terça-feira, novembro 18, 2008

Teixeira dos Santos é o pior

Os professores não receiam ser avaliados — de forma justa e séria. No entanto, se Teixeira dos Santos fica em último lugar na avaliação do desempenho dos ministros europeus das Finanças, realizada pelo "Financial Times", forçosa se torna a pergunta seguinte: que legitimidade moral e intelectual têm políticos medíocres, como Teixeira dos Santos, Sócrates ou Maria de Lurdes Rodrigues, para avaliar quem quer que seja? Eles é que serão avaliados em 2009. E não será, seguramente, com o voto dos professores que hão-de progredir na carreira.

É uma espécie de política educativa

Não é por acaso que, comparativamente aos países da OCDE da UE, Portugal tem uma das maiores taxas de abandono escolar, uma das mais baixas percentagens de população activa habilitada com o 12.º ano da escolaridade, uma das mais baixas taxas de alfabetização de adultos. Esta lastimável situação deve-se, em boa medida, à política educativa implementada no nosso país, a qual, no caso do actual Governo, em vez de privilegiar a melhoria das aprendizagens, a aquisição de competências, o rigor e a exigência da avaliação dos resultados, não passa de uma farsa orientada para o sucesso a qualquer preço, preocupada apenas com números e estatísticas. Mesmo que para isso se tenha de elaborar exames nacionais em versão simplex, de exercer chantagem sobre os professores (fazendo depender a sua avaliação dos resultados obtidos pelos seus alunos) e até de entregar magalhães às criancinhas, só para a fotografia.
Perderam a vergonha e a noção do ridículo — se alguma vez as tiveram — mas isso não é de admirar. É uma espécie de política educativa. Não mais do que isso.

domingo, novembro 16, 2008

O que eles escrevem - António Barreto

(clicar no texto para ampliar)
Fonte: Público, 16/11/2008

O epicentro está no Centro

Conselhos Executivos de mais de 30 escolas do distrito de Viseu responderam afirmativamente ao apelo de 55 dos seus pares do distrito de Coimbra, aprovando também, por unanimidade, um documento em que reclamam a suspensão do actual modelo de avaliação.
O Centro é também a região do país onde se verifica mais casos de suspensão do processo de avaliação por decisão dos professores.
É caso para dizer que, relativamente à contestação do modelo de avaliação do desempenho de Maria de Lurdes Rodrigues, o epicentro está… no Centro.

sábado, novembro 15, 2008

O que eles escrevem - Vasco Pulido Valente

(clicar no texto para ampliar)
Fonte: Público, 15/11/2008

Cavaco Silva: dois pesos e duas medidas!

"Não chegam os apelos do Presidente da República à acalmia, afirmando-se acima deste tipo de conflitos, se depois toma partido por outros grupos ditos «corporativos», considerando-os pilares fundamentais da democracia. Porque ou há coerência - mesmo sendo o PR o chefe supremo das Forças Armadas - ou mais vale assumirem-se com clareza os alinhamentos e as afinidades."

"Quem tem olhos percebe: isto está perfeitamente às avessas e quem começou a incendiar as coisas não foram os professores. Lembremo-nos sempre desse facto incontornável."

Paulo Guinote

Ministério da Educação — a Nave dos Loucos

Depois da gigantesca manifestação de 8 de Novembro e da resposta antecipada e provocatória da Ministra da Educação, recusando-se a recuar no seu modelo de avaliação, escolas e professores, pura e simplesmente, estão a suspender a sua aplicação.
Toda a oposição — alguma de forma oportunista, diga-se — apoia a luta dos docentes e mesmo destacadas personalidades do PS, tais como Manuel Alegre, António José Seguro ou António Costa, cada qual à sua maneira, a compreendem.
Ao mesmo tempo, milhares de estudantes faltam às aulas, fecham as escolas a cadeado ou manifestam-se frente ao Ministério da Educação, em protesto contra o regime de faltas e a política educativa do Governo, e Cavaco Silva, placidamente, apela à serenidade e desanuviamento na educação.
Enquanto o Titanic da 5 de Outubro se afunda irremediavelmente, a orquestra continua a tocar. A música é sempre a mesma, seja na voz da cantora ou na partitura do maestro . Se ninguém parar aquela Nave dos Loucos, usando as palavras de MLR, recuaremos 30 anos em matéria de Educação.

sexta-feira, novembro 14, 2008

Da desobediência civil

Em 8 de Março foram 100 000 — a maior manifestação de uma só classe profissional, no nosso país. 8 meses depois, o número subiu espantosamente para 120 000. Não reivindicam melhores salários ou quaisquer outras condições materiais. Querem apenas ser professores e ter tempo para realizarem a sua missão: ensinar e educar os seus alunos. Por isso se manifestam e lutam, corajosamente, contra uma política educativa que os desautoriza, humilha, ofende, através da imposição de um estatuto profissional aviltante, de uma divisão artificiosa da carreira docente, de uma avaliação de desempenho burocrática, perversa, desvirtuadora da essência da Escola. Por isso ousam desafiar o Poder e a irracionalidade da lei. Eles aprenderam com Ghandi que "quando alguém compreende que é contrário à sua dignidade de homem obedecer a leis injustas, nenhuma tirania pode escravizá-lo."

Coimbra tem mais encanto…

Os presidentes dos conselhos executivos das escolas do distrito de Coimbra decidiram reclamar a suspensão do actual modelo de avaliação e apelaram às restantes escolas do país para fazerem o mesmo.

quarta-feira, novembro 12, 2008

Cinismo sem limites

A Ministra da Educação admitiu hoje que as alterações introduzidas no quotidiano dos professores podem provocar desmotivação e insatisfação, alegando, no entanto, que essas mudanças são necessárias aos pais, às escolas e aos alunos.
Como é seu hábito, a Senhora Ministra transformou, uma vez mais, os docentes em bodes expiatórios da situação lastimável a que a sua política conduziu a Escola Pública. Mas, desta vez, foi mais longe do que nunca: depois de todas as malfeitorias e humilhações que tem infligido aos professores, pediu-lhes desculpa. O cinismo de Maria de Lurdes Rodrigues não tem limites!

terça-feira, novembro 11, 2008

Coimbra aqui tão perto

Até o modelo ser revisto, a Escola Secundária de Dona Maria suspende o processo de avaliação do desempenho.
Entretanto, conselhos executivos de escolas do distrito de Coimbra reúnem quinta-feira, na Escola Secundária da Quinta das Flores, para "uma tomada de posição conjunta acerca do processo de avaliação, nomeadamente pedindo a suspensão do modelo".

Saí há pouco da minha escola e ouvi esta bela notícia na Antena 1. Agora confirmei-a no Público.

Daí pra cá não me sai da cabeça uma velha cantiga de Sérgio Godinho que diz:

Ai, eu estive quase morto
no deserto
e o Porto [Coimbra]
aqui tão perto

Acho, por isso, que é preciso, é urgente, fazermos alguma coisa…
E não estou propriamente a pensar na "melhoria" das fichas e das grelhas de um modelo de avaliação comprovadamente impossível, contra o qual se manifestaram 80% dos professores e, certamente, também não é aceite pela maior parte dos restantes 20% (para não falar de muitos pais que igualmente já perceberam que, com toda esta trapalhada pretensamente avaliadora, a aprendizagem dos seus filhos é que sai a perder).

sexta-feira, novembro 07, 2008

S. Pedro está com os professores

O governo está contra nós, professores, mas S. Pedro está do nosso lado: amanhã teremos bom tempo, em Lisboa. Os quatro quilómetros do Terreiro do Paço ao Marquês de Pombal, passando pelo Rossio e pela gloriosa Avenida da Liberdade, vão parecer-nos quatrocentos metros. Marchar por gosto e por convicção não cansa.

Educação: evitar o desastre!

Este governo e a sua ministra da educação são os coveiros do Ensino Público em Portugal.
Com o ECD que impuseram e a divisão arbitrária da carreira docente que engendraram, preparam agora o funeral com este modelo de "avaliação" do desempenho docente.

Por isso, estaremos amanhã, em Lisboa, 100 mil — ou mais — professores. É importante mostrar que não aceitamos esta política educativa desastrosa.
Mas não nos iludamos. Mesmo que lá estivéssemos TODOS, o governo mais autista e autoritário de que há memória em 34 anos de democracia, vai continuar cego surdo e mudo perante a realidade.

A partir da próxima segunda-feira, se não reinventarmos, continuarmos e intensificarmos a luta, seremos inevitavelmente derrotados. O desastre da Educação consumar-se-á definitivamente. Com prejuízo para todos: os professores, os estudantes e as suas famílias, a sociedade portuguesa.
A escolha é nossa!

A Educação é um campo de batalha

David Justino, ex- ministro da Educação e Assessor de Cavaco Silva, diz que a educação está a ser "demasiado fustigada" e transformada num "campo de batalha".
Fenprof concorda com David Justino e responsabiliza o Governo pelo clima de conflito. Nós também…

A avaliação dos professores compromete a aprendizagem dos alunos


Felizmente, muitos pais não se revêm na CONFAP do Sr. Albino e preocupam-se verdadeiramente com a aprendizagem e a educação dos seus filhos! Por isso, solidários com os professores, também exigem ao Governo outro modelo de avaliação do desempenho docente.

Resistências

1. Os pais estão ao lado dos docentes, contra a sua "avaliação", na primeira escola pública do ranking — a Secundária Infanta Dona Maria.
Não serão, infelizmente, a maioria, mas ainda há pais inteligentes, que só querem o melhor para os seus filhos.
[notícia do Público]

2. 1573 escolas aprovaram moções contra a avaliação burocrática de desempenho! É obra!…
Entretanto, o Secretário de Estado da Educação, Jorge Pedreira, afirma, sem qualquer pudor, que "a avaliação decorre normalmente nas escolas".
Não é original. Joseph Goebbels, que defendia que "uma mentira mil vezes repetida torna-se verdade", fazia o mesmo, E Salazar, que afirmava que, "em política, o que parece é", também.

3. Professores da E. S. Jaime Cortesão, Coimbra, recusam o modelo burocrático de avaliação de desempenho.

sábado, junho 21, 2008

O funeral da gestão democrática

Tudo começou com a aprovação desse rol de malfeitorias eufemisticamente designado de Estatuto da Carreira Docente. Na realidade, as desgraças com que o actual Governo nos tem vindo a brindar já lá estavam todas: a divisão da carreira em categorias, a existência de quotas de avaliação e de vagas para acesso aos escalões de topo, o aumento dos horários de trabalho, o exame para ingresso na profissão, a extinção dos quadros de escola, a perda de tempo de serviço por razões de doença legalmente comprovada, entre muitas outros mimos. Mas nós, porventura mais preocupados com o nosso trabalho e com os nossos alunos, ou pensando que a coisa não viesse a ser tão feia como parecia, esperámos para ver. E calámos. E, como é sabido, quem cala consente.
Veio depois o concurso para professor titular e, com ele, a divisão artificial e artificiosa da classe docente em professores de primeira e professores de segunda. Mas nós, ainda que tal nos parecesse injusto e injustificado, alinhámos no jogo.
Seguiu-se a avaliação do desempenho e então, finalmente, o nosso descontentamento acordou, engrossou, alastrou de norte a sul. E culminou num protesto como jamais se viu. Parecia que desta vez tínhamos feito valer as nossas justas razões. Mas houve alguém que se/ nos enganou. E tudo voltou à estaca zero. Ou quase.

Ao mesmo tempo, era aprovado o "novo" regime de gestão que vem extirpar de vez a democracia da Escola Pública: acaba com a direcção executiva colegial (impondo a figura do director omnipotente) e com a sua eleição por sufrágio directo e universal, põe fim à eleição dos coordenadores das estruturas pedagógicas intermédias pelos professores, reduzindo-os à mera condição de "funcionários" e, depois de no projecto inicial considerar, de forma humilhante e vexatória, que os professores não tinham os mesmos direitos que os outros elementos do Conselho Geral, concede-lhes finalmente o "favor" de também poderem ser eleitos para a presidência daquele órgão.
Por isso temos vindo a ser convocados para a farsa eleitoral para o Conselho Geral. Convidados a candidatarmo-nos, a votarmos, a legitimarmos, ao fim e ao cabo, o estabelecimento do poder autocrático nas nossas escolas.
Mas, desta vez, a minha memória ainda está bem fresca. E dorida. Por isso não me candidatei. Por isso não votei. De mim não hão-de dizer que participei no funeral da gestão democrática.

Aurélio Malva, 20/06/2008

quinta-feira, junho 19, 2008

O milagre não aconteceu (mais uma vez)

A eficácia alemã acabou com Portugal. Mas tal não aconteceu por acaso. Nem por milagre. No futebol, como na vida, só há uma receita para progredir e triunfar: precisamente aquela que faz da Alemanha um dos países mais desenvolvidos da Europa — trabalho, competência, organização, seriedade, colectivismo.

Por cá, os tugas preferem engalanar as casas e os automóveis com bandeiras nacionais e implorar o apoio da Virgem de Fátima ou da sua homóloga de Caravaggio.
Por este caminho, em dez jogos com a Alemanha, Portugal talvez ganhe um. E, pior e muito mais importante do que isso, nunca mais deixará de ser um dos países mais pobres e desgraçados da União Europeia.

terça-feira, junho 10, 2008

Ou vai ou racha!… Será que vai mesmo?…

Depois da gaffe de Cavaco, para desenjoar, sugiro vivamente a audição de De coração e raça, de Sérgio Godinho…

Pimp My Profile

"Sou português de coração e raça
Não há talvez maior fortuna e graça"
(De um conhecido hino)

Sou português de coração e raça
meio século comido pela traça
fechados numa caixa
e agora ou vai ou racha
e agora ou vai ou racha

Agora vamos é ser
donos do nosso trabalhar
em vez de andar para alugar
com escritos na camisa
e o dinheiro que desliza
do salário prá despesa
compro cama vendo mesa
deito contas à pobreza

Sou português de coração e raça
meio século comido pela traça
fechados numa caixa
e agora ou vai ou racha
e agora ou vai ou racha

Agora vamos é ser
donos do nosso produzir
em vez de ter que partir
com escritos numa mala
e a idade que resvala
do nascimento prá morte
vou pró leste perco o norte
e o meu corpo é passaporte.

Sou português de coração e raça
meio século comido pela traça
fechados numa caixa
e agora ou vai ou racha
e agora ou vai ou racha