Não se vê, portanto, que da sua delirante cartola possa tirar mais do que as cobras e lagartos que habitualmente diz daqueles que não estão dispostos a alinhar na sua palhaçada eleitoralista.
O espectáculo promete.
"Se eu não concordar com o programa eleitoral do PS, não me candidato a deputado. Se não concordar com a declaração de princípios do PS, não estou lá a fazer nada." (11/03/2009)
"O camarada Manuel Alegre sabe que o único propósito da direcção do PS é contar com ele, como sempre contou, como uma voz crítica, como uma voz incómoda, como uma figura de referência do PS e alguém que está sempre na primeira linha para defender os valores que caracterizam o PS." (13/03/2009)Estas duas declarações, ambas referidas a Manuel Alegre, a primeira, sugerindo que ele não deve ser candidato pelo P"S" ou sequer continuar no partido, e a segunda, afirmando claramente que a direcção do P"S" conta com o "camarada Alegre" como sempre contou, parecem ter sido proferidas por diferentes personagens mas, por incrível que pareça, devem-se a uma e à mesma pessoa, que precisou apenas de dois (!) dias para mudar radicalmente de opinião.
"A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar" Eduardo Galeano

Processos de enriquecimento ilícito arquivados por falta de provas e carência de meios? Condenações por corrupção activa com penas de 5 mil euros? Não haja dúvidas de que, em Portugal, há um certo tipo de crime que compensa. E muito.Maria José Morgado diz aquilo de que todos nós já suspeitávamos, que as leis favorecem a corrupção. E o P"S", que em 2007 impediu a criminalização na lei portuguesa do ‘enriquecimento ilícito’, como propunha João Cravinho, afasta-o da vez da Comissão Nacional. Antes que ele se lembrasse de voltar à carga.
Corruptores activos e passivos podem dormir descansados com o actual poder político.
A crise é só para alguns. 2008 foi um ano negro para o sector automóvel, mas a Rolls Royce conseguiu […] o melhor ano de vendas em toda a sua história. [Diário Económico]A crise em que estamos literalmente mergulhados é, muito mais do que financeira e económica, social. Pode mesmo vir a ser mais radical que a Grande Depressão de 1929. Por isso muitos a consideram uma crise sistémica. Com ela, o sistema capitalista e a actual (des)ordem económica internacional têm os dias contados. Mais tarde ou mais cedo, a bem ou a mal. Metade da humanidade a (sobre)viver abaixo do limiar da pobreza e ultrajes como o que a notícia relata reclamam-no.
"Entre 2000 e 2004, portanto nos quatro anos anteriores a Sócrates, a população empregada com o ensino básico ou menos diminuiu em Portugal em 200,4 mil, ou seja, à média de 50,1 mil por ano; e a população com o ensino secundário aumentou em 98,4 mil (24,6 mil por ano) e a com o ensino superior cresceu em 204 mil (51 mil por ano). No período 2004-2008, ou seja, nos quatro anos de governo de Sócrates, a população empregada com o ensino básico ou menos, diminuiu apenas em 119,2 mil (29,8 mil por ano), a com ensino secundário aumentou em 93,9 mil (23,5 mil por ano), e a com ensino superior cresceu em 100,3 mil (25,1 mil por ano). Isto significa que Portugal para atingir um nível de escolaridade semelhante ao que tinham os países da OCDE e da UE em 2006, ou seja, a população com um nível de escolaridade igual ou inferior ao básico completo representar apenas 31%, precisaria de 29 anos ao ritmo anterior à entrada em funções do governo de Sócrates, e de 51 anos ao ritmo de diminuição da população com o ensino básico ou menos verificada durante os quatro anos de governo de Sócrates. É claro o retrocesso com Sócrates.
O fracasso da reforma de ensino do governo de Sócrates e a desorganização que ela tem provocado em todo o sistema levou este governo a uma fuga para a frente. O governo de Sócrates criou um programa a que chamou "Novas Oportunidades" que tem como objectivo dar milhares de diplomas do 12º ano.
É desta forma que o governo pretende alterar as estatísticas sobre o baixo nível de escolaridade da população empregada, e isso é o que parece ser mais importante para este governo, preocupando-se pouco com os efeitos que isso poderá ter futuramente no processo de desenvolvimento do País." (Eugénio Rosa, em resistir.info)
É certo que estamos numa quadra propícia a este tipo de palhaçadas (sem qualquer ofensa aos verdadeiros palhaços, cuja arte aprecio). No entanto, porque já vi este filme noutros tempos, não posso deixar de ficar inquieto. É que não aceito de forma alguma que ignorantes, fardados ou não, se arvorem em polícias de costumes e guardiões da moral pública. Já bastaram 48 anos de censura!
Num tempo em que a injustiça social é mais aguda que nunca e a democracia jamais esteve tão adormecida, o que faz falta é acordar a malta."Faço um apelo veemente à direcção do grupo parlamentar do PS e a todos os deputados para que votem a eliminação das taxas moderadoras respeitantes a cirurgias e internamento [porque] não constituem, verdadeiramente, taxas moderadoras [mas antes] uma forma de co-pagamento, interdito pela Constituição da República."E acrescentou:
"Não gostaria de ver o meu partido ficar do lado errado da história, num tempo de tantas dificuldades para a grande maioria dos portugueses e quando se aproxima o 30.º aniversário do SNS, de cuja criação se deve orgulhar."
A Direcção Regional de Educação do Norte (DREN) contrariou hoje uma decisão do Conselho Pedagógico do Agrupamento de Escolas de Paredes de Coura – que decidira fazer a festa de carnaval dentro do estabelecimento – e ordenou ao Conselho Executivo que convoque os professores para fazerem o desfile pelas ruas, amanhã à tarde.Em tempo, esta imposição da grotesca popota não é apenas um abusivo atentado à autonomia das escolas. Pior do que isso, é um acto absolutamente prepotente e discricionário, inaceitável numa sociedade que se pretende democrática. Mesmo que seja Carnaval.