quarta-feira, outubro 07, 2009

Livro Branco da Educação (dos professores)

Esta é uma iniciativa inédita que merece ser amplamente discutida e divulgada: "um Livro Branco da Educação com origem na classe docente, livro este que, assumindo um cariz reivindicativo, não se limitasse às reivindicações estritamente laborais, reflectindo antes a visão da classe sobre o interesse público e sobre a sua acção na prossecução desse interesse". Livro que seja, a um tempo, a crítica global e radical da classe docente ao caos a que os sucessivos governos conduziram a Escola Pública e a proposta fundamentada dos professores para superar tal situação.

Contrariando o péssimo hábito de os Livros Brancos serem feitos pelos organismos oficiais  e, portanto, apenas servirem para serem atirados ao lixo e tudo continuar negro como dantes, esta parece-me uma óptima ideia. Que até poderia ser seguida por outras classes profissionais.

Quem está verdadeiramente do lado dos professores?

A Fenprof exige a suspensão imediata da avaliação de desempenho e o fim da divisão da carreira docente.
Por seu lado, o PCP vai apresentar na Assembleia da República uma proposta de revogação do Estatuto da Carreira Docente, origem de todas as medidas gravosas posteriormente tomadas pelo anterior governo.
Agora é que vamos ver quem está verdadeiramente do lado dos professores. Receio que alguns venham a roer a corda. A ver vamos…

Universidade de Coimbra aposta na internacionalização

A Universidade de Coimbra (UC) foi considerada, pelo terceiro ano consecutivo, a melhor instituição nacional pelo Times Higher Education Supplement e ocupa uma excelente posição no International Education Directory of Colleges and Universities.



Em entrevista ao Público, o Reitor Seabra Santos defende "que se deverá acrescentar às missões clássicas das universidades, a internacionalização" porque, em seu entender, "esta dá oportunidade de complementar a formação e a investigação, quer para estudantes quer para professores; não apenas com a aferição e comparação com as melhores práticas, mas sobretudo com a possibilidade de manter uma agenda de diplomacia cultural autónoma." O Reitor da UC afirma constatar que universidades como a sua "têm capacidade para chegar onde a diplomacia clássica e política não chega", facto que Espanha e Brasil já compreenderam, defendendo "que o Governo português devia olhar para o papel que as universidades podem constituir neste campo e apoiá-las".
Seabra Santos acha, por outro lado, que o afastamento de Coimbra em relação a Lisboa não está na distância "mas nas opções e orientações políticas dos vários governos", acrescentando que "Portugal está a tornar-se um país excessivamente centralizado" e que "os grandes investimentos públicos continuam a ser feitos em Lisboa". Para o Reitor da UC "é uma política desastrosa em termos de equilíbrio nacional."

Na cerimónia de abertura do novo ano lectivo da UC, o reitor Fernando Seabra Santos apresentou ao Governo um caderno de encargos com seis pontos — o ordenamento da oferta educativa, a racionalização da rede de instituições, a política de financiamento, a clarificação do conceito de autonomia, a revitalização do processo de avaliação e a maior aproximação entre sistema universitário e científico — que preocupam as instituições de ensino superior.

segunda-feira, outubro 05, 2009

Dia do Professor: que esperança?

Hoje é Dia do Professor. Pela primeira vez, em quatro anos, os professores portugueses celebram-no com esperança e sem manifestações de rua.
É verdade que eles foram certamente decisivos para que Sócrates perdesse a maioria absoluta e a executora da política de destruição do Ensino e da Escola Pública fosse definitivamente chumbada e atirada para o caixote do lixo da História.



Porém, num momento em que o futuro governo ainda não está constituído e, menos ainda, sabemos qual vai ser a sua orientação política, talvez fosse mais prudente manterem a expectativa, sem descartarem a hipótese de ser necessário voltarem à luta. Ao fim e ao cabo, nada de substantivo ainda mudou: a pseudo-avaliação do desempenho, a divisão arbitrária da carreira em categorias e o Estatuto da Carrreira Docente (sem falarmos na liquidação da gestão democrática das escolas).

Celebrar o 5 de Outubro

Faz hoje precisamente 99 anos que foi implantada a República. Celebrar o 5 de Outubro de 1910, nos dias que correm, mais do que festejar um passado infelizmente inconsequente, perdido nas brumas da memória, deve servir para recordarmos as promessas não cumpridas de Abril e para nos interrogarmos seriamente sobre o muito que ainda está por fazer.



Por que razão…
  • continuamos a ser um dos países mais pobres, desiguais e atrasados da Europa?
  • dois milhões vivem abaixo do limiar da pobreza?
  • cerca de 650 mil estão no desemprego, mais de 200 mil dos quais não recebem qualquer subsídio?
  • o desemprego precário atinge cerca de dois milhões?
  • a corrupção alastra tendo aumentado nos últimos quatro anos?
  • a Justiça é cara, demorada e praticamente inoperante com os poderosos?
  • é cada vez maior a promiscuidade entre o Estado e os grupos económicos?
  • o tecido industrial está a desfazer-se, com especial relevância para as micro, pequenas e médias empresas?
  • a agricultura e as pescas foram praticamente desmanteladas?
  • o ensino está cada vez mais longe de conseguir a efectiva alfabetização e qualificação dos jovens e da população activa?
Em suma, por que razão continuamos tão longe de sermos uma verdadeira democracia?

domingo, outubro 04, 2009

"Gracias a la vida", mesmo na morte

A cantora popular argentina Mercedes Sosa, que lutou contra as ditaduras fascistas na América do Sul com a sua potente voz e se tornou numa lenda da música latino-americana, morreu hoje, aos 74 anos.



Carinhosamente apelidada "La Negra" - devido ao seu cabelo preto e à tez morena - Sosa foi igualmente chamada de “voz de uma maioria silenciosa”, tendo sempre lutado pelos direitos dos mais pobres e pela liberdade política.
A sua versão da música “Gracias a la Vida”, de Violeta Parra, tornou-se um hino para os esquerdistas de todo o mundo, nas décadas de 1970 e 1980, quando foi forçada a exilar-se na Europa e os seus discos foram banidos.

sábado, outubro 03, 2009

Até a pobreza vende

A boneca Gwen, uma «sem-abrigo» da marca American Girls, custa 95 dólares e o produto da venda não reverterá para obras de caridade, revela o «Huffington Post».
Admito que, sobretudo os que apenas se preocupam em tratar da vidinha, achem que afirmar que o capitalismo se alimenta da miséria das massas é demagógico.
Pois não há nada de mais verdadeiro e este caso comprova-o à saciedade.

Será que muda mesmo?

O que muda com o tratado de Lisboa (adaptado daqui):
  1. O tratado acaba com o processo da presidência semestral rotativa de cada Estado. Passa a ser nomeado um presidente, e um chefe da diplomacia para um mandato de dois anos e meio, no máximo dois mandatos de cinco anos.
  2. O novo sistema de voto, prevê a tomada de uma decisão se ela tiver o apoio de 55 por cento dos Estados que representem 65 por cento da população da UE. O que vai dar mais peso aos países com mais população.
  3. Única instituição eleita pelos cidadãos, o Parlamento Europeu vai dispor de verdadeiros instrumentos de co-decisão a par dos Estados em assuntos directamente ligados à vida dos cidadãos, como a agricultura, pesca, polícia e justiça.
  4. Um dos objectivos do Tratado é armar melhor a Europa para lutar contra a criminalidade, o terrorismo, e promover e apoiar medidas de segurança.
  5. Um milhão de cidadãos europeus pode instar a Comissão Europeia a estudar uma proposta legislativa. 
  6. As preocupações cívicas europeias com a segurança energética, alterações climáticas, saúde e emprego estão presentes no Tratado. Mas pouco.

Água mole em pedra dura…

… Tanto dá até que fura!
Não foi à primeira, foi à segunda (ou iria à terceira, se preciso fosse). É assim, a democracia comunitária.

A (futura) primeira potência mundial

Em termos de poder geopolítico e geoeconómico relativo, a China duplicou desde 1973 — numa escala aritmética "disparou" de 66,17 pontos para 132,46. Como os Estados Unidos declinaram ligeiramente (apenas 2% desde 1973 e 0,6% desde 1998), manifestando uma clara resiliência, a nova potência asiática foi preenchendo o espaço no balanço mundial deixado vago pela queda brutal da Rússia (58% desde os tempos da URSS em 1973) e mais moderadamente do Japão (cerca de 16%) e da Europa (12,5% no caso de se considerar a União Europeia a 24 membros).




O que este estudo não revela é que os americanos sobrevivem cada vez mais à custa dos chineses. São estes que lhes custeiam a astronómica dívida pública comprando-lhes doses maciças de títulos do tesouro da Reserva Federal.
Não há dúvida que, neste século XXI, a China vai ser a primeira potência mundial. Só quem anda desatento ou não viu a transmissão televisiva da celebração dos 60 anos da República Popular da China pode admirar-se Seja comunismo, capitalismo de Estado ou tenha ou não alguma a coisa a ver com democracia e respeito pelos direitos humanos. Isso já seria outra conversa.

sexta-feira, outubro 02, 2009

Finalmente livres

Cantiga do ódio

O amor de guardar ódios
agrada ao meu coração,
se o ódio guardar o amor
de servir a servidão.
Há-de sentir o meu ódio
quem o meu ódio mereça:
ó vida, cega-me os olhos
se não cumprir a promessa.
E venha a morte depois
fria como a luz dos astros:
que nos importa morrer
se não morrermos de rastros?


Carlos de Oliveira

Os professores portugueses estão finalmente de parabéns. Não conseguiram livrar-se da figura mais sinistra do governo nas ruas, com greves e manifestações que ficaram na história, fizeram-no tirando a maioria absoluta a Sócrates. Bem sei que há-de ser recompensada pelos relevantes serviços prestados ao país — destruição da Escola Pública e humilhação da classe docente  — com um tacho na administração pública ou uma comenda no 10 de Junho. Mas a maior recompensa que lhe desejo é que a sua alma, se a tem, arda nas profundas dos infernos, se existem.

quarta-feira, setembro 30, 2009

Não tenho culpa, não votei nele(s)

Os dirigentes do P"S", com Sócrates à cabeça, não são flores que se cheire e eu nunca lhes compraria um carro em segunda mão. E é para mim claro que, ainda que não tenham montado escutas em Belém, os senhores do Rato armaram uma ratoeira política a Cavaco.



Mas um Presidente da República que, em vez de confrontar  o Governo com os reais problemas do país, como lhe competiria, — 600 000 desempregados, 2 milhões de pobres, dívida pública de quase 100% do PIB, défice orçamental as galopar para mais de 6% —  nos distrai com minudências que deveria ter resolvido, de imediato, há um ano atrás, não tem condições para ser Chefe de Estado.
Mal vai um país que tem um Governo que não governa. Pior ainda, se tem um Chefe de Estado que não sabe sê-lo. Resta-me a consolação — fraca, bem sei — de não ter votado em nenhum deles.

segunda-feira, setembro 28, 2009

Os patrões portugueses são "burros"

O presidente do patronato — das grandes empresas, entenda-se — D. Francisco Van Zeller, não perdeu tempo a fazer chantagem, avisando "solenemente" que os empresários não vão investir se o "novo" Governo (aspas nossas) não der estabilidade. E, com falinhas mansas, acrescentou que nenhuma solução de governo poderá passar por uma coligação de Esquerda.
Escusava de o dizer porque nós há muito sabemos que estes "senhores" fogem da Esquerda como o diabo da cruz. A dependência dos favores do Estado, tenham eles a forma de milhões, legislação ou ausência dela, é genética; corre-lhes nas veias desde os tempos do Estado "Novo".
Afinal, o que é que estes tipos aprendem com o exemplo da Noruega — apenas o país mais desenvolvido do… mundo — onde os empresários não têm qualquer problema em trabalhar com um governo de maioria de Esquerda? Literalmente nada. Mas isso não é de admirar numa classe que, em média, tem menos habilitações que os seus empregados.

A grande vitória



(clicar na imagem para ampliar)

O Partido  de Sócrates foi o único dos partidos com representação parlamentar que desceu em relação a 2005.  Um enorme tambolhão que "alimentou" a subida dos restantes partidos e, quando ainda não estão apurados os resultados da emigração, custou ao P"S" a perda de cerca de meio milhão de votos e de 24 deputados. Se a isto acrescentarmos o fim da maioria absoluta e do "quero, posso e mando", qualquer pessoa intelectualmente honesta há-de reconhecer que, mais do que uma "extraordinária vitória do P'S'", como alardeou José Sócrates, é uma grande vitória dos eleitores que tiveram lucidez suficiente para resistir à terrivel máquina de propaganda "socialista".

Por favor, não traiam os nossos votos!

A maioria absoluta do Partido de Sócrates foi DERROTADA (desculpem "gritar" mas foi isso que aconteceu).
O BE ultrapassa largamente o meio milhão de votos quase duplicando a sua percentagem, elege em 9 distritos e passa a ter o dobro dos deputados —16 — (só não conseguindo mais 3/ 4 porque falhou, por escassa margem, a percentagem para o último deputado, noutros tantos distritos — o método de Hondt tem destas coisas…).
A CDU também cresceu e tem agora 15 mandatos.
Registe-se que a Esquerda, ao fim de alguns anos, volta a ter um deputado em Coimbra, através do Bloco.
(Só o P de P é que nos estragou a festa…). 

Agora vamos ver o que Sócrates vai fazer com a sua "extraordinária vitória" (como ele lhe chamou) a qual, felizmente, não passa de uma simples maioria relativa?!…
As Esquerdas — BE e CDU — só podem exigir políticas de Esquerda, seja através de acordos de incidência governamental, seja através de uma Maioria de Esquerda (solução que se afigura mais difícil com um partido habituado a governar à Direita).
Sem isso, não aprovem o Orçamento! Por favor, não traiam os nossos votos!

sábado, setembro 26, 2009

Vota!

Votar é um dever cívico. Mas é sobretudo um direito. De que não deves abdicar.
Não deixes que os outros decidam por ti!
PELA TUA VIDA, PELO TEU FUTURO, POR TI,
VOTA!

sexta-feira, setembro 25, 2009

Não passarão!

Em 28 de Setembro de 1974, a Maioria Silenciosa e a reacção não passaram. Em 27 de Setembro de 2009, a maioria absoluta de Sócrates e a Direita não passarão.

Os direitos e a liberdade que (não) temos

A evolução dos Direitos Humanos conheceu três fases bem distintas ao longo da História.
A Revolução Francesa (1789) consagrou, ainda que de forma limitada, os direitos civis e políticos ou da primeira geração (direito de voto, de reunião, de manifestação, etc.), na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão.
Entretanto, ao longo do século XIX, com o desenvolvimento do capitalismo industrial, agravaram-se as condições de vida da classe operária e aumentaram as desigualdades sociais, o que originou a contestação dos trabalhadores que haveria de conduzir, nos finais do século, à conquista de direitos económicos e sociais ou da segunda geração, passando as constituições a incluir, por exemplo, os direitos ao trabalho, à Segurança Social, à protecção e assistência à família, ao ensino, etc.
Esses direitos haveriam de ser, mais tarde, em 1948, aprofundados e consagrados pela Organização das Nações Unidas na Declaração Universal dos Direitos do Homem.
Posteriormente, as Nações Unidas vieram a adaptar e reorientar o seu programa de direitos humanos, que passou a incluir, a partir dos anos 80, as preocupações ambientais, nascendo, assim, os direitos colectivos ou da terceira geração (direito à paz, ao desenvolvimento, à qualidade ambiental e ao usufruto do património comum da humanidade).

Como facilmente se perceberá, a concretização dos Direitos Humanos não se tem processado da mesma forma e ao mesmo ritmo nas diferentes partes do mundo. Nem mesmo nos chamados regimes democráticos.

Em Portugal, por exemplo, só estão garantidos (estão?) os direitos civis e políticos. Quanto aos outros, é o que se sabe.
O direito ao trabalho, para cerca de 600 000 desempregados, só existe no papel. Milhares de reformados sobrevivem (como?) com reformas de menos de 400 euros, cerca de 200 mil desempregados não recebem subsídio de desemprego e a idade de aposentação é elevada aos limites da pura desumanidade. Há cada vez mais pessoas a recorrer a instituições de solidariedade  para não morrerem à fome. Já o encerramento de urgências e de maternidades e o agravamento das taxas moderadoras e de internamento são um "brilhante" exemplo do apoio às famílias e do direito à saúde. E o ensino obrigatório que, de acordo com a constituição, deveria ser "tendencialmente gratuito", obriga cada vez mais os utentes a desatar os cordões à bolsa. Quanto a desenvolvimento, estamos pouco mais do que na cauda da Europa e no que toca a ambiente e ordenamento do território é o caos.


É caso para concluir, portanto, que em matéria de direitos humanos, muito pouco avançámos em relação ao século XIX!…
E a questão que, a terminar, deixo é: como é que políticos e partidos que, durante os últimos trinta anos, pouco ou nada fizeram para garantir os mais elementares direitos dos cidadãos têm coragem de lhes vir novamente pedir o voto??? Só podem não ter mesmo um pingo de vergonha!…

quarta-feira, setembro 23, 2009

O negócio da educação

Com a conivência do Estado e a irresponsabilidade da Família, a educação e o ensino das nossas crianças e jovens estão a sofrer danos de tal modo profundos que as consequências deste desastre vão perdurar, provavelmente de forma irreversível, na nossa sociedade.
A Educação está a ser destruída porque as famílias, salvo raras excepções, não educam (por falta de tempo, por demissão, por incapacidade) nem deixam a Escola educar.
O Ensino vai pelo mesmo caminho porque, com a desautorização dos professores, a proliferação da indisciplina e a falta de exigência na aprendizagem, a Escola Pública está a ser desvalorizada/ desmantelada e aberta a negócios duvidosos, de que este dos mediadores para o "sucesso" escolar (estatístico, claro) é apenas mais um exemplo.
O projecto português “Mediadores para o Sucesso Escolar”, que permitiu aumentar em 14 pontos percentuais o sucesso escolar de alunos do ensino básico, é hoje apresentado como um “case-study” na conferência Clinton Global Initiative, em Nova Iorque.

A Esquerda impossível

Só os poetas têm a necessária criatividade literária para criarem neologismos de semântica tão intrincada como a expressão esquerda possível, que Manuel Alegre usou, pela primeira vez, no comício do P"S", em Coimbra.
E para nos ajudar a desmontar este elaborado conceito, ninguém melhor que os Gato Fedorento, verdadeiros especialistas numa matéria de tamanha seriedade:
[…] Em Ciência Política, a esquerda possível, juntamente com a direita provável e o centro hipotético, formam a base de sustentação teórica de quem não tem ideologia nenhuma mas gosta de gritar palavras de ordem. A esquerda possível está para a Esquerda como o Mokambo está para o café. É castanho, é quentinho mas, não me lixem, não é café.
O programa político da esquerda possível é quase igual ao da Esquerda só que, muito diferente. A esquerda possível é a esquerda que defende o SNS gratuito para todos… os que não estão doentes. E também a retirada imediata do Afeganistão… durante dois dias. É a esquerda que apoia o casamento entre pessoas do mesmo sexo… desde que não haja um papel passado, não se chame casamento, nem seja atribuído qualquer direito aos alegados cônjuges.
Fica definitivamente esclarecido, portanto, que se trata de uma Esquerda impossível.