Depois de um longo período em que fez voto de silêncio, Manuela Ferreira Leite, embalada pela queda vertiginosa do P"S" nas eleições europeias, surge-nos agora numa atitude mais rasgativa, tentando fazer-nos crer que, se ganhar as eleições, irá não apenas "rasgar" o essencial do programa de obras públicas, mas também inverter prioridades no sector da educação, através de uma reforma curricular profunda e do aumento da exigência na aprendizagem.
Pra começar, não está mau, mas seria bom saber o que pensa a senhora, do Estatuto da Carreira Docente, da divisão da carreira docente em categorias e do novo modelo de gestão das escolas, por exemplo. E já agora, da avaliação do desempenho docente. Eu por mim não alimento grandes expectativas. Ferreira Leite já foi ministra da Educação (e das Finanças) e não deixou propriamente grandes saudades.
O que é preciso é rasgar a alternância. Está na hora de procurarmos verdadeiras alternativas. À Esquerda, de preferência.
segunda-feira, junho 29, 2009
Mentirosos compulsivos
Coitado do mentiroso
Mente uma vez, mente sempre
Mesmo que fale verdade
Todos lhe dizem que mente
António Aleixo
"O gabinete de comunicação [do Ministério da Educação] não mente". Equivoca-se! Pois…
Mas, será isto para admirar num governo cujo chefe é um mentiroso compulsivo?
Mente uma vez, mente sempre
Mesmo que fale verdade
Todos lhe dizem que mente
António Aleixo
"O gabinete de comunicação [do Ministério da Educação] não mente". Equivoca-se! Pois…
Mas, será isto para admirar num governo cujo chefe é um mentiroso compulsivo?
Avaliação terceiro-mundista
Um estudo comparativo dos modelos de avaliação dos docentes em Portugal, França, Inglaterra, Holanda e Polónia, encomendado pelo Ministério da Trapalhada Educação à consultora Deloitte, revela algumas conclusões particularmente interessantes:
Com o mesmo objectivo, ao contrário das boas práticas dos países mais desenvolvidos, é um modelo persecutório e discriminatório, que promove o divisionismo e a competição cega em detrimento da cooperação e da dinâmica grupal.
É um modelo terceiro-mundista, decalcado do modelo chileno, há muito o sabíamos.
A questão que agora se coloca é a seguinte: que vai Lurdes Rodrigues fazer com este estudo, que arrasa por completo a monstruosidade que ela urdiu para avaliar os docentes? Não sei, mas, com as eleições a proximarem-se, admito que esta gente seja capaz de qualquer operação de cosmética para levar os professores à certa!…
Quanto a mim, sei bem o que vou fazer em 27 de Setembro: chumbar a pior equipa que alguma vez passou pelo Ministério da Educação!…
- O modelo português é o único que estabelece a existência de quotas que restringem a atribuição das menções mais elevadas.
- Enquanto nos países do centro, norte e leste europeu, a avaliação é maioritariamente feita ao nível da escola, o modelo imposto por cá incide na avaliação individual do desempenho docente.
Com o mesmo objectivo, ao contrário das boas práticas dos países mais desenvolvidos, é um modelo persecutório e discriminatório, que promove o divisionismo e a competição cega em detrimento da cooperação e da dinâmica grupal.
É um modelo terceiro-mundista, decalcado do modelo chileno, há muito o sabíamos.
A questão que agora se coloca é a seguinte: que vai Lurdes Rodrigues fazer com este estudo, que arrasa por completo a monstruosidade que ela urdiu para avaliar os docentes? Não sei, mas, com as eleições a proximarem-se, admito que esta gente seja capaz de qualquer operação de cosmética para levar os professores à certa!…
Quanto a mim, sei bem o que vou fazer em 27 de Setembro: chumbar a pior equipa que alguma vez passou pelo Ministério da Educação!…
domingo, junho 28, 2009
Pobreza de espírito
Numa casa portuguesa fica bem
pão e vinho sobre a mesa.
Quando à porta humildemente bate alguém,
senta-se à mesa co'a gente.
Fica bem essa franqueza, fica bem,
que o povo nunca a desmente.
A alegria da pobreza
está nesta grande riqueza
de dar, e ficar contente.
Quatro paredes caiadas,
um cheirinho á alecrim,
um cacho de uvas doiradas,
duas rosas num jardim,
um São José de azulejo
sob um sol de primavera,
uma promessa de beijos
dois braços à minha espera...
É uma casa portuguesa, com certeza!
É, com certeza, uma casa portuguesa!
No conforto pobrezinho do meu lar,
há fartura de carinho.
A cortina da janela e o luar,
mais o sol que gosta dela...
Basta pouco, poucochinho p'ra alegrar
uma existência singela...
É só amor, pão e vinho
e um caldo verde, verdinho
a fumegar na tigela.
Quatro paredes caiadas,
um cheirinho á alecrim,
um cacho de uvas doiradas,
duas rosas num jardim,
um São José de azulejo
sob um sol de primavera,
uma promessa de beijos
dois braços à minha espera...
É uma casa portuguesa, com certeza!
É, com certeza, uma casa portuguesa!
A maioria dos portugueses, apesar de pobre, considera-se feliz.
De repente, fica claro por que sessenta por cento dos portugueses não votam e, dos que o fazem, mais de setenta por cento se conformam com uma governação que, em trinta anos, melhor não fez do que manter Portugal como um dos países mais pobres e desiguais da Europa.
Hoje, como ontem, na "casa portuguesa", a pobreza de espírito é, lamentavelmente, a maior pobreza, "com certeza"!…
sábado, junho 27, 2009
Pela Esquerda é que vamos
Contra a crise e o seu cortejo de terríveis consequências — o aumento imparável do desemprego, o alastramento da pobreza, o agravamento das desigualdades sociais — só há lugar para uma política económica que aposte no investimento. Não o investimento em obras faraónicas que, além de constituir pasto apetitoso para os grandes grupos económicos, apenas serviria para agravar a dívida pública e a dependência comercial face ao exterior, mas antes, o investimento em sectores como a saúde, a educação, a requalificação urbana e ambiental, as energias renováveis, os bens transaccionáveis, que, seguramente, revitalizaria o tecido empresarial e estimularia a criação de emprego, melhorando o nível de vida da população e o desenvolvimento do país. Uma política económica que aposte mais nas pessoas do que nos números e recuse a extrema desigualdade e a pobreza cada vez maior que nos colocam na cauda da Europa, promovendo não apenas o crescimento, mas também uma maior justiça social na repartição da riqueza criada. Uma política económica de Esquerda, como já aqui tinha defendido. E como também defende agora um grupo de sessenta académicos. Ainda bem. É sempre bom que haja mais, muitos mais, a pensar e a sonhar como nós. Porque pelo sonho e pela Esquerda é que vamos.
sexta-feira, junho 26, 2009
Política de esquerda, precisa-se
Segundo a OCDE, a nossa economia cairá, este ano, 4,5 por cento, o que, se isso nos serve de consolo, será ligeiramente melhor que a contracção de 4,8 por cento da zona euro. Mas em 2010, apesar da recuperação prevista, a situação começará a inverter-se. Com excepção da Irlanda e da Espanha, Portugal terá o pior desempenho da zona euro, com um crescimento ainda negativo de 0,5 por cento. Finalmente, passada (?) a recessão internacional, de 2011 a 2017, voltaremos à nossa triste condição de "lanterna vermelha" do pelotão dos 30 países da OCDE, com um tímido crescimento de 1,5 por cento, aquém dos 2,3 por cento estimados para a zona euro.
Se estas previsões se confirmarem — e infelizmente não se vislumbram razões que nos levem a pensar que será diferente — é forçoso concluir que:
Se estas previsões se confirmarem — e infelizmente não se vislumbram razões que nos levem a pensar que será diferente — é forçoso concluir que:
- contrariamente ao que o Primeiro-ministro tem propagandeado, enfrentamos não apenas uma crise internacional, resultante da voracidade insaciável do neo-liberalismo capitalista, mas também a nossa própria crise, fruto de políticas que têm conduzido ao desmantelamento da produção nacional;
- a nossa crise não é meramente conjuntural e, como tal, não é imputável apenas ao governo de José Sócrates; trata-se de uma crise estrutural que se arrasta há mais de trinta anos;
- não se trata da crise do socialismo nem da social-democracia (que tão bons resultados deram e dão nos países nórdicos) mas antes "obra" de partidos que se autoproclamam socialistas e social-democratas, cujas políticas outra coisa não têm feito senão apoiar os grandes grupos financeiros, contribuir para o desmantelamento da produção nacional e, assim, levar ao enriquecimento cada vez maior duma minoria e ao empobrecimento dramático da maioria dos portugueses.
segunda-feira, junho 22, 2009
Sócrates e Lurdes Rodrigues: chumbados!
O Relatório sobre o Acompanhamento e a Monitorização da Avaliação do Desempenho Docente, aprovado por unanimidade pelo Conselho Científico para Avaliação de Professores (CCAP), não podia ser mais devastador para a forma atabalhoada como o Ministério da Educação insistiu na implementação do processo de avaliação e as consequências que o mesmo teve (e continua a ter) na vida das escolas.
Perturbação, semeada por quem tem, em vez disso, o dever de apoiar na busca de soluções, e medo, instilado por um governo supostamente democrático e socialista, dominaram o clima que se instalou no nosso ensino, envenenado também pela deterioração das relações profissionais e afectivas entre os intervenientes no processo, conclui o relatório.
Perturbação, semeada por quem tem, em vez disso, o dever de apoiar na busca de soluções, e medo, instilado por um governo supostamente democrático e socialista, dominaram o clima que se instalou no nosso ensino, envenenado também pela deterioração das relações profissionais e afectivas entre os intervenientes no processo, conclui o relatório.
Em vez de construir um processo avaliativo assente no princípio do acompanhamento científico, pedagógico e didáctico, o ME enveredou por uma prática e normativa e prescritiva que haveria de transformar a avaliação num processo burocrático e inexequível, primeiro, improfícuo, depois.
O CCAP vai ao fundo do problema e considera mesmo "que a avaliação do desempenho docente foi afectada pela concomitância de outras medidas de política educativa, nomeadamente o Estatuto da Carreira Docente, o concurso para acesso a categoria da professsor titular, o Estatuto do Aluno e o novo regime de autonomia, administração e gestão dos estabelecimentos púbicos da educação pré-escolar e dos ensinos básico e secundário".
Perante tal libelo acusatório, que apenas vem confirmar e dar notoriedade ao que todos nós infelizmente já conhecíamos, é forçoso concluir que quem tem de ser avaliado, e de forma profundamente negativa, é esta incompetente equipa ministerial e o Primeiro-ministro que desde sempre a apoiou cegamente. É isso que se espera dos professores, em particular, e dos portugueses, em geral, nas legislativas de Outubro.
Perante tal libelo acusatório, que apenas vem confirmar e dar notoriedade ao que todos nós infelizmente já conhecíamos, é forçoso concluir que quem tem de ser avaliado, e de forma profundamente negativa, é esta incompetente equipa ministerial e o Primeiro-ministro que desde sempre a apoiou cegamente. É isso que se espera dos professores, em particular, e dos portugueses, em geral, nas legislativas de Outubro.
quinta-feira, junho 18, 2009
Um fato Armani, apenas
A ancestral sabedoria popular que, entre muitas coisas, ensina que "o hábito não faz o monge", permite hoje concluir que um fato Armani, ainda que comprado em Beverly Hills, não faz um Primeiro-ministro. Mesmo contratando os técnicos de imagem de Obama.
Há coisas muito difíceis, senão impossíveis, de mudar numa pessoa. A falta de carácter, por exemplo.
Há coisas muito difíceis, senão impossíveis, de mudar numa pessoa. A falta de carácter, por exemplo.
Livro Negro
LIVRO NEGRO DAS POLÍTICAS EDUCATIVAS DO XVII GOVERNO CONSTITUCIONAL:
Contrariamente ao que alguns pretendem fazer crer, oitenta páginas de razões incontornáveis para que nenhum professor vote Sócrates!
Contrariamente ao que alguns pretendem fazer crer, oitenta páginas de razões incontornáveis para que nenhum professor vote Sócrates!
quarta-feira, junho 17, 2009
Narcisista e cínico
1. O Primeiro-ministro, agora em estilo "português suave", mas com o narcisismo que o caracteriza, diz estar muito satisfeito consigo.
Quem, certamente, não pensará da mesma forma são os cerca de 74 por cento de portugueses que não votaram P"S" mais os 63 por cento que se abstiveram nas eleições europeias, ou seja, mais de 90 por cento de eleitores. Ainda mais agora que Sócrates garantiu ir manter o rumo das suas nefastas políticas, incluindo o ruinoso investimento no TGV.
Quem, certamente, não pensará da mesma forma são os cerca de 74 por cento de portugueses que não votaram P"S" mais os 63 por cento que se abstiveram nas eleições europeias, ou seja, mais de 90 por cento de eleitores. Ainda mais agora que Sócrates garantiu ir manter o rumo das suas nefastas políticas, incluindo o ruinoso investimento no TGV.
2. Depois da guerra que declarou aos docentes e da instabilidade que semeou nas escolas, o Primeiro-ministro, agora que a sua avaliação se aproxima, afirma que gostaria de não ter apresentado uma proposta (?) de avaliação de professores tão exigente, tão complexa, tão burocrática. É preciso ter muita lata. É preciso ser-se muito cínico…
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Listening to: Sérgio Godinho - O charlatão
via FoxyTunes
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Listening to: Sérgio Godinho - O charlatão
via FoxyTunes
Afinal a escravatura não morreu
Quando concebeu o materialismo histórico, Marx estava, certamente, longe de imaginar que, mil e quinhentos anos após o desaparecimento do modo de produção esclavagista, viéssemos a assistir, em plena vigência do capitalismo, à ressurreição da escravatura mais ignóbil, como a que acontece na África e na Ásia, onde até as crianças são obrigadas a trabalhar para sobreviver, ou neste caso, em que se pede trabalho em troca de nada.
Sócrates e Lurdes Rodrigues ao contrário da OCDE
A maioria dos pais não educa os filhos. Porque não tem tempo, por incapacidade ou, pura e simplesmente, porque não está para se maçar com isso.
O ministério dito da Educação maltrata e desautoriza os professores, borrifando-se nas consequências desastrosas dessa atitude.
Os professores, ainda que tenham a sorte de não ser insultados ou agredidos por algum aluno ou pelo respectivo papá, são obrigados a perder a maior parte do tempo a manter a disciplina na aula.
A conclusão é da OCDE, que defende que os ministérios têm que prever incentivos mais eficazes para os professores, recompensando-os e reconhecendo o seu trabalho.
Aposto que Sócrates e Lurdes Rodrigues não lêem estas coisas!…
O ministério dito da Educação maltrata e desautoriza os professores, borrifando-se nas consequências desastrosas dessa atitude.
Os professores, ainda que tenham a sorte de não ser insultados ou agredidos por algum aluno ou pelo respectivo papá, são obrigados a perder a maior parte do tempo a manter a disciplina na aula.
A conclusão é da OCDE, que defende que os ministérios têm que prever incentivos mais eficazes para os professores, recompensando-os e reconhecendo o seu trabalho.
Aposto que Sócrates e Lurdes Rodrigues não lêem estas coisas!…
terça-feira, junho 16, 2009
TGV, jamé!
Como aqui ontem previ, o receio de novo desaire eleitoral do P"S" levou ao adiamento da decisão final sobre o TGV para a próxima legislatura. Pena é que não tenha sido para o dia de S. Nunca! Teremos de ser nós, em Outubro, a decidir definitivamente: TGV, jamé! Viva o Alfa!…
Com que então, ingénuo?!…
Vítor Constâncio, declarou à comissão parlamentar de inquérito à alegada roubalheira do BPN que não houve falhas de supervisão nem negligência por parte da entidade supervisora, mas admitiu ter havido alguma ingenuidade na sua actuação.
Embora haja más línguas que afirmam que o BPN já custou ao erário público dois mil e quinhentos milhões de euros, segundo Constâncio, as perdas para o contribuinte resultantes da ingenuidade do Banco de Portugal naquele caso não deverão ultrapassar a bagatela de mil milhões de euros!
Ficamos, portanto, a saber que o governador do Banco de Portugal, que é apenas o terceiro mais bem pago do mundo, ganha um salário astronómico para ser… ingénuo. E fazer de nós parvos, pelos vistos.
Embora haja más línguas que afirmam que o BPN já custou ao erário público dois mil e quinhentos milhões de euros, segundo Constâncio, as perdas para o contribuinte resultantes da ingenuidade do Banco de Portugal naquele caso não deverão ultrapassar a bagatela de mil milhões de euros!
Ficamos, portanto, a saber que o governador do Banco de Portugal, que é apenas o terceiro mais bem pago do mundo, ganha um salário astronómico para ser… ingénuo. E fazer de nós parvos, pelos vistos.
segunda-feira, junho 15, 2009
É difícil entender isto?
Ainda o TGV…
A prioridade da futura rede portuguesa de alta velocidade deve ser a ligação entre Lisboa e Madrid e tudo o resto deve ser adiado, explica quem sabe.
Senhor Primeiro-ministro, senhor Ministro Mário Lino, desculpar-me-ão mas é preciso ser-se muito burro para não entender isto! Ou, entendendo, ser-se absolutamente irresponsável.
A prioridade da futura rede portuguesa de alta velocidade deve ser a ligação entre Lisboa e Madrid e tudo o resto deve ser adiado, explica quem sabe.
Senhor Primeiro-ministro, senhor Ministro Mário Lino, desculpar-me-ão mas é preciso ser-se muito burro para não entender isto! Ou, entendendo, ser-se absolutamente irresponsável.
A alta velocidade
Mário Lino, que ficará no anedotário nacional por ter afirmado que "a margem esquerda é um deserto" e que "aeroporto em Alcochete, jamé!", diz que não vê razões para o Presidente da República não promulgar a lei de bases do contrato de concessão do projecto de alta velocidade.
O maior cego é o que não quer ver e, infelizmente, a cegueira tem sido um dos piores males deste governo.
Mas Lino e Sócrates, receosos do impacto que a decisão da adjudicação da faraónica obra possa ter no resultado das legislativas, preparam-se para adiá-la para depois das eleições. Deve ser a isto que o Primeiro-ministro chama "manter o rumo" (desviando a atenção dos cidadãos, acrescento eu).
Se eu fosse PR, o único projecto que eu assinava seria o que afastasse esta cambada de incompetentes da governação. A alta velocidade.
O maior cego é o que não quer ver e, infelizmente, a cegueira tem sido um dos piores males deste governo.
Mas Lino e Sócrates, receosos do impacto que a decisão da adjudicação da faraónica obra possa ter no resultado das legislativas, preparam-se para adiá-la para depois das eleições. Deve ser a isto que o Primeiro-ministro chama "manter o rumo" (desviando a atenção dos cidadãos, acrescento eu).
Se eu fosse PR, o único projecto que eu assinava seria o que afastasse esta cambada de incompetentes da governação. A alta velocidade.
O cinismo sionista não tem limites
A Palestina pertence aos palestinos, da mesma forma que a Inglaterra pertence aos ingleses, ou a França aos franceses.
É errado e desumano impor os judeus aos árabes. O que está acontecendo na Palestina não é justificável por nenhuma moralidade ou código de ética. Os mandatos não têm valor. Certamente, seria um crime contra a humanidade reduzir o orgulho árabe para que a Palestina fosse entregue aos judeus parcialmente ou totalmente como o lar nacional judaico. (Mahatma Gandhi, 1938)
Apesar das palavras sábias de Gandhi, o Estado judaico viria a ser criado na Palestina, em 1948, com base numa vergonhosa resolução da ONU e o apoio das grandes potências mundiais.
A tragédia que daí resultou, passados sessenta anos, está hoje à vista: o esquartejamento e roubo do território palestino com a abusiva implantação de colonatos hebraicos, a transformação da pátria palestina num imenso campo de concentração onde não falta sequer um muro de alta segurança e check-points por todo o lado, o massacre sistemático dos palestinos e a destruição dos seus lares e infraestruturas através de um hediondo terrorismo de Estado (como recentemente aconteceu na Faixa de Gaza). Ou seja, ao povo que ali vive há milhares de anos ainda hoje não é reconhecido — pelo menos pelos sionistas israelitas — o direito elementar a ter uma pátria livre e independente.
Agora, certamente em resposta aos apelos de Obama, o Primeiro-ministro israelita vem dizer que aceita a criação de um Estado palestino se for desmilitarizado e que não serão construídos novos colonatos.
É caso para perguntar: que legitimidade tem um país armado até aos dentes e que ocupa territórios alheios, para fazer este tipo de exigências e declarações?
E ainda, retomando um comentário que li algures: como se defende um Estado desmilitarizado das bárbaras agressões de que frequentemente é vítima???…
O cinismo sionista não tem limites.
sexta-feira, junho 12, 2009
O (mau) exemplo vem de cima
"Mais depressa se apanha um mentiroso que um coxo." (ditado popular)
Um mês antes das eleições, Sócrates admitia que as europeias (também) serviriam para avaliar as políticas do seu governo. Agora, depois da sova mestra que levou, já vem dizer, no seu habitual estilo de dama ofendida, que "é um abuso" retirar ilações sobre a sua (des)governação dos resultados das eleições de domingo passado.
Não é este, seguramente, o tipo de exemplos que António Barreto exortou o poder a dar, no seu esclarecedor discurso do 10 de Junho.
Bem pode o Presidente da República criticar os elevados níveis da abstenção eleitoral. Com comportamentos deste jaez, a participação política dos portugueses e a sua confiança no regime democrático só podem ser cada vez menores. E, obviamente, preocupantes.
domingo, junho 07, 2009
Cá se fazem, cá se pagam!
Eu bem avisei aqui que os professores ajustariam contas com Sócrates. E foi o que aconteceu. A hecatombe foi te tal ordem que, como também aqui antecipei, (provavelmente) nenhum professor terá votado P"S".
Mas isto foi apenas a primeira fase do exame do governo. A fase final será em Outubro, com as legislativas. Aí será o chumbo definitivo de Sócrates, pela defesa da Escola Pública e por uma nova política educativa que qualifique o ensino e dignifique a classe docente.
Mas isto foi apenas a primeira fase do exame do governo. A fase final será em Outubro, com as legislativas. Aí será o chumbo definitivo de Sócrates, pela defesa da Escola Pública e por uma nova política educativa que qualifique o ensino e dignifique a classe docente.
Vem aí o Bloco Central?
Não foi uma grande vitória, a do PSD, cuja percentagem de votos de 31,7%, de resto, foi inferior à de 2004, em que atingiu 33,3%, embora coligado com o CDS.
Grande, estrondosa mesmo, foi a derrota do Partido de Sócrates, que deu um trambolhão caindo fragorosamente dos 44,5% de 2004 para os actuais 26,6%.
E a Esquerda só podia subir e ganhar com esta sangria do P"S": mais o Bloco, que cresceu de 4,9% para 10,7% , duplicando ou, porventura, triplicando o único mandato que tinha, do que a CDU, que passou de 9,1% para 10,7%, mantendo os dois mandatos que já possuía.
A maioria absoluta do P"S" está, portanto, feita em cacos. Ainda bem. Foi no que deu o seu autoritarismo e arrogância desenfreados, a sua falta de humildade democrática e de sensibilidade social.
Vamos agora para as legislativas e, se o actual cenário se mantiver, outro desafio se coloca já à Esquerda: reforçar o apoio ao Bloco e à CDU, de modo a evitar que este P"S" (ou o que dele resta) caia na tentação de reeditar o Bloco Central com o PSD. Apesar do centrão registar a sua mais baixa expressão eleitoral, não estamos completamente livres que um tal golpe possa vir a acontecer…
Grande, estrondosa mesmo, foi a derrota do Partido de Sócrates, que deu um trambolhão caindo fragorosamente dos 44,5% de 2004 para os actuais 26,6%.
E a Esquerda só podia subir e ganhar com esta sangria do P"S": mais o Bloco, que cresceu de 4,9% para 10,7% , duplicando ou, porventura, triplicando o único mandato que tinha, do que a CDU, que passou de 9,1% para 10,7%, mantendo os dois mandatos que já possuía.
A maioria absoluta do P"S" está, portanto, feita em cacos. Ainda bem. Foi no que deu o seu autoritarismo e arrogância desenfreados, a sua falta de humildade democrática e de sensibilidade social.
Vamos agora para as legislativas e, se o actual cenário se mantiver, outro desafio se coloca já à Esquerda: reforçar o apoio ao Bloco e à CDU, de modo a evitar que este P"S" (ou o que dele resta) caia na tentação de reeditar o Bloco Central com o PSD. Apesar do centrão registar a sua mais baixa expressão eleitoral, não estamos completamente livres que um tal golpe possa vir a acontecer…
O voto é um dever cívico
Não me absterei, porque o voto é um dever cívico. Dever que cumprirei, desta vez, com redobrada convicção.
Vou penalizar quem me ofendeu e me humilhou, podem estar certos.
Vou penalizar quem me ofendeu e me humilhou, podem estar certos.
sexta-feira, junho 05, 2009
Com o P"S" é impossível sair da crise
Ao cabo de trinta anos de governança, as políticas de Direita mais não fizeram do que manter-nos entre os países mais pobres e atrasados da Europa e fazer de Portugal o mais injusto e desigual de todos, com uma pobreza endémica, um desemprego galopante, uma corrupção incontrolável, ao mesmo tempo que garantiram proventos abjectos aos políticos que as conduziram e às suas ávidas clientelas.
Com o CDS, o P"SD" e, infelizmente, o P"S", é impossível sair da crise (não apenas da que vem de fora, mas daquela que há muitos anos carregamos às costas e da qual são eles os únicos e exclusivos responsáveis, por acção ou omissão).
É por isso que agora é hora da Esquerda. Porque ontem já era tarde.
Com o CDS, o P"SD" e, infelizmente, o P"S", é impossível sair da crise (não apenas da que vem de fora, mas daquela que há muitos anos carregamos às costas e da qual são eles os únicos e exclusivos responsáveis, por acção ou omissão).
É por isso que agora é hora da Esquerda. Porque ontem já era tarde.
Sócrates, deixa-nos em paz!
Miguel Portas afirmou que objectivo do Bloco de Esquerda é que o PS fique "suficientemente longe da maioria absoluta". Pediu, por isso, que ninguém deixe de ir votar no próximo domingo, "para dizer a José Sócrates que se acabou a arrogância da maioria absoluta".
Absolutamente de acordo. O que nós queremos mesmo é que Sócrates nos deixe viver em paz. Maioria absoluta do P"S", jamé!
Absolutamente de acordo. O que nós queremos mesmo é que Sócrates nos deixe viver em paz. Maioria absoluta do P"S", jamé!
Mais trabalho e menos passeio
Ora vamos lá conferir a avaliação dos deputados portugueses ao Parlamento Europeu e aproveitemos para comparar o desempenho de Edite Estrela e Ilda Figueiredo:
Jerónimo de Sousa tem portanto toda a razão quando, da forma educada que o caracteriza, recomenda "mais cuidado" à número dois da lista do P"S" às eleições europeias, afirmando que Ilda Figueiredo "trabalhou três vezes mais" que Edite Estrela. Eu, que não sou tão delicado como Jerónimo, ter-lhe-ia recomendado mais trabalho e menos passeio.
- Nota geral: 1.º - Ilda Figueiredo / 12.º - Edite Estrela
- Actividade: 1.º - Ilda Figueiredo / 13.º - Edite Estrela
- Presença: 5.º - Edite Estrela / 9.º - Ilda Figueiredo
Jerónimo de Sousa tem portanto toda a razão quando, da forma educada que o caracteriza, recomenda "mais cuidado" à número dois da lista do P"S" às eleições europeias, afirmando que Ilda Figueiredo "trabalhou três vezes mais" que Edite Estrela. Eu, que não sou tão delicado como Jerónimo, ter-lhe-ia recomendado mais trabalho e menos passeio.
P'ra grandes males…
Alguns dirão que isto é um caso de populismo, um atentado à liberdade económica ou o que resta dos genes do regime soviético, sei lá.
Para mim, trata-se apenas da intervenção reguladora do Estado numa economia capitalista onde a liberdade de iniciativa e o mercado não podem justificar tudo. Designadamente, não se pagar os salários a quem trabalha.
Em Portugal sucede o contrário. Os governos (este e os anteriores) são cúmplices, por acção ou omissão, com a injustiça social e até com a roubalheira.
Para mim, trata-se apenas da intervenção reguladora do Estado numa economia capitalista onde a liberdade de iniciativa e o mercado não podem justificar tudo. Designadamente, não se pagar os salários a quem trabalha.
Em Portugal sucede o contrário. Os governos (este e os anteriores) são cúmplices, por acção ou omissão, com a injustiça social e até com a roubalheira.
quarta-feira, junho 03, 2009
Estou farto deles!
Não voto P”S”
Não voto na Direita
1. Infelizmente, Portugal é um dos países europeus onde a falta de transparência e a corrupção são mais elevadas e manifestam tendência para aumentar (de 2004 para 2008 passámos do 27.º para o 32.º lugar na lista da Transparency International), o que nos atira para a cauda da Europa em matéria de desenvolvimento e justiça social.
2. O caso é de tal modo grave que o vice-presidente do FMI afirmou em 2005 que, não fora a corrupção e Portugal poderia ser tão desenvolvido como a Finlândia!
3. Talvez se trate também de uma questão cultural. Não é por acaso que somos considerados um povo de brandos costumes: aguentámos pacientemente uma ditadura de 48 anos e agora há 30 que nos comportamos como zombies perante uma alternância democrática que nos leva a lado nenhum (a não ser uma desgraça cada vez maior).
4. Alternância democrática eufemisticamente chamada de centrão ou bloco central mas que, verdadeiramente, não é mais do que a Direita, quer através de coligações, algumas contra-natura, como aconteceu em 1978, entre o PS e o CDS, e em 1983, entre o PSD e o PS, ou de governos partidários do PSD ou do PS (que só é de Esquerda quando está na oposição!).
5. De uma forma ou de outra, o regime democrático está transformado numa vergonhosa cleptocracia em que a Direita (CDS, PSD e P”S” governamental) se tem aproveitado do poder político para distribuir prebendas e mordomias de Estado às suas clientelas e assenhorear-se de cargos milionários nos conselhos de administração das empresas públicas.
6. Como pôr um ponto final neste regabofe? Há quem desabafe dizendo que tal só seria possível com um novo 25 de Abril, desta vez a sério, sem cravos nas espingardas. Mas para isso seria precisa uma conjugação de factores que jamais se repetirá. Os militares e as pessoas estão hoje mais preocupados com as suas vidas. O 25 de Abril “foi um sonho lindo que acabou”, cantou um dia, desencantado, J. M. Branco.
7. Resta-nos, portanto, lutar com as forças que nos sobram e os direitos que a Constituição (ainda) nos garante: manifestarmo-nos, protestarmos, fazermos greve. Porém, com um governo autista e autoritário como é o actual, a vitória não é certa, como se tem visto com a luta gigantesca dos professores!
8. Temos, por isso, que democratizar o Poder, enfraquecendo a Direita e reforçando a Esquerda e para tal, é urgente retirar a maioria absoluta, no mínimo, ao Partido de Sócrates.
9. Nesse sentido, votar CDS, PSD ou P”S” está fora de questão. Seria mais do mesmo, ou seja, a continuação da desgraça.
10. Quanto à abstenção, mesmo que alguns disso não tenham consciência, representa a negação da democracia e a crença num regime autocrático e em salvadores-da-pátria (de que já bastaram 48 anos!).
11. Já o voto branco, embora seja uma escolha democrática, se fosse um voto em larga escala, como aconteceu na ficção de Saramago, Ensaio sobre a Lucidez, talvez provocasse um terramoto político de consequências ainda que imprevisíveis certamente mais interessantes do que o pântano em que estamos atolados. Na realidade, porém, trata-se de um voto residual e, mesmo que desta vez tivesse uma expressão ligeiramente maior, não teria qualquer influência nos resultados da eleição, como esclarece a CNE: “O voto em branco não é válido para efeitos de determinação do número de candidatos eleitos, não tendo influência no apuramento do n.º de votos e da sua conversão em mandatos, nos termos do artigo 16º da Lei nº 14/79. Deste modo, ainda que o número de votos em branco seja maioritário, a eleição é válida, visto que existem votos validamente expressos, só esses contando para efeitos do apuramento.” Na prática, portanto, de nada adianta votar branco.
12. A hipótese de votar em pequenos partidos apenas com o objectivo de diminuir o peso do centrão (o m.q. Direita), a única coisa que faz é enfraquecer a oposição, pela dispersão de votos que provoca.
13. De tudo isto, resulta que, no actual contexto político e social, as duas únicas opções de voto que se afiguram aconselháveis são o Bloco de Esquerda e a CDU.
14. É entre elas que, no domingo, farei a minha escolha.
domingo, maio 31, 2009
Cassetes
"Os sindicatos não devem ser correias de transmissão de nenhum partido político." (José Sócrates)
"Os professores têm o direito de manifestar a sua insatisfação." (Maria de Lurdes Rodrigues)
Com excepção do nosso, não senhor ingenheiro Primeiro-ministro?…
A propósito, se a UGT foi fundada, em 1978, pelo P"S", pelo P"SD" e pelo C"DS" tem, pelo menos três correias de transmissão?!… É obra!
Professores não votam P"S"!
Depois da forma como o governo maltratou e humilhou a classe docente e da total indisponibilidade que sempre revelou para negociar seriamente com os seus sindicatos, com o desgaste e o desalento que tudo isso causou, era previsível que a manifestação de ontem dificilmente poderia igualar, em número de participantes, as de 8 de Março e 8 de Novembro de 2008.
Ainda assim, 70 000 (segundo a Fenprof) a 55 000 (segundo a Polícia/ Governo) professores, para mais, numa tarde de calor tórrido, continuam a ser um mar de gente e posso garantir (porque lá estive e o senti de perto) que a revolta e a indignação continuam a ser como dantes.

Ficou definitivamente claro que agora só há mesmo uma saída: chumbar este governo e a sua arrogante maioria, e restabelecer o diálogo social. Só assim a paz regressará à Escola Pública e se reencontrará o caminho da Educação.Já falta pouco. A primeira prova é já nas europeias. E daqui a três meses será o exame final das legislativas.
Nenhum professor, com o que lhe reste de memória e de respeito próprio, votará P"S"!
sábado, maio 30, 2009
O mestre da provocação e da demagogia
Julgava eu que o demagogo-mor do reino era Santana Lopes. Enganei-me. A campanha para as europeias tem mostrado até à saciedade que Vital o ultrapassa largamente, não apenas em demagogia, mas também na arte da provocação.
Assim sucedeu no 1.º de Maio quando, adoptando uma estratégia de vitimização, preferiu provocar os manifestantes da CGTP com a sua indesejada presença , em vez de, como seria natural, ir juntar-se aos correlegionários da UGT. Daí para cá tem sido um festival de aparentes contradições com Sócrates (e a sua canina maioria) que mais não visa senão a sua mediatização.
Com o desenrolar da campanha eleitoral para as europeias, a sua obsessão pela caça ao voto e pelos holofotes da comunicação social é de tal ordem que não hesita agora em colar o P"SD" à "roubalheira" do BPN.
Mas, desta vez, a língua viperina de Vital foi longe de mais, como aliás foi imediatamente reconhecido por socialistas que ainda primam por um certo decoro. Vejamos…
Embora o P"SD", quando foi governo, nada tenha propriamente feito para combater a corrupção, a verdade é que nos últimos quatros anos de governo-Sócrates ela tem vindo a aumentar.
Por outro lado, ainda que os "crimes" do BPN tenham envolvido "figuras gradas do PDS", com excepção de Dias Loureiro, nenhuma exercia funções políticas. De resto, a "roubalheira" só terá sido possível com a passividade e negligência do Banco de Portugal, governado desde 2000 por uma figura grada (e escandalosamente bem paga) do P"S", que goza obviamente da confiança política do Ministro das Finanças e do Primeiro-ministro.
E poderíamos ainda lembrar a forma abusiva como P"S" (e P"SD") se têm apoderado dos conselhos de administração das empresas do Estado e o alegado e não esclarecido envolvimento de Sócrates no estranho licenciamento do Freeport (e noutras minudências).
Sem falar nas Memórias de um PS desconhecido, do tempo do patriarca Soares.
quinta-feira, maio 28, 2009
O partido camaleão
Este P"S" é um partido camaleão: Vital diz "sim", Sócrates diz "não".
Assim, de memória, três contradições entre as criaturas…
Primeiro, Vital declarou não apoiar a recandidatura de Barroso à presidência da Comissão Europeia, ao contrário de Sócrates que, desde a primeira hora, manifestou o apoio à continuação do mordomo da Cimeira da Guerra em Bruxelas. Porreiro, pá!
Depois, sobre o caso Lopes da Mota, o professor afirmou que, se estivesse no lugar do procurador, demitir-se-ia, enquanto a carneirada maioria "socialista" tudo tem feito para que Lopes da Mota nem sequer seja ouvido pela Assembleia da República e o Primeiro-ministro e o Ministro da Justiça pretenderam lavar as mãos (como se houvesse sabão que chegasse para tal), atirando a batata quente para o Procurador-Geral da República.
Finalmente, na passada terça-feira, o cabeça de lista do P"S" às eleições europeias admitiu a possibilidade de criar um imposto europeu sobre transacções financeiras mas, no dia seguinte, chuchalistas "socialistas" e direita rejeitaram, no Parlamento, propostas de criação de um imposto sobre operações na Bolsa e de aumento das taxas fiscais sobre as grandes fortunas.
Votar no Partido de Sócrates é passar um cheque em branco. Ficou claro pouco tempo após a sua eleição. A candidatura de Vital veio apenas caricaturar uma realidade que, infelizmente, já conhecíamos: neste P"S", o que num dia é verdade no próximo pode ser mentira; basta apenas que o chefe queira.
quarta-feira, maio 27, 2009
Se todos os pais fossem assim
Da caixa de comentários desta notícia do Público tomei a liberdade de transcrever esta pérola…
"Defendam os vossos interesses e assumam a defesa da Escola Pública. Não dêem ouvidos a gente rancorosa e mal formada, muita se calhar com más memórias do seu desempenho escolar […]. Os piores alunos são sempre os que mais atacam a escola. Força, unam-se!!! Há gente do vosso lado."27.05.2009 - 09h54 - Cristina, Lx
Se todos os pais fossem assim não haveria governo capaz de maltratar os professores, destruir a Escola Pública e pôr em causa o futuro dos estudantes.
terça-feira, maio 26, 2009
Adeus, Maria!
Com uma Ministra da "Educação" que tudo tem feito para vilipendiar e humilhar a classe docente, desautorizando-a sistematicamente perante alunos e pais, dividindo-a artificialmente em categorias, desvalorizando a sua participação na gestão das escolas com a imposição de um modelo autocrático e submetendo-a a uma palhaçada avaliação de desempenho eivada de ilegalidades, atropelos, remendos e injustiças, dificilmente os professores poderão vencer a guerra sem quartel que, particularmente nos últimos dois anos, lhe foi movida pelo governo de Sócrates.
A descrença, o desânimo, a resignação, têm vindo a instalar-se mas, até ao lavar dos cestos, é vindima.
Quem esteve entre os 25 000, no Rossio, os 100 000, no Terreiro do Paço, e outros tantos, no Marquês, não deixará de estar presente uma última vez. E quem nunca esteve, não deverá perder a derradeira oportunidade de o fazer. Pela defesa da Escola Pública, pela dignificação da profissão docente, por uma política educativa… decente.
No sábado, 30 de Maio, os professores vão dizer o adeus definitivo a Maria — não à Senhora de Fátima, mas à bruxa da 5 de Outubro, o demo em figura de gente. Vade retro, Satanás!
E nas eleições, se tiverem um resto de memória e de respeito próprio, ajustarão contas com Sócrates.
A escola está, hoje, pior
António Barreto
OLHEMOS para as imagens na televisão e nos jornais. Visitemos algumas escolas. Ouçamos os professores. Conversemos com os pais. Falemos com os estudantes. Toda a gente está cansada. A ministra e os dirigentes do ministério também. Os responsáveis governamentais já só têm uma ideia em mente: persistir, mesmo que seja no erro, e esperar sofridamente pelas eleições. Os professores procuram soluções para a desmoralização. Uns pedem a reforma ou tentam mudar de profissão. Outros solicitam transferência para novas escolas, na esperança de que uma mudança qualquer engane a angústia. Há muitos professores para quem o início de um dia de aulas é um momento de pura ansiedade. Foram milhares de horas perdidas em reuniões. Quilómetros de caminho para as manifestações. Dias passados a preencher formulários absurdos. Foram semanas ocupadas a ler directivas e despachos redigidos por déspotas loucos. Pais inquietos, mas sem meios de intervenção, lêem todos os dias notícias sobre as escolas transformadas em terrenos de batalha. Há alunos que ameaçam ou agridem os professores. E há docentes que batem em alunos. Como existem estudantes que gravam ou fotografam as aulas para poderem denunciar o que lá se passa. O ministério fez tudo o que podia para virar a opinião pública contra os professores. Os administradores regionais de educação não distinguem as suas funções das dos informadores. As autarquias deixaram de se preocupar com as escolas dos seus munícipes porque são impotentes: não sabem e não têm meios. Todos estão exaustos. Todos sentem que o ano foi em grande parte perdido. Pior: todos sabem que a escola está, hoje, pior do que há um ano.
Votar no P"S" ou na Direita é a mesma coisa
Vital Moreira afirma que votar no PSD ou no CDS é a mesma coisa. De certa forma, é verdade. Porém, votar no P"S" ou na Direita também não é assim tão diferente.
Na realidade, o P"S" não só foi capaz de governar coligado com o CDS (1978) e com o PSD (1983-1985) como, em trinta anos de alternância governativa com o partido laranja, ajudou decisivamente a fazer de Portugal a desgraça que hoje é: um dos países mais pobres e o mais desigual e injusto da União Europeia.
O PS é um partido com uma matriz ideológica e histórica de Esquerda mas encerra dentro de si uma insanável contradição: só é (ou finge ser?) de Esquerda quando está na oposição; no poder, governa à Direita, com políticas anti-populares e anti-sociais.
Corrigindo o Dr. Vital, portanto, entendo que votar no P"S" ou na Direita é a mesma coisa. Porque, infelizmente, conduz aos mesmos dramáticos resultados. Que os portugueses vêem e sentem na pele.
segunda-feira, maio 25, 2009
Comecem por dar o exemplo
Quaisquer que sejam os objectivos que presidam à realização de testes e ao fabrico de armas, nucleares - guerra, dissuasão, chantagem - tais práticas são de todo inaceitáveis, por constituírem uma séria ameaça à segurança da humanidade.
Porém, enquanto as grandes potências se arrogarem o direito de desenvolver e possuir arsenais nucleares, pouca legitimidade terão, se terão alguma, para impedir os outros de fazer o mesmo. Ainda que os acusem de não serem regimes democráticos (como se os países acusadores o fossem, verdadeiramente). E a Coreia do Norte não o é (nem, tampouco, socialista, do meu ponto de vista).
Se querem acabar com a ameça nuclear comecem por dar exemplo. E depois, se preciso for, intervenham. A humanidade agradecerá. Os norte-coreanos, esfomeados, também.
Porém, enquanto as grandes potências se arrogarem o direito de desenvolver e possuir arsenais nucleares, pouca legitimidade terão, se terão alguma, para impedir os outros de fazer o mesmo. Ainda que os acusem de não serem regimes democráticos (como se os países acusadores o fossem, verdadeiramente). E a Coreia do Norte não o é (nem, tampouco, socialista, do meu ponto de vista).
Se querem acabar com a ameça nuclear comecem por dar exemplo. E depois, se preciso for, intervenham. A humanidade agradecerá. Os norte-coreanos, esfomeados, também.
Aparição da Virgem ao Teixeira
"O ministro das Finanças viu sinais de alívio na economia, com Portugal perto de um ponto de viragem da crise. Em ano de eleições, o ministro inaugurou a luz ao fundo do túnel." (João Paulo Guerra, Diário Económico, 25-5-09, via Público, A Frase)
Ou então, como estamos em Maio, T S deve ter visto Nossa Senhora de Fátimaà sombra em cima duma azinheira que já não sabia a idade... oops! onde fui eu buscar o Grândola? na Cova da Iria. Com um túnel tão comprido e uma luz tão ténue, só ela lhe pode alumiar o caminho. Para o olho da rua, espero.
Ou então, como estamos em Maio, T S deve ter visto Nossa Senhora de Fátima
Quando Pinho analisa um processo...
Assessores do secretário de Estado da Indústria garantiram que o Ministério da Economia está a analisar o processo da empresa Platex/IFM, de Tomar.
O Pinho não é aquelerapaz ministro que disse que faria tudo para salvar a Quimonda?
Eu, se fosse aos trabalhadores da Platex, se "ele está a analisar o processo", ficaria de pé atrás...
O Pinho não é aquele
Eu, se fosse aos trabalhadores da Platex, se "ele está a analisar o processo", ficaria de pé atrás...
domingo, maio 24, 2009
Vais levar poucas, vais!…
Com o Vital a jogar em casa e a presença do "grande líder europeu, Sapateiro Zapatero", Pinócrates Sócrates, com todo o jeito que se lhe reconhece para mistificar a realidade, afirmou que fez um grande comício de abertura da campanha.
Só se na foi montagem televisiva porque o facto é que não conseguiu encher o modesto pavilhão.
Porreiro, pá! Vais levar poucas, vais!…
Só se na foi montagem televisiva porque o facto é que não conseguiu encher o modesto pavilhão.
Porreiro, pá! Vais levar poucas, vais!…
sábado, maio 23, 2009
sexta-feira, maio 22, 2009
A negligência compensa
Só os governadores do banco central de Hong Kong e do banco central de Itália são mais bem pagos que Vítor Constâncio. O governador do Banco de Portugal, no cargo desde 2000, recebe cerca de 250 mil euros por ano. Ou seja, quase o dobro dos 140 mil euros que aufere o presidente da Reserva Federal dos Estados Unidos, Ben Bernanke, […] e 18 vezes o rendimento per capita de Portugal […].
A remuneração de Constâncio é, portanto, 39,7 vezes maior que o salário mínimo nacional.
Em qualquer país decente e desenvolvido dificilmente isto aconteceria. Em Portugal, um dos países mais pobres e atrasados da União Europeia e, mais precisamente, aquele onde se verifica a pior distribuição do rendimento, com um banco central cuja actuação na regulação do funcionamento da Banca tem sido verdadeiramente passiva e complacente, como o atestam as fraudes ocorridas no BCP, BPN e BPP, assume foros de vergonhosa imoralidade.
Para ficar de bem com a consciência, se a tem, o governador do Banco de Portugal diz-que-tem-dito "que deveria haver uma redução". O Ministro das Finanças encolhe os ombros como se não fosse o responsável-mor do escândalo.
Em Portugal nem só o crime compensa. Como se vê, a negligência também.
Quem semeia ventos…
… (mais tarde ou mais cedo) colhe tempestades!
Então não é que agora até um simples projecto de requalificação de uma escola de artes, antes mesmo de a obra sequer começar, também tem de ser inaugurado? e logo por três artistas membros do governo? A propaganda eleitoral do P"S" não tem limites.
Os genes pidescos não se extinguiram
Os efeitos colaterais do choque tecnológico aí estão, chocantes: delação e bufaria por via electrónica. Os genes pidescos não se extinguiram em definitivo. Adaptaram-se à sociedade digital.
O país e a justiça que temos
Num país em que a Justiça actuasse de forma expedita, seis meses seria tempo mais do que suficiente para deduzir a acusação de um arguido, por mais "excepcional" que fosse a "complexidade" do processo em questão. De resto, num país assim seria impensável, ao fim de tanto tempo, haver apenas um único arguido (???…) em prisão preventiva, tratando-se, afinal, de um processo excepcionalmente tão complexo.
Mas este é o país e a justiça que temos. Por isso a corrupção grassa como a erva daninha.
Mas este é o país e a justiça que temos. Por isso a corrupção grassa como a erva daninha.
O primeiro prémio já tem dono
Sócrates é, indubitavelmente, um especialista em castelos de areia: o Magalhães (também conhecido por Cegalhães), a Avaliação-faz-de-conta, os Diplomas-CNO-para-contagem-estatística, sem esquecer as obras-primas — o TGV e o aeroporto do "Deserto".
Se o Primeiro-ministro concorrer à maior exposição de esculturas em areia do mundo, o primeiro prémio já tem dono.
quinta-feira, maio 21, 2009
Dar o sangue e a pele
Até há bem pouco tempo, apesar da crise interna com que a nossa economia já se debatia, a Auto-Europa era apontada como um modelo de concertação social entre administração e trabalhadores. Agora, com a recessão internacional definitivamente instalada e o desemprego a subir em flecha, pedem mais competitividade às empresas.

Obviamente não estão a sugerir a contenção das remunerações chorudas nem a supressão das mordomias escandalosas dos administradores. O que eufemisticamente querem dizer é que o único direito que os trabalhadores têm é o de dar o sangue e a pele em troca do posto de trabalho. E, se for preciso, passam a comer enquanto são comidos trabalham, como caricaturou o genial Charlie Chaplin no sempre actual "Tempos Modernos".
Maldito capitalismo sem escrúpulos!
Em política, o que parece é
Por estas e por outras é que Portugal é um país eternamente adiado e enterrado nos fundos do quintal europeu.
Chamar reforma ao ambiente envenenado que se instalou nas escolas à conta de uma farsa a que a ministra sabe-se lá de quê insiste em chamar de avaliação, já é uma redonda mentira. Dizer que a dita avaliação é uma reforma ganha (???!!!) é, de facto, um caso de cegueira incurável. Ou de discurso em circuito fechado.
Creio mesmo que, para este governo, uma mentira mil vezes repetida passa a ser verdade, o que é muito mais grave. Goebbels, ministro da propaganda de Hitler, já assim pensava e fazia. E Salazar, que um dia afirmou que "em política, o que parece é", também.
quarta-feira, maio 20, 2009
Em nome da "ética" e da "transparência"
Lopes da Mota, representante de Portugal no Eurojust e presidente desta instituição da União Europeia, criada em 2002 para aumentar a eficácia da investigação e acção judicial nos Estados-membros, terá feito exactamente o contrário no caso Freeport, ou seja, terá, alegadamente, pressionado os seus colegas encarregados da investigação no sentido de arquivarem o processo.
Perante a gravidade da denúncia, feita pelo Sindicato dos Magistrados do Ministério Público, e o mal-estar criado, o Procurador-Geral da República, Pinto Monteiro, acabou por ser obrigado a abrir, tarde e a más horas, um processo disciplinar ao presidente do Eurojust.
Entretanto, a PGR que, de imediato, deveria ter procedido à suspensão de funções de Lopes da Mota, ou até proposto a sua demissão ao governo, decidiu, em vez disso, excluir o Eurojust das diligências relacionadas com a investigação do caso Freeport.
O governo, escudado na sua obediente carneirada maioria, escusa-se, uma vez mais, a prestar contas à Assembleia.
Tudo em nome da "ética" e da "transparência".
terça-feira, maio 19, 2009
Salvemos a Democracia, Salvemos a Escola!
"Pode-se utilizar uma gravação áudio de parte de uma aula para suspender uma professora mas não se pode utilizar uma gravação vídeo, incriminatória, do ing.º Socas para nada?" [in Educação SA] Veja-se ainda o caso do Procurador Lopes da Mota. Continua em funções mesmo depois do resultado do inquérito e enquanto corre o processo disciplinar que lhe foi movido. Ah, dirão os leitores, mas é muito diferente! Claro que é. Num caso temos uma simples professora e no outro um importante Procurador Geral Adjunto da República.
O comportamento da professora e as expressões que utilizou perante alunos de doze anos, ainda que reveladores de alguém que, provavelmente, não se encontra nas melhores condições psíquicas e emocionais para o desempenho da profissão docente, são de todo reprováveis, inaceitáveis e, depois do competente processo disciplinar, certamente, puníveis. Ainda que, a acusação acabe por se basear em provas obtidas ilegalmente e não aceites pela justiça portuguesa, diz-se.
Porém, a Constituição da República Portuguesa, no seu Artigo 13.º, garante que "todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei" mas estes factos revelam que alguns são mais "iguais" do que outros. Sobretudo quando detêm o poder, seja ele económico, político ou ambas as coisas.
Como o lince da Malcata, Democracia e Escola são espécies em vias de extinção. Salvêmo-las, pois!
Notícias:
- Professora de Espinho suspensa por alegada conversa sobre orgias sexuais na sala de aula
- Pais aplaudem suspensão de docente que falava de sexo em "termos inapropriados"
- Alunos consideram professora suspensa de escola de Espinho como "a mais espectacular"
- Fenprof defende averiguação sem precipitações
- Ministra considera que caso de Espinho “não é corrente, nem normal, nem regra”
Maioria absoluta? Não, obrigado.
PS rejeita audição no Parlamento de Lopes da Mota, presidente do Eurojust.
PS inviabiliza ida do presidente do Instituto do Emprego à Assembleia da República para esclarecer o "apagão" de 15 mil desempregados dos registos oficiais.
PS inviabiliza ida do presidente do Instituto do Emprego à Assembleia da República para esclarecer o "apagão" de 15 mil desempregados dos registos oficiais.
Três casos entre, muitos outros, que nos sugerem a seguinte pergunta:
Para que serve uma carneirada maioria absoluta?
Pretendem uns quantos propagandistas fazer-nos crer que é para que seja assegurada a estabilidade política e a resolução dos problemas nacionais. Ora, se tal fosse verdade, há muito Portugal teria deixado de ser o país mais pobre, desigual e um dos mais corruptos, da União Europeia.
Sucede que não só nada disso aconteceu, como a democracia está hoje mais ameaçada que nunca, nos últimos trinta anos.
Maioria absoluta? Não, obrigado.
segunda-feira, maio 18, 2009
Um ano para descobrir o que já sabíamos
Com preços de electricidade que chegam a ser superiores em 22% aos da UE15, os lucros da EDP já atingiam € 962,4 milhões, no 1.º semestre de 2008, e no fim do ano, cifraram-se em € 1 090 milhões.
A operar em regime de monopólio, perante a passividade do governo e o silêncio da entidade reguladora (ERSE), é evidente que a EDP só pode ter lucros astronómicos. De resto, não admira que a ERSE, que até teve o descaramento de propor que as dívidas incobráveis da EDP fossem pagas pelos clientes, tenha demorado mais de um ano a concluir que a EDP há muito tempo nos anda a extorquir . Por aqui se vê o tipo de fiscalização que existe actualmente em Portugal em relação aos grandes grupos económicos!…
Ministério precisa de manual de instruções
"Agora vou distribuir as provas. Deixem as provas com as capas para baixo", "Podem voltar as provas. Escrevam o vosso nome no espaço destinado ao nome", "Querem perguntar alguma coisa?", "Podem começar. Bom trabalho!", "Ainda têm 15 minutos", "Acabou o tempo", "Estejam à porta da sala às 11 horas e 20 minutos em ponto", "Podem sair. Obrigado pela vossa colaboração!", são frases que todos os papagaios professores deverão ler em voz alta aos alunos que hoje começam as provas nacionais de aferição do 4.º e 6.º anos da escolaridade e que constam do chamado Manual do Aplicador elaborado pelo Ministério dito da Educação.
Nada tenho contra qualquer manual de instruções, enquanto conjunto de normas de procedimento que vise garantir, tanto quanto possível, a igualdade de tratamento e de circunstâncias. Agora ir ao extremo de se exigir que os professores papagueiem as instruções (e até algumas simples expressões de cortesia) literalmente da mesma forma é que já me parece um perfeito absurdo, um completo disparate, uma estúpida inutilidade que outra coisa não representa senão pretender passar mais um atestado de menoridade intelectual aos docentes. Ora, pela sua incompetência e falta de ética, esta é justamente a equipa ministerial que menos autoridade tem para o fazer. Se alguém precisa de manual de instruções, é a ministra e os seus secretários de Estado. Embora acredite que isso nada adiante.
domingo, maio 17, 2009
Mudar o sistema, mudar o ensino
Negligenciar a formação integral não prepara os alunos para mais tarde enfrentarem o imprevisto e a mudança.Ora aí está, preto no branco, a razão da confrangedora iliteracia, ignorância e imprepração das novas gerações, vítimas de um sistema de ensino assente no paradigma da especialização cega e da competitividade desenfreada, mais preocupado com a produção de mão-de-obra descartável e acrítica do que com a formação de cidadãos conscientes e responsáveis.
Temos a necessidade de reformar radicalmente o actual modelo de ensino nas universidades e escolas secundárias […] porque actualmente o conhecimento está desintegrado em fragmentos disjuntos no interior das disciplinas, que não estão interligadas entre si e entre as quais não existe diálogo. Conhecer apenas fragmentos desagregados da realidade faz de nós cegos e impede-nos de enfrentar e compreender problemas fundamentais do nosso mundo enquanto humanos e cidadãos, e isto é uma ameaça para a nossa sobrevivência. Edgar Morin, filósofo
Mas isto não acontecerá por acaso. É uma exigência de um sistema social onde impera a selvajaria económica e a lei do mais forte. Que tem de ser combatido e modificado. Urgentemente. Porque "é uma ameaça para a nossa sobrevivência".
A inutilidade do Bloco Central
Com o humor corrosivo que o caracteriza, RAP demonstra a inutilidade do Bloco Central. Na verdade, os partidos do centrão, para além do nome, pouco diferem.
A recentralização do problema do Bloco Central passa pela explicação da impossibilidade do Bloco Central. Uma tarefa, apesar de tudo, fácil: o leitor que conte os casos de militantes que trocaram o PCP pelo PS, e de militantes do CDS que se juntaram ao PSD. São inúmeros. Mas são muito mais raros aqueles que trocaram o PSD pelo PS e vice-versa: de facto, são os partidos mais distantes um do outro, justamente porque acabam por estar no mesmo sítio. Não faz sentido trocar um pelo outro. É como trocar o nosso carro por um exactamente igual, com o mesmo número de quilómetros e o mesmo barulho na panela de escape. É evidente que aquela gente não se pode ver. Eles têm exactamente a mesma visão do País e as mesmas soluções. A razão pela qual uns são poder e os outros oposição é realmente incompreensível, e eles revezam-se a invejarem-se e a lamentar a própria sorte. Ricardo Araújo Pereira, Visão
sábado, maio 16, 2009
Correr com a cambada!
Se o Partido [dito] Socialista tivesse uma nova maioria absoluta iria fazer doer a dobrar, no plano dos salários, dos direitos. Porque eles não encontram outra solução.Independentemente da minha opção de voto, da qual, neste momento, apenas sei que será, como sempre foi, à Esquerda, concordo plenamente com o discurso anterior.
Os grande tubarões e as grandes fortunas vão dizendo que é preciso baixar os salários, retirar direitos, alterar os horários e que os portugueses estão a viver acima das suas responsabilidades.
É conversa. Eles querem é resolver a crise através do aumento da exploração dos trabalhadores, dos que menos têm e menos podem.
É tempo de correr com a cambada que fez de Portugal o país mais desigual e um dos mais corruptos, da Europa. A decisão é nossa. Se não o fizermos, ninguém o fará por nós. Depois não nos queixemos…
Alegre apoiará Sócrates? Veremos…
Manuel Alegre negou hoje, em absoluto, que tenha negociado, com José Sócrates, nomes da sua corrente para integrarem a lista de candidatos a deputados do P"S" nas próximas eleições legislativas.
A ser verdade, retiro parte do que aqui escrevi.
A ser verdade, retiro parte do que aqui escrevi.
Fico apenas na expectativa de saber se Alegre irá estar ao lado de Sócrates na "luta eleitoral contra a Direita", para usar uma expressão sua. Seria um equívoco lamentável e inaceitável pois as políticas de direita não se combatem com quem as defende e implementa.
Aguardemos os próximos desenvolvimentos.
Alegre & Sócrates: divergências… ultrapassadas
Que não criaria um novo partido e continuaria no PS, sabia-se. Que não integraria as listas do partido para as legislativas era praticamente certo. Agora fica a saber-se que os seus apoiantes continuarão no PS como tendência organizada. Tudo isto pode ser positivo para que o partido não perca definitivamente a sua matriz de esquerda. Admito.
Já a provável inclusão de três "alegristas" nas listas do P"S" é que me parece uma inaceitável caução à política anti-social do governo, para mais, vinda de quem declara ter divergências insanáveis com José Sócrates. Como significativa é a afirmação tonitruante de Alegre de que estará sempre ao lado dos socialistas numa luta eleitoral contra a direita, sintomática de que o veremos na campanha de Sócrates que, por sinal, governa à direita e de socialista só tem o cartão partidário.
Por mais que me esforce, não vejo aqui, por isso, um caso de coerência raríssima. O que vejo é a tentativa desesperada do P"S" de obter nova maioria absoluta que, mesmo com o apoio camuflado ou expresso de Manuel Alegre, não há-de ter. Pelo menos com o meu voto.
sexta-feira, maio 15, 2009
No país da ficção
Em comparação com o primeiro trimestre de 2008, a economia portuguesa caiu 3,7 por cento no primeiro trimestre deste ano, registando o pior resultado de há 30 anos a esta parte.
Porém, não deve ser caso para alarme porque o senhor primeiro-ministro, embora reconheça que o abrandamento da economia “é preocupante”, lembra-nos que Portugal regista um abrandamento inferior ao de outros países da União Europeia.
De resto, a situação é de tal modo normal que o senhor ministro das Finanças, que garante que as despesas públicas estão controladas e não é necessário um orçamento rectificativo, afirma que a recuperação económica poderá iniciar-se no final do corrente ano e manter-se de forma gradual durante o ano de 2010.
Não. Não se riam. Eles sabem o que dizem e o que fazem. É gente séria e competente. Podemos, portanto ficar descansados porque os 500 mil desempregados, os 2 milhões de precários, os 2 milhões de pobres, a gigantesca dívida pública e o imparável défice orçamental, é tudo ficção.
Avaliação do governo-Sócrates
No próximo dia 30, é a vez dos professores, por respeito à sua dignidade, avaliarem José Sócrates e as malfeitorias do seu "governo".
Utopias (ou talvez não…)
Amanhã, Manuel Alegre irá finalmente desfazer o seu tabu mas é já praticamente certo que não abandonará o PS e não caucionará, portanto, a criação de um novo partido.
Em nome de uma difícil mas não impossível federação da Esquerda, penso que é a decisão certa, contanto que resista à tentação de integrar as listas de Sócrates para as legislativas. E isso é o mínimo que dele se espera. Sobretudo depois de ter exigido a revogação do código laboral, a suspensão do modelo de avaliação dos professores, a abolição das taxas moderadoras, e não ter obtido qualquer resposta do governo. E ainda, depois das ofensas soezes de que foi vítima por parte dos lacaios do secretário-geral do P"S".
Só assim pode continuar a ser uma referência da Esquerda e contribuir para que o PS possa vir a recuperar a sua matriz socialista.
Só assim pode aspirar a ser o próximo Presidente da República. Com os votos da Esquerda.
A decisão é dele.
Em nome de uma difícil mas não impossível federação da Esquerda, penso que é a decisão certa, contanto que resista à tentação de integrar as listas de Sócrates para as legislativas. E isso é o mínimo que dele se espera. Sobretudo depois de ter exigido a revogação do código laboral, a suspensão do modelo de avaliação dos professores, a abolição das taxas moderadoras, e não ter obtido qualquer resposta do governo. E ainda, depois das ofensas soezes de que foi vítima por parte dos lacaios do secretário-geral do P"S".
Só assim pode continuar a ser uma referência da Esquerda e contribuir para que o PS possa vir a recuperar a sua matriz socialista.
Só assim pode aspirar a ser o próximo Presidente da República. Com os votos da Esquerda.
A decisão é dele.
quinta-feira, maio 14, 2009
Palavras sábias e justas (desta vez)
Um Estado e uma pátria independente para os palestinianos, o abate do muro de segurança construído por Israel, o fim do bloqueio a Gaza e a recusa do terrorismo — e certamente o Papa não estava apenas e principalmente a referir-se aos bombistas suicidas e aos rockets artesanais do Hamas, mas também aos massacres perpetrados pela máquina de guerra sionista —, tudo isto defendeu Bento XVI na visita que está a efectuar à Palestina, em contraste com o alheamento e a inoperância da maioria dos líderes políticos e organismos internacionais. E insistiu que só o diálogo pode levar à paz. Desta vez, as suas palavras são sábias e justas. O problema será passar das palavras aos actos. Mas, para isso, talvez não cheguem os seus veementes apelos…
quarta-feira, maio 13, 2009
Sócrates devia era sentir remorsos…
Antes da crise global, a economia portuguesa já crescia muito abaixo da média europeia.
Depois, quando já era previsível o trambolhão que iríamos dar, em vez de prevenir os acontecimentos, o Governo tentou camuflar a situação com um orçamento tão irrealista que, passados quinze dias, estava desactualizado.
Agora, com mais de meio milhão de pessoas no desemprego e a respectiva taxa a caminhar para os 10 por cento, mais de dois milhões de trabalhadores precários, cerca de dois milhões de portugueses a viver abaixo do limiar da pobreza, a dívida pública a aproximar-se dos 90 por cento do PIB, o défice orçamental a regressar à casa dos 6 por cento, a que se acrescenta a eliminação de boa parte dos direitos sociais e laborais, a liquidação da agricultura e das pescas, o vergonhoso alastramento da corrupção e o aumento da criminalidade, não há propaganda nem manipulação de informação que possa esconder esta dramática situação em que a irresponsabilidade do Primeiro-ministro e da sua fiel maioria mergulharam o país.
É caso para insónias, sem dúvida, mas da maioria da população, que a cada dia tem mais dificuldades de sobreviver. Sócrates devia era sentir remorsos e vergonha. E tirar daí as devidas consequências…
Depois, quando já era previsível o trambolhão que iríamos dar, em vez de prevenir os acontecimentos, o Governo tentou camuflar a situação com um orçamento tão irrealista que, passados quinze dias, estava desactualizado.
Agora, com mais de meio milhão de pessoas no desemprego e a respectiva taxa a caminhar para os 10 por cento, mais de dois milhões de trabalhadores precários, cerca de dois milhões de portugueses a viver abaixo do limiar da pobreza, a dívida pública a aproximar-se dos 90 por cento do PIB, o défice orçamental a regressar à casa dos 6 por cento, a que se acrescenta a eliminação de boa parte dos direitos sociais e laborais, a liquidação da agricultura e das pescas, o vergonhoso alastramento da corrupção e o aumento da criminalidade, não há propaganda nem manipulação de informação que possa esconder esta dramática situação em que a irresponsabilidade do Primeiro-ministro e da sua fiel maioria mergulharam o país.
É caso para insónias, sem dúvida, mas da maioria da população, que a cada dia tem mais dificuldades de sobreviver. Sócrates devia era sentir remorsos e vergonha. E tirar daí as devidas consequências…
terça-feira, maio 12, 2009
Uma austera, apagada e vil tristeza
Ao fim de dois anos de luta prolongada e crescente, que a dada altura chegou a mobilizar a quase totalidade dos professores portugueses, apenas cerca de vinte por cento se terá recusado a definir e entregar os objectivos individuais e, provavelmente, se nada mudar até final de Julho, a totalidade entregará a respectiva ficha de auto-avaliação (o que é humanamente compreensível, já que as lutas dispensam mártires e ganham-se ou perdem-se colectivamente). No final, ninguém terá sido verdadeiramente avaliado, apenas participado numa bem urdida encenação, mas o governo terá alcançado o seu objectivo: poder proclamar que avaliou os professores.
Uma luta que haveria de culminar nas duas maiores manifestações alguma vez feitas por uma classe profissional e numa greve participada em mais de 90%, que obteve o apoio de todos os partidos da Oposição e até de algumas individualidades do partido governamental, que suscitou a solidariedade da Igreja, a compreensão de algumas organizações de pais e o destaque esclarecedor de boa parte da comunicação social, que, apesar de rotulada de corporativa pelo Governo, ultrapassou largamente a dimensão profissional, assumindo um carácter nacional, com a defesa da qualidade do ensino e da Escola Pública, uma luta assim, jamais deveria acabar deste modo, sob a forma "duma austera, apagada e vil tristeza".
Talvez os professores venham a perder o combate. Talvez… Mas o prejuízo maior não será deles. Será dos jovens e do país. Disso podemos estar certos.
O Magalhães e o choque oftalmológico
Segundo a Sociedade Portuguesa de Oftalmologia, a utilização do computador Magalhães pode fazer disparar os casos de miopia entre as crianças devido ao tamanho do portátil e às letras muito pequenas.
Depois das barracas com o software e das demoras na entrega, só faltava mais esta. É no que dá a miopia política do governo-Sócrates. O propalado choque tecnológico pode, assim, estar seriamente comprometido e dar lugar a um preocupante choque… oftalmológico.
Depois das barracas com o software e das demoras na entrega, só faltava mais esta. É no que dá a miopia política do governo-Sócrates. O propalado choque tecnológico pode, assim, estar seriamente comprometido e dar lugar a um preocupante choque… oftalmológico.
segunda-feira, maio 11, 2009
A certificação do faz-de-conta
A empresa Energie, da Póvoa de Varzim, apadrinhada por José Sócrates e Manuel Pinho, perdeu a certificação para a produção de equipamentos solares térmicos, apurou o PÚBLICO. O laboratório alemão, que tinha certificado os seus produtos, retirou-lhe essa classificação por estar em causa o facto de os painéis da Energie usarem a energia eléctrica não de forma subsidiária, mas como fonte principal, o que leva ao agravamento da factura de electricidade.
Afinal, o que se poderia esperar de um Primeiro-ministro que tirou uma licenciatura por processos duvidosos numa universidade que o prório governo teve de encerrar, tantas eram as irregularidades? que monta um sistema de atribuição de diplomas do 12.º ano que mais parece uma fábrica de chouriços? e que ilude o insucesso escolar através do facilitismo e das estatísticas?
A certificação do faz-de-conta.
Afinal, o que se poderia esperar de um Primeiro-ministro que tirou uma licenciatura por processos duvidosos numa universidade que o prório governo teve de encerrar, tantas eram as irregularidades? que monta um sistema de atribuição de diplomas do 12.º ano que mais parece uma fábrica de chouriços? e que ilude o insucesso escolar através do facilitismo e das estatísticas?
A certificação do faz-de-conta.
Terra da fraternidade
Para José Afonso, a Galiza sempre foi "terra da fraternidade".
Por isso os galegos o homenagearam ontem em Santiago de Compostela, dando o seu nome a um dos parques da cidade e cantando emocionadamente "Grândola, Vila Morena".
Em Portugal, ao contrário, o nosso maior cantor popular é quase votado ao esquecimento!…
sexta-feira, maio 08, 2009
Corrupção: É fartar, vilanagem!
Nunca tanto se falou da necessidade de regulação e bem precisa ela seria num país onde muitos dos agentes económicos nem sempre primam pela seriedade no seu comportamento.
Entidades reguladoras existem mas, para além dos ordenados milionários que pagam aos seus dirigentes, o que têm feito para garantir a transparência dos mercados?
O Banco de Portugal fecha os olhos às negociatas especulativas e criminosas da Banca. A Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos deixa a Galp e a EDP à rédea solta, fixando os preços dos combustíveis e da electricidade a seu bel-prazer e arrecadando lucros astronómicos à custa dos consumidores.
O mesmo acontece com a corrupção. Todos (ou quase todos) falam da necessidade de a combater. Existe até um orgão pomposamente chamado Conselho de Prevenção da Corrupção mas, provavelmente, não é para ser levado a sério. E os resultados da actuação da Justiça são o que se (não) vê. Por isso o polvo cresce cada vez mais — segundo a Transparency International, em 2004, Portugal já ocupava um modesto 27.º lugar no ranking da corrupção, mas de então até 2008, caiu para o 32.º. É fartar, vilanagem!
quarta-feira, maio 06, 2009
Vergonha para a democracia
Como já é habitual, Maria de Lurdes Rodrigues não vai ter de ir à Assembleia da República prestar contas pela forma pidesca como a DGS Inspecção-Geral da Educação foi a Fafe interrogar os alunos sobre a organização da manifestação contra a ministra da "educação" e os acontecimentos então ocorridos.
Chefiada por alguém que, provavelmente, já não se lembrará do papel que desempenhou na liderança da contestação estudantil, no final da década de sessenta, acarneirada maioria governamental não o permitiu, perpetrando, deste modo, mais um atentado à democracia e às liberdades individuais.
Chefiada por alguém que, provavelmente, já não se lembrará do papel que desempenhou na liderança da contestação estudantil, no final da década de sessenta, a
Uma "vergonha para a democracia", como diria o Primeiro-ministro.
Senhor Secretário de Estado, cale-se, se faz favor!
O Ministério dito da Educação que, para não variar, mais uma vez não chegou a acordo com os sindicatos dos professores, desta vez, para a Revisão do Estatuto da Carreira Docente, pela voz do secretário de Estado Jorge Pedreira, veio dizer que a manifestação de professores, uma semana antes de eleições, é "insólita" e "pouco adequada".
Se tivesse aprendido alguma coisa quando foi (?) sindicalista, Jorge Pedreira devia saber que, acerca do agendamento das acções de protesto, os sindicatos só têm que dar satisfação aos profissionais que representam, cumpridas as formalidades legais.
Além disso, se ainda lhe restasse um pingo de vergonha, depois da desgraçada política educativa que o seu ministério tem prosseguido e da sistemática perseguição que tem movido aos professores, essas sim, muito mais do que insólitas e pouco adequadas, verdadeiramente criminosas, calava-se. E, de caminho, prestava um grande serviço ao país: demitia-se. De outro modo, vamos ter de correr com ele.
Se tivesse aprendido alguma coisa quando foi (?) sindicalista, Jorge Pedreira devia saber que, acerca do agendamento das acções de protesto, os sindicatos só têm que dar satisfação aos profissionais que representam, cumpridas as formalidades legais.
Além disso, se ainda lhe restasse um pingo de vergonha, depois da desgraçada política educativa que o seu ministério tem prosseguido e da sistemática perseguição que tem movido aos professores, essas sim, muito mais do que insólitas e pouco adequadas, verdadeiramente criminosas, calava-se. E, de caminho, prestava um grande serviço ao país: demitia-se. De outro modo, vamos ter de correr com ele.
Todos contra Sócrates
A luta dos professores poderá entrar pela campanha para as legislativas. E nós defendemos: tem de entrar!
Quem tiver memória e ainda lhe sobrar um resto de dignidade só pode votar contra o Partido de Sócrates. Independentemente da opção que fizer — Nós aqui vamos pela Esquerda. Por convicção e porque da Direita, há 30 anos, nada de novo.
Quem tiver memória e ainda lhe sobrar um resto de dignidade só pode votar contra o Partido de Sócrates. Independentemente da opção que fizer — Nós aqui vamos pela Esquerda. Por convicção e porque da Direita, há 30 anos, nada de novo.
segunda-feira, maio 04, 2009
Povo de brandos costumes: até quando?
Infelizmente, conhecemos bem as consequências dos trinta anos de alternância governativa entre o P"S" e o P"SD" (por vezes com a participação do CDS/ PP) e dos dois anos (1983-1985) do governo de coligação do P"S" com o P"SD": pobreza extrema, injustiça social, desemprego crescente e emprego precário para a maioria dos trabalhadores, enquanto alastra a prosmiscuidade entre a governança e a finança, grassa a corrupção e florescem as negociatas obscuras, perante a passividade ou impotência da Justiça.
É esta a estabilidade em nome da qual Jorge Sampaio considera ser necessária, mais uma vez, a formação de um governo do bloco central? Que, por estranha coincidência, Francisco Van Zeller, o patrão da CIP, também defende? Será que estes senhores ainda não se aperceberam do barril de pólvora social que pode estar a ser criado com a governação insensível e desumana do eterno centrão?
Por enquanto, a indignação e a revolta não têm dado lugar a mais do que umas bocas e uns empurrões inofensivos, uma vergonha para a democracia, dizem os democratas de pacotilha. Mas não sei até quando os portugueses, cada vez mais desesperados e maltratados pelas políticas do P"S" e do P"SD", estão dispostos a ser "um povo de brandos costumes" e a suportar a vergonhosa liquidação da democracia pelos plutocratas e cleptocratas que se têm governado à sua custa!
Há sempre alguém que diz não
Sílvio Berlusconi, considerado o homem mais rico da Itália e o 15.º mais rico do mundo, acusado diversas vezes de corrupção e ligações com a Máfia, representa o que há de mais promíscuo e asqueroso na relação dos negócios, as mais das vezes sujos, com a política, tendo criado os próprios partidos, ou melhor, as máquinas de propaganda, que lhe permitiram, por três vezes, conquistar o poder.
Seja como for, a verdade é que, por outras tantas vezes, o eleitorado italiano se deixou enganar, se apenas de um engano se tratou, por um refinado neo-fascista e populista, à beira do qual, Alberto João Jardim até poderia ser considerado um excelso democrata.
Mas, como diz o poeta, "há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz não". E às vezes é quem menos se espera.
Ao fim de 19 anos de casamento, Veronica Lario, a segunda mulher de Berlusconi, vai pedir o divórcio, porque quer voltar a ser uma pessoa normal e respeitável.
Ainda bem que nem todos os italianos se deixam levar por Berlusco!
Seja como for, a verdade é que, por outras tantas vezes, o eleitorado italiano se deixou enganar, se apenas de um engano se tratou, por um refinado neo-fascista e populista, à beira do qual, Alberto João Jardim até poderia ser considerado um excelso democrata.
Mas, como diz o poeta, "há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz não". E às vezes é quem menos se espera.
Ao fim de 19 anos de casamento, Veronica Lario, a segunda mulher de Berlusconi, vai pedir o divórcio, porque quer voltar a ser uma pessoa normal e respeitável.
Ainda bem que nem todos os italianos se deixam levar por Berlusco!
sábado, maio 02, 2009
Senhor Primeiro-ministro, tenha vergonha!
Quando alguém obteve a sua licenciatura em engenharia por processos engenhosos, assinou projectos de moradias feitos por outros, comprou a sua casa por quase metade do preço real e a da senhora sua mãe num paraíso fiscal, tem demasiadas telhas de vidro para atirar pedras aos telhados alheios.
Quando esse alguém, como governante, licenciou um gigantesco empreendimento, numa área protegida, em tempo relâmpago, alegadamente, a troco de luvas, então perde toda a autoridade moral para acusar as pessoas de comportamentos, porventura, menos próprios, mas que são o resultado do desespero a que a sua actuação, como primeiro-ministro, as conduziu.
Apesar de todo o foguetório e propaganda, ao fim de quatro anos de mandato, é hoje claro o drama em que José Sócrates mergulhou Portugal: a maior injustiça social e a pior repartição de rendimento da União Europeia, cerca de dois milhões de pobres, mais de meio milhão de desempregados e dois milhões de trabalhadores precários, enquanto a corrupção tem crescido e alimentado obscuros e milionários negócios, e salários chorudos e reformas douradas de gestores e políticos sem escrúpulos.
A governação de Sócrates, se isso lhe podemos chamar, é uma vergonha para a democracia!
Não admira que, mesmo em terras que anteriormente nele votaram, o Primeiro-ministro seja recebido com gritos e insultos. O povo está farto de promessas não cumpridas e conversa fiada. Mais do que palavras, quer democracia. Verdadeira.
Não admira que, mesmo em terras que anteriormente nele votaram, o Primeiro-ministro seja recebido com gritos e insultos. O povo está farto de promessas não cumpridas e conversa fiada. Mais do que palavras, quer democracia. Verdadeira.
sexta-feira, maio 01, 2009
Sócrates não tem desculpa
O professor Vital, que há vinte anos saiu do PCP e é hoje a cara do P"S" nas eleições para o Parlamento Europeu, em vez de se dirigir ao Marquês, onde começava o desfile dos seus actuais correligionários da UGT, resolveu ir para o Martim Moniz, ponto de partida da manifestação da CGTP, onde, provavelmente, encontraria alguns antigos camaradas comunistas, e seguramente, largos milhares de pessoas descontentes com o governo do Partido de Sócrates.
Enganou-se, portanto, ou foi fazer campanha em seara alheia, o que é mais grave. Não tem, por isso, de que se queixar e muito menos de esperar um pedido formal de desculpas da CGTP e do PCP, como pretende o Dr. Vitalino. Primeiro, porque o PCP nada teve a ver com a organização. Segundo, porque, apesar de Carvalho da Silva até ter lamentado o sucedido, a CGTP não pode, obviamente, responder pelo comportamento individual de cada um dos manifestantes. Terceiro, porque não era difícil de imaginar que, entre os largos milhares que lá estavam, muitos dos quais a viver momentos de grande angústia e sofrimento devido às políticas anti-populares e anti-sociais do governo, pudesse haver meia dúzia que não fosse capaz de conter a sua justa indignação dentro dos limites do aceitável.
E a propósito de desculpa: quem não a tem é José Sócrates e o seu governo, pelas malfeitorias que têm causado aos trabalhadores, aos pequenos e médios empresários, aos jovens, aos reformados e ao povo em geral!
A Galiza não esquece o Zeca
Os galegos são nossos irmãos. Pese embora o centralismo e a castelhanização a que têm sido submetidos ao longo do tempo, a sua ancestral afinidade linguística e cultural com os portugueses mantém-se de tal modo viva que chegam a tratar melhor do que nós alguns dos nomes da nossa cultura.
Assim acontece com José Afonso, desde sempre considerado na Galiza uma referência cimeira da música popular.
Não admira, por isso, que ainda hoje, vinte e dois anos após o seu falecimento, os galegos lhe prestem homenagens como esta, em Santiago de Compostela.
terça-feira, abril 28, 2009
O esplendor de Portugal
Para José Saramago, Portugal é um país onde, desde há muito, tem imperado a mania das grandezas.
A tineta vem de longe pois já D. João V, ao ser informado do exorbitante preço do carrilhão que iria ser instalado no Convento de Mafra, não conteve o seu novo-riquismo e encomendou dois. Mais recentemente, para a realização do Euro 2004, foram construídos oito novos estádios de futebol, a maioria dos quais para nada mais serve senão para estar às moscas, e actualmente, chegou-se à conclusão que o país, afinal, já tem nove auto-estradas a mais, num total de quase setecentos quilómetros.
Apesar disto, os governantes não parecem querer aprender com os erros e dão mostras de não desistir de levar por diante mais obras faraónicas que não só agravarão irreversivelmente a nossa dívida mas comprometerão seriamente o futuro das novas gerações. Em todos estes casos, alguém se enganou nas contas ou com elas nos enganou.
E o nosso Nobel da Literatura, com a sua lúcida ironia, conclui:Onde as contas parece que batem certo é no número de pobres em Portugal. São dois milhões, segundo as últimas informações. Quer dizer, uma expressão mais da nossa histórica mania das grandezas…
Baseado em "Mania das grandezas", de José Saramago
domingo, abril 26, 2009
Mudar alguma coisa para que tudo fique na mesma
Qualquer cidadão sabe que, com excepção das vacinas, nenhuma substância perigosa pode curar os males que causa. Ora, o que se decidiu em Londres [na reunião do G 20] foi garantir ao capital financeiro continuar a agir como tem agido nos últimos 30 anos, depois de se ter libertado dos controlos estritos a que antes estava sujeito. Ou seja, acumular lucros fabulosos nas épocas de prosperidade e contar, nas épocas de crise, com a generosidade dos contribuintes, desempregados, pensionistas roubados, famílias sem casa, garantida pelo Estado do Seu Bem Estar. Aqui reside a euforia de Wall Street. Nada disto é surpreendente se tivermos em mente que os verdadeiros artífices das soluções — os conselheiros económicos de Obama, Timothy Geithner e Larry Summers — são homens de Wall Street e que esta, ao longo das últimas décadas, financiou a classe política norte-americana em troca da substituição da regulamentação estatal por auto-regulação. Há mesmo quem fale de um golpe de Estado de Wall Street sobre Washington, cuja verdadeira dimensão se revela agora.
O contraste entre os objectivos da reunião de Bretton Woods, onde participaram não 20, mas 44 países, e a de Londres explica a vertiginosa rapidez desta última. Na primeira, o objectivo foi resolver as crises económicas que se arrastavam desde 1929 e criar uma arquitectura financeira robusta que permitisse ao capitalismo prosperar no meio de forte contestação social, a maior parte dela de orientação socialista. Ao contrário, em Londres, assistimos a reciclagem institucional, manter o actual modelo de concentração de riqueza, sem temor do protesto social, por se assumir que os cidadãos estão resignados perante a suposta falta de alternativa.
Excerto de "As grandes ilusões", de Boaventura Sousa Santos, in Visão
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