sexta-feira, março 16, 2007

A Cimeira da Guerra

A Cimeira das Lajes foi há quatro anos.
Ficaria infelizmente conhecida por Cimeira da Guerra, por ter sido aí que George W. Bush, com a cumplicidade de Tony Blair e José Maria Aznar, e o apoio expresso do mordomo Durão Barroso, decidiu invadir um país soberano, a pretexto de mentiras forjadas e em flagrante violação do Direito Internacional.
Reunião de malfeitores directa ou indirectamente responsáveis por um crime de guerra hediondo que arrasou um país e causou o genocídio de centenas de milhares dos seus habitantes.
Como diz José Saramago, "É um aniversário para não esquecer, que além de trágico é absolutamente grotesco." Conservê-mo-lo, pois, na nossa memória. Para que, de futuro, não mais se realizem cimeiras da guerra na nossa terra!

A Palestina às escuras

Lá para o reino da Arábia
Havia amêndoas aos centos
Que grande rebaldaria
E a Palestina às escuras

Os Sheikes israelitas
Já que estou com a mão na massa
Lembram-me os Sheikes das fitas
Que dão porrada a quem passa

Zeca Afonso, Nefretite não tinha papeira

O Governo de Israel anunciou, ontem, que se recusa a negociar com o novo Executivo palestiniano […].
O Executivo, liderado por Ismail Haniyeh do Hamas, inclui 12 ministros desta organização, seis da Fatah (partido do presidente, Mahmud Abbas), e sete de outras organizações e independentes.


A raiz da tragédia e humilhação palestiniana remonta à criação abusiva do Estado judaico, em território que só aos palestinianos pertencia, no já distante ano de 1948, na sequência da orquestrada Resolução 181 da ONU.
Como então dizia Ghandi:
"A Palestina pertence aos palestinos, da mesma forma que a Inglaterra pertence aos ingleses, ou a França aos franceses.
É errado e desumano impor os judeus aos árabes. O que está acontecendo na Palestina não é justificável por nenhuma moralidade ou código de ética. Os mandatos não têm valor. Certamente, seria um crime contra a humanidade reduzir o orgulho árabe para que a Palestina fosse entregue aos judeus parcialmente ou totalmente como o lar nacional judaico."
Mas foi isso que veio a acontecer. As grandes potências e a ONU marimbaram-se em Ghandi, nos palestinos e na paz. O resto da história é por demais conhecido…

Lembram-se dele?

Foi subsecretário de Estado da Defesa (leia-se da Guerra) das administrações Bush (pai & filho) e o "arquitecto" das invasões do Iraque (1991 e 2003), que provocaram a destruição e o caos daquele país, causando a morte de centenas de milhares de civis inocentes.
Maquiavelicamente, inventou a mentira das armas de destruição em massa, que o Iraque alegadamente teria, mas pouco depois da invasão e quando já todos sabíamos que aquelas armas pura e simplesmente não existiam, numa entrevista ao Guardian, foi terrivelmente claro, afirmando sem nenhum pudor: "Nós não tínhamos qualquer escolha no Iraque. O país nada num mar de petróleo."

Se o Direito Internacional fosse aplicado, se houvesse justiça no mundo, Paul Wolfowitz seria julgado e condenado por crimes de guerra contra a humanidade!
Em vez disso, em reconhecimento pelos serviços prestados ao complexo industrial-militar e ao imperialismo americanos, foi nomeado presidente do Banco Mundial (também conhecido pelo eufemismo de BIRD — Banco Internacional para a Reconstrução e o Desenvolvimento!).

quarta-feira, março 14, 2007

Acabou o carnaval na Madeira?

Alberto João Jardim anunciou que só aceita governar a Madeira se obtiver maioria absoluta nas eleições antecipadas e que esse será o seu último mandato.

Agora, que a mama se lhe está a acabar, ao fim de quase trinta anos de reinado carnavalesco alimentado pelo festim das dotações orçamentais e dos fundos comunitários, o rei Momo da Madeira recorre, pela enésima vez, à jogada em que é verdadeiramente mestre: a chantagem!
Primeiro, demite-se, a seguir, candidata-se, e por fim ameaça que, se não tiver maioria absoluta, não governa. Como se, daqui pra trás o tivesse feito — pelo menos, de forma justa, transparente e genuinamente democrática!…
Sem euros, já nem acena com o espantalho do separatismo, como tanto gostava de fazer. Agora, percebendo que não está habilitado para governar com recursos escassos e de forma séria, ensaia a fuga prá frente. Quem vier atrás que pague a conta!…

terça-feira, março 13, 2007

Falar claro

"Um governo do PS tem a obrigação indeclinável de fazer as reformas possíveis que encurtem as desigualdades sociais e reduzam as injustiças."
"Nem sempre isso tem acontecido."
António Arnault, fundador do PS

Jobs for the boys (o regabofe)

Nem de propósito! Depois do que aqui atrás escrevi acerca da generosa distribuição de tachos levada a cabo pelo actual governo, o DN dá-nos agora os números exactos do regabofe (deste governo e dos que o antecederam):
  • Em dois anos de mandato, o Governo de Sócrates já fez, pelo menos, 2373 nomeações (sem contar os dados do Ministério da Justiça, cujo titular nomeou a filha como assessora).
  • No entanto, aquele ex-primeiro-ministro que trocou o seu Governo pelo tacho da presidência da Comissão Europeia, fez um pouco "melhor": 2804 nomeações.
  • Mas se considerarmos apenas as nomeações para os gabinetes, nesse caso, o líder incontestado dos "jobs for the boys" ainda é… António Guterres, com 2132 nomeações, seguindo-se José Barroso, com 1140, e José Sócrates, com 1077.
Enfim, já não falta tudo para os 150 000 "postos de trabalho" que o primeiro-ministro prometeu criar durante esta legislatura!
Agora mais a sério: governado há 30 anos por políticos e políticas deste quilate, é por isso que Portugal é um país eternamente adiado, sem presente, e de futuro duvidoso!…

segunda-feira, março 12, 2007

Tarde demais!

Quando devia falar, calou-se!
Agora, quatro anos após uma invasão fora-da-lei e brutal que destruiu um país e liquidou centenas de milhares dos seus habitantes, é que vem dizer o que todos estamos fartos de saber: que Bush e Blair falsearam o relatório sobre as supostas armas químicas do Iraque, substituindo os pontos de interrogação por pontos de exclamação no relatório que apresentou.
Bem me parecia que o problema deles era "gramática"!
E o problema de Blix? Falta de coragem? Ou desonestidade? Talvez as duas coisas…

"Contentem-se" com mais deveres!

O Ministro das Finanças quer que as promoções e aumentos na Função Pública passem a depender do orçamento de cada serviço e da gestão de recursos humanos. Teixeira dos Santos prepara-se também para alterar os deveres de zelo e lealdade a que estão obrigados os trabalhadores.

Se é o Ministério das Finanças que estabelece as dotações orçamentais para cada ministério e serviço, é o mesmo que dizer que não vai haver aumentos nem promoções para ninguém. Os trabalhadores que se "contentem" com mais deveres!…
Claro que nada disto se aplica aos directores de serviços, e gestores do banco de Portugal e das empresas públicas. E aos familiares e amigos de governantes, para quem o tacho está sempre garantido.
Este é o governo mais corporativo e neo-fascista de que há memória, desde 1974!

domingo, março 11, 2007

Surrealismo puro

Após saber que vai a julgamento, no âmbito do processo "Apito Dourado", Valentim Loureiro disse que quer ser julgado na televisão porque, conforme se queixou, nos tribunais ninguém o leva a sério.
Mas como é que o senhor major quer que o levem a sério, quando ele brinca com coisas sérias?…
Só faltava voltarmos a ter na TV "O Juiz decide"!…
Não há dúvida, isto é surrealismo puro!

Afinal Obama é igual aos demais

O essencial do discurso de Barack Obama sobre Israel é agora conhecido e, como era esperado, o candidato não fez qualquer segredo do seu apoio e dedicação ao relacionamento especial entre os Estados Unidos e Israel. “A minha visão é que o relacionamento especial dos Estados Unidos com Israel obriga-nos a ser-lhe útil na busca de parceiros credíveis com quem possa fazer a paz, e ao mesmo tempo, a apoiar Israel na sua defesa dos inimigos que juram querer a sua destruição” — foram as palavras de Obama ao Haaretz [jornal israelita], na semana passada. Hoje, ele soou tão forte como Clinton, tão apoiante como Bush, tão amigável como Giuliani. Pelo menos na retórica, Obama passou em todos os testes que qualquer um tenha querido que ele passasse. Portanto, ele é pro-Israel. Ponto final. [traduzido daqui]

Ou seja, Obama, Clinton e Giuliani, democratas e republicanos, embora diferentes, nesta matéria são todos iguais!
Da América, os palestinianos não podem esperar outra coisa que não seja o apoio vergonhoso àqueles que os matam, os roubam, os humilham, os não deixam viver livremente na terra que sempre foi a sua!

sábado, março 10, 2007

Viva Portugal!

Joguei râguebi, durante apenas dois anos, na equipa da faculdade, já lá vão quase 35 anos!
Mas foi o suficiente para ficar, para sempre, adepto desta modalidade. Porque valoriza o colectivo, a táctica, a entreajuda, o estoicismo. Porque promove o jogo limpo. Porque é desporto.
Fiquei, por isso, feliz pela vitória de Portugal frente ao Uruguai, que nos deixa agora a um pequeno passo do apuramento para o Mundial 2007. O que seria um feito inédito, por duas razões: primeira, porque nunca estivemos num mundial de râguebi, e segunda, porque seríamos a primeira equipa amadora a alcançar uma fase final da prova.

Postado também aqui

Portugal é o último mas Sócrates está satifeito!…

Em 2006, com uma taxa de crescimento do PIB de 1,3%, Portugal foi apenas o país da União Europeia que registou o menor crescimento económico. Muito aquém do crescimento médio da UE-25, que foi de 2,9%, ou de nuestros hermanos, que alcançaram os 3,9%. Mas, bom mesmo é o crescimento das economias do leste europeu. Podem conferir tudo aqui, no Eurostat.
Entrementes, o primeiro-ministro, que não deve consultar o Eurostat, fez uma festa do caraças e declarou que os dados do INE representam um bom sinal para a evolução da economia em 2007, e comprovam que Portugal está em progressiva melhoria.
Como se isso fosse possível, com todos os outros países a crescerem mais do que nós!!!…

sexta-feira, março 09, 2007

A cereja no cimo do bolo!

Votei "sim" no referendo de 11 de Fevereiro pelas razões que aqui expus e que se traduzem no respeito pela liberdade de um ser humano inteiro, a mulher, cujos direitos não podem ser minimizados e postos em causa pelos direitos de uma forma de vida ainda embrionária, por mais respeito que ela nos possa merecer (e merece).
Saúdo, portanto, a nova lei do aborto, aprovada pela maior Maioria de Esquerda — PS, PCP, BE e Verdes —, a que se associaram 21 deputados do PSD.
E registo com agrado o equilíbrio da sua formulação.
Por um lado, porque o novo diploma, no respeito pelo veredicto popular, garante a liberdade de decisão da mulher.
Mas, por outro lado, introduz um elemento de responsabilidade no acto, uma vez que, relativamente à mulher que pretenda abortar:
  • não a dispensa de uma consulta médica prévia;
  • obriga-a a um período de reflexão não inferior a três dias;
  • disponibiliza-lhe acompanhamento psicológico e social; e
  • garante-lhe aconselhamento obrigatório de planeamento familiar de modo a prevenir novas situações de gravidez indesejada.
Por tudo isto, esta nova lei da IVG representa, indubitavelmente, um grande passo em frente da democracia e da liberdade, no nosso país.
A sua aprovação no Dia Internacional da Mulher foi a cereja no cimo do bolo!

quinta-feira, março 08, 2007

Celebrar a luta pela igualdade

A Constituição da República Portuguesa estabelece, no artigo 59.º, que "todos os trabalhadores, sem distinção de […] sexo […], têm direito à retribuição do trabalho, segundo a quantidade, natureza e qualidade, observando-se o princípio de que para trabalho igual salário igual, […]. "
No entanto, hoje, que é o Dia Internacional da Mulher, não é demais lembrar que as mulheres portuguesas, que estão já em maioria na população empregada com o ensino secundário e superior, e também em subgrupos e grupos profissionais de qualificação elevada e média, continuam a ser profundamente discriminadas no salário recebido, na segurança no emprego, no rendimento de substituição (em caso de perda do emprego) e na reforma.
Já no artigo 25.º, a CRP consagra o direito à integridade pessoal mas o que ainda hoje, Dia Internacional da Mulher, se verifica é que as mulheres portuguesas são muitas vezes, demasiadas vezes, vítimas — quantas vezes silenciosas… — da violência doméstica e do medo.
A Constituição da República garante ainda, a todos, o direito de "participação na vida pública" (artigo 48.º) e o direito de acesso a cargos públicos (artigo 50.º) mas o facto é que Portugal é, ainda hoje, Dia Internacional da Mulher, um país onde a desejada paridade entre homens e mulheres, nesta matéria, deixa muito a desejar.

Estamos em 2007, o Ano Europeu da Igualdade de Oportunidades para Todos, mas as mulheres portuguesas sabem bem que, no que lhes diz respeito, isso está ainda muito longe de corresponder à verdade.
Elas sabem que, embora possam contar com a solidariedade de muitos de nós, homens, terão de lutar de forma paciente e corajosa, como sempre fizeram, pelo pleno reconhecimento dos seus direitos. Direitos, ao fim e ao cabo, devidos a todo e qualquer ser humano.

quarta-feira, março 07, 2007

Com o Diabo, todo o cuidado é pouco!

Segundo aqui se relata, os locais por onde Bush passar na sua próxima visita ao Brasil, integrada numa digressão pela América Latina, poderão ser exorcizados e limpos com enxofre.
Na verdade, como bem sabemos, o Diabo tece-as. Por isso, com ele, todo o cuidado é pouco!

Humor

Esta é mesmo pra rir!…

terça-feira, março 06, 2007