quinta-feira, novembro 30, 2006

Perguntas

Não foram os EUA que, durante a Guerra do Afeganistão (1979-1989), armaram e treinaram grupos guerrilheiros islâmicos anti-soviéticos, os mujahidin (que estiveram na origem dos Talibãs) ou grupos terroristas (como a Maktab al Khidmat, que se tornaria a rede Al’Kaida), mergulhando o Afeganistão numa guerra civil que devastou o país?

Não foram os EUA que apoiaram a subida de Saddam Hussein ao poder em 1979 e empurraram o Iraque contra o Irão numa guerra de oito anos (1980-1988) onde as armas norte-americanas transformaram o Iraque numa potência local, ao mesmo tempo que vendiam secretamente armas ao Irão, de onde conseguiam dinheiro sujo para financiar os "contras" na Nicarágua?

Assim sendo, as invasões do Afeganistão e do Iraque tiveram alguma coisa a ver com a propagandeada luta contra o terrorismo e a democratização daqueles países — cujas trágicas consequências estão à vista de todos — ou antes, com os interesses geo-estratégicos dos EUA e o insaciável apetite das suas corporações?

E já agora, partindo do pressuposto que a NATO — criada na ressaca 2.ª GM, ao que parece para defender o "Ocidente" da ameaça do Pacto de Varsóvia — ainda é a Organização do Tratado do Atlântico Norte, porque que é que esta organização tem de participar nos ataques "preventivos" do império americano, no Médio Oriente, em África ou onde lhe dá na real gana?
(Esperem… só se a NATO não passa de um instrumento da política militar dos EUA! Ou então, a geografia já não é o que era e o Médio Oriente, a África ou qualquer sítio invadido pelos americanos, são banhados pelo Atlântico Norte!)

Concluindo…

Quem invadiu, bombardeou, destruiu e chacinou, mesmo se, nalguns casos, com o vergonhoso beneplácito da ONU, não tem qualquer direito de envolver terceiros!
Quem criou os problemas — e que problemas! — que os resolva.
Comecem por regressar a casa, de onde não deviam ter saído. Depois, faltará apenas, à semelhança de Milosevic ou de Saddam, serem julgados pelos hediondos crimes de guerra que cometeram. Mas isso não será possível. Enquanto forem donos do mundo.

quarta-feira, novembro 29, 2006

Neo-liberalismo escondido com o rabo de fora!

Ao que parece, depois de se ter apaixonado pelo modelo finlandês de Educação que, reconheçamo-lo, é dos melhores do mundo — na Finlândia… onde corrupção e clientelismo são práticas ali desconhecidas (mas isso seria tema para outra conversa…) — o governo, parece agora simpatizar com o modelo laboral dinamarquês, defendendo a “flexibilização” da legislação laboral, de forma a facilitar o despedimento de trabalhadores, em nome da competitividade da economia.
“Esquece”, no entanto, como lhe convém, no seu frenesim “reformista” e “modernizador”, que estamos num país de baixos salários, emprego precário, elevados encargos das famílias com a saúde e a educação. Um país que está longe de ser a Dinamarca. Um país onde, contrariamente ao que se passa nos países nórdicos, o Estado social é cada vez mais uma miragem.
Por este caminho, se alguma coisa se vai conseguir, além do enriquecimento cada vez maior dos mesmos, é o aumento da pobreza e da exclusão social. Restar-nos-á, então, a “caridade” dos ricos, com o “alto patrocínio” de Cavaco!

terça-feira, novembro 28, 2006

Viva o Estado de Direito democrático!

O Tribunal Administrativo e Fiscal de Coimbra decidiu, na passada sexta-feira, que a co-incineração em Souselas só pode avançar depois de realizada uma avaliação de impacte ambiental, dando razão à acção judicial interposta pela Câmara de Coimbra.

A decisão de avançar com a co-incineração de resíduos industriais perigosos em Souselas, povoação que, à custa da cimenteira da Cimpor ali instalada, segundo um estudo recente da Administração Regional de Saúde do Centro, regista a maior incidência de casos de bronquite crónica, doenças tumorais, endócrinas, cardíacas e diabetes, da região centro, e no Outão, cuja cimenteira da Secil, está situada em pleno Parque Natural da Arrábida, classificado como área de paisagem protegida pela própria União Europeia, é bem reveladora do respeito que este governo tem pelas pessoas e pelo ambiente que diz defender.

Contra a opinião das populações, das autarquias, das associações ambientalistas, de toda a Oposição parlamentar (enfim, mais uma cambada de "privilegiados" que estão contra o "interesse nacional" — tudo pela Nação, nada contra a Nação, lembram-se?) o governo, com a cumplicidade da sua "maioria silenciosa", insiste em cometer um grave atentado, um crime imperdoável, contra a saúde pública e o ambiente.

Só não o conseguiu ainda porque, às vezes, os Tribunais, o Estado de Direito e a democracia, funcionam. Como agora aconteceu.

Viva o Estado de Direito democrático!

domingo, novembro 26, 2006

A oeste nada de novo

A oeste nada de novo, que é como quem diz, por cá, em matéria de combate à corrupção, continua tudo ou quase tudo como dantes. Apesar da declarada intenção do novo Procurador-Geral da República em dar-lhe combate e dos discursos (de circunstância?) de Cavaco. Com efeito, de "boas" intenções parece continuar o inferno cheio…

Quem o afirma, em entrevista ao CM, é o professor e fiscalista José Luís Saldanha Sanches que, sem papas na língua, como já nos habituou, ainda vai mais longe, ao afirmar que "o ministro da Justiça tem sido um desastre" e que "[o primeiro-ministro] não tem vontade nenhuma de resolver os problemas da Justiça e parece não gostar muito de tribunais."

Afinal, que é feito da apregoada "coragem" deste governo?
É que o que isto parece revelar também começa por "c" mas não se chama coragem. Tem antes o nome de conivência!…

sábado, novembro 25, 2006

O Salazarismo está vivo?

A propósito do debate sobre a revisão do programa do P"SD", devo confessar que é um partido do qual nunca esperei nada de bom. Como também não tenho ilusões em relação ao P"S". Ao fim e ao cabo, um e outro já demonstraram, durante os últimos 30 anos, as "maravilhas" que são capazes de fazer. Os números do Eurostat, como o algodão, não enganam.

Não me interessaria, portanto, mais esta catarse "laranja", não fora a intervenção de Pacheco Pereira, que teve duas tiradas particularmente relevantes com as quais, de certa forma, estou de acordo.

A primeira, quando refere a adopção da trilogia salazarista "Deus, Pátria e Família" por parte de Cavaco, quando foi primeiro-ministro.
O professor (de Finanças, como Salazar) nunca foi social democrata (se é que verdadeiramente alguém o é naquele partido?!…), nem sequer um verdadeiro militante do P"SD". Serviu-se apenas do partido para alcançar o poder e nele se manter (de resto, foi por "mero acaso" que ele foi eleito secretário-geral, quando foi experimentar o carro à Figueira da Foz!…). Mas isso não é de admirar em quem sempre teve horror ao discurso político e aos partidos, como recentemente ficou demonstrado na sua campanha presidencial. Como Salazar, "Tudo pela Nação, nada contra a Nação" (a sua Comissão de Candidatura era uma amostra muito significativa da "nação" que ele defende!…).

A segunda, quando afirma que "O PS vai pagar caro por governar mantendo o partido num canto" e conclui que "um partido de funcionários políticos é um desastre".
Sem dúvida que um partido de funcionários "políticos" é um desastre mas quem paga não é o PS (nem a sua clientela)! Quem paga é o país! Quem paga somos nós!
E o partido não está no canto! Bem pelo contrário! Ele é a verdadeira União Nacional de que Sócrates se serve para levar a cabo as suas "corajosas reformas".
Há apenas um "pequeno" senão: a contestação dos estudantes e dos professores, dos médicos e dos enfermeiros, dos funcionários públicos, dos trabalhadores e dos desempregados, dos consumidores e dos contribuintes, dos pequenos e médios empresários, dos magistrados judiciais e dos polícias, até dos militares — se é que não me esqueci de alguma classe de "privilegiados"?!… — mas isso resolve-se com uns processos disciplinares! Ou, se a teimosia crescer, com umas chanfalhadas da polícia de choque!…
E quanto aos chatos dos sindicatos — alguns dos quais até foram criados pelo P"S" e pelo P"SD", lembram-se? — e dos partidos da oposição, já que não se pode ilegalizá-los — e não convém, para dar a ideia de que isto ainda é uma democracia… — ficam a falar sozinhos.
A comunicação social e as sondagens fazem o resto.

Como dizia o Zeca, "o país vai de carrinho"!

quarta-feira, novembro 22, 2006

Protesto contra que aulas de substituição?

Os alunos estão hoje uma vez mais em protesto contra as aulas de "substituição", diz-se.
Mas o que não é explicado é contra que aulas de substituição eles, justamente e com toda a razão, se manifestam.

Vejamos.

Diz o ministério da "educação", no seu portal, nas instruções para a organização e distribuição do serviço docente nas escolas, em 2006-2007 (extraídas do Despacho n.º 13 599/2006 (2.ª série), de 28 de Junho) que:

Tendo em vista garantir o cumprimento dos programas, o professor deve, sempre que possível, entregar ao conselho executivo o plano da aula a que irá faltar.
O conselho executivo, na posse do plano da aula, deve providenciar para que a mesma seja leccionada por um professor com formação adequada, dando preferência aos docentes do quadro cuja componente lectiva necessite de ser completada. Quando tal não for possível [e na maior parte das vezes não é, seja pelo imprevisto da falta, seja por naquele momento não haver professores com formação adequada], devem ser organizadas actividades de enriquecimento e complemento curricular, entre as quais se contam as seguintes actividades educativas:

* actividades em salas de estudo;
* clubes temáticos;
* actividades de uso das tecnologias de informação e comunicação;
* leitura orientada;
* pesquisa bibliográfica orientada;
* actividades desportivas orientadas e actividades oficinais, musicais e teatrais.

Acontece que, em vez disso, à revelia do que a lei manda e a pedagogia aconselha, os alunos estão a ser enclausurados na sala de aula com um qualquer professor, o qual, por mais imaginação e capacidade de improviso que tenha, nunca conseguirá fazer daquela situação uma verdadeira aula. Desde logo porque os alunos a não aceitam…

É apenas isto que os alunos não querem! Por mais atestados de menoridade mental que lhes queiram passar!
Será que o governo já se esqueceu do que ainda há tão pouco tempo legislou?

segunda-feira, novembro 20, 2006

Todos devemos alguma coisa a um professor!

O grande humanista renascentista Erasmo de Roterdão afirmava que "a primeira fase do saber é amar os nossos professores."

É justamente isso que se faz em França, onde o Ministério da Educação está a promover uma campanha de reabilitação e valorização do papel social do professor subordinada ao lema "Todos devemos alguma coisa a um professor!".

Cá, o ministério da "educação" enxovalha e enlameia irremediavelmente os professores, transformando-os em bodes expiatórios dos males do nosso ensino!…
Com isso, não serão só os professores os prejudicados!
Serão também e principalmente os jovens e o país, que irá continuar a vegetar na cauda da Europa por muitos e bons (=maus) anos!

sábado, novembro 18, 2006

António Borges dá razão ao PCP!

António Borges, ex-vice-governador do Banco de Portugal e actual vice-presidente da Goldman Sachs, militante do PSD, foi um dos membros da equipa que em 2002 lançou o projecto da União Económica e Monetária e, nessa condição, defendeu a inclusão de Portugal na zona euro.
Agora vem reconhecer aqui que, "se calhar, não estávamos à altura do desafio, porque não tivemos consciência das dificuldades da mudança de regime", acrescentando que agora o país “não tem os mesmos instrumentos de política monetária de que então dispunha, e que usou para lidar com as crises de 1975 e 1985".
Isso já há muito todos percebemos e não somos economistas. Pena é que este laureado "economista" tenha levado 4 anos a chegar a esta triste conclusão!

Razão tem o PCP quando defende aqui a suspensão do Pacto de Estabilidade e Crescimento por considerar que a adesão de Portugal à moeda única trouxe consequências económicas e sociais negativas para Portugal e, em particular, para os trabalhadores portugueses (estagnação económica, contenção salarial, desemprego).
O curioso desta história é a razão dos comunistas ser agora reforçada pelo mea culpa de quem foi responsável pela loucura!…

terça-feira, outubro 24, 2006

Novo CD da Brigada Victor Jara

Para os menos atentos…

A Brigada Victor Jara, 30 anos de resistência na defesa da cultura e da música popular portuguesas, acaba de lançar o seu último trabalho, Ceia Louca, nas discotecas a partir de ontem.


Provem esta amostra da Ceia!


Crimes de guerra

Segundo o insuspeito jornal israelita Haaretz, em 22 de Outubro o governo de Israel reconheceu, pela primeira vez, ter utilizado bombas de fósforo durante a segunda guerra contra o Líbano. As vítimas foram sobretudo civis libaneses, que morreram com os corpos encarquilhados.

Em Novembro de 2004, as tropas americanas também já tinham utilizado munições de fósforo durante o bombardeamento de Faluja, no Iraque, deixando atrás de si uma sementeira de corpos de civis queimados.

A Convenção de Genebra, no seu Protocolo Terceiro sobre Armas Convencionais, proibe a utilização de "armas incendiárias", designadamente de fósforo.
Acontece que Israel e os Estados Unidos não são signatários do Protocolo Terceiro da
Convenção de Genebra.
Como Estados fora-da-lei e acima da Lei, podem, portanto, cometer as maiores atrocidades que o TPI não é para eles!

Tudo em casa!


O norte-americano Elie Wiesel poderá ser o próximo Presidente de Israel. O nome do escritor tem estado a ser referido, ao longo desta quarta-feira, pela classe política israelita.

O nome de Wiesel é um dos vários mencionados para substituir o actual chefe do Estado judaico. Moshé Katsav é acusado de ter violado uma colaboradora.


Para quem viola, de forma brutal e sistemática, os mais elementares direitos de um povo, a violação de uma secretária é coisa menor.

Quanto à eleição de um americano para presidente de um protectorado dos EUA, não me espanta! Fica tudo em casa…

O país em que vivemos

Já há muito não estamos no país da "velhinha vestida de preto, puxando pela arreata um burro que, por sua vez, puxa uma carroça cheia de palha", de que fala Nicolau Santos.
Porém, com "tanto" caso de sucesso que ele aponta, parece até que não estamos num dos países mais pobres e menos desenvolvidos da UE.
Um país com valores dos mais baixos para o PIB per capita, a produtividade, os salários.
Um país com a mais baixa taxa de crescimento do PIB, a mais injusta repartição do rendimento, a mais baixa percentagem de adultos que concluíram o ensino secundário (e, no casos dos jovens, uma das mais baixas).
Um país com uma das mais baixas capitações da despesa com a protecção social, onde as famílias estão entre as que mais gastam com a alimentação e, inversamente, menos gastam em cultura e recreio.
Um país cujos gestores e empresários, segundo
insuspeita análise, são os principais responsáveis pelo seu atraso.
Um país onde a crise se "resolve" por um simples exercício de retórica ministerial.
Enfim, um país que, ao cabo de 30 anos de mediocridade governativa e outros 20 de regabofe à custa dos fundos comunitários, enquanto os seus pares se desenvolveram, permanece tristemente entre os mais atrasados da UE.

Mas é verdade!
Utilizando as palavras de NS, “É este o País em que (…) vivemos. (…) o País estatisticamente sempre na cauda da Europa (…).”
Infelizmente!…

segunda-feira, outubro 16, 2006

Contradições… ou talvez não!

1. Pobreza

Milhares de pessoas em todo o Mundo levantaram-se nas últimas 24 horas contra a pobreza numa campanha que pretende ser a maior mobilização de sempre de cidadãos contra o flagelo da pobreza extrema.

Um quinto da população mundial sobrevive em condições de extrema pobreza, dispondo de menos de 1 euro por dia, o que leva a que cerca de 30 mil crianças morram à fome, em cada dia que passa!

A erradicação da pobreza até 2015 é um dos Objectivos do Milénio, da ONU, mas, pelo caminho que as coisas seguem, sabe-se já que não irá ser alcançado. E no entanto, não é uma questão de falta de recursos — o dinheiro gasto em despesas militares dava e sobrava para resolver o problema! — mas apenas de falta de vontade política: os interesses da indústria de armamento falam mais alto!


2. Obesidade

Paradoxalmente (ou talvez não…), há hoje mais pessoas com excesso de peso do que a passar fome!
A obesidade afecta já mais de 20 milhões de pessoas em todo o mundo e deixou de ser apenas uma característica dos países ricos. Portugal, por exemplo, com 2 milhões de pobres, conta com 1 milhão de obesos.
Consequências da "democratização" da "fast food"! Uma vez mais (e sempre) os interesses das grandes corporações estão primeiro. As pessoas só interessam enquanto consumidores!

O atoleiro iraquiano

Para quem declarou que a invasão — porque de invasão se tratou, para mais, à revelia do Direito Internacional e contrariando a imensa maioria da opinião pública mundial — visava apenas combater o terrorismo e tornar o Mundo mais seguro — problema que não só não resolveu como agravou —, a pretexto de que o Iraque possuía arsenais de armas de destruição em massa, que o sunita Saddam era amigo do xiita Bin Laden, que era necessário converter os "infiéis" iraquianos às virtudes da "democracia" — Paul Wolfowitz, ao menos, foi claro, dirigindo-se a um entrevistador da BBC: "O país nada em petróleo… o que é que você queria que fizéssemos?" — já não falta muito para que a "democratização" do Iraque esteja consumada!
Depois da "limpeza" de 655 000 iraquianos (a maioria deles, provavelmente, sunita), só faltava mesmo a constituição de um Estado islâmico iraquiano.

terça-feira, outubro 10, 2006

Blue Man Group on Global Warming

Your attention please. Thank you for choosing earth as your planetary vehicle. We hope you enjoy the many wonderful features of this planet, as you hurtle through the cosmos. Please note, that in the event of continued inaction in the face of global warming - your seat cushion can be used as a flotation device. Please take a moment to locate this planet's emergency exits. As you can see, there aren't any!

sexta-feira, março 24, 2006

Cada vez mais pobres

"Ai, Portugal, Portugal
De que é que tu estás à espera?
Tens um pé numa galera
E outro no fundo do mar
Ai, Portugal, Portugal
Enquanto ficares à espera
Ninguém te pode ajudar"

Jorge Palma


Em 2003, fomos ultrapassados pela Eslovénia. Em 2005, pela República Checa
.

No último quartel do século XIX, o rotativismo de regeneradores e progressistas arrastou o país para uma crise económica, social e política sem precedentes, conduzindo à queda da Monarquia constitucional e à implantação da República.
Cem anos volvidos, três décadas de alternância democrática de PSD e PS afundam inexoravelmente Portugal na cauda da Europa.
Não há meio de aprendermos com as lições da História!

sexta-feira, março 17, 2006

Novamente o Maio de 68?


Em França, 20 por cento do desemprego atinge a faixa etária compreendida entre os 18 e os 25 anos. Como se esta realidade não fosse já suficientemente preocupante e injusta, a nova lei laboral vem permitir o despedimento sem justa causa nem indemnização, durante os primeiros dois anos de contrato.
Por esta razão os
jovens franceses se manifestam e lutam. Contra a iniquidade de uma lei e a discriminação de um sistema, de que não aceitam ser vítimas.
Em Paris, na Margem Esquerda, hoje, tal como em Maio de 68.

quinta-feira, março 16, 2006

Direitos Humanos: falar é fácil


A Assembleia-Geral das Nações Unidas aprovou ontem, por uma esmagadora maioria de 170 votos a favor, o novo Conselho dos Direitos Humanos, organismo que substituirá a desprestigiada e ineficaz Comissão dos Direitos Humanos. Os Estados Unidos votaram contra, acompanhados por Israel e duas marionetas americanas do Pacífico (ilhas Marshall e Palau).
Quem age frequentemente à revelia do Direito Internacional, quem se acha acima do Tribunal Penal Internacional, quem se julga no direito de prender pessoas por tempo indeterminado e sem culpa formada, de torturá-las e de tratá-las à margem de toda a legalidade e humanidade, só pode "estar-se nas tintas" para os Direitos Humanos. Por muito que fale deles. Como se vê.

quarta-feira, março 15, 2006

Portugal, o cavaquistão


Depois da eleição de um "hiato histórico" para a Presidência da República, nunca achei (tampouco aceitei) que Cavaco viesse a ser o "Presidente de todos os portugueses" (meu não será, seguramente). Mas, se dúvidas ainda restassem, elas dissiparam-se agora por completo com a divulgação dos cinco elementos cuja nomeação para o Conselho de Estado é da sua competência. São eles: Marcelo Rebelo de Sousa, Manuela Ferreira Leite, João Lobo Antunes, Manuel Dias Loureiro, do PSD, e Miguel Anacoreta Correia, do CDS-PP.
Se lhes juntarmos Alberto João Jardim, Ramalho Eanes e… José Sócrates, só ficarão a destoar da maioria cavaquista, Mário Soares, Jorge Sampaio, Jaime Gama e Carlos César.
Será que, como escreve o JT, parafraseando Chico Buarque, esta terra ainda vai tornar-se um imenso "cavaquistão"?

segunda-feira, março 13, 2006

Quem viola o Tratado de Não Proliferação Nuclear?


O Irão recusa as exigências da Agência Internacional da Energia Atómica e uma eventual ordem do Conselho de Segurança da ONU para por fim às suas actividades nucleares, alegando que se destinam à produção de energia. E, aqui para nós, tem toda a razão.
É que, mesmo que eventualmente duvidemos da bondade das intenções dos iranianos, depois de se saber que Tony Blair e George Bush estão secretamente a desenvolver uma nova arma nuclear, temos de admitir que Teerão está no pleno direito de continuar o seu programa. Ou o Tratado de Não Proliferação Nuclear é só para alguns? Haja decência!…