A empresa Energie, da Póvoa de Varzim, apadrinhada por José Sócrates e Manuel Pinho, perdeu a certificação para a produção de equipamentos solares térmicos, apurou o PÚBLICO. O laboratório alemão, que tinha certificado os seus produtos, retirou-lhe essa classificação por estar em causa o facto de os painéis da Energie usarem a energia eléctrica não de forma subsidiária, mas como fonte principal, o que leva ao agravamento da factura de electricidade.
Afinal, o que se poderia esperar de um Primeiro-ministro que tirou uma licenciatura por processos duvidosos numa universidade que o prório governo teve de encerrar, tantas eram as irregularidades? que monta um sistema de atribuição de diplomas do 12.º ano que mais parece uma fábrica de chouriços? e que ilude o insucesso escolar através do facilitismo e das estatísticas?
A certificação do faz-de-conta.
segunda-feira, maio 11, 2009
Terra da fraternidade
Para José Afonso, a Galiza sempre foi "terra da fraternidade".
Por isso os galegos o homenagearam ontem em Santiago de Compostela, dando o seu nome a um dos parques da cidade e cantando emocionadamente "Grândola, Vila Morena".
Em Portugal, ao contrário, o nosso maior cantor popular é quase votado ao esquecimento!…
sexta-feira, maio 08, 2009
Corrupção: É fartar, vilanagem!
Nunca tanto se falou da necessidade de regulação e bem precisa ela seria num país onde muitos dos agentes económicos nem sempre primam pela seriedade no seu comportamento.
Entidades reguladoras existem mas, para além dos ordenados milionários que pagam aos seus dirigentes, o que têm feito para garantir a transparência dos mercados?
O Banco de Portugal fecha os olhos às negociatas especulativas e criminosas da Banca. A Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos deixa a Galp e a EDP à rédea solta, fixando os preços dos combustíveis e da electricidade a seu bel-prazer e arrecadando lucros astronómicos à custa dos consumidores.
O mesmo acontece com a corrupção. Todos (ou quase todos) falam da necessidade de a combater. Existe até um orgão pomposamente chamado Conselho de Prevenção da Corrupção mas, provavelmente, não é para ser levado a sério. E os resultados da actuação da Justiça são o que se (não) vê. Por isso o polvo cresce cada vez mais — segundo a Transparency International, em 2004, Portugal já ocupava um modesto 27.º lugar no ranking da corrupção, mas de então até 2008, caiu para o 32.º. É fartar, vilanagem!
quarta-feira, maio 06, 2009
Vergonha para a democracia
Como já é habitual, Maria de Lurdes Rodrigues não vai ter de ir à Assembleia da República prestar contas pela forma pidesca como a DGS Inspecção-Geral da Educação foi a Fafe interrogar os alunos sobre a organização da manifestação contra a ministra da "educação" e os acontecimentos então ocorridos.
Chefiada por alguém que, provavelmente, já não se lembrará do papel que desempenhou na liderança da contestação estudantil, no final da década de sessenta, acarneirada maioria governamental não o permitiu, perpetrando, deste modo, mais um atentado à democracia e às liberdades individuais.
Chefiada por alguém que, provavelmente, já não se lembrará do papel que desempenhou na liderança da contestação estudantil, no final da década de sessenta, a
Uma "vergonha para a democracia", como diria o Primeiro-ministro.
Senhor Secretário de Estado, cale-se, se faz favor!
O Ministério dito da Educação que, para não variar, mais uma vez não chegou a acordo com os sindicatos dos professores, desta vez, para a Revisão do Estatuto da Carreira Docente, pela voz do secretário de Estado Jorge Pedreira, veio dizer que a manifestação de professores, uma semana antes de eleições, é "insólita" e "pouco adequada".
Se tivesse aprendido alguma coisa quando foi (?) sindicalista, Jorge Pedreira devia saber que, acerca do agendamento das acções de protesto, os sindicatos só têm que dar satisfação aos profissionais que representam, cumpridas as formalidades legais.
Além disso, se ainda lhe restasse um pingo de vergonha, depois da desgraçada política educativa que o seu ministério tem prosseguido e da sistemática perseguição que tem movido aos professores, essas sim, muito mais do que insólitas e pouco adequadas, verdadeiramente criminosas, calava-se. E, de caminho, prestava um grande serviço ao país: demitia-se. De outro modo, vamos ter de correr com ele.
Se tivesse aprendido alguma coisa quando foi (?) sindicalista, Jorge Pedreira devia saber que, acerca do agendamento das acções de protesto, os sindicatos só têm que dar satisfação aos profissionais que representam, cumpridas as formalidades legais.
Além disso, se ainda lhe restasse um pingo de vergonha, depois da desgraçada política educativa que o seu ministério tem prosseguido e da sistemática perseguição que tem movido aos professores, essas sim, muito mais do que insólitas e pouco adequadas, verdadeiramente criminosas, calava-se. E, de caminho, prestava um grande serviço ao país: demitia-se. De outro modo, vamos ter de correr com ele.
Todos contra Sócrates
A luta dos professores poderá entrar pela campanha para as legislativas. E nós defendemos: tem de entrar!
Quem tiver memória e ainda lhe sobrar um resto de dignidade só pode votar contra o Partido de Sócrates. Independentemente da opção que fizer — Nós aqui vamos pela Esquerda. Por convicção e porque da Direita, há 30 anos, nada de novo.
Quem tiver memória e ainda lhe sobrar um resto de dignidade só pode votar contra o Partido de Sócrates. Independentemente da opção que fizer — Nós aqui vamos pela Esquerda. Por convicção e porque da Direita, há 30 anos, nada de novo.
segunda-feira, maio 04, 2009
Povo de brandos costumes: até quando?
Infelizmente, conhecemos bem as consequências dos trinta anos de alternância governativa entre o P"S" e o P"SD" (por vezes com a participação do CDS/ PP) e dos dois anos (1983-1985) do governo de coligação do P"S" com o P"SD": pobreza extrema, injustiça social, desemprego crescente e emprego precário para a maioria dos trabalhadores, enquanto alastra a prosmiscuidade entre a governança e a finança, grassa a corrupção e florescem as negociatas obscuras, perante a passividade ou impotência da Justiça.
É esta a estabilidade em nome da qual Jorge Sampaio considera ser necessária, mais uma vez, a formação de um governo do bloco central? Que, por estranha coincidência, Francisco Van Zeller, o patrão da CIP, também defende? Será que estes senhores ainda não se aperceberam do barril de pólvora social que pode estar a ser criado com a governação insensível e desumana do eterno centrão?
Por enquanto, a indignação e a revolta não têm dado lugar a mais do que umas bocas e uns empurrões inofensivos, uma vergonha para a democracia, dizem os democratas de pacotilha. Mas não sei até quando os portugueses, cada vez mais desesperados e maltratados pelas políticas do P"S" e do P"SD", estão dispostos a ser "um povo de brandos costumes" e a suportar a vergonhosa liquidação da democracia pelos plutocratas e cleptocratas que se têm governado à sua custa!
Há sempre alguém que diz não
Sílvio Berlusconi, considerado o homem mais rico da Itália e o 15.º mais rico do mundo, acusado diversas vezes de corrupção e ligações com a Máfia, representa o que há de mais promíscuo e asqueroso na relação dos negócios, as mais das vezes sujos, com a política, tendo criado os próprios partidos, ou melhor, as máquinas de propaganda, que lhe permitiram, por três vezes, conquistar o poder.
Seja como for, a verdade é que, por outras tantas vezes, o eleitorado italiano se deixou enganar, se apenas de um engano se tratou, por um refinado neo-fascista e populista, à beira do qual, Alberto João Jardim até poderia ser considerado um excelso democrata.
Mas, como diz o poeta, "há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz não". E às vezes é quem menos se espera.
Ao fim de 19 anos de casamento, Veronica Lario, a segunda mulher de Berlusconi, vai pedir o divórcio, porque quer voltar a ser uma pessoa normal e respeitável.
Ainda bem que nem todos os italianos se deixam levar por Berlusco!
Seja como for, a verdade é que, por outras tantas vezes, o eleitorado italiano se deixou enganar, se apenas de um engano se tratou, por um refinado neo-fascista e populista, à beira do qual, Alberto João Jardim até poderia ser considerado um excelso democrata.
Mas, como diz o poeta, "há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz não". E às vezes é quem menos se espera.
Ao fim de 19 anos de casamento, Veronica Lario, a segunda mulher de Berlusconi, vai pedir o divórcio, porque quer voltar a ser uma pessoa normal e respeitável.
Ainda bem que nem todos os italianos se deixam levar por Berlusco!
sábado, maio 02, 2009
Senhor Primeiro-ministro, tenha vergonha!
Quando alguém obteve a sua licenciatura em engenharia por processos engenhosos, assinou projectos de moradias feitos por outros, comprou a sua casa por quase metade do preço real e a da senhora sua mãe num paraíso fiscal, tem demasiadas telhas de vidro para atirar pedras aos telhados alheios.
Quando esse alguém, como governante, licenciou um gigantesco empreendimento, numa área protegida, em tempo relâmpago, alegadamente, a troco de luvas, então perde toda a autoridade moral para acusar as pessoas de comportamentos, porventura, menos próprios, mas que são o resultado do desespero a que a sua actuação, como primeiro-ministro, as conduziu.
Apesar de todo o foguetório e propaganda, ao fim de quatro anos de mandato, é hoje claro o drama em que José Sócrates mergulhou Portugal: a maior injustiça social e a pior repartição de rendimento da União Europeia, cerca de dois milhões de pobres, mais de meio milhão de desempregados e dois milhões de trabalhadores precários, enquanto a corrupção tem crescido e alimentado obscuros e milionários negócios, e salários chorudos e reformas douradas de gestores e políticos sem escrúpulos.
A governação de Sócrates, se isso lhe podemos chamar, é uma vergonha para a democracia!
Não admira que, mesmo em terras que anteriormente nele votaram, o Primeiro-ministro seja recebido com gritos e insultos. O povo está farto de promessas não cumpridas e conversa fiada. Mais do que palavras, quer democracia. Verdadeira.
Não admira que, mesmo em terras que anteriormente nele votaram, o Primeiro-ministro seja recebido com gritos e insultos. O povo está farto de promessas não cumpridas e conversa fiada. Mais do que palavras, quer democracia. Verdadeira.
sexta-feira, maio 01, 2009
Sócrates não tem desculpa
O professor Vital, que há vinte anos saiu do PCP e é hoje a cara do P"S" nas eleições para o Parlamento Europeu, em vez de se dirigir ao Marquês, onde começava o desfile dos seus actuais correligionários da UGT, resolveu ir para o Martim Moniz, ponto de partida da manifestação da CGTP, onde, provavelmente, encontraria alguns antigos camaradas comunistas, e seguramente, largos milhares de pessoas descontentes com o governo do Partido de Sócrates.
Enganou-se, portanto, ou foi fazer campanha em seara alheia, o que é mais grave. Não tem, por isso, de que se queixar e muito menos de esperar um pedido formal de desculpas da CGTP e do PCP, como pretende o Dr. Vitalino. Primeiro, porque o PCP nada teve a ver com a organização. Segundo, porque, apesar de Carvalho da Silva até ter lamentado o sucedido, a CGTP não pode, obviamente, responder pelo comportamento individual de cada um dos manifestantes. Terceiro, porque não era difícil de imaginar que, entre os largos milhares que lá estavam, muitos dos quais a viver momentos de grande angústia e sofrimento devido às políticas anti-populares e anti-sociais do governo, pudesse haver meia dúzia que não fosse capaz de conter a sua justa indignação dentro dos limites do aceitável.
E a propósito de desculpa: quem não a tem é José Sócrates e o seu governo, pelas malfeitorias que têm causado aos trabalhadores, aos pequenos e médios empresários, aos jovens, aos reformados e ao povo em geral!
A Galiza não esquece o Zeca
Os galegos são nossos irmãos. Pese embora o centralismo e a castelhanização a que têm sido submetidos ao longo do tempo, a sua ancestral afinidade linguística e cultural com os portugueses mantém-se de tal modo viva que chegam a tratar melhor do que nós alguns dos nomes da nossa cultura.
Assim acontece com José Afonso, desde sempre considerado na Galiza uma referência cimeira da música popular.
Não admira, por isso, que ainda hoje, vinte e dois anos após o seu falecimento, os galegos lhe prestem homenagens como esta, em Santiago de Compostela.
terça-feira, abril 28, 2009
O esplendor de Portugal
Para José Saramago, Portugal é um país onde, desde há muito, tem imperado a mania das grandezas.
A tineta vem de longe pois já D. João V, ao ser informado do exorbitante preço do carrilhão que iria ser instalado no Convento de Mafra, não conteve o seu novo-riquismo e encomendou dois. Mais recentemente, para a realização do Euro 2004, foram construídos oito novos estádios de futebol, a maioria dos quais para nada mais serve senão para estar às moscas, e actualmente, chegou-se à conclusão que o país, afinal, já tem nove auto-estradas a mais, num total de quase setecentos quilómetros.
Apesar disto, os governantes não parecem querer aprender com os erros e dão mostras de não desistir de levar por diante mais obras faraónicas que não só agravarão irreversivelmente a nossa dívida mas comprometerão seriamente o futuro das novas gerações. Em todos estes casos, alguém se enganou nas contas ou com elas nos enganou.
E o nosso Nobel da Literatura, com a sua lúcida ironia, conclui:Onde as contas parece que batem certo é no número de pobres em Portugal. São dois milhões, segundo as últimas informações. Quer dizer, uma expressão mais da nossa histórica mania das grandezas…
Baseado em "Mania das grandezas", de José Saramago
domingo, abril 26, 2009
Mudar alguma coisa para que tudo fique na mesma
Qualquer cidadão sabe que, com excepção das vacinas, nenhuma substância perigosa pode curar os males que causa. Ora, o que se decidiu em Londres [na reunião do G 20] foi garantir ao capital financeiro continuar a agir como tem agido nos últimos 30 anos, depois de se ter libertado dos controlos estritos a que antes estava sujeito. Ou seja, acumular lucros fabulosos nas épocas de prosperidade e contar, nas épocas de crise, com a generosidade dos contribuintes, desempregados, pensionistas roubados, famílias sem casa, garantida pelo Estado do Seu Bem Estar. Aqui reside a euforia de Wall Street. Nada disto é surpreendente se tivermos em mente que os verdadeiros artífices das soluções — os conselheiros económicos de Obama, Timothy Geithner e Larry Summers — são homens de Wall Street e que esta, ao longo das últimas décadas, financiou a classe política norte-americana em troca da substituição da regulamentação estatal por auto-regulação. Há mesmo quem fale de um golpe de Estado de Wall Street sobre Washington, cuja verdadeira dimensão se revela agora.
O contraste entre os objectivos da reunião de Bretton Woods, onde participaram não 20, mas 44 países, e a de Londres explica a vertiginosa rapidez desta última. Na primeira, o objectivo foi resolver as crises económicas que se arrastavam desde 1929 e criar uma arquitectura financeira robusta que permitisse ao capitalismo prosperar no meio de forte contestação social, a maior parte dela de orientação socialista. Ao contrário, em Londres, assistimos a reciclagem institucional, manter o actual modelo de concentração de riqueza, sem temor do protesto social, por se assumir que os cidadãos estão resignados perante a suposta falta de alternativa.
Excerto de "As grandes ilusões", de Boaventura Sousa Santos, in Visão
A maioria desencantada
Segundo uma sondagem Expresso, 77 % dos portugueses não se revêm nos partidos.
Partindo do pressuposto da reduzida margem de erro e da fiabilidade da sondagem, este resultado sugere-nos diversas hipóteses:
- a abstenção nos próximos actos eleitorais pode vir a ser elevada o que, a verificar-se, pode significar o desencantamento com a democracia e o despertar do ancestral sentimento sebastianista de que os problemas do país se resolvem através de um salvador-da-pátria;
- uma grande maioria de portugueses (influenciada pela leitura de Ensaio sobre a Lucidez, de José Saramago?), mantendo a crença nas virtudes da democracia, pode votar em branco, decidindo tão só castigar os actuais partidos pela sua inoperância política;
- para muitos, a responsabilidade pela situação que vivemos é do actual sistema partidário, metendo no mesmo saco, injustamente, os partidos que apenas estiveram na oposição e aqueles que foram responsáveis pela governação;
- os portugueses parecem não perceber/ admitir ser co-responsáveis pela situação a que chegaram, ao terem confiado há demasiados anos numa suposta alternância governativa que outra coisa não tem feito senão distribuir benesses e mordomias às respectivas clientelas ao mesmo tempo que tem vindo a adiar o desenvolvimento do país;
- a maioria aparenta descrer na política — como se houvesse outra forma de solucionar os nossos problemas — raramente fazendo uso, na generalidade, dos direitos que a Lei lhes confere.
Veremos o que esta maioria desencantada irá fazer. Receio bem que nada de substancialmente muito diferente do que tem feito há quase 35 anos, ou seja, dar os seus votos ao centrão que, mais do que resolver os problemas dos portugueses, tem vindo a governar-se à custa deles.
É por estas e por outras que somos considerados um "povo de brandos costumes".
Tratados abaixo de cão
1. À saída da entrevista, se assim podemos chamar ao que não passou de um exercício de puro autoritarismo e descarada propaganda, o primeiro-ministro, ufano, garantiu a uma jornalista que não morde, ao que esta lhe respondeu, alto e bom som, "Não morde mas rosna. E às vezes rosna muito."
Por outro lado, quando escreveu "Cão como nós", Manuel Alegre referia-se ao cão da família, não a José Sócrates.
Por tudo isto, forçoso é concluir que nunca estaremos ao nível de um primeiro-ministro que trata a maioria dos portugueses abaixo de cão.
2. Um "cão problema...", portanto.
Caso para lhe dizermos, urgentemente:
"Sai depressa, ó cão, deste poema!" (Alexandre O'Neill)
sábado, abril 25, 2009
25 de Abril, já!
35 anos depois da Revolução de Abril, Portugal continua a ser o que sempre foi: um país economicamente pobre, socialmente injusto, politicamente adiado.
35 anos depois da Revolução de Abril, com 2 milhões de pobres, meio milhão de desempregados e as mais elevadas taxas de analfabetismo e de iliteracia, Portugal está onde sempre esteve: na cú da Europa.
35 anos depois da Revolução de Abril, com a corrupção a grassar como nunca se verificou, os vampiros continuam impunemente a chupar o sangue fresco da manada.
35 anos depois da Revolução de Abril, é (mais do que) tempo de dizer "basta!". (Outro) 25 de Abril, já! Desta vez, a sério.
35 anos depois da Revolução de Abril, com 2 milhões de pobres, meio milhão de desempregados e as mais elevadas taxas de analfabetismo e de iliteracia, Portugal está onde sempre esteve: na cú da Europa.
35 anos depois da Revolução de Abril, com a corrupção a grassar como nunca se verificou, os vampiros continuam impunemente a chupar o sangue fresco da manada.
35 anos depois da Revolução de Abril, é (mais do que) tempo de dizer "basta!". (Outro) 25 de Abril, já! Desta vez, a sério.
quarta-feira, abril 15, 2009
Cantigas do Maio (10)
Xutos & Pontapés: ao fim de trinta anos, a rebeldia de sempre. Obrigado por nos darem voz!
SEM EIRA NEM BEIRA
(Xutos & Pontapés, 2009)
SEM EIRA NEM BEIRA
(Xutos & Pontapés, 2009)
Letra - Tim; Música e Voz - Kalu
Anda tudo do avesso
Nesta rua que atravesso
Dão milhões a quem os tem
Aos outros um passou-bem
Não consigo perceber
Quem é que nos quer tramar
Enganar/Despedir
E ainda se ficam a rir
Eu quero acreditar
Que esta merda vai mudar
E espero vir a ter
Uma vida bem melhor
Mas se eu nada fizer
Isto nunca vai mudar
Conseguir/Encontrar
Mais força para lutar...
(Refrão)
Senhor engenheiro
Dê-me um pouco de atenção
Há dez anos que estou preso
Há trinta que sou ladrão
Não tenho eira nem beira
Mas ainda consigo ver
Quem anda na roubalheira
E quem me anda a comer
É difícil ser honesto
É difícil de engolir
Quem não tem nada vai preso
Quem tem muito fica a rir
Qinad espero ver alguém
Assumir que já andou
A roubar/A enganar
O povo que acreditou
Conseguir encontrar mais força
Para lutar
Mais força para lutar
Conseguir encontrar mais força
Para lutar
Mais força para lutar...
(Refrão)
Senhor engenheiro
Dê-me um pouco de atenção
Há dez anos que estou preso
Há trinta que sou ladrão
Não tenho eira nem beira
Mas ainda consigo ver
Quem anda na roubalheira
E quem me anda a foder
Há dez anos que estou preso
Há trinta que sou ladrão
Mas eu sou um homem honesto
Só errei na profissão
Anda tudo do avesso
Nesta rua que atravesso
Dão milhões a quem os tem
Aos outros um passou-bem
Não consigo perceber
Quem é que nos quer tramar
Enganar/Despedir
E ainda se ficam a rir
Eu quero acreditar
Que esta merda vai mudar
E espero vir a ter
Uma vida bem melhor
Mas se eu nada fizer
Isto nunca vai mudar
Conseguir/Encontrar
Mais força para lutar...
(Refrão)
Senhor engenheiro
Dê-me um pouco de atenção
Há dez anos que estou preso
Há trinta que sou ladrão
Não tenho eira nem beira
Mas ainda consigo ver
Quem anda na roubalheira
E quem me anda a comer
É difícil ser honesto
É difícil de engolir
Quem não tem nada vai preso
Quem tem muito fica a rir
Qinad espero ver alguém
Assumir que já andou
A roubar/A enganar
O povo que acreditou
Conseguir encontrar mais força
Para lutar
Mais força para lutar
Conseguir encontrar mais força
Para lutar
Mais força para lutar...
(Refrão)
Senhor engenheiro
Dê-me um pouco de atenção
Há dez anos que estou preso
Há trinta que sou ladrão
Não tenho eira nem beira
Mas ainda consigo ver
Quem anda na roubalheira
E quem me anda a foder
Há dez anos que estou preso
Há trinta que sou ladrão
Mas eu sou um homem honesto
Só errei na profissão
segunda-feira, abril 13, 2009
O regresso da polícia de costumes
Nos últimos tempos, a corrupção tem aumentado assustadoramente, o tráfico de influências progride com descarada impunidade e o enriquecimento ilícito parece não constituir uma preocupação para a maioria governamental. São problemas gravíssimos que, a não serem implacavelmente combatidos, jamais permitirão que o país venha algum dia a ser minimamente justo e desenvolvido e a sua resolução exige, por esse facto, uma vontade política e uma coragem que o actual governo, de modo algum, tem vindo a demonstrar, sobretudo quando se trata de enfrentar os interesses dos poderosos.
É, na verdade, mais fácil proibir o uso de saias curtas, decotes exagerados, gangas e perfumes agressivos, bem como de saltos altos e roupa interior escura às funcionárias de forma a, alegadamente, dar uma imagem de "qualidade" ao serviço público e contribuir para a modernização administrativa (parece-me que que apenas se esqueceram de impor novamente o uso das mangas de alpaca!).
A decência e a seriedade têm andado cada vez mais arredias da administração pública e da governação. É uma realidade.
Mas não é seguramente com operações de cosmética que tresandam a bafio que a administração pública e o país ganharão em transparência e modernidade.
É, na verdade, mais fácil proibir o uso de saias curtas, decotes exagerados, gangas e perfumes agressivos, bem como de saltos altos e roupa interior escura às funcionárias de forma a, alegadamente, dar uma imagem de "qualidade" ao serviço público e contribuir para a modernização administrativa (parece-me que que apenas se esqueceram de impor novamente o uso das mangas de alpaca!).
A decência e a seriedade têm andado cada vez mais arredias da administração pública e da governação. É uma realidade.
Mas não é seguramente com operações de cosmética que tresandam a bafio que a administração pública e o país ganharão em transparência e modernidade.
Tudo depende de nós
Este comentário da amiga M.E. sugeriu-me o Elogio da Dialéctica, de Bertolt Brecht…
A injustiça avança hoje a passo firme
Os tiranos fazem planos para dez mil anos
O poder apregoa: as coisas continuarão a ser como são
Nenhuma voz além da dos que mandam
E em todos os mercados proclama a exploração;
isto é apenas o meu começo
Mas entre os oprimidos muitos há que agora dizem
Aquilo que nós queremos nunca mais o alcançaremos
Quem ainda está vivo não diga: nunca
O que é seguro não é seguro
As coisas não continuarão a ser como são
Depois de falarem os dominantes
Falarão os dominados
Quem pois ousa dizer: nunca
De quem depende que a opressão prossiga? De nós
De quem depende que ela acabe? Também de nós
O que é esmagado que se levante!
O que está perdido, lute!
O que sabe ao que se chegou, que há aí que o retenha
E nunca será: ainda hoje
Porque os vencidos de hoje são os vencedores de amanhã.
A injustiça avança hoje a passo firme
Os tiranos fazem planos para dez mil anos
O poder apregoa: as coisas continuarão a ser como são
Nenhuma voz além da dos que mandam
E em todos os mercados proclama a exploração;
isto é apenas o meu começo
Mas entre os oprimidos muitos há que agora dizem
Aquilo que nós queremos nunca mais o alcançaremos
Quem ainda está vivo não diga: nunca
O que é seguro não é seguro
As coisas não continuarão a ser como são
Depois de falarem os dominantes
Falarão os dominados
Quem pois ousa dizer: nunca
De quem depende que a opressão prossiga? De nós
De quem depende que ela acabe? Também de nós
O que é esmagado que se levante!
O que está perdido, lute!
O que sabe ao que se chegou, que há aí que o retenha
E nunca será: ainda hoje
Porque os vencidos de hoje são os vencedores de amanhã.
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