O primeiro-ministro português, José Sócrates, defendeu hoje em Bruxelas que os bancos europeus devem ser proibidos de trabalhar com paraísos fiscais.
Por mim, acho que não só seria uma excelente ideia como uma medida incontornável para combater a fraude, a evasão fiscal e o branqueamento de capitais provenientes do narcotráfico e de outros negócios obscuros. E uma forma de devolver maior seriedade e transparência ao funcionamento da economia.
Porém, não sei se todos poderão dizer o mesmo. Nomeadamente quem recorre a off-shores para comprar moradia ou lavar dinheiro sujo…
sábado, março 21, 2009
sexta-feira, março 20, 2009
E que tal rasgarem a Constituição?
Num regime verdadeiramente democrático e constitucional, inconcebível é o mínimo que se pode dizer do spot publicitário da Antena 1 que está a passar na RTP, por constituir um ataque vergonhoso e intolerável a um dos direitos fundamentais dos cidadãos numa sociedade livre, o direito de manifestação.
Tão inconcebível como a reacção do ministro SS, que acha que o Governo não se deve pronunciar sobre “questões editoriais do serviço público” o que, em seu entender, é da competência da Entidade Reguladora da Comunicação.
Como se não estivesse em causa a isenção do serviço público e o (não) funcionamento da regulação. Como se não coubesse ao Governo garantir a seriedade dos serviços que tutela, o cumprimento da legalidade instituída, o regular funcionamento da democracia.
Nojo, é o sentimento que cada vez mais suscitam estes senhores. Dizem-se socialistas mas as suas políticas e atitudes estão longe de justificar tal designativo.
Actualização
Entretanto, depois de um parecer muito crítico dos provedores do ouvinte e do telespectador, a administração da RTP mandou retirar da emissão o anúncio da Antena 1.
Haja bom senso e, sobretudo, cumpra-se a Constituição. Ganhará a democracia.
Magia na Assembleia da República
Afinal, depois de ter dito que a sua agenda já estava preenchida até 7 de Abril, sempre é na próxima quarta-feira que Lurdes Rodrigues vai à Assembleia da República fazer o número de magia mais difícil do seu vasto repertório: explicar quais as consequências da não entrega dos objectivos individuais por parte dos professores, no âmbito da avaliação do desempenho docente. Consequências que a legislação que ela própria criou não prevê.
Não se vê, portanto, que da sua delirante cartola possa tirar mais do que as cobras e lagartos que habitualmente diz daqueles que não estão dispostos a alinhar na sua palhaçada eleitoralista.
Não se vê, portanto, que da sua delirante cartola possa tirar mais do que as cobras e lagartos que habitualmente diz daqueles que não estão dispostos a alinhar na sua palhaçada eleitoralista.
O espectáculo promete.
Às armas! Às armas!
Apesar do coro de críticas de toda a oposição, a maioria governamental aprovou a lei das armas, que baixa para 16 anos a idade mínima para uso e porte de arma e permite a realização de leilões de armas apreendidas.
Num país em que só a partir dos 18 anos se pode votar e, por outro lado, num tempo em que a criminalidade violenta tem vindo a aumentar de forma preocupante e a delinquência juvenil se propaga às próprias escolas, brinca-se com o fogo em vez de se tentar apagá-lo.
Num país em que só a partir dos 18 anos se pode votar e, por outro lado, num tempo em que a criminalidade violenta tem vindo a aumentar de forma preocupante e a delinquência juvenil se propaga às próprias escolas, brinca-se com o fogo em vez de se tentar apagá-lo.
quinta-feira, março 19, 2009
Cantigas do Maio em papel
A receita de Soares foi uma das crónicas escolhidas por Blogues em Papel, na página 2 do Caderno P2 da edição impressa do Público, de hoje.
Cantigas do Maio agradece a distinção.
Cantigas do Maio (8)
Chula da Liberdade
Eu sou livre como as aves
e passo a vida a cantar
coração que nasceu livre
não se pode acorrentar
Meu amor é marinheiro
e mora no alto mar
seus braços são como o vento
ninguém os pode amarrar
Meu amor disse que eu tinha
na boca um gosto a saudade
e uns cabelos onde nascem
os ventos e a liberdade
Eu sou livre como as aves
…
Meu amor virá um dia
assim muito de repente
como se o mar e o vento
nascessem dentro da gente
Como se um navio entrasse
de repente na cidade
trazendo a voar nos mastros
bandeiras de liberdade
Eu sou livre como as aves
…
Hei-de passar a cantar
pelas ruas da cidade
erguendo na mão direita
a espada da liberdade
Ó minha pátria morena
meu país de trevo e sal
sou marinheiro e não esqueço
que nasci em Portugal
(20 anos 20 sons, 1998)
Palavras — Manuel Alegre (Trova do Amor Lusíada); música e voz — Aurélio Malva (Brigada Victor Jara)
Palavras — Manuel Alegre (Trova do Amor Lusíada); música e voz — Aurélio Malva (Brigada Victor Jara)
Eu sou livre como as aves
e passo a vida a cantar
coração que nasceu livre
não se pode acorrentar
Meu amor é marinheiro
e mora no alto mar
seus braços são como o vento
ninguém os pode amarrar
Meu amor disse que eu tinha
na boca um gosto a saudade
e uns cabelos onde nascem
os ventos e a liberdade
Eu sou livre como as aves
…
Meu amor virá um dia
assim muito de repente
como se o mar e o vento
nascessem dentro da gente
Como se um navio entrasse
de repente na cidade
trazendo a voar nos mastros
bandeiras de liberdade
Eu sou livre como as aves
…
Hei-de passar a cantar
pelas ruas da cidade
erguendo na mão direita
a espada da liberdade
Ó minha pátria morena
meu país de trevo e sal
sou marinheiro e não esqueço
que nasci em Portugal
O Caderno de Saramago
Abstinência papal, recomenda-se
Na sua visita ao continente mais afectado pela SIDA, a África, onde só a África sub-sariana regista 22 milhões de pessoas infectadas pelo vírus do HIV, correspondendo a 67 por cento da população mundial, o chefe da Igreja Católica, Joseph Ratzinger, recuperando o discurso do seu antecessor, Karol Wojtyła, condenou o uso do preservativo e defendeu a abstinência sexual no combate à terrível doença.
Apesar de, segundo a Organização Mundial de Saúde, 27 por cento dos centros de tratamento deste verdadeiro flagelo, em África, estarem ligados à Igreja Católica, a hierarquia do Vaticano opta por continuar cega e surda perante a realidade — neste caso, seria preferível estar muda, também — e, com as suas palavras insensatas, incentivar milhões de seres humanos ao suicídio.
Apesar de, segundo a Organização Mundial de Saúde, 27 por cento dos centros de tratamento deste verdadeiro flagelo, em África, estarem ligados à Igreja Católica, a hierarquia do Vaticano opta por continuar cega e surda perante a realidade — neste caso, seria preferível estar muda, também — e, com as suas palavras insensatas, incentivar milhões de seres humanos ao suicídio.
Se, nesta matéria, alguém deveria praticar a abstinência verbal é Bento XVI.
quarta-feira, março 18, 2009
Era bom que o Estado português aprendesse
O comité judicial dos Estados Unidos, controlado pelos democratas, aprovou uma lei destinada a recuperar os 165 milhões de dólares (cerca de 127 milhões de euros) pagos pela seguradora AIG aos seus executivos.
Esta lei irá ainda autorizar o procurador-geral dos EUA a pedir a devolução de compensações excessivas anteriores embolsadas por funcionários de empresas ou instituições que receberam mais de dez mil milhões de dólares de ajuda do Governo norte-americano.
Era bom que o Estado português aprendesse alguma coisa com exemplos como este mas, num país onde a corrupção se agravou nos últimos quatro anos, o Banco de Portugal deixa a alta finança andar à rédea solta e o Governo acha que não deve interferir na gestão duvidosa ou mesmo danosa das empresas em que é accionista maioritário, tenho sérias dúvidas que tal venha a acontecer. Portugal continua a ser um país de clientelas e interesse instalados.
Esta lei irá ainda autorizar o procurador-geral dos EUA a pedir a devolução de compensações excessivas anteriores embolsadas por funcionários de empresas ou instituições que receberam mais de dez mil milhões de dólares de ajuda do Governo norte-americano.
Era bom que o Estado português aprendesse alguma coisa com exemplos como este mas, num país onde a corrupção se agravou nos últimos quatro anos, o Banco de Portugal deixa a alta finança andar à rédea solta e o Governo acha que não deve interferir na gestão duvidosa ou mesmo danosa das empresas em que é accionista maioritário, tenho sérias dúvidas que tal venha a acontecer. Portugal continua a ser um país de clientelas e interesse instalados.
Cantigas do Maio (7)
Que força é essa
Vi-te a trabalhar o dia inteiro
construir as cidades pr'ós outros
carregar pedras, desperdiçar
muita força pra pouco dinheiro
Vi-te a trabalhar o dia inteiro
Muita força pra pouco dinheiro
Que força é essa
que trazes nos braços
que só te serve para obedecer
que só te manda obedecer
Que força é essa, amigo
que te põe de bem com outros
e de mal contigo
Que força é essa, amigo
Não me digas que não me compr'endes
quando os dias se tornam azedos
não me digas que nunca sentiste
uma força a crescer-te nos dedos
e uma raiva a nascer-te nos dentes
Não me digas que não me compr'endes
Que força é essa
que trazes nos braços
que só te serve para obedecer
que só te manda obedecer
Que força é essa, amigo
que te põe de bem com outros
e de mal contigo
Que força é essa, amigo
(O irmão do meio, 2003)
Palavras e música — Sérgio Godinho; vozes — Sérgio Godinho e José Mário Branco
Palavras e música — Sérgio Godinho; vozes — Sérgio Godinho e José Mário Branco
Vi-te a trabalhar o dia inteiro
construir as cidades pr'ós outros
carregar pedras, desperdiçar
muita força pra pouco dinheiro
Vi-te a trabalhar o dia inteiro
Muita força pra pouco dinheiro
Que força é essa
que trazes nos braços
que só te serve para obedecer
que só te manda obedecer
Que força é essa, amigo
que te põe de bem com outros
e de mal contigo
Que força é essa, amigo
Não me digas que não me compr'endes
quando os dias se tornam azedos
não me digas que nunca sentiste
uma força a crescer-te nos dedos
e uma raiva a nascer-te nos dentes
Não me digas que não me compr'endes
Que força é essa
que trazes nos braços
que só te serve para obedecer
que só te manda obedecer
Que força é essa, amigo
que te põe de bem com outros
e de mal contigo
Que força é essa, amigo
A receita de Soares
Num exercício de perfeita contradição, Mário Soares afirma que "as manifestações não resolvem nada, que não é na rua que há soluções para os problemas, mas a manifestação de sexta-feira foi um sinal de grande descontentamento". Ora, se assim foi, não acha que bastaria apenas que o Primeiro-ministro tivesse os olhos e os ouvidos bem abertos e a cabeça bem limpa de preconceitos para que a manifestação tivesse contribuído para resolver alguma coisa?
Defende Mário Soares que José Sócrates "faria bem em dialogar e ouvir, em vez de entrar em polémicas sobre uma manifestação" e acrescenta que "ele pode ganhar a maioria absoluta se houver diálogo com os sindicatos, com os partidos e com as pessoas."
Ou seja, Soares acha que, depois de três anos e meio de políticas antipopulares e lesivas das condições de vida da população e de desprezo pelos sindicatos e pelos partidos da oposição, bastariam ao P"S" seis meses de simulacro de diálogo democrático para convencer os portugueses a dar-lhe nova maioria absoluta. É o que se chama de eleitoralismo puro: com papas e bolos se enganam os tolos. Ele lá sabe da eficácia da receita. Nós é que já temos idade para não gostar dela.
Defende Mário Soares que José Sócrates "faria bem em dialogar e ouvir, em vez de entrar em polémicas sobre uma manifestação" e acrescenta que "ele pode ganhar a maioria absoluta se houver diálogo com os sindicatos, com os partidos e com as pessoas."
Ou seja, Soares acha que, depois de três anos e meio de políticas antipopulares e lesivas das condições de vida da população e de desprezo pelos sindicatos e pelos partidos da oposição, bastariam ao P"S" seis meses de simulacro de diálogo democrático para convencer os portugueses a dar-lhe nova maioria absoluta. É o que se chama de eleitoralismo puro: com papas e bolos se enganam os tolos. Ele lá sabe da eficácia da receita. Nós é que já temos idade para não gostar dela.
terça-feira, março 17, 2009
Incompetência, irresponsabilidade e chantagem
Incompetência, irresponsabilidade e chantagem são três dos traços que melhor caracterizam a senhora que se supõe representar ainda o papel de Ministra da Educação.
A monstruosidade que a sua obsessiva cabeça congeminou para alegadamente avaliar o desempenho dos professores é, por si só, um exemplo acabado do que acabamos de afirmar.
Na realidade, o chamado modelo de avaliação do desempenho dos docentes, para além de injusto, burocrático e inaplicável, desde logo se revelou prejudicial para o normal exercício da docência e para a aprendizagem dos alunos, e a sua regulamentação jurídica, uma teia de omissões, contradições e ilegalidades.
Incapaz de implementar aquilo que de antemão já se adivinhava inexequível, Lurdes Rodrigues tenta, irresponsavelmente, sacudir a água do capote atirando-a para as escolas. Então não é para estas situações que serve a tão apregoada (e tão maltratada) autonomia escolar?
Quanto aos 50 000 incorrigíveis que se atreveram a desafiar a sua autoridade, recusando o seu famoso modelo de avaliação e não entregando os objectivos individuais, ameaça-os com processos disciplinares, remetendo para os conselhos executivos a decisão de os punir. Ela sabe que na lei que tão competentemente fez não existe fundamento para tal e, por essa razão, atira-lhes a batata quente. Esquece, porém, que eles também conhecem a lei. Por isso, recusam processar os professores enquanto a Ministra não lhes explicar… o que não tem explicação.
Adenda
Maria de Lurdes Rodrigues anda com uma agenda muito sobrecarregada.
A seis meses das eleições e depois da trapalhada inútil que montou, quanto mais vezes aparecer e falar, mais votos o P"S" perde.Deve ser por isso que só no dia 7 de Abril é que irá à Assembleia prestar esclarecimentos. Ou, se calhar, no dia de S. Nunca…
segunda-feira, março 16, 2009
Paranóia disciplinar do ME
A TSF * acaba de noticiar às 23:00 horas que, em resposta a uma interpelação do Bloco de Esquerda, na Comissão de Educação e Ciência da Assembleia da República, Maria de Lurdes Rodrigues afirmou que os professores que não entregaram os objectivos individuais vão ser alvo de processos disciplinares instaurados pelo Ministério dito da Educação e os dois anos a que se reporta a avaliação não contarão para efeitos da sua progressão na carreira.
Agora é, definitivamente, o tudo ou nada: ou os loucos da 5 de Outubro ou os professores que ousaram enfrentar a sua paranóia.
* A notícia foi da Antena 1
Actualização
Confirmado. Lurdes Rodrigues quer mesmo que os Presidentes dos Conselhos Executivos das escolas instaurem processos disciplinares aos 50 000 mil professores que não entregaram os objectivos individuais. Disse-o na Comissão de Educação da Assembleia da República e irá repeti-lo no plenário, talvez na próxima semana.
Agora é que vamos ver quem está com os professores: no parlamento e nas escolas.
Ministério dito da Educação tem negativa
Já tínhamos constatado, no terreno, que o pomposa e impropriamente chamado modelo de avaliação do desempenho dos docentes, concebido pelas delirantes cabeças do Ministério dito da Educação, mais não é do que um gigantesco labirinto burocrático, cujos objectivos, longe da contribuição para a melhoria do desempenho dos professores e a aprendizagem dos alunos, redundam sobretudo na redução das despesas públicas com a Educação, designadamente impedindo dois terços dos professores de atingirem o topo da carreira docente.
Esta conclusão empírica é agora suportada cientificamente pelo estudo "Individual Teacher Incentives, Student Achievement and Grade Inflation", de Pedro S. Martins, professor associado da Universidade de Londres, investigador do Instituto Superior Técnico e do Instituto para o Estudo do Trabalho de Bona, na Alemanha.
Afinal os professores têm definitivamente razão. Esta "avaliação" é prejudicial não apenas para quem ensina mas também para quem aprende. Num país a sério, os que a defendem e, a qualquer custo, a querem impor, deveriam responder por esse prejuízo.
Esta conclusão empírica é agora suportada cientificamente pelo estudo "Individual Teacher Incentives, Student Achievement and Grade Inflation", de Pedro S. Martins, professor associado da Universidade de Londres, investigador do Instituto Superior Técnico e do Instituto para o Estudo do Trabalho de Bona, na Alemanha.
Afinal os professores têm definitivamente razão. Esta "avaliação" é prejudicial não apenas para quem ensina mas também para quem aprende. Num país a sério, os que a defendem e, a qualquer custo, a querem impor, deveriam responder por esse prejuízo.
Cantigas do Maio (6)
Tejo que levas as águas
Tejo que levas as águas
correndo de par em par
lava a cidade de mágoas
leva as mágoas para o mar
Lava-a de crimes espantos
de roubos, fomes, terrores,
lava a cidade de quantos
do ódio fingem amores
Leva nas águas as grades
de aço e silêncio forjadas
deixa soltar-se a verdade
das bocas amordaçadas
Lava bancos e empresas
dos comedores de dinheiro
que dos salários de tristeza
arrecadam lucro inteiro
Lava palácios vivendas
casebres bairros da lata
leva negócios e rendas
que a uns farta e a outros mata
Tejo que levas as águas
correndo de par em par
lava a cidade de mágoas
leva as mágoas para o mar
Lava avenidas de vícios
vielas de amores venais
lava albergues e hospícios
cadeias e hospitais
Afoga empenhos favores
vãs glórias, ocas palmas
leva o poder dos senhores
que compram corpos e almas
Leva nas águas as grades
...
Das camas de amor comprado
desata abraços de lodo
rostos corpos destroçados
lava-os com sal e iodo
Tejo que levas nas águas
(Que nunca mais, 1975)
Palavras — Manuel da Fonseca; música e voz — Adriano Correia de Oliveira
Palavras — Manuel da Fonseca; música e voz — Adriano Correia de Oliveira
Tejo que levas as águas
correndo de par em par
lava a cidade de mágoas
leva as mágoas para o mar
Lava-a de crimes espantos
de roubos, fomes, terrores,
lava a cidade de quantos
do ódio fingem amores
Leva nas águas as grades
de aço e silêncio forjadas
deixa soltar-se a verdade
das bocas amordaçadas
Lava bancos e empresas
dos comedores de dinheiro
que dos salários de tristeza
arrecadam lucro inteiro
Lava palácios vivendas
casebres bairros da lata
leva negócios e rendas
que a uns farta e a outros mata
Tejo que levas as águas
correndo de par em par
lava a cidade de mágoas
leva as mágoas para o mar
Lava avenidas de vícios
vielas de amores venais
lava albergues e hospícios
cadeias e hospitais
Afoga empenhos favores
vãs glórias, ocas palmas
leva o poder dos senhores
que compram corpos e almas
Leva nas águas as grades
...
Das camas de amor comprado
desata abraços de lodo
rostos corpos destroçados
lava-os com sal e iodo
Tejo que levas nas águas
Livremo-nos do pesadelo!
O ano passado, por duas vezes, mais de cem mil professores manifestaram a sua indignação pela forma ignóbil e injusta como têm vindo a ser maltratados pelo Ministério dito da Educação e José Sócrates limitou-se a afirmar que tudo não passava de manobras dos sindicatos, com o apoio da oposição.
Agora, duzentos mil trabalhadores vieram à rua manifestar o seu descontentamento com uma política que tem agravado de forma insustentável as suas condições de vida e o Primeiro-ministro acusa a CGTP de ser instrumentalizada pelo PCP e o Bloco de Esquerda.
Não há dúvida que Sócrates ficou "incomodado" com esta enorme "vaga de indignação" e por isso recorre aos velhos fantasmas da ditadura — Quem não é por nós é comunista.
Acontece que hoje já não é possível tapar o sol com a peneira e José Sócrates e o P"S" vão ter de prestar contas aos eleitores — comunistas, socialistas ou o que quer que sejam — por uma governação que outra coisa não fez senão aumentar o desemprego, agravar as condições de vida dos trabalhadores e dos reformados, aumentar a pobreza e a injustiça social, adiar as perspectivas de vida dos jovens.
Já faltou mais para nos livrarmos do pesadelo. Só depende de nós.
domingo, março 15, 2009
Dar-se ao respeito: não votar P"S".
Mesmo admitindo que, à semelhança do que acontece em todas as profissões, também haja alguns professores menos competentes e dedicados, não há dúvida que o estado a que chegou a educação no nosso país se deve, sobretudo, às políticas educativas dos sucessivos governos, em particular a do governo Sócrates, promovendo o laxismo e o facilitismo das aprendizagens como forma de alcançar um sucesso educativo meramente estatístico, e à falta de interesse dos pais pela qualidade do ensino, preocupando-se mais com a existência de um espaço onde possam deixar os filhos.
Porém, sacudindo irresponsavelmente a água do seu capote e preferindo "perder os professores mas ganhar a população" (o que em termos eleitorais é mais "conveniente"), desde o início que o governo do P"S" transformou os professores em bodes expiatórios dos males da nossa educação.
Desde a divisão injusta da carreira docente (para a qual apenas foram tidos em consideração os últimos sete anos de serviço) em professores de primeira e professores de segunda, até a uma suposta avaliação de desempenho que, de tão burocrática, em nada contribui para a melhoria da formação dos professores e da aprendizagem dos seus alunos e, através da imposição inconstitucional de quotas para as menções mais elevadas, impede objectivamente mais de dois terços dos docentes de atingirem o topo da carreira, passando pelo seu quase total afastamento das estruturas directivas das escolas e a sua humilhante desautorização, que tem conduzido a um crescente e preocupante clima de indisciplina nas escolas, nunca a classe docente foi tão maltratada, aviltada, ofendida na história do ensino em Portugal.
É por tudo isto que, com ou sem crachás, os professores têm sobejas razões para recusarem o voto no Partido "Socialista" e em Sócrates. Acrescento até que essa recusa é um imperativo ético, uma questão de respeito por si próprios. Se verdadeiramente quiserem ser respeitados…
sábado, março 14, 2009
Cantigas do Maio (5)
Venho aqui falar
Eu hoje venho aqui falar
duma coisa que me anda a atormentar
e quanto mais eu penso mais eu cismo
como é que gente tão socialista
desiste de fazer o socialismo
é querer fazer arroz de cabidela
sem frango nem arroz nem a panela
Eu hoje venho aqui falar
duma coisa que me anda a atormentar
e quanto mais eu penso mais eu vejo
que esta grande obra de reconstrução
parece mas é uma acção de despejo
é como para instalar uma janela
atirar primeiro os vidros para a viela
Eu hoje venho aqui falar
duma coisa que me anda a atormentar
e penso e vejo de todas as cores
já libertaram pides e bombistas
deve ser para lá por trabalhadores
é como lançar cobras na cidade
e pôr dentro dentro da jaula a liberdade
Eu hoje venho aqui falar
duma coisa que me anda a atormentar
e vejo e de ver tiro conselho
aquilo que é mesmo reforma agrária
é para alguns o demónio vermelho
esses querem ver é anjos cor-de-rosa
entre Castro Verde e Vila Viçosa
Eu amanhã posso não estar aqui
mas também, para o que eu aqui repeti...
é que eu não sou o único que acho
que a gente o que tem é que estar unida
unida como as uvas estão no cacho
unida como as uvas estão no cacho
(Pano-cru, 1978)
Palavras, música e voz — Sérgio Godinho
Palavras, música e voz — Sérgio Godinho
Eu hoje venho aqui falar
duma coisa que me anda a atormentar
e quanto mais eu penso mais eu cismo
como é que gente tão socialista
desiste de fazer o socialismo
é querer fazer arroz de cabidela
sem frango nem arroz nem a panela
Eu hoje venho aqui falar
duma coisa que me anda a atormentar
e quanto mais eu penso mais eu vejo
que esta grande obra de reconstrução
parece mas é uma acção de despejo
é como para instalar uma janela
atirar primeiro os vidros para a viela
Eu hoje venho aqui falar
duma coisa que me anda a atormentar
e penso e vejo de todas as cores
já libertaram pides e bombistas
deve ser para lá por trabalhadores
é como lançar cobras na cidade
e pôr dentro dentro da jaula a liberdade
Eu hoje venho aqui falar
duma coisa que me anda a atormentar
e vejo e de ver tiro conselho
aquilo que é mesmo reforma agrária
é para alguns o demónio vermelho
esses querem ver é anjos cor-de-rosa
entre Castro Verde e Vila Viçosa
Eu amanhã posso não estar aqui
mas também, para o que eu aqui repeti...
é que eu não sou o único que acho
que a gente o que tem é que estar unida
unida como as uvas estão no cacho
unida como as uvas estão no cacho
Dar o dito pelo não dito
"Se eu não concordar com o programa eleitoral do PS, não me candidato a deputado. Se não concordar com a declaração de princípios do PS, não estou lá a fazer nada." (11/03/2009)
"O camarada Manuel Alegre sabe que o único propósito da direcção do PS é contar com ele, como sempre contou, como uma voz crítica, como uma voz incómoda, como uma figura de referência do PS e alguém que está sempre na primeira linha para defender os valores que caracterizam o PS." (13/03/2009)Estas duas declarações, ambas referidas a Manuel Alegre, a primeira, sugerindo que ele não deve ser candidato pelo P"S" ou sequer continuar no partido, e a segunda, afirmando claramente que a direcção do P"S" conta com o "camarada Alegre" como sempre contou, parecem ter sido proferidas por diferentes personagens mas, por incrível que pareça, devem-se a uma e à mesma pessoa, que precisou apenas de dois (!) dias para mudar radicalmente de opinião.
Com o descontentamento popular a originar manifestações de protesto como jamais se viu e as sondagens a evidenciarem o crescimento das intenções de voto na esquerda e a mostrarem que o partido do governo se encontra cada vez mais distante da maioria absoluta, Augusto Santos Silva, é dele que estamos a falar, faz tudo o que for preciso para inverter a situação. Até dar o dito pelo não dito. Sem um pingo de vergonha. Precisamente por isso é que é o "ministro da propaganda".
sexta-feira, março 13, 2009
Certezas e utopias
"A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar" Eduardo Galeano
Depois há os que nunca ziguezagueiam e não conhecem a ambiguidade. Sabem sempre qual é o seu lugar e o seu papel: estarem ao lado do poder e tratarem da sua vida. Mesmo que passe por injusta e vergonhosamente acusarem os que lutam por ideais mais generosos, da falta daquilo que nunca tiveram: carácter.
A EDP e a delapidação da economia nacional
1. A EDP está a prosperar com a crise. Em 2008, contrariamente ao que sucedeu com a generalidade dos trabalhadores portugueses, cujas condições de vida se agravaram, e com as PMEs, que lutam para sobreviver, os seus lucros atingiram 1.212,3 milhões de euros.
Vejamos como a empresa tem aumentado tanto os seus lucros.
Se a EDP tivesse vendido em Portugal o gás e a electricidade aos preços médios da União Europeia, os portugueses teriam pago menos 224,4 milhões de euros. E se tivesse pago a taxa legal de 25 por cento de IRC, em vez de 18,9. deveria ter entregado ao Estado mais 92,4 milhões de euros referentes aos lucros que obteve no ano passado. Em suma, devido a preços de gás e de electricidade praticados em Portugal pela EDP muito superiores aos preços médios da União Europeia e devido a benefícios fiscais, ou seja, à custa dos consumidores e do Estado, a EDP conseguiu aumentar os seus lucros de 2008 em cerca de 316,8 milhões de euros (224,4 M€+ 92,4M€).
Fica claro a falta de vontade deste governo assim como da chamada autoridade da concorrência para impedir que a EDP se aproveite da posição dominante que tem no mercado de electricidade e da posição importante que tem no de gás.
2. Uma das justificações apresentadas pelos governos para privatizarem a EDP, que é uma empresa estratégica, é que isso era necessário para constituir grupos económicos portugueses fortes, para assim aumentar a competitividade da economia portuguesa e alcançar elevadas taxas de crescimento, e que isso também aumentaria a concorrência, o que determinaria a redução dos preços da electricidade e do gás em Portugal.
A realidade, porém, mostrou que isso não era verdade pois, com a privatização:
3. Falar em grupos económicos portugueses fortes revela-se, portanto, uma pura mentira.
Não estando em causa o lucro recorde de 1092 milhões de euros obtido pela EDP em 2008, do que não há dúvida é que uma parte substancial do mesmo, obtido em grande parte à custa de preços impostos aos consumidores portugueses muito superiores aos preços médios da União Europeia e de impostos reduzidos, será transferida para o estrangeiro, agravando ainda mais o elevado défice da Balança Corrente Portuguesa.
Vejamos como a empresa tem aumentado tanto os seus lucros.
Se a EDP tivesse vendido em Portugal o gás e a electricidade aos preços médios da União Europeia, os portugueses teriam pago menos 224,4 milhões de euros. E se tivesse pago a taxa legal de 25 por cento de IRC, em vez de 18,9. deveria ter entregado ao Estado mais 92,4 milhões de euros referentes aos lucros que obteve no ano passado. Em suma, devido a preços de gás e de electricidade praticados em Portugal pela EDP muito superiores aos preços médios da União Europeia e devido a benefícios fiscais, ou seja, à custa dos consumidores e do Estado, a EDP conseguiu aumentar os seus lucros de 2008 em cerca de 316,8 milhões de euros (224,4 M€+ 92,4M€).
Fica claro a falta de vontade deste governo assim como da chamada autoridade da concorrência para impedir que a EDP se aproveite da posição dominante que tem no mercado de electricidade e da posição importante que tem no de gás.
2. Uma das justificações apresentadas pelos governos para privatizarem a EDP, que é uma empresa estratégica, é que isso era necessário para constituir grupos económicos portugueses fortes, para assim aumentar a competitividade da economia portuguesa e alcançar elevadas taxas de crescimento, e que isso também aumentaria a concorrência, o que determinaria a redução dos preços da electricidade e do gás em Portugal.
A realidade, porém, mostrou que isso não era verdade pois, com a privatização:
- as dificuldades financeiras do Estado aumentaram devido à perda de uma importante fonte de receitas;
- os portugueses estão a pagar a electricidade e o gás a um preço muito superior ao preço médio da União Europeia, apesar do crescimento reduzido da economia portuguesa; e finalmente,
- cerca de 50% do capital da EDP já se encontra em mãos de investidores estrangeiros.
3. Falar em grupos económicos portugueses fortes revela-se, portanto, uma pura mentira.
Não estando em causa o lucro recorde de 1092 milhões de euros obtido pela EDP em 2008, do que não há dúvida é que uma parte substancial do mesmo, obtido em grande parte à custa de preços impostos aos consumidores portugueses muito superiores aos preços médios da União Europeia e de impostos reduzidos, será transferida para o estrangeiro, agravando ainda mais o elevado défice da Balança Corrente Portuguesa.
Adaptado de Eugénio Rosa, info.resistir
Os pontos nos ii
Em entrevista à Antena 1, Manuel Alegre afirma que a sua relação com o partido terá que ser resolvida "muito rapidamente". E acrescenta:
- "Se a direcção do partido não dá um sinal da demarcação em relação à afirmação de um dirigente que diz que eu não tenho carácter, então […] tem que ir ganhar as eleições com quem fez essas declarações".
- "Não está na ordem do dia uma rotura" com o PS mas "uma clarificação de situações."
- "Temos boas relações pessoais [Alegre e Sócrates], apesar de termos concepções muito diferentes do que é a esquerda, do que é o PS".
- "Quando eu disse isso [que se houvesse listas de independentes para as legislativas," tal como as coisas estão neste momento, talvez me candidatasse"], "não disse que me candidatava contra o PS. Disse que me candidatava pela renovação da democracia e do próprio PS."
Das palavras de Alegre, conclui-se, portanto, que:
- Dificilmente abandonará o P"S" para constituir outro qualquer partido.
- O seu PS é (tem de ser) um partido de esquerda, com uma política de esquerda.
- O seu combate é pela recuperação da identidade de esquerda do PS, sem o qual a esquerda dificilmente será uma alternativa de poder e de governo.
A convergência da esquerda é fundamental, não apenas para si própria mas sobretudo para o país. Mas exige um diálogo aberto, sem dogmatismo e sem sectarismo, de todos os que dela se reclamam, quer sejam partidos ou cidadãos independentes.
É por esse objectivo que Alegre se tem batido. Resta saber se o conseguirá num PS fracturado entre a esquerda e a direita.
quinta-feira, março 12, 2009
Cantigas do Maio (4)
O charlatão
Numa rua de má fama
faz negócio um charlatão
vende perfumes de lama
anéis de ouro a um tostão
enriquece o charlatão
No beco mal afamado
as mulheres não têm marido
um está preso, outro é soldado
um está morto e outro ferido
e outro em França anda perdido
É entrar, senhorias
a ver o que cá se lavra
sete ratos, três enguias
uma cabra abracadabra
Na ruela de má fama
o charlatão vive à larga
chegam-lhe toda a semana
em camionetas de carga
rezas doces, paga amarga
No beco dos mal-fadados
os catraios passam fome
têm os dentes enterrados
no pão que ninguém mais come
os catraios passam fome
É entrar, senhorias
a ver o que cá se lavra
sete ratos, três enguias
uma cabra abracadabra
Na travessa dos defuntos
charlatões e charlatonas
discutem dos seus assuntos
repartem-se em quatro zonas
instalados em poltronas
P´rá rua saem toupeiras
entra o frio nos buracos
dorme a gente nas soleiras
das casas feitas em cacos
em troca de alguns patacos
É entrar, senhorias
a ver o que cá se lavra
sete ratos, três enguias
uma cabra abracadabra
Entre a rua e o país
vai o passo de um anão
vai o rei que ninguém quis
vai o tiro dum canhão
e o trono é do charlatão
Entre a rua e o país
vai o passo de um anão
vai o rei que ninguém quis
vai o tiro dum canhão
e o trono é do charlatão
É entrar, senhorias
a ver o que cá se lavra
sete ratos, três enguias
uma cabra abracadabra
(Os sobreviventes, 1971)
Palavras, música e voz — Sérgio Godinho
Palavras, música e voz — Sérgio Godinho
É incrível como, passados 38 anos, esta cantiga não perdeu a sua carga satírica. Só o "charlatão" é outro. Infelizmente para nós.
Numa rua de má fama
faz negócio um charlatão
vende perfumes de lama
anéis de ouro a um tostão
enriquece o charlatão
No beco mal afamado
as mulheres não têm marido
um está preso, outro é soldado
um está morto e outro ferido
e outro em França anda perdido
É entrar, senhorias
a ver o que cá se lavra
sete ratos, três enguias
uma cabra abracadabra
Na ruela de má fama
o charlatão vive à larga
chegam-lhe toda a semana
em camionetas de carga
rezas doces, paga amarga
No beco dos mal-fadados
os catraios passam fome
têm os dentes enterrados
no pão que ninguém mais come
os catraios passam fome
É entrar, senhorias
a ver o que cá se lavra
sete ratos, três enguias
uma cabra abracadabra
Na travessa dos defuntos
charlatões e charlatonas
discutem dos seus assuntos
repartem-se em quatro zonas
instalados em poltronas
P´rá rua saem toupeiras
entra o frio nos buracos
dorme a gente nas soleiras
das casas feitas em cacos
em troca de alguns patacos
É entrar, senhorias
a ver o que cá se lavra
sete ratos, três enguias
uma cabra abracadabra
Entre a rua e o país
vai o passo de um anão
vai o rei que ninguém quis
vai o tiro dum canhão
e o trono é do charlatão
Entre a rua e o país
vai o passo de um anão
vai o rei que ninguém quis
vai o tiro dum canhão
e o trono é do charlatão
É entrar, senhorias
a ver o que cá se lavra
sete ratos, três enguias
uma cabra abracadabra
A auto-avaliação de Sócrates
Que, ao fim de quatro anos de governança do P"S", Portugal é um país mais pobre e socialmente mais injusto, já não há, lamentavelmente, quaisquer dúvidas. Curioso é que seja o próprio Primeiro-ministro a reconhecê-lo, mesmo que inadvertidamente. É caso para concluir que, desta vez, a Sócrates, tido como mentiroso compulsivo, lhe fugiu a boca para a verdade.
Mudar de Rumo
Mais emprego, salários, direitos. Melhores condições de vida e de trabalho para os portugueses.
Precisamente o contrário do que fez Sócrates: aumentou o desemprego e precarizou o emprego, congelou os salários, atentou contra os direitos laborais aprovando um "novo" código do trabalho, agravou as desigualdades sociais e aumentou a pobreza, fragilizou a segurança social, soltou as rédeas à corrupção e à especulação financeira…
Precisamente o contrário do que fez Sócrates: aumentou o desemprego e precarizou o emprego, congelou os salários, atentou contra os direitos laborais aprovando um "novo" código do trabalho, agravou as desigualdades sociais e aumentou a pobreza, fragilizou a segurança social, soltou as rédeas à corrupção e à especulação financeira…
E prepara-se para fazer mais do mesmo, se não estivermos unidos e solidários para lhe dizermos "Basta!".
Coimbra do Choupal: por quanto tempo?
Também eu. E, seguramente, a esmagadora maioria dos conimbricences.
Duvido é que a coligação camarária P"SD"/CDS-PP/PPM e o P"S" estejam para aí virados. E receio que o betão e o asfalto acabem por falar mais alto.
Será que os órgãos de soberania serão insensíveis a uma petição subscrita por cerca de 8 000 cidadãos? Será que verdadeiramente existe um Ministério do Ambiente? Será que iremos deixar de cantar "Coimbra do Choupal…"?
O pior pode sempre acontecer, com a espécie de gente que nos "governa".
quarta-feira, março 11, 2009
Cantigas do Maio (3)
Cantiga da velha mãe e dos seus dois filhos - Mãe coragem
(Margem de certa maneira, 1971)
Ai o meu pobre filho, que rico que é
ai o meu rico filho, que pobre que é
nascidos do mesmo ventre
um vive de joelhos pr'ó outro passar à frente
e esta velha mãe pr'áqui já no sol poente
Um dia há muito tempo, vi-os partir
levando cada um do outro o porvir
seguiram pla estrada fora
um voltou-se pra trás, disse adeus que me vou embora
voltaremos trazendo connosco a vitória
De que vitória falas, disse eu então
da que faz um escravo do teu irmão?
ou duma outra que rebenta
como um rio de fúria no peito feito tormenta
quando não há nada a perder no que se tenta?
Passaram muitos anos sem mais saber
nem por onde paravam, nem se por ter
criado os dois no mesmo chão
eram ainda irmãos, partilhavam ainda o pão
e o silêncio enchia de morte o meu coração
Depois vieram novas que o que vivia
da miséria do outro, se enriquecia
não foi pra isto que andei
dias que foram longos e noites que não contei
a lutar pra ter a justiça como lei
Às vezes rogo pragas de os ver assim
sinto assim uma faca dentro de mim
sei que estou velha e doente
mas para ver o mundo girar dum modo diferente
'inda sei gritar, e arreganhar o dente
Estou quase a ir embora, mas deixo aqui
duas palavras pra um filho que perdi
não quero dar-te conselhos
mas s'é o teu próprio irmão que te faz viver de joelhos
doa a quem doer, faz o que tens a fazer
(Margem de certa maneira, 1971)
Palavras — Sérgio Godinho; música e voz — José Mário Branco
Ai o meu pobre filho, que rico que é
ai o meu rico filho, que pobre que é
nascidos do mesmo ventre
um vive de joelhos pr'ó outro passar à frente
e esta velha mãe pr'áqui já no sol poente
Um dia há muito tempo, vi-os partir
levando cada um do outro o porvir
seguiram pla estrada fora
um voltou-se pra trás, disse adeus que me vou embora
voltaremos trazendo connosco a vitória
De que vitória falas, disse eu então
da que faz um escravo do teu irmão?
ou duma outra que rebenta
como um rio de fúria no peito feito tormenta
quando não há nada a perder no que se tenta?
Passaram muitos anos sem mais saber
nem por onde paravam, nem se por ter
criado os dois no mesmo chão
eram ainda irmãos, partilhavam ainda o pão
e o silêncio enchia de morte o meu coração
Depois vieram novas que o que vivia
da miséria do outro, se enriquecia
não foi pra isto que andei
dias que foram longos e noites que não contei
a lutar pra ter a justiça como lei
Às vezes rogo pragas de os ver assim
sinto assim uma faca dentro de mim
sei que estou velha e doente
mas para ver o mundo girar dum modo diferente
'inda sei gritar, e arreganhar o dente
Estou quase a ir embora, mas deixo aqui
duas palavras pra um filho que perdi
não quero dar-te conselhos
mas s'é o teu próprio irmão que te faz viver de joelhos
doa a quem doer, faz o que tens a fazer
Regulação é preciso
Paulo Pedroso, deputado do P"S" e ex-ministro do Trabalho do Governo de António Guterres, defende a criação de uma instituição reguladora responsável pela qualificação dos portugueses.
Num país onde se pretende ultrapassar o défice de qualificação através de processos de certificação massificados e pouco exigentes e da obtenção de licenciaturas de duvidosa valia por métodos pouco ortodoxos, por mim, estou de acordo.
Mas, já agora, por analogia, defenderia também a regulação da Justiça. Talvez ficássemos a perceber como é que arguidos indiciados da prática de dezenas de crimes podem ser simplesmente ilibados, como se tudo se resumisse a uma gigantesca cabala (ou campanha negra, como agora se diz) de forças ocultas.
Num país onde se pretende ultrapassar o défice de qualificação através de processos de certificação massificados e pouco exigentes e da obtenção de licenciaturas de duvidosa valia por métodos pouco ortodoxos, por mim, estou de acordo.
Mas, já agora, por analogia, defenderia também a regulação da Justiça. Talvez ficássemos a perceber como é que arguidos indiciados da prática de dezenas de crimes podem ser simplesmente ilibados, como se tudo se resumisse a uma gigantesca cabala (ou campanha negra, como agora se diz) de forças ocultas.
Há cães raivosos no P"S"
O P"S" está cada vez mais unido. Tão unido que até lembra a União Nacional. Seguranças não faltam — aqui, aqui e aqui.
Com tantos e tão fiéis cães raivosos, Sócrates nem precisa de se preocupar.
No lugar de Alegre vacinava-me.
Corja de chico-espertos num país de otários
No princípio era a Ota. A margem esquerda era um deserto e em Alcochete, jamais!
Mas, a obstinação da trupe que supostamente governa este sítio é tal que, o que num dia é verdade, no dia seguinte é mentira. Desde que o aeroporto vá para a frente.
Para trás ficará, como sempre, o país, cada vez mais endividado, cada vez mais pobre, cada vez mais adiado. País de otários que há trinta anos aceita ser governado por uma corja de chico-espertos.
Tarde demais
O Parlamento Europeu (PE) aprovou hoje em Estrasburgo um relatório da deputada socialista portuguesa Elisa Ferreira sobre o plano de relançamento da economia europeia, com uma referência à necessidade de combater os "off-shores", ou paraísos fiscais.
Oxalá esteja enganado mas parece-me uma iniciativa do tipo é-preciso-mudar-alguma-coisa-para-que-tudo-fique-na-mesma. Mas, mesmo que seja levada a sério, peca por tardia. Dificilmente iremos saber onde param os quatro milhões que alguém recebeu para que o Freeport tenha sido licenciado da forma como foi: numa área protegida, em tempo recorde, por um governo de gestão.
Oxalá esteja enganado mas parece-me uma iniciativa do tipo é-preciso-mudar-alguma-coisa-para-que-tudo-fique-na-mesma. Mas, mesmo que seja levada a sério, peca por tardia. Dificilmente iremos saber onde param os quatro milhões que alguém recebeu para que o Freeport tenha sido licenciado da forma como foi: numa área protegida, em tempo recorde, por um governo de gestão.
terça-feira, março 10, 2009
Cantigas do Maio (2)
Final
(Um beco com saída, 1975)
mais de mil léguas
eu andei
fiz quase tudo
o que nao sei
quem nos rouba
tem forma de balão
à frente
mas eu tenho na mão
um alfinete
e quanto mais perco
eu mais ganho
esta raiva surda
p'ra estoirar
farto de lamber
o fundo ao prato
sapato
vou dar um pontapé
para isto acabar
vou dar uma volta
ai isto vou
que a força
nunca se esgotou
e se mil anos eu vivesse
mil anos havia de lutar
(Um beco com saída, 1975)
Palavras, música e voz — Fausto Bordalo Dias
mais de mil léguas
eu andei
fiz quase tudo
o que nao sei
quem nos rouba
tem forma de balão
à frente
mas eu tenho na mão
um alfinete
e quanto mais perco
eu mais ganho
esta raiva surda
p'ra estoirar
farto de lamber
o fundo ao prato
sapato
vou dar um pontapé
para isto acabar
vou dar uma volta
ai isto vou
que a força
nunca se esgotou
e se mil anos eu vivesse
mil anos havia de lutar
À segunda só cai quem quer!
Pensava eu que eram sobretudo os trabalhadores, os pequenos e médios empresários, os pensionistas e reformados, que sofriam com a precariedade da economia e a instabilidade social dela decorrente. Mas afinal, parece que os Presidentes da República também sofrem com a maçada de terem de encontrar soluções governativas quando os irresponsáveis dos eleitores não viabilizam governos de maioria absoluta.
É, pelo menos, o que se depreende das palavras de Jorge Sampaio, que não hesita em pedir aos portugueses que dêem uma nova maioria (implicitamente) ao P"S". Como se, sob a actual maioria "socialista", o bem-estar e a felicidade da maior parte da nossa população tivessem aumentado. Como se, por acção ou omissão, a governança P"S" não tivesse contribuído para o agravamento das desigualdades sociais, o crescimento da pobreza e do desemprego, o alastramento da corrupção e a vergonhosa distribuição de mordomias e prebendas aos correligionários e amigos. Como se os portugueses fossem uma cambada de parvos e de masoquistas.
Dr. Sampaio, o senhor saberá por que lhe interessa uma nova maioria do Partido "Socialista". Mas compreenderá que a maior parte dos portugueses sabe, porque o sentiu na pele durante os últimos quatro anos, que não é isso que lhe convém.
É, pelo menos, o que se depreende das palavras de Jorge Sampaio, que não hesita em pedir aos portugueses que dêem uma nova maioria (implicitamente) ao P"S". Como se, sob a actual maioria "socialista", o bem-estar e a felicidade da maior parte da nossa população tivessem aumentado. Como se, por acção ou omissão, a governança P"S" não tivesse contribuído para o agravamento das desigualdades sociais, o crescimento da pobreza e do desemprego, o alastramento da corrupção e a vergonhosa distribuição de mordomias e prebendas aos correligionários e amigos. Como se os portugueses fossem uma cambada de parvos e de masoquistas.
Dr. Sampaio, o senhor saberá por que lhe interessa uma nova maioria do Partido "Socialista". Mas compreenderá que a maior parte dos portugueses sabe, porque o sentiu na pele durante os últimos quatro anos, que não é isso que lhe convém.
É que, como soi dizer-se, "à primeira todos caiem, à segunda só cai quem quer"!
Com apelos não vamos lá
Alberto João Jardim tem uma propensão inata para a demagogia barata mas desta vez tem razão: a sustentabilidade da economia exige a manutenção do emprego e, com ele, da procura interna, o que, para ser alcançado, mais do que a estafada receita da moderação ou até do congelamento salarial, o que exige é a redução dos lucros obscenos das grandes empresas — algumas em regime de monopólio e largamente participadas pelo Estado — e dos salários milionários dos seus gestores.
João Jardim falha apenas num decisivo aspecto: esquece que os problemas económicos (e já agora, sociais) não se resolvem com apelos mas antes com políticas esclarecidas e corajosas e um Estado capaz de as aplicar. O que, de todo, não está a acontecer.
segunda-feira, março 09, 2009
Cantigas do Maio (1)
A partir de agora vamos publicar, com a regularidade possível, cantigas. Do Maio, naturalmente. Do Zeca, mas também de outras vozes. Incomodadas e incómodas, como são as vozes de todos os que resistem cantando. E começamos, obrigatoriamente, com…
Cantigas do Maio
(Cantigas do Maio, 1974)
Palavras, música e voz — José Afonso
Eu fui ver a minha amada
lá prós baixos dum jardim
dei-lhe uma rosa encarnada
para se lembrar de mim
Eu fui ver o meu benzinho
lá prós lados dum passal
dei-lhe o meu lenço de linho
que é do mais fino bragal
Minha mãe quando eu morrer
ai chore por quem muito amargou
para então dizer ao mundo
ai Deus mo deu ai Deus mo levou
Eu fui ver uma donzela
numa barquinha a dormir
dei-lhe uma colcha de seda
para nela se cobrir
Eu fui ver uma solteira
numa salinha a fiar
dei-lhe uma rosa vermelha
para de mim se encantar
Minha mãe quando eu morrer ...
Eu fui ver a minha amada
lá nos campos eu fui ver
dei-lhe uma rosa encarnada
para de mim se prender
Verdes prados verdes campos
onde está minha paixão
as andorinhas não param
umas voltam outras não
Minha mãe quando eu morrer...
Cantigas do Maio
(Cantigas do Maio, 1974)
Palavras, música e voz — José Afonso
Eu fui ver a minha amada
lá prós baixos dum jardim
dei-lhe uma rosa encarnada
para se lembrar de mim
Eu fui ver o meu benzinho
lá prós lados dum passal
dei-lhe o meu lenço de linho
que é do mais fino bragal
Minha mãe quando eu morrer
ai chore por quem muito amargou
para então dizer ao mundo
ai Deus mo deu ai Deus mo levou
Eu fui ver uma donzela
numa barquinha a dormir
dei-lhe uma colcha de seda
para nela se cobrir
Eu fui ver uma solteira
numa salinha a fiar
dei-lhe uma rosa vermelha
para de mim se encantar
Minha mãe quando eu morrer ...
Eu fui ver a minha amada
lá nos campos eu fui ver
dei-lhe uma rosa encarnada
para de mim se prender
Verdes prados verdes campos
onde está minha paixão
as andorinhas não param
umas voltam outras não
Minha mãe quando eu morrer...
Vale mais tarde do que nunca
A prepotência, o autismo e a incompetência são as marcas distintivas da actual equipa do Ministério supostamente chamado da Educação. Mas os seus colaboradores regionais não lhe ficam atrás, conseguindo até, no caso da Directora Regional do Norte, suplantá-las largamente.
Desde as asneiras que cometeu em eleições de conselhos executivos que levaram à condenação judicial do ministério, ao atropelo da autonomia escolar obrigando escolas a proceder ao contrário das decisões dos seus legítimos órgãos, passando pela forma inábil e insensata como lidou com o problema da violência escolar e o modo autoritário, repressivo e insultuoso como trata os professores, Margarida Moreira, que para cúmulo, dá um triste exemplo de utilização da língua portuguesa nos novelos de prosa que redige, é uma calamidade, uma desgraça, um abcesso que terá de ser urgentemente extirpado, para alívio das escolas nortenhas, que há muito sofrem com a sua cega tirania.
Os pais chegaram finalmente a essa conclusão e pedem a sua demissão. Ainda bem. Vale mais tarde do que nunca.
domingo, março 08, 2009
Uma questão de (falta de) carácter
Não deixa de ser paradoxal que tenha sido precisamente um dos dirigentes do P"S" com menos carácter e verticalidade, exemplo acabado de fiel lacaio do chefe, sempre colado ao poder, a acusar Manuel Alegre de "falta de carácter" por, numa entrevista que deu, ter afirmado que, se a lei o permitisse, candidatar-se-ia às eleições legislativas como independente.
Almeida Santos optou por desvalorizar o incidente considerando que, nessas circunstâncias, tratar-se-ia do uso de um direito.
José Sócrates, habituado a pintar de rosa a realidade negra do país, adopta aqui a mesma táctica. Ignora a polémica e afirma que o P"S" é "um referencial de estabilidade e de unidade na vida política portuguesa".
A verdade é que a unidade está longe de ser um dado adquirido.
Sócrates, já terá reunido por duas vezes com Manuel Alegre, certamente convidando-o a integrar as listas do partido, mas este põe como condição não abdicar de valores como a revogação do código laboral, a suspensão do modelo de avaliação dos professores, a abolição das taxas moderadoras, os serviços públicos a funcionar de acordo com uma lógica de interesse geral e não de parcerias público-privadas. Acredito que assim continue. É este o carácter que vermes como José Lello nunca terão.
Dia Internacional da Mulher
Cantar Alentejano
(Cantigas do Maio, 1974)
Palavras, música e voz — José Afonso
Chamava-se Catarina
O Alentejo a viu nascer
Serranas viram-na em vida
Baleizão a viu morrer
Ceifeiras na manhã fria
Flores na campa lhe vão pôr
Ficou vermelha a campina
Do sangue que então brotou
Acalma o furor campina
Que o teu pranto não findou
Quem viu morrer Catarina
Não perdoa a quem matou
Aquela pomba tão branca
Todos a querem p´ra si
Ó Alentejo queimado
Ninguém se lembra de ti
Aquela andorinha negra
Bate as asas p´ra voar
Ó Alentejo esquecido
Inda um dia hás-de cantar
Palavras, música e voz — José Afonso
Chamava-se Catarina
O Alentejo a viu nascer
Serranas viram-na em vida
Baleizão a viu morrer
Ceifeiras na manhã fria
Flores na campa lhe vão pôr
Ficou vermelha a campina
Do sangue que então brotou
Acalma o furor campina
Que o teu pranto não findou
Quem viu morrer Catarina
Não perdoa a quem matou
Aquela pomba tão branca
Todos a querem p´ra si
Ó Alentejo queimado
Ninguém se lembra de ti
Aquela andorinha negra
Bate as asas p´ra voar
Ó Alentejo esquecido
Inda um dia hás-de cantar
Só agora descobriram? É tarde.
Dez milhares de professores foram mais do que suficientes para fazer um longo cordão humano entre o Ministério da "Educação" e a Assembleia da República, com passagem obrigatória pela Sede nacional do P"S", no Largo do Rato, brindada com uma nuvem de lenços brancos e um coro de acusações à política educativa e ao modelo de avaliação do governo "socialista".
Foi sobretudo um protesto simbólico mas, num momento em que a clique ministerial, apoiada nos seus acólitos das direcções regionais e nos "funcionários" de uma parte dos conselhos executivos das escolas, tudo tem feito para vergar os professores, através da ameaça e da chantagem, serviu para mostrar que a chama da indignação dos docentes, longe de se apagar, continua acesa e, se a intransigência monolítica da pedreira da 5 de Outubro se mantiver, irá alastrar até ao fim do ano, com sérias consequências para a estabilidade das escolas mas também, a cinco meses das eleições, para as contas eleitorais do P"S".
Com a ministra mais impopular do governo a fazer voto de clausura, para não baixar mais o resultado do partido nas sondagens, é o secretário Pedreira a mandar as costumeiras calhoadas, acusando os sindicatos de "inflexibilidade" e "hipocrisia" e, num curioso exemplo de inflexibilidade, garantir que o Ministério não cederá mais.
Perante este cenário, antevendo o perigo de virem a perder alguns tachos, digo, lugares no parlamento, o rebanho parlamentar do P"S" admite [agora] que algumas medidas de política educativa do Governo "não correram muito bem". É caso para lhes perguntar o que andaram a fazer durante quatro anos para só agora terem chegado a essa conclusão?!…
sábado, março 07, 2009
Corrigir os erros
Nem de propósito… Na posta anterior aludimos à forma criativa como na tugalândia se brinca com a Língua (refiro-me à nossa pátria, como lhe chamou Pessoa, e não ao órgão bucal, com o qual ainda teremos muito que aprender a brincar…). Mas isso não passa de uma infeliz normalidade quando a brincadeira começa com quem tem a responsabilidade de combater este problema. Três (entre muitos outros) exemplos…
O polémico e discutível Acordo Ortográfico vai ser implementado, já no próximo ano lectivo, em algumas escolas. Mesmo que os professores estejam apreensivos com a falta de formação específica para lidar com a nova situação e as editoras questionem a forma como o acordo vai ser concretizado. A confusão que daqui pode advir é mais do que previsível.
Não podemos admirar-nos de que a maioria dos portugueses fale mal e escreva pior. É o resultado de uma Educação que desgraçadamente tem subestimado a riqueza que é a nossa Língua. O que é verdadeiramente chocante e inaceitável é a forma como os responsáveis políticos e administrativos a maltratam. Nos actos, mas também nas palavras. Desde o "hádem", de Jorge Coelho, ao carnaval da sintaxe da Directora de Educação Regional do Norte, o anedotário é tristemente vasto.
E finalmente o Magalhães, essa jóia da coroa do socrático choque tecnológico. Também ele a brincar com a Língua Mátria. Parece que a celeridade na entrega do brinquedo não foi grande mas, mesmo assim, não se evitaram erros linguísticos em algumas das aplicações.
Mas tudo isto são erros menores. Erros realmente graves são os próprios políticos que, mais do que governar o país, se têm governado à nossa custa. Erros que só nós podemos corrigir.
sexta-feira, março 06, 2009
Crises

Rua de Santo António, Faro (Obrigado ao Luís G.)
- As Novas Oportunidades, tal como as licenciaturas da Independente, não resolvem as crises de ortografia e de iliteracia.
- Não há nada, nem mesmo uma crise, que destrua a criatividade e o humor tugas, em matéria de linguagem.
- Afinal, a crise da indústria pornográfica não acontece só na América. Com o preço da queca a cair abaixo dos 10 euros (com um soutien de brinde), a crise também chegou a Portugal.
Mais problemas para o cansaço do Primeiro-ministro.
Cansados estamos nós
Denunciando alguma insatisfação com o desempenho do governo, o patrão da Jerónimo Martins diz que o Primeiro-ministro está obcecado com o Bloco de Esquerda e o PCP e é um homem cansado.
Quanto à primeira parte da afirmação, Sócrates apenas se pode queixar de si próprio pois, apesar de liderar um partido historicamente de esquerda, tem levado por diante a política mais impopular e à direita de que há memória, desde o 25 de Abril.
Quanto ao resto, cansados (e muito…) de Sócrates e das suas mentiras e falsas promessas estamos nós, trabalhadores (empregados e sem emprego), pequenos e médios empresários, reformados, jovens e estudantes, enfim a maioria da população, vítima de uma política forte com os fracos e subserviente com os poderosos (que, pela amostra, parecem não estar ainda satisfeitos…).
Há grandes vidas
"O Parlamento Europeu vai instituir um salário único para evitar diferenças de ordenado entre os deputados dos vários países. A nova regra beneficia, entre outros, os eurodeputados de Portugal. Os portugueses com assento no Parlamento Europeu vão passar a ganhar 7665 euros brutos, em vez dos 3815 euros que recebiam até agora. Ou seja, mais 3850 euros brutos por mês."
Caso para dizer que "quem parte e reparte e não fica com a melhor parte ou é tolo ou não percebe da arte"!
Manter as taxas… e os tachos!
As taxas impropriamente ditas moderadoras de cirurgia e internamento são absolutamente inaceitáveis e um atentado ao Serviço Nacional de Saúde por três ordens de razões:
- São inconstitucionais uma vez que o Artigo 64.º da Constituição da República garante que "o direito à protecção da saúde é realizado através de um serviço nacional de saúde universal e geral […] tendencialmente gratuito";
- As cirurgias e os internamentos são actos médicos que não dependem da vontade dos utentes; e
- O custo destas taxas revela-se já incomportável para uma parte significativa da população, designadamente os 20 por cento que vivem abaixo do limiar da pobreza.
Em resposta, para não ficar "do lado errado da história", o rebanho parlamentar "socialista" vai chumbar as propostas da oposição, alegando que é, pasme-se, para pôr fim às taxas em 2010!
Decididamente, o sectarismo, o partidarismo e a falta de sentido de Estado desta gente não têm limites!… Em nome da manutenção do Poder e dos tachos!…
Pois canté!
O ano passado, os lucros da Galp atingiram qualquer coisa como 478 milhões de euros. Para esta cifra muito contribuiu o crescimento de quase 200 por cento, correspondente a um aumento de 125 milhões, verificado no último trimestre do ano.
Estes resultados, verdadeiramente obscenos, devem-se ao abusivo aumento de 25 por cento das margens de refinação, mas sobretudo ao roubo — é o que se deve chamar-lhe — de 105 milhões de euros, proveniente da lentidão e do atraso deliberados no acerto dos preços pelos valores do mercado internacional.
Num mercado dominado pelo monopólio da distribuição e a cartelização das principais empresas de venda, com um governo e um regulador que falam mas não fazem nada, a privatização da Galp e a liberalização dos preços só podia dar nisto: somos um dos países da União Europeia onde os combustíveis são mais caros.
Estes resultados, verdadeiramente obscenos, devem-se ao abusivo aumento de 25 por cento das margens de refinação, mas sobretudo ao roubo — é o que se deve chamar-lhe — de 105 milhões de euros, proveniente da lentidão e do atraso deliberados no acerto dos preços pelos valores do mercado internacional.
Num mercado dominado pelo monopólio da distribuição e a cartelização das principais empresas de venda, com um governo e um regulador que falam mas não fazem nada, a privatização da Galp e a liberalização dos preços só podia dar nisto: somos um dos países da União Europeia onde os combustíveis são mais caros.
Os lucros da EDP, por seu turno, registaram, em 2008, um crescimento de 20 por cento, alcançando 1092 milhões de euros, valores apenas possíveis por sermos o quinto país da União Europeia onde a electricidade é mais cara. Apesar de, por via disso e devido à crise, os cortes no abastecimento por falta de pagamento serem cada vez mais frequentes.
E depois disto, ainda há quem tenha a distinta lata de afirmar de cátedra que a solução para a crise está no congelamento (ou mesmo na redução) dos salários!… Se foi a voragem capitalista e a especulação insaciável que a ela conduziram, "os ricos que paguem a crise", "pois canté"!
quinta-feira, março 05, 2009
O TPI é só para alguns?
O presidente do Sudão mandou o Tribunal Penal Internacional (TPI) "comer" o mandato de captura que visa levá-lo a julgamento pela alegada responsabilidade na morte violenta de 35 000 pessoas na região de Darfur. O Sudão não reconhece o TPI e afirma que nunca entregará Al-Bashir para que ele venha a ser julgado em Haia.
Ninguém deveria estar acima do Direito Internacional e todos os crimes de guerra, genocídios e violações dos Direitos Humanos deveriam ser implacavelmente julgados e exemplarmente punidos. Sobre isso não pode haver a mais pequena dúvida.
Porém, o que se verifica é que países considerados democráticos também não reconhecem o TPI e são, frequentemente, os primeiros a desrespeitar a ordem jurídica internacional, como acontece com os EUA, que só no Vietname e no Iraque fizeram mais de 3 milhões de vítimas mortais, e Israel que, durante cerca de sessenta anos já liquidou dezenas de milhares de palestinianos.
Se o TPI quer ser respeitado deve dar-se ao respeito. No Direito Internacional não pode haver dois pesos e duas medidas.
A direita não faz falta
A receita de José Silva Lopes para enfrentar a crise passa exclusivamente pelos salários: congelar os "normais" e reduzir os mais elevados. Dos lucros chorudos dos grandes capitalistas e das mais-valias obscenas dos especuladores não fala e da política fiscal, que poderia ser um precioso instrumento de correcção das desigualdades sociais e da mais injusta repartição de rendimento da União Europeia, nada diz.
O antigo governador do Banco de Portugal, que gosta de se autoproclamar de esquerda, afirma que “temos de adoptar medidas não ortodoxas”, mas a panaceia que propõe é do mais antipopular e ortodoxo que se poderia imaginar.
Com economistas destes e governos como o actual, a direita não faz falta.
quarta-feira, março 04, 2009
Reformas… ou revoluções?
Segundo um estudo da OCDE, daqui a 20 anos, com a aplicação do novo sistema de pensões, o valor das reformas dos trabalhadores seria pouco mais de metade do último salário auferido, desgraça que obviamente não atingiria as mordomias e prebendas dos gestores e encarregados de negócios do grande capital.
Afirmo seria porque este cenário assenta no pressuposto de uma normal evolução do sistema capitalista, a qual já não está a acontecer e muito provavelmente não mais será recuperada. A actual crise do capitalismo é sistémica e vai obrigar a uma mudança do paradigma económico e social. De preferência pela via reformista. Caso contrário, ante a miséria e o desespero, a sobrevivência da espécie humana conduzirá inevitavelmente a violentas convulsões sociais ou mesmo revoluções. Mais cedo ou mais tarde. Pólvora já há, cada vez mais.
Afirmo seria porque este cenário assenta no pressuposto de uma normal evolução do sistema capitalista, a qual já não está a acontecer e muito provavelmente não mais será recuperada. A actual crise do capitalismo é sistémica e vai obrigar a uma mudança do paradigma económico e social. De preferência pela via reformista. Caso contrário, ante a miséria e o desespero, a sobrevivência da espécie humana conduzirá inevitavelmente a violentas convulsões sociais ou mesmo revoluções. Mais cedo ou mais tarde. Pólvora já há, cada vez mais.
terça-feira, março 03, 2009
A jangada de pedra
A grande maioria dos portugueses acha que a segurança piorou em 2008. Talvez seja por isso que um em cada cinco tem uma arma e existem por aí cerca de um milhão e quatrocentas mil, ilegais.
Mas a insegurança começa já dentro de casa, com cortes cada vez mais frequentes no abastecimento de água e de electricidade por falta de pagamento, e passa pela falta de trabalho, com o desemprego a atingir mais de meio milhão de pessoas.
Se a tudo isto juntarmos o agravamento da injustiça social, o empobrecimento de uma parte significativa da população e o aumento da corrupção nos últimos quatro anos, facilmente se conclui que o cenário optimista que o primeiro-ministro tanto gosta de pintar está nos antípodas da realidade com que nos confrontamos.
Por este andar, esta jangada de pedra afasta-se cada vez mais da Europa desenvolvida, rumo ao Terceiro Mundo!…
Dois pesos, duas medidas
Muito eloquente e óbvia a promessa de Clinton de que os EUA apoiarão qualquer governo israelita. De resto, outra coisa não seria de esperar de quem apadrinhou e sustentou a fundação do estado sionista à custa da sistemática destruição da nação palestina.
Naturalmente que em relação à outra parte já não adopta semelhante posição, mesmo que o governo do Hamas tenha resultado de eleições tão democráticas e livres quanto as israelitas, e as suas acções terroristas, condenáveis, sem dúvida, sejam incomensuravelmente menos letais que o terrorismo devastador e genocida de Israel.
Ao mesmo tempo promete 900 milhões de dólares para reconstrução daquilo que os seus amigos espatifaram. É o preço para aliviar a má consciência. Aos milhares de vidas criminosamente ceifadas é que não há nada que os pague.
Daqui ninguém sai vivo
Não cometo qualquer exagero quando afirmo que o capitalismo está agónico. São cada vez mais devastadoras as evidências dessa realidade.
A História prepara-se para encerrar um capítulo a um tempo grandioso e vergonhoso.
Contra a ganância imoral de uma minoria, temos de ser capazes de construir um Futuro diferente, assente na solidariedade e na justiça social. Senão, como diria Jim Morrison, "daqui ninguém sai vivo"!
segunda-feira, março 02, 2009
A proletarização dos professores
O estabelecimento de quotas para as classificações mais elevadas — "Excelente" e "Muito Bom" — faz tanto sentido na avaliação do desempenho dos docentes (ou de outro qualquer grupo profissional) como na dos alunos, ou seja, nenhum.
Trata-se, com efeito, de uma grosseira violação do princípio constitucional da igualdade dos cidadãos perante a lei, na medida em que não garante que todos, sem excepção, obtenham a classificação correspondente ao seu efectivo desempenho profissional.
A avaliação, se isso lhe podemos chamar, com todo o cortejo de aberrações e enormidades que a constituem, não prossegue objectivos pedagógicos e formativos. É, isso sim, um filtro para proletarizar a maioria dos professores e, deste modo, reduzir os custos com a Educação.
domingo, março 01, 2009
O congresso da União Nacional
Descontando o PSD, mais preocupado com a pompa e circunstância do Conselho Europeu, toda a oposição foi unânime sobre o verdadeiro interesse do congresso do P"S".
O CDS considerou-o "decepcionante" e "com pouco para o futuro", o PCP afirma que ele serviu para "esconder a situação desgraçada a que o PS e o Governo conduziram o país", o Bloco de Esquerda diz que "os socialistas estão sem propostas que mobilizem os portugueses" e, para a CGTP, o "P"S" está "mais preocupado em manter poder do que em discutir o país".
O CDS considerou-o "decepcionante" e "com pouco para o futuro", o PCP afirma que ele serviu para "esconder a situação desgraçada a que o PS e o Governo conduziram o país", o Bloco de Esquerda diz que "os socialistas estão sem propostas que mobilizem os portugueses" e, para a CGTP, o "P"S" está "mais preocupado em manter poder do que em discutir o país".
Por mais incrível que pareça, todos têm razão.
Tratou-se apenas de um ritual para exorcizar a campanha negra da comunicação social, um Te Deum de acção de graças ao querido líder José Chico-Esperto Sócrates. A lembrar os tempos do "orgulhosamente sós" da União Nacional salazarista.
A corrupção compensa
Processos de enriquecimento ilícito arquivados por falta de provas e carência de meios? Condenações por corrupção activa com penas de 5 mil euros? Não haja dúvidas de que, em Portugal, há um certo tipo de crime que compensa. E muito.Maria José Morgado diz aquilo de que todos nós já suspeitávamos, que as leis favorecem a corrupção. E o P"S", que em 2007 impediu a criminalização na lei portuguesa do ‘enriquecimento ilícito’, como propunha João Cravinho, afasta-o da vez da Comissão Nacional. Antes que ele se lembrasse de voltar à carga.
Corruptores activos e passivos podem dormir descansados com o actual poder político.
Portugal às escuras
- Quem faz parte de um partido em que muitos dos seus mais destacados dirigentes e militantes, mascarados de socialistas, outra coisa não têm feito senão aproveitar-se da política para tratar da vidinha — julgo não ser preciso citar nomes… — não tem qualquer autoridade moral para acusar outros, sem qualquer fundamento, de usarem máscara e serem parasitas. Antes de falarem, deveriam ver-se ao espelho…
- José Sócrates pediu uma nova maioria absoluta e definiu o combate ao desemprego como a primeira prioridade da sua governação.
Seria bom que os portugueses se lembrassem que, há quatro anos, ele também promete, entre outras coisas, criar 150 000 novos postos de trabalho e o que hoje temos é mais de meio milhão de desempregados.
É claro que tirar uma licenciatura por fax ou comprar uma casa por metade do preço é bem mais fácil do que resolver os problemas do país mas do que nós verdadeiramente precisamos é de um primeiro-ministro e não de um chico-esperto. - Há uma esquerda no P"S"? Tenho sérias dúvidas…
Não basta cantar a liberdade como ninguém. Mais do que uma palavra, a liberdade é uma afirmação, um exercício, uma luta permanente (mesmo que silenciosa). - O governo autocrático de Sócrates interrompeu o normal funcionamento da democracia e agravou as condições de vida dos portugueses. A isto chamo eu um apagão. De que brevemente nos livraremos, espero.
sábado, fevereiro 28, 2009
A agonia do capitalismo
A crise é só para alguns. 2008 foi um ano negro para o sector automóvel, mas a Rolls Royce conseguiu […] o melhor ano de vendas em toda a sua história. [Diário Económico]A crise em que estamos literalmente mergulhados é, muito mais do que financeira e económica, social. Pode mesmo vir a ser mais radical que a Grande Depressão de 1929. Por isso muitos a consideram uma crise sistémica. Com ela, o sistema capitalista e a actual (des)ordem económica internacional têm os dias contados. Mais tarde ou mais cedo, a bem ou a mal. Metade da humanidade a (sobre)viver abaixo do limiar da pobreza e ultrajes como o que a notícia relata reclamam-no.
sexta-feira, fevereiro 27, 2009
Viva o Estado de Direito
Violar a Lei e não cumprir ordens judiciais pode, deve, tem de acarretar consequências. Mais ainda quando o infractor é o próprio Estado ou quem o representa. Ainda por cima, de forma incompetente e arbitrária.
Lamentavelmente, às vezes, demasiadas vezes, o Estado de Direito não funciona devidamente. Ainda bem que neste caso tal não aconteceu.
Lamentavelmente, às vezes, demasiadas vezes, o Estado de Direito não funciona devidamente. Ainda bem que neste caso tal não aconteceu.
De cavalo para burro
"Entre 2000 e 2004, portanto nos quatro anos anteriores a Sócrates, a população empregada com o ensino básico ou menos diminuiu em Portugal em 200,4 mil, ou seja, à média de 50,1 mil por ano; e a população com o ensino secundário aumentou em 98,4 mil (24,6 mil por ano) e a com o ensino superior cresceu em 204 mil (51 mil por ano). No período 2004-2008, ou seja, nos quatro anos de governo de Sócrates, a população empregada com o ensino básico ou menos, diminuiu apenas em 119,2 mil (29,8 mil por ano), a com ensino secundário aumentou em 93,9 mil (23,5 mil por ano), e a com ensino superior cresceu em 100,3 mil (25,1 mil por ano). Isto significa que Portugal para atingir um nível de escolaridade semelhante ao que tinham os países da OCDE e da UE em 2006, ou seja, a população com um nível de escolaridade igual ou inferior ao básico completo representar apenas 31%, precisaria de 29 anos ao ritmo anterior à entrada em funções do governo de Sócrates, e de 51 anos ao ritmo de diminuição da população com o ensino básico ou menos verificada durante os quatro anos de governo de Sócrates. É claro o retrocesso com Sócrates.
O fracasso da reforma de ensino do governo de Sócrates e a desorganização que ela tem provocado em todo o sistema levou este governo a uma fuga para a frente. O governo de Sócrates criou um programa a que chamou "Novas Oportunidades" que tem como objectivo dar milhares de diplomas do 12º ano.
É desta forma que o governo pretende alterar as estatísticas sobre o baixo nível de escolaridade da população empregada, e isso é o que parece ser mais importante para este governo, preocupando-se pouco com os efeitos que isso poderá ter futuramente no processo de desenvolvimento do País." (Eugénio Rosa, em resistir.info)
Caso para concluir que, por mais loas que alguns teçam à política educativa de José Sócrates, com o senhor engenheiro andamos de cavalo para burro (salvo seja).
E quanto à farsa das "Novas Oportunidades", outra coisa não seria de esperar de um chico esperto que obteve uma licenciatura recorrendo aos subterfúgios que todos sabemos.
quinta-feira, fevereiro 26, 2009
EUA, uma república das bananas?
"Ao continuar a apoiar os instrumentos do Tesouro americano, a China reconhece a nossa interdependência. Claramente, vamos sair disto juntos ou cair juntos".
Palavras de Hillary Clinton, que pediu à China, que é a primeira detentora de títulos do Tesouro norte-americano, para continuar a comprá-los , numa altura em que a maior economia mundial enfrenta o crescimento da sua gigantesca dívida , há muito tempo financiada pelo investimento de países estrangeiros em obrigações emitidas pela Reserva Federal americana (FED).
Porém, há quem pense que não só a China, mas também o Japão e a Arábia Saudita, países que detêm quantidades enormes de títulos da dívida do Tesouro dos EUA, querem é vendê-los antes que desvalorizem ainda mais. E, como os americanos já não conseguem poupar, só resta à FED imprimir "nota verde" para comprar Títulos do Tesouro e, desse modo, financiar a Administração.
Quando isto acontecer — e receio que não falte muito — o dólar americano deixará de ser divisa de reserva, deixará de ter valor, passará a divisa de uma "república das bananas".
Os EUA deixarão de poder pagar as importações, um problema grave para um país dependente de energia, bens manufacturados e produtos de tecnologia avançada. [cf. Paul Craig Roberts, aqui]
Pensam que isto é ficção? Os próximos meses, sim meses, encarregar-se-ão de mostrar que é muito ténue a fronteira entre a ficção e a realidade.
Palavras de Hillary Clinton, que pediu à China, que é a primeira detentora de títulos do Tesouro norte-americano, para continuar a comprá-los , numa altura em que a maior economia mundial enfrenta o crescimento da sua gigantesca dívida , há muito tempo financiada pelo investimento de países estrangeiros em obrigações emitidas pela Reserva Federal americana (FED).
Porém, há quem pense que não só a China, mas também o Japão e a Arábia Saudita, países que detêm quantidades enormes de títulos da dívida do Tesouro dos EUA, querem é vendê-los antes que desvalorizem ainda mais. E, como os americanos já não conseguem poupar, só resta à FED imprimir "nota verde" para comprar Títulos do Tesouro e, desse modo, financiar a Administração.
Quando isto acontecer — e receio que não falte muito — o dólar americano deixará de ser divisa de reserva, deixará de ter valor, passará a divisa de uma "república das bananas".
Os EUA deixarão de poder pagar as importações, um problema grave para um país dependente de energia, bens manufacturados e produtos de tecnologia avançada. [cf. Paul Craig Roberts, aqui]
Pensam que isto é ficção? Os próximos meses, sim meses, encarregar-se-ão de mostrar que é muito ténue a fronteira entre a ficção e a realidade.
O governo do "povo" (leia-se polvo)
Ao fim de quatro anos de governo-Sócrates o desemprego atinge 574 200 portugueses, dos quais, apenas 262 300 recebem o correspondente subsídio.
Mesmo considerando que estamos perante uma crise económica generalizada, para quem apregoou que durante esta legislatura iria criar 150 000 novos postos de trabalho, trata-se de um resultado pouco menos do que catastrófico, tanto mais inaceitável quão criminosa é a forma como têm sido esbanjados milhões do erário público para colmatar as obscuras negociatas de banqueiros sem escrúpulos e cobrir os prejuízos dos especuladores.
E diz José Sócrates que o P"S" é o partido socialista da esquerda popular! Olha se não fosse…
Mesmo considerando que estamos perante uma crise económica generalizada, para quem apregoou que durante esta legislatura iria criar 150 000 novos postos de trabalho, trata-se de um resultado pouco menos do que catastrófico, tanto mais inaceitável quão criminosa é a forma como têm sido esbanjados milhões do erário público para colmatar as obscuras negociatas de banqueiros sem escrúpulos e cobrir os prejuízos dos especuladores.
E diz José Sócrates que o P"S" é o partido socialista da esquerda popular! Olha se não fosse…
terça-feira, fevereiro 24, 2009
Já bastaram 48 anos de censura!
Depois da proibição do Ministério Público a uma sátira do Carnaval de Torres Vedras ao Magalhães, por causa de um minúsculo autocolante com umas mulheres vagamente desnudadas (proibição que, de tão ridícula que foi, haveria de ser levantada), foi agora a vez da polícia de Braga invadir uma feira de livros e apreender alguns exemplares em cuja capa é reproduzido o quadro "A Origem do Mundo", do pintor realista Gustave Courbet, os quais, para os zelosos agentes, mais não são do que material pornográfico, pelos vistos, mais ofensivo que o estendal de revistas, essas sim, efectivamente pornográficas, que se vendem na maioria dos quiosques do país.
É certo que estamos numa quadra propícia a este tipo de palhaçadas (sem qualquer ofensa aos verdadeiros palhaços, cuja arte aprecio). No entanto, porque já vi este filme noutros tempos, não posso deixar de ficar inquieto. É que não aceito de forma alguma que ignorantes, fardados ou não, se arvorem em polícias de costumes e guardiões da moral pública. Já bastaram 48 anos de censura!
É certo que estamos numa quadra propícia a este tipo de palhaçadas (sem qualquer ofensa aos verdadeiros palhaços, cuja arte aprecio). No entanto, porque já vi este filme noutros tempos, não posso deixar de ficar inquieto. É que não aceito de forma alguma que ignorantes, fardados ou não, se arvorem em polícias de costumes e guardiões da moral pública. Já bastaram 48 anos de censura!
segunda-feira, fevereiro 23, 2009
O que faz falta é acordar a malta
A carta que há dois anos escrevi ao Zeca, com as palavras que ele nos deixou, permanece dolorosamente actual.
Ele bem queria que esta fosse uma terra da fraternidade mas, vinte e dois anos depois do seu falecimento (e trinta e cinco após Abril), por cá, quem trepa no coqueiro é o rei e os vampiros continuam a chupar o sangue fresco da manada.
Num tempo em que a injustiça social é mais aguda que nunca e a democracia jamais esteve tão adormecida, o que faz falta é acordar a malta.
Estarás sempre connosco, Zeca Afonso!
Ele bem queria que esta fosse uma terra da fraternidade mas, vinte e dois anos depois do seu falecimento (e trinta e cinco após Abril), por cá, quem trepa no coqueiro é o rei e os vampiros continuam a chupar o sangue fresco da manada.
Num tempo em que a injustiça social é mais aguda que nunca e a democracia jamais esteve tão adormecida, o que faz falta é acordar a malta.Estarás sempre connosco, Zeca Afonso!
domingo, fevereiro 22, 2009
Não basta ser sério, é preciso parecê-lo!
Primeiro, a história mal contada da licenciatura por fax. Depois, a telenovela do licenciamento relâmpago do Freeport, as cunhas do tio Júlio e o misterioso desaparecimento de quatro milhões de euros, de luvas. E a assinatura de projectos de moradias, feitos por outros, na Câmara da Guarda. E mais a compra do andar da mãe numa empresa sediada num paraíso fiscal. E ainda a declaração do prédio onde mora por um valor muito inferior ao seu verdadeiro preço. E agora a nomeação de homens de confiança nos cargos mais diversos criando uma rede tentacular de influência. Enfim, cada cavadela, cada minhoca — num país onde a Justiça é lenta e frouxa perante os fortes, ainda bem que a imprensa é livre e corajosa!
Depois de todos estes indícios — e a procissão ainda vai no adro — José Sócrates até pode nem vir a ser constituído arguido e, muito menos, condenado do que quer que seja, mas além de já ser tido por mentiroso, de uma coisa não se livrará mais: a suspeita de um comportamento falho de seriedade e de transparência. E a um primeiro-ministro, como à mulher de César, não basta ser sério, é preciso parecê-lo!
Depois de todos estes indícios — e a procissão ainda vai no adro — José Sócrates até pode nem vir a ser constituído arguido e, muito menos, condenado do que quer que seja, mas além de já ser tido por mentiroso, de uma coisa não se livrará mais: a suspeita de um comportamento falho de seriedade e de transparência. E a um primeiro-ministro, como à mulher de César, não basta ser sério, é preciso parecê-lo!
É bom mas não chega!
Na maioria dos casos, as escolas portuguesas não são propriamente locais confortáveis e seguros. No inverno, tirita-se de frio, no verão, assa-se com o calor, e durante todo o ano, as coberturas de amianto põem em risco a saúde de quantos lá estudam ou trabalham.
Mas a sua requalificação, que há muito urgia, vai finalmente acontecer. É bom.
Mesmo que seja apenas a pretexto do combate à crise e ao desemprego.
Mesmo que as obras, decorrendo numa altura crítica do calendário escolar, venham a perturbar, inevitavelmente, as condições de trabalho de alunos e professores.
Mesmo que tudo isto, incluindo a necessária renovação de equipamentos e difusão de novas tecnologias, de nada valha se não for acompanhado de uma política educativa baseada no rigor e exigência das aprendizagens e na valorização dos recursos humanos.
É que, por mais Magalhães que se distribua às crianças, por maior que seja o choque tecnológico, por mais modernas que sejam as nossas escolas, se os professores continuarem a ser desautorizados, ofendidos, humilhados, a Escola Pública não terá futuro. Com tudo o que isso representaria de trágico para o país.
Mas a sua requalificação, que há muito urgia, vai finalmente acontecer. É bom.
Mesmo que seja apenas a pretexto do combate à crise e ao desemprego.
Mesmo que as obras, decorrendo numa altura crítica do calendário escolar, venham a perturbar, inevitavelmente, as condições de trabalho de alunos e professores.
Mesmo que tudo isto, incluindo a necessária renovação de equipamentos e difusão de novas tecnologias, de nada valha se não for acompanhado de uma política educativa baseada no rigor e exigência das aprendizagens e na valorização dos recursos humanos.
É que, por mais Magalhães que se distribua às crianças, por maior que seja o choque tecnológico, por mais modernas que sejam as nossas escolas, se os professores continuarem a ser desautorizados, ofendidos, humilhados, a Escola Pública não terá futuro. Com tudo o que isso representaria de trágico para o país.
sexta-feira, fevereiro 20, 2009
P"S", do lado errado da história
António Arnault, socialista convicto (uma espécie em vias de extinção, como já aqui referi) que ainda mantém o vínculo ao partido que ajudou a criar e fundador (e utente, como orgulhosamente confessa) do Serviço Nacional de Saúde, defendeu ontem à noite na SIC Notícias, com a frontalidade que o caracteriza, a extinção das taxas moderadoras:
As reacções não se fizeram esperar.
O líder do rebanho parlamentar do P"S", dando uma no cravo e outra na ferradura, admitiu a necessidade de discutir a questão das taxas moderadoras, mas classifica as propostas da oposição para a sua revogação como "medidas políticas para criar dificuldades ao Governo". Alberto Martins, que certamente não é utente do SNS, esquece que as taxas moderadoras são, elas sim, medidas políticas que criam dificuldades à população.
Já a Ministra da Saúde, seguindo a táctica habitual do governo de ignorar as críticas e os protestos, não comenta o apelo de Arnaut e insiste que "os portugueses têm que perceber que a saúde é muito cara". Como se os mais pobres, que são cada vez em maior número e não suportam o pagamento das taxas, o não tivessem já percebido há muito tempo!
Enfim, tenho muitas dúvidas que as palavras de António Arnault encontrem eco em políticos desta estirpe. Este P"S" há muito que está "do lado errado da história"!
"Faço um apelo veemente à direcção do grupo parlamentar do PS e a todos os deputados para que votem a eliminação das taxas moderadoras respeitantes a cirurgias e internamento [porque] não constituem, verdadeiramente, taxas moderadoras [mas antes] uma forma de co-pagamento, interdito pela Constituição da República."E acrescentou:
"Não gostaria de ver o meu partido ficar do lado errado da história, num tempo de tantas dificuldades para a grande maioria dos portugueses e quando se aproxima o 30.º aniversário do SNS, de cuja criação se deve orgulhar."
As reacções não se fizeram esperar.
O líder do rebanho parlamentar do P"S", dando uma no cravo e outra na ferradura, admitiu a necessidade de discutir a questão das taxas moderadoras, mas classifica as propostas da oposição para a sua revogação como "medidas políticas para criar dificuldades ao Governo". Alberto Martins, que certamente não é utente do SNS, esquece que as taxas moderadoras são, elas sim, medidas políticas que criam dificuldades à população.
Já a Ministra da Saúde, seguindo a táctica habitual do governo de ignorar as críticas e os protestos, não comenta o apelo de Arnaut e insiste que "os portugueses têm que perceber que a saúde é muito cara". Como se os mais pobres, que são cada vez em maior número e não suportam o pagamento das taxas, o não tivessem já percebido há muito tempo!
Enfim, tenho muitas dúvidas que as palavras de António Arnault encontrem eco em políticos desta estirpe. Este P"S" há muito que está "do lado errado da história"!
Assim se "respeita" a autonomia das escolas!…
A Direcção Regional de Educação do Norte (DREN) contrariou hoje uma decisão do Conselho Pedagógico do Agrupamento de Escolas de Paredes de Coura – que decidira fazer a festa de carnaval dentro do estabelecimento – e ordenou ao Conselho Executivo que convoque os professores para fazerem o desfile pelas ruas, amanhã à tarde.Em tempo, esta imposição da grotesca popota não é apenas um abusivo atentado à autonomia das escolas. Pior do que isso, é um acto absolutamente prepotente e discricionário, inaceitável numa sociedade que se pretende democrática. Mesmo que seja Carnaval.
quinta-feira, fevereiro 19, 2009
Falta pouco para chegarmos ao Brasil!
Em 2005, o Banco Mundial asseverava que, não fora a corrupção que existe no nosso país e Portugal poderia atingir o nível de desenvolvimento da Finlândia.
Acontece que, lamentavelmente, este verdadeiro crime de lesa-sociedade tem vindo a grassar de tal forma que, de 2005 a 2008, Portugal caiu do 26.º para o 32.º lugar da lista da Transparency International.
É provável que o fenómeno radique no défice de educação e cidadania da nossa população em relação aos nórdicos mas do que não há dúvida é que alguns dos nossos governantes e homens de negócios não são propriamente exemplos de transparência ou mesmo seriedade. Basta recordar os casos em que se envolveram alguns Presidentes de Câmaras Municipais, banqueiros e gestores, e até o Primeiro-Ministro.
E a Justiça, que poderia e deveria dar um decisivo contributo para combater o flagelo, arrasta penosamente os processos, que acabam quase sempre por ser arquivados, enquanto o Ministério Público, em vez de atacar o que devia, se preocupa sobretudo com as fugas de informação para a imprensa e, chega ao ridículo de censurar manifestações carnavalescas!
Com tanto carnaval ao longo do ano, em vez de nos aproximarmos da Finlândia, qualquer dia estamos é ao nível do Brasil!
Chocante
Em Portugal, a maioria dos pais não educa os filhos. Porque não sabe fazê-lo, não está para se maçar com isso ou não arranja tempo para tal. Limita-se a despejá-los na Escola, raramente lá indo informar-se da sua aprendizagem. Alguns mais depressa lá passam para insultar ou esmurrar professores, prática infelizmente cada vez mais corrente num país cujo nível de educação e cidadania é inversamente proporcional ao número de telemóveis e computadores que as pessoas ostentam, onde o Estado, em vez de defender e valorizar os docentes enquanto pilares insubstituíveis da Educação, os desautoriza, humilha e vilipendia.
Assim, não há choque tecnológico que nos valha. Que vai ser das novas gerações?
quarta-feira, fevereiro 18, 2009
Façamos de conta…
Os envolvidos no caso Freeport estão a prestar declarações no Departamento de Investigação e de Acção Penal (DCIAP) sobre o eventual pagamento de luvas para o licenciamento do outlet de Alcochete. Mas, se pensam que se trata de José Sócrates ou, ao menos, de Manuel Pedro, Charles Smith ou Júlio Monteiro, tio do Primeiro-Ministro, desenganem-se. Portugal é o país do faz-de-conta. Por isso, como ironiza Mário Crespo, "façamos de conta"…
Afinal, Manuel Pedro e Charles Smith foram mesmo interrogados pelo Ministério Público, da parte da manhã, e à tarde, foi a vez de prestar declarações o tio do Primeiro-Ministro.
Últimos capítulos da telenovela Freeportgate
Afinal, Manuel Pedro e Charles Smith foram mesmo interrogados pelo Ministério Público, da parte da manhã, e à tarde, foi a vez de prestar declarações o tio do Primeiro-Ministro.
À saída do tribunal, Júlio Monteiro jurou a pés juntos que não foi constituído arguido mas a verdade é que o processo já tem arguidos.
O Zézito, como é tratado pelo tio Júlio, é que não pode ouvir os jornalistas falar em "Freeport". Foge deles como o diabo da cruz!…
Aguardemos pelos próximos capítulos mas não alimentemos demasiadas expectativas. É que o histórico do combate que (não) tem sido feito à corrupção no nosso país não nos deixa muito optimistas.
Imitar o pior
Entre os vinte e sete países da União Europeia, somos o que regista a maior desigualdade na repartição do rendimento, ou seja, aquele onde os ricos são mais ricos e os pobres são mais pobres (cf. Eurostat).
Agora, segundo as Nações Unidas, somos o país com a mais alta taxa de homicídios da Europa Ocidental.
Caso para concluir que, desgraçadamente, Portugal imita o pior da América!
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