sábado, maio 03, 2008

Acabem com a "mama" no SNS!

A Inspecção-Geral de Saúde descobriu que, no Hospital de S. João, no Porto, estavam a ser feitas cirurgias estéticas às mamas de funcionárias do próprio hospital. Algumas estavam mesmo inscritas como doentes na lista de espera do serviço, enquanto outras eram chamadas para a cirurgia quando faltava um doente para outra operação.

É uma situação de descarado oportunismo e manifesto aproveitamento, tanto mais inaceitável por se verificar num país em que muitos doentes chegam a esperar durante largos meses, quiçá anos, por uma cirurgia, na maioria dos casos, bem mais importante do que as que a notícia refere.
E não adianta o senhor Bastonário da Ordem dos Médicos, tão pressuroso na crítica aos autarcas que têm recorrido a Cuba para resolver rapidamente os problemas oftalmológicos dos seus munícipes, vir agora defender que cabe a cada médico ou, em última análise, ao director de serviço, decidir o que se faz. Não quero acreditar que seja por se tratar de um caso de mamas…
Certo é que estamos perante a utilização de um serviço público, que é de todos, em benefício de alguns, de uma situação de intolerável e abjecta imoralidade, de um verdadeiro atentado à deontologia profissional. Que a Ordem dos Médicos, mais do que todos, deveria condenar.

A palhaçada

Supostamente, este seria um vídeo humorístico. Porém, depois de vê-lo fica-se sem vontade de rir.
Realmente, na escola actual, onde o trabalho deu lugar à diversão e a exigência foi substituída pelo laxismo, a aula torna-se um circo. E o professor, um palhaço.
Mas esta palhaçada vai acabar mal. Sem Educação, um país não tem futuro!

sexta-feira, maio 02, 2008

Os portugueses estão na "merda" e gostam

Ao cabo de três anos de governança do Partido (impropriamente designado de) Socialista, o panorama do nosso país não podia continuar a ser mais negro: dois milhões de pobres, mais de meio milhão de desempregados, emprego cada vez mais instável e precário, agravamento da carestia de vida, endividamento familiar crescente, serviços de saúde cada vez mais caros e demorados, educação desqualificada por uma cultura de facilitismo e desautorização dos professores, justiça inoperante, corrupção terceiromundista, promiscuidade escandalosa entre o poder político e a finança.

Apesar disto, segundo esta sondagem, se as eleições fossem agora, o Partido Socialista estaria à beira de renovar a sua maioria absoluta, que tão bons resultados tem conseguido.
Os portugueses não querem nada com o PSD. Compreendo-os. Trata-se de um saco de gatos onde cada um parece mais preocupado com a sua carreira política e a sua vidinha do que com os problemas do país. Ao fim e ao cabo, juntamente com o PS, o partido é responsável pela situação a que chegámos, ao fim de trinta anos de suposta alternância.
O que estranho (ou talvez não…) é a aversão aos comunistas. Parece-me ser um caso do foro psicopatológico. Provavelmente continuam a pensar que eles comem criancinhas ao pequeno almoço!…
E em relação ao Bloco, o argumento costumeiro: têm razão mas não têm credibilidade (ouve-se)!
Votar branco, ignoram o que significa (não leram Ensaio sobre a Lucidez, de Saramago). Não sabem que têm nas mãos a vassoura que poderia varrer o lixo que conspurca a nossa democracia.

Enfim, os portugueses estão na merda, não há dúvidas. Mas, pior do que isso, parece que gostam!…

quinta-feira, maio 01, 2008

1.º de Maio é todos os dias!

Que país é este, com mais de meio milhão de desempregados, emprego precário com recurso ao uso e abuso da contratação a recibo verde, carestia de vida com aumentos escandalosos e sucessivos dos combustíveis e dos produtos alimentares, dois milhões de pobres e muitas famílias endividadas a sobreviver graças à solidariedade do Banco Alimentar, da AMI e de outras organizações???
Que país é este, em que, ao mesmo tempo, banqueiros e capitalistas engordam as suas fortunas imorais, onde boa parte dos governantes e dos políticos se preocupa sobretudo em tratar da sua vidinha e onde, segundo o Eurostat, se regista a maior desigualdade entre ricos e pobres da União Europeia???
Obviamente não estamos a falar do Zimbabwe. Trata-se do nosso país, Portugal. Ao fim de trinta anos de governança de um bloco central de interesses, de partidos que, da social-democracia e do socialismo, apenas usam, abusiva e indevidamente, o nome.

Hoje é o 1.º de Maio, dia dos trabalhadores, momento de evocação e, em muitos casos, de festa. Mas os portugueses não têm razões para pôr foguetes. Pelo contrário, com um governo que se prepara para aprovar um novo código laboral, com o objectivo de flexibilizar os despedimentos e legalizar a precariedade do emprego (em nome de uma suposta competitividade das empresas), só lhes resta mesmo lutar. Hoje e em cada um dos dias do ano. E ajustar contas, na primeira oportunidade, com quem há muito os anda a enganar.

sexta-feira, abril 25, 2008

25 de Abril, sempre!…

Contra o esquecimento, é preciso recordar Abril! E, mais do que isso, é urgente resgatá-lo! Em nome da nossa sobrevivência colectiva.


Grândola Vila Morena: liturgia de Sara Tavares!
Ou, de como não se dá pela falta das palavras quando elas estão
gravadas na nossa memória!…

domingo, abril 20, 2008

Só podemos confiar em nós!

Quando toca a marchar, muitos não sabem que o inimigo marcha à sua frente.
Cartilha de Guerra Alemã, Bertolt Brecht

Travámos uma das lutas mais participadas e intensas de que há memória. Estivemos unidos e mobilizados como nunca. Fizemos a mais grandiosa manifestação de professores que alguma vez aconteceu. Conquistámos as atenções da comunicação social e conseguimos a simpatia da maior parte dos fazedores de opinião. Toda a oposição política, da direita à esquerda, e mesmo algumas personalidades do partido do poder, estiveram connosco. Pusemos o Primeiro-Ministro à beira de um ataque de nervos e a Ministra da Educação com a demissão à vista. Em suma, tivemos tudo para vencer o combate e, afinal, acabámos por morrer na praia.
Quem ganhou em toda a linha foi Sócrates. Segurou Maria de Lurdes Rodrigues e mantém, no essencial, a sua política educativa e o seu modelo de avaliação. Por isso, canta vitória.
Nós, pelo contrário, temos é razões para estar desiludidos, indignados, revoltados. Não apenas porque nenhum dos principais objectivos da nossa luta foi alcançado mas, sobretudo, por termos sido utilizados como moeda de troca e vergonhosamente traídos. De forma calculista, ignóbil, pérfida. Ao mais alto nível, como aqui é relatado.
Caso para perguntar: com dirigentes destes quem precisa de inimigos?
Infelizmente, só podemos confiar em nós. É o que iremos fazer!

sexta-feira, abril 18, 2008

Os ricos que paguem a crise!

Há por aí no planeta (sobretudo nos Estados Unidos e na Europa) uns 10 biliões de US dólares que não valem mais do que as notas do meu Monopólio de infância. Todos os que possuem tais "activos-fantasmas" querem ver-se livres deles, mas não sabem como! Procuram activos de carne e osso onde fundir os seus ficheiros electrónicos desprovidos de qualquer valor, mas este tipo de realidade escapa-se-lhes como enguias. O G7 anda de cabeça perdida e o FMI, tal como o Banco Mundial, estão falidos. Vendem ouro, despedem pessoal, fazem apelos patéticos sobre a trampa que eles próprios criaram, em suma caminham, a par da Reserva Federal americana, para a lata do lixo da história das instituições financeiras do imperialismo saído da segunda guerra mundial. Até que enfim! Entretanto, para sofrermos menos do que o previsível, há que estar atentos e denunciar todas as manobras em curso visando despejar o fardo do colapso nas costas de quem trabalha honestamente. Não devemos confundir a criação de riqueza com as dona-branquices piramidais, com a corrupção dos Estados, nem com a corja que inventou a especulação financeira como estratégia de exploração e expropriação do valor produzido pela maioria da humanidade. OS RICOS QUE PAGUEM A CRISE!

A direita não perdeu o seu líder

Com o P"S" (Partido de Sócrates) a governar da forma que era suposto caber aos partidos da direita, compreende-se perfeitamente o desnorte e a incapacidade de afirmação do P"SD" perante o seu eleitorado.
Os grandes interesses económico-financeiros sentem-se bem defendidos pelo actual primeiro-ministro e, de resto, agradecem-lhe generosamente com lugares para os amigos nos conselhos de administração das suas empresas.
Neste contexto, a demissão de Luís Filipe Menezes é um facto há muito esperado e absolutamente normal que, enquanto militante da esquerda, não me preocupa.
O que, de facto, me preocupa é que a direita não tenha perdido o seu verdadeiro líder. Na realidade, ele continua a chefiar o governo. E, pelo caminho que as coisas levam, por lá continuará. Para o mal do país.

quinta-feira, abril 17, 2008

Ministério caloteiro

O Governo deveria, em todas as circunstâncias, comportar-se como pessoa de bem e constituir-se como um exemplo de integridade cívica e ética para os cidadãos.
Porém, quando há ministros que se julgam acima da Lei e desafiam as decisões judiciais, é o bom nome do Estado que é posto em causa e o erário público, suportado pelos nossos impostos, que fica a perder.

Trata-se, ao fim e ao cabo, de um problema de impunidade e de falta de pudor. Se lhes saísse da carteira, certamente comportar-se-iam de outra forma.

O discurso do "inimigo principal"

Este acordo deixa-me muito satisfeito e quero felicitar publicamente a senhora ministra da Educação porque valeu a pena perseverar.

Fico muito satisfeito por todos os parceiros sociais terem reconhecido a importância da avaliação dos professores.

A oposição, há um mês atrás, o que queria era que se suspendesse a avaliação e que a ministra saísse do Governo. [Não aconteceu] nem uma coisa nem outra: a ministra está no Governo a conduzir de forma inteligente, capaz, determinada a política de educação e, por outro lado, a avaliação dos professores avança.

O mais importante é que o acordo refere que no próximo ano serão avaliados todos os professores, de acordo com as normas que constam do decreto regulamentar.

Disse muitas vezes que não seria mais um primeiro-ministro que passaria por este lugar sem fazer a avaliação dos professores, que nos últimos 30 anos prosseguiam na carreira sem nenhum tipo de avaliação.


Palavras de José Sócrates, comentando o acordo entre o Governo e os sindicatos, sobre a avaliação dos professores.
Palavras que nos suscitam, forçosamente, uma pergunta muito simples:

Foi para isto que se travou uma das lutas mais vigorosas e participadas de que há memória, no sector do ensino?

Se é professor, adivinho a sua resposta. E a sua desilusão…


Nota

O título desta posta começou por ser "O discurso da vitória" . Porém, depois do saudável debate com o companheiro FJSantos, acho que o actual fica bem melhor!

quarta-feira, abril 16, 2008

Luta dos professores: balanço e perspectivas

Definitivamente, se foram 90 por cento de 50 mil os professores que ontem avalizaram a assinatura do acordo com o ministério, não se pode falar de uma maioria esmagadora, quer no universo de 145 mil docentes existentes em todo o país, quer tendo como referência os 100 mil que participaram na inesquecível Marcha da Indignação. Será uma maioria — porque em democracia só os votos expressos contam — mas apenas relativa, que não pode levar os dirigentes sindicais a ignorar o profundo descontentamento e a enorme desilusão de largos milhares de professores pelo magro resultado alcançado.
Nunca será demais repetir que o acordo (ou entendimento, se preferirem) apenas soluciona, no imediato e pontualmente, o problema dos docentes contratados ou em vias de progressão. Quanto ao resto, que é o principal, nada resolve. O Estatuto da Carreira Docente, fonte de todas as injustiças, continua intocável, e o modelo de avaliação do ministério, burocrático, subjectivo, iníquo e, por que não dizê-lo, antipedagógico, regressará já em 2008/2009. Isto para não acrescentar ainda o novo modelo de gestão e autonomia escolar, mais uma ofensa à dignidade dos professores e à sua importância na vida da escola.


Tenhamos, por isso, consciência que, apesar da grandiosa luta de massas que os docentes têm travado, mesmo que, por enquanto, não tenham sido derrotados, se alguém ganhou esta primeira batalha foi o governo: primeiro, porque resistiu à demissão, a certa altura inevitável, da incompetente Ministra da Educação; segundo, porque Maria de Lurdes Rodrigues pode repetir, até à exaustão, que a avaliação dos professores não foi suspensa. E, quando as eleições começam a emergir no horizonte, trata-se de uma preciosa vitória política de José Sócrates.
Não haja, portanto, quaisquer ilusões quanto ao entendimento — o essencial, ou seja, quase tudo, está por conseguir! Que ele não sirva para anestesiar e manietar os docentes! A luta recomeça em Setembro, mais intensa que nunca…
Até lá, é tempo de contar as espingardas e afinar a táctica. E continuar a protestar, às segundas à noite, para não se apagar a chama, como canta José Afonso.

terça-feira, abril 15, 2008

O prato de lentilhas

Ao que parece, boa parte (senão a maioria) dos professores e das escolas não concorda com a assinatura do entendimento entre o Ministério da Educação e a Plataforma Sindical.
E na verdade, olhando friamente o que foi conseguido — o ME apenas cedeu na avaliação simplificada dos professores contratados enquanto tudo o resto permanece — pode dizer-se que não passa de uma mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma.
De resto, a antiga secretária de Estado da Educação socialista, Ana Benavente, não hesita mesmo em acusar os sindicatos de cederem à chantagem do Governo e afirmar que a avaliação a que chegaram é a que existe (ou seja, a que o ministério quer impor), enquanto o Movimento em Defesa da Escola Pública considera que o acordo entre os sindicatos e o ministério não soluciona nenhum problema e apenas serve para legitimar toda uma política educativa que está na origem do profundo descontentamento dos professores. Até a Fenprof admite não assinar o entendimento com o governo, se não for essa a vontade da maioria.
Certo é que a classe docente, apesar da sua aparente divisão, não dá mostras de querer abrandar a luta. E tem todas as razões para isso. Os 100 000 merecem muito mais do que um prato de lentilhas!

Actualização

Pronto. Afinal os professores aprovaram por maioria o entendimento com o ministério. Não terá sido uma maioria tão esmagadora e, muito menos, um acordo tão significativo mas, enfim, é apenas uma batalha que não põe fim à guerra. Que promete ser longa e difícil. A luta recomeça em Setembro.

Respeitar os professores em nome da Educação

Se o actual Governo tivesse verdadeiramente por objectivo a melhoria do ensino no nosso país, a última coisa que teria feito seria ter transformado os professores em bodes expiatórios da situação a que a Educação chegou em Portugal, a qual se deve, sobretudo, às políticas erráticas do ministério da tutela. Porém, em vez de seguir os bons exemplos dos países europeus mais desenvolvidos como a Islândia, a Finlândia ou a Noruega, onde os docentes não apenas são socialmente respeitados e dignificados, como não são submetidos a qualquer avaliação vexatória (como aqui, aqui e aqui é confirmado), José Sócrates preferiu eleger os professores como inimigo público de estimação e alvo preferencial da sua política economicista de corte nas despesas públicas. Para esse fim, impôs-lhes um estatuto gravoso e humilhante que, entre outras malfeitorias, conduziu à divisão da profissão em duas categorias, estabelece uma prova de ingresso na função e abre a porta a um novo modelo de avaliação (com este objectivo, o primeiro-ministro de Portugal e a sua ministra da Educação não hesitaram, sequer, em afirmar que os professores não eram avaliados o que, como aqui se comprova, não passa de uma despudorada mentira, da qual, se fossem pessoas sérias e decentes, deviam pedir desculpas públicas).
É contra este vergonhoso opróbrio que os professores têm vindo a lutar, como nunca antes acontecera, a ponto de terem feito, em 8 de Março, a maior manifestação de que há memória desde o 25 de Abril.
Por isso o entendimento conseguido entre a Plataforma Sindical e o Ministério, embora não deva ser negligenciado, sabe-lhes a pouco.
Por isso o Dia D' hoje é importante e decisivo para afirmarem que, com ou sem assinatura do entendimento, continuam unidos e dispostos a lutar, não apenas contra a irracionalidade do modelo de avaliação que o Ministério da Educação pretende levar por diante, mas sobretudo por uma profunda revisão do estatuto da carreira docente que o expurgue das injustiças que encerra.
Respeitar os professores é preciso. E urgente. Em nome da Educação. E do desenvolvimento a que o país tem direito.

segunda-feira, abril 14, 2008

Portugal tomado de assalto

Houve um elemento que se destacou na "Quadratura do Círculo" quando José Pacheco Pereira "enunciou" o "problema" da ida de Jorge Coelho para a Mota-Engil. Foi o silêncio de Jorge Coelho. Ouviu coisas terríveis a seu respeito e ouviu-as impávido. Foram enunciadas sugestões de compadrio, sinecura, favoritismo e até incompetência para o lugar que vai assumir. Jorge Coelho manteve-se esfíngico não manifestando ter sentido qualquer ofensa. Se a sentiu ou não, não sei. Sei que não a manifestou. Conseguiu manter-se imperturbado enquanto era apregoado um terrível libelo de incoerências da vida pública em Portugal com ele no epicentro de impropriedades de comportamento. Nada de ilegal, mas tudo impróprio.
O antigo ministro do Equipamento Social de António Guterres não clamou nem inocência, nem ultraje. Olhou de frente o seu acusador e, com o silêncio, deu a única resposta que saiu do seu empedernido semblante e que eu traduzo como querendo dizer "É assim!". E é mesmo assim em Portugal. Perde-se o pudor, fica-se com o poder.

excerto de Perdido o pudor fica o poder, de Mário Crespo, JN

Petróleo, biocombustíveis e fome

Quando em 1956, o até então prestigiado investigador Marion King Hubbert previu que o pico global da exploração petrolífera iria acontecer aproximadamente cinquenta anos depois, ninguém o quis levar a sério. A comunidade científica ridicularizou-o e votou-o ao ostracismo e os políticos, inebriados numa orgia de crescimento económico desregrado, esqueceram por completo que estavam a lidar com um recurso natural não renovável o qual, mais tarde ou mais cedo, viria inevitavelmente a esgotar-se.
Infelizmente Hubbert não se enganou e, embora não haja uma unanimidade total em relação ao preciso momento da sua ocorrência, todos reconhecem que o pico do petróleo está a acontecer. As suas consequências começam a ser demasiado evidentes e dramáticas para as ignorarmos.
A era do petróleo barato acabou. A partir de agora as reservas caminham para uma inexorável depleção e o preço do crude não mais deixará de subir.

Em consequência disso, instalou-se a paranóia da corrida aos biocombustíveis, cuja produção e utilização está longe de ser isenta de riscos ambientais e sociais. Primeiro, porque parecem ser ainda mais poluentes que o petróleo; segundo, porque poderão levar a uma redução da área de cultivo dos bens alimentares, com a consequente diminuição da sua produção e o inevitável aumento do seu preço.
Se não se arrepiar urgentemente caminho, a humanidade pode estar à beira de uma tragédia de dimensões incalculáveis. Isso explica que o FMI, um dos sustentáculos da ordem mundial capitalista, venha agora alertar para os perigos duma situação a que o capitalismo ultra-liberal e sem escrúpulos não é, de forma alguma, alheio. Quem diria?!…

domingo, abril 13, 2008

Que democracia?…

Em Itália, o neo-fascismo prepara-se para retomar o poder. Pela via eleitoral. Na pessoa do vigarista e corrupto Sílvio Berlusconi que, após os dois anteriores mandatos, os italianos parecem ainda não conhecer devidamente.
A democracia é, de facto, muito frágil. De tal forma que, quando o eleitorado não passa de um rebanho dócil e sem ponta de cidadania, pode até dar muito jeito para legitimar as situações mais absurdas. Ou mesmo trágicas. Como aconteceu com a eleição de Adolfo Hitler.

Corrupção: o Terceiro Mundo é aqui!

Alguém afirmou que, não fora o problema da corrupção e Portugal poderia ser um país tão desenvolvido como a Finlândia.
Embora aceite a afirmação como verdadeira, entendo que também podemos ver esta relação causa-efeito de modo inverso. Ou seja, a meu ver, é por sermos um país com um apreciável défice de desenvolvimento — a que não são alheias as nossas carências em matéria de alfabetização, escolaridade e educação, e as fragilidades da nossa cidadania, tão indulgente com as arbitrariedades e os desmandos do poder político e a sua promiscuidade com o poder económico — que a corrupção encontra em Portugal terreno propício para grassar, alimentando fortunas fáceis, ao mesmo tempo que impede o país de se desenvolver.

Não admira, por isso, que Portugal tenha registado, em 2007, um dos maiores níveis de corrupção entre os países da OCDE, tendo ficado na 28.ª posição da classificação da Transparency International, atrás de países como Singapura, Hong Kong, Chile, Barbados, Santa Lúcia, Uruguai e Eslovénia e, pior do que isso, evidenciando uma tendência para o agravamento da situação durante o mandato do actual governo. Talvez isto ajude a perceber as escandalosas nomeações de ex-"governantes" e destacados militantes do P"S" para os conselhos de administração das grandes empresas… As negociatas com o Estado não precisam de administradores com currículo profissional desde que eles tenham peso político, não é verdade?

Ó Portugal Oculto, de que é que tu estás à espera?

O Portugal Oculto é, também, aquele cujos contornos permitem a promiscuidade entre a política e os grandes empresários.
[…]
O que vai restando das nossas esperanças de uma sociedade mais justa está a ser seriamente danificado. Não é de mais repeti-lo. E as frases bem boleadas, as declarações de princípio cheias de bons sentimentos não chegam para ocultar o que exalta, indigna e fere o […] outro Portugal.
[…]
[“] Creio que o estado a que as coisas chegaram é assustador. A fragmentação social indica-nos que a experiência do “mercado” não contém, em si, a panaceia para resolver a pobreza, nem é o único processo de desenvolvimento. Nunca o mundo possuiu tamanho grau de conhecimento. Nunca o conhecimento consentiu tamanho grau de miséria, desolação e sofrimento. O “mercado”, ao contrário do que proclamam os seus turiferários, não estruturou uma economia pública, nem estimulou um crescimento mais aberto. No caso português, então, a soma é pavorosa, e chega, até, à degradação.
O Portugal Oculto existe como uma chaga dos desamados e cresce com o ressentimento dos excluídos contra aqueles que só têm criado obstruções e alimentado um clima de violência – que deixou de ser latente para constituir uma ameaça e uma desafronta.

excerto de O Portugal da desafronta, de Baptista Bastos

sábado, abril 12, 2008

A escolha é nossa

Especialistas insuspeitos asseguram que, até ao fim de 2008, vamos assistir a uma derrocada sem precedentes dos fundos de pensões a nível mundial.
Se a este dramático descalabro financeiro acrescentarmos a queda livre do dólar americano em relação ao Euro, ao Yen e ao Yuan, as subidas imparáveis do preço do ouro e do petróleo, as quedas acentuadas das bolsas mundiais e o fracasso da última tentativa da Reserva Federal para travar a crise financeira dos bancos americanos, facilmente perceberemos que os fundamentos da ordem económico-financeira das últimas décadas estão a entrar vertiginosamente em colapso e começam a estar reunidos todos os sinais de uma profunda crise do capitalismo mundial.

As experiências comunistas do século passado, com os graves erros que cometeram, já pertencem à História mas, mais cedo do que muitos supunham, a realidade vem provar, de forma incontestável, que o futuro da humanidade não está na selva capitalista. Afinal Marx tinha razão quando afirmava que o capitalismo contem em si os germes da sua própria destruição.
Mais do que nunca, as alternativas continuam a ser o socialismo ou a barbárie. A escolha, como sempre, é nossa!

sexta-feira, abril 11, 2008

Ressuscitar Abril!

Apesar do autêntico euromilhões proveniente de duas décadas de fundos comunitários, trinta anos de alternância democrática do P"SD" e do P"S" na governação não fizeram melhor do que manter Portugal no pelotão dos países mais pobres e menos desenvolvidos da União Europeia. Os dois milhões de portugueses a viver abaixo do limiar da pobreza e o nosso afundamento no 17.º lugar da UE27, infelizmente, aí estão para atestá-lo.
Mas, se esta situação é já de si deveras grave, é absolutamente inaceitável que, enquanto a maioria da população é flagelada pela crise, uma minoria dela se aproveite para locupletar-se imoralmente com o suor alheio, fazendo de Portugal um dos países com pior repartição do rendimento da UE27, tendo apenas abaixo de si a Letónia!

A crise está aí, sem dúvida, mas não atinge a maior parte dos políticos, mais expeditos e preocupados em tratar das suas vidas e governar para quem os recompensa.
A crise está aí, sem dúvida, mas não afecta os oligarcas da alta finança e os empresários dos grandes grupos económicos.
A crise está aí, sim, para os trabalhadores, os pequenos e médios empresários, a classe média (ou o que dela resta), para quem os sonhos e as promessas da Revolução dos Cravos se esvaneceram quase completamente.
Com o consentimento, porventura ingénuo, de muitos de nós, o bloco central matou Abril e arrumou as suas conquistas nas prateleiras da História. Por isso, só nos restam duas alternativas: carpir a memória do ente querido ou ressuscitá-lo. A escolha parece-me óbvia e há situações em que devemos ser crentes!…

A lista "dourada"

Em Portugal, para muitos, a política em geral e a governação em particular, mais do que um serviço, uma missão ou qualquer coisa de nobre é, sobretudo, um meio fácil de ganhar a vida (para o qual, diga-se de passagem, nem sequer é exigida grande competência ou mesmo honestidade, como os factos têm vindo a comprovar ao longo dos anos).
Para outros tantos, porém, trata-se apenas de um placa giratória que, mais tarde ou mais cedo, lhes permitirá voar muito mais alto e com muito mais proveito.

A lista é imensa.
Sem procurarmos ser exaustivos, aqui vão os casos principais:

  • Fernando Nogueira, ex-Ministro da Presidência, Justiça e Defesa, actual Presidente do BCP Angola
  • José de Oliveira e Costa, ex-Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, actual Presidente do Banco Português de Negócios (BPN)
  • Rui Machete, ex-Ministro dos Assuntos Sociais, actual Presidente do Conselho Superior do BPN e Presidente do Conselho Executivo da FLAD
  • Armando Vara, ex-Ministro adjunto do Primeiro Ministro, actual Vice-Presidente do BCP
  • Paulo Teixeira Pinto, ex-Secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros, ex-Presidente do BCP (Depois de 3 anos de "trabalho", saiu com 10 milhões de indemnização e mais 35.000 € por mês até morrer...)
  • António Vitorino, ex-Ministro da Presidência e da Defesa, actual Vice-Presidente da PT Internacional e Presidente da Assembleia Geral do Santander Totta
  • Celeste Cardona, ex-Ministra da Justiça, actual vogal do CA da CGD
  • José Silveira Godinho, ex-Secretário de Estado das Finanças, actual Administrador do BES
  • João de Deus Pinheiro, ex-Ministro da Educação e Negócios Estrangeiros, actual vogal do CA do Banco Privado Português.
  • Elias da Costa, ex-Secretário de Estado da Construção e Habitação, actual vogal do CA do BES
  • Ferreira do Amaral, ex-Ministro das Obras Públicas (que entregou todas as pontes a jusante de Vila Franca de Xira à Lusoponte) e actual Presidente da… [claro!…] Lusoponte
  • António Pires de Lima, ex-deputado do CDS e actual CEO da Unicer
  • Pina Moura, ex-Ministro das Finanças e actual presidente da Média Capital e da Iberdrola
  • Manuela Ferreira Leite, ex-Ministra das Finanças e actual administradora do Santander
  • João Cravinho, ex-Ministro do Equipamento, Planeamento e Administração do Território e deputado do PS, actual administrador do BERD, em Londres
  • Fernando Gomes, ex-Ministro da Administração Interna e ex-Presidente da Câmara do Porto, actual administrador da Galp Energia
  • Jorge Coelho (a estrela mais recente da constelação), ex-Ministro da Administração Interna e do Equipamento Social, Vice-Presidente do Conselho de Administração e CEO da Mota Engil
Em actualização (infelizmente!).

quinta-feira, abril 10, 2008

O Ministério da Confusão

Se a ministra da Educação quisesse verdadeiramente avaliar o desempenho dos professores, a primeira e urgente medida que deveria tomar seria suspender o modelo de avaliação que a sua delirante equipa ministerial engendrou, trapalhada sem precedentes que apenas serviu para acrescentar mais confusão aquela que já havia nas escolas.
Mas, como já aqui disse, isso nunca irá acontecer porque, com as eleições a surgirem no horizonte, tal facto constituiria uma derrota de consequências imprevisíveis para os planos hegemónicos de José Sócrates.
Assim, para Maria de Lurdes Rodrigues, the show must go on, que é como quem diz, siga a avaliação! E que cada escola faça como entender, avalie à sua maneira e segundo os seus próprios métodos e critérios! Mesmo que os professores, numa atitude absolutamente legítima e responsável, não estejam pelos ajustes e exijam seriedade no processo e uniformidade no tratamento.
De confusão em confusão, a ministra vai alijando responsabilidades — as escolas lá estão para arcar com elas! — e ganhando tempo. Quem perde são os professores. Mas também os alunos e as suas famílias e, ao fim e ao cabo, o país.
A propósito, o que é feito do Presidente da República?

quarta-feira, abril 09, 2008

A feira de vaidades

Portugal é o segundo país onde o Governo atribui mais importância às Tecnologias de Informação.

À partida, até que seria caso para estarmos contentes. Porém, num país em que a corrupção e o compadrio são um modo de vida, com um sistema educativo onde imperam o laxismo e a indulgência, uma economia anémica mais virada para o lucro fácil do que para a criação sustentada de emprego e riqueza, um empresariado desde sempre habituado a viver à sombra dos subsídios e favores do Estado, uma governança inepta, minada pelo carreirismo e o tachismo, enfim, numa sociedade de que a cidadania e a solidariedade andam cada vez mais arredias e, pelo contrário, em que a população se deixa embriagar mais e mais numa orgia de consumismo exacerbado, a pergunta que todos devemos fazer é: Afinal, para que é que isso serve?
Decididamente, o choque tecnológico é uma feira de vaidades!

Avaliação do Governo, precisa-se!

Desde cedo se percebeu que Sócrates não iria querer perder a guerra com os professores, que a sua incompetente e inábil ministra da Educação comprou. Mesmo que estes tenham sido capazes desafiá-lo com a participação em peso na maior manifestação de que há memória desde o 25 de Abril. Depois de ter batido em retirada face à contestação popular ao fecho das urgências e servido a cabeça de Correia de Campos, era certo que não aceitaria ser derrotado outra vez, a pouco mais de um ano das eleições, ainda por cima, por uma corporação de professorzecos.
Por isso, Maria de Lurdes Rodrigues não será demitida, já o sabemos. E, ao fim e ao cabo, é bom que não o seja. É bom que se mantenha, qual lancinante ferida em carne viva, na memória de todos os professores, para que, na hora de votar, não esqueçam o vilipêndio e a humilhação de que foram vítimas.

Também por isso, a famigerada avaliação dos professores não será suspensa. Mesmo que, na prática, seja isso que vai (está a) acontecer. Na realidade, de cedência em cedência, a ministra quer agora que se faça, ao menos, uma avaliação simplex dos professores contratados e dos que estão em vias de progressão, os quais serão avaliados a sério, como todos os outros, no próximo ano.
Deste modo, o Ministério e o Governo salvam a face perante a opinião pública. Brilhante!
O que se pergunta é se é aceitável que se tenham arrogado a perturbar o funcionamento das escolas e o desempenho dos professores, durante um ano, através de um braço-de-ferro tanto mais estúpido e incompreensível quanto serviu verdadeiramente para coisa nenhuma?!… Obviamente que não. E, num país de cidadãos atentos e exigentes, isso teria consequências políticas. Em Portugal, infelizmente, tenho as minhas dúvidas…

terça-feira, abril 08, 2008

Conversa da treta

1. Vítor Constâncio, do alto da sua bem paga sapiência, afirma que o crescimento da economia portuguesa, em 2008 e 2009, afinal vai ser mais baixo que o anteriormente previsto pelo Banco de Portugal. Ainda assim, garante que será convergente com o da Zona Euro que, segundo disse, será inferior a dois por cento. Depois dos sacrifícios a que a grande maioria dos portugueses tem vindo a ser submetida é caso para dizer que se trata de uma grande proeza!

2. Por seu lado, o Ministro das Finanças propagandeia que a economia portuguesa atingiu o ponto mais forte dos últimos 30 anos e por isso é capaz de enfrentar as incertezas nos mercados internacionais.
O principal problema parece ser o facto de os portugueses não estarem tão optimistas quanto o senhor ministro. Com efeito, para Teixeira dos Santos, a grande ameaça ao crescimento é a queda dos níveis de confiança dos portugueses. Somos uns ingratos, é o que é!

O Governo da ilegalidade

A redução cega e obsessiva das despesas públicas em sectores de relevante importância social tem sido uma das pedras de toque da actual (des)governação, tudo valendo para atingir esse objectivo, mesmo e principalmente através da criação de dificuldades de toda a ordem aos profissionais das diversas áreas que, em muitos casos, se vêem coagidos a uma aposentação antecipada não desejada e financeiramente penalizadora, como forma de fugirem a uma situação cada vez mais insustentável.
É o que tem vindo a acontecer com a classe docente, designadamente com a sua divisão, de forma pouco menos que arbitrária e discricionária, através do rocambolesco Concurso para Professor Titular, que outro objectivo não teve senão o de limitar ou mesmo impedir o acesso ao topo da carreira a milhares de excelentes profissionais. Concurso enviezado, capcioso, hipócrita. E profundamente injusto. Cuja injustiça o Tribunal Constitucional se encarregou agora de pôr a nú!

segunda-feira, abril 07, 2008

Homenagem e agradecimento

Estive uns dias hospitalizado, situação que me impediu de postar com a regularidade com que tento e gosto de fazer.
Mas, ao invés, esse facto permitiu-me acompanhar, de perto e por dentro, a forma a um tempo missionária e heróica como homens e mulheres, sejam eles médicos, enfermeiros ou auxiliares, desempenham a sua humanitária acção, mantendo viva, apesar da sanha economicista do Governo, uma das conquistas mais emblemáticas de Abril, o Serviço Nacional de Saúde.
A minha sentida homenagem e o meu sincero agradecimento a todos eles!

terça-feira, abril 01, 2008

Felizmente há… Brasil!

O Governo venezuelano decidiu incluir a língua portuguesa como disciplina de opção no currículo oficial do próximo ano lectivo mas a falta de professores portugueses foi considerada um obstáculo para a iniciativa.
No entanto, o Brasil, que não brinca em serviço, resolve o problema.
Mais danos colaterais em consequência da obsessiva redução do défice orçamental!…

Sozinha

Acho espantoso que sobre a ocorrência na Carolina Michaelis várias opiniões insistam que a professora não devia ter entrado em "braço-de-ferro" com a aluna por causa do telemóvel. Não houve "braço-de-ferro" nenhum. A Professora recusou-se a capitular. Não deixou que lhe tirassem à força algo que, no exercício das competências em que está investida, tinha achado por bem confiscar. E não cedeu face a pressões selváticas. E não capitulou face a agressões verbais. E manteve-se digna no posto que lhe foi confiado pela sociedade, com elevação e consistência, cumprindo as expectativas depostas na sua missão. A Dra. Adozinda Cruz é um modelo de coragem que o país tem que aplaudir. Que a nossa confusa sociedade precisa de aplaudir porque é uma sociedade carente de pessoas como ela. A Professora de francês fez aquilo que tinha que ser feito. Sozinha. Porque trabalha numa escola onde o Conselho Directivo tolera que a placa com nome do estabelecimento, baptizado em honra de uma excepcional pedagoga que foi a primeira mulher portuguesa a conseguir leccionar numa universidade, esteja conspurcada, num muro com inenarráveis graffitis que mandam cá para fora a mensagem que lá dentro tolera-se a bandalheira. Numa escola onde durante minutos se ouviu a algazarra infernal dessa bandalheira, onde ela estava a ser agredida e nenhum colega ou funcionário ou aluno se atreveu a abrir a porta e ver se podia ajudar. Foi dessa cobardia geral e conformismo abúlico que a Dra. Adozinda Cruz se demarcou quando não deixou que a desautorizassem. É por isso funesto não lhe reconhecer a coragem e diminuí-la num bizarro processo de culpabilização da vítima. Estar a tentar encontrar fragilidades comportamentais num ambiente de tal hostilidade é injusto. E o facto é que não fora a louvável e pronta actuação do Procurador-geral da República a Dra Adozinda Cruz ficaria sozinha.

segunda-feira, março 31, 2008

O Estatuto do Bom Selvagem

O ESTATUTO [do Aluno] cria um regime disciplinar em tudo semelhante ao que vigora, por exemplo, para a Administração Pública ou para as relações entre Administração e cidadãos. Pior ainda, é criado um regime disciplinar e sancionatório decalcado sobre os sistemas e os processos judiciais. Os autores deste estatuto revelam uma total e absoluta ignorância do que se passa nas escolas, do que são as escolas. Oscilando entre a burocracia, a teoria integradora das ciências de educação, a ideia de que existe uma democracia na sala de aula e a convicção de que a disciplina é um mal, os legisladores do ministério da educação (deste ministério e dos anteriores) produziram uma monstruosidade: senil na concepção burocrática, administrativa e judicial; adolescente na ideologia; infantil na ambição. O estatuto não é a causa dos males educativos, até porque nem sequer está em vigor na maior parte das escolas. Também não é por causa do estatuto que há, ou não há, pancadaria nas escolas. O estatuto é a consequência de uma longa caminhada e será, de futuro, o responsável imediato pela impossibilidade de administrar a disciplina nas escolas. O estatuto não retira a autoridade na escola (aos professores, aos directores, aos conselhos escolares). Não! Apenas confirma o facto de já não a terem e de assim perderem as veleidades de voltar a ter. O processo educativo, essencialmente humano e pessoal, é transformado num processo “científico”, “técnico”, desumanizado, burocrático e administrativo que dissolve a autoridade e esbate as responsabilidades. Se for lido com atenção, este estatuto revela que a sua principal inspiração é a desconfiança dos professores. Quem fez este estatuto tinha uma única ideia na cabeça: é preciso defender os alunos dos professores que os podem agredir e oprimir. Mesmo que nada resolva, a sua revogação é um gesto de saúde mental pública.

sexta-feira, março 28, 2008

25 de Abril, sempre!

Tenho esta viola numa mão
Tenho a minha vida noutra mão
Tenho um grande amor
Marcado pela dor
E sempre que Abril aqui passar
Dou-lhe este farnel para o ajudar


"Vozes de Abril", assim se chama espectáculo organizado pela Associação 25 de Abril, que se realizará no dia 4 de Abril, em Lisboa, no Coliseu dos Recreios.
Será gravado pela RTP e transmitido no dia 25 de Abril.

25 de Abril, sempre!

Defender o ambiente da Educação!

Há dias, António Barreto afirmou, na SIC Notícias, que aquele ministério da 5 de Outubro é a fonte de todos os males da Educação e devia ser isolado por um cordão sanitário.
Agora, as escolas do ensino secundário foram convidadas a participar num concurso que visa imaginar e lançar campanhas de sensibilização ambiental que convençam a comunidade escolar, devendo aquelas ter efeitos práticos visíveis, e ser capazes de surpreender os outros e de os convencer a alterar o seu comportamento no dia-a-dia.
Ora aí está uma excelente oportunidade para concretizar a ideia de António Barreto.
Os efeitos práticos seriam seguramente visíveis no ambiente da Educação e das escolas, e no comportamento de todos quantos nelas trabalham.

A culpa morre solteira

Não foi essa a educação que lhe demos. Quem nos conhece sabe que a Patrícia teve e tem aquela que nós achamos ser a melhor educação.
Mãe da aluna da Escola Secundária Carolina Michaelis

Caso para perguntar: se não foram os pais da aluna que lhe deram aquela educação, quem foi então? A Escola? A Sociedade?
Muito interessante este alijar de responsabilidades de quem deveria ser o primeiro a assumi-las.
E no entanto, acham sempre que deram a melhor educação. Os resultados, infelizmente, estão à vista!…

"Quo vadis" Escola Pública?

Portugal é um dos países da OCDE com maior défice em matéria de Educação. A alfabetização de adultos está ainda longe dos valores de referência. A população activa regista um dos piores níveis de escolaridade. O abandono escolar e a iliteracia são preocupantes.
A democratização da Escola, se é certo que garantiu o acesso generalizado da população ao ensino a que muito justamente tem direito, não lhe assegurou, por outro lado, os níveis de formação e educação característicos de qualquer sociedade desenvolvida.
Este falhanço ficou, em grande parte, a dever-se a uma Educação centrada no conceito de aprendizagem como actividade essencialmente lúdica, sempre impregnada de indulgentes teses psico-pedagógicas, levando os alunos a crer que os objectivos poderiam ser alcançados sem exigência e esforço. A verdade é que, apesar deste governo continuar a apostar no facilitismo e no sucesso escolar a qualquer preço, por este caminho, talvez subamos um pouco o nosso lugar nas estatísticas, mas não elevaremos o nível da nossa formação e educação.
Se a tudo isto juntarmos a crise de autoridade — não confundir com autoritarismo… — instalada em muitas das nossas escolas, a que não é alheia uma política que não concede verdadeira autonomia nem meios aos órgãos de gestão, desacredita e menoriza os professores e, para cúmulo, é tolerante e permissiva com os maus comportamentos dos alunos, estão criadas as condições para se chegar onde se chegou: uma escola que não existe (passe o exagero da afirmação de Fátima Bonifácio, ontem à noite, no debate da SIC Notícias)!
E, na verdade, uma Escola que castiga de tal forma que mais parece estar a premiar, uma Escola que não é capaz de se solidarizar com um seu elemento vítima de agressão… não existe!
Resta ao ofendido esperar que a Justiça do Estado de Direito funcione!…

quinta-feira, março 27, 2008

A origem da violência

A crise económica, social e moral que grassa no nosso país é o caldo de cultura favorece o recrudescimento da violência nas escolas e na sociedade.
Quanto mais nos afundarmos na Europa dos pobres e da injustiça social, mais o problema se agravará.
Em todo o caso, enquanto essa situação não for invertida, tem de se começar por algum lado.
Concordamos, portanto, com a decisão do Procurador-geral da República de investigar a violência nas escolas. Julgamos, porém, que deveria começar pelo ministério da 5 de Outubro. É lá que grande parte da violência tem origem. Pelo menos, contra os professores.

Por qué no te callas?

Santana Lopes quer falar menos em público mas não vai consegui-lo. Está-lhe nos genes. Precisa do microfone e dos holofotes como do ar para respirar. E a comunicação social faz-lhe o jeito. Será que isto é uma notícia?

quarta-feira, março 26, 2008

A "generosidade" de Sócrates

A obsessiva redução do défice orçamental foi conseguida à custa das mesmas receitas de sempre — corte nas despesas públicas com a educação, a saúde, a segurança social, congelamento de salários e despedimentos na função pública, agravamento da carga fiscal — que, não só não relançaram a economia, como acabaram por originar uma das maiores crises sociais dos últimos trinta anos, com cerca de dois milhões de portugueses a (sobre)viver abaixo do limiar da pobreza, ao mesmo tempo que uma minoria enriquece escandalosamente como jamais se viu.
Deste modo, o primeiro-ministro, dando largas à sua "generosidade", começa por baixar a taxa do IVA de 21 para 20 por cento. E explica que é uma medida prudente e responsável […] face à incerteza que ainda se vive na economia internacional. Porém, como haverá eleições em 2009, acena já com mais uma "estrondosa" redução de 1% para essa altura, se a economia portuguesa evoluir favoravelmente. E podem crer que isso acontecerá. Pelo menos no discurso de Sócrates. É que, como dizia o Botas, na política, o que parece é!

Nota final

E, já agora, ainda estamos para ver se esta descida do IVA, que há muito devia ter acontecido, se traduzirá numa baixa dos preços para o consumidor ou num aumento dos lucros das empresas?!… Fiscalização é preciso!…

Tão simples quanto isto!

Não é com medidas pontuais, reactivas e eleitoralistas, de quem o que tem feito é atirar gasolina para a fogueira com a completa desvalorização do papel do professor e o facilitismo e a indulgência com que tem brindado os alunos e os seus encarregados de educação, que o problema da indisciplina e da violência será erradicado das escolas.
É antes com medidas generalizadas e coerentes entre si. A saber…
  • reforço da autoridade dos docentes
  • co-responsabilização das famílias relativamente à convivência e sucesso escolares dos alunos
  • redução do número de alunos por turma e do número de turmas distribuídas a cada docente
  • criação de equipas multidisciplinares de mediação de conflitos
  • integração da temática da gestão de conflitos na formação inicial e contínua dos professores
Isto sim, seria governar. Mas exige algum investimento. E o objectivo deste governo não é esse. Antes, descredibilizar a Escola Pública para abrir caminho aos negócios privados da Educação que aí vêm! O último grande negócio que lhes faltava!

Ministério da "Educação", a raiz da indisciplina

A indisciplina e a violência nas escolas, fenómeno que tem vindo a aumentar nos últimos anos, não será exclusivamente imputável ao actual Ministério da "Educação" mas, por mais que o secretário de Estado, Valter Lemos, afirme a pés juntos que este é o Governo que mais medidas tomou relativamente ao combate a estes problemas, é hoje por demais evidente que a sua política de desautorização dos professores e desculpabilização do mau comportamento dos alunos só podia ter como consequência o agravamento e a generalização da situação.

Bem pode Valter Lemos querer tapar o sol com a peneira, tentando convencer-nos de que os incidentes de violência ocorrem apenas em 7% dos estabelecimentos de ensino quando, segundo o Observatório de Segurança Escolar, a cada dia que passa, registam-se em média duas agressões a professores nas escolas portuguesas. Infelizmente, o caso da Secundária de Carolina Michaellis, do Porto, é apenas a ponta de um gigantesco icebergue. Basta percorremos o You Tube para vermos a quantidade de histórias abjectas que por lá pululam!
O melhor serviço que esta equipa do M"E" podia prestar ao país seria autocriticar-se, pedir desculpa dos prejuízos que já causou (e foram muitos) e ir embora. Mas não o fará. O interesse nacional exigia-o, mas o calendário eleitoral não o permite. A campanha, de resto, já começou! É o que se pode concluir da apresentação de uma medida mirabolante, apenas destinada às escolas que tiverem um grande problema de indisciplina generalizada. De acordo com o aforismo que reza depois de casa roubada trancas na porta. À prevenção, Valter Lemos diz nada. As escolas e os professores que se aguentem à bronca! Como é costume…

Pergunta simples

Algum professor será afastado das suas funções ou será alvo de um processo disciplinar pelo facto de a escola ter decidido suspender ou adiar a aplicação do modelo de avaliação?

Esta é a pergunta que Ana Drago, do Bloco de esquerda, dirigiu por escrito à Ministra da Educação, na sequência da decisão de dezenas de escolas e agrupamentos de escolas de suspenderem ou adiarem a avaliação durante o actual ano lectivo.
Pergunta que faz tanto mais sentido quanto o secretário de Estado, Jorge Pedreira, se ter referido a soluções flexíveis na avaliação e Lurdes Rodrigues estar constantemente a encher a boca com a autonomia das escolas.

terça-feira, março 25, 2008

Lurdes Rodrigues contra todos

O que eles dizem sobre a indisciplina e a violência nas escolas:

Lurdes Rodrigues, actual (ainda?) Ministra da Educação
É um oportunismo político estarem a misturar o Estatuto do Aluno, que é um quadro de regras que permite às escolas prevenir e agir, com este caso de indisciplina.

Couto dos Santos, Ministro da Educação (1992-1993)
Lamento que os professores tenham vindo a perder autoridade. O que tem muito a ver com o comportamento dos pais dos alunos, que acham que os filhos têm sempre razão.

Roberto Carneiro, Ministro da Educação (1985-1991)
Os miúdos chegam às escolas sem socialização. A escola não pode fazer o que os pais não fazem em casa. Têm que haver regras e elas têm que ser respeitadas pelos alunos.

Deus Pinheiro, Ministro da Educação (1985-1986)
Hoje em dia, os meninos vivem numa redoma. Tolera-se-lhes tudo. Os meninos têm que aprender a respeitar a escola em todos os sentidos. O mal é o facilitismo que está instalado.

Veiga Simão, Ministro da Educação (1970-1974)
Nos anos 70 os casos de indisciplina eram resolvidos nas escolas. Os professores eram muito respeitados. Eram uma autoridade por si próprios. Há uma crise de autoridade na sociedade.

Conclusões

Com excepção de MLR, todos são de opinião que a sociedade em geral e a família em particular falham redondamente na educação das crianças e dos adolescentes.
A ministra, como sempre, branqueia o falhanço dos pais e, cinicamente, atira com as responsabilidades para cima das escolas, depois da desautorização dos professores que obsessivamente tem levado a cabo e da permissividade do estatuto que aprovou para os alunos.
Esta senhora pode ser Ministra-do-Que-Quiser mas não é, seguramente, Ministra da Educação. Por este caminho, oxalá não venhamos ainda a designá-la de Ministra da Delinquência Juvenil! Com a obstinação e o autismo de que tem dado mostras, infelizmente, já faltou mais…

É urgente apagar o incêndio!

O Procurador-Geral da República está contra a violência e o “sentimento de impunidade” nas escolas e pede autoridade para os professores.
É, sem dúvida, a sua obrigação, mas merece o nosso aplauso. Sobretudo quando o actual Governo, que devia estar na primeira linha desse combate, é o principal responsável pelo agravamento da situação, através da aprovação de um Estatuto do Aluno indulgente e desculpabilizador e da sistemática desautorização e humilhação da classe docente.

Esta não é certamente a solução de fundo para o problema, mas tem de se apagar o incêndio, que lavra de forma mais generalizada do que alguns pensam. Depois, bem, depois são precisas novas políticas económicas, sociais e culturais, que rompam definitivamente o ciclo vicioso em que estamos mergulhados há cerca de trinta anos, para o qual temos contribuído com as nossas escolhas eleitorais.
A democracia portuguesa precisa urgentemente de uma limpeza mas temos de ser nós a levá-la a cabo. Ninguém o fará por nós!

Copianço e "economicismo"

Maria de Lurdes Rodrigues não se esforçou muito para chegar ao seu famigerado modelo de avaliação de docentes. Segundo parece, limitou-se a fazer copy & paste do modelo chileno, o qual, ao contrário do seu, pelo menos fue construido tomando la opinión de los docentes del país.
Mas, copiar por copiar, porque não copiou MLR o modelo finlandês? A Finlândia não tem o melhor sistema educativo da Europa e um dos melhores do mundo?…
Pois é… o problema é que na Finlândia não existe avaliação de docentes (pelo menos nos moldes da que a ministra quer impor, a todo e qualquer custo).
Sejamos claros: alguém que não seja completamente ingénuo (ou intelectualmente desonesto) acredita que a avaliação de Lurdes Rodrigues visa mesmo aperfeiçoar a formação e o desempenho dos professores portugueses e, desse modo, melhorar a qualidade do ensino e os níveis de escolarização do nosso país??? Pois é cada vez mais óbvio que não. O que lhe importa verdadeiramente é dificultar o mais possível a progressão dos docentes na carreira, atirar para a reforma antecipada aqueles que auferem salários mais elevados e ficar apenas com mão-de-obra barata e dócil. Deste modo, esta pseudo-avaliação de docentes atingirá o seu verdadeiro propósito (já expressamente admitido pelo secretário de Estado Jorge Pedreira): reduzir as despesas públicas com a Educação. Maquiavélico, não acham?!…
A qualificação do ensino pode esperar!…

segunda-feira, março 24, 2008

Resistir à ilegalidade com a Lei

Desta interessante análise, é forçoso duvidar se algum avaliador pode legalmente participar no processo de avaliação dos colegas que com ele concorrem para as menções de muito bom e excelente.
Assim, tendo por base o Código de Procedimento Administrativo, uns outros podem legalmente travar o processo:
  • os avaliados, através de um requerimento de oposição de suspeição relativamente aos seus avaliadores (minuta 1)
  • os avaliadores, através de um requerimento de dispensa de intervenção na avaliação dos professores do seu departamento curricular (minuta 2)


Minuta 1
Read this doc on Scribd: requerimento-oposicao-de-suspeicao


Minuta 2
Read this doc on Scribd: incidente-de-impedimento-do-avaliador


Resistir é preciso!

Uma questão de segurança nacional

"[…] Maria de Lurdes Rodrigues não pode ficar à espera de receber outra vez o apoio do primeiro-ministro. Depois disto, é seu dever sair do cargo. E não é, como diz constantemente, a mais fácil das soluções. É a medida necessária para que haja soluções. A saída da ministra é, viu-se agora, uma questão de segurança nacional. É a mensagem necessária para a comunidade escolar, alunos e professores, entenderem que o relaxe, a desordem e o experimentalismo desenfreado chegaram ao fim. Que não há protecção política que os salve já da incompetência do Ministério, da DREN e de tudo o mais que nestes três anos nos trouxe à vergonhosa situação que o vídeo do YouTube mostrou ao país e ao Mundo. Uma questão mais, os sindicatos viram as imagens de um crime a ser cometido em público contra uma professora. Façam o que devem. Façam as devidas queixas-crime contra a aluna agressora e contra quem filmou e usou abusiva e ilegalmente da imagem da professora a ser martirizada. O crime foi visto por todos. O Ministério Público tem competência para mover o adequado processo contra esses alunos. Cumpram o vosso dever sem tibiezas palavrosas. Já não se pode perder mais tempo com disparates."



"Simplex": "branco" mais "branco", não há!

Um dos mistérios da actual política educativa é a imposição de rígidos critérios de avaliação aos professores em vez do que convencionou chamar-se de “progressão automática” na carreira e, no que respeita aos alunos, a opção pelo facilitismo e por uma espécie de “progressão automática” de ano com recurso a sucessivas “provas de recuperação”. As próprias classificações dos alunos contarão para a avaliação dos professores, o que significa que dar boas notas será meio caminho andado para um professor poder subir na carreira. Assim, não só no Estatuto da Carreira Docente a palavra “ensinar” desapareceu das atribuições dos professores, como estes estão hoje sujeitos a todas as formas de pressão (até física; ainda recentemente uma professora do Carolina Michaelis foi agredida por uma aluna a quem deu uma nota baixa), da parte de alunos, de pais e do próprio Ministério para serem permissivos. Desde que se matricule, um aluno tem a passagem de ano assegurada. Nem precisa de ir às aulas, basta-lhe fazer umas “provas de recuperação”. E, se nem isso resultar, obterá depois o diploma do 12º ano em 15 dias nas “Novas oportunidades” da sua junta de freguesia. Não seria mais “simplex” o diploma do 12.º ano ser de distribuição geral como o Bilhete de Identidade?

Cá como no Terceiro Mundo. Ou pior…

O Ministério da Educação adoptou um sistema que permite ao aluno terminar os estudos aprendendo quase nada.
Muitos pais não se conformam e estão fazendo o possível para que os filhos sejam reprovados.

Não fosse a segunda frase e pensaríamos que isto se refere ao nosso país, onde o facilitismo e a falta de exigência têm caracterizado o ensino, orientando-o, não para uma sólida aquisição de conhecimentos e competências, mas antes, para o sucesso meramente estatístico, a ignorância e a iliteracia.
Afinal trata-se do Brasil (como o vídeo seguinte mostra) e a única diferença é que os pais de lá, ao contrário dos congéneres de cá, não aceitam que os seus filhos sejam aprovados sem aprenderem, porque entendem (e bem) que progredir dessa forma de pouco ou nada lhes servirá no futuro.
Conclusão: graças à política educativa de Sócrates e Lurdes Rodrigues, somos cada vez mais um país do Terceiro Mundo!…


domingo, março 23, 2008

Discurso excelente

Discurso excelente. Ainda que nem sempre condizente com a prática.
De registar, apenas, a omissão relativamente à desautorização que os professores têm sofrido por parte do legislador, a gasolina que tem ateado a fogueira da violência na escola. Mas isso talvez fosse pedir demais a quem tem lugar privilegiado à mangedora do orçamento.

sábado, março 22, 2008

Governo e pais, do lado errado da (falta de) Educação!

A Ministra da "Educação" (que, finalmente, resolveu falar…) e os pais (representados pela FECAP, Federação Concelhia das Associações de Pais de Porto) estão em perfeita sintonia em matéria de assunção das responsabilidades pela vergonha sucedida na escola secundária de Carolina Michaellis, ou seja, sacodem-nas.
Maria de Lurdes Rodrigues acusa a oposição de oportunismo político e repete uma vez mais, talvez para se convencer a si mesma, que o seu Estatuto do Aluno não desautorizou os professores nem tem nada a ver com o aumento da violência escolar. Acha até que isso é (mais) um problema para as escolas e os professores resolverem.
Os pais/ FECAP, por seu lado, seguindo o exemplo da ministra, lamentam o aproveitamento político da agressão por parte dos sindicatos e criticam a linha SOS Professor, criada para atender professores vítimas de agressão de alunos e pais/ encarregados de "educação" (têm de comer e calar, pelos vistos). Sobre a responsabilidade e o dever que por inteiro lhes cabem na educação dos filhos, que são seus, nada dizem, desculpando-se com "a complexidade dos problemas sociais em que vivemos" que, segundo parece, só os afligem a eles.
Moral da história:
Parece que a Escola e os professores, além de terem de transmitir conhecimentos e competências aos seus alunos, ainda têm de arcar com uma tarefa que compete, em primeiro lugar e no essencial, à família: a educação das crianças e dos jovens. Ainda por cima, as mais das vezes, enfrentando a incompreensão e a má educação de quem verdadeiramente tem essa responsabilidade, os pais. E, pior ainda, sem o necessário apoio do Estado. Não é justo. Assim, não vamos lá!…

Sociedade da miséria

A sociedade da miséria — económica, cultural, moral — é ela própria uma miséria de sociedade. Nela, tudo se vende, tudo se consome. Até a falta de educação.

Ditadores

Sócrates — de Maria de Lurdes Rodrigues já nem vale a pena falar! — mantem rigoroso silêncio sobre a vergonha que aconteceu na Escola Secundária de Carolina Michaellis que, como já todos sabemos, está longe de ser um caso raro no país.
Mas isso não é de admirar de quem, perante um protesto de professores como nunca antes se vira, disse rigorosamente nada e fez absolutamente coisa nenhuma.
Salazar era ditador e prepotente mas ainda se dava ao trabalho de explicar o que fazia.
Sócrates nem isso. O autismo como forma de governar…

Coimbra é uma lição…

Os telejornais das 13 horas noticiaram que todas as escolas e agrupamentos de Coimbra decidiram suspender a avaliação de desempenho. As razões apresentadas já eram conhecidas: falta de tempo, complexidade exagerada dos instrumentos de registo e de medida, providências cautelares que suspendem os procedimentos e impossibilidade de realizar uma avaliação justa a três meses do final do ano lectivo.

É o corolário do silêncio e da intransigência do Ministério da Educação perante o pedido de suspensão do processo de avaliação que anteriormente tinham feito.
Coimbra tem mais encanto, na hora de dizer… BASTA!
Coimbra é uma lição… Saibamos aprendê-la!

Hino à (des)educação

Humor negro. Seria pra rir se não fosse… pra chorar!

sexta-feira, março 21, 2008

A herança de Sócrates

Numa tentativa clara de desvalorização do lamentável acontecimento ocorrido na Escola Secundária de Carolina Michaelis, no Porto, que foi amplamente noticiado pelas televisões e pelos jornais mas está longe de ser um caso isolado — basta pesquisarmos no You Tube e contaremos por dezenas os vídeos sobre casos de indisciplina e violência nas salas de aula e noutros espaços das nossas escolas — o senhor Primeiro-Ministro e a Ministra da Tutela remetem-se ao silêncio e resguardam-se atrás do secretário de Estado da Educação.
E o que faz Valter Lemos? Tenta sacudir a água do capote afirmando, sem qualquer pudor, a maior das mentiras: que "o Governo, ao fazer aprovar o novo Estatuto do Aluno, deu às escolas um instrumento para reforçar a autoridade dos professores" e combater os casos de violência escolar! "Esquece" o senhor secretário de Estado que todos sabemos (ele também) que o que o Ministério da Educação fez foi desautorizar e humilhar a classe docente, que se vê, cada vez mais, impotente e desprotegida para conter o mau comportamento dos alunos e, o que é mais grave, para defender a sua integridade física e moral das agressões não apenas de alunos mas, pior ainda, de pessoas que, de pais e encarregados de educação, apenas têm o nome.
Bem pode o Governo tentar, irresponsavelmente, varrer o lixo para baixo do tapete que não vai consegui-lo. É lixo a mais!
O que é já claro é que esta política educativa, assente numa sanha reformista que privilegia o número em vez da pessoa, a estatística em vez da realidade, o produto em vez do processo, não vai dar certo. Pelo contrário, causará danos de tal monta e de tal forma irreversíveis na actual geração jovem que os alicerces da nossa futura sociedade ficarão irremediavelmente minados.
Esta é uma das mais graves heranças que Sócrates nos vai legar. Maldito seja, por isso!

E para quando a avaliação dos papás?

O Carolina Michaëlis, que já teve o belo nome de liceu, não serve os miúdos do bairro do Aleixo, no Porto. Não, aquele vídeo não mostra gente com desculpas fáceis, vindas do piorio. Pela localização daquela escola, quem para lá vai vive às voltas da Boavista e os pais têm jantes de liga leve sem precisar de as gamar. Os pais da miúda histérica que agride a professora de francês estarão nessa média. Os pais do miúdo besta que filma a cena, também. Tudo isso nos remete para a questão tão badalada das avaliações. Claro que não me permito avaliar a citada professora. A essa senhora só posso agradecer a coragem. E pedir-lhe perdão por a mandar para os cornos desses pequenos cobardolas sem lhe dar as condições de preencher a sua nobre profissão. Já avaliar os referidos pais, posso: pelo visto, e apesar das jantes de liga leve, valem pouco. O vídeo mostrou-o. É que se ele foi filmado numa sala de aula, o que mostrou foi a sala de jantar daqueles miúdos.

Outros tempos, outra Educação

Creados mestres idóneos, é indispensável também retribuil-os suficientemente para que possam e queiram desempenhar-se do seu officio. Ordena-o a justiça; o interesse o aconselha.
Ao mestre pago do thesouro commum para educar, crear e instruir os filhos da nação, em que já palpita a nação futura, deve-se dar, além de um salário que o resgate de mendigo, a consideração que a importância da sua obra está pedindo; outhorgando-se-lhe um encurtamente razoável no seu trabalho quotidiano, que até hoje tem sido de escravo, e affiançando-se-lhe o jus á jubilação para antes da ultima decrepidez. (António Feliciano de Castilho em 1857, “Reforma do Ensino Público em Portugal” in Revista da Instrucção Publica para Portugal e Brazil, nº 1, p. 7.)

A primeira fase do saber é amar os nossos professores. (Erasmo de Roterdão, 1466-1536)

Política educativa e violência nas escolas

Maria Beatriz Pereira, investigadora, docente da Universidade do Minho e presidente da Comissão Directiva e Cientifica de Doutoramento em Estudos da Crianças, chegou às seguintes conclusões, acerca da violência nas escolas:
  • Os professores são as novas vítimas do bullying.
  • Há casos em que os professores esperam ansiosamente que o ano escolar termine.
  • Os professores têm dificuldade em controlar os alunos, não conseguem incentivá-los e ficam cada vez mais desmotivados.
  • Quanto maior é o insucesso escolar maior é a incidência de bullying.
  • [Os alunos] ofendem os professores, chamam-lhes nomes e ameaçam-nos, não com agressões físicas, mas com avisos de que, por exemplo, lhes vão destruir o carro.
  • Nos casos que acompanha, os professores são constantemente denegridos, rebaixados e humilhados pelos alunos.
  • [Os professores] apresentam queixa contra os estudantes no conselho executivo, as crianças podem ou não ser suspensas, os pais são chamados à escola e pouco mais.
  • De todas as formas de bullying, as que mais parecem deixar marcas nos professores são o rebaixamento junto de colegas e alunos e as observações maldosas sobre o aspecto físico ou a forma de vestir.
  • Quanto maior é o insucesso, maior é a agressividade e a necessidade de maltratar os outros.
  • A única solução para reduzir os efeitos das agressões físicas e verbais é a criação, por parte das escolas, de regras rígidas e de punições para quem não as cumprir.
Aqui está o triste resultado da política de desautorização e humilhação dos professores e de desresponsabilização e desculpabilização dos alunos, de Maria de Lurdes Rodrigues!
Aqui estão as dramáticas consequências da política educativa do governo de Sócrates, assente no facilitismo da aprendizagem e no sucesso estatístico!

Por este caminho não iremos lá!… E o prejuízo maior até nem será dos professores! Antes de toda a sociedade portuguesa, que continuará a afundar-se inexoravelmente na cauda da Europa.
Hoje, Sexta-feira Santa, evocando Cristo no calvário, será caso para perguntarmos: "Meu Deus, meu Deus, por que nos abandonaste?".

quinta-feira, março 20, 2008

Boas e más notícias

O Tribunal Administrativo de Lisboa rejeitou uma providência cautelar interposta por um sindicato da Fenprof para suspender o processo de avaliação de desempenho dos professores. Em todo o caso, restam ainda quatro providências sem decisão dos tribunais, o que significa que neste momento o resultado do jogo, 4-1, ainda é favorável aos professores.

Por outro lado, aumenta em todo o país o número de escolas que suspenderam ou pretendem suspender o processo de avaliação. Só para falar no centro do país, é o caso do agrupamento de escolas de Montemor-o-Velho mas também de mais 20 agrupamentos de escolas e escolas secundárias do distrito de Coimbra — entre as quais, Avelar Brotero, D.Duarte, Jaime Cortesão, José Falcão, Quinta das Flores e Infanta D. Maria, a primeira escola pública do ranking — cujos presidentes apelaram hoje à ministra da Educação para suspender aquele processo até ao final do ano lectivo.
Tanto quanto julgamos saber, a Secundária de Cantanhede não seguiu este mau exemplo…

A frase

Estamos a deixar de ser um país para nos transformarmos em provérbio.

5 anos de invasão do Iraque: balanço de uma tragédia

  • 150 mil a 600 mil mortos iraquianos (600 mil segundo o director do Centro de Resposta a Refugiados e Desastres da Escola de Saúde Pública Johns Hopkins e responsável pelo inquérito publicado na Lancet, Johns Hopkins.

  • 3987 soldados americanos mortos no Iraque

  • 4295 soldados mortos no Iraque (1724 mortos com bombas de berma de estrada)
  • 196 mil contractors no Iraque e no Afeganistão
  • 5,1 milhões (em 27 milhões) de iraquianos deslocados. Apenas 20% recebe alguma ajuda de agências da ONU ou de ONG's

  • 2,7 milhões de deslocados no Iraque

  • 1,2 milhão de refugiados na Síria

  • 500 a 600 mil de refugiados na Jordânia

  • 43% dos iraquianos vivem com menos de um dólar por dia

  • 12 horas de electricidade por dia na capital de um dos maiores produtores de petróleo do Mundo
  • Um litro de gasolina custa 350 dinares (há dois anos custava 20 dinares)

  • 25% a 40% de taxa de desemprego
  • Custos directos e indirectos de 3 biliões de dólares para os EUA (segundo Joseph Stiglitz, Nobel da Economia em 2001)
  • Armas de destruição em massa descobertas: 0
Cortesia "Arrastão"

E se governassem e nos deixassem em paz?

"A fúria legislativa de um país que nem cheques sem cobertura consegue penalizar, que nem os carros consegue tirar das esquinas e de cima dos passeios, que pavimenta e atulha de prédios leitos de rios e ribeiras, que tem um pato-bravo a fazer de primeiro ministro, resolveu agora atacar o direito privado dos cidadãos muito para lá do que seria uma normal preocupação com a saúde pública."

"Que eu saiba sempre se furaram as orelhas das meninas em Portugal. É uma tradição que remonta, pelo menos, à época céltica, muito antes de Portugal existir, e muitíssimo antes de termos um parlamento atulhado de funcionários e manhosos suburbanos. O pascácio proponente deveria ser informado de que no nosso país não há "piercing", porque "piercing" é uma palavra inglesa. A minha filha, como as filhas de milhões de portugueses furaram as orelhas para lá colocarem os brincos de ouro oferecidos pelas madrinhas. Se agora a filha de um deputado pretender colocar um brinco na língua, no mamilo, ou no clítoris, que lhe havemos de fazer? É caso para recomendar ao deputado em causa, paciência e juízo. Que se preocupe com o regime de roubalheira instalado e com o futuro do país, e terá certamente muito que fazer."

Semana do Professor

Com a devida vénia ao Anterozóide

Brincadeira ou especulação?

Não sei se há nisto algum fundamento de verdade ou se não passa apenas de brincadeira ou pura especulação mas, se os nomes de que se fala começam por "V", o melhor mesmo é termos consciência de que temos de continuar a lutar para que alguma coisa de substancial mude na política educativa do nosso país!