quarta-feira, fevereiro 10, 2010

Até quando, Sócrates, teremos de te suportar?

[…]
Não conheço precedente na nossa História para a cadeia de escândalos maiúsculos em que surge envolvido o actual Primeiro-ministro. Ela é tão alarmante que os primeiros, desde o mistério do seu diploma de engenheiro, obtido numa universidade fantasmática (já encerrada), aparecem já como coisa banal quando comparados com os mais recentes.
O último é nestes dias tema de manchetes na Comunicação Social e já dele se fala além fronteiras. É afinal um escândalo velho, que o Presidente do Supremo Tribunal e o Procurador-geral da República tentaram abafar, mas que retomou actualidade quando um semanário divulgou excertos de escutas do caso Face Oculta.
Alguns despachos do procurador de Aveiro e do juiz de instrução criminal do Tribunal da mesma comarca com transcrições de conversas telefónicas valem por uma demolidora peça acusatória reveladora da vocação liberticida do governo de Sócrates para amordaçar a Comunicação Social.


Desta vez o Primeiro-ministro ficou exposto sem defesa. As vozes de gente sua articulando projectos de controlo de uma emissora de televisão e de afastamento de jornalistas incómodos estão gravadas. Não há desmentidos que possam apagar a conspiração. Um mar de lama escorre dessas conversas, envolvendo o Primeiro-ministro. A agressiva tentativa de defesa deste afunda-o mais no pântano. Impossibilitado de negar os factos, qualifica de "infame" a divulgação daquilo a que chama "conversas privadas". Basta recordar que todas as gravações dos diálogos telefónicos de Sócrates com o banqueiro Vara, seu ex-ministro foram mandadas destruir por decisão (lamentável) do Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, para se ter a certeza de que seriam muitíssimo mais comprometedoras para ele do que as "conversas privadas" que tanto o indignam agora, divulgadas aliás dias depois de, num restaurante, ter defendido, em amena "conversa" com dois ministros seus, a necessidade de silenciar o jornalista Mário Crespo da SIC Noticias.
Não é apenas por serem indesmentíveis os factos que este escândalo difere dos anteriores que colocaram José Sócrates no banco dos réus do Tribunal da opinião pública. Desta vez a hipótese da sua demissão é levantada em editoriais de diários que o apoiaram nos primeiros anos e personalidades políticas de múltiplos quadrantes afirmam sem rodeios que não tem mais condições para exercer o cargo.
O cidadão José Sócrates tem mentido repetidamente ao País, com desfaçatez e arrogância, exibindo não apenas a sua incompetência e mediocridade, mas, o que é mais grave, uma debilidade de carácter incompatível com a chefia do Executivo.
Como pode tal criatura permanecer como Primeiro-ministro?
— Até quando, Sócrates, teremos de te suportar?

O Charlatão, Os Sobreviventes (1971), Sérgio Godinho

terça-feira, fevereiro 09, 2010

O pior cego é o que não quer ver

Pinto Monteiro afirmou que quer ele "quer o presidente do Supremo Tribunal de Justiça, Noronha do Nascimento, não viram indícios de atentado ao Estado de direito nas certidões do processo Face Oculta. O PGR (ou será Procurador Geral do Governo?) disse também que não viu indícios de tentativa de controlo da comunicação social por parte do primeiro-ministro ou do Governo nas escutas reveladas pelo "Sol".


Sem ofensa a quem infelizmente sofre de cegueira, é caso para concluir que não há pior cego do que aquele que não quer ver. Por mais sol que faça.

Toca a todos

Um estudo da docente do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade Técnica de Lisboa, Raquel Ribeiro, demonstra que a actual crise económica encontra eco nos jovens da classe média, entre os 19 e os 45 anos, que temem pelo nível de vida dos seus filhos num futuro próximo.
O aumento das desigualdades sociais e a consequente queda do nível de vida, aliadas à precariedade no emprego, a uma maior competitividade e a um acelerado ritmo profissional, constituem os grandes receios destes jovens.
A autora acrescenta que "o prolongamento da escolarização, a banalização dos diplomas e a precariedade laboral e afectiva vão possivelmente penalizar a independência e a abastança económica dos mais jovens[…]".
Pois é, toca a todos: aos proletas e à classe "média", que acabará também por ser proletarizada.
Como disse Marx, há 200 (!) anos, já todos compreendemos o mundo. O que importa agora é transformá-lo. Estaremos dispostos a isso?

Queixa das Almas Jovens Censuradas, Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades (1971), José Mário Branco

Que mal fiz eu para ter de aguentar isto?

Durão Barroso está "feliz" e "orgulhoso" pelo apoio recebido do Parlamento Europeu para um novo mandato de cinco anos. É normal. Está a tratar da vidinha. Para mais, quando todos os seus colegas criminosos — Bush, Blair e Aznar — de uma forma ou de outra, já foram arrumados na prateleira…


Eu é que já não posso dizer o mesmo. Estou triste e pesaroso por ter de gramar este funcionário reles e oportunista na liderança executiva da UE por 10 intermináveis anos! Sem ter culpa alguma…
Que mal fiz eu para ter de aguentar Sócrates em Portugal e Barroso em Bruxelas?

Os eunucos, Traz Outro Amigo Também (1970), José Afonso

Prémio Nobel… da Guerra

A politica da administração Obama, o Prémio Nobel da Paz (não o esqueçamos), ameaça a humanidade.
Dito desta forma, nua e crua, parece impossível de acreditar. Mas é Miguel Urbano Rodrigues, com a sabedoria e a frontalidade que se lhe reconhecem, que explica por quê.


Recentes iniciativas do Governo dos EUA confirmam que a actual Administração, longe de renunciar a uma estratégia de dominação mundial, se propõe a ampliá-la em múltiplas frentes. Aquilo que parecia impossível há um ano está a acontecer: a política externa de Obama é mais agressiva e perigosa para a Ásia, África e América Latina do que a de George Bush. Mas essa realidade não se tornou ainda evidente para as grandes maiorias, influenciadas pela campanha de âmbito mundial que apresenta o presidente dos EUA como um político progressista e um defensor da paz. Os actos desmentem-lhe, porém, as promessas e a oratória. Os media ocidentais dedicam atenção mínima a iniciativas que se integram na expansão planetária do militarismo estado-unidense. Mas esse silêncio não impede que ela seja uma realidade. ler tudo aqui

Guerra e Paz, Três Cantos (ao vivo), José Mário Branco - Sérgio Godinho - Fausto Bordalo Dias

O capitalismo está em coma

Muitos inquietam-se com o rápido crescimento da dívida dos EUA e estão a pedir uma solução para o problema. O que eles não percebem é que, com o actual sistema financeiro, pura e simplesmente não há solução. Neste momento é já matematicamente impossível para o governo americano liquidar a sua dívida nacional porque ela ultrapassa a quantidade de dólares realmente existentes. Se o governo actuasse hoje e tomasse cada cêntimo de todos os bancos, negócios e contribuintes americanos, ainda assim não seria capaz de liquidar a dívida nacional. E se assim fizesse, obviamente a sociedade americana deixaria de funcionar porque ninguém teria dinheiro para comprar ou vendar fosse o que fosse.
Não há dúvida que o capitalismo, como o conhecemos, está em coma. Só não sabemos quando lhe vão desligar a máquina. ler tudo aqui

O avô cavernoso, Eu vou ser como a toupeira (1972), José Afonso

segunda-feira, fevereiro 08, 2010

Corrupção, coisa de "pouca monta"

Um comunicado do Ministério das Obras Públicas refere textualmente que "vinte e duas das entidades tuteladas pelo Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações nunca se relacionaram com empresas do 'Grupo Godinho', sete relacionaram-se dentro dos parâmetros legais e em cumprimento dos procedimentos contratuais, e apenas em cinco casos foram detectadas irregularidades nos procedimentos".
Com efeito, a Inspecção-Geral de Obras Públicas apenas detectou irregularidades nas relações das empresas Estradas de Portugal, Metropolitano de Lisboa, Refer, Transtejo e CP com empresas do sucateiro de Ovar. Coisa de pouca monta, como se vê. Podemos ficar descansados.

Os vampiros, Baladas de Coimbra (1963), José Afonso

A verdade a que temos direito

O Bloco de Esquerda anunciou ontem que vai propor a constituição de uma comissão de inquérito parlamentar sobre a alegada intervenção do Governo na intenção de compra de parte da TVI pela PT. O PCP, embora defenda que o mais importante é encontrar uma forma "expedita de obter esclarecimentos" (sem explicar qual), não exclui a realização de um inquérito parlamentar. O PSD também "não exclui" a possibilidade da comissão de inquérito proposta pelo Bloco.
Já que a Justiça não funciona, ou antes, funciona como capa protectora do poder, ao menos que a Assembleia faça alguma coisa. Apesar de os resultados práticos destas comissões serem, por sistema, nulos, sempre ficamos mais perto da verdade dos factos. Verdade a que temos direito.

Já o tempo se habitua, Contos Velhos Rumos Novos (1969), José Afonso

Para bom entendedor…

D. Manuel Clemente, bispo do Porto, cuja atribuição do Prémio Pessoa 2009, segundo o escritor Mário Cláudio, constituiu uma" lufada de ar fresco" para a cultura da Igreja Católica e, nas palavras do júri do prémio, é "uma referência ética para a sociedade portuguesa nos tempos difíceis como os que vivemos actualmente", comentou hoje o alegado plano do Governo para controlar a comunicação social, considerando que as personalidades públicas têm responsabilidades acrescidas de se justificar publicamente. Para bom entendedor…
Por falar em 'bom entendedor', parece que só mesmo os apoiantes de Sócrates, parafraseando Bertolt Brecht, "não sabem que o inimigo marcha à sua frente".

No comboio descendente, Eu vou ser como a toupeira (1972), José Afonso

Magalhães

Magalhães, o navegador, ficou na história por ter realizado a primeira viagem de circum-navegação à Terra, há mais de quinhentos anos.
Magalhães, o computador, em pleno século XXI, não consegue chegar aos Açores.

"Notícias"

Os operários da Oliva ficaram sem trabalho, o país está de tanga, o governo ameaça a liberdade e a democracia, mas o que é que tudo isso importa? Isto e isto sim, são "notícias". Bah…

O país vai de carrinho, Como se fora seu filho, José Afonso

sábado, fevereiro 06, 2010

O nosso drama

Afinal, segundo a imprensa que se recusa a ser voz-do-dono, as escutas do processo "Face Oculta" parecem revelar que os "amigos" Sócrates e Vara, com currículos já bastante recheados de trapalhadas e jogadas de seriedade muito duvidosa, terão agora, alegadamente, planeado criar uma crise política com o objectivo de antecipar as eleições legislativas para 2011, financiar a campanha com dinheiro de empresas públicas e controlar a comunicação social, e, simultâneamente, atingir o Presidente da República através de ataques políticos ou usando os interesses económicos do seu genro.
Na opinião dos responsáveis pela investigação, trata-se de um crime que tem uma moldura penal de 2 a 8 anos de prisão, se for consumado, e de 1 a 4 anos, na forma tentada. Por isso o Juiz de Aveiro enviou as escutas ao presidente do Supremo Tribunal de Justiça (STJ) que, como já todos sabemos, as mandou destruir por, em seu entender, não revelarem "ilícito penal"!!!

Como facilmente se percebe de tudo isto, este primeiro-ministro, com a evidente protecção do STJ e da Procuradoria Geral da República, nunca será julgado pelo que quer que seja.
Restaria apenas saber o que faria o Presidente da República mas já se viu que não fará nada de especial, mais que não seja para deixar Sócrates fritar no lume brando da crise. Por isso não o demitirá. De resto, se o fizesse e fôssemos novamente a votos, palpita-me que ficaria tudo rigorosamente na mesma. É esse o nosso drama.

Coro dos Tribunais, álbum "Coro dos Tribunais", José Afonso

sexta-feira, fevereiro 05, 2010

O país dos três "efes"

A economia está de rastos, o desemprego é uma chaga que alastra e a desigualdade e a injustiça nunca foram tão gritantes, estamos endividados até às orelhas e sem crédito no exterior e o governo, perante a tragédia que, em parte, a sua política originou, faz chantagem e ameaça bater em retirada. Mas que importa tudo isso, se as peregrinações a Fátima estão mais concorridas que nunca, o Fado nunca esteve tão na moda e no pontapé-na-bola, às vezes à rasca, é certo, não deixamos os créditos por mãos alheias (apurámo-nos para a final do mundial na África do Sul e agora fomos escolhidos como cabeças-de série para o Euro-2012)?…
Como há 50 anos, continuamos a ser o  país dos três efes e isso nos basta.

quinta-feira, fevereiro 04, 2010

A coisa está preta

A coisa está preta mas ou me engano muito ou o pior ainda está para vir. Parece que para os "espertos" das agências de rating as medidas anunciadas para a redução do défice ainda são pouco ambiciosas e agora os holofotes do mercado apontam para nós.
Definitivamente, a selvajaria capitalista e a especulação bolsista são uma maldição.

O certo é que Portugal está a ser olhado como (mau) exemplo a evitar. Está finalmente à vista — tarde de mais! — a tragédia da governação de Sócrates!

domingo, janeiro 31, 2010

Os haitianos não têm presidente

Um presidente que não passa de um títere do governo americano, que nada faz pelo seu martirizado povo e que o abandona à sua sorte, está à espera de quê? De ser recebido com aplausos?
Este tipo não existe. Ou melhor, tal como o terramoto, René Préval é um pesadelo para os haitianos.


Os fantoches de Kissinger, Com as minhas tamanquinhas, José Afonso, (arquivo AJA)

Extraordinário! Nunca imaginei…

"A política de colonização de Israel é um erro", afirmou o primeiro-ministro italiano ao diário iaraelita Haaretz.
Extraordinário! Nunca imaginei poder vir a concordar com Berlusconi!…


Nefretite não Tinha Papeira, Venham Mais Cinco, José Afonso (arquivo AJA)

Pela santa Liberdade

Faz hoje 119 anos que a monarquia chegou a ser suspensa durante nove horas, na sequência da revolta militar de 31 de Janeiro de 1891, no Porto, contra as cedências da Coroa portuguesa ao Ultimato Inglês, que acabaria por ditar a humilhante transferência de grande parte dos territórios ultramarinos portugueses para a posse da Inglaterra.
Num momento em que há quem advogue o regresso à monarquia, convirá lembrar que a sua queda posterior, em 1910, ficou a dever-se a uma insanável crise económica, social e moral, não fazendo hoje sentido, portanto, ficar à espera de um qualquer D. Sebastião que supostamente nos viesse tirar da crise. Será sempre no quadro de um regime e de um sistema que garantam a completa liberdade e participação política — como são a república e a democracia — que os cidadãos poderão escolher plenamente e construir a sociedade em que querem viver. Assim queiram fazer por isso!
Como reza o Hino da Maria da Fonte, "Pela santa Liberdade, triunfar ou perecer."

>> As Sete Mulheres do Minho, Fura Fura, José Afonso (interpretação das Faltriqueira)

O colonialismo não acabou

O petróleo do Haiti já era fruto da cobiça dos americanos. Agora parece que são as crianças haitianas.
Afinal o colonialismo não acabou no séc. XIX, como era suposto.


Lá no Xepangara, Coro dos Tribunais, José Afonso (arquivo AJA)

sexta-feira, janeiro 29, 2010

Israelitas não têm moralidade

A libertação de Auschwitz fez anteontem 65 anos tendo a data sido assinalada na Polónia e em Berlim. A perseguição e o genocídio dos judeus pelo regime nazi foi certamente uma das maiores vergonhas da história contemporânea e a humanidade não pode deixar de condená-la com veemência.

Auschwitz

 
Gaza

Mas, sejamos claros, sessenta e cinco anos depois do fim da Segunda Guerra Mundial e dos Julgamentos de Nuremberga, que condenaram os principais responsáveis pelas atrocidades cometidas pelos nazis, os actuais dirigentes políticos israelitas não têm qualquer autoridade moral para reclamarem mais julgamentos quando, além da fundação unilateral e abusiva do Estado de Israel, em 1948, a partir de 1967 mais não têm feito senão roubar quase por completo o restante território da Palestina, bombardear e massacrar cruelmente os palestinianos e obrigar os que têm tido a sorte de escapar a sobreviverem em verdadeiros campos de concentração, como é o caso da Faixa de Gaza. Como autoridade moral também não têm quando, possuindo um dos maiores arsenais de armas nucleares do mundo, exigem que o Irão ponha fim ao seu projecto nuclear.
Não, estes "senhores" não aprenderam nada com a história. E é pena.

Recordai, ó irmãos meus (Encomendação das Almas, Beira-Baixa), Eleven Commendation of the Souls, Fernando Lopes-Graça

quinta-feira, janeiro 28, 2010

Portugal é Lisboa

De acordo com o Orçamento de Estado para 2010 Bragança é a região que mais perde e Lisboa a menos afectada na distribuição distrital das verbas do Programa de Investimentos e Despesas de Desenvolvimento da Administração Central (PIDDAC).
Por esta e outras é que Portugal sempre foi e continua a ser um país macrocéfalo. Como reza o popular ditado, "Portugal é Lisboa e o resto é paisagem".

Maria, Ao vivo no Pavilhão Atlântico, Xutos & Pontapés

Quando o mar bate na rocha…

Apesar da crítica da maioria da imprensa americana ao primeiro discurso do Estado da União de Barack Obama, classificando as medidas anunciadas de "populistas" e afirmando que fazem parte de uma estratégia de recuperação do desgaste de imagem sofrido durante os primeiros meses no cargo, não podemos deixar de sublinhar que o presidente americano tenha definido a criação de emprego como a sua prioridade número um em 2010, canalizando para o efeito os 30 biliões de dólares já devolvidos pelos grande bancos que receberam ajuda do governo no auge da crise. E tenha afirmado ainda que só a partir de 2011 vá congelar os gastos do governo, por três anos, sem no entanto afectar a segurança nacional, a saúde e a segurança social.
Por cá, os milhões injectados na banca foi como se tivessem caído num poço sem fundo tendo apenas servido para aumentar os lucros do sector. Por isso a economia não cresceu e o desemprego aumentou (e vai continuar a aumentar). Já o défice público atingiu o valor mais elevado em trinta e cinco anos de regime democrático (9,3% do PIB). A receita para a desgraça vai ser a do costume, própria de um governo corajoso e socialista: congelamento dos salários da função pública (e por contágio, dos restantes trabalhadores) e cortes nas pensões dos funcionários públicos (podem os banqueiros e os especuladores ficar descansados que os seus lucros e mais-valias não serão tributados).
Como diz o rifão, "quando o mar bate na rocha, quem se lixa é o mexilhão".

Venho aqui falar, Pano-cru, Sérgio Godinho

terça-feira, janeiro 26, 2010

Capitalismo: a verdadeira pandemia

Pronto. A gripe A foi uma falsa pandemia e um dos maiores escândalos médicos do século. À sua conta foram gastos rios de dinheiro no que constituiu um negócio escandaloso para a indústria farmacêutica e se traduziu na perda de confiança das pessoas na Organização Mundial de Saúde, em virtude do alarmismo com que os governos enfrentaram a situação.



Quem o diz é um insuspeito alto responsável e especialista: Wolfgang Wodarg, presidente da Comissão de Saúde da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa e médico especialista em epidemiologia.
Ou seja, a verdadeira pandemia continua a ser o capitalismo sem escrúpulos e sem rédea.

O Elixir da Eterna Juventude, Noites Passadas, Sérgio Godinho

segunda-feira, janeiro 25, 2010

Petróleo: depois do Iraque, o Haiti

Há prova de que os Estados Unidos descobriram petróleo no Haiti décadas atrás e que, devido a circunstâncias geopolíticas e a interesses do big business, foi tomada a decisão de manter o petróleo haitiano na reserva para quando o do Médio Oriente escasseasse. (1)
Há também evidências de que as grandes companhias petrolíferas americanas, inter-relacionadas com os monopólios da engenharia e da defesa, fizeram planos, décadas atrás, para utilizar portos de águas profundas do Haiti tanto para refinarias de petróleo como para desenvolver parques de tancagem ou reservatórios onde o petróleo bruto pudesse ser armazenado e posteriormente transferido para pequenos petroleiros com destino aos portos dos EUA e do Caribe. (2)



Não será, de resto, por acaso, a não ser por razões económicas e estratégicas, que os EUA construíram a sua quinta maior embaixada do mundo — após as embaixadas na China, no Iraque, no Irão e na Alemanha — no minúsculo Haiti, na sequência da mudança do regime haitiano pela administração Bush. Como por acaso não é o facto de, após a invasão do Haiti em 2004, os EUA terem utilizado tropas da ONU como suas procuradoras militares para esvaziar a acusação de imperialismo e racismo. Nem tampouco a nomeação de Bill Clinton (3) como enviado especial da ONU para o Haiti, que já veio afirmar que as tropas da ONU/ EUA ali permanecerão por um longo período de tempo.
Por tudo isto, um terramoto é, sem dúvida, um excelente pretexto para os objectivos criminosos destas aves de rapina. Mas era a última coisa que um povo desgraçado e impiedosamente explorado precisava.

(1)  Oil in Haiti, Georges Michel
(2) Oil in Haiti – Economic Reasons for the UN/US Occupation, Marguerite Laurent
(3) What UN Special Envoy Bill Clinton May Do to Help Haiti, Ezili Danto

Eu Marchava de Dia e de Noite, Coro dos Tribunais, José Afonso

sábado, janeiro 23, 2010

Haiti - EUA: quem deve a quem?

Porque é que os EUA devem milhares de milhões ao Haiti? Colin Powell, antigo secretário de Estado dos EUA, definiu a sua política externa como a "regra do Pottery Barn". Ou seja – "quem parte, paga".
Durante 200 anos os EUA fizeram tudo para "partir" o Haiti. Estamos em dívida para com o Haiti. Não é uma questão de caridade. Estamos em dívida para com o Haiti por uma questão de justiça. Indemnizações. E não apenas os 100 milhões de dólares prometidos pelo presidente Obama – isso são trocos. Os EUA devem ao Haiti milhares de milhões – com Ms maiúsculos.
Há séculos que os EUA têm feito tudo para dar cabo do Haiti. Os EUA usaram o Haiti como uma plantação. Os EUA ajudaram a sangrar o país economicamente desde que ele se tornou independente, invadiu várias vezes o país com forças militarizadas, apoiou ditadores que violentaram a população, utilizaram o país como caixote do lixo para nossa conveniência económica, arruinaram as suas estradas e a sua agricultura, e derrubaram os eleitos pela população. Os EUA até usaram o Haiti como os antigos proprietários de plantações e esgueiravam-se para ali frequentemente para recreação sexual.
Eis [aqui] a história mais resumida de algumas das principais tentativas dos EUA para dar cabo do Haiti.

sexta-feira, janeiro 22, 2010

Muita parra e pouca uva

Cândida Almeida foi reconduzida no cargo de directora do Departamento Central de Investigação e Acção Penal, por mais três anos, por proposta do procurador-geral da República, Pinto Monteiro, e decisão do Conselho Superior do Ministério Público.
Caso para concluir que, "a oeste nada de novo". Com estes dois, na justiça portuguesa continuará a haver "muita parra mas pouca (ou nenhuma) uva".

Coro dos Tribunais, Coro dos Tribunais, José Afonso

Estamos fritos

Sócrates recebe hoje Portas, antes de Ferreira Leite. O acordo entre o Governo e o CDS/PP com vista a garantir a aprovação do Orçamento de Estado para 2010 poderá ser fechado já, antes de o primeiro-ministro receber amanhã Ferreira Leite.
De uma forma ou de outra, prossegue afanosamente a santa aliança que nos vai continuar a cozinhar em lume brando. Ou antes, estamos fritos!

Venho Aqui Falar, Pano-cru, Sérgio Godinho

quinta-feira, janeiro 21, 2010

Os números e a realidade

Sócrates adora números, estatísticas, sucesso encenado. E o FMI — aquela simpática organização que nos esmifra quando temos o azar de ter de lhe bater à porta a pedir dinheiro quando estamos tesos — também. Não admira que ambos tenham ficado embevecidos com os supostos resultados do Simplex: no âmbito dos três programas concluídos (2006, 2007 e 2008), foram implementadas 630 medidas, 46 por cento das quais com impactos na redução de encargos para as empresas. O que admira é que tanta simplificação de processos e redução de encargos não tenha evitado a falências de tantas empresas, com as consequências económicas e sociais que todos conhecemos.

O Charlatão, Os Sobreviventes, Sérgio Godinho

Tomem nota

Com a abstenção do PSD, PS e CDS chumbaram hoje o projecto de lei do PCP que pretendia impedir a possibilidade de aumentar os horários de trabalho até 12 horas diárias e 60 horas semanais. Tomem nota. Para que não digam que não vos avisei.

O que faz falta, Coro dos Tribunais, José Afonso

O galego não é castelhano

Em opiniom do Conselho da Associaçom Galega da Língua (AGAL), a legislaçom estabelece dous factos: que há duas línguas oficiais na Galiza e que umha delas, a própria, "ocupa um lugar periférico a respeito da outra, a castelhana". Ainda, a mesma legislaçom marca como objectivos que a administraçom altere esse estado de cousas promovendo a língua mais periférica e de menos presença social e que o sistema educativo garanta a mesma competência nas duas línguas oficiais. Porém, para alcançar estes objectivos, a Junta pretende que um terço das horas semanais tenham o galego como língua veicular, um outro terço o castelhano e o restante prevê-se para ser leccionado "em língua(s) estrangeira(s)". De um ponto de vista técnico, a AGAL considera que o procedimento nem ajuda a alterar o estado periférico da língua própria da Galiza nem garante a igualdade de competência lingüística nos dous idiomas oficiais. "Alunos e alunas aprendem as línguas no seu ambiente social. A escola deve servir para compensar a língua menos presente socialmente". Neste ponto a associaçom lembra que nos ambientes urbanos da maioria das cidades galegas, a presença ambiental do galego é "muito reduzida, quando nom inexistente", polo que marcar a mesma quota horária para galego e castelhano "nom vai permitir a mesma competência" em ambas as línguas. Por estes motivos, o Conselho da AGAL deu o seu apoio à jornada de greve e à manifestaçom em defesa do uso do galego no ensino que terám lugar no dia 21 de janeiro.

Percebemos facilmente este texto da AGAL, não é verdade? Porque o galego e o português actuais evoluíram da mesma origem, o galaico-português.
Por esse facto, apoiamos a greve no ensino e a manifestação que hoje decorrem na Galiza, pela defesa da língua galega, contra a sua castelhanização.

O meu amor se te fores, Leilía


Chega de porrada!

Depois da invasão do Iraque, da guerra do Afeganistão e do crescente número de bases militares nas Caraíbas, os Estados Unidos reforçam dia para dia a presença militar no Haiti. Começaram pelo controlo do aeroporto e agora, a pretexto dos protestos e da violência geradas pela desorganização e atraso da assistência à martirizada população, prosseguem com o aumento do número de tropas no país.
Ora, o  que os haitianos precisam é de assistência médica, alimentação, alojamento, amizade. Urgentemente. Como disse um militar brasileiro, para manter a ordem, o lema é "braço forte, mão amiga". De porrada, 200 anos já chegaram.

Sair (ou não sair) do morro

Lula quer acabar com as favelas até 2016, ano dos Jogos Olímpicos. O plano prevê a construção de bairros habitacionais para erradicar 109 favelas e mais de 12 mil habitações até 2014. É simples, dizem, as autoridades vão tomar de assalto os bairros considerados mais violentos, implementando a ordem policial como "poder único" e deitando abaixo a liderança das guerrilhas da droga.
Não sei se é assim tão simples… Para mais, com o mentor do projecto a deixar a presidência em 2011. E receio que muitos desgraçados inocentes sejam apanhados na linha de fogo do poder único. Não seria a primeira vez que tal aconteceria.

Opinião, álbum "Sertão e Favelas", Zélia Barbosa


terça-feira, janeiro 19, 2010

Os pecados do Haiti

A história do assédio contra o Haiti, que nos nossos dias tem dimensões de tragédia, é também uma história do racismo na civilização ocidental.



Melhor do que ninguém é Eduardo Galeano quem o explica com toda a clareza. Aqui.

segunda-feira, janeiro 18, 2010

Quem fechou as portas que Abril abriu?

Faz hoje 26 anos que faleceu José Carlos Ary dos Santos.
Mas a sua memória permanece viva nas palavras que escreveu e disse.
Porque era poeta, mas castrado, NÃO!
Porque descreveu, com um coração do tamanho deste país,'as portas que Abril abriu':
da liberdade, da dignidade, da solidariedade,
mas também do sonho e até da utopia.

Faz hoje 26 anos que faleceu José Carlos Ary dos Santos.
E há uma pergunta que não me larga,
Que certamente ele faria se cá estivesse:
Quem fechou as portas que Abril abriu?

Evocar 18 de Janeiro de 1934

Chegado ao poder em 5 de Julho de 1932, Salazar cuidou de preparar a base constitucional e legislativa do chamado Estado Novo, regime autoritário que se caracterizaria pela extinção dos mais elementares direitos e liberdades dos cidadãos e pela completa negação do pluralismo partidário. Com a aprovação da Constituição de 1933, decreta a proibição da greve e do lock-out e institui o princípio do sindicato único com o objectivo de acabar com os sindicatos livres e em seu lugar criar sindicatos nacionais corporativos controlados pelo Estado.
E é contra este edifício legislativo fazcizante e a ilegalização das organizações existentes, que se prepara, para o dia 18 de Janeiro de1934, uma "greve geral revolucionária" onde teriam influência marcante a Confederação Geral dos Trabalhadores, de inspiração anarquista, e o Partido Comunista Português, com forte implantação no Sindicato Nacional dos Vidreiros.





Na véspera, no entanto, a polícia política (PVDE) prende alguns dos principais dirigentes sindicais e outros activistas ligados ao movimento. Ainda assim, em Lisboa, na noite de 17, explode uma bomba no Poço do Bispo e o caminho de ferro é cortado em Xabregas, enquanto que, em Coimbra, explodem duas bombas na central eléctrica. Há ainda movimentações em diversos outros pontos do país, como Leiria, Barreiro, Almada, Sines e Silves, sendo a mais forte, no entanto, na Marinha Grande, onde grupos de operários ocupam o posto da GNR e os edifícios da Câmara Municipal e dos CTT.
A repressão não se faria esperar. Diversos participantes do 18 de Janeiro estão entre os prisioneiros que inaugurarão, dois anos depois, a colónia penal do Tarrafal, uma das odiosas prisões da ditadura salazarista.
A revolta operária e greve geral de 18 de Janeiro de 1934 foi há 76 anos. Evocá-la hoje, 36 anos depois de Abril, mais do que uma celebração, deve constituir uma inequívoca manifestação de vontade de continuar a lutar por um país mais justo onde todos, sem excepção, vejam reconhecidos não apenas os direitos cívicos e políticos mas também os direitos humanos e sociais. Será essa a melhor homenagem que prestaremos aos revolucionários de 1934.

Liberdade, À Queima-Roupa, Sérgio Godinho

Ai do Haiti!

A "ajuda" deles

O director-geral do FMI acaba de anunciar a sua intenção de mobilizar uma "ajuda" de 100 milhões de dólares para o Haiti. Diz ele que isso será feito através de uma "facilidade ampliada de crédito". Ou seja, os haitianos terão de devolver tal ajuda, mesmo que estejam debaixo de escombros. E devolver com juros. Com ajudas assim, os haitianos ficam ainda mais desgraçados do que já estavam!
Por outro lado, o controle do aeroporto de Port-au-Prince pela U.S. Air Force já está a prejudicar severamente o Haiti. Os militares americanos proibiram a aterragem de um avião francês que transportava um hospital de campanha e dez equipes de cirurgiões. A ocupação militar do país pelo imperialismo, sob o pretexto da "ajuda humanitária", já é uma situação de facto. Os EUA, que não souberam ajudar o seu próprio povo quando o furacão Katrina devastou Nova Orleães, arrogam-se agora ao direito de enviar porta-aviões como "ajuda" às vítimas no Haiti. Após um terramoto, uma ocupação militar. (*)



Pacto com o Diabo

O racismo acaba de atingir profundidades nunca imaginadas pelo conde Gobineau. O reverendo Pat Robertson, um fanático da extrema-direita estado-unidense, acaba de dar a sua "explicação" para o terramoto que assolou o Haiti. Diz ele que se trata de um castigo divino pelo facto de 200 anos atrás os escravos haitianos terem-se rebelado e libertado dos seus amos franceses. (O vídeo com a entrevista deste "teólogo" encontra-se aqui).
Mas a estupidez é contagiosa. O bispo espanhol José Ignacio Munilla minimiza a catástrofe, asseverando ele "há males maiores que o do Haiti, como a nossa situação espiritual" (sic). (A notícia encontra-se aqui). (*)

Uma coisa é indubitavelmente certa: como se vê, 127 anos depois da sua morte, Marx continua a ter razão — a religião é o ópio povo.

Fim do bloqueio a Gaza!

A Amnistia Internacional pediu a Israel o levantamento imediato do bloqueio imposto à Faixa de Gaza, considerando injusta esta "punição" que atinge em cerca de 1,5 milhões de habitantes.



Mas os terroristas sionistas, que têm o apoio daqueles que há quase 50 anos fazem o mesmo a Cuba, vão seguramente ignorar o pedido da AI, como sempre fizeram com os pedidos de outras organizações e com os protestos da opinião pública mundial.
Como os Estados Unidos, Israel não respeita o Direito Internacional. E o Tribunal Penal Internacional é para os outros.

Nefretite não tinha papeira, Venham Mais Cinco, José Afonso

Má sina estar desempregado

Na Banca foram esbanjados milhões de euros mas o Estado gasta cada vez menos com os desempregados.
Má sina estar no desemprego. Especialmente em Portugal.

sexta-feira, janeiro 15, 2010

O P"S" à frente, o país atrás!

Portugal está de rastos.
Com uma dívida superior ao valor do PIB, um défice incontrolável, um volume de desemprego dramaticamente crescente.
E cada vez mais desigual, com uma minoria mais e mais rica e uma maioria a sobreviver como pode.
Para nos animar, dizem-nos que o pior já passou, que logo mais iremos recomeçar a crescer. O que não esclarecem é que, ainda que isso venha a acontecer, continuaremos a afastar-nos da média europeia. Porque, mesmo que a crise internacional abrande, o que não é de todo seguro, havemos de continuar a carregar com a nossa, a que resulta de 30 anos de "alternância" governativa do P"S" e da Direita.
Mas a maioria do povo, que aguentou docilmente uma ditadura de 48 anos, gosta. Por isso o P"S" continua à frente nas intenções de voto. E o país cada vez mais atrás em matéria de desenvolvimento e justiça social.


Década de Salomé, "Galinhas do Mato", José Afonso

quinta-feira, janeiro 14, 2010

O Haiti (também) é aqui

Ninguém está absolutamente a salvo da fúria da Natureza mas quando ela se abate impiedosamente sobre os mais desgraçados, os mais pobres, os mais deserdados por uma ordem económica internacional iníqua e imoral, como agora aconteceu no Haiti, a tragédia adquire a dimensão de um horrendo holocausto.
É nestas alturas que a selvajaria capitalista mostra bem o que representa para a maioria pobre da humanidade — uma maldição.
Como diz a canção, "O Haiti é aqui".

Antes que seja tarde

As agências de rating, afirmam que "Portugal e Grécia enfrentam risco de morte lenta". Depois da Islândia, elas estão assustadas, não com o nosso futuro ou o dos gregos, mas sim com os especuladores que querem recuperar o seu dinheiro. Mas o descrédito daquelas agências, que não foram sequer capazes de prever o afundamento da Islândia, nem dos países bálticos e nem dos próprios Estados Unidos, é cada vez maior.
Na realidade, a verdadeira morte lenta do nosso país é a progressiva desindustrialização de Portugal, o encerramento de sectores inteiros da economia nacional, o desemprego crescente, a falta de perspectivas para a juventude, a ausência de política energética, os investimentos ruinosos (como o novo aeroporto) programados pelo governo de Sócrates.
Este sombrio panorama foi preparado pelo PS e o PPD com a destruição do Sector Empresarial do Estado e é por isso que só com um novo programa de nacionalizações, a principiar pela banca privada, será possível inverter esta preocupante situação. Antes que seja tarde.

Antes O Poço Da Morte, "O Irmão Do Meio", Sérgio Godinho + Xutos & Pontapés

quarta-feira, janeiro 13, 2010

Tempos "modernos"

PCP quer pôr fim às 60 horas de trabalho semanal 
O actual Código Laboral, aprovado pela anterior maioria absoluta do P"S", permite que, em determinadas condições, os trabalhadores sejam obrigados a trabalhar 12 horas diárias, até um máximo de 60 horas semanais, sem a correspondente compensação remuneratória.



É a esta exploração abusiva e imoral, verdadeira escravatura da era moderna, atentatória da dignidade humana e da estabilidade familiar, que o PCP quer pôr cobro, indo para o efeito apresentar a debate no plenário da Assembleia da República um projecto de lei que prevê o seu fim.
Perante esta justa iniciativa, veremos como se comportam aqueles partidos que passam a vida a apregoar a defesa da família!…
Foi a trabalhar (Sérgio Godinho, "De pequenino se torce o destino")

segunda-feira, janeiro 11, 2010

Sem condições prévias

A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, disse hoje trabalhar para um reinício do diálogo entre Israel e os palestinianos "o mais cedo possível e sem condições prévias",  não confirmando a existência de qualquer plano e prevendo um ciclo de negociações em "dois anos" (leia-se interminável).
Depois de lhes roubarem a quase totalidade do território, a água, a segurança, a vida, os palestinianos têm ainda de suportar toda a sorte de hipocrisias.
Mas alguém que não seja completamente ingénuo ou moralmente desonesto acredita que os maiores amigos dos sionistas têm vontade política e são suficientemente imparciais para exigir o reconhecimento da pátria palestina?
Isso sim, devia ser feito já. Para acabar de vez com uma das maiores vergonhas da história contemporânea. Sem condições prévias.

quarta-feira, dezembro 30, 2009

Receita de Ano Novo

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação como todo o tempo já vivido
(mal vivido ou talvez sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?).
Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de Janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

Carlos Drummond de Andrade, 1997

O 'socialismo' segundo Mário Soares



Temos profundas desigualdades sociais, um défice assustador e um endividamento elevado, políticos e empresários cuja seriedade deixa muito a desejar. Mas, que diabo, após 35 anos de governação do P"S" e da Direita, apesar de muita gente não ter emprego e muitos mais viverem na pobreza, "já ninguém anda descalço em Portugal".
Somos uns mal agradecidos!…

terça-feira, dezembro 29, 2009

Os palhaços

Apesar de todo o populismo e justicialismo que emana das crónicas de Mário Crespo, neste vídeo é o próprio que deixa perceber as suas convicções e as soluções políticas que defende para a governação do país, as quais, ao fim de 35 anos, mostraram bem o que (não) valem ao conduzir Portugal ao estado comatoso em que se encontra.
Chamar, por isso, Sócrates de palhaço, escondendo que outros palhaços contribuíram para a situação que hoje vivemos, não é propriamente jornalismo mas antes uma… palhaçada.

Falta de juízo

Os dados ontem divulgados pela SIBS, mostram que por comparação com 2008, entre 1 e 26 de Dezembro, os portugueses levantaram mais dinheiro (2,53%) e gastaram mais nas compras (subida de 10,64%). Só num dia esturraram 380 milhões de euros!
Isto acontece num país com cerca de 600 mil desempregados, quase 2 milhões de pobres e um nível de vida 25% abaixo da média comunitária!
Perante esta crua realidade, só posso concluir que também devemos padecer de um elevado défice de juízo. Parece-me.

A loucura não tem fim

A crise veio para ficar e cavar cada vez mais o fosso entre uma maioria crescente de pobres e explorados e uma minoria cada vez mais rica e sem escrúpulos.
O pico petrolífero é uma realidade. A produção de petróleo já não cresce desde 2004 e, a partir de agora, o ouro negro vai caminhar inexoravelmente para o esgotamento.
Porém, a loucura parece não ter fim. E ninguém se mostra disposto a travar a marcha da Humanidade para o abismo.

segunda-feira, dezembro 28, 2009

Tratar da vidinha

Temos os salários mais baixos da União Europeia e um salário mínimo que, apesar do recente aumento, se fica por uns míseros 475 euros, o qual, mesmo assim, não é pago em muitas 'empresas'. E somos o país da União Europeia onde o investimento público, nos últimos dez anos, teve o maior recuo, com uma diminuição média de 4,6% ao ano em termos reais.
Sabe-se agora também que Portugal é dos países europeus em que a assistência às famílias é mais reduzida, representando a transferência de verbas do Estado para as famílias apenas 1,2% do PIB, enquanto a média europeia é 2,1% e a Dinamarca, o Luxemburgo e a Alemanha, que lideram, distribuem o equivalente a mais de 3% do PIB.
Em consequência, por cá, a percentagem de menores de 18 anos que pode cair na malha da pobreza atinge os 21%, enquanto a média europeia é de 19%.

Os governantes — não apenas os actuais mas também os que os precederam — não se cansam de propagandear que têm apoiado as famílias, as empresas, os trabalhadores, mas os resultados estão à vista! Afinal o que é que têm andado a fazer?… A tratar da vidinha, claro.


sábado, dezembro 26, 2009

Mentiroso compulsivo

"Entre 1998 e 2008 Portugal foi o país da União Europeia onde o investimento público teve o maior recuo, com uma diminuição média de 4,6% ao ano em termos reais."
"O Eurostat indica que o investimento público total em Portugal correspondia, em 2004, a 3,1% do PIB. Já em 2008 este valor fica-se pelos 2,1% do PIB", verificando-se assim uma "redução em percentagem do PIB de cerca de 32%."
O Primeiro-ministro passa a vida a afirmar que tem privilegiado o investimento público. Porém, como os números demonstram uma vez mais, Sócrates não passa de um mentiroso compulsivo que, em vez de relançar a economia através do apoio ao investimento, preferiu enterrar milhões de euros na banca especulativa.
Assim nunca mais sairemos da crise.

Lembrar Gaza

VIGÍLIA
27 de Dezembro das 15h às 19h
em frente à Embaixada de Israel
  • Para evocar o massacre de Gaza! 
  • Para exigir o fim do cerco ilegal a Gaza! 
  • Para apelar ao apuramento da responsabilidade pelos crimes de guerra e crimes contra a Humanidade! 

No dia 27 de Dezembro de 2008, as forças armadas do Estado de Israel desencadearam um assalto militar em larga escala contra toda a população de Gaza, após ano e meio de um bloqueio
cruel que transformou 1,5 milhão palestinianos em reclusos nas suas próprias casas.
Os bombardeamentos massivos dos primeiros dias culminaram numa invasão devastadora. Na operação militar “Chumbo fundido” as forças armadas israelitas lançaram fósforo branco
sobre zonas urbanas densamente povoadas e lançaram fogo a mesquitas, escolas, hospitais, cimenteiras, instalações da ONU, padarias e habitações.
Finda em 18 de Janeiro de 2009, a operação assassinou mais de 1400 palestinianos, a maior parte civis – crianças, mulheres e idosos – e causou ainda milhares de feridos em três semanas de violência desmedida.
Israel invocou auto-defesa como justificação para o ataque contra Gaza e chamou à operação uma guerra, mas, na verdade, foi um massacre! A consciência do mundo ficou chocada com esta demonstração de força militar desumana.



Passado um ano sobre o massacre, o cerco ilegal a Gaza continua e a ocupação e colonização israelita dos territórios palestinos intensifica-se. e não permite ao povo palestino recuperar da destruição.
Não nos podemos esquecer de Gaza!
A Iniciativa “Lembrar Gaza” convoca, por isso, uma vigília, no próximo dia 27 de Dezembro, pelas 15h, frente à Embaixada de Israel, em Lisboa, para evocar, solenemente, as vítimas e a destruição, os crimes de guerra e contra a Humanidade e exigir o cumprimento do direito internacional e o levantamento do cerco ilegal a Gaza!

terça-feira, dezembro 22, 2009

O choque eléctrico

A Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos, que controla os preços da electricidade no mercado regulado e cujo presidente foi nomeado pelo primeiro governo de Sócrates, anunciou que o preço da electricidade para as famílias, em 2010, iria aumentar 2,9%. Esta subida é superior a mais do dobro da previsão feita por vários organismos internacionais (OCDE, FMI, BdP), sendo que os trabalhadores não têm garantido idêntico aumento salarial. Se tal se verificar os portugueses terão de pagar, pela mesma quantidade de quilowatts, mais 251,5 milhões de euros, um choque eléctrico absolutamente insuportável, não só pelas razões anteriormente referidas, mas também porque:
  • o preço da electricidade em Portugal é já superior (em cerca de 2,3%) ao preço médio da União Europeia; 
  • o poder de compra das famílias portuguesas está muito abaixo (cerca de 25%) da média comunitária; e 
  • a EDP, cujo principal accionista é o Estado, só nos primeiros nove meses de 2009, já arrecadou mais de 800 milhões de euros de lucros líquidos. 

É nisto que consiste a política económica dos governos de Sócrates: garantir lucros exorbitantes à EDP, à GALP, à Banca, mesmo que isso acarrete a falência de milhares de PME's, o desemprego de centenas de milhares de trabalhadores, o agravamento do nível de vida da maioria da população, a estagnação da economia e do país.

segunda-feira, dezembro 21, 2009

Parabéns Carlos do Carmo!

Fadista de Abril, tem cantado alguns dos melhores autores e compositores (José Carlos Ary dos Santos, Fernando Tordo, Paulo de Carvalho, José Mário Branco e José Luís Tinoco). Homem da cidade, do país, do mundo, tem sido um dos maiores embaixadores da cultura portuguesa.
Carlos do Carmo, faz hoje 70 anos. Desejamos-lhe as maiores felicidades e, como prenda, a aprovação da candidatura do fado a Património Mundial.



sábado, dezembro 19, 2009

Copenhaga: O falhanço da hipocrisia

Os Estados Unidos têm, ao todo, 300 milhões de habitantes; a China tem quase cinco vezes mais população que os Estados Unidos. Os Estados Unidos consomem mais de 20 milhões de barris diários de petróleo; a China chega, apenas, a cinco ou seis milhões. Não se pode pedir o mesmo aos Estados Unidos e à China. Com a agravante de se comprometerem com escassos 3,6 mil milhões de dólares em ajudas aos países mais vulneráveis ao mesmo tempo que enterram mais 636 mil milhões (cerca de 176 vezes mais!) nas guerras justas do Iraque e do Afeganistão.
Só os menos atentos ou mais ingénuos ainda se podem admirar que a tentativa de acordo para a redução da emissão de gases poluentes e a cooperação a longo prazo tenha fracassado. Foi o falhanço previsível da hipocrisia. A razão parece-nos evidente: a atitude irresponsável e a falta de vontade política das nações mais poderosas do planeta para atenuar o abismo que as separa dos países pobres.

O Titanic começa a afundar-se

Em 2010, novo ponto de viragem da crise sistémica global:
O nó corrediço dos défices públicos começa a estrangular estados e sistemas sociais


Segundo o LEAP/ E2020, a crise sistémica global vai experimentar um novo ponto de inflexão a partir da Primavera de 2010. Com efeito, nesta data, as finanças públicas dos principais países ocidentais vão-se tornar inadministráveis porque, por um lado, novas medidas de apoio à economia se impõem devido ao fracasso dos estímulos de 2009 e, por outro, a amplitude dos défices orçamentais proíbe qualquer nova despesa significativa.
Se este "nó corrediço" dos défices públicos que, em 2009, os governos puseram voluntariamente à volta do do pescoço, ao recusarem-se a obrigar o sistema financeiro a assumir o preço dos seus erros, vai pesar duramente sobre o conjunto das despesas públicas, ele vai afectar muito particularmente os sistemas sociais dos países ricos empobrecendo cada vez mais a classe média e os reformados e deixando os mais desfavorecidos à deriva.



Paralelamente, a cessação de pagamentos de um número crescente de estados e de colectividades locais (regiões, províncias, estados federados) vai provocar um duplo fenómeno paradoxal de subida das taxas de juros e de fuga das divisas rumo ao ouro. Diante da ausência de uma alternativa organizada a um dólar estado-unidense cada vez mais fraco e a fim de encontrar uma alternativa à perda de valores dos títulos do tesouro (em particular americanos), os bancos centrais do mundo inteiro deverão em parte "reconverter-se ao ouro", o velho inimigo da Reserva Federal dos EUA, ainda que sem o declararem oficialmente. Com o desafio da retoma já completamente perdido pelos governos e pelos bancos centrais, este ponto de inflexão da Primavera de 2010 vai representar o princípio da transferência maciça dos 20 milhões de milhões de "activos fantasmas" para os sistemas sociais dos países que os acumularam. ver artigo completo em português

O capitalismo está irreversivelmente moribundo e o Estado social caminha a passos largos para a implosão. O mais grave é que a grande maioria continua despreocupadamente a dançar ao som da orquestra enquanto o Titanic começa a afundar-se.

quinta-feira, dezembro 17, 2009

A nova 'religião'

Quando, em nome de obscuros desígnios, o poder político e o poder económico manipulam ou condicionam a investigação científica e transformam a generalidade dos meios de comunicação em meros instrumentos da sua propaganda, ficam criadas as condições para que o que deveria ser 'apenas' uma esclarecida e serena defesa do meio ambiente e uma cuidada gestão e utilização dos recursos naturais se transforme numa atitude fundamentalista e persecutória dos que ousam duvidar da 'certeza' do  aquecimento global. As provas dão lugar a uma fé cega. A ciência cede o lugar a uma nova 'religião'.
Tal como as outras religiões, também muitos priores do ambientalismo querem converter os nativos. Os nativos de África, da América Latina e da Ásia. Os principais priores, tendo beneficiado toda a vida das toneladas de CO2 já emitidas, dizem agora aos nativos que não devem fazer o mesmo... os nativos parecem não estar pelos ajustes, porque têm a sua quota de desenvolvimento a cumprir. E, quando os nativos são chineses e poluem todos ao mesmo tempo, tudo se torna difícil... E, quando os nativos são brasileiros e nós, das nossas florestas destruídas na Europa, lhes pedimos que não destruam a deles, a coisa torna-se complicada. (Henrique Monteiro, Expresso)
Mas a hipocrisia 'climática' dos poderosos não tem limites e há já banqueiros e especuladores a esfregar as mãos de contentes a arquitectar novas negociatas com o carbono.
Enfim, à ganância capitalista todos os meios servem para alcançar os seus objectivos. Sempre assim foi.

terça-feira, dezembro 15, 2009

A Grande Fraude do Aquecimento Global

O Canal 4 britânico produziu um documentário que arrasa cientificamente a tese dominante que nos pretende convencer que o aquecimento global seria causado pelo CO2 produzido pelo Homem.
Intitulado A Grande Fraude do Aquecimento Global, não foi, ao que parece, exibido por nenhuma das redes de televisão dos EUA (nem de Portugal, claro) mas, felizmente, está disponível no You Tube.

A todos os que se preocupam com a verdade e não querem ser levados no embuste, recomendamos que vejam e tirem as suas conclusões.
É longo (são 9 fragmentos de cerca de 9 minutos cada) mas, em nossa opinião, vale bem a pena.

Cliquem aqui para abrir o primeiro fragmento. Os restantes aparecem na página do You Tube, nos  Vídeos relacionados.

A impostura global

[…] Com base nos erros teóricos e práticos do IPCC foi propagandeada uma gigantesca histeria global que inoculou políticos de todo o mundo e deu azo a toda espécie de oportunismos, manifestações de ignorância e trafulhices. Para isso muito contribuíram aldrabões como o sr. Al Gore (vice-presidente dos EUA no governo Clinton), que promoveu activamente o terrorismo climático através do livro e do filme  Uma verdade inconveniente.  Instilar o medo a fim de vender a solução tem sido uma táctica dos espertalhaços de todos os tempos. Este caso não foge à regra, pois Gore e outros inventaram o novo  business  da venda dos direitos de emissão de carbono – e os banqueiros da Wall Street obviamente rejubilaram. Alguns indivíduos especializaram-se nessas loucas previsões catastrofistas. É o caso por exemplo do sr. James Hansen, o pai disto tudo, que até fala em subidas do nível dos mares da ordem das dezenas (!) de metros.

Aquecimento global: não há mas pode vir a haver.

Há muito se sabe que a influência humana na evolução da temperatura da superfície depende não só de emissões antropogénicas de CO2, mas também de outros gases como ozónio, metano, óxido nitroso e HCFC's. Porém, há uns quantos anos, passou-se a dar também bastante importância à fuligem – partículas em suspensão emitidas nas oxidações imperfeitas do carbono. Nestas combustões, realizadas a temperaturas relativamente baixas, o produto resultante não é o saudável, incolor, inodoro e insípido CO2, mas uma fumaça preta e contaminante, que, além disso, aquece a superfície e o ar.


Contribuição radiactiva (arrefecimento ou aquecimento) das emissões, nos próximos 20 anos

Há, porém, um gás, o SO2 (dióxido de enxofre), emitido na combustão de carvão "sujo", que resfria a superfície terrestre, já que, com a água, na atmosfera, produz sulfatos e nuvens sulfurosas que reflectem a radiação solar, fazendo com que esta retorne de novo para o espaço extraterrestre. Fora dos informes científicos do IPCC e das revistas especializadas, fala-se pouco dele e da sua circunstância, com a crença de que convém manter os funcionários, os políticos e os jornalistas, numa eterna e supimpa ignorância de tudo o que não seja a aversão da esferográfica ao CO2.
De um artigo na revista Science extraio e redesenho o gráfico acima. Trata-se da contribuição radiactiva, medida em Watts por metro quadrado, dentro de 20 anos, provocada pelas emissões humanas que se realizarão normalmente nos próximos 20 anos (não considerando o CO2 e os outros gases acumulados no ar e emitidos no passado).
Resulta que, segundo estes cálculos, o efeito arrefecedor do SO2 que se emitirá nos próximos 20 anos (devido essencialmente à queima de carvão na China e na Índia) é maior que o efeito aquecedor do CO2 que se emitirá conjuntamente. Isto quer dizer que se em 20 anos forem fechadas as centrais termoeléctricas a carvão, a redução da concentração atmosférica dos sulfatos provocaria no curto prazo um significativo aquecimento do ar. Agora, vá você tentar explicar isto à caterva de 15.000 imbecis em Copenhague!…

Tradução livre do blog CO2, de Antón Uriarte. Para ver o original, clique aqui.

segunda-feira, dezembro 14, 2009

Cada um tem o que merece

Os italianos, que maioritariamente parecem continuar a apoiar o seu mafioso e neo-fascista primeiro-ministro.
Berlusconi que, até ontem, julgava que ninguém era suficientemente corajoso para lhe dar nas fuças.

79 milhões por um Orçamento

Habituado ao quero, posso e mando da maioria absoluta, Sócrates é definitivamente incapaz de dialogar, condição imprescindível para quem tem de governar em minoria.
Vai daí recorre ao truque da chantagem e queixa-se que Portugal é ingovernável se for aprovado um "Orçamento feito com base em coligações entre a extrema-esquerda e a direita".
Curiosamente, minutos depois do Ministro das Finanças ter afirmado, no seu discurso na Assembleia, que "o País não vai continuar a pagar os desvarios da Madeira", a proposta do PSD para aumentar em até 79 milhões de euros a capacidade de endividamento do arquipélago foi aprovada com a abstenção do partido de Sócrates.
A troco de quê, é o que já não faltará muito para sabermos. Será a aprovação do Orçamento?

Baixos salários e (In)segurança Social

O Governo pretende premiar as empresas que pagam baixos salários. O prémio é de 26,6 milhões de euros e será retirado à Segurança Social.

A pretexto do aumento do salário mínimo nacional, em 2010, de 450 para 475 euros, o governo pretende baixar a taxa de contribuição para a Segurança Social das empresas que pagam apenas o salário mínimo nacional em 1 ponto percentual, ou seja, reduzir a taxa actual de 23,75% para 22,75%. Desta forma, devido a esta redução, a Segurança Social vai perder uma receita de 26,6 milhões de euros por ano.
Salário mínimo nacional em vários países da UE
Serão, portanto, menos 26,6 milhões de euros para combater a pobreza e apoiar os desempregados. E será, por outro lado, um incentivo à manutenção dum modelo baseado em baixos salários, que é a causa da baixa produtividade e da falta de competitividade da nossa economia e a razão pela qual a crise em Portugal está a ser mais grave e a recuperação da economia muito mais lenta, longa e difícil. artigo original

quinta-feira, dezembro 10, 2009

Prémio Nobel da Guerra

Obama recebeu hoje em Oslo o Prémio Nobel da Paz. No discurso da cerimónia, o presidente americano não se coibiu, no entanto, de defender a guerra. Uma guerra justa para a paz, como lhe chamou que, na semana passada, lhe permitiu enviar mais 30 mil soldados para o Afeganistão onde, diariamente, como já acontecia (e acontece) no Iraque, dezenas de civis inocentes são chacinados. Um cínico conceito de guerra justa para a paz que o leva a continuar o bloqueio genocida a Cuba, a não encerrar definitivamente o campo de concentração de Guantánamo e a permitir que os seus amigos israelitas continuem a humilhar os palestinianos, cortando-lhes a energia eléctrica e a água, construindo novos assentamentos nos territórios ocupados e submetendo-os a todo o tipo de maus tratos. Guerra justa para a paz que o leva ainda a exigir ao Irão e à Coreia do Norte que cessem os seus projectos nucleares enquanto nada diz sobre o arsenal nuclear de Israel, um dos mais poderosos do mundo.



No seu discurso, Obama chegou a dizer que outros mereciam o prémio mais do que ele. E é verdade.
Razão tem o ex-presidente de Cuba, Fidel Castro, ao acusar o presidente americano de cinismo por ter aceitado o Prémio Nobel da Paz quando já tinha decidido levar a guerra do Afeganistão até as últimas consequências.

Cortar nas despesas públicas? Quais???

O orçamento rectificativo confirma evasão e fraude fiscal (só no IVA, em 2009, foi mais de €1200 milhões) e sugere o futuro aumento dos impostos.


O governo acabou de apresentar na Assembleia da República um 2º Orçamento de Estado Rectificativo com um défice de 13.800 milhões de euros, ou seja, mais do triplo que o inicialmente previsto (inicial: 2,2%; agora: mais de 8,5%), com a justificação da redução significativa da receita fiscal que, segundo ele, se deve quase exclusivamente à crise. A direita (PSD e CDS) afirma que o aumento do défice se deve ao "descontrolo da despesa". Portanto ambos (governo e direita) procuram ocultar as suas intenções e ocultar também uma das causas mais importantes da grave situação orçamental: a evasão e a fraude fiscal. Ao tentarem reduzir todo o debate à "crise  versus  descontrolo da despesa", o que procuram é, portanto, impedir qualquer explicação séria para o descalabro registado.
Se se analisar a execução do OE para 2009 até Outubro deste ano, conclui-se que até esse mês, relativamente a idêntico período de 2008, as despesas do Estado aumentaram 5,8%. E a subida deveu-se fundamentalmente ao aumento das despesas de capital (investimentos) que cresceram 32,3%, que são importantes para criar postos de trabalho e reduzir o aumento do desemprego; ao aumento das transferências para a Segurança Social, CGA, SNS, etc., que cresceram 21,4%, fundamentais no combate à pobreza (pensões sociais, RSI, acção social), no pagamento das pensões de aposentação e na prestação de cuidados de saúde à população.
As despesas com pessoal, cujos trabalhadores são tão atacadas, diminuíram nos dez primeiros meses em -18,2% (menos cerca de 2.000 milhões de euros do que em 2008). Portanto, o que a direita pretende ao falar no "descalabro das despesas" é reduzir as despesas do Estado que são fundamentais no combate à crise embora não tenha coragem para o declarar abertamente. Para isso ela oculta as suas intenções por trás de "palavras virtude" (combate ao descalabro das despesas) de aceitação fácil, imediata e generalizada. E isto porque é de prever que não esteja contra o gasto, só na Administração Central, de 677,7 milhões de euros nos primeiros 10 meses de 2009, na aquisição de serviços, que beneficia fundamentalmente os grandes escritórios de advogados. ler mais

segunda-feira, dezembro 07, 2009

Quem é grande é imortal

Trinta e seis anos depois de ter sido assassinado no estádio Chile, onde foi submetido a cinco dias consecutivos de tortura, o cantautor chileno Victor Jara terá desde hoje até às dez horas do próximo sábado um velório simbólico na sede da fundação com o seu nome, na Praça Brasil, em Santiago do Chile. Sábado, depois de um vasto conjunto de iniciativas culturais com música e poesia, será feito o funeral para o cemitério Geral, onde os seus restos mortais foram exumados.
Vítor Jara foi detido a 11 de Setembro de 1973, horas depois de iniciado o golpe de Estado desencadeado por Augusto Pinochet contra o governo de unidade popular de Salvador Allende. Levado para o estádio onde passaram a ser concentrados os prisioneiros por falta de espaço nas prisões, o também dramaturgo foi submetido a várias sessões de tortura e acabou por ser assassinado.
Destacado militante comunista, Jara era um conhecido apoiante do presidente socialista Salvador Allende. A documentação revelada o ano passado pela justiça chilena demonstra que o cantor foi torturado, as suas mãos - com que tocava viola - esmagadas à coronhada e, finalmente, abatido a tiro. A investigação ao brutal assassínio deste símbolo internacional da resistência contra o regime de Pinochet decorria desde 2005. via Expresso



Yo no canto por cantar
ni por tener buena voz
canto porque la guitarra
tiene sentido y razon,
tiene corazon de tierra
y alas de palomita,
es como el agua bendita
santigua glorias y penas,
aqui se encajo mi canto
como dijera Violeta
guitarra trabajadora
con olor a primavera.

Que no es guitarra de ricos
ni cosa que se parezca
mi canto es de los andamios
para alcanzar las estrellas,
que el canto tiene sentido
cuando palpita en las venas
del que morira cantando
las verdades verdaderas,
no las lisonjas fugaces
ni las famas extranjeras
sino el canto de una alondra
hasta el fondo de la tierra.

Ahi donde llega todo
y donde todo comienza
canto que ha sido valiente
siempre sera cancion nueva.

domingo, dezembro 06, 2009

O fantoche Obama

Não levou muito tempo para o lobby de Israel submeter o presidente Obama quanto à sua proibição de novos colonatos israelenses na terra palestina ocupada. Obama descobriu que um mero presidente americano está sem poderes quando confrontado com o lobby de Israel e que aos Estados Unidos simplesmente não é permitido uma política para o Médio Oriente separada da de Israel.
Obama também descobriu que não pode mudar seja o que for, se é que pretendia fazê-lo.
 O lobby militar/ segurança tem na sua agenda a guerra e um estado policial interno, e um mero presidente americano nada pode fazer acerca disso.



O presidente Obama pode ordenar que a câmara de tortura de Guantánamo seja fechada e que os sequestros, "rendições" e tortura sejam travados, mas ninguém executa a ordem.
No essencial, Obama é irrelevante.
O presidente Obama pode prometer que vai trazer as tropas para casa e o lobby militar diz: "Não, você vai enviá-las para o Afeganistão e nesse meio tempo começar uma guerra no Paquistão e manobrar o Irão para uma posição que proporcionará uma desculpa para uma guerra ali, também. As guerras são demasiado lucrativas para nós deixarmos você cessá-las".
E o mero presidente tem de dizer: "Yes, Sir!"

Negócios porcos

Independentemente do perigo que verdadeiramente possa constituir para a população, que está ainda longe de ser rigorosamente avaliado, de uma coisa já temos absoluta certeza: a gripe A constitui uma excelente oportunidade de negócio. Primeiro, para as multinacionais da indústria farmacêutica que, presumivelmente, terão estado por trás da criação laboratorial do H1 N1, como aqui é evidenciado.



Depois, para o sector de produtos de desinfecção e higiene. E agora, para as empresas que conceberam o miraculoso "distribuidor de hóstias", do qual se espera — já que parece não haver a certeza que Deus todo poderoso garanta a completa segurança da sagrada comunhão — que evite que o corpo de Cristo se transforme num agente de propagação da gripe suína.
Enfim, negócios cuja limpeza deixa muito a desejar! Digamos… negócios porcos!

quinta-feira, dezembro 03, 2009

Saramago, homem como nós

Em Caim, mais do que ajustar contas com o Deus caprichoso, vingativo, faccioso, dessa extraordinária obra de ficção que é a Bíblia, José Saramago revela a sua fé inabalável no Homem, com todos os seus inúmeros defeitos, mas também as suas imensas qualidades.


 Foto: José Frade

Mais do que um grande escritor e um Prémio Nobel da Literatura, Saramago é um ser solidário, humano, empenhado. O que escreve, o que diz, o que faz, atestam-no. Permanentemente.

Depois da crise, mais crise!

Portugal vai ter uma "recuperação fraca e frágil de cerca de 0,5 por cento em 2010", estima o Fundo Monetário Internacional (FMI) na sua análise à economia portuguesa. Nada que já não fosse de prever. Para além da crise internacional, Portugal debate-se com a sua própria crise. Só José Sócrates não o admite tentando esconder os desastrosos resultados da sua não menos desastrada governação. Mas é o mesmo que tapar o sol com a peneira!
Com uma dívida pública a caminho dos 100% do PIB e um défice orçamental equivalente a 8,5% do PIB, o FMI vem com a mesma receita de sempre: a consolidação orçamental passa pela redução da despesa, especialmente da massa salarial dos funcionários públicos. E se não for suficiente, pelo aumento do IVA.
Nos ordenados milionários dos administradores e nas reformas douradas é que não se toca, claro.

quarta-feira, dezembro 02, 2009

Governo não respeita a Justiça

O ministro Vieira da Silva disse hoje que mantém a expressão "espionagem política" para classificar "a violação da lei e do segredo do Justiça" no âmbito do processo Face Oculta, rejeitando ter responsabilizado algum sector em concreto.



Ora, não é preciso ser-se muito inteligente para perceber que Vieira da Silva se refere aos investigadores, magistrados e juízes do processo o que, num Estado de Direito, que entre outras coisas, se caracteriza pela separação de poderes, representa uma interferência intolerável do poder executivo no poder judicial e na sua acção.
Numa democracia a sério, o ministro, que em vez de se retratar manteve a acusação miserável a um poder soberano e independente, devia ser demitido sem contemplações. Mas isso não irá acontecer. Este governo, que já deu provas de não respeitar os direitos e liberdades mais elementares dos cidadãos, não tem qualquer pejo de atacar a Justiça. Que, por dever de Estado, devia ser o primeiro a respeitar. cf DN

Quem é o Pinóquio?

Sócrates diz que emprego em Portugal vai recuperar já em 2010.
Teixeira dos Santos, avisou que a taxa de desemprego vai continuar a aumentar.
Obviamente, um dos dois está enganado. Ou, pior do que isso, a mentir.


O monstro do desemprego

A taxa de desemprego passou a fasquia dos 10% e atingiu o recorde de 10,1%. É o valor mais alto desde 1983. O valor calculado pelo Eurostat vem relembrar, com particular dramatismo, que o desemprego é o problema mais grave que Portugal tem de enfrentar. É uma questão que vai para além da economia, dadas as fortes implicações sociais, políticas e até na segurança interna do país.
O desemprego é o maior drama para muitas famílias portuguesas, não só porque elimina as suas fontes de rendimento como gera um sentimento de inutilidade perante os outros que penaliza as pessoas desempregadas. Além disto, é um dos principais factores de agravamento da pobreza.



O desemprego em Portugal está, portanto, a subir e a nossa taxa de desemprego é já bastante superior à média europeia (9,3%), sendo a quarta mais elevada da zona euro, apenas ultrapassada pelas da Espanha (19,3%), Irlanda (12,8%) e Eslováquia (12,2%).
Esta situação é o resultado de uma política que injectou milhões de euros na Banca que apenas serviram para aumentar os lucros do capital financeiro e esqueceu o apoio às PME's e a muitos milhares de desempregados que não recebem um cêntimo de subsídio. Uma política que agravou drasticamente o défice orçamental e a dívida pública mas não promoveu o crescimento económico necessário à criação de emprego. cf. Público