quinta-feira, fevereiro 23, 2006

O crime compensa?

O Ministério Público bem pedia o agravamento da pena atribuída pelo Tribunal de Marco de Canaveses ao ex-Presidente da Câmara local, o famigerado trauliteiro Avelino Ferreira Torres, mas o Tribunal da Relação do Porto, considerando que o autarca, pelos vistos um modelo de honestidade e transparência, seria incapaz do crime de peculato, entendeu que Avelino apenas cometeu abuso de poder e agraciou-o com uma redução da pena.
Por este andar, talvez seja melhor a coisa ficar por aqui porque, se sobe ao Supremo, Ferreira Torres ainda é absolvido e, quem sabe, poderá mesmo vir a receber uma comenda no 10 de Junho, pelos bons serviços prestados a Amarante.

quarta-feira, fevereiro 22, 2006

Respeito e diálogo, precisam-se! Urgentemente!…

Não está em causa a liberdade de expressão mas tão só a sua utilização leviana, irresponsável e gratuita, com o objectivo de fazer da injúria e do ultraje um negócio editorial.

Não está em causa o direito de manifestação e de protesto mas a forma arruaceira, selvagem e desordeira como ele é exercido, às ordens dos que alimentam o fanatismo religioso para deter o Poder.

Não estão, não podem estar, não devem estar em causa os direitos, liberdades e garantias de quaisquer cidadãos! Apenas o seu exercício, que deve ter sempre em conta que se trata de bens que a todos pertencem!

Por isso tem razão quem apela ao respeito! E quem promove o diálogo!…

Telelixo


Nove em cada dez estrelas de cinema usam Lux!

***

Nove em cada dez programas de TV são… lixo!

terça-feira, fevereiro 21, 2006

O emprego volátil

Os fiéis do neo-liberalismo e da sacrossanta liberdade de mercado afinal não têm razões para se andarem sempre a queixar da alegada rigidez da lei laboral portuguesa.
Parece que a criatividade dos empresários nacionais, bem conhecida na arte da fraude e evasão fiscais e do branqueamento de capitais, consegue, com igual engenho e mestria, flexibilizar o mercado de trabalho, recorrendo sobretudo a contratos a prazo, contratos de prestação de serviços ou recibos verdes, para recrutar novos trabalhadores.

Com efeito, em 2004 e 2005, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística, só 29 por cento dos trabalhadores lograram obter um contrato efectivo, enquanto os restantes 71 por cento não conseguiram melhor que um contrato temporário ou de prestação de serviços, com a agravante do vínculo laboral destes trabalhadores ser de tal modo precário que cerca de 40 por cento acabam por ficar desempregados no final dos contratos, enquanto apenas 10 por cento conseguem passar para os quadros. SIC Online

Barbaridades e brutalidades

Sou frontalmente contra o fundamentalismo islâmico, o terrorismo árabe, a jihad islâmica.
Mas, embora seja ocidental, não posso deixar de condenar, com a mesma frontalidade, o extremismo americano (leia-se, da Administração Bush), o seu terrorismo de destruição em massa, a cruzada contra os infiéis em que querem (e pelos vistos estão a conseguir) envolver a Europa.

Choco-me, indigno-me, revolto-me, com as barbaridades que eles cometem, mas perante as brutalidades ainda maiores que nós praticamos, não fico apenas chocado, indignado, revoltado. Fico sobretudo envergonhado.

Afinal onde está a nossa auto-proclamada superioridade cultural e civilizacional?

segunda-feira, fevereiro 20, 2006

domingo, fevereiro 19, 2006

A "lei da selva"

A chamada "lei da selva" aplica-se apenas ao que é natural, selvagem, e portanto, irracional.
Ainda que às vezes, muitos homens se comportem de forma estúpida e perigosamente irracional, como de resto está a acontecer no actual conflito, que os extremistas ocidentais e islâmicos pretendem civilizacional, o Homem não é um animal irracional e, portanto, a "lei da selva" não se lhe aplica.


O Homem, animal inteligente e racional, tem princípios, acredita em valores, constrói uma Moral, qualquer que ela seja. E a Moral está subjacente a toda a actividade humana, quer se trate da Economia, da Política ou da Arte. Ou da Religião. E é, tem de ser, fonte de inspiração da Lei, não a da selva, mas a que é feita para assegurar o bem comum e a dignidade humana.
Quando tal não acontece, estamos perante um regime imoral, o regresso à selva!
Infelizmente, é o que acontece não só nas ditaduras, mas em muitas plutocracias neo-liberais onde o homem não é irmão mas lobo do homem!

sábado, fevereiro 18, 2006

António Aleixo nasceu há 107 anos!


És feliz, vives na alta

e eu de rastos como a cobra.
Porquê? Porque tens de sobra
o pão que a tantos faz falta.

Co'o mundo pouco te importas
porque julgas ver direito.
Como há-de ver coisas tortas
quem só vê o seu proveito?

Sei que pareço um ladrão...
mas há muitos que eu conheço
que, sem parecerem o que são,
são aquilo que eu pareço.

Vós que lá do vosso império
prometeis um mundo novo,
calai-vos, que pode o povo
qu'rer um mundo novo a sério.

Pela justiça social

Quem disse?

"A opressão do homem pelo homem iniciou-se com a opressão da mulher pelo homem."

quinta-feira, fevereiro 16, 2006

terça-feira, fevereiro 14, 2006

Entendimento e compreensão mútuos: a estrada da paz!

“Reservemos para nós a tarefa de compreender e unir; busquemos em cada homem e em cada povo e em cada crença não o que nela existe de adverso, para que se levantem as barreiras, mas o que existe de comum e de abordável, para que se lancem as estradas da paz; empreguemos toda a nossa energia em estabelecer um mútuo entendimento; ponhamos de lado todo o instinto de particularismo e de luta, alarguemos a todos a nossa simpatia. Reflictamos em que são diferentes os caminhos que toma cada um para seguir em busca da verdade, em que muitas vezes só um antagonismo de nomes esconde um acordo real. [...] Não os queremos trazer ao nosso grémio nem ingressar no deles; apenas desejamos que da melhor compreensão entre uns e outros, do conhecimento das essências, se erga a morada de um Pai que não distingue entre os eleitos e a todos por igual protege e incita; cada um ficará em sua lei; só pretendemos que não tome os de leis diferentes por implacáveis inimigos ou por almas perversas e perdidas; são homens como nós e vão-se dirigindo ao mesmo fim; desde já os vejamos como futuros companheiros.”

Agostinho da Silva, Considerações (1944)

A paz sem vencedor e sem vencidos

Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos
A paz sem vencedor e sem vencidos
Que o tempo que nos deste seja um novo
Recomeço de esperança e de justiça.
Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos

A paz sem vencedor e sem vencidos

Erguei o nosso ser à transparência
Para podermos ler melhor a vida
Para entendermos vosso mandamento
Para que venha a nós o vosso reino
Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos

A paz sem vencedor e sem vencidos

Fazei Senhor que a paz seja de todos
Dai-nos a paz que nasce da verdade
Dai-nos a paz que nasce da justiça
Dai-nos a paz chamada liberdade
Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos

A paz sem vencedor e sem vencidos


Sophia de Mello Breyner Andresen, Dual (1972)

segunda-feira, fevereiro 13, 2006

Paz precisa-se!

Peter Marlow / Magnum Photos



Peter Marlow / Magnum Photos

Cenas da "Democratização" do Iraque

O vídeo seguinte, publicado pelo jornal inglês News of the World, mostra como os "mestres" britânicos não ficam atrás dos seus comparsas americanos a ensinar a "democracia" aos jovens iraquianos.

(Atenção: absolutamente importante ligar o som)
clicar na imagem

Sem comentários!

Quem quiser guerra, faça-a! Nós somos pelo diálogo e pela paz!…

É. Lá como cá, jornalistas (e cartoonistas) são uma espécie em vias de extinção. Infelizmente, o que há mais são comissários políticos, agentes de propaganda ou simples "vozes do dono". Por convicção ou por medo. Medo de corrererem risco de morte ou, simplesmente, de irem para o desemprego.
Afinal não é só nos regimes teocráticos que as massas são arrebanhadas, em nome da fé, e instigadas a apoiar ou a praticar o terrorismo e a violência.
Também por cá, no Ocidente — era essencialmente na América mas a velha e sensata Europa não só se deixou envolver como é agora o alvo das atenções... — numa democracia cada vez mais transformada em plutocracia insaciável com a legitimação do nosso voto, como explica José Saramago, o rebanho é sistematicamente induzido a aceitar a inevitabilidade da "guerra santa" e do conflito civilizacional. Que há muito começou com o terrorismo de Estado de genocídio em massa.
Por isso, a nós, ainda para mais com vestígios de sangue árabe nas veias, só nos resta combater os inimigos da paz e da tolerância e apelar ao diálogo cultural e à convivência das civilizações! Se ainda formos a tempo...

Assim vai o mundo

Kiko da Silva (Espanha), 2000

Cartoons, Liberdades e Terrorismos

A problemática dos cartoons é tudo menos uma falsa questão, na medida em que o busílis reside não tanto na sua interpretação — que dependerá sempre da matriz cultural do(s) intérprete(s) — mas sobretudo na sua elaboração, que embora decorra de uma liberdade de expressão não negociável e inalienável, não pode nem deve, de forma cinicamente "ingénua" e "inocente", insultar e vilipendiar os sentimentos, as convicções, a dignidade, daqueles que apenas cometem o crime de terem uma cultura e uma civilização diferentes da nossa, sendo todos metidos, injustamente, no mesmo "saco" dos terroristas e inimigos da liberdade!
Terroristas há, infelizmente, muitos e terrorismo não há só um (o deles)! Proceder desta forma é também, quanto a nós, uma forma de "terrorismo" ideológico de consequências imprevisíveis!
E já agora, se dizem que na democracia, tal como nós a entendemos, há órgãos próprios para dirimir os excessos de liberdade de expressão que têm acontecido no "ocidente", então deve aplicar-se o mesmo princípio aos excessos de liberdade de manifestação que têm ocorrido por parte do "mundo islâmico"! Ou será que nós, democratas, temos dois pesos e duas medidas?

sábado, fevereiro 11, 2006

Que liberdade sem tolerância?

Todo o indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão, o que implica o direito de não ser inquietado pelas suas opiniões e o de procurar, receber e difundir, sem consideração de fronteiras, informações e ideias por qualquer meio de expressão. (Artigo 19. ° da Declaração Universal dos Direitos do Homem)

A educação deve (...) favorecer a compreensão, a tolerância e a amizade entre todas as nações e todos os grupos raciais ou religiosos, bem como o desencolvimento das actividades das Nações Unidas para a manutenção da paz. (ponto 2 do Artigo 26. ° da Declaração Universal dos Direitos do Homem)

Naturalmente, é muito difícil a quem, de um lado ou de outro, se julga civilizacionalmente superior e detentor da verdade, perceber que não está só, neste mundo. Acha-se, por isso, no direito de usar a liberdade — seja a liberdade de expressão, a liberdade de manifestação ou qualquer outras das múltiplas formas de liberdade, incluindo a liberdade económica — para insultar, agredir, espezinhar, escravizar, matar, ignorando o princípio elementar de que a liberdade só faz sentido se cada "parte" respeitar a liberdade da(s) outra(s) parte(s). Para que a liberdade, utilizada diferentemente por cada "parte", seja um bem de TODOS.
Infelizmente não são poucos os que assim pensam! Os "rebanhos" de fundamentalistas adeptos de uma "solução final", intoxicados e instigados, de um lado, por uma plutocracia disfarçada, e do outro, por uma teocracia "iluminada", são cada vez mais numerosos!

(...) ambos os fundamentalismos se equivalem e prometem locomotivar, pelo sua efervescência vanguardeira, as massas facilmente adesivas .
Olhando friamente tamanhos prodígios civilizacionais encandeia-nos mesmo um efeito de espelho. Comparando a selvajaria que agora somos com as civilizações que já fomos, tal qual a selvajaria que eles agora são com a civilização que já foram, dir-se-ia que a regressão corre geminada e a bom ritmo.

No meio de tanta incompreensão, tanta intolerância, tanto radicalismo, com tanta gasolina atirada para o incêndio, torna-se cada vez mais difícil, talvez até perigoso, apelar à moderação, ao equilíbrio, à convivência, sem corrermos o risco de sermos "empurrados" para a "outra parte", que o mesmo será dizer, sermos tratados como inimigos! Mas é a única luta que vale a pena travar!…