Os portugueses podem estar confusos, não saberem ainda bem o que querem, mas se há coisa que os resultados das eleições europeias não escondem é que eles estão a ficar fartos da bipolarização no P"S" e no P"SD" e, ainda mais, das maiorias absolutas. Na realidade, nunca os partidos do centrão, responsáveis pela medíocre governação que já dura há mais de trinta anos, tiveram, em conjunto, um resultado tão baixo, enquanto a Esquerda registou o seu melhor resultado de sempre e a Direita conseguiu uma votação significativa. Quanto ao P"S", sofreu uma das derrotas mais expressivas da sua história.
Sócrates percebe muito bem tudo isto mas, fiel à sua táctica de mistificar a realidade, insiste em impor-nos uma falsa dicotomia: ou o P"SD", que "quer rasgar as políticas sociais" e faz da "resignação, do pessimismo e do negativismo" uma "linha política", ou o P"S", "que tem confiança no país, vontade e ambição" e "acredita no Estado social". Porém, a maioria dos portugueses começa a perceber que a diferença entre este P"S" e o P"SD" é apenas de nome e de semântica. Quanto ao resto, que é o essencial, eles são faces da mesma moeda.
Bem pode vir agora o Primeiro-ministro, à última da hora, apregoar "as três marcas da sua governação" — "Rigor e responsabilidade, ambição nas reformas modernizadoras do país e a marca social" — que a gente não vai esquecer!
Não vamos esquecer que a dívida pública se aproxima dos 100 por cento do PIB, o défice sobe para o nível do início da legislatura e milhões de euros foram enterrados na banca sem proveito para a economia real.
Como não vamos esquecer que a reforma da Educação semeou o caos, a indisciplina e o facilitismo na Escola Pública em nome de um sucesso meramente estatístico, o Serviço Nacional de Saúde, que a Constituição diz ser tendencialmente gratuito, é cada vez mais pago pelos utentes, a reforma da Justiça deixou tudo na mesma e o Código do Trabalho agravou a precariedade do emprego, já de si elevadíssima.
Como não podemos esquecer os mais de 600 mil desempregados (200 mil dos quais sem subsídio de desemprego), os quase dois milhões de pobres, os milhares de reformados com pensões de miséria que não chegam para as despesas de saúde.
Não. A verdadeira opção não é entre este P"S" e o P"SD" que, no essencial, põem em prática políticas semelhantes, políticas antipopulares, políticas de Direita. É uma escolha sem sentido.
A verdadeira opção tem de ser entre políticas de Direita e políticas de Esquerda. Para quem está cansado da falsa alternância do P"S" e do P"SD" no poder, a escolha é, portanto, muito clara: votar à Esquerda.
quinta-feira, julho 09, 2009
quarta-feira, julho 08, 2009
Desinfecção da 5 de Outubro
A Ministra da Saúde tem razão. Adiar a abertura do ano lectivo não é solução para evitar a propagação do vírus. Como também o não é paralisar o país (mais do que o que já está).
Mas não basta adoptar medidas profilácticas severas em todas as escolas. É preciso não esquecer a desinfecção da 5 de Outubro. Mas disso encarregamo-nos nós em 27 de Setembro.
Mas não basta adoptar medidas profilácticas severas em todas as escolas. É preciso não esquecer a desinfecção da 5 de Outubro. Mas disso encarregamo-nos nós em 27 de Setembro.
A ministra continua a delirar
Para a Ministra da "Educação", as responsabilidades do insucesso nunca são das suas políticas. São (algumas vezes) dos alunos, (quase sempre) dos professores e agora (até) dos jornalistas!
Não seria melhor riscar os artigos 37.º e 38.º da Constituição? Maria de Lurdes Rodrigues continua a delirar.
Não seria melhor riscar os artigos 37.º e 38.º da Constituição? Maria de Lurdes Rodrigues continua a delirar.
segunda-feira, julho 06, 2009
Governador do BdP ganha mal
É preciso fazer alguma coisa para que tudo continue como dantes. É o que se pode dizer do inquérito parlamentar, se assim lhe podemos chamar, ao caso BPN que, ao fim de seis meses, se limita a ilibar o Banco de Portugal de falhas na sua acção fiscalizadora pois, "no mundo dos negócios, como noutras esferas, é possível praticar actos fraudulentos e mantê-los em segredo".
A Comissão de Inquérito considera, no entanto, "que Vítor Constâncio podia ter sido mais diligente". Mas esquece que o Dr. Constâncio é "apenas" o terceiro governador mais bem pago do mundo. Se querem que o homem trabalhe mais têm de lhe pagar um pouco melhor!…
A Comissão de Inquérito considera, no entanto, "que Vítor Constâncio podia ter sido mais diligente". Mas esquece que o Dr. Constâncio é "apenas" o terceiro governador mais bem pago do mundo. Se querem que o homem trabalhe mais têm de lhe pagar um pouco melhor!…
O sol brilha p'ra todos nós
Avante camarada, avante
Junta a tua à nossa voz
Avante camarada, avante camarada
O sol brilhará p'ra todos nós
O sol brilha p'ra todos nós. A crise, só para alguns. Por acaso, são a imensa maioria…
Na realidade, a crise é apenas para os mais de seiscentos mil desempregados, metade dos quais não recebe qualquer subsídio, para os cerca de dois milhões de trabalhadores precários que nunca sabem se em cada dia que vem ainda têm trabalho, para os quase dois milhões de pobres que sobrevivem silenciosamente à margem daquilo que é mais elementar.
Mas é também para os milhares de jovens que procuram desesperadamente o primeiro emprego que teima em não aparecer, para as dezenas de milhares de empresários muitos dos quais não conseguiram evitar a falência das suas micro, pequenas e médias empresas, para os reformados cujas pensões de miséria, em muitos casos, não dão sequer para pagar as despesas de saúde.
E até para muitas pessoas da classe média que, tendo contraído empréstimos que agora não conseguem liquidar, se vêem numa situação muito difícil.
Já para os banqueiros, os grandes empresários e os administradores e gestores dos grandes grupos económicos e financeiros, não há crise.
Eles continuam a viver nas mesmas sumptuosas vivendas, a conduzir os mesmos luxuosos carros, a fazer férias nos mesmos extravagantes destinos.
Alguns, na ânsia de enriquecerem cada vez mais e mais rapidamente, terão mesmo contribuído para a crise através de criminosas operações de engenharia financeira mas, da forma que a Justiça (não) funciona neste país, Jerónimo de Sousa bem pode esperar sentado para vê-los atrás das grades.
Por alguma razão, segundo o Eurostat, Portugal é o país da zona euro com a repartição do rendimento mais desigual.
Por alguma razão a corrupção no nosso país, que já era elevada em 2004, aumentou nos últimos quatro anos.
sábado, julho 04, 2009
O maior problema de Portugal
A teoria de que a Constituição é a força que bloqueia o desenvolvimento do país é velha, como a Direita que a subscreve.
Conheço suficientemente a CRP para considerar que não é a Constituição que impede Portugal de se tornar um país mais desenvolvido, mais justo e mais igualitário.
O problema reside nos governos que há 30 anos se têm sucedido e nas políticas que têm implementado. Mas também na maioria dos eleitores que, por opção consciente ou, quiçá na maior parte dos casos, por ignorância ou ingenuidade, os têm sufragado com o seu voto.
Em suma, mais do que o défice orçamental, o maior problema de Portugal é o défice de educação dos portugueses.
Conheço suficientemente a CRP para considerar que não é a Constituição que impede Portugal de se tornar um país mais desenvolvido, mais justo e mais igualitário.
O problema reside nos governos que há 30 anos se têm sucedido e nas políticas que têm implementado. Mas também na maioria dos eleitores que, por opção consciente ou, quiçá na maior parte dos casos, por ignorância ou ingenuidade, os têm sufragado com o seu voto.
Em suma, mais do que o défice orçamental, o maior problema de Portugal é o défice de educação dos portugueses.
Os monólogos da sinistra criatura
Para além da forma rasteira e vil como foram tratados, os professores chegam ao fim da legislatura com uma mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma. Foi nisto que deu a participação em simulacros de negociação com uma equipa ministerial que outro objectivo não nunca teve senão passar a ideia de que estava disponível para o diálogo mas desde cedo se revelou completamente surda, autista e prepotente. E indisponível para toda e qualquer verdadeira negociação.
Há muito que os sindicatos deveriam ter deixado de participar numa encenação. Há muito que Lurdes Rodrigues devia ter sido deixada a monologar.
Há muito que os sindicatos deveriam ter deixado de participar numa encenação. Há muito que Lurdes Rodrigues devia ter sido deixada a monologar.
Cantiga do ódio
Há-de sentir o meu ódio
quem o meu ódio mereça:
ó vida, cega-me os olhos
se não cumprir a promessa.
Cantiga do Ódio, Carlos de Oliveira
Ao longo do seu trágico mandato, Maria de Lurdes Rodrigues não fez outra coisa senão odiar os professores.
Impôs-lhes um estatuto perverso e abusivo, dividiu-lhes a carreira em duas categorias impedindo a maioria de alguma vez poder atingir o topo daquela, tentou submetê-los a uma avaliação de desempenho baseada num modelo burocrático, injusto e inviável que acabaria por ser transformado numa palhaçada inqualificável, liquidou o que restava da gestão democrática das escolas, diminuindo drasticamente a participação dos professores e restaurando a figura autocrática do Director.
Mas, por baixo do seu falso ar seráfico, Lurdes Rodrigues tem aos professores uma raiva cega.
Por isso os desautorizou, ofendeu, humilhou, semeando a indisciplina e a desordem nas escolas e transformando-os em sacos de boxe de alunos e pais, ao mesmo tempo que se vangloriava proclamando "perdi os professores mas ganhei a população".
E o fel é tanto que os professores foram vilipendiados e apodados de professorzecos, ratos, covardes.
E vem agora esta mulherzinha queixar-se do ódio de quem quer que seja — mesmo que já tenha sido ministra da Educação e também não tenha deixado boas recordações — depois do esterco que fez e a que, eufemisticamente, chama políticas educativas? Que autoridade moral tem para tanto? Nenhuma.
Todo o ódio que os professores tivessem a Lurdes Rodrigues seria sempre pouco para as maldades que lhes fez e o calvário em que transformou as suas vidas.
Mas eles não se deixarão envenenar e paralisar por esse justo sentimento. Eles têm uma tarefa, direi mesmo um imperativo: contribuir para desinfectar a Educação desta coisa verde e pestilenta que a está a estiolar. E vão fazê-lo. Já falta pouco…
E o fel é tanto que os professores foram vilipendiados e apodados de professorzecos, ratos, covardes.
E vem agora esta mulherzinha queixar-se do ódio de quem quer que seja — mesmo que já tenha sido ministra da Educação e também não tenha deixado boas recordações — depois do esterco que fez e a que, eufemisticamente, chama políticas educativas? Que autoridade moral tem para tanto? Nenhuma.
Todo o ódio que os professores tivessem a Lurdes Rodrigues seria sempre pouco para as maldades que lhes fez e o calvário em que transformou as suas vidas.
Mas eles não se deixarão envenenar e paralisar por esse justo sentimento. Eles têm uma tarefa, direi mesmo um imperativo: contribuir para desinfectar a Educação desta coisa verde e pestilenta que a está a estiolar. E vão fazê-lo. Já falta pouco…
sexta-feira, julho 03, 2009
A 'obra' de Manuel Pinho
O primeiro-ministro, José Sócrates, aceitou hoje a demissão de Manuel Pinho, na sequência do incidente ocorrido na Assembleia da República, durante o debate do "estado a que a Nação chegou".
Evocamos aqui as principais realizações do ex-ministro da economia durante os seus quase quatro anos de passagem pelo governo:

Sócrates perde assim uma cabeça dura, que muita falta lhe pode fazer para o renhido combate eleitoral que o espera.
Evocamos aqui as principais realizações do ex-ministro da economia durante os seus quase quatro anos de passagem pelo governo:
- Em 2006, anunciou o "fim" da crise em Portugal.
- Em 2007, tentou lançar o programa 'Allgarve' para promover o turismo algarvio, que abortou pelo ridículo do nome.
- No mesmo ano, numa visita à China, apelou ao investimento chinês
no Terceiro Mundoem Portugal argumentando que os custos salariais são inferiores à média da União Europeia (UE). - Já este ano, entrou numa polémica envolvendo Paulo Rangel e Basílio Horta, dizendo que o líder parlamentar do P"SD" tinha "de comer muita papa Maizena para chegar aos calcanhares do Dr. Basílio Horta".
- Ontem, tentou enfrentar a bancada do PCP mas, em vez de usar a cabeça, por ventura porque não suporta o vermelho, acabou por fazê-lo com "corninhos".

Sócrates perde assim uma cabeça dura, que muita falta lhe pode fazer para o renhido combate eleitoral que o espera.
De promessas está o inferno cheio
Primeiro dizia que queria rasgar tudo. Agora promete mudar tudo: o estatuto do aluno, o estatuto da carreira docente, o sistema de avaliação dos professores e a carga burocrática a que estão sujeitos.
Naturalmente isto é música para os ouvidos de quem, durante quatro longos e penosos anos, foi humilhado, vexado, perseguido pelo governo mais autoritário e arrogante de que há memória em 30 anos de democracia.
Mas atenção, Ferreira Leite já foi Ministra da Educação e não deixou boas recordações. E de promessas está o inferno cheio (as últimas que lá caíram foram as de Sócrates!…).
É por isso que vou pela Esquerda: porque estou farto deste P"S", porque estou farto de maiorias absolutas, porque estou farto da eterna alternância do centrão!… E de promessas!…
Naturalmente isto é música para os ouvidos de quem, durante quatro longos e penosos anos, foi humilhado, vexado, perseguido pelo governo mais autoritário e arrogante de que há memória em 30 anos de democracia.
Mas atenção, Ferreira Leite já foi Ministra da Educação e não deixou boas recordações. E de promessas está o inferno cheio (as últimas que lá caíram foram as de Sócrates!…).
É por isso que vou pela Esquerda: porque estou farto deste P"S", porque estou farto de maiorias absolutas, porque estou farto da eterna alternância do centrão!… E de promessas!…
quinta-feira, julho 02, 2009
Se…
Se um homem ou mulher é professor(a) é porque é (minimamente) inteligente.
Se é inteligente, sabe distinguir o que está certo do que está errado.
Se sabe o que está certo, sabe que o Ministério da (des)Educação está errado.
Se sabe que o Ministério está errado, sabe que não deve votar no P"S".
Se sabe que não deve votar no P"S", só o fará se tiver má-fé ou for estúpido.
Como um professor não é estúpido, se votar no P"S" só o fará por má-fé.
Se votar por má-fé não merece ser chamado 'Professor'.
Portanto, um professor digno desse nome não vota P"S".
Porque tem memória. Porque tem honra. Porque quer ter um futuro.
Porque quer andar de cabeça erguida. Na escola e na vida.
A cassete da Milú
Dizem as más línguas que o PCP utiliza sempre a mesma cassete.
Pois, neste caso, se alguém vai usar cassete é a Ministra da Confusão Educação, que, como aconteceu da última vez, o mais certo é encravar. Mas o problema técnico será facilmente resolvido com a entrada em cenas dos seus papagaios secretários de Estado que se limitarão a repetir o discurso do ministério pela enésima vez.
Os problemas reais, esses continuaram sem solução enquanto esta gente estiver na 5 de Outubro.
Espero e desejo ardentemente que seja por muito pouco tempo! Oxalá!…
Ralham as comadres
Ralham as comadres, descobrem-se as verdades. E a verdade é que P"SD" e P"S", apesar das suas desavenças, são partidos irmãos. Há 30 anos que lutam pelo poder e nele se têm alternado sucedido. Os resultados dessa suposta alternância, infelizmente, estão à vista: Portugal continua a ser um dos países mais pobres da Europa e aquele onde a desigualdade social é mais gritante, o desemprego é uma chaga e a maioria do emprego é precário, a produção nacional está quase desmantelada e a dependência do exterior é crónica, o Serviço Nacional de Saúde rebenta pelas costuras e a Escola Pública tem no Governo (pasme-se!) o principal inimigo, a corrupção e o compadrio campeiam e a Justiça demora uma eternidade para que nada aconteça.
Até quando é que esta calamidade vai continuar? Até que a maioria dos portugueses acorde da letargia em que está megulhada há três décadas. Será que vai acordar de vez???…
Até quando é que esta calamidade vai continuar? Até que a maioria dos portugueses acorde da letargia em que está megulhada há três décadas. Será que vai acordar de vez???…
terça-feira, junho 30, 2009
Fundamentalismo católico "socialista"
O artigo 43.º da Constituição da República Portuguesa garante "a liberdade de aprender e ensinar" e afirma que "o ensino público não será confessional".
Porém, a realidade é bem diferente do laicismo defendido pela constituição, uma vez que a disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica, ainda que com carácter facultativo, nunca deixou de fazer parte dos currículos do ensino básico e secundário.
Mas, para a cedência do Estado à Igreja Católica ser ainda maior, um governo supostamente socialista e laico, acaba de assinar um despacho que garante aoscatequistas professores de "religião e moral", que entram nas escolas por nomeação do episcopado, sem concurso público, o privilégio de poderem leccionar outras disciplinas e exercerem cargos pedagógicos ou de gestão.
Para regressarmos ao "fundamentalismo católico" do salazarismo, já só falta recuperarem a Concordata que deu cabo da vida a milhares de portuguesas e portugueses!
Porém, a realidade é bem diferente do laicismo defendido pela constituição, uma vez que a disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica, ainda que com carácter facultativo, nunca deixou de fazer parte dos currículos do ensino básico e secundário.
Mas, para a cedência do Estado à Igreja Católica ser ainda maior, um governo supostamente socialista e laico, acaba de assinar um despacho que garante aos
Para regressarmos ao "fundamentalismo católico" do salazarismo, já só falta recuperarem a Concordata que deu cabo da vida a milhares de portuguesas e portugueses!
segunda-feira, junho 29, 2009
Rasgar a "alternância"
Depois de um longo período em que fez voto de silêncio, Manuela Ferreira Leite, embalada pela queda vertiginosa do P"S" nas eleições europeias, surge-nos agora numa atitude mais rasgativa, tentando fazer-nos crer que, se ganhar as eleições, irá não apenas "rasgar" o essencial do programa de obras públicas, mas também inverter prioridades no sector da educação, através de uma reforma curricular profunda e do aumento da exigência na aprendizagem.
Pra começar, não está mau, mas seria bom saber o que pensa a senhora, do Estatuto da Carreira Docente, da divisão da carreira docente em categorias e do novo modelo de gestão das escolas, por exemplo. E já agora, da avaliação do desempenho docente. Eu por mim não alimento grandes expectativas. Ferreira Leite já foi ministra da Educação (e das Finanças) e não deixou propriamente grandes saudades.
O que é preciso é rasgar a alternância. Está na hora de procurarmos verdadeiras alternativas. À Esquerda, de preferência.
Pra começar, não está mau, mas seria bom saber o que pensa a senhora, do Estatuto da Carreira Docente, da divisão da carreira docente em categorias e do novo modelo de gestão das escolas, por exemplo. E já agora, da avaliação do desempenho docente. Eu por mim não alimento grandes expectativas. Ferreira Leite já foi ministra da Educação (e das Finanças) e não deixou propriamente grandes saudades.
O que é preciso é rasgar a alternância. Está na hora de procurarmos verdadeiras alternativas. À Esquerda, de preferência.
Mentirosos compulsivos
Coitado do mentiroso
Mente uma vez, mente sempre
Mesmo que fale verdade
Todos lhe dizem que mente
António Aleixo
"O gabinete de comunicação [do Ministério da Educação] não mente". Equivoca-se! Pois…
Mas, será isto para admirar num governo cujo chefe é um mentiroso compulsivo?
Mente uma vez, mente sempre
Mesmo que fale verdade
Todos lhe dizem que mente
António Aleixo
"O gabinete de comunicação [do Ministério da Educação] não mente". Equivoca-se! Pois…
Mas, será isto para admirar num governo cujo chefe é um mentiroso compulsivo?
Avaliação terceiro-mundista
Um estudo comparativo dos modelos de avaliação dos docentes em Portugal, França, Inglaterra, Holanda e Polónia, encomendado pelo Ministério da Trapalhada Educação à consultora Deloitte, revela algumas conclusões particularmente interessantes:
Com o mesmo objectivo, ao contrário das boas práticas dos países mais desenvolvidos, é um modelo persecutório e discriminatório, que promove o divisionismo e a competição cega em detrimento da cooperação e da dinâmica grupal.
É um modelo terceiro-mundista, decalcado do modelo chileno, há muito o sabíamos.
A questão que agora se coloca é a seguinte: que vai Lurdes Rodrigues fazer com este estudo, que arrasa por completo a monstruosidade que ela urdiu para avaliar os docentes? Não sei, mas, com as eleições a proximarem-se, admito que esta gente seja capaz de qualquer operação de cosmética para levar os professores à certa!…
Quanto a mim, sei bem o que vou fazer em 27 de Setembro: chumbar a pior equipa que alguma vez passou pelo Ministério da Educação!…
- O modelo português é o único que estabelece a existência de quotas que restringem a atribuição das menções mais elevadas.
- Enquanto nos países do centro, norte e leste europeu, a avaliação é maioritariamente feita ao nível da escola, o modelo imposto por cá incide na avaliação individual do desempenho docente.
Com o mesmo objectivo, ao contrário das boas práticas dos países mais desenvolvidos, é um modelo persecutório e discriminatório, que promove o divisionismo e a competição cega em detrimento da cooperação e da dinâmica grupal.
É um modelo terceiro-mundista, decalcado do modelo chileno, há muito o sabíamos.
A questão que agora se coloca é a seguinte: que vai Lurdes Rodrigues fazer com este estudo, que arrasa por completo a monstruosidade que ela urdiu para avaliar os docentes? Não sei, mas, com as eleições a proximarem-se, admito que esta gente seja capaz de qualquer operação de cosmética para levar os professores à certa!…
Quanto a mim, sei bem o que vou fazer em 27 de Setembro: chumbar a pior equipa que alguma vez passou pelo Ministério da Educação!…
domingo, junho 28, 2009
Pobreza de espírito
Numa casa portuguesa fica bem
pão e vinho sobre a mesa.
Quando à porta humildemente bate alguém,
senta-se à mesa co'a gente.
Fica bem essa franqueza, fica bem,
que o povo nunca a desmente.
A alegria da pobreza
está nesta grande riqueza
de dar, e ficar contente.
Quatro paredes caiadas,
um cheirinho á alecrim,
um cacho de uvas doiradas,
duas rosas num jardim,
um São José de azulejo
sob um sol de primavera,
uma promessa de beijos
dois braços à minha espera...
É uma casa portuguesa, com certeza!
É, com certeza, uma casa portuguesa!
No conforto pobrezinho do meu lar,
há fartura de carinho.
A cortina da janela e o luar,
mais o sol que gosta dela...
Basta pouco, poucochinho p'ra alegrar
uma existência singela...
É só amor, pão e vinho
e um caldo verde, verdinho
a fumegar na tigela.
Quatro paredes caiadas,
um cheirinho á alecrim,
um cacho de uvas doiradas,
duas rosas num jardim,
um São José de azulejo
sob um sol de primavera,
uma promessa de beijos
dois braços à minha espera...
É uma casa portuguesa, com certeza!
É, com certeza, uma casa portuguesa!
A maioria dos portugueses, apesar de pobre, considera-se feliz.
De repente, fica claro por que sessenta por cento dos portugueses não votam e, dos que o fazem, mais de setenta por cento se conformam com uma governação que, em trinta anos, melhor não fez do que manter Portugal como um dos países mais pobres e desiguais da Europa.
Hoje, como ontem, na "casa portuguesa", a pobreza de espírito é, lamentavelmente, a maior pobreza, "com certeza"!…
sábado, junho 27, 2009
Pela Esquerda é que vamos
Contra a crise e o seu cortejo de terríveis consequências — o aumento imparável do desemprego, o alastramento da pobreza, o agravamento das desigualdades sociais — só há lugar para uma política económica que aposte no investimento. Não o investimento em obras faraónicas que, além de constituir pasto apetitoso para os grandes grupos económicos, apenas serviria para agravar a dívida pública e a dependência comercial face ao exterior, mas antes, o investimento em sectores como a saúde, a educação, a requalificação urbana e ambiental, as energias renováveis, os bens transaccionáveis, que, seguramente, revitalizaria o tecido empresarial e estimularia a criação de emprego, melhorando o nível de vida da população e o desenvolvimento do país. Uma política económica que aposte mais nas pessoas do que nos números e recuse a extrema desigualdade e a pobreza cada vez maior que nos colocam na cauda da Europa, promovendo não apenas o crescimento, mas também uma maior justiça social na repartição da riqueza criada. Uma política económica de Esquerda, como já aqui tinha defendido. E como também defende agora um grupo de sessenta académicos. Ainda bem. É sempre bom que haja mais, muitos mais, a pensar e a sonhar como nós. Porque pelo sonho e pela Esquerda é que vamos.
sexta-feira, junho 26, 2009
Política de esquerda, precisa-se
Segundo a OCDE, a nossa economia cairá, este ano, 4,5 por cento, o que, se isso nos serve de consolo, será ligeiramente melhor que a contracção de 4,8 por cento da zona euro. Mas em 2010, apesar da recuperação prevista, a situação começará a inverter-se. Com excepção da Irlanda e da Espanha, Portugal terá o pior desempenho da zona euro, com um crescimento ainda negativo de 0,5 por cento. Finalmente, passada (?) a recessão internacional, de 2011 a 2017, voltaremos à nossa triste condição de "lanterna vermelha" do pelotão dos 30 países da OCDE, com um tímido crescimento de 1,5 por cento, aquém dos 2,3 por cento estimados para a zona euro.
Se estas previsões se confirmarem — e infelizmente não se vislumbram razões que nos levem a pensar que será diferente — é forçoso concluir que:
Se estas previsões se confirmarem — e infelizmente não se vislumbram razões que nos levem a pensar que será diferente — é forçoso concluir que:
- contrariamente ao que o Primeiro-ministro tem propagandeado, enfrentamos não apenas uma crise internacional, resultante da voracidade insaciável do neo-liberalismo capitalista, mas também a nossa própria crise, fruto de políticas que têm conduzido ao desmantelamento da produção nacional;
- a nossa crise não é meramente conjuntural e, como tal, não é imputável apenas ao governo de José Sócrates; trata-se de uma crise estrutural que se arrasta há mais de trinta anos;
- não se trata da crise do socialismo nem da social-democracia (que tão bons resultados deram e dão nos países nórdicos) mas antes "obra" de partidos que se autoproclamam socialistas e social-democratas, cujas políticas outra coisa não têm feito senão apoiar os grandes grupos financeiros, contribuir para o desmantelamento da produção nacional e, assim, levar ao enriquecimento cada vez maior duma minoria e ao empobrecimento dramático da maioria dos portugueses.
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