segunda-feira, janeiro 18, 2010

Ai do Haiti!

A "ajuda" deles

O director-geral do FMI acaba de anunciar a sua intenção de mobilizar uma "ajuda" de 100 milhões de dólares para o Haiti. Diz ele que isso será feito através de uma "facilidade ampliada de crédito". Ou seja, os haitianos terão de devolver tal ajuda, mesmo que estejam debaixo de escombros. E devolver com juros. Com ajudas assim, os haitianos ficam ainda mais desgraçados do que já estavam!
Por outro lado, o controle do aeroporto de Port-au-Prince pela U.S. Air Force já está a prejudicar severamente o Haiti. Os militares americanos proibiram a aterragem de um avião francês que transportava um hospital de campanha e dez equipes de cirurgiões. A ocupação militar do país pelo imperialismo, sob o pretexto da "ajuda humanitária", já é uma situação de facto. Os EUA, que não souberam ajudar o seu próprio povo quando o furacão Katrina devastou Nova Orleães, arrogam-se agora ao direito de enviar porta-aviões como "ajuda" às vítimas no Haiti. Após um terramoto, uma ocupação militar. (*)



Pacto com o Diabo

O racismo acaba de atingir profundidades nunca imaginadas pelo conde Gobineau. O reverendo Pat Robertson, um fanático da extrema-direita estado-unidense, acaba de dar a sua "explicação" para o terramoto que assolou o Haiti. Diz ele que se trata de um castigo divino pelo facto de 200 anos atrás os escravos haitianos terem-se rebelado e libertado dos seus amos franceses. (O vídeo com a entrevista deste "teólogo" encontra-se aqui).
Mas a estupidez é contagiosa. O bispo espanhol José Ignacio Munilla minimiza a catástrofe, asseverando ele "há males maiores que o do Haiti, como a nossa situação espiritual" (sic). (A notícia encontra-se aqui). (*)

Uma coisa é indubitavelmente certa: como se vê, 127 anos depois da sua morte, Marx continua a ter razão — a religião é o ópio povo.

Fim do bloqueio a Gaza!

A Amnistia Internacional pediu a Israel o levantamento imediato do bloqueio imposto à Faixa de Gaza, considerando injusta esta "punição" que atinge em cerca de 1,5 milhões de habitantes.



Mas os terroristas sionistas, que têm o apoio daqueles que há quase 50 anos fazem o mesmo a Cuba, vão seguramente ignorar o pedido da AI, como sempre fizeram com os pedidos de outras organizações e com os protestos da opinião pública mundial.
Como os Estados Unidos, Israel não respeita o Direito Internacional. E o Tribunal Penal Internacional é para os outros.

Nefretite não tinha papeira, Venham Mais Cinco, José Afonso

Má sina estar desempregado

Na Banca foram esbanjados milhões de euros mas o Estado gasta cada vez menos com os desempregados.
Má sina estar no desemprego. Especialmente em Portugal.

sexta-feira, janeiro 15, 2010

O P"S" à frente, o país atrás!

Portugal está de rastos.
Com uma dívida superior ao valor do PIB, um défice incontrolável, um volume de desemprego dramaticamente crescente.
E cada vez mais desigual, com uma minoria mais e mais rica e uma maioria a sobreviver como pode.
Para nos animar, dizem-nos que o pior já passou, que logo mais iremos recomeçar a crescer. O que não esclarecem é que, ainda que isso venha a acontecer, continuaremos a afastar-nos da média europeia. Porque, mesmo que a crise internacional abrande, o que não é de todo seguro, havemos de continuar a carregar com a nossa, a que resulta de 30 anos de "alternância" governativa do P"S" e da Direita.
Mas a maioria do povo, que aguentou docilmente uma ditadura de 48 anos, gosta. Por isso o P"S" continua à frente nas intenções de voto. E o país cada vez mais atrás em matéria de desenvolvimento e justiça social.


Década de Salomé, "Galinhas do Mato", José Afonso

quinta-feira, janeiro 14, 2010

O Haiti (também) é aqui

Ninguém está absolutamente a salvo da fúria da Natureza mas quando ela se abate impiedosamente sobre os mais desgraçados, os mais pobres, os mais deserdados por uma ordem económica internacional iníqua e imoral, como agora aconteceu no Haiti, a tragédia adquire a dimensão de um horrendo holocausto.
É nestas alturas que a selvajaria capitalista mostra bem o que representa para a maioria pobre da humanidade — uma maldição.
Como diz a canção, "O Haiti é aqui".

Antes que seja tarde

As agências de rating, afirmam que "Portugal e Grécia enfrentam risco de morte lenta". Depois da Islândia, elas estão assustadas, não com o nosso futuro ou o dos gregos, mas sim com os especuladores que querem recuperar o seu dinheiro. Mas o descrédito daquelas agências, que não foram sequer capazes de prever o afundamento da Islândia, nem dos países bálticos e nem dos próprios Estados Unidos, é cada vez maior.
Na realidade, a verdadeira morte lenta do nosso país é a progressiva desindustrialização de Portugal, o encerramento de sectores inteiros da economia nacional, o desemprego crescente, a falta de perspectivas para a juventude, a ausência de política energética, os investimentos ruinosos (como o novo aeroporto) programados pelo governo de Sócrates.
Este sombrio panorama foi preparado pelo PS e o PPD com a destruição do Sector Empresarial do Estado e é por isso que só com um novo programa de nacionalizações, a principiar pela banca privada, será possível inverter esta preocupante situação. Antes que seja tarde.

Antes O Poço Da Morte, "O Irmão Do Meio", Sérgio Godinho + Xutos & Pontapés

quarta-feira, janeiro 13, 2010

Tempos "modernos"

PCP quer pôr fim às 60 horas de trabalho semanal 
O actual Código Laboral, aprovado pela anterior maioria absoluta do P"S", permite que, em determinadas condições, os trabalhadores sejam obrigados a trabalhar 12 horas diárias, até um máximo de 60 horas semanais, sem a correspondente compensação remuneratória.



É a esta exploração abusiva e imoral, verdadeira escravatura da era moderna, atentatória da dignidade humana e da estabilidade familiar, que o PCP quer pôr cobro, indo para o efeito apresentar a debate no plenário da Assembleia da República um projecto de lei que prevê o seu fim.
Perante esta justa iniciativa, veremos como se comportam aqueles partidos que passam a vida a apregoar a defesa da família!…
Foi a trabalhar (Sérgio Godinho, "De pequenino se torce o destino")

segunda-feira, janeiro 11, 2010

Sem condições prévias

A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, disse hoje trabalhar para um reinício do diálogo entre Israel e os palestinianos "o mais cedo possível e sem condições prévias",  não confirmando a existência de qualquer plano e prevendo um ciclo de negociações em "dois anos" (leia-se interminável).
Depois de lhes roubarem a quase totalidade do território, a água, a segurança, a vida, os palestinianos têm ainda de suportar toda a sorte de hipocrisias.
Mas alguém que não seja completamente ingénuo ou moralmente desonesto acredita que os maiores amigos dos sionistas têm vontade política e são suficientemente imparciais para exigir o reconhecimento da pátria palestina?
Isso sim, devia ser feito já. Para acabar de vez com uma das maiores vergonhas da história contemporânea. Sem condições prévias.

quarta-feira, dezembro 30, 2009

Receita de Ano Novo

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação como todo o tempo já vivido
(mal vivido ou talvez sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?).
Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de Janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

Carlos Drummond de Andrade, 1997

O 'socialismo' segundo Mário Soares



Temos profundas desigualdades sociais, um défice assustador e um endividamento elevado, políticos e empresários cuja seriedade deixa muito a desejar. Mas, que diabo, após 35 anos de governação do P"S" e da Direita, apesar de muita gente não ter emprego e muitos mais viverem na pobreza, "já ninguém anda descalço em Portugal".
Somos uns mal agradecidos!…

terça-feira, dezembro 29, 2009

Os palhaços

Apesar de todo o populismo e justicialismo que emana das crónicas de Mário Crespo, neste vídeo é o próprio que deixa perceber as suas convicções e as soluções políticas que defende para a governação do país, as quais, ao fim de 35 anos, mostraram bem o que (não) valem ao conduzir Portugal ao estado comatoso em que se encontra.
Chamar, por isso, Sócrates de palhaço, escondendo que outros palhaços contribuíram para a situação que hoje vivemos, não é propriamente jornalismo mas antes uma… palhaçada.

Falta de juízo

Os dados ontem divulgados pela SIBS, mostram que por comparação com 2008, entre 1 e 26 de Dezembro, os portugueses levantaram mais dinheiro (2,53%) e gastaram mais nas compras (subida de 10,64%). Só num dia esturraram 380 milhões de euros!
Isto acontece num país com cerca de 600 mil desempregados, quase 2 milhões de pobres e um nível de vida 25% abaixo da média comunitária!
Perante esta crua realidade, só posso concluir que também devemos padecer de um elevado défice de juízo. Parece-me.

A loucura não tem fim

A crise veio para ficar e cavar cada vez mais o fosso entre uma maioria crescente de pobres e explorados e uma minoria cada vez mais rica e sem escrúpulos.
O pico petrolífero é uma realidade. A produção de petróleo já não cresce desde 2004 e, a partir de agora, o ouro negro vai caminhar inexoravelmente para o esgotamento.
Porém, a loucura parece não ter fim. E ninguém se mostra disposto a travar a marcha da Humanidade para o abismo.

segunda-feira, dezembro 28, 2009

Tratar da vidinha

Temos os salários mais baixos da União Europeia e um salário mínimo que, apesar do recente aumento, se fica por uns míseros 475 euros, o qual, mesmo assim, não é pago em muitas 'empresas'. E somos o país da União Europeia onde o investimento público, nos últimos dez anos, teve o maior recuo, com uma diminuição média de 4,6% ao ano em termos reais.
Sabe-se agora também que Portugal é dos países europeus em que a assistência às famílias é mais reduzida, representando a transferência de verbas do Estado para as famílias apenas 1,2% do PIB, enquanto a média europeia é 2,1% e a Dinamarca, o Luxemburgo e a Alemanha, que lideram, distribuem o equivalente a mais de 3% do PIB.
Em consequência, por cá, a percentagem de menores de 18 anos que pode cair na malha da pobreza atinge os 21%, enquanto a média europeia é de 19%.

Os governantes — não apenas os actuais mas também os que os precederam — não se cansam de propagandear que têm apoiado as famílias, as empresas, os trabalhadores, mas os resultados estão à vista! Afinal o que é que têm andado a fazer?… A tratar da vidinha, claro.


sábado, dezembro 26, 2009

Mentiroso compulsivo

"Entre 1998 e 2008 Portugal foi o país da União Europeia onde o investimento público teve o maior recuo, com uma diminuição média de 4,6% ao ano em termos reais."
"O Eurostat indica que o investimento público total em Portugal correspondia, em 2004, a 3,1% do PIB. Já em 2008 este valor fica-se pelos 2,1% do PIB", verificando-se assim uma "redução em percentagem do PIB de cerca de 32%."
O Primeiro-ministro passa a vida a afirmar que tem privilegiado o investimento público. Porém, como os números demonstram uma vez mais, Sócrates não passa de um mentiroso compulsivo que, em vez de relançar a economia através do apoio ao investimento, preferiu enterrar milhões de euros na banca especulativa.
Assim nunca mais sairemos da crise.

Lembrar Gaza

VIGÍLIA
27 de Dezembro das 15h às 19h
em frente à Embaixada de Israel
  • Para evocar o massacre de Gaza! 
  • Para exigir o fim do cerco ilegal a Gaza! 
  • Para apelar ao apuramento da responsabilidade pelos crimes de guerra e crimes contra a Humanidade! 

No dia 27 de Dezembro de 2008, as forças armadas do Estado de Israel desencadearam um assalto militar em larga escala contra toda a população de Gaza, após ano e meio de um bloqueio
cruel que transformou 1,5 milhão palestinianos em reclusos nas suas próprias casas.
Os bombardeamentos massivos dos primeiros dias culminaram numa invasão devastadora. Na operação militar “Chumbo fundido” as forças armadas israelitas lançaram fósforo branco
sobre zonas urbanas densamente povoadas e lançaram fogo a mesquitas, escolas, hospitais, cimenteiras, instalações da ONU, padarias e habitações.
Finda em 18 de Janeiro de 2009, a operação assassinou mais de 1400 palestinianos, a maior parte civis – crianças, mulheres e idosos – e causou ainda milhares de feridos em três semanas de violência desmedida.
Israel invocou auto-defesa como justificação para o ataque contra Gaza e chamou à operação uma guerra, mas, na verdade, foi um massacre! A consciência do mundo ficou chocada com esta demonstração de força militar desumana.



Passado um ano sobre o massacre, o cerco ilegal a Gaza continua e a ocupação e colonização israelita dos territórios palestinos intensifica-se. e não permite ao povo palestino recuperar da destruição.
Não nos podemos esquecer de Gaza!
A Iniciativa “Lembrar Gaza” convoca, por isso, uma vigília, no próximo dia 27 de Dezembro, pelas 15h, frente à Embaixada de Israel, em Lisboa, para evocar, solenemente, as vítimas e a destruição, os crimes de guerra e contra a Humanidade e exigir o cumprimento do direito internacional e o levantamento do cerco ilegal a Gaza!

terça-feira, dezembro 22, 2009

O choque eléctrico

A Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos, que controla os preços da electricidade no mercado regulado e cujo presidente foi nomeado pelo primeiro governo de Sócrates, anunciou que o preço da electricidade para as famílias, em 2010, iria aumentar 2,9%. Esta subida é superior a mais do dobro da previsão feita por vários organismos internacionais (OCDE, FMI, BdP), sendo que os trabalhadores não têm garantido idêntico aumento salarial. Se tal se verificar os portugueses terão de pagar, pela mesma quantidade de quilowatts, mais 251,5 milhões de euros, um choque eléctrico absolutamente insuportável, não só pelas razões anteriormente referidas, mas também porque:
  • o preço da electricidade em Portugal é já superior (em cerca de 2,3%) ao preço médio da União Europeia; 
  • o poder de compra das famílias portuguesas está muito abaixo (cerca de 25%) da média comunitária; e 
  • a EDP, cujo principal accionista é o Estado, só nos primeiros nove meses de 2009, já arrecadou mais de 800 milhões de euros de lucros líquidos. 

É nisto que consiste a política económica dos governos de Sócrates: garantir lucros exorbitantes à EDP, à GALP, à Banca, mesmo que isso acarrete a falência de milhares de PME's, o desemprego de centenas de milhares de trabalhadores, o agravamento do nível de vida da maioria da população, a estagnação da economia e do país.

segunda-feira, dezembro 21, 2009

Parabéns Carlos do Carmo!

Fadista de Abril, tem cantado alguns dos melhores autores e compositores (José Carlos Ary dos Santos, Fernando Tordo, Paulo de Carvalho, José Mário Branco e José Luís Tinoco). Homem da cidade, do país, do mundo, tem sido um dos maiores embaixadores da cultura portuguesa.
Carlos do Carmo, faz hoje 70 anos. Desejamos-lhe as maiores felicidades e, como prenda, a aprovação da candidatura do fado a Património Mundial.



sábado, dezembro 19, 2009

Copenhaga: O falhanço da hipocrisia

Os Estados Unidos têm, ao todo, 300 milhões de habitantes; a China tem quase cinco vezes mais população que os Estados Unidos. Os Estados Unidos consomem mais de 20 milhões de barris diários de petróleo; a China chega, apenas, a cinco ou seis milhões. Não se pode pedir o mesmo aos Estados Unidos e à China. Com a agravante de se comprometerem com escassos 3,6 mil milhões de dólares em ajudas aos países mais vulneráveis ao mesmo tempo que enterram mais 636 mil milhões (cerca de 176 vezes mais!) nas guerras justas do Iraque e do Afeganistão.
Só os menos atentos ou mais ingénuos ainda se podem admirar que a tentativa de acordo para a redução da emissão de gases poluentes e a cooperação a longo prazo tenha fracassado. Foi o falhanço previsível da hipocrisia. A razão parece-nos evidente: a atitude irresponsável e a falta de vontade política das nações mais poderosas do planeta para atenuar o abismo que as separa dos países pobres.