Segundo dados do Ministério do Trabalho, em 2006, seis mil gestores de empresas declararam ganhar apenas o salário mínimo nacional, o que outra coisa não é senão uma despudorada fuga ao fisco e à segurança social.
Num país onde a corrupção é endémica e grande parte dos empresários se habituou a viver de expedientes pouco lícitos e do incumprimento das obrigações mais elementares, país que, segundo o Eurostat, regista uma das maiores assimetrias entre ricos e pobres, situações como esta já não me causam qualquer perplexidade. Enoja-me, isso sim, o facto dos sucessivos governantes nada fazerem para lhes pôr cobro. O que, infelizmente, também não é para admirar. Eles estão lá para defender os interesses da finança e tratar da sua vidinha. O resto é a conversa de sempre. Apenas para caçar votos.
domingo, maio 04, 2008
sábado, maio 03, 2008
Não entendo a razão de tanta confusão no PSD. Não entendo. É o que dá termos um PS de direita arraçado, ainda que tão-só levemente, de esquerda. Entendamo-nos: direita é um modo de estar na Humanidade, um modo de se organizar na luta de classes (a tal de que falava Marx cheiínho de razão) - "de direita" são os banqueiros, os grandes industriais, a malta do bago farto e os respectivos ajudantes. Ora sendo o PS actual o que é, e o PSD o que diz ser, não faz falta nenhum "novo" PSD - já está aí um PS que faz muito bem o trabalho da direita, embora sofra de um problema grave de identidade (insistindo em dizer-se de esquerda). Eu não me sinto capaz de dar grandes sugestões, mas... mesmo assim vou sugerir! Em vez deste folhetim em que a Ferreira Leite dos impostos para os pobres ainda vai sair como salvadora da Pátria, o melhor seria o PSD inscrever-se massivamente no PS. Era a maneira de atingirmos o climax da estabilidade governativa com a vantagem de evitar chatear a malta com aquela macacada das eleições da "alternância democratica" em que, uma vez um outra vez outro, se promete pra nunca se cumprir. Passava a ser aquilo e aquilo mesmo, tipo destino. E se as coisas corressem mal era só mudar de secretário-geral (como de resto já hoje acontece). Boa?
Acabem com a "mama" no SNS!
A Inspecção-Geral de Saúde descobriu que, no Hospital de S. João, no Porto, estavam a ser feitas cirurgias estéticas às mamas de funcionárias do próprio hospital. Algumas estavam mesmo inscritas como doentes na lista de espera do serviço, enquanto outras eram chamadas para a cirurgia quando faltava um doente para outra operação.
É uma situação de descarado oportunismo e manifesto aproveitamento, tanto mais inaceitável por se verificar num país em que muitos doentes chegam a esperar durante largos meses, quiçá anos, por uma cirurgia, na maioria dos casos, bem mais importante do que as que a notícia refere.
E não adianta o senhor Bastonário da Ordem dos Médicos, tão pressuroso na crítica aos autarcas que têm recorrido a Cuba para resolver rapidamente os problemas oftalmológicos dos seus munícipes, vir agora defender que cabe a cada médico ou, em última análise, ao director de serviço, decidir o que se faz. Não quero acreditar que seja por se tratar de um caso de mamas…
Certo é que estamos perante a utilização de um serviço público, que é de todos, em benefício de alguns, de uma situação de intolerável e abjecta imoralidade, de um verdadeiro atentado à deontologia profissional. Que a Ordem dos Médicos, mais do que todos, deveria condenar.
É uma situação de descarado oportunismo e manifesto aproveitamento, tanto mais inaceitável por se verificar num país em que muitos doentes chegam a esperar durante largos meses, quiçá anos, por uma cirurgia, na maioria dos casos, bem mais importante do que as que a notícia refere.
E não adianta o senhor Bastonário da Ordem dos Médicos, tão pressuroso na crítica aos autarcas que têm recorrido a Cuba para resolver rapidamente os problemas oftalmológicos dos seus munícipes, vir agora defender que cabe a cada médico ou, em última análise, ao director de serviço, decidir o que se faz. Não quero acreditar que seja por se tratar de um caso de mamas…
Certo é que estamos perante a utilização de um serviço público, que é de todos, em benefício de alguns, de uma situação de intolerável e abjecta imoralidade, de um verdadeiro atentado à deontologia profissional. Que a Ordem dos Médicos, mais do que todos, deveria condenar.
A palhaçada
Supostamente, este seria um vídeo humorístico. Porém, depois de vê-lo fica-se sem vontade de rir.
Realmente, na escola actual, onde o trabalho deu lugar à diversão e a exigência foi substituída pelo laxismo, a aula torna-se um circo. E o professor, um palhaço.
Mas esta palhaçada vai acabar mal. Sem Educação, um país não tem futuro!
Realmente, na escola actual, onde o trabalho deu lugar à diversão e a exigência foi substituída pelo laxismo, a aula torna-se um circo. E o professor, um palhaço.
Mas esta palhaçada vai acabar mal. Sem Educação, um país não tem futuro!
sexta-feira, maio 02, 2008
Os portugueses estão na "merda" e gostam
Ao cabo de três anos de governança do Partido (impropriamente designado de) Socialista, o panorama do nosso país não podia continuar a ser mais negro: dois milhões de pobres, mais de meio milhão de desempregados, emprego cada vez mais instável e precário, agravamento da carestia de vida, endividamento familiar crescente, serviços de saúde cada vez mais caros e demorados, educação desqualificada por uma cultura de facilitismo e desautorização dos professores, justiça inoperante, corrupção terceiromundista, promiscuidade escandalosa entre o poder político e a finança.
Apesar disto, segundo esta sondagem, se as eleições fossem agora, o Partido Socialista estaria à beira de renovar a sua maioria absoluta, que tão bons resultados tem conseguido.
Os portugueses não querem nada com o PSD. Compreendo-os. Trata-se de um saco de gatos onde cada um parece mais preocupado com a sua carreira política e a sua vidinha do que com os problemas do país. Ao fim e ao cabo, juntamente com o PS, o partido é responsável pela situação a que chegámos, ao fim de trinta anos de suposta alternância.
O que estranho (ou talvez não…) é a aversão aos comunistas. Parece-me ser um caso do foro psicopatológico. Provavelmente continuam a pensar que eles comem criancinhas ao pequeno almoço!…
E em relação ao Bloco, o argumento costumeiro: têm razão mas não têm credibilidade (ouve-se)!
Votar branco, ignoram o que significa (não leram Ensaio sobre a Lucidez, de Saramago). Não sabem que têm nas mãos a vassoura que poderia varrer o lixo que conspurca a nossa democracia.
Enfim, os portugueses estão na merda, não há dúvidas. Mas, pior do que isso, parece que gostam!…
Apesar disto, segundo esta sondagem, se as eleições fossem agora, o Partido Socialista estaria à beira de renovar a sua maioria absoluta, que tão bons resultados tem conseguido.
Os portugueses não querem nada com o PSD. Compreendo-os. Trata-se de um saco de gatos onde cada um parece mais preocupado com a sua carreira política e a sua vidinha do que com os problemas do país. Ao fim e ao cabo, juntamente com o PS, o partido é responsável pela situação a que chegámos, ao fim de trinta anos de suposta alternância.
O que estranho (ou talvez não…) é a aversão aos comunistas. Parece-me ser um caso do foro psicopatológico. Provavelmente continuam a pensar que eles comem criancinhas ao pequeno almoço!…
E em relação ao Bloco, o argumento costumeiro: têm razão mas não têm credibilidade (ouve-se)!
Votar branco, ignoram o que significa (não leram Ensaio sobre a Lucidez, de Saramago). Não sabem que têm nas mãos a vassoura que poderia varrer o lixo que conspurca a nossa democracia.
Enfim, os portugueses estão na merda, não há dúvidas. Mas, pior do que isso, parece que gostam!…
quinta-feira, maio 01, 2008
1.º de Maio é todos os dias!
Que país é este, com mais de meio milhão de desempregados, emprego precário com recurso ao uso e abuso da contratação a recibo verde, carestia de vida com aumentos escandalosos e sucessivos dos combustíveis e dos produtos alimentares, dois milhões de pobres e muitas famílias endividadas a sobreviver graças à solidariedade do Banco Alimentar, da AMI e de outras organizações???
Que país é este, em que, ao mesmo tempo, banqueiros e capitalistas engordam as suas fortunas imorais, onde boa parte dos governantes e dos políticos se preocupa sobretudo em tratar da sua vidinha e onde, segundo o Eurostat, se regista a maior desigualdade entre ricos e pobres da União Europeia???
Obviamente não estamos a falar do Zimbabwe. Trata-se do nosso país, Portugal. Ao fim de trinta anos de governança de um bloco central de interesses, de partidos que, da social-democracia e do socialismo, apenas usam, abusiva e indevidamente, o nome.
Hoje é o 1.º de Maio, dia dos trabalhadores, momento de evocação e, em muitos casos, de festa. Mas os portugueses não têm razões para pôr foguetes. Pelo contrário, com um governo que se prepara para aprovar um novo código laboral, com o objectivo de flexibilizar os despedimentos e legalizar a precariedade do emprego (em nome de uma suposta competitividade das empresas), só lhes resta mesmo lutar. Hoje e em cada um dos dias do ano. E ajustar contas, na primeira oportunidade, com quem há muito os anda a enganar.
Que país é este, em que, ao mesmo tempo, banqueiros e capitalistas engordam as suas fortunas imorais, onde boa parte dos governantes e dos políticos se preocupa sobretudo em tratar da sua vidinha e onde, segundo o Eurostat, se regista a maior desigualdade entre ricos e pobres da União Europeia???
Obviamente não estamos a falar do Zimbabwe. Trata-se do nosso país, Portugal. Ao fim de trinta anos de governança de um bloco central de interesses, de partidos que, da social-democracia e do socialismo, apenas usam, abusiva e indevidamente, o nome.
Hoje é o 1.º de Maio, dia dos trabalhadores, momento de evocação e, em muitos casos, de festa. Mas os portugueses não têm razões para pôr foguetes. Pelo contrário, com um governo que se prepara para aprovar um novo código laboral, com o objectivo de flexibilizar os despedimentos e legalizar a precariedade do emprego (em nome de uma suposta competitividade das empresas), só lhes resta mesmo lutar. Hoje e em cada um dos dias do ano. E ajustar contas, na primeira oportunidade, com quem há muito os anda a enganar.
sexta-feira, abril 25, 2008
25 de Abril, sempre!…
Contra o esquecimento, é preciso recordar Abril! E, mais do que isso, é urgente resgatá-lo! Em nome da nossa sobrevivência colectiva.
Grândola Vila Morena: liturgia de Sara Tavares!
Ou, de como não se dá pela falta das palavras quando elas estão
gravadas na nossa memória!…
Grândola Vila Morena: liturgia de Sara Tavares!
Ou, de como não se dá pela falta das palavras quando elas estão
gravadas na nossa memória!…
domingo, abril 20, 2008
Só podemos confiar em nós!
Quando toca a marchar, muitos não sabem que o inimigo marcha à sua frente.
Travámos uma das lutas mais participadas e intensas de que há memória. Estivemos unidos e mobilizados como nunca. Fizemos a mais grandiosa manifestação de professores que alguma vez aconteceu. Conquistámos as atenções da comunicação social e conseguimos a simpatia da maior parte dos fazedores de opinião. Toda a oposição política, da direita à esquerda, e mesmo algumas personalidades do partido do poder, estiveram connosco. Pusemos o Primeiro-Ministro à beira de um ataque de nervos e a Ministra da Educação com a demissão à vista. Em suma, tivemos tudo para vencer o combate e, afinal, acabámos por morrer na praia.
Quem ganhou em toda a linha foi Sócrates. Segurou Maria de Lurdes Rodrigues e mantém, no essencial, a sua política educativa e o seu modelo de avaliação. Por isso, canta vitória.
Nós, pelo contrário, temos é razões para estar desiludidos, indignados, revoltados. Não apenas porque nenhum dos principais objectivos da nossa luta foi alcançado mas, sobretudo, por termos sido utilizados como moeda de troca e vergonhosamente traídos. De forma calculista, ignóbil, pérfida. Ao mais alto nível, como aqui é relatado.
Caso para perguntar: com dirigentes destes quem precisa de inimigos?
Infelizmente, só podemos confiar em nós. É o que iremos fazer!
Cartilha de Guerra Alemã, Bertolt Brecht
Travámos uma das lutas mais participadas e intensas de que há memória. Estivemos unidos e mobilizados como nunca. Fizemos a mais grandiosa manifestação de professores que alguma vez aconteceu. Conquistámos as atenções da comunicação social e conseguimos a simpatia da maior parte dos fazedores de opinião. Toda a oposição política, da direita à esquerda, e mesmo algumas personalidades do partido do poder, estiveram connosco. Pusemos o Primeiro-Ministro à beira de um ataque de nervos e a Ministra da Educação com a demissão à vista. Em suma, tivemos tudo para vencer o combate e, afinal, acabámos por morrer na praia.
Quem ganhou em toda a linha foi Sócrates. Segurou Maria de Lurdes Rodrigues e mantém, no essencial, a sua política educativa e o seu modelo de avaliação. Por isso, canta vitória.
Nós, pelo contrário, temos é razões para estar desiludidos, indignados, revoltados. Não apenas porque nenhum dos principais objectivos da nossa luta foi alcançado mas, sobretudo, por termos sido utilizados como moeda de troca e vergonhosamente traídos. De forma calculista, ignóbil, pérfida. Ao mais alto nível, como aqui é relatado.
Caso para perguntar: com dirigentes destes quem precisa de inimigos?
Infelizmente, só podemos confiar em nós. É o que iremos fazer!
sexta-feira, abril 18, 2008
Os ricos que paguem a crise!
Há por aí no planeta (sobretudo nos Estados Unidos e na Europa) uns 10 biliões de US dólares que não valem mais do que as notas do meu Monopólio de infância. Todos os que possuem tais "activos-fantasmas" querem ver-se livres deles, mas não sabem como! Procuram activos de carne e osso onde fundir os seus ficheiros electrónicos desprovidos de qualquer valor, mas este tipo de realidade escapa-se-lhes como enguias. O G7 anda de cabeça perdida e o FMI, tal como o Banco Mundial, estão falidos. Vendem ouro, despedem pessoal, fazem apelos patéticos sobre a trampa que eles próprios criaram, em suma caminham, a par da Reserva Federal americana, para a lata do lixo da história das instituições financeiras do imperialismo saído da segunda guerra mundial. Até que enfim! Entretanto, para sofrermos menos do que o previsível, há que estar atentos e denunciar todas as manobras em curso visando despejar o fardo do colapso nas costas de quem trabalha honestamente. Não devemos confundir a criação de riqueza com as dona-branquices piramidais, com a corrupção dos Estados, nem com a corja que inventou a especulação financeira como estratégia de exploração e expropriação do valor produzido pela maioria da humanidade. OS RICOS QUE PAGUEM A CRISE!
A direita não perdeu o seu líder
Com o P"S" (Partido de Sócrates) a governar da forma que era suposto caber aos partidos da direita, compreende-se perfeitamente o desnorte e a incapacidade de afirmação do P"SD" perante o seu eleitorado.
Os grandes interesses económico-financeiros sentem-se bem defendidos pelo actual primeiro-ministro e, de resto, agradecem-lhe generosamente com lugares para os amigos nos conselhos de administração das suas empresas.
Neste contexto, a demissão de Luís Filipe Menezes é um facto há muito esperado e absolutamente normal que, enquanto militante da esquerda, não me preocupa.
O que, de facto, me preocupa é que a direita não tenha perdido o seu verdadeiro líder. Na realidade, ele continua a chefiar o governo. E, pelo caminho que as coisas levam, por lá continuará. Para o mal do país.
Os grandes interesses económico-financeiros sentem-se bem defendidos pelo actual primeiro-ministro e, de resto, agradecem-lhe generosamente com lugares para os amigos nos conselhos de administração das suas empresas.
Neste contexto, a demissão de Luís Filipe Menezes é um facto há muito esperado e absolutamente normal que, enquanto militante da esquerda, não me preocupa.
O que, de facto, me preocupa é que a direita não tenha perdido o seu verdadeiro líder. Na realidade, ele continua a chefiar o governo. E, pelo caminho que as coisas levam, por lá continuará. Para o mal do país.
quinta-feira, abril 17, 2008
Ministério caloteiro
O Governo deveria, em todas as circunstâncias, comportar-se como pessoa de bem e constituir-se como um exemplo de integridade cívica e ética para os cidadãos.
Porém, quando há ministros que se julgam acima da Lei e desafiam as decisões judiciais, é o bom nome do Estado que é posto em causa e o erário público, suportado pelos nossos impostos, que fica a perder.
Trata-se, ao fim e ao cabo, de um problema de impunidade e de falta de pudor. Se lhes saísse da carteira, certamente comportar-se-iam de outra forma.
Porém, quando há ministros que se julgam acima da Lei e desafiam as decisões judiciais, é o bom nome do Estado que é posto em causa e o erário público, suportado pelos nossos impostos, que fica a perder.
Trata-se, ao fim e ao cabo, de um problema de impunidade e de falta de pudor. Se lhes saísse da carteira, certamente comportar-se-iam de outra forma.
O discurso do "inimigo principal"
Este acordo deixa-me muito satisfeito e quero felicitar publicamente a senhora ministra da Educação porque valeu a pena perseverar.
Fico muito satisfeito por todos os parceiros sociais terem reconhecido a importância da avaliação dos professores.
A oposição, há um mês atrás, o que queria era que se suspendesse a avaliação e que a ministra saísse do Governo. [Não aconteceu] nem uma coisa nem outra: a ministra está no Governo a conduzir de forma inteligente, capaz, determinada a política de educação e, por outro lado, a avaliação dos professores avança.
O mais importante é que o acordo refere que no próximo ano serão avaliados todos os professores, de acordo com as normas que constam do decreto regulamentar.
Disse muitas vezes que não seria mais um primeiro-ministro que passaria por este lugar sem fazer a avaliação dos professores, que nos últimos 30 anos prosseguiam na carreira sem nenhum tipo de avaliação.
Palavras de José Sócrates, comentando o acordo entre o Governo e os sindicatos, sobre a avaliação dos professores.
Palavras que nos suscitam, forçosamente, uma pergunta muito simples:
Foi para isto que se travou uma das lutas mais vigorosas e participadas de que há memória, no sector do ensino?
Se é professor, adivinho a sua resposta. E a sua desilusão…
Nota
O título desta posta começou por ser "O discurso da vitória" . Porém, depois do saudável debate com o companheiro FJSantos, acho que o actual fica bem melhor!
Fico muito satisfeito por todos os parceiros sociais terem reconhecido a importância da avaliação dos professores.
A oposição, há um mês atrás, o que queria era que se suspendesse a avaliação e que a ministra saísse do Governo. [Não aconteceu] nem uma coisa nem outra: a ministra está no Governo a conduzir de forma inteligente, capaz, determinada a política de educação e, por outro lado, a avaliação dos professores avança.
O mais importante é que o acordo refere que no próximo ano serão avaliados todos os professores, de acordo com as normas que constam do decreto regulamentar.
Disse muitas vezes que não seria mais um primeiro-ministro que passaria por este lugar sem fazer a avaliação dos professores, que nos últimos 30 anos prosseguiam na carreira sem nenhum tipo de avaliação.
Palavras de José Sócrates, comentando o acordo entre o Governo e os sindicatos, sobre a avaliação dos professores.
Palavras que nos suscitam, forçosamente, uma pergunta muito simples:
Foi para isto que se travou uma das lutas mais vigorosas e participadas de que há memória, no sector do ensino?
Se é professor, adivinho a sua resposta. E a sua desilusão…
Nota
O título desta posta começou por ser "O discurso da vitória" . Porém, depois do saudável debate com o companheiro FJSantos, acho que o actual fica bem melhor!
quarta-feira, abril 16, 2008
Luta dos professores: balanço e perspectivas
Definitivamente, se foram 90 por cento de 50 mil os professores que ontem avalizaram a assinatura do acordo com o ministério, não se pode falar de uma maioria esmagadora, quer no universo de 145 mil docentes existentes em todo o país, quer tendo como referência os 100 mil que participaram na inesquecível Marcha da Indignação. Será uma maioria — porque em democracia só os votos expressos contam — mas apenas relativa, que não pode levar os dirigentes sindicais a ignorar o profundo descontentamento e a enorme desilusão de largos milhares de professores pelo magro resultado alcançado.
Nunca será demais repetir que o acordo (ou entendimento, se preferirem) apenas soluciona, no imediato e pontualmente, o problema dos docentes contratados ou em vias de progressão. Quanto ao resto, que é o principal, nada resolve. O Estatuto da Carreira Docente, fonte de todas as injustiças, continua intocável, e o modelo de avaliação do ministério, burocrático, subjectivo, iníquo e, por que não dizê-lo, antipedagógico, regressará já em 2008/2009. Isto para não acrescentar ainda o novo modelo de gestão e autonomia escolar, mais uma ofensa à dignidade dos professores e à sua importância na vida da escola.
Tenhamos, por isso, consciência que, apesar da grandiosa luta de massas que os docentes têm travado, mesmo que, por enquanto, não tenham sido derrotados, se alguém ganhou esta primeira batalha foi o governo: primeiro, porque resistiu à demissão, a certa altura inevitável, da incompetente Ministra da Educação; segundo, porque Maria de Lurdes Rodrigues pode repetir, até à exaustão, que a avaliação dos professores não foi suspensa. E, quando as eleições começam a emergir no horizonte, trata-se de uma preciosa vitória política de José Sócrates.
Não haja, portanto, quaisquer ilusões quanto ao entendimento — o essencial, ou seja, quase tudo, está por conseguir! Que ele não sirva para anestesiar e manietar os docentes! A luta recomeça em Setembro, mais intensa que nunca…
Até lá, é tempo de contar as espingardas e afinar a táctica. E continuar a protestar, às segundas à noite, para não se apagar a chama, como canta José Afonso.
Nunca será demais repetir que o acordo (ou entendimento, se preferirem) apenas soluciona, no imediato e pontualmente, o problema dos docentes contratados ou em vias de progressão. Quanto ao resto, que é o principal, nada resolve. O Estatuto da Carreira Docente, fonte de todas as injustiças, continua intocável, e o modelo de avaliação do ministério, burocrático, subjectivo, iníquo e, por que não dizê-lo, antipedagógico, regressará já em 2008/2009. Isto para não acrescentar ainda o novo modelo de gestão e autonomia escolar, mais uma ofensa à dignidade dos professores e à sua importância na vida da escola.
Tenhamos, por isso, consciência que, apesar da grandiosa luta de massas que os docentes têm travado, mesmo que, por enquanto, não tenham sido derrotados, se alguém ganhou esta primeira batalha foi o governo: primeiro, porque resistiu à demissão, a certa altura inevitável, da incompetente Ministra da Educação; segundo, porque Maria de Lurdes Rodrigues pode repetir, até à exaustão, que a avaliação dos professores não foi suspensa. E, quando as eleições começam a emergir no horizonte, trata-se de uma preciosa vitória política de José Sócrates.
Não haja, portanto, quaisquer ilusões quanto ao entendimento — o essencial, ou seja, quase tudo, está por conseguir! Que ele não sirva para anestesiar e manietar os docentes! A luta recomeça em Setembro, mais intensa que nunca…
Até lá, é tempo de contar as espingardas e afinar a táctica. E continuar a protestar, às segundas à noite, para não se apagar a chama, como canta José Afonso.
terça-feira, abril 15, 2008
O prato de lentilhas
Ao que parece, boa parte (senão a maioria) dos professores e das escolas não concorda com a assinatura do entendimento entre o Ministério da Educação e a Plataforma Sindical.
E na verdade, olhando friamente o que foi conseguido — o ME apenas cedeu na avaliação simplificada dos professores contratados enquanto tudo o resto permanece — pode dizer-se que não passa de uma mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma.
De resto, a antiga secretária de Estado da Educação socialista, Ana Benavente, não hesita mesmo em acusar os sindicatos de cederem à chantagem do Governo e afirmar que a avaliação a que chegaram é a que existe (ou seja, a que o ministério quer impor), enquanto o Movimento em Defesa da Escola Pública considera que o acordo entre os sindicatos e o ministério não soluciona nenhum problema e apenas serve para legitimar toda uma política educativa que está na origem do profundo descontentamento dos professores. Até a Fenprof admite não assinar o entendimento com o governo, se não for essa a vontade da maioria.
Certo é que a classe docente, apesar da sua aparente divisão, não dá mostras de querer abrandar a luta. E tem todas as razões para isso. Os 100 000 merecem muito mais do que um prato de lentilhas!
Actualização
Pronto. Afinal os professores aprovaram por maioria o entendimento com o ministério. Não terá sido uma maioria tão esmagadora e, muito menos, um acordo tão significativo mas, enfim, é apenas uma batalha que não põe fim à guerra. Que promete ser longa e difícil. A luta recomeça em Setembro.
E na verdade, olhando friamente o que foi conseguido — o ME apenas cedeu na avaliação simplificada dos professores contratados enquanto tudo o resto permanece — pode dizer-se que não passa de uma mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma.
De resto, a antiga secretária de Estado da Educação socialista, Ana Benavente, não hesita mesmo em acusar os sindicatos de cederem à chantagem do Governo e afirmar que a avaliação a que chegaram é a que existe (ou seja, a que o ministério quer impor), enquanto o Movimento em Defesa da Escola Pública considera que o acordo entre os sindicatos e o ministério não soluciona nenhum problema e apenas serve para legitimar toda uma política educativa que está na origem do profundo descontentamento dos professores. Até a Fenprof admite não assinar o entendimento com o governo, se não for essa a vontade da maioria.
Certo é que a classe docente, apesar da sua aparente divisão, não dá mostras de querer abrandar a luta. E tem todas as razões para isso. Os 100 000 merecem muito mais do que um prato de lentilhas!
Actualização
Pronto. Afinal os professores aprovaram por maioria o entendimento com o ministério. Não terá sido uma maioria tão esmagadora e, muito menos, um acordo tão significativo mas, enfim, é apenas uma batalha que não põe fim à guerra. Que promete ser longa e difícil. A luta recomeça em Setembro.
Respeitar os professores em nome da Educação
Se o actual Governo tivesse verdadeiramente por objectivo a melhoria do ensino no nosso país, a última coisa que teria feito seria ter transformado os professores em bodes expiatórios da situação a que a Educação chegou em Portugal, a qual se deve, sobretudo, às políticas erráticas do ministério da tutela. Porém, em vez de seguir os bons exemplos dos países europeus mais desenvolvidos como a Islândia, a Finlândia ou a Noruega, onde os docentes não apenas são socialmente respeitados e dignificados, como não são submetidos a qualquer avaliação vexatória (como aqui, aqui e aqui é confirmado), José Sócrates preferiu eleger os professores como inimigo público de estimação e alvo preferencial da sua política economicista de corte nas despesas públicas. Para esse fim, impôs-lhes um estatuto gravoso e humilhante que, entre outras malfeitorias, conduziu à divisão da profissão em duas categorias, estabelece uma prova de ingresso na função e abre a porta a um novo modelo de avaliação (com este objectivo, o primeiro-ministro de Portugal e a sua ministra da Educação não hesitaram, sequer, em afirmar que os professores não eram avaliados o que, como aqui se comprova, não passa de uma despudorada mentira, da qual, se fossem pessoas sérias e decentes, deviam pedir desculpas públicas).
É contra este vergonhoso opróbrio que os professores têm vindo a lutar, como nunca antes acontecera, a ponto de terem feito, em 8 de Março, a maior manifestação de que há memória desde o 25 de Abril.
Por isso o entendimento conseguido entre a Plataforma Sindical e o Ministério, embora não deva ser negligenciado, sabe-lhes a pouco.
Por isso o Dia D' hoje é importante e decisivo para afirmarem que, com ou sem assinatura do entendimento, continuam unidos e dispostos a lutar, não apenas contra a irracionalidade do modelo de avaliação que o Ministério da Educação pretende levar por diante, mas sobretudo por uma profunda revisão do estatuto da carreira docente que o expurgue das injustiças que encerra.
Respeitar os professores é preciso. E urgente. Em nome da Educação. E do desenvolvimento a que o país tem direito.
É contra este vergonhoso opróbrio que os professores têm vindo a lutar, como nunca antes acontecera, a ponto de terem feito, em 8 de Março, a maior manifestação de que há memória desde o 25 de Abril.
Por isso o entendimento conseguido entre a Plataforma Sindical e o Ministério, embora não deva ser negligenciado, sabe-lhes a pouco.
Por isso o Dia D' hoje é importante e decisivo para afirmarem que, com ou sem assinatura do entendimento, continuam unidos e dispostos a lutar, não apenas contra a irracionalidade do modelo de avaliação que o Ministério da Educação pretende levar por diante, mas sobretudo por uma profunda revisão do estatuto da carreira docente que o expurgue das injustiças que encerra.
Respeitar os professores é preciso. E urgente. Em nome da Educação. E do desenvolvimento a que o país tem direito.
segunda-feira, abril 14, 2008
Portugal tomado de assalto
Houve um elemento que se destacou na "Quadratura do Círculo" quando José Pacheco Pereira "enunciou" o "problema" da ida de Jorge Coelho para a Mota-Engil. Foi o silêncio de Jorge Coelho. Ouviu coisas terríveis a seu respeito e ouviu-as impávido. Foram enunciadas sugestões de compadrio, sinecura, favoritismo e até incompetência para o lugar que vai assumir. Jorge Coelho manteve-se esfíngico não manifestando ter sentido qualquer ofensa. Se a sentiu ou não, não sei. Sei que não a manifestou. Conseguiu manter-se imperturbado enquanto era apregoado um terrível libelo de incoerências da vida pública em Portugal com ele no epicentro de impropriedades de comportamento. Nada de ilegal, mas tudo impróprio.
O antigo ministro do Equipamento Social de António Guterres não clamou nem inocência, nem ultraje. Olhou de frente o seu acusador e, com o silêncio, deu a única resposta que saiu do seu empedernido semblante e que eu traduzo como querendo dizer "É assim!". E é mesmo assim em Portugal. Perde-se o pudor, fica-se com o poder.
O antigo ministro do Equipamento Social de António Guterres não clamou nem inocência, nem ultraje. Olhou de frente o seu acusador e, com o silêncio, deu a única resposta que saiu do seu empedernido semblante e que eu traduzo como querendo dizer "É assim!". E é mesmo assim em Portugal. Perde-se o pudor, fica-se com o poder.
excerto de Perdido o pudor fica o poder, de Mário Crespo, JN
Petróleo, biocombustíveis e fome
Quando em 1956, o até então prestigiado investigador Marion King Hubbert previu que o pico global da exploração petrolífera iria acontecer aproximadamente cinquenta anos depois, ninguém o quis levar a sério. A comunidade científica ridicularizou-o e votou-o ao ostracismo e os políticos, inebriados numa orgia de crescimento económico desregrado, esqueceram por completo que estavam a lidar com um recurso natural não renovável o qual, mais tarde ou mais cedo, viria inevitavelmente a esgotar-se.
Infelizmente Hubbert não se enganou e, embora não haja uma unanimidade total em relação ao preciso momento da sua ocorrência, todos reconhecem que o pico do petróleo está a acontecer. As suas consequências começam a ser demasiado evidentes e dramáticas para as ignorarmos.
A era do petróleo barato acabou. A partir de agora as reservas caminham para uma inexorável depleção e o preço do crude não mais deixará de subir.
Em consequência disso, instalou-se a paranóia da corrida aos biocombustíveis, cuja produção e utilização está longe de ser isenta de riscos ambientais e sociais. Primeiro, porque parecem ser ainda mais poluentes que o petróleo; segundo, porque poderão levar a uma redução da área de cultivo dos bens alimentares, com a consequente diminuição da sua produção e o inevitável aumento do seu preço.
Se não se arrepiar urgentemente caminho, a humanidade pode estar à beira de uma tragédia de dimensões incalculáveis. Isso explica que o FMI, um dos sustentáculos da ordem mundial capitalista, venha agora alertar para os perigos duma situação a que o capitalismo ultra-liberal e sem escrúpulos não é, de forma alguma, alheio. Quem diria?!…
Infelizmente Hubbert não se enganou e, embora não haja uma unanimidade total em relação ao preciso momento da sua ocorrência, todos reconhecem que o pico do petróleo está a acontecer. As suas consequências começam a ser demasiado evidentes e dramáticas para as ignorarmos.
A era do petróleo barato acabou. A partir de agora as reservas caminham para uma inexorável depleção e o preço do crude não mais deixará de subir.
Em consequência disso, instalou-se a paranóia da corrida aos biocombustíveis, cuja produção e utilização está longe de ser isenta de riscos ambientais e sociais. Primeiro, porque parecem ser ainda mais poluentes que o petróleo; segundo, porque poderão levar a uma redução da área de cultivo dos bens alimentares, com a consequente diminuição da sua produção e o inevitável aumento do seu preço.Se não se arrepiar urgentemente caminho, a humanidade pode estar à beira de uma tragédia de dimensões incalculáveis. Isso explica que o FMI, um dos sustentáculos da ordem mundial capitalista, venha agora alertar para os perigos duma situação a que o capitalismo ultra-liberal e sem escrúpulos não é, de forma alguma, alheio. Quem diria?!…
domingo, abril 13, 2008
Que democracia?…
Em Itália, o neo-fascismo prepara-se para retomar o poder. Pela via eleitoral. Na pessoa do vigarista e corrupto Sílvio Berlusconi que, após os dois anteriores mandatos, os italianos parecem ainda não conhecer devidamente.
A democracia é, de facto, muito frágil. De tal forma que, quando o eleitorado não passa de um rebanho dócil e sem ponta de cidadania, pode até dar muito jeito para legitimar as situações mais absurdas. Ou mesmo trágicas. Como aconteceu com a eleição de Adolfo Hitler.
A democracia é, de facto, muito frágil. De tal forma que, quando o eleitorado não passa de um rebanho dócil e sem ponta de cidadania, pode até dar muito jeito para legitimar as situações mais absurdas. Ou mesmo trágicas. Como aconteceu com a eleição de Adolfo Hitler.
Corrupção: o Terceiro Mundo é aqui!
Alguém afirmou que, não fora o problema da corrupção e Portugal poderia ser um país tão desenvolvido como a Finlândia.
Embora aceite a afirmação como verdadeira, entendo que também podemos ver esta relação causa-efeito de modo inverso. Ou seja, a meu ver, é por sermos um país com um apreciável défice de desenvolvimento — a que não são alheias as nossas carências em matéria de alfabetização, escolaridade e educação, e as fragilidades da nossa cidadania, tão indulgente com as arbitrariedades e os desmandos do poder político e a sua promiscuidade com o poder económico — que a corrupção encontra em Portugal terreno propício para grassar, alimentando fortunas fáceis, ao mesmo tempo que impede o país de se desenvolver.
Não admira, por isso, que Portugal tenha registado, em 2007, um dos maiores níveis de corrupção entre os países da OCDE, tendo ficado na 28.ª posição da classificação da Transparency International, atrás de países como Singapura, Hong Kong, Chile, Barbados, Santa Lúcia, Uruguai e Eslovénia e, pior do que isso, evidenciando uma tendência para o agravamento da situação durante o mandato do actual governo. Talvez isto ajude a perceber as escandalosas nomeações de ex-"governantes" e destacados militantes do P"S" para os conselhos de administração das grandes empresas… As negociatas com o Estado não precisam de administradores com currículo profissional desde que eles tenham peso político, não é verdade?
Embora aceite a afirmação como verdadeira, entendo que também podemos ver esta relação causa-efeito de modo inverso. Ou seja, a meu ver, é por sermos um país com um apreciável défice de desenvolvimento — a que não são alheias as nossas carências em matéria de alfabetização, escolaridade e educação, e as fragilidades da nossa cidadania, tão indulgente com as arbitrariedades e os desmandos do poder político e a sua promiscuidade com o poder económico — que a corrupção encontra em Portugal terreno propício para grassar, alimentando fortunas fáceis, ao mesmo tempo que impede o país de se desenvolver.
Não admira, por isso, que Portugal tenha registado, em 2007, um dos maiores níveis de corrupção entre os países da OCDE, tendo ficado na 28.ª posição da classificação da Transparency International, atrás de países como Singapura, Hong Kong, Chile, Barbados, Santa Lúcia, Uruguai e Eslovénia e, pior do que isso, evidenciando uma tendência para o agravamento da situação durante o mandato do actual governo. Talvez isto ajude a perceber as escandalosas nomeações de ex-"governantes" e destacados militantes do P"S" para os conselhos de administração das grandes empresas… As negociatas com o Estado não precisam de administradores com currículo profissional desde que eles tenham peso político, não é verdade?
Ó Portugal Oculto, de que é que tu estás à espera?
O Portugal Oculto é, também, aquele cujos contornos permitem a promiscuidade entre a política e os grandes empresários.
[…]
O que vai restando das nossas esperanças de uma sociedade mais justa está a ser seriamente danificado. Não é de mais repeti-lo. E as frases bem boleadas, as declarações de princípio cheias de bons sentimentos não chegam para ocultar o que exalta, indigna e fere o […] outro Portugal.
[…]
[“] Creio que o estado a que as coisas chegaram é assustador. A fragmentação social indica-nos que a experiência do “mercado” não contém, em si, a panaceia para resolver a pobreza, nem é o único processo de desenvolvimento. Nunca o mundo possuiu tamanho grau de conhecimento. Nunca o conhecimento consentiu tamanho grau de miséria, desolação e sofrimento. O “mercado”, ao contrário do que proclamam os seus turiferários, não estruturou uma economia pública, nem estimulou um crescimento mais aberto. No caso português, então, a soma é pavorosa, e chega, até, à degradação.
O Portugal Oculto existe como uma chaga dos desamados e cresce com o ressentimento dos excluídos contra aqueles que só têm criado obstruções e alimentado um clima de violência – que deixou de ser latente para constituir uma ameaça e uma desafronta.
[…]
O que vai restando das nossas esperanças de uma sociedade mais justa está a ser seriamente danificado. Não é de mais repeti-lo. E as frases bem boleadas, as declarações de princípio cheias de bons sentimentos não chegam para ocultar o que exalta, indigna e fere o […] outro Portugal.
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[“] Creio que o estado a que as coisas chegaram é assustador. A fragmentação social indica-nos que a experiência do “mercado” não contém, em si, a panaceia para resolver a pobreza, nem é o único processo de desenvolvimento. Nunca o mundo possuiu tamanho grau de conhecimento. Nunca o conhecimento consentiu tamanho grau de miséria, desolação e sofrimento. O “mercado”, ao contrário do que proclamam os seus turiferários, não estruturou uma economia pública, nem estimulou um crescimento mais aberto. No caso português, então, a soma é pavorosa, e chega, até, à degradação.
O Portugal Oculto existe como uma chaga dos desamados e cresce com o ressentimento dos excluídos contra aqueles que só têm criado obstruções e alimentado um clima de violência – que deixou de ser latente para constituir uma ameaça e uma desafronta.
excerto de O Portugal da desafronta, de Baptista Bastos
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