terça-feira, maio 19, 2009

Maioria absoluta? Não, obrigado.

PS rejeita audição no Parlamento de Lopes da Mota, presidente do Eurojust.

PS inviabiliza ida do presidente do Instituto do Emprego à Assembleia da República para esclarecer o "apagão" de 15 mil desempregados dos registos oficiais.

Três casos entre, muitos outros, que nos sugerem a seguinte pergunta:
Para que serve uma carneirada maioria absoluta?
Pretendem uns quantos propagandistas fazer-nos crer que é para que seja assegurada a estabilidade política e a resolução dos problemas nacionais. Ora, se tal fosse verdade, há muito Portugal teria deixado de ser o país mais pobre, desigual e um dos mais corruptos, da União Europeia.
Sucede que não só nada disso aconteceu, como a democracia está hoje mais ameaçada que nunca, nos últimos trinta anos.
Maioria absoluta? Não, obrigado.


segunda-feira, maio 18, 2009

Um ano para descobrir o que já sabíamos

Com preços de electricidade que chegam a ser superiores em 22% aos da UE15, os lucros da EDP já atingiam € 962,4 milhões, no 1.º semestre de 2008, e no fim do ano, cifraram-se em € 1 090 milhões.
A operar em regime de monopólio, perante a passividade do governo e o silêncio da entidade reguladora (ERSE), é evidente que a EDP só pode ter lucros astronómicos. De resto, não admira que a ERSE, que até teve o descaramento de propor que as dívidas incobráveis da EDP fossem pagas pelos clientes, tenha demorado mais de um ano a concluir que a EDP há muito tempo nos anda a extorquir . Por aqui se vê o tipo de fiscalização que existe actualmente em Portugal em relação aos grandes grupos económicos!…

Ministério precisa de manual de instruções

"Agora vou distribuir as provas. Deixem as provas com as capas para baixo", "Podem voltar as provas. Escrevam o vosso nome no espaço destinado ao nome", "Querem perguntar alguma coisa?", "Podem começar. Bom trabalho!", "Ainda têm 15 minutos", "Acabou o tempo", "Estejam à porta da sala às 11 horas e 20 minutos em ponto", "Podem sair. Obrigado pela vossa colaboração!", são frases que todos os papagaios professores deverão ler em voz alta aos alunos que hoje começam as provas nacionais de aferição do 4.º e 6.º anos da escolaridade e que constam do chamado Manual do Aplicador elaborado pelo Ministério dito da Educação.

Nada tenho contra qualquer manual de instruções, enquanto conjunto de normas de procedimento que vise garantir, tanto quanto possível, a igualdade de tratamento e de circunstâncias. Agora ir ao extremo de se exigir que os professores papagueiem as instruções (e até algumas simples expressões de cortesia) literalmente da mesma forma é que já me parece um perfeito absurdo, um completo disparate, uma estúpida inutilidade que outra coisa não representa senão pretender passar mais um atestado de menoridade intelectual aos docentes. Ora, pela sua incompetência e falta de ética, esta é justamente a equipa ministerial que menos autoridade tem para o fazer. Se alguém precisa de manual de instruções, é a ministra e os seus secretários de Estado. Embora acredite que isso nada adiante.

domingo, maio 17, 2009

Mudar o sistema, mudar o ensino

Negligenciar a formação integral não prepara os alunos para mais tarde enfrentarem o imprevisto e a mudança.
Temos a necessidade de reformar radicalmente o actual modelo de ensino nas universidades e escolas secundárias […] porque actualmente o conhecimento está desintegrado em fragmentos disjuntos no interior das disciplinas, que não estão interligadas entre si e entre as quais não existe diálogo. Conhecer apenas fragmentos desagregados da realidade faz de nós cegos e impede-nos de enfrentar e compreender problemas fundamentais do nosso mundo enquanto humanos e cidadãos, e isto é uma ameaça para a nossa sobrevivência
. Edgar Morin, filósofo
Ora aí está, preto no branco, a razão da confrangedora iliteracia, ignorância e imprepração das novas gerações, vítimas de um sistema de ensino assente no paradigma da especialização cega e da competitividade desenfreada, mais preocupado com a produção de mão-de-obra descartável e acrítica do que com a formação de cidadãos conscientes e responsáveis.
Mas isto não acontecerá por acaso. É uma exigência de um sistema social onde impera a selvajaria económica e a lei do mais forte. Que tem de ser combatido e modificado. Urgentemente. Porque "é uma ameaça para a nossa sobrevivência".

A inutilidade do Bloco Central

Com o humor corrosivo que o caracteriza, RAP demonstra a inutilidade do Bloco Central. Na verdade, os partidos do centrão, para além do nome, pouco diferem.
A recentralização do problema do Bloco Central passa pela explicação da impossibilidade do Bloco Central. Uma tarefa, apesar de tudo, fácil: o leitor que conte os casos de militantes que trocaram o PCP pelo PS, e de militantes do CDS que se juntaram ao PSD. São inúmeros. Mas são muito mais raros aqueles que trocaram o PSD pelo PS e vice-versa: de facto, são os partidos mais distantes um do outro, justamente porque acabam por estar no mesmo sítio. Não faz sentido trocar um pelo outro. É como trocar o nosso carro por um exactamente igual, com o mesmo número de quilómetros e o mesmo barulho na panela de escape. É evidente que aquela gente não se pode ver. Eles têm exactamente a mesma visão do País e as mesmas soluções. A razão pela qual uns são poder e os outros oposição é realmente incompreensível, e eles revezam-se a invejarem-se e a lamentar a própria sorte. Ricardo Araújo Pereira, Visão

sábado, maio 16, 2009

Correr com a cambada!

Se o Partido [dito] Socialista tivesse uma nova maioria absoluta iria fazer doer a dobrar, no plano dos salários, dos direitos. Porque eles não encontram outra solução.
Os grande tubarões e as grandes fortunas vão dizendo que é preciso baixar os salários, retirar direitos, alterar os horários e que os portugueses estão a viver acima das suas responsabilidades.
É conversa. Eles querem é resolver a crise através do aumento da exploração dos trabalhadores, dos que menos têm e menos podem.
Independentemente da minha opção de voto, da qual, neste momento, apenas sei que será, como sempre foi, à Esquerda, concordo plenamente com o discurso anterior.
É tempo de correr com a cambada que fez de Portugal o país mais desigual e um dos mais corruptos, da Europa. A decisão é nossa. Se não o fizermos, ninguém o fará por nós. Depois não nos queixemos…

Alegre apoiará Sócrates? Veremos…

Manuel Alegre negou hoje, em absoluto, que tenha negociado, com José Sócrates, nomes da sua corrente para integrarem a lista de candidatos a deputados do P"S" nas próximas eleições legislativas.
A ser verdade, retiro parte do que aqui escrevi.
Fico apenas na expectativa de saber se Alegre irá estar ao lado de Sócrates na "luta eleitoral contra a Direita", para usar uma expressão sua. Seria um equívoco lamentável e inaceitável pois as políticas de direita não se combatem com quem as defende e implementa.
Aguardemos os próximos desenvolvimentos.

Alegre & Sócrates: divergências… ultrapassadas

Que não criaria um novo partido e continuaria no PS, sabia-se. Que não integraria as listas do partido para as legislativas era praticamente certo. Agora fica a saber-se que os seus apoiantes continuarão no PS como tendência organizada. Tudo isto pode ser positivo para que o partido não perca definitivamente a sua matriz de esquerda. Admito.

a provável inclusão de três "alegristas" nas listas do P"S" é que me parece uma inaceitável caução à política anti-social do governo, para mais, vinda de quem declara ter divergências insanáveis com José Sócrates. Como significativa é a afirmação tonitruante de Alegre de que estará sempre ao lado dos socialistas numa luta eleitoral contra a direita, sintomática de que o veremos na campanha de Sócrates que, por sinal, governa à direita e de socialista só tem o cartão partidário.
Por mais que me esforce, não vejo aqui, por isso, um caso de coerência raríssima. O que vejo é a tentativa desesperada do P"S" de obter nova maioria absoluta que, mesmo com o apoio camuflado ou expresso de Manuel Alegre, não há-de ter. Pelo menos com o meu voto.

sexta-feira, maio 15, 2009

No país da ficção

Em comparação com o primeiro trimestre de 2008, a economia portuguesa caiu 3,7 por cento no primeiro trimestre deste ano, registando o pior resultado de há 30 anos a esta parte.
Porém, não deve ser caso para alarme porque o senhor primeiro-ministro, embora reconheça que o abrandamento da economia “é preocupante”, lembra-nos que Portugal regista um abrandamento inferior ao de outros países da União Europeia.
De resto, a situação é de tal modo normal que o senhor ministro das Finanças, que garante que as despesas públicas estão controladas e não é necessário um orçamento rectificativo, afirma que a recuperação económica poderá iniciar-se no final do corrente ano e manter-se de forma gradual durante o ano de 2010.
Não. Não se riam. Eles sabem o que dizem e o que fazem. É gente séria e competente. Podemos, portanto ficar descansados porque os 500 mil desempregados, os 2 milhões de precários, os 2 milhões de pobres, a gigantesca dívida pública e o imparável défice orçamental, é tudo ficção.

Avaliação do governo-Sócrates

No próximo dia 30, é a vez dos professores, por respeito à sua dignidade, avaliarem José Sócrates e as malfeitorias do seu "governo".

E em Junho e em Outubro, vamos ao ajuste de contas. Sócrates? Não, obrigado.

Lutar até ao fim

Lutar até ao fim. Com dignidade. Pelo direito à dignidade.

Utopias (ou talvez não…)

Amanhã, Manuel Alegre irá finalmente desfazer o seu tabu mas é já praticamente certo que não abandonará o PS e não caucionará, portanto, a criação de um novo partido.
Em nome de uma difícil mas não impossível federação da Esquerda, penso que é a decisão certa, contanto que resista à tentação de integrar as listas de Sócrates para as legislativas. E isso é o mínimo que dele se espera. Sobretudo depois de ter exigido a revogação do código laboral, a suspensão do modelo de avaliação dos professores, a abolição das taxas moderadoras, e não ter obtido qualquer resposta do governo. E ainda, depois das ofensas soezes de que foi vítima por parte dos lacaios do secretário-geral do P"S".
Só assim pode continuar a ser uma referência da Esquerda e contribuir para que o PS possa vir a recuperar a sua matriz socialista.
Só assim pode aspirar a ser o próximo Presidente da República. Com os votos da Esquerda.
A decisão é dele.

quinta-feira, maio 14, 2009

Palavras sábias e justas (desta vez)

Um Estado e uma pátria independente para os palestinianos, o abate do muro de segurança construído por Israel, o fim do bloqueio a Gaza e a recusa do terrorismo — e certamente o Papa não estava apenas e principalmente a referir-se aos bombistas suicidas e aos rockets artesanais do Hamas, mas também aos massacres perpetrados pela máquina de guerra sionista —, tudo isto defendeu Bento XVI na visita que está a efectuar à Palestina, em contraste com o alheamento e a inoperância da maioria dos líderes políticos e organismos internacionais. E insistiu que só o diálogo pode levar à paz. Desta vez, as suas palavras são sábias e justas. O problema será passar das palavras aos actos. Mas, para isso, talvez não cheguem os seus veementes apelos…

quarta-feira, maio 13, 2009

Sócrates devia era sentir remorsos…

Antes da crise global, a economia portuguesa já crescia muito abaixo da média europeia.
Depois, quando já era previsível o trambolhão que iríamos dar, em vez de prevenir os acontecimentos, o Governo tentou camuflar a situação com um orçamento tão irrealista que, passados quinze dias, estava desactualizado.
Agora, com mais de meio milhão de pessoas no desemprego e a respectiva taxa a caminhar para os 10 por cento, mais de dois milhões de trabalhadores precários, cerca de dois milhões de portugueses a viver abaixo do limiar da pobreza, a dívida pública a aproximar-se dos 90 por cento do PIB, o défice orçamental a regressar à casa dos 6 por cento, a que se acrescenta a eliminação de boa parte dos direitos sociais e laborais, a liquidação da agricultura e das pescas, o vergonhoso alastramento da corrupção e o aumento da criminalidade, não há propaganda nem manipulação de informação que possa esconder esta dramática situação em que a irresponsabilidade do Primeiro-ministro e da sua fiel maioria mergulharam o país.
É caso para insónias, sem dúvida, mas da maioria da população, que a cada dia tem mais dificuldades de sobreviver. Sócrates devia era sentir remorsos e vergonha. E tirar daí as devidas consequências…

terça-feira, maio 12, 2009

Uma austera, apagada e vil tristeza

Ao fim de dois anos de luta prolongada e crescente, que a dada altura chegou a mobilizar a quase totalidade dos professores portugueses, apenas cerca de vinte por cento se terá recusado a definir e entregar os objectivos individuais e, provavelmente, se nada mudar até final de Julho, a totalidade entregará a respectiva ficha de auto-avaliação (o que é humanamente compreensível, já que as lutas dispensam mártires e ganham-se ou perdem-se colectivamente). No final, ninguém terá sido verdadeiramente avaliado, apenas participado numa bem urdida encenação, mas o governo terá alcançado o seu objectivo: poder proclamar que avaliou os professores.
Uma luta que haveria de culminar nas duas maiores manifestações alguma vez feitas por uma classe profissional e numa greve participada em mais de 90%, que obteve o apoio de todos os partidos da Oposição e até de algumas individualidades do partido governamental, que suscitou a solidariedade da Igreja, a compreensão de algumas organizações de pais e o destaque esclarecedor de boa parte da comunicação social, que, apesar de rotulada de corporativa pelo Governo, ultrapassou largamente a dimensão profissional, assumindo um carácter nacional, com a defesa da qualidade do ensino e da Escola Pública, uma luta assim, jamais deveria acabar deste modo, sob a forma "duma austera, apagada e vil tristeza".
Talvez os professores venham a perder o combate. Talvez… Mas o prejuízo maior não será deles. Será dos jovens e do país. Disso podemos estar certos.

O Magalhães e o choque oftalmológico

Segundo a Sociedade Portuguesa de Oftalmologia, a utilização do computador Magalhães pode fazer disparar os casos de miopia entre as crianças devido ao tamanho do portátil e às letras muito pequenas.
Depois das barracas com o software e das demoras na entrega, só faltava mais esta. É no que dá a miopia política do governo-Sócrates. O propalado choque tecnológico pode, assim, estar seriamente comprometido e dar lugar a um preocupante choque… oftalmológico.

FAQ's sobre o Bloco "Central"

em actualização

segunda-feira, maio 11, 2009

A certificação do faz-de-conta

A empresa Energie, da Póvoa de Varzim, apadrinhada por José Sócrates e Manuel Pinho, perdeu a certificação para a produção de equipamentos solares térmicos, apurou o PÚBLICO. O laboratório alemão, que tinha certificado os seus produtos, retirou-lhe essa classificação por estar em causa o facto de os painéis da Energie usarem a energia eléctrica não de forma subsidiária, mas como fonte principal, o que leva ao agravamento da factura de electricidade.
Afinal, o que se poderia esperar de um Primeiro-ministro que tirou uma licenciatura por processos duvidosos numa universidade que o prório governo teve de encerrar, tantas eram as irregularidades? que monta um sistema de atribuição de diplomas do 12.º ano que mais parece uma fábrica de chouriços? e que ilude o insucesso escolar através do facilitismo e das estatísticas?
A certificação do faz-de-conta.

Terra da fraternidade

Para José Afonso, a Galiza sempre foi "terra da fraternidade".
Por isso os galegos o homenagearam ontem em Santiago de Compostela, dando o seu nome a um dos parques da cidade e cantando emocionadamente "Grândola, Vila Morena".
Em Portugal, ao contrário, o nosso maior cantor popular é quase votado ao esquecimento!…

sexta-feira, maio 08, 2009

Corrupção: É fartar, vilanagem!

Nunca tanto se falou da necessidade de regulação e bem precisa ela seria num país onde muitos dos agentes económicos nem sempre primam pela seriedade no seu comportamento.
Entidades reguladoras existem mas, para além dos ordenados milionários que pagam aos seus dirigentes, o que têm feito para garantir a transparência dos mercados?
O Banco de Portugal fecha os olhos às negociatas especulativas e criminosas da Banca. A Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos deixa a Galp e a EDP à rédea solta, fixando os preços dos combustíveis e da electricidade a seu bel-prazer e arrecadando lucros astronómicos à custa dos consumidores.

O mesmo acontece com a corrupção. Todos (ou quase todos) falam da necessidade de a combater. Existe até um orgão pomposamente chamado Conselho de Prevenção da Corrupção mas, provavelmente, não é para ser levado a sério. E os resultados da actuação da Justiça são o que se (não) vê. Por isso o polvo cresce cada vez mais — segundo a Transparency International, em 2004, Portugal já ocupava um modesto 27.º lugar no ranking da corrupção, mas de então até 2008, caiu para o 32.º. É fartar, vilanagem!

quarta-feira, maio 06, 2009

Vergonha para a democracia

Como já é habitual, Maria de Lurdes Rodrigues não vai ter de ir à Assembleia da República prestar contas pela forma pidesca como a DGS Inspecção-Geral da Educação foi a Fafe interrogar os alunos sobre a organização da manifestação contra a ministra da "educação" e os acontecimentos então ocorridos.
Chefiada por alguém que, provavelmente, já não se lembrará do papel que desempenhou na liderança da contestação estudantil, no final da década de sessenta, a carneirada maioria governamental não o permitiu, perpetrando, deste modo, mais um atentado à democracia e às liberdades individuais.
Uma "vergonha para a democracia", como diria o Primeiro-ministro.

Senhor Secretário de Estado, cale-se, se faz favor!

O Ministério dito da Educação que, para não variar, mais uma vez não chegou a acordo com os sindicatos dos professores, desta vez, para a Revisão do Estatuto da Carreira Docente, pela voz do secretário de Estado Jorge Pedreira, veio dizer que a manifestação de professores, uma semana antes de eleições, é "insólita" e "pouco adequada".
Se tivesse aprendido alguma coisa quando foi (?) sindicalista, Jorge Pedreira devia saber que, acerca do agendamento das acções de protesto, os sindicatos só têm que dar satisfação aos profissionais que representam, cumpridas as formalidades legais.
Além disso, se ainda lhe restasse um pingo de vergonha, depois da desgraçada política educativa que o seu ministério tem prosseguido e da sistemática perseguição que tem movido aos professores, essas sim, muito mais do que insólitas e pouco adequadas, verdadeiramente criminosas, calava-se. E, de caminho, prestava um grande serviço ao país: demitia-se. De outro modo, vamos ter de correr com ele.

Todos contra Sócrates

A luta dos professores poderá entrar pela campanha para as legislativas. E nós defendemos: tem de entrar!
Quem tiver memória e ainda lhe sobrar um resto de dignidade só pode votar contra o Partido de Sócrates. Independentemente da opção que fizer — Nós aqui vamos pela Esquerda. Por convicção e porque da Direita, há 30 anos, nada de novo.

segunda-feira, maio 04, 2009

Povo de brandos costumes: até quando?

Infelizmente, conhecemos bem as consequências dos trinta anos de alternância governativa entre o P"S" e o P"SD" (por vezes com a participação do CDS/ PP) e dos dois anos (1983-1985) do governo de coligação do P"S" com o P"SD": pobreza extrema, injustiça social, desemprego crescente e emprego precário para a maioria dos trabalhadores, enquanto alastra a prosmiscuidade entre a governança e a finança, grassa a corrupção e florescem as negociatas obscuras, perante a passividade ou impotência da Justiça.
É esta a estabilidade em nome da qual Jorge Sampaio considera ser necessária, mais uma vez, a formação de um governo do bloco central? Que, por estranha coincidência, Francisco Van Zeller, o patrão da CIP, também defende? Será que estes senhores ainda não se aperceberam do barril de pólvora social que pode estar a ser criado com a governação insensível e desumana do eterno centrão?
Por enquanto, a indignação e a revolta não têm dado lugar a mais do que umas bocas e uns empurrões inofensivos, uma vergonha para a democracia, dizem os democratas de pacotilha. Mas não sei até quando os portugueses, cada vez mais desesperados e maltratados pelas políticas do P"S" e do P"SD", estão dispostos a ser "um povo de brandos costumes" e a suportar a vergonhosa liquidação da democracia pelos plutocratas e cleptocratas que se têm governado à sua custa!

Há sempre alguém que diz não

Sílvio Berlusconi, considerado o homem mais rico da Itália e o 15.º mais rico do mundo, acusado diversas vezes de corrupção e ligações com a Máfia, representa o que há de mais promíscuo e asqueroso na relação dos negócios, as mais das vezes sujos, com a política, tendo criado os próprios partidos, ou melhor, as máquinas de propaganda, que lhe permitiram, por três vezes, conquistar o poder.
Seja como for, a verdade é que, por outras tantas vezes, o eleitorado italiano se deixou enganar, se apenas de um engano se tratou, por um refinado neo-fascista e populista, à beira do qual, Alberto João Jardim até poderia ser considerado um excelso democrata.
Mas, como diz o poeta, "há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz não". E às vezes é quem menos se espera.
Ao fim de 19 anos de casamento, Veronica Lario, a segunda mulher de Berlusconi, vai pedir o divórcio, porque quer voltar a ser uma pessoa normal e respeitável.
Ainda bem que nem todos os italianos se deixam levar por Berlusco!

sábado, maio 02, 2009

Senhor Primeiro-ministro, tenha vergonha!

Quando alguém obteve a sua licenciatura em engenharia por processos engenhosos, assinou projectos de moradias feitos por outros, comprou a sua casa por quase metade do preço real e a da senhora sua mãe num paraíso fiscal, tem demasiadas telhas de vidro para atirar pedras aos telhados alheios.
Quando esse alguém, como governante, licenciou um gigantesco empreendimento, numa área protegida, em tempo relâmpago, alegadamente, a troco de luvas, então perde toda a autoridade moral para acusar as pessoas de comportamentos, porventura, menos próprios, mas que são o resultado do desespero a que a sua actuação, como primeiro-ministro, as conduziu.
Apesar de todo o foguetório e propaganda, ao fim de quatro anos de mandato, é hoje claro o drama em que José Sócrates mergulhou Portugal: a maior injustiça social e a pior repartição de rendimento da União Europeia, cerca de dois milhões de pobres, mais de meio milhão de desempregados e dois milhões de trabalhadores precários, enquanto a corrupção tem crescido e alimentado obscuros e milionários negócios, e salários chorudos e reformas douradas de gestores e políticos sem escrúpulos.

sexta-feira, maio 01, 2009

Sócrates não tem desculpa

O professor Vital, que há vinte anos saiu do PCP e é hoje a cara do P"S" nas eleições para o Parlamento Europeu, em vez de se dirigir ao Marquês, onde começava o desfile dos seus actuais correligionários da UGT, resolveu ir para o Martim Moniz, ponto de partida da manifestação da CGTP, onde, provavelmente, encontraria alguns antigos camaradas comunistas, e seguramente, largos milhares de pessoas descontentes com o governo do Partido de Sócrates.
Enganou-se, portanto, ou foi fazer campanha em seara alheia, o que é mais grave. Não tem, por isso, de que se queixar e muito menos de esperar um pedido formal de desculpas da CGTP e do PCP, como pretende o Dr. Vitalino. Primeiro, porque o PCP nada teve a ver com a organização. Segundo, porque, apesar de Carvalho da Silva até ter lamentado o sucedido, a CGTP não pode, obviamente, responder pelo comportamento individual de cada um dos manifestantes. Terceiro, porque não era difícil de imaginar que, entre os largos milhares que lá estavam, muitos dos quais a viver momentos de grande angústia e sofrimento devido às políticas anti-populares e anti-sociais do governo, pudesse haver meia dúzia que não fosse capaz de conter a sua justa indignação dentro dos limites do aceitável.
E a propósito de desculpa: quem não a tem é José Sócrates e o seu governo, pelas malfeitorias que têm causado aos trabalhadores, aos pequenos e médios empresários, aos jovens, aos reformados e ao povo em geral!

A Galiza não esquece o Zeca

Os galegos são nossos irmãos. Pese embora o centralismo e a castelhanização a que têm sido submetidos ao longo do tempo, a sua ancestral afinidade linguística e cultural com os portugueses mantém-se de tal modo viva que chegam a tratar melhor do que nós alguns dos nomes da nossa cultura.
Assim acontece com José Afonso, desde sempre considerado na Galiza uma referência cimeira da música popular.
Não admira, por isso, que ainda hoje, vinte e dois anos após o seu falecimento, os galegos lhe prestem homenagens como esta, em Santiago de Compostela.

terça-feira, abril 28, 2009

O esplendor de Portugal

Para José Saramago, Portugal é um país onde, desde há muito, tem imperado a mania das grandezas.
A tineta vem de longe pois já D. João V, ao ser informado do exorbitante preço do carrilhão que iria ser instalado no Convento de Mafra, não conteve o seu novo-riquismo e encomendou dois. Mais recentemente, para a realização do Euro 2004, foram construídos oito novos estádios de futebol, a maioria dos quais para nada mais serve senão para estar às moscas, e actualmente, chegou-se à conclusão que o país, afinal, já tem nove auto-estradas a mais, num total de quase setecentos quilómetros.
Apesar disto, os governantes não parecem querer aprender com os erros e dão mostras de não desistir de levar por diante mais obras faraónicas que não só agravarão irreversivelmente a nossa dívida mas comprometerão seriamente o futuro das novas gerações. Em todos estes casos, alguém se enganou nas contas ou com elas nos enganou.
E o nosso Nobel da Literatura, com a sua lúcida ironia, conclui:
Onde as contas parece que batem certo é no número de pobres em Portugal. São dois milhões, segundo as últimas informações. Quer dizer, uma expressão mais da nossa histórica mania das grandezas…

domingo, abril 26, 2009

Mudar alguma coisa para que tudo fique na mesma

Qualquer cidadão sabe que, com excepção das vacinas, nenhuma substância perigosa pode curar os males que causa. Ora, o que se decidiu em Londres [na reunião do G 20] foi garantir ao capital financeiro continuar a agir como tem agido nos últimos 30 anos, depois de se ter libertado dos controlos estritos a que antes estava sujeito. Ou seja, acumular lucros fabulosos nas épocas de prosperidade e contar, nas épocas de crise, com a generosidade dos contribuintes, desempregados, pensionistas roubados, famílias sem casa, garantida pelo Estado do Seu Bem Estar. Aqui reside a euforia de Wall Street. Nada disto é surpreendente se tivermos em mente que os verdadeiros artífices das soluções — os conselheiros económicos de Obama, Timothy Geithner e Larry Summers — são homens de Wall Street e que esta, ao longo das últimas décadas, financiou a classe política norte-americana em troca da substituição da regulamentação estatal por auto-regulação. Há mesmo quem fale de um golpe de Estado de Wall Street sobre Washington, cuja verdadeira dimensão se revela agora.

O contraste entre os objectivos da reunião de Bretton Woods, onde participaram não 20, mas 44 países, e a de Londres explica a vertiginosa rapidez desta última. Na primeira, o objectivo foi resolver as crises económicas que se arrastavam desde 1929 e criar uma arquitectura financeira robusta que permitisse ao capitalismo prosperar no meio de forte contestação social, a maior parte dela de orientação socialista. Ao contrário, em Londres, assistimos a reciclagem institucional, manter o actual modelo de concentração de riqueza, sem temor do protesto social, por se assumir que os cidadãos estão resignados perante a suposta falta de alternativa.

Excerto de "As grandes ilusões", de Boaventura Sousa Santos, in Visão

A maioria desencantada

Segundo uma sondagem Expresso, 77 % dos portugueses não se revêm nos partidos.
Partindo do pressuposto da reduzida margem de erro e da fiabilidade da sondagem, este resultado sugere-nos diversas hipóteses:
  • a abstenção nos próximos actos eleitorais pode vir a ser elevada o que, a verificar-se, pode significar o desencantamento com a democracia e o despertar do ancestral sentimento sebastianista de que os problemas do país se resolvem através de um salvador-da-pátria;
  • uma grande maioria de portugueses (influenciada pela leitura de Ensaio sobre a Lucidez, de José Saramago?), mantendo a crença nas virtudes da democracia, pode votar em branco, decidindo tão só castigar os actuais partidos pela sua inoperância política;
  • para muitos, a responsabilidade pela situação que vivemos é do actual sistema partidário, metendo no mesmo saco, injustamente, os partidos que apenas estiveram na oposição e aqueles que foram responsáveis pela governação;
  • os portugueses parecem não perceber/ admitir ser co-responsáveis pela situação a que chegaram, ao terem confiado há demasiados anos numa suposta alternância governativa que outra coisa não tem feito senão distribuir benesses e mordomias às respectivas clientelas ao mesmo tempo que tem vindo a adiar o desenvolvimento do país;
  • a maioria aparenta descrer na política — como se houvesse outra forma de solucionar os nossos problemas — raramente fazendo uso, na generalidade, dos direitos que a Lei lhes confere.
Veremos o que esta maioria desencantada irá fazer. Receio bem que nada de substancialmente muito diferente do que tem feito há quase 35 anos, ou seja, dar os seus votos ao centrão que, mais do que resolver os problemas dos portugueses, tem vindo a governar-se à custa deles.
É por estas e por outras que somos considerados um "povo de brandos costumes".

Tratados abaixo de cão

1. À saída da entrevista, se assim podemos chamar ao que não passou de um exercício de puro autoritarismo e descarada propaganda, o primeiro-ministro, ufano, garantiu a uma jornalista que não morde, ao que esta lhe respondeu, alto e bom som, "Não morde mas rosna. E às vezes rosna muito."
Por outro lado, quando escreveu "Cão como nós", Manuel Alegre referia-se ao cão da família, não a José Sócrates.
Por tudo isto, forçoso é concluir que nunca estaremos ao nível de um primeiro-ministro que trata a maioria dos portugueses abaixo de cão.

2. Um "cão problema...", portanto.
Caso para lhe dizermos, urgentemente:
"Sai depressa, ó cão, deste poema!" (Alexandre O'Neill)

sábado, abril 25, 2009

25 de Abril, já!

35 anos depois da Revolução de Abril, Portugal continua a ser o que sempre foi: um país economicamente pobre, socialmente injusto, politicamente adiado.
35 anos depois da Revolução de Abril, com 2 milhões de pobres, meio milhão de desempregados e as mais elevadas taxas de analfabetismo e de iliteracia, Portugal está onde sempre esteve: na cú da Europa.
35 anos depois da Revolução de Abril, com a corrupção a grassar como nunca se verificou, os vampiros continuam impunemente a chupar o sangue fresco da manada.

35 anos depois da Revolução de Abril, é (mais do que) tempo de dizer "basta!". (Outro) 25 de Abril, já! Desta vez, a sério
.

25 de Abril, sempre!

Murcharam a festa mas havemos de continuar!

quarta-feira, abril 15, 2009

Cantigas do Maio (10)

Xutos & Pontapés: ao fim de trinta anos, a rebeldia de sempre. Obrigado por nos darem voz!


SEM EIRA NEM BEIRA

(Xutos & Pontapés, 2009)

Letra - Tim; Música e Voz - Kalu




Anda tudo do avesso
Nesta rua que atravesso
Dão milhões a quem os tem
Aos outros um passou-bem

Não consigo perceber
Quem é que nos quer tramar
Enganar/Despedir
E ainda se ficam a rir
Eu quero acreditar
Que esta merda vai mudar
E espero vir a ter
Uma vida bem melhor

Mas se eu nada fizer
Isto nunca vai mudar
Conseguir/Encontrar
Mais força para lutar...

(Refrão)
Senhor engenheiro
Dê-me um pouco de atenção
Há dez anos que estou preso
Há trinta que sou ladrão
Não tenho eira nem beira
Mas ainda consigo ver
Quem anda na roubalheira
E quem me anda a comer

É difícil ser honesto
É difícil de engolir
Quem não tem nada vai preso
Quem tem muito fica a rir
Qinad espero ver alguém
Assumir que já andou
A roubar/A enganar
O povo que acreditou

Conseguir encontrar mais força
Para lutar
Mais força para lutar
Conseguir encontrar mais força
Para lutar
Mais força para lutar...

(Refrão)
Senhor engenheiro
Dê-me um pouco de atenção
Há dez anos que estou preso
Há trinta que sou ladrão
Não tenho eira nem beira
Mas ainda consigo ver
Quem anda na roubalheira
E quem me anda a foder

Há dez anos que estou preso
Há trinta que sou ladrão
Mas eu sou um homem honesto
Só errei na profissão

segunda-feira, abril 13, 2009

O regresso da polícia de costumes

Nos últimos tempos, a corrupção tem aumentado assustadoramente, o tráfico de influências progride com descarada impunidade e o enriquecimento ilícito parece não constituir uma preocupação para a maioria governamental. São problemas gravíssimos que, a não serem implacavelmente combatidos, jamais permitirão que o país venha algum dia a ser minimamente justo e desenvolvido e a sua resolução exige, por esse facto, uma vontade política e uma coragem que o actual governo, de modo algum, tem vindo a demonstrar, sobretudo quando se trata de enfrentar os interesses dos poderosos.
É, na verdade, mais fácil proibir o uso de saias curtas, decotes exagerados, gangas e perfumes agressivos, bem como de saltos altos e roupa interior escura às funcionárias de forma a, alegadamente, dar uma imagem de "qualidade" ao serviço público e contribuir para a modernização administrativa (parece-me que que apenas se esqueceram de impor novamente o uso das mangas de alpaca!).
A decência e a seriedade têm andado cada vez mais arredias da administração pública e da governação. É uma realidade.
Mas não é seguramente com operações de cosmética que tresandam a bafio que a administração pública e o país ganharão em transparência e modernidade.

Tudo depende de nós

Este comentário da amiga M.E. sugeriu-me o Elogio da Dialéctica, de Bertolt Brecht

A injustiça avança hoje a passo firme
Os tiranos fazem planos para dez mil anos
O poder apregoa: as coisas continuarão a ser como são
Nenhuma voz além da dos que mandam
E em todos os mercados proclama a exploração;
isto é apenas o meu começo
Mas entre os oprimidos muitos há que agora dizem
Aquilo que nós queremos nunca mais o alcançaremos
Quem ainda está vivo não diga: nunca
O que é seguro não é seguro
As coisas não continuarão a ser como são
Depois de falarem os dominantes
Falarão os dominados
Quem pois ousa dizer: nunca
De quem depende que a opressão prossiga? De nós
De quem depende que ela acabe? Também de nós
O que é esmagado que se levante!
O que está perdido, lute!
O que sabe ao que se chegou, que há aí que o retenha
E nunca será: ainda hoje
Porque os vencidos de hoje são os vencedores de amanhã.

domingo, abril 12, 2009

O P"S" terá telhas de vidro?…

Abordando o problema da corrupção, no JN, Manuel António Pina pergunta "De que tem medo o PS" e prossegue interrogando-se por que razão uma "torrente de palavras e declarações de intenção […] nunca se traduz em actos" para combater o flagelo.
Ora, primeiro, o partido do governo começou por aprovar um Código Penal demasiado brando com os crimes de colarinho branco. Depois, tem vindo a marginalizar e a afastar os seus elementos mais inconformados com o regabofe. E, finalmente, quando toda a oposição apresenta iniciativas e propostas legislativas para criminalizar o enriquecimento ilícito, o PS é o único a discordar e a inviabilizar a sua apreciação pelo Tribunal Constitucional.
Finalizando com a pergunta de AMP, afinal, "de que tem medo o PS"? Provavelmente, das suas imensas e frágeis telhas de vidro…

quarta-feira, abril 08, 2009

Perguntas

Porque é que o cidadão José Sócrates ainda não foi constituído arguido no processo Freeport? Porque é que Charles Smith e Manuel Pedro foram constituídos arguidos e José Sócrates não foi? Como é que, estando o epicentro de todo o caso situado num despacho de aprovação exarado no Ministério de Sócrates, ainda ninguém desse Ministério foi constituído arguido? Como é que, havendo suspeitas de irregularidades num Ministério tutelado por José Sócrates, ele não está sequer a ser objecto de investigação? Com que fundamento é que o procurador-geral da República passa atestados públicos de inocência ao primeiro-ministro? Como é que pode garantir essa inocência se o primeiro-ministro não foi nem está a ser investigado? Como é possível não ser necessário investigar José Sócrates se as dúvidas se centram em áreas da sua responsabilidade directa? Como é possível não o investigar face a todos os indícios já conhecidos? Que pressões estão a ser feitas sobre os magistrados do Ministério Público que trabalham no caso Freeport? A quem é que o presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público se está a referir? Se, como dizem, o estatuto de arguido protege quem o recebe, porque é José Sócrates não é objecto dessa protecção institucional? Será que face ao conjunto de elementos insofismáveis e já públicos qualquer outro cidadão não teria já sido constituído arguido? Haverá duas justiças? Será que qualquer outro cidadão não estaria já a ser investigado? Como é que as embaixadas em Lisboa estarão a informar os seus governos sobre o caso Freeport? O que é que dirão do primeiro-ministro de Portugal? O que é que dirão da justiça em Portugal? O que é que estarão a dizer de Portugal? Que efeito estará tudo isto a ter na respeitabilidade do país? Que efeitos terá um Primeiro-ministro na situação de José Sócrates no rating de confiança financeira da República Portuguesa? Quantos pontos a mais de juros é que nos estão a cobrar devido à desconfiança que isto inspira lá fora? E cá dentro também? Que efeitos terá um caso como o Freeport na auto-estima dos portugueses? Quanto é que nos vai custar o caso Freeport? Será que havia ambiente para serem trocados favores por dinheiros no Ministério que José Sócrates tutelou? Se não havia, porque é que José Sócrates, como a lei o prevê, não se constitui assistente no processo Freeport para, com o seu conhecimento único dos factos, ajudar o Ministério Público a levar a investigação a bom termo? Como é que a TVI conseguiu a gravação da conversa sobre o Freeport? Quem é que no Reino Unido está tão ultrajado e zangado com Sócrates para a divulgar? E em Portugal, porque é que a Procuradoria-Geral da República ignorou a gravação quando lhe foi apresentada? E o que é que vai fazer agora que o registo é público? Porque é que o presidente da República não se pronuncia sobre isto? Nem convoca o Conselho de Estado? Como é que, a meio de um processo de investigação jornalística, a ERC se atreve a admoestar a informação da TVI anunciando que a tem sob olho? Será que José Sócrates entendeu que a imensa vaia que levou no CCB na sexta à noite não foi só por ter feito atrasar meia hora o início da ópera?


Tantas perguntas e… tanto silêncio. Que é feito da democracia em Portugal?

sexta-feira, abril 03, 2009

A latrina imunda

Escrevo aqui e agora sobre Pinto da Costa, não porque o futebol me interesse, particularmente, como tema de discussão. Vejo um ou outro jogo, como sou capaz de ir ao circo. E isso me basta.

O eterno presidente do Futebol Clube do Porto vem aqui à colação porque o Tribunal de Gaia absolveu-o das acusações que sobre ele impendiam no âmbito do processo "Apito Dourado" — afinal, o árbitro Augusto Duarte, foi a casa de PC apenas tomar um cálice de porto. Se alguma coisa mais houve, para a meritíssima juíza não ficou provado.
Como não se irá, seguramente, provar que José Sócrates terá tido a ver com a corrupção associada ao estranho licenciamento do Freeport, por mais suspeitas que sobre ele recaiam. De resto, para tal seria necessário que ele fosse constituído arguido, o que duvido que alguma vez venha a acontecer.
Como não foi provado nenhum dos vinte e três crimes de que foi acusado o deputado Paulo Pedroso, no âmbito do processo Casa Pia, que apesar de ter estado em prisão preventiva, acabou por sair em liberdade sem sequer ser julgado.
E, estranhamente, só há um arguido na gigantesca fraude do BPN. Convenhamos que foi demasiada vigarice para uma pessoa apenas, mesmo tratando-se do ex-presidente do Conselho de Administração do Banco.
E não podemos deixar de recordar os julgamentos exemplares de Valentim Loureiro, Fátima Felgueiras e Avelino Ferreira Torres.
Bem, fico-me por aqui, que estou a ficar nauseado. Foda-se, este país é uma latrina imunda!

quarta-feira, abril 01, 2009

Guantánamo é… relaxante

Miss Universo, a venezuelana Dayana Mendoza, foi a Guantánamo levantar o moral das tropas americanas e achou que "foi muuuito divertido”.
As misses, geralmente, não primam por um elevado QI mas convenhamos que a jovem Dayana não precisava de exagerar na estupidez.
Até parece que Barack Obama não deveria encerrar um presídio que é uma vergonha para os direitos humanos só porque uma refinada idiota acha que é um local tão "relaxante, calmo e lindo"!…

É preciso lavar a democracia

Em Portugal, há um défice congénito de separação entre o Estado e os grupos económicos, verificando-se, de há muito, uma evidente promiscuidade e uma efectiva falta de transparência no seu relacionamento.
Foi assim no tempo de Salazar, que metia homens da sua confiança nos conselhos de administração das grandes empresas da época.
Já Marcelo Caetano, optou por, inversamente, recrutar tecnocratas nas grandes empresas para integrarem os seus governos.
Actualmente, os partidos da "governança" e, em particular, o P"S", têm aproveitado a sua passagem pelo poder, não tanto para desenvolver o país e resolver os seus graves problemas, mas sobretudo, para colocar os seus mais destacados militantes na direcção das maiores empresas privadas.

A democracia nunca esteve tão suja e necessitada de uma enorme barrela.

A névoa cerrada da corrupção

Em 2005, o Banco Mundial asseverava que, não fora a corrupção que existe no nosso país e Portugal poderia atingir o nível de desenvolvimento da Finlândia.
A verdade é que, segundo dados da Transparency Internacional já aqui citados, de 2004 para 2008, Portugal tem-se tornado um país cada vez mais infectado por aquele flagelo, fenómeno a que certamente não serão alheios, por um lado, a falta de vontade política do actual poder para o combater de forma consequente e, por outro, os exemplos de duvidosa seriedade e de questionável transparência dados por alguns responsáveis políticos, entre os quais o próprio primeiro-ministro.
Não espanta, por isso, que o P"S", instado pelo Bloco de Esquerda a pronunciar-se sobre a nomeação do empresário Domingos Névoa, condenado por corrupção no caso Bragaparques, para presidir à empresa intermunicipal de recolha e tratamento de lixos dos concelhos "socialistas" de Braga, Póvoa de Lanhoso, Amares, Vila Verde, Terras de Bouro e Vieira do Minho, tenha mantido o mais completo mutismo.

É caso para concluir que, sob a cerrada névoa da corrupção que paira sobre o nosso país, há cada vez mais negociatas mal cheirosas.

segunda-feira, março 30, 2009

Responsabilizar os pais pela educação dos filhos

Sempre acreditei e defendi que a Escola tem um dúplice objectivo: formar, a um tempo, profissionais competentes e cidadãos conscientes. Dito de outra forma, transmitir às crianças e aos jovens não apenas conhecimentos mas também valores.
Lamentavelmente, a escola portuguesa afasta-se cada vez mais deste desiderato e são os professores, injustamente, que acabam por ser tratados como bodes expiatórios de um problema do qual, juntamente com os alunos, são mais vítimas do que culpados.
Na realidade, o fracasso da Educação deve-se, primeiro e sobretudo, a uma política educativa que, ao mesmo tempo que desautoriza o professor e desvaloriza o seu papel, cultiva a diversão e a facilidade, o laxismo e a indulgência, e aposta num sucesso educativo meramente estatístico. Por outro lado, a generalidade das famílias — algumas tão pressurosas a enxovalhar os professores ou até a usá-los como sacos de boxe — revela-se perfeitamente incapaz de educar os seus filhos e, pior do que isso, indisponível para apoiar a escola nessa indispensável missão.
As consequências de tudo isto são, infelizmente, fáceis de prever: indisciplina escolar, absentismo, abandono da escola.

Se está de acordo, assine aqui a petição à Assembleia da República.

sexta-feira, março 27, 2009

A todos o que é de todos

É o lema da nova campanha do Bloco de Esquerda que defende a nacionalização da GALP e da EDP. Porque…
  • os recursos fundamentais são de todos.
  • deve haver uma melhor partilha de recursos numa altura de crise.
  • a EDP teve 1.000 milhões de euros de lucro e mesmo assim aumenta 5 por cento, três vezes o valor da inflação, os preços da electricidade.
  • a Galp teve 500 milhões de lucro porque atrasou a actualização do preço da gasolina em relação ao preço do petróleo.
  • existe um monopólio na electricidade e na distribuição da gasolina que abusa dos consumidores.
Nada de mais justo. E que só pode contar com o apoio da imensa maioria dos portugueses. Assim a mensagem passe…

quinta-feira, março 26, 2009

A brincar não vamos lá!

Portugal desceu duas posições no índice de competitividade tecnológica, passando da 28.ª para a 30.ª posição mas, ainda que nos possamos consolar com o facto de estarmos melhor posicionados que os nossos parceiros mediterânicos — Espanha, Itália e Grécia — a verdade é que estamos muito longe de entrar no top ten onde, como é habitual em questões de desenvolvimento, não falta nenhum dos países nórdicos.
No entanto, o lado mais paradoxal e preocupante da notícia é Portugal, apesar de ocupar o 4.º lugar dos países em que as TIC têm uma maior preponderância na visão do futuro dos respectivos governos, simultâneamente, não conseguir melhor que a 73.ª posição da qualidade do sistema de ensino e a 97.ª na qualidade do ensino da matemática.
Perante tais evidências, temos forçosamente de concluir que, enquanto se persistir numa política de ensino que privilegia o sucesso estatístico em detrimento da exigência, do rigor e da qualidade, de pouco o nada valerão o choque tecnológico, as TIC, o Magalhães, salvo para meia dúzia de empresas beneficiárias dos projectos. Quanto à maioria dos utilizadores, continuará a usar estas ferramentas como se de brinquedos se tratasse. E a verdade é que a brincar não vamos lá!

Tiros na 'mouche'

  • Comparativamente ao peso da economia, o buraco do BPN é quase cinco vezes maior que o causado pela fraude de Bernard Madoff.
  • Veja-se o que aconteceu com Bernard Madoff, responsável pela maior fraude financeira nos Estados Unidos, […] conhecida já os escândalos do BPN eram velhos de quatro meses: já se encontra detido e com sentença marcada para 16 de Junho.
  • [Por cá], perante a crescente complexidade da criminalidade económica, a Justiça tem primado pela lentidão na investigação e no julgamento dos seus responsáveis e os cidadãos e contribuintes […] não compreendem que cheguem os dedos de uma mão para contar os arguidos nos escândalos BCP, BPN e BPP.
  • Os ‘offshores’ não são paraísos fiscais, são o paraíso da especulação financeira, dos lucros fáceis e do dinheiro sujo do mundo do crime. Ali se tem limpado o dinheiro do narcotráfico, do comércio de armamento e do terrorismo internacional.
Acrescento apenas que, segundo a Transparency International, em 2004, Portugal já ocupava um modesto 27.º lugar no ranking da corrupção, mas de então até 2008, caiu para o 32.º. Nos mesmos anos, com um Presidente e uma Administração que não foram propriamente modelos de seriedade e transparência, os EUA aguentaram-se entre o 17.º e 18.º lugar daquele ranking.
Por aqui se vê, com a Justiça e os Governos que temos tido, o longo caminho que teremos de percorrer para, algum dia — talvez no dia de S. Nunca… —, nos equipararmos a uma Finlândia ou a uma Dinamarca!…


quarta-feira, março 25, 2009

Professores em estado de choque

Já não bastava o actual concurso de colocação de professores, que originará a extinção de cerca de 20 000 lugares, ser o maior despedimento colectivo alguma vez enfrentado pela classe docente.
Agora, muitos concorrentes estão a registar grandes dificuldades para proceder à sua inscrição electrónica devido à lentidão de processamento do servidor do Ministério da "Educação".
Com um governo que não se cansa de apregoar as virtudes do choque tecnológico, é inaceitável que, devido à incompetência ou ao economicismo do ME, sejam mais uma vez os professores a arcar com as consequências e a ficar em estado… de choque.

Diálogo impossível com uma 'muda' e dois 'surdos'

Como era previsível, na sua ida ao circo parlamentar, a maga da 5 de outubro não tirou quaisquer coelhos da cartola. Referindo-se à "avaliação", a muda limitou-se praticamente a balbuciar a sua frase favorita — o processo está a decorrer “com grande normalidade” — deixando os seus dois surdos a debitar que:
  • sem objectivos individuais, os professores não são avaliados nem progridem na carreira
  • os conselhos executivos decidirão de eventuais processos disciplinares pelo incumprimento daquele procedimento
Num diálogo obviamente impossível, por explicar ficou e continua a obrigatoriedade legal da entrega de objectivos individuais (OI's), que a lei não prevê, mas que o ministério da "educação", achando-se acima daquela, entende poder exigir. O que não exige — porque sabe que não tem base legal para o fazer — é a instauração de processos disciplinares aos professores que não definiram OI's, descartando a responsabilidade da decisão nos cerca de 1 200 (!!!…) conselhos executivos.

Esta cambada de incompetentes e irresponsáveis, verdadeiro bando de foras-da-lei, sob as ordens expressas de Sócrates, é capaz de tudo. Inclusive, de violar a legalidade e semear a confusão nas escolas, apenas para poder usar a "avaliação" como troféu eleitoral.

Se a Assembleia não conseguiu travá-los espero que o Tribunal Constitucional os ponha na ordem. Em nome da legalidade, do Estado de Direito e da democracia.

Ensino profissional: que futuro?

Se o chamado ensino profissional tem um currículo mais pobre, devido à excessiva simplificação da componente de formação geral, se para ele são encaminhados os alunos com mais dificuldades de aprendizagem e, para cúmulo, em muitos casos, se não propicia verdadeiras saídas profissionais, só podemos concluir ser preocupante a insistência nesta via de ensino e, pior do que isso que, em apenas quatro anos, a oferta de cursos profissionais tenha subido de 10 para 60 por cento nas escolas públicas. (cf. denúncia da Fenprof)
Que se queira combater o insucesso escolar é compreensível e desejável, agora de forma laxista e estatística, como o actual governo tem vindo a fazer, é que me parece um erro grave que o país, mais tarde ou mais cedo, virá a pagar.

terça-feira, março 24, 2009

Reduzir, reutilizar, reciclar

Ou, como um spot publicitário retirado de emissão por atacar um direito constitucional tão natural em democracia como o ar que se respira, pode, depois de uma imaginativa adaptação, ser reutilizado sem ofender a Constituição.
E há 470 000 (ou mais) razões para ele ser (re)visto…

Estatísticas e prestidigitação

Primeiro começou por prometer a criação de 150 000 novos postos de trabalho até ao final do mandato.
Em Agosto de 2008, já a crise financeira internacional começava a ser preocupante e a ameaçar o crescimento e o emprego nas grandes economias e, pensando que uma economia frágil e dependente como a nossa poderia escapar ao dilúvio pelos intervalos da chuva, veio novamente com a promessa dos 150 000 novos postos de trabalho e, não satisfeito com tanta irresponsabilidade, apresentou um orçamento de tal modo irrealista que só durou um mês.


Enquanto isso, enterrou milhões na banca e a economia real, com a corda no pescoço, continua a produzir uma legião cada vez maior de desempregados.
Mas brevemente há eleições e, por isso, é necessário atenuar o desemprego, mesmo que de forma puramente estatística (como, de resto, tem sido feito com o insucesso escolar). Qual é o truque? Simples: 21 000 trabalhadores em formação e mais 40 000 estágios profissionais — não são 61 000 novos empregos, é certo, mas sempre são 61 000 desempregados a menos. Por agora. Quem vier depois que pague a factura.

A anedota da popota

O Magalhães, cuja resistência já tinha sido posta à prova por Hugo Chavez na Cimeira Ibero-americana, é um computador de tal forma excelente que está programado para não deixar os alunos jogar sem antes fazerem os seus trabalhos de casa : ))).
Quem o afirma é a comissária política do P"S" para a "educação" na Região Norte, Margarida Moreira, que garante que os cerca de 140 mil computadores ainda em falta naquela região serão entregues sabe-se lá quando, perdão,… antes da Páscoa.
Afinal, o anedotário do Magalhães não acabou no Carnaval de Torres Vedras.

A popota garantiu ainda que a Direcção Regional de "Educação" do Norte está a tentar recuperar o tempo perdido [no ensino especial] mas tem deparado com falta de especialistas em áreas como o autismo e a cegueira.
Com a equipa ministerial mais autista e cega de que há memória, juro que esta não entendo!

segunda-feira, março 23, 2009

Gaza, holocausto impune

Bando de criminosos de guerra é o mínimo que se pode chamar aos militares israelitas que invadiram a Faixa de Gaza e assassinaram selvaticamente mais de um milhar de civis palestinianos. Animais abjectos que se gabam das atrocidades cometidas com crianças e mulheres grávidas. Terroristas sem perdão.

Soldado israelita envergando uma t-shirt representando uma
palestiniana grávida como alvo e a frase "1 tiro 2 mortes" (fonte: Haaretz.com)


Afinal, que credibilidade merecem o TPI e a comunidade internacional ao deixarem impune este vergonhoso holocausto?


1.ª actualização (23/03/2009)

A ameaça da continuação da matança de Gaza persiste. Os neo-nazis sionistas não têm emenda. São assassinos congénitos.


2.ª actualização (24/03/2009)

A ONU denunciou que soldados israelitas usaram um rapaz palestiniano, de onze anos, como escudo humano, durante a invasão da Faixa de Gaza, numa clara violação da lei internacional.
Os Médicos pelos Direitos Humanos, uma organização israelita, denunciou igualmente a violação da lei internacional da ética médica pelos militares israelitas, em Gaza, ao atingirem pessoal e estabelecimentos médicos e impedirem a assistência aos feridos nos combates.
E os terroristas são os palestinos!…

domingo, março 22, 2009

Cantigas do Maio (9)

Queremos ver tudo diferente

(Um beco com saída, 1975)
Palavras, música e voz — Fausto Bordalo Dias


queremos ver tudo diferente
daquilo que agora está
já se faz gato sapato
da gente que anda por cá
e roda bem a tua saia
que nós vamos a bailar
mas nesta roda não caia
quem tem muito p'ra lutar

quem lavra a terra somos nós
quem a semeia e lavrou
quem a monda quem a ceifa
e depois a debulhou
e quem comprou estas terras
foi a força de nos roubar
e do campo p'ra cidade
a gente tem de se ajuntar

quem trabalha lá nas minas
carregando peso de minérios
quem os forja do ferro ao aço
e constrói casas e automóveis
e quem comprou estas fábricas
foi a força de nos roubar
e da cidade para o campo
a gente tem de se ajuntar

e já se fala em socialismo
a torto e a direito
disfarça bem o fascista
de grande emblema ao peito
e se esta canção não te agrada
a gente vai acabar
e num tom que não enfada
viva a Revolução Popular

sábado, março 21, 2009

Todos não somos demais. Obviamente.

A contestação ao modelo de suposta avaliação do desempenho dos docentes, que Sócrates e Lurdes Rodrigues persistem cegamente em impor, no essencial, tem sido levada a cabo pelos professores e pelas suas organizações e movimentos de classe, com altos e baixos, há já dois longos e sofridos anos. Dos conselhos executivos, apesar de eleitos com os votos dos professores, nunca seria de esperar muito, dada a forma como foram manietados, ameaçados ou simplesmente aliciados pelo ministério da "educação".
Ora, é por isso que, num momento em que a luta parece confinada à frente jurídica, através da interposição de providências cautelares, pelos sindicatos, e da fiscalização preventiva da lei, solicitada ao Tribunal Constitucional, pelo PCP, o Bloco de Esquerda e o CDS-PP, nos parece relevante a posição hoje tomada por 180 presidentes de conselhos executivos, afirmando publicamente que “nada na lei obriga à entrega de objectivos” e que, por esse facto, “não [estão] obrigados a aplicar medidas penalizadoras sobre os professores que o não tenham feito". Posição tão mais relevante (e não tão óbvia como alguns consideram) quanto o facto de muitos dos 1 020 que não a apoiaram estarem, provavelmente, dispostos a executar fielmente as ameaças do ministério.
Bem sei que se caminha a passos largos para o fim do ano lectivo, ou seja, para o momento crucial da decisão da entrega ou não da ficha de auto-avaliação, sabendo que a entrega significará a capitulação e a concordância com um arremedo de avaliação — com as eleições à porta, o que interessa ao governo é poder propagandear que fez a avaliação dos professores, mesmo que nenhum deles tenha sido verdadeiramente avaliado de forma séria e justa — e a não-entrega, a recusa em alinhar numa farsa, injusta e indecente, para consumo eleitoral.
Certo é que, até lá, muito há que lutar e todos não somos demais. Obviamente.

A farsa da avaliação de professores

Na impossibilidade humana de "gerir" milhares de escolas e centenas de milhares de professores, os esclarecidos especialistas construíram uma teoria "científica" e um método "objectivo" com a finalidade de medir desempenhos e apurar a qualidade dos profissionais. Daí os patéticos esquemas, gráficos e grelhas com os quais se pretende humilhar, controlar, medir, poupar recursos, ocupar os professores e tornar a vida de toda a gente num inferno. O que na verdade se passa é que este sistema implica a abdicação de princípios fundamentais, como sejam os da autoridade da direcção, a responsabilidade do director e dos dirigentes e a autonomia da escola. O sistema de avaliação é a dissolução da autoridade e da hierarquia, assim como um obstáculo ao trabalho em equipa e ao diálogo entre profissionais. É um programa de desumanização da escola e da profissão docente. Este sistema burocrático é incapaz de avaliar a qualidade das pessoas e de perceber o que os professores realmente fazem. É uma cortina de fumo atrás da qual se escondem burocratas e covardes, incapazes de criticar e elogiar cara a cara um profissional. Este sistema, copiado de outros países e recriado nas alfurjas do ministério, é mais um sinal de crise da educação. (António Barreto, Público, 9/3/2008)
A este esclarecido texto, acrescentamos apenas que não serão só e principalmente os professores a sofrer na pele e na alma as consequências do desastre provocado pela actual política educativa. A prazo, o prejuízo maior dela resultante será dos jovens e do país. É, por essa razão, lamentável que os pais e encarregados de educação não entendam isso e sejam, objectivamente, coniventes com o governo no crime que se está a cometer.

A "herança" de Bush

O défice dos EUA para 2009 deve ascender a 1.845 milhões de dólares, 13,1% do PIB, constituindo o valor mais alto de sempre.
Sem comentários.

E como se lava o dinheiro sujo?

O primeiro-ministro português, José Sócrates, defendeu hoje em Bruxelas que os bancos europeus devem ser proibidos de trabalhar com paraísos fiscais.
Por mim, acho que não só seria uma excelente ideia como uma medida incontornável para combater a fraude, a evasão fiscal e o branqueamento de capitais provenientes do narcotráfico e de outros negócios obscuros. E uma forma de devolver maior seriedade e transparência ao funcionamento da economia.
Porém, não sei se todos poderão dizer o mesmo. Nomeadamente quem recorre a off-shores para comprar moradia ou lavar dinheiro sujo…

sexta-feira, março 20, 2009

E que tal rasgarem a Constituição?

Num regime verdadeiramente democrático e constitucional, inconcebível é o mínimo que se pode dizer do spot publicitário da Antena 1 que está a passar na RTP, por constituir um ataque vergonhoso e intolerável a um dos direitos fundamentais dos cidadãos numa sociedade livre, o direito de manifestação.
Como se não estivesse em causa a isenção do serviço público e o (não) funcionamento da regulação. Como se não coubesse ao Governo garantir a seriedade dos serviços que tutela, o cumprimento da legalidade instituída, o regular funcionamento da democracia.
Nojo, é o sentimento que cada vez mais suscitam estes senhores. Dizem-se socialistas mas as suas políticas e atitudes estão longe de justificar tal designativo.


Actualização

Entretanto, depois de um parecer muito crítico dos provedores do ouvinte e do telespectador, a administração da RTP mandou retirar da emissão o anúncio da Antena 1.
Haja bom senso e, sobretudo, cumpra-se a Constituição. Ganhará a democracia.



Magia na Assembleia da República

Afinal, depois de ter dito que a sua agenda já estava preenchida até 7 de Abril, sempre é na próxima quarta-feira que Lurdes Rodrigues vai à Assembleia da República fazer o número de magia mais difícil do seu vasto repertório: explicar quais as consequências da não entrega dos objectivos individuais por parte dos professores, no âmbito da avaliação do desempenho docente. Consequências que a legislação que ela própria criou não prevê.
Não se vê, portanto, que da sua delirante cartola possa tirar mais do que as cobras e lagartos que habitualmente diz daqueles que não estão dispostos a alinhar na sua palhaçada eleitoralista.
O espectáculo promete.

Às armas! Às armas!

Apesar do coro de críticas de toda a oposição, a maioria governamental aprovou a lei das armas, que baixa para 16 anos a idade mínima para uso e porte de arma e permite a realização de leilões de armas apreendidas.
Num país em que só a partir dos 18 anos se pode votar e, por outro lado, num tempo em que a criminalidade violenta tem vindo a aumentar de forma preocupante e a delinquência juvenil se propaga às próprias escolas, brinca-se com o fogo em vez de se tentar apagá-lo.

quinta-feira, março 19, 2009

Cantigas do Maio em papel

A receita de Soares foi uma das crónicas escolhidas por Blogues em Papel, na página 2 do Caderno P2 da edição impressa do Público, de hoje.
Cantigas do Maio agradece a distinção.

Cantigas do Maio (8)

Chula da Liberdade

(20 anos 20 sons, 1998)
Palavras — Manuel Alegre (Trova do Amor Lusíada); música e voz — Aurélio Malva (Brigada Victor Jara)


Eu sou livre como as aves
e passo a vida a cantar
coração que nasceu livre
não se pode acorrentar

Meu amor é marinheiro
e mora no alto mar
seus braços são como o vento
ninguém os pode amarrar

Meu amor disse que eu tinha
na boca um gosto a saudade
e uns cabelos onde nascem
os ventos e a liberdade

Eu sou livre como as aves


Meu amor virá um dia
assim muito de repente
como se o mar e o vento
nascessem dentro da gente

Como se um navio entrasse
de repente na cidade
trazendo a voar nos mastros
bandeiras de liberdade

Eu sou livre como as aves


Hei-de passar a cantar
pelas ruas da cidade
erguendo na mão direita
a espada da liberdade

Ó minha pátria morena
meu país de trevo e sal
sou marinheiro e não esqueço
que nasci em Portugal

O Caderno de Saramago


Se o mundo alguma vez conseguir ser melhor, só o terá sido por nós e connosco. Sejamos mais conscientes e orgulhemo-nos do nosso papel na História. Há casos em que a humildade não é boa conselheira. Que se pronuncie bem alto a palavra Esquerda. Para que se ouça e para que conste.

Abstinência papal, recomenda-se

Na sua visita ao continente mais afectado pela SIDA, a África, onde só a África sub-sariana regista 22 milhões de pessoas infectadas pelo vírus do HIV, correspondendo a 67 por cento da população mundial, o chefe da Igreja Católica, Joseph Ratzinger, recuperando o discurso do seu antecessor, Karol Wojtyła, condenou o uso do preservativo e defendeu a abstinência sexual no combate à terrível doença.
Apesar de, segundo a Organização Mundial de Saúde, 27 por cento dos centros de tratamento deste verdadeiro flagelo, em África, estarem ligados à Igreja Católica, a hierarquia do Vaticano opta por continuar cega e surda perante a realidade — neste caso, seria preferível estar muda, também — e, com as suas palavras insensatas, incentivar milhões de seres humanos ao suicídio.
Se, nesta matéria, alguém deveria praticar a abstinência verbal é Bento XVI.

quarta-feira, março 18, 2009

Era bom que o Estado português aprendesse

O comité judicial dos Estados Unidos, controlado pelos democratas, aprovou uma lei destinada a recuperar os 165 milhões de dólares (cerca de 127 milhões de euros) pagos pela seguradora AIG aos seus executivos.
Esta lei irá ainda autorizar o procurador-geral dos EUA a pedir a devolução de compensações excessivas anteriores embolsadas por funcionários de empresas ou instituições que receberam mais de dez mil milhões de dólares de ajuda do Governo norte-americano.


Era bom que o Estado português aprendesse alguma coisa com exemplos como este mas, num país onde a corrupção se agravou nos últimos quatro anos, o Banco de Portugal deixa a alta finança andar à rédea solta e o Governo acha que não deve interferir na gestão duvidosa ou mesmo danosa das empresas em que é accionista maioritário, tenho sérias dúvidas que tal venha a acontecer. Portugal continua a ser um país de clientelas e interesse instalados.

Viva o Estado de Direito democrático!

Foi ganha pelos sindicatos a primeira batalha jurídica contra o ministério de Lurdes Rodrigues: o Tribunal Fiscal e Administrativo do Porto aceitou uma das quatro providências cautelares contra a notificação dos professores pela não entrega de objectivos individuais. As escolas vão ter de classificar mesmo quem se limitar a fazer a auto-avaliação.
Viva o Estado de Direito democrático!

Cantigas do Maio (7)

Que força é essa

(O irmão do meio, 2003)
Palavras e música — Sérgio Godinho; vozes — Sérgio Godinho e José Mário Branco


Vi-te a trabalhar o dia inteiro
construir as cidades pr'ós outros
carregar pedras, desperdiçar
muita força pra pouco dinheiro
Vi-te a trabalhar o dia inteiro
Muita força pra pouco dinheiro

Que força é essa
que trazes nos braços
que só te serve para obedecer
que só te manda obedecer
Que força é essa, amigo
que te põe de bem com outros
e de mal contigo
Que força é essa, amigo

Não me digas que não me compr'endes
quando os dias se tornam azedos
não me digas que nunca sentiste
uma força a crescer-te nos dedos
e uma raiva a nascer-te nos dentes
Não me digas que não me compr'endes

Que força é essa
que trazes nos braços
que só te serve para obedecer
que só te manda obedecer
Que força é essa, amigo
que te põe de bem com outros
e de mal contigo
Que força é essa, amigo

A receita de Soares

Num exercício de perfeita contradição, Mário Soares afirma que "as manifestações não resolvem nada, que não é na rua que há soluções para os problemas, mas a manifestação de sexta-feira foi um sinal de grande descontentamento". Ora, se assim foi, não acha que bastaria apenas que o Primeiro-ministro tivesse os olhos e os ouvidos bem abertos e a cabeça bem limpa de preconceitos para que a manifestação tivesse contribuído para resolver alguma coisa?

Defende Mário Soares que José Sócrates "faria bem em dialogar e ouvir, em vez de entrar em polémicas sobre uma manifestação" e acrescenta que "ele pode ganhar a maioria absoluta se houver diálogo com os sindicatos, com os partidos e com as pessoas."
Ou seja, Soares acha que, depois de três anos e meio de políticas antipopulares e lesivas das condições de vida da população e de desprezo pelos sindicatos e pelos partidos da oposição, bastariam ao P"S" seis meses de simulacro de diálogo democrático para convencer os portugueses a dar-lhe nova maioria absoluta. É o que se chama de eleitoralismo puro: com papas e bolos se enganam os tolos. Ele lá sabe da eficácia da receita. Nós é que já temos idade para não gostar dela.

terça-feira, março 17, 2009

Incompetência, irresponsabilidade e chantagem

Incompetência, irresponsabilidade e chantagem são três dos traços que melhor caracterizam a senhora que se supõe representar ainda o papel de Ministra da Educação.
A monstruosidade que a sua obsessiva cabeça congeminou para alegadamente avaliar o desempenho dos professores é, por si só, um exemplo acabado do que acabamos de afirmar.
Na realidade, o chamado modelo de avaliação do desempenho dos docentes, para além de injusto, burocrático e inaplicável, desde logo se revelou prejudicial para o normal exercício da docência e para a aprendizagem dos alunos, e a sua regulamentação jurídica, uma teia de omissões, contradições e ilegalidades.
Incapaz de implementar aquilo que de antemão já se adivinhava inexequível, Lurdes Rodrigues tenta, irresponsavelmente, sacudir a água do capote atirando-a para as escolas. Então não é para estas situações que serve a tão apregoada (e tão maltratada) autonomia escolar?
Quanto aos 50 000 incorrigíveis que se atreveram a desafiar a sua autoridade, recusando o seu famoso modelo de avaliação e não entregando os objectivos individuais, ameaça-os com processos disciplinares, remetendo para os conselhos executivos a decisão de os punir. Ela sabe que na lei que tão competentemente fez não existe fundamento para tal e, por essa razão, atira-lhes a batata quente. Esquece, porém, que eles também conhecem a lei. Por isso, recusam processar os professores enquanto a Ministra não lhes explicar… o que não tem explicação.


Adenda

Maria de Lurdes Rodrigues anda com uma agenda muito sobrecarregada.
A seis meses das eleições e depois da trapalhada inútil que montou, quanto mais vezes aparecer e falar, mais votos o P"S" perde.
Deve ser por isso que só no dia 7 de Abril é que irá à Assembleia prestar esclarecimentos. Ou, se calhar, no dia de S. Nunca…





segunda-feira, março 16, 2009

Paranóia disciplinar do ME

A TSF * acaba de noticiar às 23:00 horas que, em resposta a uma interpelação do Bloco de Esquerda, na Comissão de Educação e Ciência da Assembleia da República, Maria de Lurdes Rodrigues afirmou que os professores que não entregaram os objectivos individuais vão ser alvo de processos disciplinares instaurados pelo Ministério dito da Educação e os dois anos a que se reporta a avaliação não contarão para efeitos da sua progressão na carreira.
Agora é, definitivamente, o tudo ou nada: ou os loucos da 5 de Outubro ou os professores que ousaram enfrentar a sua paranóia.

* A notícia foi da Antena 1

Actualização

Confirmado. Lurdes Rodrigues quer mesmo que os Presidentes dos Conselhos Executivos das escolas instaurem processos disciplinares aos 50 000 mil professores que não entregaram os objectivos individuais. Disse-o na Comissão de Educação da Assembleia da República e irá repeti-lo no plenário, talvez na próxima semana.
Agora é que vamos ver quem está com os professores: no parlamento e nas escolas.

Ministério dito da Educação tem negativa

Já tínhamos constatado, no terreno, que o pomposa e impropriamente chamado modelo de avaliação do desempenho dos docentes, concebido pelas delirantes cabeças do Ministério dito da Educação, mais não é do que um gigantesco labirinto burocrático, cujos objectivos, longe da contribuição para a melhoria do desempenho dos professores e a aprendizagem dos alunos, redundam sobretudo na redução das despesas públicas com a Educação, designadamente impedindo dois terços dos professores de atingirem o topo da carreira docente.
Esta conclusão empírica é agora suportada cientificamente pelo estudo "Individual Teacher Incentives, Student Achievement and Grade Inflation", de Pedro S. Martins, professor associado da Universidade de Londres, investigador do Instituto Superior Técnico e do Instituto para o Estudo do Trabalho de Bona, na Alemanha.
Afinal os professores têm definitivamente razão. Esta "avaliação" é prejudicial não apenas para quem ensina mas também para quem aprende. Num país a sério, os que a defendem e, a qualquer custo, a querem impor, deveriam responder por esse prejuízo.

Cantigas do Maio (6)

Tejo que levas as águas

(Que nunca mais, 1975)
Palavras — Manuel da Fonseca; música e voz — Adriano Correia de Oliveira


Tejo que levas as águas
correndo de par em par
lava a cidade de mágoas
leva as mágoas para o mar

Lava-a de crimes espantos
de roubos, fomes, terrores,
lava a cidade de quantos
do ódio fingem amores

Leva nas águas as grades
de aço e silêncio forjadas
deixa soltar-se a verdade
das bocas amordaçadas

Lava bancos e empresas
dos comedores de dinheiro
que dos salários de tristeza
arrecadam lucro inteiro

Lava palácios vivendas
casebres bairros da lata
leva negócios e rendas
que a uns farta e a outros mata

Tejo que levas as águas
correndo de par em par
lava a cidade de mágoas
leva as mágoas para o mar

Lava avenidas de vícios
vielas de amores venais
lava albergues e hospícios
cadeias e hospitais

Afoga empenhos favores
vãs glórias, ocas palmas
leva o poder dos senhores
que compram corpos e almas

Leva nas águas as grades
...

Das camas de amor comprado
desata abraços de lodo
rostos corpos destroçados
lava-os com sal e iodo

Tejo que levas nas águas

Livremo-nos do pesadelo!

O ano passado, por duas vezes, mais de cem mil professores manifestaram a sua indignação pela forma ignóbil e injusta como têm vindo a ser maltratados pelo Ministério dito da Educação e José Sócrates limitou-se a afirmar que tudo não passava de manobras dos sindicatos, com o apoio da oposição.
Agora, duzentos mil trabalhadores vieram à rua manifestar o seu descontentamento com uma política que tem agravado de forma insustentável as suas condições de vida e o Primeiro-ministro acusa a CGTP de ser instrumentalizada pelo PCP e o Bloco de Esquerda.
Não há dúvida que Sócrates ficou "incomodado" com esta enorme "vaga de indignação" e por isso recorre aos velhos fantasmas da ditadura — Quem não é por nós é comunista.
Acontece que hoje já não é possível tapar o sol com a peneira e José Sócrates e o P"S" vão ter de prestar contas aos eleitores — comunistas, socialistas ou o que quer que sejam — por uma governação que outra coisa não fez senão aumentar o desemprego, agravar as condições de vida dos trabalhadores e dos reformados, aumentar a pobreza e a injustiça social, adiar as perspectivas de vida dos jovens.
Já faltou mais para nos livrarmos do pesadelo. Só depende de nós.


domingo, março 15, 2009

Dar-se ao respeito: não votar P"S".

Mesmo admitindo que, à semelhança do que acontece em todas as profissões, também haja alguns professores menos competentes e dedicados, não há dúvida que o estado a que chegou a educação no nosso país se deve, sobretudo, às políticas educativas dos sucessivos governos, em particular a do governo Sócrates, promovendo o laxismo e o facilitismo das aprendizagens como forma de alcançar um sucesso educativo meramente estatístico, e à falta de interesse dos pais pela qualidade do ensino, preocupando-se mais com a existência de um espaço onde possam deixar os filhos.
Porém, sacudindo irresponsavelmente a água do seu capote e preferindo "perder os professores mas ganhar a população" (o que em termos eleitorais é mais "conveniente"), desde o início que o governo do P"S" transformou os professores em bodes expiatórios dos males da nossa educação.
Desde a divisão injusta da carreira docente (para a qual apenas foram tidos em consideração os últimos sete anos de serviço) em professores de primeira e professores de segunda, até a uma suposta avaliação de desempenho que, de tão burocrática, em nada contribui para a melhoria da formação dos professores e da aprendizagem dos seus alunos e, através da imposição inconstitucional de quotas para as menções mais elevadas, impede objectivamente mais de dois terços dos docentes de atingirem o topo da carreira, passando pelo seu quase total afastamento das estruturas directivas das escolas e a sua humilhante desautorização, que tem conduzido a um crescente e preocupante clima de indisciplina nas escolas, nunca a classe docente foi tão maltratada, aviltada, ofendida na história do ensino em Portugal.
É por tudo isto que, com ou sem crachás, os professores têm sobejas razões para recusarem o voto no Partido "Socialista" e em Sócrates. Acrescento até que essa recusa é um imperativo ético, uma questão de respeito por si próprios. Se verdadeiramente quiserem ser respeitados…