

O choque eléctrico

A Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos, que controla os preços da electricidade no mercado regulado e cujo presidente foi nomeado pelo primeiro governo de Sócrates, anunciou que o preço da electricidade para as famílias, em 2010, iria aumentar 2,9%. Esta subida é superior a mais do dobro da previsão feita por vários organismos internacionais (OCDE, FMI, BdP), sendo que os trabalhadores não têm garantido idêntico aumento salarial. Se tal se verificar os portugueses terão de pagar, pela mesma quantidade de quilowatts, mais 251,5 milhões de euros, um choque eléctrico absolutamente insuportável, não só pelas razões anteriormente referidas, mas também porque:
  • o preço da electricidade em Portugal é já superior (em cerca de 2,3%) ao preço médio da União Europeia; 
  • o poder de compra das famílias portuguesas está muito abaixo (cerca de 25%) da média comunitária; e 
  • a EDP, cujo principal accionista é o Estado, só nos primeiros nove meses de 2009, já arrecadou mais de 800 milhões de euros de lucros líquidos. 

É nisto que consiste a política económica dos governos de Sócrates: garantir lucros exorbitantes à EDP, à GALP, à Banca, mesmo que isso acarrete a falência de milhares de PME's, o desemprego de centenas de milhares de trabalhadores, o agravamento do nível de vida da maioria da população, a estagnação da economia e do país.

segunda-feira, dezembro 21, 2009

Parabéns Carlos do Carmo!

Fadista de Abril, tem cantado alguns dos melhores autores e compositores (José Carlos Ary dos Santos, Fernando Tordo, Paulo de Carvalho, José Mário Branco e José Luís Tinoco). Homem da cidade, do país, do mundo, tem sido um dos maiores embaixadores da cultura portuguesa.
Carlos do Carmo, faz hoje 70 anos. Desejamos-lhe as maiores felicidades e, como prenda, a aprovação da candidatura do fado a Património Mundial.



sábado, dezembro 19, 2009

Copenhaga: O falhanço da hipocrisia

Os Estados Unidos têm, ao todo, 300 milhões de habitantes; a China tem quase cinco vezes mais população que os Estados Unidos. Os Estados Unidos consomem mais de 20 milhões de barris diários de petróleo; a China chega, apenas, a cinco ou seis milhões. Não se pode pedir o mesmo aos Estados Unidos e à China. Com a agravante de se comprometerem com escassos 3,6 mil milhões de dólares em ajudas aos países mais vulneráveis ao mesmo tempo que enterram mais 636 mil milhões (cerca de 176 vezes mais!) nas guerras justas do Iraque e do Afeganistão.
Só os menos atentos ou mais ingénuos ainda se podem admirar que a tentativa de acordo para a redução da emissão de gases poluentes e a cooperação a longo prazo tenha fracassado. Foi o falhanço previsível da hipocrisia. A razão parece-nos evidente: a atitude irresponsável e a falta de vontade política das nações mais poderosas do planeta para atenuar o abismo que as separa dos países pobres.