quarta-feira, outubro 14, 2009

Portugal: o país do sol

Um estudo comparativo da qualidade de vida em dez países europeus, tendo por base a análise de um conjunto diversificado de indicadores, entre os quais, o rendimento familiar, o número de horas de trabalho, o número de dias de férias, o preço dos combustíveis e dos alimentos, os gastos do governo com a educação e a saúde, a idade de aposentação e ainda o número de horas de sol por ano (!), deu lugar à seguinte classificação:
1. França
2. Espanha
3. Dinamarca
4. Holanda
5. Alemanha
6. Polónia
7. Itália
8. Suécia
9. Irlanda
10. Reino Unido
Se compararmos esta classificação com a do IDH (Índice de desenvolvimento Humano) de 2007/2008, elaborada pelo PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) e reconhecidamente a mais credível e a única que analisa 177 países de todo o mundo, facilmente se constata várias discrepâncias e algumas graves omissões.
São sobrevalorizadas as posições da Holanda (6.º), da França (8.º), da Espanha (15.º), da Dinamarca (16.º), da Itália (18.º), do Reino Unido (21.º), da Alemanha (22.º) e, de forma verdadeiramente inexplicável, a Polónia (41.º), cujos lugares na classificação do IDH, nalguns casos, são bem mais modestos.
A Irlanda (5.º) e a Suécia (7.º), pelo contrário, registam uma classificação ligeiramente melhor no IDH.
Quanto a omissões, relativas apenas a países europeus, regista-se a falta da Noruega (1.º), da Islândia (3.º) e da Suíça (9.º), na classificação do IDH.
E deixámos Portugal para o fim porque, lamentavelmente, é lá para trás, num triste 34.º lugar, que eternamente nos arrastamos, com vários "países em vias de desenvolvimento" a passarem-nos à frente.

Os nossos governantes deviam ter um pouco mais de escrúpulos, de decência e de honestidade quando enchem a boca a repetir que a economia está a crescer e o país a desenvolver-se. Eles sabem bem que isso não é verdade. O IDH é como o algodão, não engana. Portugal está cada vez mais pobre e é cada vez mais um país do 3.º Mundo. Por muitas horas de sol que tenhamos por ano!

As múltiplas faces do capitalismo

Segundo um relatório ontem publicado, apesar da crise económica mundial, o número de bilionários na China cresceu, em números oficiais, de 101 para 130, durante o ano passado, embora outras 100 pessoas, que mantêm as suas fortunas secretas, possam já fazer parte do grupo. Acima da China, encontra-se apenas, por enquanto, os Estados Unidos, com 359 bilionários. 
A maior parte dos bilionários chineses construiu as suas riquezas na área da construção e das indústrias correlativas, lucrando com a multidão crescente de pessoas que troca o campo pela cidade, fenómeno que se prevê vá prolongar-se até 2025.



O relatório afirma ainda que, embora o país tenha abraçado o capitalismo, as ligações com o poder "comunista" ajudam na acumulação de riquezas. Um terço da lista dos mil homens mais ricos da China é integrante do partido único do regime.
 Em suma, o século XXI veio demonstrar que o capitalismo e a criação de fortunas convivem perfeitamente com qualquer regime político — e nem é necessária que seja uma ditadura fascista, bastando apenas uma "democracia" liberal ou uma ditadura "comunista". É claro que a repartição da riqueza e a justiça social nunca estarão garantidas, mas também, quem é que é suficientemente ingénuo para acreditar que esse é um dos objectivos do capitalismo?

terça-feira, outubro 13, 2009

A estabilidade governativa não é um fim

O secretário-geral do PCP defendeu hoje que a "estabilidade governativa não é um fim em si mesmo", afirmando que o mais importante são as políticas "no concreto", questão que pretende debater com o primeiro-ministro na quinta-feira.

Jerónimo de Sousa tem razão. Quatro anos de governo de maioria absoluta de José Sócrates demonstraram claramente o que pode valer a estabilidade governativa.

Equívoco no voto?

As pessoas que foram escrever sobre arrogâncias, extremismos e responsabilidades, nos comentários a esta nota de Francisco Louçã, muito sinceramente, parece-me que se enganaram na porta. Provavelmente ter-se-ão até enganado no voto. Acontece.
Todos sabemos as razões pelas quais o BE não fez coligação eleitoral com o PS. Só para recordar algumas: as loucuras do TGV e da OTA, os escândalos financeiros da Banca, o 'novo' Código Laboral, as malfeitorias à Escola Pública (Magalhães, pseudo-avaliação e divisão dos professores, estatuto dos alunos), SNS cada vez mais caro e inacessível, censura da comunicação social, etc. E tudo isto, aqui sim, levado a cabo por um governo arrogante, extremista e irresponsável!



Querer agora que o BE faça um acordo governamental com o PS, passando uma esponja por cima de todas estas questões — que, de resto, também são criticadas por destacados membros do PS — é o mesmo que pedir-lhe que faça um favor a José Sócrates e, sobretudo, cometa uma traição inqualificável ao seu eleitorado e preste um péssimo serviço ao país.
Percebo, portanto, a declaração de Francisco Louçã de que "o Bloco não fará coligação com o PS, e proporá e só aprovará medidas concretas que ajudem a responder à crise e a trazer soluções para as pessoas" e renovo-lhe, por isso, o meu total apoio.

Afinal os comunistas não são o diabo!

Na cidade dos bispos, a CDU ganhou a freguesia da Sé com maioria absoluta. O cónego Melo deve andar à voltas no caixão!


 clicar para ampliar

Infelizmente, desta vez os comunistas perderam a Marinha Grande mas, por este andar, prá próxima ganham Fátima!

sexta-feira, outubro 09, 2009

Alô, professor

Os EUA foi campeão em educação até a década de 70 e liderava em número de alunos que concluíam os cursos. Hoje, está em 18.º lugar em formaturas no ensino secundário. Nos últimos testes internacionais de matemática, os adolescentes americanos ficaram em 36.º lugar, entre 57 países mais avançados, e em 29º, em ciências.
Ainda lideram no ensino superior, mas o número de escolas inferiores progride com mais rapidez do que as boas faculdades.
O ensino primário e o secundário são obrigatórios em todos Estados mas, a cada 26 segundos, um aluno pára de estudar e muitos entram no crime e na vadiagem. A maioria é negra e latina.
Vários empresários da área de educação entraram na disputa pelo dinheiro público convencidos de que podem educar melhor por menos e embolsar o resto. A 'receita' é simples…
As aulas começam às 7 da manhã e terminam as cinco da tarde. A disciplina é rígida, a limpeza impecável. Com frequência há aulas de reforço nos fins de semana, mas a variante mais surpreendente é a 'disponibilidade' dos professores: 24 horas por dia, 7 dias por semana. Se o aluno não sabe resolver o problema às sete da noite, “alô, professor”.
Para corrigir o problema da falta de educação americana, jantar frio, com álgebra, faz parte da solução. ( Lucas Mendes, BBC Brasil)
Não me admiraria que, também por cá, a indústria do ensino, por estes dias, nos entrasse porta dentro. Eu quero estar de fora!

Portugal é Lisboa…

Como é sabido, o FEDER, uns dos fundos comunitários, destina-se a financiar projectos de desenvolvimento regional. Já o Fundo de Coesão, igualmente proveniente da União Europeia, constitui uma ajuda aos países e regiões cujas populações têm um rendimento médio inferior à média comunitária.
Portugal é um dos Estados-membros que tem vindo a beneficiar da atribuição destes fundos porque, à excepção da região de Lisboa e Vale do Tejo, cujo nível de vida está acima da média europeia, o resto do país situa-se abaixo dessa média.
Lógico seria, portanto — se alguma lógica existe nestas coisas — que, de forma a atenuar a macrocefalia em torno da capital do "reino" e combater o atraso e a desertificação do interior, fossem canalizados os necessários recursos financeiros para as regiões mais pobres.
Ora é precisamente isso que não irá acontecer porque o Governo, apoiando-se num acordo assinado por Barroso e Sócrates, prepara-se para desviar dinheiro destinado às 'regiões de convergência' para a região de Lisboa, com o argumento de que os investimentos que aí de fizerem terão reflexo no restante território nacional.
Não tenho rigorosamente nada contra Lisboa (cidade que adoro) e a sua região mas, o que me parece é que a velha afirmação "Portugal é Lisboa e o resto é paisagem!" é cada vez mais verdadeira.

Obama, Nobel da Paz: premiar o futuro

Lá para o reino da Arábia
Havia amêndoas aos centos
Que grande rebaldaria
E a Palestina às escuras

Os Sheikes israelitas
Já que estou com a mão na massa
Lembram-me os Sheikes das fitas
Que dão porrada a quem passa


(José Afonso, Nefretite não tinha papeira)

O Prémio Nobel da Paz foi hoje atribuído ao Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, "pelos seus extraordinários esforços para reforçar a diplomacia internacional e a cooperação entre os povos", designadamente os "esforços de Obama no sentido de um mundo sem armas nucleares".
Não tenho nenhuma animosidade contra Obama, que considero um político estimável e bem intencionado, mas atribuir-lhe, desde já, o Prémio Nobel da Paz, quando ainda não encerrou o "campo de concentração" de Guantánamo, não conseguiu (ou não quis?) meter Israel na ordem e viabilizar um Estado palestino independente, e os seus "esforços […] no sentido de um mundo sem armas nucleares" visam apenas os outros enquanto a América e os seus amigos israelitas mantêm (ou aumentam) os seus arsenais, convenhamos que me parece demasiado prematuro.
A não ser que, como considera Saramago, o tomemos como um "investimento" na esperança de que, futuramente, Obama venha a dar um sincero e decidido contributo para a resolução definitiva destes e de outros problemas e a justificar plenamente o prémio que agora recebe.
Acreditemos.

quinta-feira, outubro 08, 2009

Para trabalho igual salário igual

A Comissão Europeia vai também — e neste caso com inteira justiça — levar Portugal ao Tribunal de Justiça europeu se, dentro de dois meses, não for integralmente transporta para a legislação portuguesa a lei comunitária sobre igualdade entre homens e mulheres no trabalho. De resto, se houvesse decência política em Portugal, isso nem seria necessário porque, sobre essa matéria, o Artigo 59.º da Constituição da República Portuguesa é muito claro. Só falta cumpri-lo.

Laissez faire, laissez passer!

A Comissão Europeia decidiu levar Espanha e Portugal ao Tribunal de Justiça europeu por penalizarem com tributação de saída as empresas que se deslocalizam para outros países em busca de mão-de-obra (ainda) mais barata. Tudo em nome do sacrossanto "direito à liberdade de estabelecimento", vulgo liberdade de explorar até ao tutano. José Manuel Barroso e os seus capangas estão lá para isso mesmo: garantir pasto fresco aos grandes grupos económicos. Laissez faire, laissez passer!

Balada de Outono

O tempo chuvoso não engana. Estamos no Outono. Não da ditadura, mas de uma democracia que ainda deixa tanto a desejar!…
Couple of Coffee, no Coliseu dos Recreios, interpretam de forma sublime, Balada de outono, de José Afonso.

Acabou a farsa

As oposições prometeram e estão dispostas a cumprir. PSD, CDS-PP, Bloco de Esquerda e PCP vão acabar com o actual modelo de avaliação e com a divisão dos professores em duas categorias. Só não se sabe ainda se será antes ou depois da aprovação do Orçamento de Estado, no início do próximo ano.

 

Aos poucos, todo o imenso lixo produzido, durante quatro negros anos, pelos cérebros delirantes da 5 de Outubro, há-de ser definitivamente varrido. Para bem das escolas e do país.

Agora pagamos todos

Obama diz que a economia dos EUA está no caminho da recuperação e a Fed (Banco Central dos EUA) fala de estabilização. Porém, a verdade é que o défice do orçamento dos Estados Unidos, no ano fiscal de 2009, alcançará a cifra inimaginável de 1,4 triliões de dólares, registando assim um aumento de mais de 200 por cento em relação ao valor do ano passado e igualando os 9,9 por cento do PIB verificados no longínquo ano de 1945.



Os americanos estão a sofrer as consequências de terem eleito por duas vezes George Bush, a mais sinistra e incompetente criatura da história do seu país. Só é lamentável que todo o mundo tenha também de pagar pela asneira que eles fizeram.

quarta-feira, outubro 07, 2009

Parlamento Europeu 'chateia' Berlusco

Apesar da cerrada e miserável oposição do Partido Fascista Popular Europeu, o Parlamento Europeu vai debater a liberdade de imprensa (ou antes, a falta dela), em Itália. Berlusconi, dono de grande parte dos meios de comunicação social (chamemos-lhe de propaganda), quer silenciar os que não controla através da aplicação de pesadas multas.



Não espero muito deste debate mas, pelo menos, o fascista Berlusco vai ter de prestar contas a alguém, já que em Itália faz o que lhe apetece, apesar de mais de cem mil pessoas se terem manifestado contra as medidas intimidatórias do seu 'governo'.

Labirinto

O Diário Económico diz que Carvalho da Silva quer vitória de António Costa. Já a TSF prefere destacar que Santana desvaloriza apoio de Carvalho da Silva a António Costa e que Jerónimo de Sousa confirma apoio de Carvalho da Silva à CDU. Em que ficamos, então? O Jornal de Negócios retoma o assunto e esclarece definitivamente: Carvalho da Silva deseja vitória de Costa mas apoia a CDU.
Afinal, por que é que não dizem logo tudo de uma vez?…

Livro Branco da Educação (dos professores)

Esta é uma iniciativa inédita que merece ser amplamente discutida e divulgada: "um Livro Branco da Educação com origem na classe docente, livro este que, assumindo um cariz reivindicativo, não se limitasse às reivindicações estritamente laborais, reflectindo antes a visão da classe sobre o interesse público e sobre a sua acção na prossecução desse interesse". Livro que seja, a um tempo, a crítica global e radical da classe docente ao caos a que os sucessivos governos conduziram a Escola Pública e a proposta fundamentada dos professores para superar tal situação.

Contrariando o péssimo hábito de os Livros Brancos serem feitos pelos organismos oficiais  e, portanto, apenas servirem para serem atirados ao lixo e tudo continuar negro como dantes, esta parece-me uma óptima ideia. Que até poderia ser seguida por outras classes profissionais.

Quem está verdadeiramente do lado dos professores?

A Fenprof exige a suspensão imediata da avaliação de desempenho e o fim da divisão da carreira docente.
Por seu lado, o PCP vai apresentar na Assembleia da República uma proposta de revogação do Estatuto da Carreira Docente, origem de todas as medidas gravosas posteriormente tomadas pelo anterior governo.
Agora é que vamos ver quem está verdadeiramente do lado dos professores. Receio que alguns venham a roer a corda. A ver vamos…

Universidade de Coimbra aposta na internacionalização

A Universidade de Coimbra (UC) foi considerada, pelo terceiro ano consecutivo, a melhor instituição nacional pelo Times Higher Education Supplement e ocupa uma excelente posição no International Education Directory of Colleges and Universities.



Em entrevista ao Público, o Reitor Seabra Santos defende "que se deverá acrescentar às missões clássicas das universidades, a internacionalização" porque, em seu entender, "esta dá oportunidade de complementar a formação e a investigação, quer para estudantes quer para professores; não apenas com a aferição e comparação com as melhores práticas, mas sobretudo com a possibilidade de manter uma agenda de diplomacia cultural autónoma." O Reitor da UC afirma constatar que universidades como a sua "têm capacidade para chegar onde a diplomacia clássica e política não chega", facto que Espanha e Brasil já compreenderam, defendendo "que o Governo português devia olhar para o papel que as universidades podem constituir neste campo e apoiá-las".
Seabra Santos acha, por outro lado, que o afastamento de Coimbra em relação a Lisboa não está na distância "mas nas opções e orientações políticas dos vários governos", acrescentando que "Portugal está a tornar-se um país excessivamente centralizado" e que "os grandes investimentos públicos continuam a ser feitos em Lisboa". Para o Reitor da UC "é uma política desastrosa em termos de equilíbrio nacional."

Na cerimónia de abertura do novo ano lectivo da UC, o reitor Fernando Seabra Santos apresentou ao Governo um caderno de encargos com seis pontos — o ordenamento da oferta educativa, a racionalização da rede de instituições, a política de financiamento, a clarificação do conceito de autonomia, a revitalização do processo de avaliação e a maior aproximação entre sistema universitário e científico — que preocupam as instituições de ensino superior.

segunda-feira, outubro 05, 2009

Dia do Professor: que esperança?

Hoje é Dia do Professor. Pela primeira vez, em quatro anos, os professores portugueses celebram-no com esperança e sem manifestações de rua.
É verdade que eles foram certamente decisivos para que Sócrates perdesse a maioria absoluta e a executora da política de destruição do Ensino e da Escola Pública fosse definitivamente chumbada e atirada para o caixote do lixo da História.



Porém, num momento em que o futuro governo ainda não está constituído e, menos ainda, sabemos qual vai ser a sua orientação política, talvez fosse mais prudente manterem a expectativa, sem descartarem a hipótese de ser necessário voltarem à luta. Ao fim e ao cabo, nada de substantivo ainda mudou: a pseudo-avaliação do desempenho, a divisão arbitrária da carreira em categorias e o Estatuto da Carrreira Docente (sem falarmos na liquidação da gestão democrática das escolas).

Celebrar o 5 de Outubro

Faz hoje precisamente 99 anos que foi implantada a República. Celebrar o 5 de Outubro de 1910, nos dias que correm, mais do que festejar um passado infelizmente inconsequente, perdido nas brumas da memória, deve servir para recordarmos as promessas não cumpridas de Abril e para nos interrogarmos seriamente sobre o muito que ainda está por fazer.



Por que razão…
  • continuamos a ser um dos países mais pobres, desiguais e atrasados da Europa?
  • dois milhões vivem abaixo do limiar da pobreza?
  • cerca de 650 mil estão no desemprego, mais de 200 mil dos quais não recebem qualquer subsídio?
  • o desemprego precário atinge cerca de dois milhões?
  • a corrupção alastra tendo aumentado nos últimos quatro anos?
  • a Justiça é cara, demorada e praticamente inoperante com os poderosos?
  • é cada vez maior a promiscuidade entre o Estado e os grupos económicos?
  • o tecido industrial está a desfazer-se, com especial relevância para as micro, pequenas e médias empresas?
  • a agricultura e as pescas foram praticamente desmanteladas?
  • o ensino está cada vez mais longe de conseguir a efectiva alfabetização e qualificação dos jovens e da população activa?
Em suma, por que razão continuamos tão longe de sermos uma verdadeira democracia?

domingo, outubro 04, 2009

"Gracias a la vida", mesmo na morte

A cantora popular argentina Mercedes Sosa, que lutou contra as ditaduras fascistas na América do Sul com a sua potente voz e se tornou numa lenda da música latino-americana, morreu hoje, aos 74 anos.



Carinhosamente apelidada "La Negra" - devido ao seu cabelo preto e à tez morena - Sosa foi igualmente chamada de “voz de uma maioria silenciosa”, tendo sempre lutado pelos direitos dos mais pobres e pela liberdade política.
A sua versão da música “Gracias a la Vida”, de Violeta Parra, tornou-se um hino para os esquerdistas de todo o mundo, nas décadas de 1970 e 1980, quando foi forçada a exilar-se na Europa e os seus discos foram banidos.

sábado, outubro 03, 2009

Até a pobreza vende

A boneca Gwen, uma «sem-abrigo» da marca American Girls, custa 95 dólares e o produto da venda não reverterá para obras de caridade, revela o «Huffington Post».
Admito que, sobretudo os que apenas se preocupam em tratar da vidinha, achem que afirmar que o capitalismo se alimenta da miséria das massas é demagógico.
Pois não há nada de mais verdadeiro e este caso comprova-o à saciedade.

Será que muda mesmo?

O que muda com o tratado de Lisboa (adaptado daqui):
  1. O tratado acaba com o processo da presidência semestral rotativa de cada Estado. Passa a ser nomeado um presidente, e um chefe da diplomacia para um mandato de dois anos e meio, no máximo dois mandatos de cinco anos.
  2. O novo sistema de voto, prevê a tomada de uma decisão se ela tiver o apoio de 55 por cento dos Estados que representem 65 por cento da população da UE. O que vai dar mais peso aos países com mais população.
  3. Única instituição eleita pelos cidadãos, o Parlamento Europeu vai dispor de verdadeiros instrumentos de co-decisão a par dos Estados em assuntos directamente ligados à vida dos cidadãos, como a agricultura, pesca, polícia e justiça.
  4. Um dos objectivos do Tratado é armar melhor a Europa para lutar contra a criminalidade, o terrorismo, e promover e apoiar medidas de segurança.
  5. Um milhão de cidadãos europeus pode instar a Comissão Europeia a estudar uma proposta legislativa. 
  6. As preocupações cívicas europeias com a segurança energética, alterações climáticas, saúde e emprego estão presentes no Tratado. Mas pouco.

Água mole em pedra dura…

… Tanto dá até que fura!
Não foi à primeira, foi à segunda (ou iria à terceira, se preciso fosse). É assim, a democracia comunitária.

A (futura) primeira potência mundial

Em termos de poder geopolítico e geoeconómico relativo, a China duplicou desde 1973 — numa escala aritmética "disparou" de 66,17 pontos para 132,46. Como os Estados Unidos declinaram ligeiramente (apenas 2% desde 1973 e 0,6% desde 1998), manifestando uma clara resiliência, a nova potência asiática foi preenchendo o espaço no balanço mundial deixado vago pela queda brutal da Rússia (58% desde os tempos da URSS em 1973) e mais moderadamente do Japão (cerca de 16%) e da Europa (12,5% no caso de se considerar a União Europeia a 24 membros).




O que este estudo não revela é que os americanos sobrevivem cada vez mais à custa dos chineses. São estes que lhes custeiam a astronómica dívida pública comprando-lhes doses maciças de títulos do tesouro da Reserva Federal.
Não há dúvida que, neste século XXI, a China vai ser a primeira potência mundial. Só quem anda desatento ou não viu a transmissão televisiva da celebração dos 60 anos da República Popular da China pode admirar-se Seja comunismo, capitalismo de Estado ou tenha ou não alguma a coisa a ver com democracia e respeito pelos direitos humanos. Isso já seria outra conversa.

sexta-feira, outubro 02, 2009

Finalmente livres

Cantiga do ódio

O amor de guardar ódios
agrada ao meu coração,
se o ódio guardar o amor
de servir a servidão.
Há-de sentir o meu ódio
quem o meu ódio mereça:
ó vida, cega-me os olhos
se não cumprir a promessa.
E venha a morte depois
fria como a luz dos astros:
que nos importa morrer
se não morrermos de rastros?


Carlos de Oliveira

Os professores portugueses estão finalmente de parabéns. Não conseguiram livrar-se da figura mais sinistra do governo nas ruas, com greves e manifestações que ficaram na história, fizeram-no tirando a maioria absoluta a Sócrates. Bem sei que há-de ser recompensada pelos relevantes serviços prestados ao país — destruição da Escola Pública e humilhação da classe docente  — com um tacho na administração pública ou uma comenda no 10 de Junho. Mas a maior recompensa que lhe desejo é que a sua alma, se a tem, arda nas profundas dos infernos, se existem.

quarta-feira, setembro 30, 2009

Não tenho culpa, não votei nele(s)

Os dirigentes do P"S", com Sócrates à cabeça, não são flores que se cheire e eu nunca lhes compraria um carro em segunda mão. E é para mim claro que, ainda que não tenham montado escutas em Belém, os senhores do Rato armaram uma ratoeira política a Cavaco.



Mas um Presidente da República que, em vez de confrontar  o Governo com os reais problemas do país, como lhe competiria, — 600 000 desempregados, 2 milhões de pobres, dívida pública de quase 100% do PIB, défice orçamental as galopar para mais de 6% —  nos distrai com minudências que deveria ter resolvido, de imediato, há um ano atrás, não tem condições para ser Chefe de Estado.
Mal vai um país que tem um Governo que não governa. Pior ainda, se tem um Chefe de Estado que não sabe sê-lo. Resta-me a consolação — fraca, bem sei — de não ter votado em nenhum deles.

segunda-feira, setembro 28, 2009

Os patrões portugueses são "burros"

O presidente do patronato — das grandes empresas, entenda-se — D. Francisco Van Zeller, não perdeu tempo a fazer chantagem, avisando "solenemente" que os empresários não vão investir se o "novo" Governo (aspas nossas) não der estabilidade. E, com falinhas mansas, acrescentou que nenhuma solução de governo poderá passar por uma coligação de Esquerda.
Escusava de o dizer porque nós há muito sabemos que estes "senhores" fogem da Esquerda como o diabo da cruz. A dependência dos favores do Estado, tenham eles a forma de milhões, legislação ou ausência dela, é genética; corre-lhes nas veias desde os tempos do Estado "Novo".
Afinal, o que é que estes tipos aprendem com o exemplo da Noruega — apenas o país mais desenvolvido do… mundo — onde os empresários não têm qualquer problema em trabalhar com um governo de maioria de Esquerda? Literalmente nada. Mas isso não é de admirar numa classe que, em média, tem menos habilitações que os seus empregados.

A grande vitória



(clicar na imagem para ampliar)

O Partido  de Sócrates foi o único dos partidos com representação parlamentar que desceu em relação a 2005.  Um enorme tambolhão que "alimentou" a subida dos restantes partidos e, quando ainda não estão apurados os resultados da emigração, custou ao P"S" a perda de cerca de meio milhão de votos e de 24 deputados. Se a isto acrescentarmos o fim da maioria absoluta e do "quero, posso e mando", qualquer pessoa intelectualmente honesta há-de reconhecer que, mais do que uma "extraordinária vitória do P'S'", como alardeou José Sócrates, é uma grande vitória dos eleitores que tiveram lucidez suficiente para resistir à terrivel máquina de propaganda "socialista".

Por favor, não traiam os nossos votos!

A maioria absoluta do Partido de Sócrates foi DERROTADA (desculpem "gritar" mas foi isso que aconteceu).
O BE ultrapassa largamente o meio milhão de votos quase duplicando a sua percentagem, elege em 9 distritos e passa a ter o dobro dos deputados —16 — (só não conseguindo mais 3/ 4 porque falhou, por escassa margem, a percentagem para o último deputado, noutros tantos distritos — o método de Hondt tem destas coisas…).
A CDU também cresceu e tem agora 15 mandatos.
Registe-se que a Esquerda, ao fim de alguns anos, volta a ter um deputado em Coimbra, através do Bloco.
(Só o P de P é que nos estragou a festa…). 

Agora vamos ver o que Sócrates vai fazer com a sua "extraordinária vitória" (como ele lhe chamou) a qual, felizmente, não passa de uma simples maioria relativa?!…
As Esquerdas — BE e CDU — só podem exigir políticas de Esquerda, seja através de acordos de incidência governamental, seja através de uma Maioria de Esquerda (solução que se afigura mais difícil com um partido habituado a governar à Direita).
Sem isso, não aprovem o Orçamento! Por favor, não traiam os nossos votos!

sábado, setembro 26, 2009

Vota!

Votar é um dever cívico. Mas é sobretudo um direito. De que não deves abdicar.
Não deixes que os outros decidam por ti!
PELA TUA VIDA, PELO TEU FUTURO, POR TI,
VOTA!

sexta-feira, setembro 25, 2009

Não passarão!

Em 28 de Setembro de 1974, a Maioria Silenciosa e a reacção não passaram. Em 27 de Setembro de 2009, a maioria absoluta de Sócrates e a Direita não passarão.

Os direitos e a liberdade que (não) temos

A evolução dos Direitos Humanos conheceu três fases bem distintas ao longo da História.
A Revolução Francesa (1789) consagrou, ainda que de forma limitada, os direitos civis e políticos ou da primeira geração (direito de voto, de reunião, de manifestação, etc.), na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão.
Entretanto, ao longo do século XIX, com o desenvolvimento do capitalismo industrial, agravaram-se as condições de vida da classe operária e aumentaram as desigualdades sociais, o que originou a contestação dos trabalhadores que haveria de conduzir, nos finais do século, à conquista de direitos económicos e sociais ou da segunda geração, passando as constituições a incluir, por exemplo, os direitos ao trabalho, à Segurança Social, à protecção e assistência à família, ao ensino, etc.
Esses direitos haveriam de ser, mais tarde, em 1948, aprofundados e consagrados pela Organização das Nações Unidas na Declaração Universal dos Direitos do Homem.
Posteriormente, as Nações Unidas vieram a adaptar e reorientar o seu programa de direitos humanos, que passou a incluir, a partir dos anos 80, as preocupações ambientais, nascendo, assim, os direitos colectivos ou da terceira geração (direito à paz, ao desenvolvimento, à qualidade ambiental e ao usufruto do património comum da humanidade).

Como facilmente se perceberá, a concretização dos Direitos Humanos não se tem processado da mesma forma e ao mesmo ritmo nas diferentes partes do mundo. Nem mesmo nos chamados regimes democráticos.

Em Portugal, por exemplo, só estão garantidos (estão?) os direitos civis e políticos. Quanto aos outros, é o que se sabe.
O direito ao trabalho, para cerca de 600 000 desempregados, só existe no papel. Milhares de reformados sobrevivem (como?) com reformas de menos de 400 euros, cerca de 200 mil desempregados não recebem subsídio de desemprego e a idade de aposentação é elevada aos limites da pura desumanidade. Há cada vez mais pessoas a recorrer a instituições de solidariedade  para não morrerem à fome. Já o encerramento de urgências e de maternidades e o agravamento das taxas moderadoras e de internamento são um "brilhante" exemplo do apoio às famílias e do direito à saúde. E o ensino obrigatório que, de acordo com a constituição, deveria ser "tendencialmente gratuito", obriga cada vez mais os utentes a desatar os cordões à bolsa. Quanto a desenvolvimento, estamos pouco mais do que na cauda da Europa e no que toca a ambiente e ordenamento do território é o caos.


É caso para concluir, portanto, que em matéria de direitos humanos, muito pouco avançámos em relação ao século XIX!…
E a questão que, a terminar, deixo é: como é que políticos e partidos que, durante os últimos trinta anos, pouco ou nada fizeram para garantir os mais elementares direitos dos cidadãos têm coragem de lhes vir novamente pedir o voto??? Só podem não ter mesmo um pingo de vergonha!…

quarta-feira, setembro 23, 2009

O negócio da educação

Com a conivência do Estado e a irresponsabilidade da Família, a educação e o ensino das nossas crianças e jovens estão a sofrer danos de tal modo profundos que as consequências deste desastre vão perdurar, provavelmente de forma irreversível, na nossa sociedade.
A Educação está a ser destruída porque as famílias, salvo raras excepções, não educam (por falta de tempo, por demissão, por incapacidade) nem deixam a Escola educar.
O Ensino vai pelo mesmo caminho porque, com a desautorização dos professores, a proliferação da indisciplina e a falta de exigência na aprendizagem, a Escola Pública está a ser desvalorizada/ desmantelada e aberta a negócios duvidosos, de que este dos mediadores para o "sucesso" escolar (estatístico, claro) é apenas mais um exemplo.
O projecto português “Mediadores para o Sucesso Escolar”, que permitiu aumentar em 14 pontos percentuais o sucesso escolar de alunos do ensino básico, é hoje apresentado como um “case-study” na conferência Clinton Global Initiative, em Nova Iorque.

A Esquerda impossível

Só os poetas têm a necessária criatividade literária para criarem neologismos de semântica tão intrincada como a expressão esquerda possível, que Manuel Alegre usou, pela primeira vez, no comício do P"S", em Coimbra.
E para nos ajudar a desmontar este elaborado conceito, ninguém melhor que os Gato Fedorento, verdadeiros especialistas numa matéria de tamanha seriedade:
[…] Em Ciência Política, a esquerda possível, juntamente com a direita provável e o centro hipotético, formam a base de sustentação teórica de quem não tem ideologia nenhuma mas gosta de gritar palavras de ordem. A esquerda possível está para a Esquerda como o Mokambo está para o café. É castanho, é quentinho mas, não me lixem, não é café.
O programa político da esquerda possível é quase igual ao da Esquerda só que, muito diferente. A esquerda possível é a esquerda que defende o SNS gratuito para todos… os que não estão doentes. E também a retirada imediata do Afeganistão… durante dois dias. É a esquerda que apoia o casamento entre pessoas do mesmo sexo… desde que não haja um papel passado, não se chame casamento, nem seja atribuído qualquer direito aos alegados cônjuges.
Fica definitivamente esclarecido, portanto, que se trata de uma Esquerda impossível.

terça-feira, setembro 22, 2009

Onde pára o graveto?

Em 2008, Portugal recebeu mais dinheiro da União Europeia. Para sermos mais precisos, ficámos em sexto lugar na lista de países que mais receberam dos cofres comunitários. De resto, desde que, em 1986, aderimos à então comunidade europeia, que a chuva de fundos comunitários não tem parado de cair por cá.
Porém, apesar deste maná, continuamos a ser um dos países mais pobres e, praticamente, o mais desigual dos vinte e sete estados-membros da União Europeia. É caso para pensar que, ou alguém se tem amanhado com o graveto, ou a governação tem sido  incompetente, ou, pior ainda, as duas coisas.

segunda-feira, setembro 21, 2009

A menina dança?

Na hora da verdade, quando os tachos e mordomias correm perigo, a maçonaria do P"S" cerra fileiras e manda os pruridos ideológicos às urtigas.
Foi assim com Alegre, que declarou fazer o que fosse preciso com Sócrates.
É assim com o patriarca Soares, que vem agora tentar convencer-nos que Sócrates é fixe e afirmar que não lhe repugna um entendimento entre o P"S" o BE.

Francisco Louçã responde-lhe que não entra nesse baile e, referindo-se a Sócrates, garante que não dança com "galifões". É o que nós queremos ouvir.
A haver entendimentos à esquerda, que sejam pontuais e apenas em defesa dos interesses nacionais e dos mais desfavorecidos

domingo, setembro 20, 2009

E Alegre se fez triste

Já tinha declarado que "se for preciso fazer alguma coisa com José Sócrates, [fá-lo-á]".
Ontem, no comício de Coimbra, afirmou estar ali para "apoiar o P'S' no essencial: derrubar a direita" e ajudar a eleger "um Governo de esquerda. A esquerda possível".
Como se alguém, no seu perfeito juízo, após a desgraçada experiência dos últimos quatro anos, acreditasse que um novo governo de Sócrates viesse a ser, no essencial, um governo de esquerda!…
Usando as palavras do poeta …e Alegre se fez triste!

sexta-feira, setembro 18, 2009

Crisis? What crisis?




A Lamborghini lança o modelo mais caro de sempre, com um preço de 1,1 milhões de euros. E como há uma minoria que, paradoxalmente, enriquece mais com a recessão e a crise, a filial italiana do grupo Volkswagen já recebeu pedidos para doze dos quinze modelos que pretende fabricar.

Um sistema sem saída

45 executivos do banco britânico Barclays mudaram-se para uma sociedade recém-criada nas Ilhas Caimão, com receio que a União Europeia imponha limites à remuneração dos gestores.
Enquanto os governos não se dispuserem a acabar com os paraísos fiscais — e duvidamos que o façam, tal a promiscuidade entre a política e a alta finança — a gula insaciável desta gente não terá fim. E a crise do sistema capitalista também não.

quinta-feira, setembro 17, 2009

Quem cometeu os crimes de Gaza?

Um relatório da Organização das Nações Unidas aponta que tanto o Exército de Israel como as forças de segurança palestinas cometeram crimes de guerra durante o conflito na Faixa de Gaza.
Durante 22 dias, a máquina de guerra judaica metralhou selvaticamente um pequeno território de menos de 40 quilómetros quadrados, onde se aglomeram mais de 2 milhões de pessoas, não poupando sequer casas, escolas e hospitais e deixando atrás de si um rasto de terror, destruição e morte que, segundo uma insuspeita ONG israelita, causou 1.387 vítimas entre os palestinos. Os "terroristas" do Hamas, com os seus morteiros zarolhos, a única coisa que conseguiram foi irritar os israelitas que, apesar da sua esmagadora superioridade e porque quem vai à guerra dá e leva, acabaram por sofrer 13 vítimas.
A haver parcialidade do relatório (e objectivamente há) ela pende para o lado israelita porque trata as duas partes em pé-de-igualdade quando foram os judeus que iniciaram as hostilidades, usaram meios absolutamente desproporcionados e causaram um número de vítimas mais de 100 vezes maior do que o que supostamente foi causado pelos palestinos. Mas o governo de Israel que, como é habitual, continua a fazer tábua-rasa do Direito Internacional e da legalidade, recusando-se a colaborar com as investigações, questionou a imparcialidade do relatório e afirmou que o documento pende para o lado palestiniano.
Haja alguém que ponha estes fulanos na ordem, por favor! Obama podia (e devia) dar um jeito, mas está mais preocupado em manter o bloqueio a Cuba.

quarta-feira, setembro 16, 2009

A importância do "Se"

O secretário-geral do PCP garantiu que a CDU não troca o compromisso com o povo português por uns lugares no poder. No entanto, Jerónimo de Sousa não excluiu totalmente a hipótese de um entendimento pós-eleitoral com o PS, se José Sócrates fizesse uma "alteração política" de "ruptura com este caminho para o desastre".

O problema da Europa

Durão Barroso foi reconduzido por mais cinco anos em Bruxelas e não
perdeu tempo a reconhecer que sem o apoio de Sócrates não poderia ter
sido candidato. Não admira que o ainda Primeiro-ministro tenha
felicitado vivamente Barroso pela boa notícia da sua reeleição. Como
não espanta que Ferreira Leite afirme que é um motivo de grande
orgulho.
Já para Francisco Louçã o que a reeleição de Durão mostra é uma Europa
com problemas.
Nós o que achamos é que o maior problema da Europa é a reeleição e
continuação de Barroso. Sobretudo quando a América teve o bom senso de
se livrar de Bush.

terça-feira, setembro 15, 2009

segunda-feira, setembro 14, 2009

Alegre: ponto final.

Manuel Alegre afirma que "o PS está a travar um combate muito difícil". Na realidade, ele próprio tem lutado para reabilitar um partido que, embora tenha uma matriz ideológica de esquerda, outra coisa não tem feito senão governar à direita, quando está no poder.

E acrescenta que, entre o PS e o PSD, está totalmente com o PS, o que, em nossa opinião, ainda seria compreensível, se de algum modo se demarcasse da actual direcção do partido, que nada tem a ver com a Esquerda. Era o mínimo que se esperaria de quem enfrentou Sócrates na corrida para secretário-geral do PS, se candidatou à Presidência da República como independente contra o candidato oficial do seu partido, constituiu um Movimento Independente de Cidadãos e abriu o diálogo e a reflexão política à Esquerda, assumiu posições de completa rotura com a direcção do P"S" em matérias fundamentais como o Código Laboral e a avaliação de professores.

Mas, ao afirmar peremptoriamente que "se for preciso fazer alguma coisa com José Sócrates, [fá-lo-á]", Alegre desfaz definitivamente as dúvidas que poderiam subsistir sobre os seus objectivos políticos: não são a recuperação do PS como partido de Esquerda, não são o diálogo e a unidade da Esquerda, são sim o posicionamento para uma futura candidatura às eleições presidenciais. 
Tem toda a legitimidade para o fazer. Não contará é com o nosso apoio e com o nosso voto. Ponto final.

sexta-feira, setembro 11, 2009

Centrão ou Maioria de Esquerda?

As sondagens de opinião valem o que valem e as últimas, sobre as intenções de voto para o Parlamento Europeu, como se verificou, valeram muito pouco.
Dito isto, o estudo de opinião da Eurosondagem para a SIC, o Expresso e a Rádio Renascença atribui as seguintes intenções de voto:
  • PS - 33,6%
  • PSD - 32,5%
  • BE - 9,6%
  • CDU - 9,4%
  • CDS - 8,0%


Sabendo-se que a margem de erro da amostra é de 2,2%, neste momento regista-se um empate técnico entre PS e PSD.
Em todo o caso, se se viessem a verificar aproximadamente estes resultados, para além de um Governo de Bloco Central (PS/ PSD), só restaria a hipótese de um Governo de Maioria de Esquerda (PS/ BE/ PCP), curiosamente, defendida por 70% dos respondentes a uma enquete deste blogue.

quinta-feira, setembro 10, 2009

P"S" e desigualdade

Obama propôs a criação de taxas de 90% sobre as chorudas indemnizações pagas a gestores que saltam de umas empresas para outras.
Por cá, o PCP seguiu-lhe as pisadas e propôs a mesma medida. O Bloco defende um imposto sobre as grandes fortunas. Sócrates, tão forte e decidido com os mais fracos, privatiza ao desbarato, como aconteceu com a venda da Galp a Américo Amorim, e contenta-se com um escalão máximo de 42% do IRS, que se aplica tanto a Belmiro de Azevedo como a qualquer anónimo cidadão com um rendimento médio.
É, portanto, fácil de perceber por que é que, excluída a Roménia, Portugal é o país mais desigual da União Europeia em matéria de repartição do rendimento. O que já não se percebe é que isso aconteça com um governo que se autoproclama de socialista.

O(s) sonho(s) de Obama

I have a dream that one day this nation will rise up and live out the true meaning of its creed: 'We hold these truths to be self-evident, that all men are created equal.' (Martin Luther King)

A América é um paradoxo. Os americanos são capazes do melhor e do pior. E, muitas vezes, tendem a opor-se a quem quer resolver os graves problemas sociais do país (deve ser um problema de uma educação caracterizada pelo individualismo exacerbado, pelo salve-se quem puder). É o que está a acontecer com Obama, cuja popularidade parece estar a descer por querer implementar um plano que garanta o direito à assistência na doença a todos os americanos, em particular aos mais de quarenta milhões que actualmente não têm quaisquer meios para contratar um seguro de saúde. Mas estou certo que ele vai conseguir. Com a força da razão que lhe assiste.

quarta-feira, setembro 09, 2009

Legislativas — o que pensam os nossos leitores

Apresenta-se, a seguir, os resultados da sondagem feita aos leitores do blogue Cantigas do Maio, entre 23/8 e 6/9, sobre as eleições legislativas.
Estes resultados, vinculando apenas quem se dignou responder às questões formuladas, não são de modo algum extrapoláveis para a realidade nacional.


No seu entender, qual a opção de voto que melhor contribuiria para reforçar a Esquerda?
  • PS 8%
  • BE 34%
  • CDU 30%
  • BE ou CDU 26%
  • Qualquer das hipóteses anteriores 0%

Se acha que a resolução dos problemas de Portugal e dos portugueses passa por uma política de esquerda, qual a solução governativa que deveria resultar da próxima eleição?
  • Governo de maioria absoluta do PS 5%
  • Governo minoritário do PS 0%
  • Governo de coligação PS-BE 11%
  • Governo de coligação PS-CDU 11%
  • Governo de coligação PS-BE-CDU 70%

sábado, setembro 05, 2009

Recuperar a democracia é preciso

Mesmo que seja discutível o modelo informativo adoptado pela TVI e não se goste do estilo jornalístico praticado por Manuel Moura Guedes, o seu silenciamento e afastamento daquela estação televisiva não é de forma alguma aceitável pela forma e no tempo que foi feito (justamente quando decorre a campanha eleitoral para as eleições legislativas) e por configurar uma grave violação do direito constitucional à liberdade de informação.
Como é natural, todos os partidos condenaram energicamente este lamentável episódio e o próprio Presidente da República declarou textualmente esperar "que a liberdade de expressão e informação conquistada no 25 de Abril não esteja a ser posta em causa com o caso".
Pode não estar provado que houve (e admito que não tenha havido) instruções ou sugestões de Sócrates ou do P"S" no sentido do saneamento de MMG da TVI. Desde logo porque seriam eles as principais vítimas dos estilhaços do rebentamento da bomba num período tão delicado como o actual. Mas uma coisa é inegável, com o seu autismo, a sua arrogância, a prepotência como utilizou a sua maioria absoluta — criticando e pressionando a comunicação social, influenciando a magistratura judicional e o Ministério Público, ignorando, desprezando e, nalguns casos, policiando as organizações representativas dos trabalhadores — Sócrates alimentou uma cultura de desrespeito pelos mais elementares princípios democráticos. Não tem, portanto, qualquer legitimidade moral e política para vir agora fazer-se passar por vítima de uma situação que ele próprio criou ao longo dos últimos quatro anos e que tem vindo a estiolar o funcionamento da democracia.

sexta-feira, setembro 04, 2009

A unidade da Esquerda é possível (e desejável)

O debate entre Francisco Louçã e Jerónimo de Sousa não podia ter ido mais ao encontro da Unidade da Esquerda que temos defendido.
Evitando sempre o confronto e desvalorizando as diferenças que existem entre os seus partidos, o líder do BE referiu a convergência com o PCP no combate às medidas mais gravosas do governo-Sócrates, apontando como exemplo o Código do Trabalho, enquanto o líder comunista considerou que o Bloco é apenas um partido concorrente, sublinhando que o adversário do PCP é "a política de direita e os seus executantes".
Francisco Louçã e Jerónimo de Sousa convergiram na crítica clara e frontal à política económica do Partido de Sócrates e, sobre a aliança com um eventual futuro governo do P"S", coincidiram igualmente na negativa, justificando que, com Sócrates, o PS não vai mudar de rumo.
Para quem estava à espera de um combate de boxe ou de uma guerra fratricida, terá sido uma desilusão.
Para nós, foi um debate, discussão, encontro — chamem-lhe o que quiserem — sobre a grande política entre dois grandes políticos, dois homens de esquerda, dois camaradas, que, em nome do interesse colectivo e de uma política ao serviço do povo português, souberam por de lado o que os divide e valorizar o que os une.
A partir de agora, não digam mais que não existe uma alternativa de esquerda para governar Portugal. Só é preciso que os socialistas do PS queiram. E, embora Sócrates não seja um deles, acredito que são a maioria.

Fontes: DN, TSF, Jornal de Negócios, SIC

quinta-feira, setembro 03, 2009

Jerónimo e Louçã

Espero, sinceramente, que logo à noite, Francisco Louçã e Jerónimo de Sousa façam um debate esclarecedor, vivo, de qualidade, onde apresentem com serenidade os contributos do Bloco e do PCP para uma política de Esquerda verdadeiramente alternativa às políticas de direita que P"SD" e P"S" têm protagonizado ao longo dos anos, com os resultados desastrosos que todos conhecemos e sofremos.
Se quiserem capitalizar o descontentamento do eleitorado socialista do Partido de Sócrates, têm de resistir à tentação de se considerarem mutuamente "o inimigo principal". Os verdadeiros adversários da Esquerda são, obviamente, os partidos da Direita, mas também aqueles que, autoproclamando-se de Esquerda, mais não têm feito que levar por diante políticas nefastas para a maioria da população e satisfazer os apetites dos grupos económicos.
Em vez de um "Jerónimo versus Louçã", gostaria de assistir logo a um "Jerónimo e Louçã". Ou vice-versa.

Lurdes Rodrigues e Sócrates: o testo e a panela

É perfeitamente claro que, Maria de Lurdes Rodrigues foi caucionada e inequivocamente apoiada por Sócrates, não apenas na política de desqualificação da Educação que conduziu, mas também na forma humilhante como tratou os professores. A prová-lo, o facto de, apesar de ter sido alvo da maior contestação alguma vez vista no nosso país, ter sido segurada até ao fim no Ministério da Educação.
Lurdes Rodrigues tem, por isso, razão quando afirma que não viu uma crítica ao seu trabalho nas declarações do primeiro-ministro na entrevista de terça-feira à RTP. Nós também não.
Com o aproximar das eleições, o que assistimos é à tentativa desesperada e hipócrita de ambos de "amaciarem o pêlo" aos professores, como se estes não tivessem memória dos maus tratos que eles lhes infligiram durante os quatro anos do seu mandato.

Pasto para os grandes interesses privados

O relatório da Comissão Europeia sobre o sector da energia e transportes na UE, datado de 2009 e referente a 2006, revela que, em 27 Estados-membros, Portugal é o quinto com mais auto-estradas por cem mil habitantes, sendo que em nove das 25 auto-estradas portuguesas circulam em média, por dia, menos de dez mil carros, um dos critérios internacionais para justificar uma auto-estrada. Mesmo assim, com os projectos rodoviários em curso e os quatro a serem lançados até Junho de 2010, a rede irá aumentar 860 quilómetros. E entre Lisboa e Porto surgirá uma terceira ligação deste tipo. Correio da Manhã


Os responsáveis governativos não se cansam de repetir que toda esta asfaltização avassaladora tem por objectivos promover o crescimento económico, o desenvolvimento do país e o aumento da segurança rodoviária. Mas os factos demonstram que, com tantas auto-estradas, Portugal continua a ser um dos países mais pobres, mais assimétricos e com a maior sinistralidade automóvel da União Europeia. Ao contrário da Noruega, onde a quase inexistência de auto-estradas não impede que seja um dos países mais desenvolvidos do mundo.

Quer-nos parecer que as razões que subjazem a esta estratégia são outras! Não têm a ver com os reais interesses do país mas antes satisfazer os apetites dos grandes interesses privados!

quarta-feira, setembro 02, 2009

No dia 27, os professores farão o seu melhor

Depois de quatro anos de perseguição sistemática à classe docente,
durante os quais tudo fez para transformá-la no bode expiatório dos
males da Educação, na conversa em família de ontem à noite na RTP1,
José Sócrates afirmou que tudo fará para restaurar uma relação
"delicada" e "atenta" com os professores
. Interrogado sobre o que
fará, concretamente, para reconquistar a confiança daqueles
profissionais, caso vença as próximas eleições legislativas, o líder
do P"S" respondeu: "Farei o meu melhor". Ou seja, o mesmo que fez até
aqui.
Bem, à primeira, qualquer um pode cair; à segunda, só cai quem quer.
Acredito e espero, portanto, que no próximo dia 27 sejam os professores
a fazer o seu melhor.

O país desigual (filhos e enteados)

Segundo dados do Eurostat, com excepção da Roménia, Portugal é o país da União Europeia com a mais desequilibrada repartição do rendimento, aquele onde a diferença entre ricos e pobres é mais acentuada, de nada valendo ter um governo que, embora se autoproclame de socialista, objectivamente, nada faz para remediar esta vergonhosa situação.
Não admira por isso que, com a crise que atravessamos e os constantes apelos à contenção salarial, seja o pessoal sistematicamente a pagar a factura da redução dos custos das empresas, enquanto administradores e gestores continuam a ver escandalosamente aumentadas as suas já de si principescas remunerações. Como aconteceu na EDP

terça-feira, setembro 01, 2009

Farinha do mesmo saco

Peço cinco minutos do vosso precioso tempo (que não serão seguramente mal empregues) para lerem esta deliciosa crónica de António Manuel Pina e verem este hilariante vídeo com o "actor" José Sócrates.
E a questão que agora se coloca é o que é que ambos têm em comum. Fácil, não é? Mostram à evidência que Ferreira Leite e Sócrates dizem uma coisa na oposição e fazem precisamente o contrário no governo. Não admira… são farinha do mesmo saco, como muito bem observou Jerónimo de Sousa.

Detesto perder! Prefiro fazer batota a ter que perder!

Carolina Patrocínio é uma jovem com uns olhos espertos que gostam de andar sempre muito juntos, uma cara patusca, um sorriso simpático e fácil. É rica, famosa e aparece em tudo o que é programa de televisão e revista cor de rosa. Ninguém sabe se aparece por ser famosa ou se é famosa porque aparece.
Os portugueses devem gostar muito de a ver em fato de banho, atendendo a que é quase impossível arranjar na net uma fotografia da moça vestida com outra indumentária. Muitos desses portugueses devem ter, para além disso, um especial prazer em vê-la a "ausentar-se", tal é a quantidade de fotografias em que aparece de costas.
Até há pouco tempo, não se lhe conhecia uma ideia sobre coisa nenhuma. Uma entrevista recente registada neste vídeo, onde Carolina fala exaustivamente do que gosta e não gosta, embora mantendo o suspense quanto às suas ideias sobre a situação sociopolítica nacional e internacional, as eleições que temos aí à porta e a sua importância para a juventude portuguesa, as saídas profissionais (ou a falta delas) para essa mesma juventude, etc, etc, etc, mesmo assim, deu-nos a conhecer outras características da jovem "apresentatriz". Ficámos a saber que trabalha apenas para se divertir (pois "felizmente não precisa de trabalhar"), que "detesta frutas que tenham que ser descascadas" e que "só come cerejas se a empregada lhes tirar os caroços" (aplicando o mesmo princípio às grainhas das uvas, que, segundo ela, "são uma grande trabalheira").
Foi escolhida para Mandatária para a Juventude pelo Partido Socialista de José Sócrates, provocando discussões acaloradas por todo o lado.
Para além de, como quase toda a gente, também não vislumbrar o que é que Sócrates acha que a juventude portuguesa com idade para votar deve ver na jovem e mediática Carolina Patrocínio, que lhe sirva como modelo ou exemplo a seguir, gostaria de chamar a atenção para uma pequena frase da Mandatária, logo a seguir à tal das cerejas e que parece ter escapado aos espectadores, que terão, muito compreensivelmente, ficado apardalados com a problemática dos caroços e das grainhas. Diz a Mandatária da Juventude:
"Sou muito competitiva. Detesto perder! Prefiro fazer batota, a ter que perder!"
Ora aí está! Quase que aposto ter sido esta a "qualidade" — para Sócrates um verdadeiro programa eleitoral... — que cativou o Primeiro Ministro e fez de Carolina uma incontornável Mandatária.

Guerra e paz

A ainda-mas-espero-que-por-breve-tempo Ministra dita da Educação, Maria de Lurdes Rodriges, diz que "a oposição tenta comprar a paz por um preço que o país não pode pagar".
Ora, o que o país e as gerações futuras vão ter de pagar são as consequências da guerra que ela obstinadamente levou a cabo, promovendo o facilitismo e a indiciplina na Educação e a desqualificação e destruição da Escola Pública.

segunda-feira, agosto 31, 2009

A verdadeira escolha

Conhecemos bem a mundivisão retrógrada e conservadora de Ferreira Leite. O seu pensamento político sobre o papel da Familia, do Serviço Nacional de Saúde e do Estado, não deixa margem para dúvidas. E a sua folha de serviço enquanto ex-Ministra das Finanças e da Educação também não.
Mas, se a mundivisão de Sócrates se traduz em mais de seiscentos mil desempregados (cerca de metade dos quais sem receberem qualquer apoio), no encarecimento do Serviço Nacional de Saúde cada vez menos acessível às pessoas mais carenciadas, na desqualificação da Escola Pública, no endividamento insensato do país com a construção de obras megalómanas e dispensáveis, na perseguição fiscal das famílias e das pequenas e médias empresas, ao mesmo tempo que viabiliza negócios duvidosos e lucros chorudos aos grandes grupos económicos, a escolha dos portugueses — se ainda lhes resta um pingo de discernimento — não pode ser entre Ferreira Leite e Sócrates, entre o P"SD" e este P"S".
A nossa escolha é entre o Bloco Central, responsável pela desgraça e a inércia em que estamos mergulhados há 30 anos, e a Esquerda da solidariedade, da modernidade, da transparência. Simples, portanto.

Sócrates versus Sócrates

Na linha da famosa rábula revisteira da grande Ivone Silva, no duplo papel de Olívia patroa e Olívia costureira, um momento imperdível de comédia, ou melhor, tragicomédia, com o maior clown e embusteiro de todos os tempos da política nacional, no papel de líder da oposição e de chefe do governo.
Isto merece e deve ser visto e divulgado todos os dias, até 25 de Setembro, pelo menos.

quinta-feira, agosto 27, 2009

A herança de Sócrates

São os trabalhadores dos segmentos mais frágeis da população – operários e trabalhadores não qualificados, trabalhadores com mais baixo nível de escolaridade, jovens – que estão a ser mais afectados pelo desemprego e pela falta de protecção social.
É esta a herança da 
brilhante governação Sócrates.

Segundo as Estatísticas do Emprego do INE relativas ao 2º Trimestre de 2009, o desemprego em Portugal continuava a aumentar e tinha ultrapassado meio milhão, o que constitui um verdadeiro drama para centenas de milhares de famílias portuguesas que têm o trabalho como principal fonte de rendimento para viver. No entanto, o problema não está a afectar da mesma forma os diversos sectores sociais e económicos, encontrando-se os mais fragilizados numa situação particularmente insustentável.
A primeira conclusão a tirar é que, no último ano, verificou-se uma destruição líquida de emprego de mais de 150 mil, situação que, a continuar, fará com que, no lugar dos novos 150.000 empregos prometidos por Sócrates, tenhamos menos 150.000. Ou seja, a economia portuguesa não só não está a criar emprego para aqueles que entram de novo no mercado de trabalho, mas está também a destruir o emprego de muitos que o tinham.
Por outro lado, o desemprego não está atingir de forma igual os trabalhadores de diferentes níveis de escolaridade. No mesmo período, os trabalhadores com menor escolaridade foram as principais vítimas, entrando no desemprego cerca de 235 000, ao passo que o número de empregos dos trabalhadores com o ensino secundário aumentou em 48,9 mil, e o dos trabalhadores com formação superior subiu em 34,1 mil.
Outra conclusão a tirar é que, enquanto os "Operários, artífices e trabalhadores similares" registaram uma destruição líquida de  115 mil empregos, e os Trabalhadores não qualificados", mais de 90 mil, o emprego de "Quadros superiores" aumentou em 46,4 mil e o de "Especialistas das profissões cientificas e intelectuais" em 23,1 mil.
Os jovens (15 aos 34 anos) foram também duramente penalizados, com uma diminuição líquida do emprego que representa 73,5% do total.
Finalmente, constata-e que dos 635,2 mil desempregados efectivos, apenas 323,2 mil recebem subsídio de desemprego, o que corresponde a somente 51% do total.
Em resumo, são os trabalhadores dos segmentos mais frágeis da população – operários e trabalhadores não qualificados, trabalhadores com mais baixo nível de escolaridade, jovens – que estão a ser mais afectados pelo desemprego e pela falta de protecção social.
É esta a herança da brilhante governação Sócrates. [adaptado daqui]

terça-feira, agosto 25, 2009

Cavaco: dois pesos e duas medidas!

O Presidente da República vetou a nova lei das uniões de facto, de nada valendo a convergência da esquerda — o PS lamentou profundamente o veto, o PCP afirmou ter-se perdido uma oportunidade para reparar situações de desprotecção e o BE considerou que Cavaco foi insensível a um diploma que visa sobretudo corrigir injustiças.
Justificando a sua decisão, Cavaco considerou inoportuno que em final de legislatura se façam alterações de fundo à actual lei. No entanto, ainda há bem poucos dias promulgou a farsa da pseudo-avaliação simplificada de professores, vulgo simplex, que apenas contou com a aprovação da maioria governamental.
Enfim, dois pesos e duas medidas. Ou melhor, o que antes devia ter vetado promulgou, o que agora devia ter promulgado, vetou.

Semear ilusões, fazer propaganda

Se a redução do abandono e do insucesso escolar significasse uma efectiva melhoria da aprendizagem, todos teríamos razões para estarmos felizes e satisfeitos. Acontece que isso não corresponde de todo à verdade. Os resultados verificados foram obtidos à custa do facilitismo e da diminuição do rigor e da exigência em nome de um sucesso meramente estatístico e a qualquer preço. Preço que o país, em geral, e os jovens, em particular, virão mais tarde a pagar.
Por agora, que as eleições estão próximas, o que interessa ao governo é continuar a semear ilusões e a fazer propaganda.

quarta-feira, agosto 19, 2009

O charlatão

Qualquer semelhança com a actual situação é uma lamentável coincidência.

Contra a hipocrisia, a luta continua!

O Primeiro-ministro admitiu que existem "discrepâncias" entre o simplex e as disposições contidas no Estatuto da Carreira Docente.
O Tribunal Constitucional admite que o decreto regulamentar que simplificou o modelo de avaliação de desempenho docente pode estar ferido de ilegalidade mas considera que esta matéria escapa à sua competência.
Finalmente, o Presidente da República lava as mãos e promulga o trambolho.
Estão bem uns para os outros. Todos a fazer de conta que nada de anormal se passou. Anormalidade de que são co-responsáveis.
Os professores prometem regressar à luta já em Setembro. Será que lhes deram outra alternativa?

Três cantos enfim juntos

Três cantos. Três formas de amar, de ser livre, de resistir. Três cantos. Com voz própria, caminho distinto, personalidade singular. Três cantos enfim juntos. Solidários, cúmplices, no plural. Três cantos. Coro que, apesar de ser no Outono, será sempre da Primavera. Cantigas do Maio, porque viver (também) é lutar. Três cantos. Que serão milhares, vindos de todos os cantos. "Ergue-te ó sol de Verão, somos nós os teus cantores!"

segunda-feira, agosto 17, 2009

Gasolineiras à rédea solta

Portugal é um dos países mais pobres da UE mas, paradoxalmente, é um dos que tem os combustíveis mais caros. A Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos que, supostamente, devia regular a transparência do mercado, limita-se a elaborar longos estudos, mas nada faz, deixando as gasolineiras subir os preços a seu bel-prazer (mesmo com quedas do crude, como hoje se verificou) e engrossar os seus astronómicos lucros.
O PCP pede ao Governo uma intervenção urgente no mercado de combustíveis mas, a um mês das legislativas, é absolutamente claro que a única coisa que Sócrates vai continuar a fazer é propaganda eleitoral. Em 27 de Setembro ajustamos contas!

Varrer o lixo p'ra baixo do tapete

Mas afinal que limpeza é que Manuela Ferreira Leite fez no PSD ao "engolir" a candidatura de Santana Lopes à Câmara de Lisboa e aceitar arguidos nas listas do partido? Que limpeza existe num grupo de conveniência que dá cobertura a um títere que passa a vida a ofender os portugueses do continente e os órgãos de soberania da República?
Já não há pachorra para aguentar os dislates que Alberto João Jardim arrota constantemente… Uma vez que ninguém consegue pô-lo na linha, o melhor seria mesmo ignora-lo, mas é deste lixo que a imprensa se alimenta. Infelizmente!…

quarta-feira, agosto 12, 2009

terça-feira, agosto 11, 2009

Simulações

Um projecto desenvolvido por duas empresas de Coimbra, em parceria com congéneres finlandesas, pretende ensinar os estudantes portugueses a poupar energia nas escolas já a partir do próximo ano lectivo.
A ideia até que faria sentido se, à semelhança das escolas finlandesas, as escolas portuguesas funcionassem em edifícios eficientes do ponto de vista térmico. Porém, o que na realidade acontece é que nas nossas miseráveis escolas (algumas a funcionar em pré-fabricados e contentores) se tirita de frio durante o Inverno e se sufoca com o calor no terceiro período. Nestas condições adversas não vejo como é possível poupar mais energia!
Diz-se que "a partir dos dados recolhidos os alunos poderão simular medidas para melhorar consumos e os índices energéticos das suas escolas". 
Na realidade, os alunos só podem mesmo fazer simulações, porque medidas a sério para poupar energia, sem pôr em risco a sua saúde, terão inevitavelmente de passar pela melhoria da eficiência energética e do conforto dos edifícios escolares. Mas, no país do faz-de-conta, ainda hão-de passar muitos e bons anos para que isso venha a acontecer. 

domingo, agosto 09, 2009

Um proletariado explorador?

Já há muito tempo sabíamos que os americanos vivem literalmente à custa dos chineses. Os asiáticos são os maiores detentores de obrigações do Tesouro da Reserva Federal Americana, razão pela qual manifestam grande preocupação sobre a segurança do seu investimento, tendo em atenção o crescimento do astronómico défice orçamental norte-americano. E o pior é que o valor das obrigações é agora bem mais baixo do que quando foram adquiridas, o que não só desaconselha o seu resgate, como ainda leva a comprar mais títulos de modo a afastar o perigo do afundamento da economia americana.
Enfim, parece que o dólar ainda não vai sair de cena tão cedo. E ocorre-me a velha questão de Charles Bettelheim: (há) "Um proletariado explorador?"

sexta-feira, agosto 07, 2009

Lurdes Rodrigues é o problema

Lurdes Rodrigues, afirma que as alterações ao Estatuto da Carreira Docente (ECD), aprovadas em Conselho de Ministros, respondem "a muitos dos problemas" sentidos pelos professores quanto ao seu desenvolvimento profissional, mas não a todos.
E nós acrescentamos: sobretudo aos principais — a divisão da carreira em professor e professor titular, as quotas para atribuição de "Muito Bom" e "Excelente" no âmbito da avaliação de desempenho e a existência de um limite de vagas no acesso à categoria de titular.
Ao fim e ao cabo, as ditas alterações não passam de peanuts para ludibriar os incautos. Mas em Setembro os professores vão mostrar que ela e este PS são o verdadeiro problema. Já falta pouco!

sábado, julho 18, 2009

Desliguem-lhe a corrente, por favor!

"Cada vez que o PS passa pelo Governo, reduz-se a pobreza e as desigualdades sociais". 
Na era do digital, agora que o vinil e a cassete passaram à história, este é um dos loops que mais vamos ter de gramar até 25 de Setembro.
Mesmo que este país continue a ser um dos mais pobres e desiguais da União Europeia (pior, só mesmo a Roménia).

quinta-feira, julho 16, 2009

Desigualdades e pobreza: na mesma como a lesma

Sócrates vangloria-se de que as desigualdades e a pobreza reduziram-se em Portugal, na última legislatura.
Com efeito, ao longo dos quatro anos da sua governança, mesmo com as medidas de ajuda social do Estado, a percentagem de população a viver abaixo do limiar de pobreza desceu apenas de 20 para 18 por cento. Além disso, os jovens, com 23 por cento, e os idosos, com 22 por cento, são grupos particularmente afectados pela pobreza que, em valores absolutos, continua a flagelar cerca de 2 milhões de portugueses.

(clicar na imagem para ampliar)

Em matéria de desigualdade da repartição do rendimento, em 27 estados-membros, pior do que nós só mesmo a Roménia, (como se pode ver no gráfico)!
Perante tão tristes resultados, a um governo supostamente socialista, melhor ficaria uma autocrítica e um pedido de desculpas do que o foguetório propagandístico que tem feito. Mas percebe-se. Começou a campanha eleitoral!

Bandeira da liberdade

É verdade, só há duas hipóteses

Sócrates considera que só há duas hipóteses: "Ou o PS ou a direita".

Errado. Há três hipóteses: ou o P"S", ou a Direita ou a Esquerda. Ou melhor, tendo em atenção que este P"S" governa à direita, as opções são, de facto, duas: ou Direita (P"S" incluído) ou Esquerda.

quarta-feira, julho 15, 2009

Pior do que um incompetente…

Só mesmo três! Arre!…



Por aqui se percebe a razão do facilitismo no ensino. Quem dá este triste espectáculo não pode fazer grandes exigências!…

terça-feira, julho 14, 2009

O socialismo na gaveta

Sócrates diz que "nunca houve vitórias da esquerda com o enfraquecimento do PS". Mentira!
A esquerda e o país é que nunca ganharam com o PS a governar sozinho. O PS no poder mete o socialismo na gaveta e governa à direita. Essa é a verdade.
Por Portugal, pela esquerda, maioria absoluta do P"S", nunca mais!

domingo, julho 12, 2009

Sócrates e Alegre: que convergências?

Replicando ao artigo de Manuel Alegre publicado pelo "Expresso", Sócrates, num golpe de rins em que já se tornou especialista, afirma preferir salientar os pontos de convergência com Alegre, como se eles existissem.
Vejamos então os ponto de convergência entre ambos…
Primeiro, enquanto Sócrates fala na necessidade de mobilizar o P"S", Alegre defende que é urgente acordar o partido e exigir uma mudança de estilo, de pessoas e de políticas, ou seja, uma verdadeira refundação do PS.
Segundo, para Sócrates, a disputa destas eleições é entre o P"S" e a Direita. Porém, Alegre não reconhece em nenhum ponto da sua análise que este PS, com o "buraco negro" resultante da perda de "grande parte da sua base social", consiga, sozinho, fazer frente à Direita. E além disso, não considera que o P"S" tenha governado à esquerda, o que significa que não é uma alternativa fiável e credível à Direita.
Enfim, estas pseudo-convergências de Sócrates com Alegre mostram que, no P"S" nada de novo. Ao eleitorado de esquerda só resta reforçar a votação nos partidos de esquerda. E o PS de Sócrates não é um deles!

Aproximar as esquerdas

Manuel Alegre gostaria que o PS tivesse governado de outra maneira, à esquerda. Na educação, no trabalho (cujo Código acha imperioso rever), na Justiça, na função pública, na relação com os sindicatos, na afirmação do primado da política e na urgência de libertar o Estado de interesses que o condicionam. Mas tal não aconteceu.
Apesar de afirmar ser preciso que os socialistas acordem urgentemente do seu torpor e que dentro do PS haja uma mudança não só de estilo, mas de pessoas e de políticas, no seu íntimo, ele não  acreditará que isso seja possível neste P"S" alienado pelo culto da personalidade e anestesiado pelo pensamento único e a subserviência.
Por isso, ao fim de 34 anos como deputado, decidiu não concorrer às legislativas pelo seu partido de sempre.
E fez muito bem. Dá um sinal claro de que é imprescindível criar pontes que aproximem as esquerdas. Para que  um país maioritariamente de esquerda não acabe uma vez mais a ser governado pela direita.