quarta-feira, setembro 30, 2009

Não tenho culpa, não votei nele(s)

Os dirigentes do P"S", com Sócrates à cabeça, não são flores que se cheire e eu nunca lhes compraria um carro em segunda mão. E é para mim claro que, ainda que não tenham montado escutas em Belém, os senhores do Rato armaram uma ratoeira política a Cavaco.



Mas um Presidente da República que, em vez de confrontar  o Governo com os reais problemas do país, como lhe competiria, — 600 000 desempregados, 2 milhões de pobres, dívida pública de quase 100% do PIB, défice orçamental as galopar para mais de 6% —  nos distrai com minudências que deveria ter resolvido, de imediato, há um ano atrás, não tem condições para ser Chefe de Estado.
Mal vai um país que tem um Governo que não governa. Pior ainda, se tem um Chefe de Estado que não sabe sê-lo. Resta-me a consolação — fraca, bem sei — de não ter votado em nenhum deles.

segunda-feira, setembro 28, 2009

Os patrões portugueses são "burros"

O presidente do patronato — das grandes empresas, entenda-se — D. Francisco Van Zeller, não perdeu tempo a fazer chantagem, avisando "solenemente" que os empresários não vão investir se o "novo" Governo (aspas nossas) não der estabilidade. E, com falinhas mansas, acrescentou que nenhuma solução de governo poderá passar por uma coligação de Esquerda.
Escusava de o dizer porque nós há muito sabemos que estes "senhores" fogem da Esquerda como o diabo da cruz. A dependência dos favores do Estado, tenham eles a forma de milhões, legislação ou ausência dela, é genética; corre-lhes nas veias desde os tempos do Estado "Novo".
Afinal, o que é que estes tipos aprendem com o exemplo da Noruega — apenas o país mais desenvolvido do… mundo — onde os empresários não têm qualquer problema em trabalhar com um governo de maioria de Esquerda? Literalmente nada. Mas isso não é de admirar numa classe que, em média, tem menos habilitações que os seus empregados.

A grande vitória



(clicar na imagem para ampliar)

O Partido  de Sócrates foi o único dos partidos com representação parlamentar que desceu em relação a 2005.  Um enorme tambolhão que "alimentou" a subida dos restantes partidos e, quando ainda não estão apurados os resultados da emigração, custou ao P"S" a perda de cerca de meio milhão de votos e de 24 deputados. Se a isto acrescentarmos o fim da maioria absoluta e do "quero, posso e mando", qualquer pessoa intelectualmente honesta há-de reconhecer que, mais do que uma "extraordinária vitória do P'S'", como alardeou José Sócrates, é uma grande vitória dos eleitores que tiveram lucidez suficiente para resistir à terrivel máquina de propaganda "socialista".

Por favor, não traiam os nossos votos!

A maioria absoluta do Partido de Sócrates foi DERROTADA (desculpem "gritar" mas foi isso que aconteceu).
O BE ultrapassa largamente o meio milhão de votos quase duplicando a sua percentagem, elege em 9 distritos e passa a ter o dobro dos deputados —16 — (só não conseguindo mais 3/ 4 porque falhou, por escassa margem, a percentagem para o último deputado, noutros tantos distritos — o método de Hondt tem destas coisas…).
A CDU também cresceu e tem agora 15 mandatos.
Registe-se que a Esquerda, ao fim de alguns anos, volta a ter um deputado em Coimbra, através do Bloco.
(Só o P de P é que nos estragou a festa…). 

Agora vamos ver o que Sócrates vai fazer com a sua "extraordinária vitória" (como ele lhe chamou) a qual, felizmente, não passa de uma simples maioria relativa?!…
As Esquerdas — BE e CDU — só podem exigir políticas de Esquerda, seja através de acordos de incidência governamental, seja através de uma Maioria de Esquerda (solução que se afigura mais difícil com um partido habituado a governar à Direita).
Sem isso, não aprovem o Orçamento! Por favor, não traiam os nossos votos!

sábado, setembro 26, 2009

Vota!

Votar é um dever cívico. Mas é sobretudo um direito. De que não deves abdicar.
Não deixes que os outros decidam por ti!
PELA TUA VIDA, PELO TEU FUTURO, POR TI,
VOTA!

sexta-feira, setembro 25, 2009

Não passarão!

Em 28 de Setembro de 1974, a Maioria Silenciosa e a reacção não passaram. Em 27 de Setembro de 2009, a maioria absoluta de Sócrates e a Direita não passarão.

Os direitos e a liberdade que (não) temos

A evolução dos Direitos Humanos conheceu três fases bem distintas ao longo da História.
A Revolução Francesa (1789) consagrou, ainda que de forma limitada, os direitos civis e políticos ou da primeira geração (direito de voto, de reunião, de manifestação, etc.), na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão.
Entretanto, ao longo do século XIX, com o desenvolvimento do capitalismo industrial, agravaram-se as condições de vida da classe operária e aumentaram as desigualdades sociais, o que originou a contestação dos trabalhadores que haveria de conduzir, nos finais do século, à conquista de direitos económicos e sociais ou da segunda geração, passando as constituições a incluir, por exemplo, os direitos ao trabalho, à Segurança Social, à protecção e assistência à família, ao ensino, etc.
Esses direitos haveriam de ser, mais tarde, em 1948, aprofundados e consagrados pela Organização das Nações Unidas na Declaração Universal dos Direitos do Homem.
Posteriormente, as Nações Unidas vieram a adaptar e reorientar o seu programa de direitos humanos, que passou a incluir, a partir dos anos 80, as preocupações ambientais, nascendo, assim, os direitos colectivos ou da terceira geração (direito à paz, ao desenvolvimento, à qualidade ambiental e ao usufruto do património comum da humanidade).

Como facilmente se perceberá, a concretização dos Direitos Humanos não se tem processado da mesma forma e ao mesmo ritmo nas diferentes partes do mundo. Nem mesmo nos chamados regimes democráticos.

Em Portugal, por exemplo, só estão garantidos (estão?) os direitos civis e políticos. Quanto aos outros, é o que se sabe.
O direito ao trabalho, para cerca de 600 000 desempregados, só existe no papel. Milhares de reformados sobrevivem (como?) com reformas de menos de 400 euros, cerca de 200 mil desempregados não recebem subsídio de desemprego e a idade de aposentação é elevada aos limites da pura desumanidade. Há cada vez mais pessoas a recorrer a instituições de solidariedade  para não morrerem à fome. Já o encerramento de urgências e de maternidades e o agravamento das taxas moderadoras e de internamento são um "brilhante" exemplo do apoio às famílias e do direito à saúde. E o ensino obrigatório que, de acordo com a constituição, deveria ser "tendencialmente gratuito", obriga cada vez mais os utentes a desatar os cordões à bolsa. Quanto a desenvolvimento, estamos pouco mais do que na cauda da Europa e no que toca a ambiente e ordenamento do território é o caos.


É caso para concluir, portanto, que em matéria de direitos humanos, muito pouco avançámos em relação ao século XIX!…
E a questão que, a terminar, deixo é: como é que políticos e partidos que, durante os últimos trinta anos, pouco ou nada fizeram para garantir os mais elementares direitos dos cidadãos têm coragem de lhes vir novamente pedir o voto??? Só podem não ter mesmo um pingo de vergonha!…

quarta-feira, setembro 23, 2009

O negócio da educação

Com a conivência do Estado e a irresponsabilidade da Família, a educação e o ensino das nossas crianças e jovens estão a sofrer danos de tal modo profundos que as consequências deste desastre vão perdurar, provavelmente de forma irreversível, na nossa sociedade.
A Educação está a ser destruída porque as famílias, salvo raras excepções, não educam (por falta de tempo, por demissão, por incapacidade) nem deixam a Escola educar.
O Ensino vai pelo mesmo caminho porque, com a desautorização dos professores, a proliferação da indisciplina e a falta de exigência na aprendizagem, a Escola Pública está a ser desvalorizada/ desmantelada e aberta a negócios duvidosos, de que este dos mediadores para o "sucesso" escolar (estatístico, claro) é apenas mais um exemplo.
O projecto português “Mediadores para o Sucesso Escolar”, que permitiu aumentar em 14 pontos percentuais o sucesso escolar de alunos do ensino básico, é hoje apresentado como um “case-study” na conferência Clinton Global Initiative, em Nova Iorque.

A Esquerda impossível

Só os poetas têm a necessária criatividade literária para criarem neologismos de semântica tão intrincada como a expressão esquerda possível, que Manuel Alegre usou, pela primeira vez, no comício do P"S", em Coimbra.
E para nos ajudar a desmontar este elaborado conceito, ninguém melhor que os Gato Fedorento, verdadeiros especialistas numa matéria de tamanha seriedade:
[…] Em Ciência Política, a esquerda possível, juntamente com a direita provável e o centro hipotético, formam a base de sustentação teórica de quem não tem ideologia nenhuma mas gosta de gritar palavras de ordem. A esquerda possível está para a Esquerda como o Mokambo está para o café. É castanho, é quentinho mas, não me lixem, não é café.
O programa político da esquerda possível é quase igual ao da Esquerda só que, muito diferente. A esquerda possível é a esquerda que defende o SNS gratuito para todos… os que não estão doentes. E também a retirada imediata do Afeganistão… durante dois dias. É a esquerda que apoia o casamento entre pessoas do mesmo sexo… desde que não haja um papel passado, não se chame casamento, nem seja atribuído qualquer direito aos alegados cônjuges.
Fica definitivamente esclarecido, portanto, que se trata de uma Esquerda impossível.

terça-feira, setembro 22, 2009

Onde pára o graveto?

Em 2008, Portugal recebeu mais dinheiro da União Europeia. Para sermos mais precisos, ficámos em sexto lugar na lista de países que mais receberam dos cofres comunitários. De resto, desde que, em 1986, aderimos à então comunidade europeia, que a chuva de fundos comunitários não tem parado de cair por cá.
Porém, apesar deste maná, continuamos a ser um dos países mais pobres e, praticamente, o mais desigual dos vinte e sete estados-membros da União Europeia. É caso para pensar que, ou alguém se tem amanhado com o graveto, ou a governação tem sido  incompetente, ou, pior ainda, as duas coisas.

segunda-feira, setembro 21, 2009

A menina dança?

Na hora da verdade, quando os tachos e mordomias correm perigo, a maçonaria do P"S" cerra fileiras e manda os pruridos ideológicos às urtigas.
Foi assim com Alegre, que declarou fazer o que fosse preciso com Sócrates.
É assim com o patriarca Soares, que vem agora tentar convencer-nos que Sócrates é fixe e afirmar que não lhe repugna um entendimento entre o P"S" o BE.

Francisco Louçã responde-lhe que não entra nesse baile e, referindo-se a Sócrates, garante que não dança com "galifões". É o que nós queremos ouvir.
A haver entendimentos à esquerda, que sejam pontuais e apenas em defesa dos interesses nacionais e dos mais desfavorecidos

domingo, setembro 20, 2009

E Alegre se fez triste

Já tinha declarado que "se for preciso fazer alguma coisa com José Sócrates, [fá-lo-á]".
Ontem, no comício de Coimbra, afirmou estar ali para "apoiar o P'S' no essencial: derrubar a direita" e ajudar a eleger "um Governo de esquerda. A esquerda possível".
Como se alguém, no seu perfeito juízo, após a desgraçada experiência dos últimos quatro anos, acreditasse que um novo governo de Sócrates viesse a ser, no essencial, um governo de esquerda!…
Usando as palavras do poeta …e Alegre se fez triste!

sexta-feira, setembro 18, 2009

Crisis? What crisis?




A Lamborghini lança o modelo mais caro de sempre, com um preço de 1,1 milhões de euros. E como há uma minoria que, paradoxalmente, enriquece mais com a recessão e a crise, a filial italiana do grupo Volkswagen já recebeu pedidos para doze dos quinze modelos que pretende fabricar.

Um sistema sem saída

45 executivos do banco britânico Barclays mudaram-se para uma sociedade recém-criada nas Ilhas Caimão, com receio que a União Europeia imponha limites à remuneração dos gestores.
Enquanto os governos não se dispuserem a acabar com os paraísos fiscais — e duvidamos que o façam, tal a promiscuidade entre a política e a alta finança — a gula insaciável desta gente não terá fim. E a crise do sistema capitalista também não.

quinta-feira, setembro 17, 2009

Quem cometeu os crimes de Gaza?

Um relatório da Organização das Nações Unidas aponta que tanto o Exército de Israel como as forças de segurança palestinas cometeram crimes de guerra durante o conflito na Faixa de Gaza.
Durante 22 dias, a máquina de guerra judaica metralhou selvaticamente um pequeno território de menos de 40 quilómetros quadrados, onde se aglomeram mais de 2 milhões de pessoas, não poupando sequer casas, escolas e hospitais e deixando atrás de si um rasto de terror, destruição e morte que, segundo uma insuspeita ONG israelita, causou 1.387 vítimas entre os palestinos. Os "terroristas" do Hamas, com os seus morteiros zarolhos, a única coisa que conseguiram foi irritar os israelitas que, apesar da sua esmagadora superioridade e porque quem vai à guerra dá e leva, acabaram por sofrer 13 vítimas.
A haver parcialidade do relatório (e objectivamente há) ela pende para o lado israelita porque trata as duas partes em pé-de-igualdade quando foram os judeus que iniciaram as hostilidades, usaram meios absolutamente desproporcionados e causaram um número de vítimas mais de 100 vezes maior do que o que supostamente foi causado pelos palestinos. Mas o governo de Israel que, como é habitual, continua a fazer tábua-rasa do Direito Internacional e da legalidade, recusando-se a colaborar com as investigações, questionou a imparcialidade do relatório e afirmou que o documento pende para o lado palestiniano.
Haja alguém que ponha estes fulanos na ordem, por favor! Obama podia (e devia) dar um jeito, mas está mais preocupado em manter o bloqueio a Cuba.

quarta-feira, setembro 16, 2009

A importância do "Se"

O secretário-geral do PCP garantiu que a CDU não troca o compromisso com o povo português por uns lugares no poder. No entanto, Jerónimo de Sousa não excluiu totalmente a hipótese de um entendimento pós-eleitoral com o PS, se José Sócrates fizesse uma "alteração política" de "ruptura com este caminho para o desastre".

O problema da Europa

Durão Barroso foi reconduzido por mais cinco anos em Bruxelas e não
perdeu tempo a reconhecer que sem o apoio de Sócrates não poderia ter
sido candidato. Não admira que o ainda Primeiro-ministro tenha
felicitado vivamente Barroso pela boa notícia da sua reeleição. Como
não espanta que Ferreira Leite afirme que é um motivo de grande
orgulho.
Já para Francisco Louçã o que a reeleição de Durão mostra é uma Europa
com problemas.
Nós o que achamos é que o maior problema da Europa é a reeleição e
continuação de Barroso. Sobretudo quando a América teve o bom senso de
se livrar de Bush.

terça-feira, setembro 15, 2009

segunda-feira, setembro 14, 2009

Alegre: ponto final.

Manuel Alegre afirma que "o PS está a travar um combate muito difícil". Na realidade, ele próprio tem lutado para reabilitar um partido que, embora tenha uma matriz ideológica de esquerda, outra coisa não tem feito senão governar à direita, quando está no poder.

E acrescenta que, entre o PS e o PSD, está totalmente com o PS, o que, em nossa opinião, ainda seria compreensível, se de algum modo se demarcasse da actual direcção do partido, que nada tem a ver com a Esquerda. Era o mínimo que se esperaria de quem enfrentou Sócrates na corrida para secretário-geral do PS, se candidatou à Presidência da República como independente contra o candidato oficial do seu partido, constituiu um Movimento Independente de Cidadãos e abriu o diálogo e a reflexão política à Esquerda, assumiu posições de completa rotura com a direcção do P"S" em matérias fundamentais como o Código Laboral e a avaliação de professores.

Mas, ao afirmar peremptoriamente que "se for preciso fazer alguma coisa com José Sócrates, [fá-lo-á]", Alegre desfaz definitivamente as dúvidas que poderiam subsistir sobre os seus objectivos políticos: não são a recuperação do PS como partido de Esquerda, não são o diálogo e a unidade da Esquerda, são sim o posicionamento para uma futura candidatura às eleições presidenciais. 
Tem toda a legitimidade para o fazer. Não contará é com o nosso apoio e com o nosso voto. Ponto final.

sexta-feira, setembro 11, 2009

Centrão ou Maioria de Esquerda?

As sondagens de opinião valem o que valem e as últimas, sobre as intenções de voto para o Parlamento Europeu, como se verificou, valeram muito pouco.
Dito isto, o estudo de opinião da Eurosondagem para a SIC, o Expresso e a Rádio Renascença atribui as seguintes intenções de voto:
  • PS - 33,6%
  • PSD - 32,5%
  • BE - 9,6%
  • CDU - 9,4%
  • CDS - 8,0%


Sabendo-se que a margem de erro da amostra é de 2,2%, neste momento regista-se um empate técnico entre PS e PSD.
Em todo o caso, se se viessem a verificar aproximadamente estes resultados, para além de um Governo de Bloco Central (PS/ PSD), só restaria a hipótese de um Governo de Maioria de Esquerda (PS/ BE/ PCP), curiosamente, defendida por 70% dos respondentes a uma enquete deste blogue.