domingo, fevereiro 18, 2007

O povo unido jamais será vencido!

O povo unido jamais será vencido!Eles acreditam que sim e é isso que importa.

Se fizessem todos assim…

Só há dinheiro para projectos faraónicos. E para as mordomias e prebendas da casta dirigente. Mais os ordenados e reformas imorais dos gestores públicos. Para isto não há cortes orçamentais!
Os cortes orçamentais são para a plebe. Para os trabalhadores, que têm de gramar os baixos salários, o congelamento de carreiras, os despedimentos. E para as populações que, pelos vistos, não têm direito a escolas, urgências hospitalares e maternidades.
Se fizessem todos assim, outro galo cantaria…

Pinocchios

O ministro do Trabalho e Solidariedade Social, Vieira da Silva, manteve ontem a promessa feita por Sócrates, de criar 150 mil postos de trabalho durante esta legislatura.
Ora bem, segundo o INE, nos últimos dois anos, a economia portuguesa criou 8 900 postos de trabalho. Quer isto dizer que, nos próximos dois anos, falta apenas criar 141 100!…

Mas afinal quem é que estes senhores pretendem enganar???

De braços abertos ou de pernas abertas?

Sócrates afirmou há dias que quer empresas portuguesas na China.
E eu disse aqui que, "pensando bem, talvez nem fosse má ideia. Passaria a haver mais espaço para as empresas espanholas."
E acertei. Quem o confirma é o ministro Acelera, que diz que "Portugal precisa de investimento e recebe as empresas espanholas de braços abertos".
Bom seria é que não fosse de pernas abertas!…

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

Força Seabrinha!

Seabra Santos, Magnífico Reitor da Universidade de Coimbra, e um dos fundadores da Brigada Victor Jara, considerada por muitos como o grupo de referência da nova música tradicional portuguesa, foi eleito presidente do CRUP, Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas.
Homem de convicções e de causas, com quem tive a honra de trabalhar durante cinco anos na Brigada (de que ainda faço parte), Seabra Santos "manifesta o desejo de reforçar o papel das universidades nas políticas de educação". E, daquilo que dele conheço, não tenham dúvidas que está a falar verdade.
Força Seabrinha!

Não acabem com a linha do Tua, por favor!

O trágico acidente ocorrido na linha do Tua pode ter sido apenas fruto do azar ou resultado da infeliz circunstância de um pequeno comboio ter passado no sítio errado à hora errada.
Ou talvez não. É que num país onde a ferrovia, em particular no interior, tem sido preterida e abandonada em favor do asfalto, e onde não existe uma verdadeira cultura de segurança e responsabilidade, há sempre uma probabilidade bem maior de acontecerem "azares". O que, por estas bandas, é muito difícil de suceder…
Só espero que esta desgraça não seja o pretexto de que estavam à espera, aqueles que há muito defendem o encerramento de uma das linhas férreas mais bonitas de Portugal!…

O que os outros disseram de nós…

Nova era em Portugal

“A ampla vitória do “sim” (59% contra 40%) no referendo sobre o aborto celebrado no domingo em Portugal representa, nove anos depois do triunfo tangencial do “não” na primeira consulta, um histórico passo adiante para o país vizinho. Ao dar o seu respaldo à despenalização do aborto por decisão da mulher nas primeiras 10 semanas de gravidez, Portugal disse não ao medo, à humilhação e à perseguição judicial das 20.000 mulheres que em cada ano tomam a decisão de abortar, seja clandestinamente ou no estrangeiro.” El País


Portugal Católico vota pela despenalização do aborto nas primeiras semanas de gravidez

"Portugal votou ontem em referendo, para varrer séculos de dominação moral da Igreja Católica Romana, permitindo que o governo reforme uma das leis do aborto mais restritivas da Europa." Guardian


A legalização do aborto em Portugal agita os conservadores

"A decisão do Portugal Católico de se juntar à maioria dos países europeus e permitir o aborto, agitou os meios conservadores do país, mas foi saudada pelos liberais como uma vitória para a modernidade." New York Times e Washington Post

terça-feira, fevereiro 13, 2007

O mapa não mente!…

O "Não" venceu no centro-norte — distritos de Viana do Castelo, Braga, Vila Real, Bragança, Aveiro, Viseu e Guarda — e nas regiões da Madeira e dos Açores. A excepção foi o distrito do Porto, que votou maioritariamente "Sim".
O "Sim", pelo contrário, venceu no centro-sul — distritos de Coimbra, Leiria, Castelo Branco, Santarém, Portalegre, Lisboa, Setúbal, Évora, Beja e Faro — mas, relativamente a 1998, registou os maiores crescimentos percentuais nos distritos do centro-norte e das ilhas.

Agora, que a vitória da despenalização da IVG no referendo é uma realidade incontestável, pode concluir-se, sem sombra de dúvida, que venceram a Esquerda, a liberdade e o Portugal de Abril, e foram derrotados a Direita, o conservadorismo da Igreja e o "portugal da moca".

O mapa não mente!…
E as excepções, que as há sempre, só confirmam a regra!

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

Venceu a despenalização da IGV! Legisle-se!…

O resultado da votação, já todos o sabemos, foi claro: o "sim" obteve cerca de 60% dos votos expressos; o "não" quedou-se pelos pouco mais de 40%.

Curiosamente, apesar de a abstenção ter rondado os 56%, durante o serão televisivo de ontem, não dei conta que, do lado dos partidários do "não", alguém invocasse esse facto para desvalorizar a vitória do "sim". Eles sabem que isso não seria justo pois, em 1998, o "não" venceu tangencialmente (51,3% contra 48,7%), com uma abstenção bem maior (68%), e ainda assim, os resultados não foram postos em causa.

De igual modo, apesar dos votos expressos não terem ultrapassado os 50%, ninguém questionou a legitimidade da Assembleia para legislar sobre a despenalização da IVG (nos moldes em que foi referendada). Perceberam, como pessoas inteligentes que serão que, embora o resultado do referendo não seja juridicamente vinculativo, também não é, obviamente, proibitivo. E, politicamente, é um claro sinal de quem votou — e em democracia só os votos expressos contam — para que os órgãos competentes legislem em respeito pela sua vontade.

Venceu a despenalização da IGV! Legisle-se!…

domingo, fevereiro 11, 2007

Ganhou o "sim"

Ganhou o "sim".
E com ele ganharam as mulheres que, por razões que, seguramente, não são fáceis, decidirem interromper uma gravidez até às 10 semanas, porque deixarão de ser tratadas e perseguidas como criminosas.
E com ele ganharam as mulheres que, em caso de aborto, em vez de serem empurradas para a clandestinidade que põe em risco a sua saúde e, quantas vezes, até a vida, podem ser assistidas em estabelecimentos de saúde legalmente autorizados.
E com ele ganhou a vida, porque o flagelo do aborto, que a criminalização e a repressão nunca conseguiram combater limitando-se a varrê-lo para baixo do tapete, pode agora ser atenuado com um verdadeiro apoio e aconselhamento da mulher (assim se implementem as indispensáveis políticas de planeamento familiar e apoio à maternidade, através de medidas de protecção das mães trabalhadoras e de apoio às famílias mais carenciadas…).

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

Votar Sim! Sem hesitar…

Carne pra canhão

Senhor Doutor…

Senhor Doutor, as regras deste mês…
Bem, ponha-me alegre essa carinha,
Pois a quota da população fez
Crescer mais um nadinha.
Senhor Doutor, assim sem casa, não…
Ora! Uma cama sempre a há-de ter!
E agora cuidadinho e nada de aflição,
Mostre que é uma mulher a valer.
Ande, seja uma mãezinha às direitas,
Dê carne pra canhão de medidas 'scorreitas;
Pra isso tem barriga, também sabe a cantiga —
Claro que há-de saber bem a cantiga.
Nada de tolices. Pronto.
E seja mãe e — ponto.

Senhor Doutor, sem trabalho e doente
O meu home' não pode ter um engerido…
Ora! Isso é só um conveniente
Estimulante para o seu marido.
Por favor, Senhor Doutor… Cara Senhora
Renner, eu não posso entendê-la.
Veja bem, o Estado precisa mais de homens agora
Que às máquinas façam sentinela.
Ande, seja uma mãezinha às direitas,
Dê carne pra máquinas de medidas 'scorreitas;
Pra isso tem barriga, também sabe a cantiga —
Claro que há-de saber bem a cantiga.
Nada de tolices. Pronto.
E seja mãe e — ponto.

Senhor Doutor, onde é que hei-de ir parir…
Senhora Renner, basta de palavreado!
Primeiro — vá de se divertir…
E agora pra o dever… temos falado…?
E quando a gente um dia diz que não
Sabemos bem o que estamos fazendo.
Portanto, dê-se por satisfeita — ou então…
E deixe o resto por minha conta, sim? 'Stá vendo:
Ora ande, seja mamãzinha às direitas,
Dê carne pra canhão de medidas 'scorreitas;
Pra isso tem barriga, também sabe a cantiga —
Claro que há-de saber bem a cantiga.
Nada de tolices. Pronto.
E seja mãe e — ponto.

Bertolt Brecht

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

Arcar com as consequências

Numa sociedade livre e democrática, não é, de forma alguma, aceitável que uma parte dos indivíduos se queira servir do Estado e da Lei para impor as suas convicções morais a todos os que delas não partilham.
Por esse facto, entendo até que o direito à interrupção voluntária da gravidez, em termos razoáveis e equilibrados, e na base de uma decisão informada e apoiada, não deveria ser sujeito a referendo, mas sim, à semelhança de outros direitos fundamentais, aprovado e constitucionalmente consagrado pelo Estado, através do seu poder legislativo.
Porém, uma vez que fomos chamados a pronunciar-nos, teremos que respeitar o resultado que se vier a verificar. E a verdade é que se o "não" ganhar, a lei ficará como está, com as consequências que todos conhecemos: o julgamento, a punição e a humilhação de quem abortar e a continuação da chaga social do aborto clandestino.
Se tal acontecer, serão estas as dramáticas consequências com cuja responsabilidade moral os votantes no "não" irão ter de arcar! Queiram ou não queiram!…

domingo, fevereiro 04, 2007

O fariseísmo do "Não"

E, erguendo-se Jesus, disse-lhe: “Mulher, onde estão os teus acusadores? Ninguém te condenou?”
E ela disse: “Ninguém, Senhor.” E disse-lhe Jesus: “Nem eu te condeno; vai e não tornes a pecar.”
João, 8, 10-11


A inviolabilidade da vida humana é um princípio sagrado para os católicos. Mas há mais doutrina cristã para além das Tábuas de Moisés. E mais, os valores do cristianismo procederam sobretudo da palavra e da existência carismática de Cristo.

A compaixão e a humildade, por exemplo, estão entre os valores pregados por Jesus. O primeiro deve manifestar-se na solidariedade para com o sofrimento da mulher ou da adolescente, que tendo incorrido numa gravidez não desejada, se sentem incapacitadas para a levar até ao fim, e abortam. O segundo implica o dever de aceitar pontos de vista diferentes sobre a evolução da vida intra-uterina e o significado do feto.

Perante os elementos contraditórios do nosso sistema civilizacional de valores, portanto, não vejo como seja possível encontrar uma solução objectiva – ou seja, independente das convicções de cada um – para a questão do aborto. Por ser um problema da consciência (e da crença) do indivíduo.

Quem se atreverá então, como pretendiam os fariseus fazer à adúltera, a atirar a primeira pedra à mulher que o cometa?

Também postado no Eco da Notícia

O crime compensa

O Presidente da República, Cavaco Silva, concedeu um indulto a um homem condenado por vários crimes e procurado em Portugal e a nível internacional por ser foragido.

sábado, fevereiro 03, 2007

Era um alívio!…

Sócrates quer empresas portuguesas na China.
Pensando bem, talvez nem fosse má ideia. Passaria a haver mais espaço para as empresas espanholas.
Já agora, podia aproveitar e mandar o governo prá Antárctida!
Era um alívio!…

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

Marcelo, quanto mais fala, mais se enterra!

Marcelo Rebelo de Sousa afirma aqui que concorda com a despenalização do aborto, nas condições previstas na questão do referendo — realizada por opção da mulher, nas 10 primeiras semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado — mas vai votar… não!
Com efeito, segundo a douta opinião do professor, o que a referida questão prevê não é a despenalização do acto abortivo mas a sua liberalização, porque “[…] podia ter previsto o acabar com as penas, acabar com a pena de prisão ou com qualquer pena e no entanto continuar a ser censurável o comportamento da mulher […]”.
Se bem entendo MRS, a diferença entre despenalização e liberalização reside então apenas na censura do acto. Sendo assim, no plano legal, que é o que aqui importa, deixa de existir qualquer diferença entre ambas, por nem
despenalização nem liberalização preverem as medidas de coacção e penas que a Lei não dispensa. De resto, a censura situa-se já no plano das normas morais e a sua “aplicação” não depende do Estado e dos Tribunais, mas da Sociedade e do seu sistema de valores.
Enfim, o que me parece é que o senhor professor, a quem, ao concordar com as condições concretas enunciadas na pergunta, só restava extrair a consequência lógica, que seria votar “sim”, optou pelo mais divertido contorcionismo conceptual para justificar o voto no “não”.
Ou muito me engano ou, até ao fim da campanha, quanto mais falar mais se vai enterrar. A gente agradece. É sempre bom que alguém nos faça rir para nos levantar o moral…

Publicado no Eco da Notícia

Votar Sim, para resolver o que o Estado não quis resolver

Não vale a pena assobiar para o lado, como se não tivéssemos pela frente um grave problema, e votar não para que tudo continue na mesma!
Mais do que um problema moral, sobre o qual, por mais entendimento que exista, dificilmente se verificará um verdeiro consenso social — salvo se estivéssemos numa sociedade "fundamentalista" — , o que temos de resolver, o que o Estado tem de resolver — e por isso, acho até que esta é uma questão que não deveria ser resolvida por referendo (mas isso já seria outra discussão…) — é, apenas, um sério e inadiável problema de justiça penal e de saúde pública.

Publicado no
Eco da Notícia

quarta-feira, janeiro 31, 2007

Por que voto SIM

Comecemos por recordar uma vez mais a pergunta do referendo do próximo dia 11: “Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras 10 semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?”.

O que vamos, portanto, ser chamados a decidir é se o aborto realizado dentro daquelas condições deve ser despenalizado ou se, pelo contrário, deve continuar a ser considerado um crime, como é hoje, sujeito a uma pena de prisão até 3 anos. Não se trata, na verdade, de saber a posição de cada um sobre o aborto que, acredito, ninguém aplaude nem deseja, mesmo quando por circunstâncias da vida, que nunca são certamente fáceis, uma mulher a ele se vê obrigada a recorrer.
Os defensores do Não à despenalização afirmam não pretender que as mulheres que abortam sejam punidas, mas caiem numa irremediável contradição porque, se a actual lei se mantiver, elas continuarão a ser perseguidas, julgadas, punidas, numa palavra, humilhadas. Só é possível deixar de punir quem aborta através da despenalização do aborto, e é isso que o Sim oferece.

Por outro lado, a despenalização do aborto obrigatoriamente realizado “em estabelecimento de saúde legalmente autorizado” é a única forma de pôr cobro à chaga social do aborto clandestino. Mesmo que, de imediato, a sua frequência possa não diminuir, o aborto legal passará a ser feito em segurança, sem pôr em risco a saúde e a vida da mulher, além de permitir decisões mais ponderadas e reflectidas, através de aconselhamento médico e psicológico. Portanto, se o Sim vencer, é um grave problema de saúde pública que poderá ser solucionado ou, pelo menos, muito atenuado. Já a vitória do Não significará a continuação de um drama que, infelizmente, acaba muitas vezes em tragédia.

Quanto ao limite de tempo para a realização de aborto em condições legais, proposto a referendo, 10 semanas é um valor perfeitamente moderado, ficando de resto aquém daquele que é adoptado na grande maioria dos países europeus, que é de 12 semanas. Em todo o caso, trata-se de um período suficiente para que a mulher se dê conta da sua gravidez e possa reflectir sobre a sua eventual interrupção.
Além disso, durante este período, o desenvolvimento do feto é ainda muito incipiente, faltando designadamente o sistema nervoso e o cérebro, pelo que não faz sentido falar-se num ser humano, muito menos numa pessoa. Ainda que a vida intra-uterina mereça respeito e protecção, antes das 10 semanas é, no entanto, insustentável que os direitos do feto prevaleçam ou se equiparem aos direitos e liberdade da mulher. Só as pessoas são titulares de direitos fundamentais.
Por outro lado, a despenalização do aborto nos termos propostos não viola o direito à vida garantido na Constituição, como voltou a decidir o Tribunal Constitucional, na fiscalização preventiva do referendo.
O Não, sob o argumento falacioso da defesa da vida, pretende sobrepor os direitos do feto (num estádio ainda embrionário) aos direitos da pessoa. Se vencer, abortar em qualquer altura continuará a ser crime. O Sim, respeitando a vida, em caso de decisão séria — e acredito que a decisão de abortar é sempre demasiado séria e traumática — aceita a prevalência dos direitos da pessoa (mulher) sobre os direitos de uma forma de vida embrionária (que está muito longe de ser o bebé que, desonestamente, alguns gostam de referir). O seu triunfo despenalizará o aborto até às 10 — pessoalmente acho que seria mais equilibrado até às 12 — semanas.

Quem achar, por convicção religiosa ou outras, que o aborto é um "pecado mortal" ou a violação intolerável de uma vida, não deve praticá-lo. Compreende-se até que tudo faça para persuadir os outros a não o praticarem. Mas não pode impor-lhes a sua moral e as suas convicções. Muito menos servir-se do Estado e do Direito para o fazer, condenando-os à prisão, caso as não sigam. É isso que faz o Não!
A despenalização do aborto, que o Sim defende, não obriga ninguém a actuar contra as suas convicções e a sua consciência.

Por tudo isto, e ainda, porque a despenalização do aborto é a solução que melhor garante a liberdade da mulher quanto à sua maternidade e o indispensável tratamento humano das situações de miséria e de humilhação provocadas pelo aborto clandestino,

Por tudo isto, e ainda porque tenho absoluta confiança nas mulheres da minha terra,

Por tudo isto, no dia 11, votarei Sim!

Publicado no Eco da Notícia

Na cauda da Europa (para não variar)

Portugal jaz entre ao mais recuados na matéria. Tratemos, pois, em 11 de Fevereiro, também por imperativos de convergência cultural, de nos aproximar da Europa das Mulheres, a quem, durante séculos e séculos, a Igreja negou o direito de ter alma (só se resignou a admiti-lo, sob o ponto de vista das proclamações formais, no séc. XIX), e a quem, ainda agora, nega o direito à consciência quando confrontada com os seus limites. Para os banqueiros, chegará a moeda como projecto de civilização; para o comum dos cidadãos, há outros valores a equacionar, a defender e a reivindicar.

Pelos elementos em presença, Portugal acha-se, pois, na só na periferia geográfica da Europa, integrando-se no Bando dos Quatro, em matéria de consideração pelos valores da família, da criança e da mulher. Pretende-se, pois, no próximo dia 11, introduzir um grau superior de compreensão da condição humana, grau que a generalidade das nações evoluídas já consagrou. Na prática, também os portugueses há muitos anos se pronunciaram pelo Sim à despenalização. Houve um referendo silencioso. Ninguém condena ninguém. Há que rematar o labor do juízo Social com a despenalização teórica, indispensável para fechar o círculo da maldição.

Mas é inadiável encerrar este capítulo negro da nossa democracia. E não é difícil: basta que não abdiquemos de ser racionais, justos e solidários. Em quadra de "salve-se quem puder", a pedagogia é árdua mas recompensadora: não devemos desistir de ser humanos.

por César Príncipe, em resistir.info

Votar Sim para celebrar o 8 de Março!

Esperemos que, no próximo dia 8 de Março, o Dia Inter(nacional) da Mulher conte com mais um avanço civilizacional: A vitória do Sim no referendo de 11 de Fevereiro. Na realidade, pouco significado alcançarão as celebrações na boca de determinadas entidades e personalidades se a actual lei se mantiver, lei que protege o aborto clandestino e a fuga aos impostos, lei que mata dezenas de mulheres por ano, lei que ameaça as mulheres com prisão até três anos se não tiverem posses para uma escapadela a Espanha ou a uma clínica portuguesa segura e confidencial. Em Portugal, como é da sabedoria adquirida, à maneira dos estabelecimentos hoteleiros, também, no aborto, as opções marcam a condição económico-social das clientelas: há hospedarias de viela para as mulheres desafortunadas e hotéis de cinco estrelas para as senhoras de cartão dourado. Não querer ver também esta fronteira de estatuto só pode revelar uma imensa distracção ou uma rude hipocrisia.

Os distraídos ainda estão a tempo de se aperceberem do que está em jogo: deixar de criminalizar a IVG até às dez semanas e permitir o acesso a cuidados médicos especializados e legalizados às mulheres que optem por esse último recurso. Quanto aos hipócritas, não vale a pena perder tempo: é a profissão deles.

por César Príncipe, em resistir.info

segunda-feira, janeiro 29, 2007

Votar "não" é dizer sim ao aborto clandestino!

O humor negro do Prof. Martelo, numa rábula genial dos Gato Fedorento…



Portanto, se a pergunta fosse "concorda com a despenalização da mulher que aborta num sítio todo badalhoco sem condições nenhumas?", eu votava sim!
Agora, num estabelecimento de saúde autorizado, não!
Prof. Martelo

Igreja humana (III)

"No seu drama, em lugar de uma punição penal, do que ela precisa sobretudo é de solidariedade. Estão a sociedade e a lei dispostas a apoiar eficazmente a mulher e, concretamente, a grávida?

Este apoio tem de traduzir-se em educação, prevenção, aconselhamento, combate à pobreza e exclusão, co-responsabilização do homem, incentivos à família e à natalidade. Também para que despenalização se não confunda com liberalização nem se torne método contraceptivo."

Igreja humana (II)

"Creio que é compatível o voto na despenalização e o ser — por pensamentos, palavras e obra — pela cultura da vida em todas as circunstâncias e contra o aborto. O "SIM" à despenalização da interrupção voluntária da gravidez, dentro das dez semanas, é contra o sofrimento das mulheres redobrado com a sua criminalização. Não pode ser confundido com a apologia da cultura da morte, embora haja sempre doidos e doidas para tudo."

Frei Bento Domingues, Público

domingo, janeiro 28, 2007

Igreja humana (I)

"Se não houvesse abortos na clandestinidade e nas condições de indignidade e de riscos para a saúde das mulheres, certamente a sociedade portuguesa não seria chamada a votar esta Lei de despenalização em referendo. Mas essa chaga social existe. É um facto. Não vale fechar os olhos a ela. Existe. E é para tentar introduzir nela uma réstia de humanidade e de dignidade humana, que a Lei de despenalização vai a referendo. E é por isso que eu, padre/presbítero da Igreja católica, ao contrário do Bispo de Viseu e de toda a hierarquia episcopal, votarei SIM no referendo. Sem hesitar. Como um acto de ternura para com as mulheres pobres do meu país!"

quarta-feira, janeiro 24, 2007

Quem defende quem?

O Ministério do Ambiente tinha dispensado a Secil da realização da avaliação de impacte ambiental, o que permitiu à cimenteira avançar, em Dezembro passado, com os testes de co-incineração de resíduos industriais perigosos, na fábrica do Outão (Arrábida).
Agora, o Tribunal Administrativo e Fiscal de Almada decidiu suspender a queima de resíduos perigosos na cimenteira da Secil até à realização da avaliação de impacte ambiental.
Ao fim e ao cabo, nada de surpreendente!
O governo de Sócrates defende os interesses privados.
O Tribunal de Almada limitou-se a defender o interesse público.
Tão simples como isso!


Terrorismo moral e intelectual

O Papa Bento XVI, comparou o aborto ao terrorismo.
Já o bispo de Viseu, D. Ilídio Leandro, afirmou que votaria «sim» à despenalização da mulher e que, seja qual for a resposta do referendo, a sua diocese vai prestar ajuda nos casos que considera "atentatórios da dignidade humana, seja de crianças seja de adultos".
É caso para perguntar:
Afinal, quem está a fazer terrorismo moral e intelectual?

segunda-feira, janeiro 22, 2007

A IVG foi despenalizada há 34 anos!

Faz hoje 34 anos que o Supremo Tribunal dos Estados Unidos despenalizou a interrupção voluntária da gravidez através da sentença no célebre caso Roe v. Wade (nome da senhora texana que então foi submetida a julgamento).

A decisão garantiu às mulheres americanas total autonomia sobre a gravidez durante o primeiro trimestre e definiu diferentes níveis de intervenção pública relativamente ao segundo e terceiro trimestres. Em consequência, as leis de 46 estados foram alteradas pela decisão do Supremo Tribunal americano.

sábado, janeiro 06, 2007

José Pacheco Pereira, contorcionista

1.
José Pacheco Pereira escreveu, no Abrupto:
Antes de se falar da morte de Saddam, o que "fala" nas imagens que vimos na televisão é a morte.

E não é a morte que "fala", nas centenas de milhares de vítimas mortais causadas por uma estúpida e hipócrita invasão e nas dezenas ou centenas de mortos que diariamente acontecem devido a uma não menos estúpida e hipócrita ocupação?
Escreve, JPP, que "Não há diálogo com a Ceifeira, não há palavras que possam ser ditas", apenas porque é politicamente correcto, porque, como se viu obrigado a reconhecer, "Saddam portou-se com dignidade". A dignidade, a moralidade e a verdade de que outros não deram mostras quando invadiram o Iraque e provocaram o morticínio brutal que todos sabemos. E que JPP e muitos outros apoiaram.
E vêm, ainda e agora, despudoradamente, acusar de "irracionalidade" os que sempre se opuseram à irracionalidade e estupidez de um genocídio? Tenham um pingo de decência, se lhes resta alguma…

2. Todo o arrazoado de JPP está refém do apoio que deu à invasão do Iraque. Não espanta, por isso que, condenando apenas o espectáculo da execução — por mais ginástica verbal que use foi apenas isso que fez — tenha dado o seu aval ao simulacro de julgamento do tribunal "especial" iraquiano. Cujo desfecho era não só previsível mas desejável por parte dos cúmplices de Saddam.

E JPP, cínico, escreveu:
Havia, aliás, uma maneira não americana, nem ingénua de pensar esta questão. Estaline era especialista nessa maneira, que certamente seria muito mais realista e eficaz: a de que "acabando-se com o homem, acabava-se com o problema."

E não é isso que, de forma brutal, foi feito com a arbitrariedade de uma invasão?
E não é isso que, de forma subtil — falhou apenas a "cerimónia" do enforcamento — foi feito com Saddam?

É que o TPI, para quem se recusa a submeter-se-lhe, poderia ser um incómodo. Pois…

quarta-feira, janeiro 03, 2007

USA e Grã-Bretanha: impérios do mal

Depois do crime trágico de 11 de Setembro, cuja autoria ainda hoje não está devidamente esclarecida, e de cuja responsabilidade as autoridades americanas poderão não estar completamente ilibadas, George W. Bush inicia a sua “cruzada contra o terror”, apontando a mira para o que chamou de "eixo do mal": Iraque, Irão e Coréia do Norte.
Hoje, passados seis anos, é mais claro do que nunca que o "terrorismo de Estado" anglo-americano não só não venceu o terrorismo nem aumentou a segurança do mundo, como ainda deixou para trás um rasto de morte e destruição.
Os "impérios do mal" só têm a autoridade das armas. Moral, nenhuma!
Como diria Noam Chomsky, "Todos estão preocupados em acabar com o terrorismo. Bem, é muito fácil: deixem de participar nele!"

Este texto, para o qual peço a vossa atenção, é um verdadeiro libelo acusatório irrefutável da cumplicidade americana e inglesa com o ex-ditador Saddam.
Saddam, que foi julgado — foi? — e condenado. Enquanto outros, tão ou mais criminosos que ele, ficarão certamente impunes.

segunda-feira, dezembro 11, 2006

Morreu o carniceiro

Morreu o carniceiro responsável pelo assassínio de mais de 2 000 pessoas, o desaparecimento de mais de mil e a tortura de mais de 20 000!


Que a terra se lhe seja "leve" como chumbo e que a alma (se a tem…), apesar de lhe terem dado a "extrema-unção", não tenha o perdão de Deus (se existe…) e arda para sempre no fogo dos infernos!
E não é "castigo" bastante pelo mal que cometeu!…

quinta-feira, novembro 30, 2006

Perguntas

Não foram os EUA que, durante a Guerra do Afeganistão (1979-1989), armaram e treinaram grupos guerrilheiros islâmicos anti-soviéticos, os mujahidin (que estiveram na origem dos Talibãs) ou grupos terroristas (como a Maktab al Khidmat, que se tornaria a rede Al’Kaida), mergulhando o Afeganistão numa guerra civil que devastou o país?

Não foram os EUA que apoiaram a subida de Saddam Hussein ao poder em 1979 e empurraram o Iraque contra o Irão numa guerra de oito anos (1980-1988) onde as armas norte-americanas transformaram o Iraque numa potência local, ao mesmo tempo que vendiam secretamente armas ao Irão, de onde conseguiam dinheiro sujo para financiar os "contras" na Nicarágua?

Assim sendo, as invasões do Afeganistão e do Iraque tiveram alguma coisa a ver com a propagandeada luta contra o terrorismo e a democratização daqueles países — cujas trágicas consequências estão à vista de todos — ou antes, com os interesses geo-estratégicos dos EUA e o insaciável apetite das suas corporações?

E já agora, partindo do pressuposto que a NATO — criada na ressaca 2.ª GM, ao que parece para defender o "Ocidente" da ameaça do Pacto de Varsóvia — ainda é a Organização do Tratado do Atlântico Norte, porque que é que esta organização tem de participar nos ataques "preventivos" do império americano, no Médio Oriente, em África ou onde lhe dá na real gana?
(Esperem… só se a NATO não passa de um instrumento da política militar dos EUA! Ou então, a geografia já não é o que era e o Médio Oriente, a África ou qualquer sítio invadido pelos americanos, são banhados pelo Atlântico Norte!)

Concluindo…

Quem invadiu, bombardeou, destruiu e chacinou, mesmo se, nalguns casos, com o vergonhoso beneplácito da ONU, não tem qualquer direito de envolver terceiros!
Quem criou os problemas — e que problemas! — que os resolva.
Comecem por regressar a casa, de onde não deviam ter saído. Depois, faltará apenas, à semelhança de Milosevic ou de Saddam, serem julgados pelos hediondos crimes de guerra que cometeram. Mas isso não será possível. Enquanto forem donos do mundo.

quarta-feira, novembro 29, 2006

Neo-liberalismo escondido com o rabo de fora!

Ao que parece, depois de se ter apaixonado pelo modelo finlandês de Educação que, reconheçamo-lo, é dos melhores do mundo — na Finlândia… onde corrupção e clientelismo são práticas ali desconhecidas (mas isso seria tema para outra conversa…) — o governo, parece agora simpatizar com o modelo laboral dinamarquês, defendendo a “flexibilização” da legislação laboral, de forma a facilitar o despedimento de trabalhadores, em nome da competitividade da economia.
“Esquece”, no entanto, como lhe convém, no seu frenesim “reformista” e “modernizador”, que estamos num país de baixos salários, emprego precário, elevados encargos das famílias com a saúde e a educação. Um país que está longe de ser a Dinamarca. Um país onde, contrariamente ao que se passa nos países nórdicos, o Estado social é cada vez mais uma miragem.
Por este caminho, se alguma coisa se vai conseguir, além do enriquecimento cada vez maior dos mesmos, é o aumento da pobreza e da exclusão social. Restar-nos-á, então, a “caridade” dos ricos, com o “alto patrocínio” de Cavaco!

terça-feira, novembro 28, 2006

Viva o Estado de Direito democrático!

O Tribunal Administrativo e Fiscal de Coimbra decidiu, na passada sexta-feira, que a co-incineração em Souselas só pode avançar depois de realizada uma avaliação de impacte ambiental, dando razão à acção judicial interposta pela Câmara de Coimbra.

A decisão de avançar com a co-incineração de resíduos industriais perigosos em Souselas, povoação que, à custa da cimenteira da Cimpor ali instalada, segundo um estudo recente da Administração Regional de Saúde do Centro, regista a maior incidência de casos de bronquite crónica, doenças tumorais, endócrinas, cardíacas e diabetes, da região centro, e no Outão, cuja cimenteira da Secil, está situada em pleno Parque Natural da Arrábida, classificado como área de paisagem protegida pela própria União Europeia, é bem reveladora do respeito que este governo tem pelas pessoas e pelo ambiente que diz defender.

Contra a opinião das populações, das autarquias, das associações ambientalistas, de toda a Oposição parlamentar (enfim, mais uma cambada de "privilegiados" que estão contra o "interesse nacional" — tudo pela Nação, nada contra a Nação, lembram-se?) o governo, com a cumplicidade da sua "maioria silenciosa", insiste em cometer um grave atentado, um crime imperdoável, contra a saúde pública e o ambiente.

Só não o conseguiu ainda porque, às vezes, os Tribunais, o Estado de Direito e a democracia, funcionam. Como agora aconteceu.

Viva o Estado de Direito democrático!

domingo, novembro 26, 2006

A oeste nada de novo

A oeste nada de novo, que é como quem diz, por cá, em matéria de combate à corrupção, continua tudo ou quase tudo como dantes. Apesar da declarada intenção do novo Procurador-Geral da República em dar-lhe combate e dos discursos (de circunstância?) de Cavaco. Com efeito, de "boas" intenções parece continuar o inferno cheio…

Quem o afirma, em entrevista ao CM, é o professor e fiscalista José Luís Saldanha Sanches que, sem papas na língua, como já nos habituou, ainda vai mais longe, ao afirmar que "o ministro da Justiça tem sido um desastre" e que "[o primeiro-ministro] não tem vontade nenhuma de resolver os problemas da Justiça e parece não gostar muito de tribunais."

Afinal, que é feito da apregoada "coragem" deste governo?
É que o que isto parece revelar também começa por "c" mas não se chama coragem. Tem antes o nome de conivência!…

sábado, novembro 25, 2006

O Salazarismo está vivo?

A propósito do debate sobre a revisão do programa do P"SD", devo confessar que é um partido do qual nunca esperei nada de bom. Como também não tenho ilusões em relação ao P"S". Ao fim e ao cabo, um e outro já demonstraram, durante os últimos 30 anos, as "maravilhas" que são capazes de fazer. Os números do Eurostat, como o algodão, não enganam.

Não me interessaria, portanto, mais esta catarse "laranja", não fora a intervenção de Pacheco Pereira, que teve duas tiradas particularmente relevantes com as quais, de certa forma, estou de acordo.

A primeira, quando refere a adopção da trilogia salazarista "Deus, Pátria e Família" por parte de Cavaco, quando foi primeiro-ministro.
O professor (de Finanças, como Salazar) nunca foi social democrata (se é que verdadeiramente alguém o é naquele partido?!…), nem sequer um verdadeiro militante do P"SD". Serviu-se apenas do partido para alcançar o poder e nele se manter (de resto, foi por "mero acaso" que ele foi eleito secretário-geral, quando foi experimentar o carro à Figueira da Foz!…). Mas isso não é de admirar em quem sempre teve horror ao discurso político e aos partidos, como recentemente ficou demonstrado na sua campanha presidencial. Como Salazar, "Tudo pela Nação, nada contra a Nação" (a sua Comissão de Candidatura era uma amostra muito significativa da "nação" que ele defende!…).

A segunda, quando afirma que "O PS vai pagar caro por governar mantendo o partido num canto" e conclui que "um partido de funcionários políticos é um desastre".
Sem dúvida que um partido de funcionários "políticos" é um desastre mas quem paga não é o PS (nem a sua clientela)! Quem paga é o país! Quem paga somos nós!
E o partido não está no canto! Bem pelo contrário! Ele é a verdadeira União Nacional de que Sócrates se serve para levar a cabo as suas "corajosas reformas".
Há apenas um "pequeno" senão: a contestação dos estudantes e dos professores, dos médicos e dos enfermeiros, dos funcionários públicos, dos trabalhadores e dos desempregados, dos consumidores e dos contribuintes, dos pequenos e médios empresários, dos magistrados judiciais e dos polícias, até dos militares — se é que não me esqueci de alguma classe de "privilegiados"?!… — mas isso resolve-se com uns processos disciplinares! Ou, se a teimosia crescer, com umas chanfalhadas da polícia de choque!…
E quanto aos chatos dos sindicatos — alguns dos quais até foram criados pelo P"S" e pelo P"SD", lembram-se? — e dos partidos da oposição, já que não se pode ilegalizá-los — e não convém, para dar a ideia de que isto ainda é uma democracia… — ficam a falar sozinhos.
A comunicação social e as sondagens fazem o resto.

Como dizia o Zeca, "o país vai de carrinho"!

quarta-feira, novembro 22, 2006

Protesto contra que aulas de substituição?

Os alunos estão hoje uma vez mais em protesto contra as aulas de "substituição", diz-se.
Mas o que não é explicado é contra que aulas de substituição eles, justamente e com toda a razão, se manifestam.

Vejamos.

Diz o ministério da "educação", no seu portal, nas instruções para a organização e distribuição do serviço docente nas escolas, em 2006-2007 (extraídas do Despacho n.º 13 599/2006 (2.ª série), de 28 de Junho) que:

Tendo em vista garantir o cumprimento dos programas, o professor deve, sempre que possível, entregar ao conselho executivo o plano da aula a que irá faltar.
O conselho executivo, na posse do plano da aula, deve providenciar para que a mesma seja leccionada por um professor com formação adequada, dando preferência aos docentes do quadro cuja componente lectiva necessite de ser completada. Quando tal não for possível [e na maior parte das vezes não é, seja pelo imprevisto da falta, seja por naquele momento não haver professores com formação adequada], devem ser organizadas actividades de enriquecimento e complemento curricular, entre as quais se contam as seguintes actividades educativas:

* actividades em salas de estudo;
* clubes temáticos;
* actividades de uso das tecnologias de informação e comunicação;
* leitura orientada;
* pesquisa bibliográfica orientada;
* actividades desportivas orientadas e actividades oficinais, musicais e teatrais.

Acontece que, em vez disso, à revelia do que a lei manda e a pedagogia aconselha, os alunos estão a ser enclausurados na sala de aula com um qualquer professor, o qual, por mais imaginação e capacidade de improviso que tenha, nunca conseguirá fazer daquela situação uma verdadeira aula. Desde logo porque os alunos a não aceitam…

É apenas isto que os alunos não querem! Por mais atestados de menoridade mental que lhes queiram passar!
Será que o governo já se esqueceu do que ainda há tão pouco tempo legislou?

segunda-feira, novembro 20, 2006

Todos devemos alguma coisa a um professor!

O grande humanista renascentista Erasmo de Roterdão afirmava que "a primeira fase do saber é amar os nossos professores."

É justamente isso que se faz em França, onde o Ministério da Educação está a promover uma campanha de reabilitação e valorização do papel social do professor subordinada ao lema "Todos devemos alguma coisa a um professor!".

Cá, o ministério da "educação" enxovalha e enlameia irremediavelmente os professores, transformando-os em bodes expiatórios dos males do nosso ensino!…
Com isso, não serão só os professores os prejudicados!
Serão também e principalmente os jovens e o país, que irá continuar a vegetar na cauda da Europa por muitos e bons (=maus) anos!

sábado, novembro 18, 2006

António Borges dá razão ao PCP!

António Borges, ex-vice-governador do Banco de Portugal e actual vice-presidente da Goldman Sachs, militante do PSD, foi um dos membros da equipa que em 2002 lançou o projecto da União Económica e Monetária e, nessa condição, defendeu a inclusão de Portugal na zona euro.
Agora vem reconhecer aqui que, "se calhar, não estávamos à altura do desafio, porque não tivemos consciência das dificuldades da mudança de regime", acrescentando que agora o país “não tem os mesmos instrumentos de política monetária de que então dispunha, e que usou para lidar com as crises de 1975 e 1985".
Isso já há muito todos percebemos e não somos economistas. Pena é que este laureado "economista" tenha levado 4 anos a chegar a esta triste conclusão!

Razão tem o PCP quando defende aqui a suspensão do Pacto de Estabilidade e Crescimento por considerar que a adesão de Portugal à moeda única trouxe consequências económicas e sociais negativas para Portugal e, em particular, para os trabalhadores portugueses (estagnação económica, contenção salarial, desemprego).
O curioso desta história é a razão dos comunistas ser agora reforçada pelo mea culpa de quem foi responsável pela loucura!…

terça-feira, outubro 24, 2006

Novo CD da Brigada Victor Jara

Para os menos atentos…

A Brigada Victor Jara, 30 anos de resistência na defesa da cultura e da música popular portuguesas, acaba de lançar o seu último trabalho, Ceia Louca, nas discotecas a partir de ontem.


Provem esta amostra da Ceia!


Crimes de guerra

Segundo o insuspeito jornal israelita Haaretz, em 22 de Outubro o governo de Israel reconheceu, pela primeira vez, ter utilizado bombas de fósforo durante a segunda guerra contra o Líbano. As vítimas foram sobretudo civis libaneses, que morreram com os corpos encarquilhados.

Em Novembro de 2004, as tropas americanas também já tinham utilizado munições de fósforo durante o bombardeamento de Faluja, no Iraque, deixando atrás de si uma sementeira de corpos de civis queimados.

A Convenção de Genebra, no seu Protocolo Terceiro sobre Armas Convencionais, proibe a utilização de "armas incendiárias", designadamente de fósforo.
Acontece que Israel e os Estados Unidos não são signatários do Protocolo Terceiro da
Convenção de Genebra.
Como Estados fora-da-lei e acima da Lei, podem, portanto, cometer as maiores atrocidades que o TPI não é para eles!

Tudo em casa!


O norte-americano Elie Wiesel poderá ser o próximo Presidente de Israel. O nome do escritor tem estado a ser referido, ao longo desta quarta-feira, pela classe política israelita.

O nome de Wiesel é um dos vários mencionados para substituir o actual chefe do Estado judaico. Moshé Katsav é acusado de ter violado uma colaboradora.


Para quem viola, de forma brutal e sistemática, os mais elementares direitos de um povo, a violação de uma secretária é coisa menor.

Quanto à eleição de um americano para presidente de um protectorado dos EUA, não me espanta! Fica tudo em casa…

O país em que vivemos

Já há muito não estamos no país da "velhinha vestida de preto, puxando pela arreata um burro que, por sua vez, puxa uma carroça cheia de palha", de que fala Nicolau Santos.
Porém, com "tanto" caso de sucesso que ele aponta, parece até que não estamos num dos países mais pobres e menos desenvolvidos da UE.
Um país com valores dos mais baixos para o PIB per capita, a produtividade, os salários.
Um país com a mais baixa taxa de crescimento do PIB, a mais injusta repartição do rendimento, a mais baixa percentagem de adultos que concluíram o ensino secundário (e, no casos dos jovens, uma das mais baixas).
Um país com uma das mais baixas capitações da despesa com a protecção social, onde as famílias estão entre as que mais gastam com a alimentação e, inversamente, menos gastam em cultura e recreio.
Um país cujos gestores e empresários, segundo
insuspeita análise, são os principais responsáveis pelo seu atraso.
Um país onde a crise se "resolve" por um simples exercício de retórica ministerial.
Enfim, um país que, ao cabo de 30 anos de mediocridade governativa e outros 20 de regabofe à custa dos fundos comunitários, enquanto os seus pares se desenvolveram, permanece tristemente entre os mais atrasados da UE.

Mas é verdade!
Utilizando as palavras de NS, “É este o País em que (…) vivemos. (…) o País estatisticamente sempre na cauda da Europa (…).”
Infelizmente!…

segunda-feira, outubro 16, 2006

Contradições… ou talvez não!

1. Pobreza

Milhares de pessoas em todo o Mundo levantaram-se nas últimas 24 horas contra a pobreza numa campanha que pretende ser a maior mobilização de sempre de cidadãos contra o flagelo da pobreza extrema.

Um quinto da população mundial sobrevive em condições de extrema pobreza, dispondo de menos de 1 euro por dia, o que leva a que cerca de 30 mil crianças morram à fome, em cada dia que passa!

A erradicação da pobreza até 2015 é um dos Objectivos do Milénio, da ONU, mas, pelo caminho que as coisas seguem, sabe-se já que não irá ser alcançado. E no entanto, não é uma questão de falta de recursos — o dinheiro gasto em despesas militares dava e sobrava para resolver o problema! — mas apenas de falta de vontade política: os interesses da indústria de armamento falam mais alto!


2. Obesidade

Paradoxalmente (ou talvez não…), há hoje mais pessoas com excesso de peso do que a passar fome!
A obesidade afecta já mais de 20 milhões de pessoas em todo o mundo e deixou de ser apenas uma característica dos países ricos. Portugal, por exemplo, com 2 milhões de pobres, conta com 1 milhão de obesos.
Consequências da "democratização" da "fast food"! Uma vez mais (e sempre) os interesses das grandes corporações estão primeiro. As pessoas só interessam enquanto consumidores!

O atoleiro iraquiano

Para quem declarou que a invasão — porque de invasão se tratou, para mais, à revelia do Direito Internacional e contrariando a imensa maioria da opinião pública mundial — visava apenas combater o terrorismo e tornar o Mundo mais seguro — problema que não só não resolveu como agravou —, a pretexto de que o Iraque possuía arsenais de armas de destruição em massa, que o sunita Saddam era amigo do xiita Bin Laden, que era necessário converter os "infiéis" iraquianos às virtudes da "democracia" — Paul Wolfowitz, ao menos, foi claro, dirigindo-se a um entrevistador da BBC: "O país nada em petróleo… o que é que você queria que fizéssemos?" — já não falta muito para que a "democratização" do Iraque esteja consumada!
Depois da "limpeza" de 655 000 iraquianos (a maioria deles, provavelmente, sunita), só faltava mesmo a constituição de um Estado islâmico iraquiano.

terça-feira, outubro 10, 2006

Blue Man Group on Global Warming

Your attention please. Thank you for choosing earth as your planetary vehicle. We hope you enjoy the many wonderful features of this planet, as you hurtle through the cosmos. Please note, that in the event of continued inaction in the face of global warming - your seat cushion can be used as a flotation device. Please take a moment to locate this planet's emergency exits. As you can see, there aren't any!

sexta-feira, março 24, 2006

Cada vez mais pobres

"Ai, Portugal, Portugal
De que é que tu estás à espera?
Tens um pé numa galera
E outro no fundo do mar
Ai, Portugal, Portugal
Enquanto ficares à espera
Ninguém te pode ajudar"

Jorge Palma


Em 2003, fomos ultrapassados pela Eslovénia. Em 2005, pela República Checa
.

No último quartel do século XIX, o rotativismo de regeneradores e progressistas arrastou o país para uma crise económica, social e política sem precedentes, conduzindo à queda da Monarquia constitucional e à implantação da República.
Cem anos volvidos, três décadas de alternância democrática de PSD e PS afundam inexoravelmente Portugal na cauda da Europa.
Não há meio de aprendermos com as lições da História!

sexta-feira, março 17, 2006

Novamente o Maio de 68?


Em França, 20 por cento do desemprego atinge a faixa etária compreendida entre os 18 e os 25 anos. Como se esta realidade não fosse já suficientemente preocupante e injusta, a nova lei laboral vem permitir o despedimento sem justa causa nem indemnização, durante os primeiros dois anos de contrato.
Por esta razão os
jovens franceses se manifestam e lutam. Contra a iniquidade de uma lei e a discriminação de um sistema, de que não aceitam ser vítimas.
Em Paris, na Margem Esquerda, hoje, tal como em Maio de 68.

quinta-feira, março 16, 2006

Direitos Humanos: falar é fácil


A Assembleia-Geral das Nações Unidas aprovou ontem, por uma esmagadora maioria de 170 votos a favor, o novo Conselho dos Direitos Humanos, organismo que substituirá a desprestigiada e ineficaz Comissão dos Direitos Humanos. Os Estados Unidos votaram contra, acompanhados por Israel e duas marionetas americanas do Pacífico (ilhas Marshall e Palau).
Quem age frequentemente à revelia do Direito Internacional, quem se acha acima do Tribunal Penal Internacional, quem se julga no direito de prender pessoas por tempo indeterminado e sem culpa formada, de torturá-las e de tratá-las à margem de toda a legalidade e humanidade, só pode "estar-se nas tintas" para os Direitos Humanos. Por muito que fale deles. Como se vê.

quarta-feira, março 15, 2006

Portugal, o cavaquistão


Depois da eleição de um "hiato histórico" para a Presidência da República, nunca achei (tampouco aceitei) que Cavaco viesse a ser o "Presidente de todos os portugueses" (meu não será, seguramente). Mas, se dúvidas ainda restassem, elas dissiparam-se agora por completo com a divulgação dos cinco elementos cuja nomeação para o Conselho de Estado é da sua competência. São eles: Marcelo Rebelo de Sousa, Manuela Ferreira Leite, João Lobo Antunes, Manuel Dias Loureiro, do PSD, e Miguel Anacoreta Correia, do CDS-PP.
Se lhes juntarmos Alberto João Jardim, Ramalho Eanes e… José Sócrates, só ficarão a destoar da maioria cavaquista, Mário Soares, Jorge Sampaio, Jaime Gama e Carlos César.
Será que, como escreve o JT, parafraseando Chico Buarque, esta terra ainda vai tornar-se um imenso "cavaquistão"?

segunda-feira, março 13, 2006

Quem viola o Tratado de Não Proliferação Nuclear?


O Irão recusa as exigências da Agência Internacional da Energia Atómica e uma eventual ordem do Conselho de Segurança da ONU para por fim às suas actividades nucleares, alegando que se destinam à produção de energia. E, aqui para nós, tem toda a razão.
É que, mesmo que eventualmente duvidemos da bondade das intenções dos iranianos, depois de se saber que Tony Blair e George Bush estão secretamente a desenvolver uma nova arma nuclear, temos de admitir que Teerão está no pleno direito de continuar o seu programa. Ou o Tratado de Não Proliferação Nuclear é só para alguns? Haja decência!…

Mulheres de armas



















O Iraque resiste


E nós a pensarmos que eram os terroristas da Al Qaeda que não deixavam "democratizar" o Iraque!
Afinal são os "mal agradecidos" d
os iraquianos que resistem de armas na mão à ocupação anglo-americana. E o todo poderoso ocupante percebeu finalmente que não tem outra solução senão negociar com a guerrilha. Goste ou não da ideia.
Pena que só agora tenha chegado à conclusão dessa inevitabilidade. Ter-se-ia evitado muitas mortes inocentes.

quinta-feira, março 09, 2006

Velhos desafios

No discurso da tomada de posse como Presidente da República, Cavaco Silva, apontou cinco desafios para abrir caminho ao progresso de Portugal:

1.º "crescimento mais forte da economia portuguesa"
2.º "qualidade da educação dos nossos jovens e da formação dos nossos trabalhadores"
3.º "sistema de justiça eficaz, caracterizado pela qualidade"
4.º "sustentabilidade a médio e longo prazo do financiamento do nosso sistema de segurança social"
5.º "cultura de honestidade, de transparência, de responsabilidade, de rigor na utilização dos recursos do Estado, de ética do serviço público, de respeito pela dignidade das pessoas, de cumprimento de promessas feitas"

Velhos desafios para velhos problemas. Que velhos políticos e políticas não têm resolvido. (Cavaco incluído, durante 10 anos!). Os desafios não são para eles, são só para os outros!…

segunda-feira, março 06, 2006

O atentado

Como já aqui referimos, um estudo recente da Administração Regional de Saúde do Centro revela que Souselas regista a maior incidência de casos de bronquite crónica, doenças tumorais, endócrinas, cardíacas e diabetes, da região centro, facto que naturalmente resultará da poluição emitida pela cimenteira da Cimpor ali instalada.
Quanto à cimenteira da Secil, no Outão, está "apenas" situada no Parque Natural da Arrábida, classificado como área de paisagem protegida pela própria União Europeia.

Além disso, a Quercus alerta para os riscos ambientais que podem resultar da queima de resíduos industriais perigosos sem a sua triagem e o seu tratamento prévio por centros especializados, que só entrarão em funcionamento dentro de ano e meio. E explica tudo aqui.

José Sócrates é que não se incomoda com esses "detalhes" e portanto, o seu "porta-voz" para o "ambiente" já anunciou que a co-incineração de resíduos industriais perigosos vai ser retomada, precisamente nas cimenteiras do Outão e de Souselas, dentro de três a seis meses.

Em nome da "defesa" do ambiente, o governo do PS prepara-se para cometer um grave atentado, um crime, contra o ambiente e a saúde pública.
Contra a opinião das populações, das autarquias, das associações ambientalistas, de toda a Oposição parlamentar — à esquerda e à direita!
Isto não é um governo socialista! É um governo… autista (para não lhe chamar outra coisa bem pior e certamente mais verdadeira).

domingo, março 05, 2006

Finalmente!

Parece que finalmente os americanos descobriram o embuste que elegeram para presidente! A popularidade de Bush não pára de descer!
Quando é que nos veremos livres deste pesadelo?

Desgraça de Estado!

Na queda da ponte de Entre-os-Rios morreram tragicamente cinquenta e nove pessoas, das quais, trinta e seis desapareceram para sempre nas águas do Douro ou do Atlântico.
Cinco anos depois, os familiares das vítimas continuam ainda à espera de uma decisão da justiça.
Cinco anos depois, mais de metade das obras que foram recomendadas continua em fase de estudo e sem concurso. Talvez à espera que outra tragédia aconteça. Talvez à espera que mais famílias fiquem de luto.
Desgraça de justiça, de governança, de Estado!

sábado, março 04, 2006

Deus é grande e Bush e Blair os seus profetas!

Já sabíamos que a democracia está minada pelo poder dos grandes grupos económicos e do capital financeiro. Saramago chama-lhe plutocracia.
Soubemos também, o próprio o afirmou, que Bush invadiu o Iraque mandado por Deus.

E agora ficámos a saber que "Blair crê que Deus será o juiz último da sua decisão de apoiar a guerra no Iraque."
Afinal não é só nas teocracias islâmicas que o poder é uma emanação divina! No Ocidente também há teocracias!
É caso para dizer… Deus é grande e Bush e Blair os seus profetas!…

Os "cartoons"

Não servem apenas e principalmente para lançar a discórdia entre os povos. Também podem festejar a amizade entre as nações.

O beijo através do Atlântico, Mora (1922)
publicado na Ilustração Portugueza e na Revista da Semana (Brasil)
para assinalar a primeira travessia aérea do Atlântico Sul.

sexta-feira, março 03, 2006

Os dois mundos

Nas projecções de Tikunov, a dimensão de cada país é ajustada de acordo com o valor da variável representada.
O mapa 1, que se refere à população, mostra uma apreciável concentração populacional no hemisfério sul, particularmente no continente asiático.
O mapa 2, relativo ao Produto Nacional Bruto, põe a nu o contraste chocante entre a extrema pobreza do Terceiro Mundo e a elevada riqueza dos países desenvolvidos.

Mapa 1 — População

Mapa 2 — Produto Nacional Bruto

"We are all ears"???…

Pois é! Quem está mesmo precisado de frequentar as aulas de inglês do 1.º Ciclo do Ensino Básico é o Senhor Primeiro-Ministro!… (o "RandomBlog" conta a anedota).

Um tiro na mouche…

Este post do "Classe Política".

Confusão na universidade portuguesa

A confusão na universidade portuguesa vai continuar por mais alguns anos.
A previsão é do Reitor da Universidade de Coimbra, Fernando Seabra Santos, que lamenta a forma como o Governo legislou sobre o enquadramento do Processo de Bolonha, atirando para as instituições a responsabilidade de definir conceitos — designações, duração e critérios de acesso aos cursos — que deveriam ser objecto de conveniente regulação.
Segundo Seabra Santos, não é por haver sistemas regulados que, em países europeus com os quais Portugal se gosta de comparar, a autonomia universitária sai beliscada.
É graças à regulação que nesses países não é possível “que cada instituição invente um nome diferente para cursos cujo conteúdo nuclear está padronizado”, como acontece em Portugal, onde existem 1.800 licenciaturas com 825 designações distintas.
É graças à regulação que nesses países não é possível “que um mesmo curso tenha durações diferentes” de escola para escola, “ou que uma escola de Engenharia possa decidir que os seus estudantes não precisem de saber matemática à entrada”.
De tudo isto (e muito mais, como por exemplo, o corte orçamental de 2,6 milhões de euros, o maior dos últimos dez anos) falou, na abertura da sessão solene do 716.º aniversário da Universidade de Coimbra, o seu Reitor. Magnífico!

quinta-feira, março 02, 2006

É urgente a impugnação de Bush!

TROPAS AMERICANAS NÃO QUEREM CONTINUAR

Ao contrário de Bush, que repetidamente tem afirmado que os EUA só sair
ão do Iraque quando acabarem a sua "missão", 72% das tropas americanas que lá estão defendem que a retirada deve acontecer dentro de um ano e destes, 29% acham mesmo que a saída deve ser imediata.


INVASÃO DO IRAQUE AUMENTOU O TERRORISMO

Uma gigantesca sondagem internacional promovida pela BBC, confirmou que a maioria da população mundial está convencida de que a invasão do Iraque aumentou as hipóteses de ataques terroristas.
O inquérito, feito a 41 856 pessoas em 35 países, concluiu que 60% dos inquiridos partilham desta opinião, sendo apenas 12% os que pensam que a guerra reduziu a possibilidade de tais ataques.


KATRINA: BUSH SABIA QUE NÃO ESTAVA PREPARADO

Afinal Bush foi devidamente informado da possibilidade do furacão Katrina destruir os diques de segurança e pôr em risco as vidas dos refugiados no Superdome de New Orleans e dos elementos das equipas de salvamento, como é comprovado por um vídeo confidencial. Durante o breafing com os oficiais da segurança não fez uma única pergunta e no final limitou-se a dizer: "We are fully prepared." Tão bem preparados que depois foi a desgraça que o mundo viu!…

quarta-feira, março 01, 2006

O "carnaval" continua

Apesar dos 8 mortos e 34 feridos graves que resultaram dos acidentes de automóvel verificados entre a meia-noite da última sexta-feira e a meia-noite de ontem, a folia carnavalesca despediu-se com festa rija em todo o país.


Hoje, quarta-feira de Cinzas, o "carnaval" continua. E a crise também.

Viva España!


Finlândia e Espanha são os únicos país da zona euro que, em 2005, registaram um superávite orçamental, ou seja, um saldo positivo nas contas públicas. No caso dos finlandeses o saldo foi de 2% do PIB. No caso de nuestros hermanos, que aconteceu pela primeira vez durante o regime democrático, o superávite foi de 1,1% do PIB.

Em qualquer das situações, estes valores são muito melhores que a média da zona euro, que apresenta um défice de 2,9% do PIB e incomparavelmente melhores que os cerca de 6% do nosso país.

Fonte: El País