terça-feira, janeiro 31, 2006

Bush declarado culpado!

O Fórum Social Mundial, a decorrer na capital da Venezuela, Caracas, considerou o presidente dos EUA, George W. Bush, culpado de violar os direitos humanos dos povos cubano e iraquiano e condenado pela prática de terrorismo de Estado no Iraque.

PS: tudo como dantes?

Alegadamente por se encontrar de baixa médica, a fim de recuperar do desgaste da campanha presidencial, Manuel Alegre vai faltar à reunião da Comissão Política do PS que irá analisar os resultados das presidenciais. É humanamente aceitável.
Já políticamente, lamento que ele não vá estar presente, desperdiçando dessa forma uma oportunidade única de, olhos nos olhos, apontar o único e verdadeiro culpado da vitória de Cavaco Silva, à primeira volta: José Sócrates.

Recuperar o Partido Socialista (II)

Sempre acreditei na Esquerda dos valores e na utopia de uma sociedade justa e solidária. Mas, desde os tempos da faculdade, em que fui militante do saudoso MES, nunca mais pertenci a qualquer confraria partidária. No entanto, embora ache que os movimentos de cidadãos podem desempenhar um papel importante na formação da consciência democrática e no combate à "partidocracia", entendo que o Estado democrático não pode dispensar a existência de partidos políticos (os actuais ou outros), caso contrário, abrir-se-ia caminho a um regime em tudo semelhante ao que já tivemos durante 48 anos!

É preciso reinventar a Esquerda, é isso que me preocupa. E a reinvenção da Esquerda passa, inevitavelmente, pela reinvenção do seu maior partido, o PS, que é cada vez mais um partido liberal com laivos de social-democracia!

Apoiei Manuel Alegre. Empenhadamente! E fiquei triste com a sua prematura "derrota" à 1.ª volta!
Mas agora, apesar da minha condição de independente, entendo que ele não deve demitir-se do PS nem dos cargos para que foi eleito! Pelo contrário, os votos de mais de um milhão e cem mil eleitores, que, independentes ou não, são na sua esmagadora maioria votos genuinamente socialistas, exigem-lhe, mais do que a fundação de um movimento anódino ou de um epifenómeno partidário, mais tarde ou mais cedo condenados a um desaparecimento sem honra nem proveito, que ele se afirme corajosamente como alternativa capaz de recuperar o PS como autêntico Partido Socialista, como pilar insubstituível da Esquerda e de uma política de desenvolvimento que não esqueça nunca a solidariedade e a justiça social!

sábado, janeiro 28, 2006

Recuperar o Partido Socialista (I)

Há quem afirme que "é urgente reformar o sistema" e que "criar mais partidos não resolve nada quando o problema é a máquina que os tritura".
Partindo do princípio que aceitamos e defendemos o regime democrático, apesar das suas fragilidades e perversidades, e que não queremos um sistema presidencialista (eu não quero, muito menos agora, com um PR com tentações "governamentalistas"), resta-nos lutar pela refundação do quadro partidário actual, através da afirmação do poder dos cidadãos.
Defendem também que a abstenção é o caminho para forçar a necessária e urgente mudança.
Creio não ser pela
abstenção que lá iremos mas por uma cada vez maior participação cívica e eleitoral que conduza, não à criação de um novo partido, mas à renovação da Esquerda e à reinvenção de um verdadeiro Partido Socialista a partir dos destroços de um PS que, de socialista, cada vez mais só tem o nome.
Por isso apoiei e votei Manuel Alegre.
Por isso, apesar de independente, defendo que Alegre não deve demitir-se do PS nem dos cargos para que foi eleito! Pelo contrário, os votos de mais de um milhão e cem mil eleitores exigem-lhe, mais do que a fundação de um movimento anódino ou de um epifenómeno partidário condenados ao desaparecimento, que ele se afirme corajosamente como alternativa capaz de recuperar o Partido Socialista como pilar insubstituível da Esquerda e de uma política de desenvolvimento que não esqueça nunca a solidariedade e a justiça social!

Sócrates "ajudou" Cavaco?

Terá a vitória de Cavaco, à primeira volta, contado com a preciosa "ajuda" de Sócrates?
Não, não se trata da escolha de Soares como candidato apoiado pelo PS, que se revelou incapaz de mobilizar e captar uma parte significativa do eleitorado do partido, contribuindo para a abstenção.
Estou a referir-me ao alegado envio de um fax "confidencial", pelo Gabinete do Primeiro-Ministro, aos coordenadores distritais da campanha de Soares, solicitando-lhes que apelassem ao voto branco ou mesmo em Cavaco, a fim de assegurarem que não hovesse 2.ª volta, evitando que Sócrates e o seu governo, obrigados a apoiar Alegre, saíssem fragilizados da eleição.
Se a Procuradoria-Geral da República, que está a analisar o conteúdo e a proveniência do documento, concluir da sua autenticidade, então, para além do maquiavelismo revelado por José Sócrates ao ter avançado com a candidatura de Mário Soares, estaremos perante um acto bem mais grave, democratica e eticamente inqualificável, uma vergonhosa traição à Esquerda!

sexta-feira, janeiro 27, 2006

É urgente reinventar a Esquerda!

Em virtude do cambalacho de que é vítima o sistema partidário português, e atendendo a que o PS de Sócrates será liberal, às vezes social-democrata, mas de socialista nada tem nem nunca terá, talvez fosse de considerar a hipótese de se reinventar a Esquerda e se criar um verdadeiro Partido Socialista. Associação ou movimento, se preferirem. 20 por cento de eleitores seriam um excelente começo e será uma pena se vierem a perder-se na recuperação daquilo que é irrecuperável! Digo eu, que sou de Esquerda mas sou independente!…

quinta-feira, janeiro 26, 2006

A boceta de Pandora!

"Vemos, ouvimos e lemos, não podemos ignorar!" (Sofia de Mello Breyner)

"Everybody's worried about stopping terrorism. Well, there's a really easy way: stop participating in it." (Noam Chomsky)


A invasão do Iraque, ao arrepio do Direito Internacional, da desaprovação da ONU e da contestação generalizada da opinião pública mundial, fundamentada na mentira das armas de destruição maciça que nunca apareceram, na invenção das ligações de Saddam à Al Qaeda que não existiam e na alegada democratização/ ocidentalização do Iraque cuja sementeira de destruição, morte e radicalismo está à vista, como estratégia para combater o terrorismo, aumentar a segurança mundial e pôr fim às arbitrariedades e injustiças de um regime que o próprio invasor ajudou a criar e apoiou, falhou por completo.
Desde logo, na Europa e noutras partes do mundo, de que os exemplos mais visíveis foram os trágicos atentados de Madrid, Bali (Indonésia) e Londres.
Mas também no Médio Oriente.
O Iraque "democratizado", depois do elevado preço que pagou pela invasão, é um verdadeiro "saco de gatos" e os actos terroristas -- que, por mais condenáveis que sejam, em muitos casos, quer se queira quer não, são acções de resistência ao ocupante -- não irão seguramente acabar até que, como no Vietname, os "yankees go home"!
No Irão, as eleições reconduziram os fundamentalistas ao poder que, para além de recuperarem o discurso incendiário contra o "ocidente infiél", numa declarada resposta à "cruzada" cega de Bush, ameçam e chantageiam com o desenvolvimento de projectos nucleares para fins que poderão não ser os mais pacíficos!
Agora, os palestinos, numa atitude que, mais do que a rejeição da via "moderada" da Fatah é sobretudo uma clara manifestação contra a política de Bush para o Médio Oriente, confiaram a maioria dos seus votos aos "extremistas" do Hamas!
Tudo em nome da "democracia", da "paz" do combate ao "terrorismo", dirá Bush, que, como qualquer ayatollah, se considera ungido por Deus, para travar a sua guerra "justiceira" contra o "eixo do mal". Claro que só mesmo as "más-línguas" é que podem dizer que tudo isto se deve à ânsia de controlar os recursos petrolíferos e ao apetite insaciável do complexo industrial-militar norte-americano!...
Com a invasão do Iraque, Bush abriu a boceta de Pandora!

O país da desigualdade

Apesar da crise económica, o capital financeiro vai de vento em popa, em Portugal. A título de exemplo, em 2005, os lucros deverão ter atingido um crescimento de 40% no BPI, 30,2% no Banco Bilbao Viscaya y Argentaria e 24,2% no Millennium bcp.
Já para os trabalhadores, com aumentos salariais na média dos 2,5% e uma inflação a rondar o mesmo valor, o momento é de estagnação ou mesmo de agravamento do nível de vida.
Não é, por isso, de estranhar que, segundo o Eurostat, organismo de estatísticas da União Europeia, Portugal seja, dentro da UE, o país onde os 20% mais ricos estão mais distantes dos 20% mais pobres, ou seja, os primeiros detêm 7,4 vezes mais riqueza do que os segundos, quando o mesmo rácio é de apenas 2,9 na Dinamarca, que aparece no primeiro lugar.
Os neo-liberais não se cansam de apregoar que para se repartir a riqueza é preciso criá-la. No entanto, como aqui se verifica, com o neo-liberalismo, o que acontece é que a riqueza criada é cada vez mais apropriada pelos mais ricos, enquanto os mais pobres são obrigados a sobreviver como podem!

quarta-feira, janeiro 25, 2006

Soares, porquê?…

"Ninguém percebeu, ainda hoje, muito bem o que levou Mário Soares a candidatar-se", afirma Maria João Avillez.
Sem querer ofendê-la, a senhora jornalista, ou é burra ou cínica! Em qualquer caso, sugiro-lhe que pergunte ao Eng.º Sócrates que ele sabe muito bem o que fez e por que o fez! E se ele, por motivos óbvios, não lhe responder, leia a explicação do indefectível cavaquista Vasco Graça Moura! Está lá tudo!…

Um governo, uma maioria, um presidente!

Com a eleição de Cavaco e a política de Direita do govermo PS/Sócrates, o velho sonho de Sá Carneiro — um governo, uma maioria, um presidente — por incrível que pareça, está realizado. Pelo "partido" do… Bloco Central!

segunda-feira, janeiro 23, 2006

A Esquerda não fez nada de que se deva envergonhar!…

Estamos tristes com a derrota da Esquerda. Ainda pra mais, "por uma unha negra"!
Mas não podemos deixar-nos invadir pelo derrotismo. Temos é de estar solidários, alegres e "unidos como as uvas estão no cacho"! A Esquerda não fez nada de que se deva envergonhar!…

Manuel Alegre não passou à segunda volta e não será, portanto, eleito. Mas a sua candidatura, livre e independente, mostrou o poder político dos cidadãos. Mostrou que a Democracia e a Esquerda não se esgotam nos partidos. Mostrou a urgência da reinvenção da Esquerda e da continuidade do combate por uma sociedade mais justa. Essa é a sua grande vitória.

Jerónimo de Sousa, Francisco Louçã e mesmo Garcia Pereira fizeram o que puderam — seguraram os seus eleitores — e foi muito, tantas foram as adversidades que, como Alegre, tiveram de enfrentar.



















Com a obstinada e previamente derrotada candidatura de Soares, que contribuiu para a abstenção nos eleitores socialistas e até para levar alguns a votar no candidato da Direita, foi José Sócrates que estendeu a passadeira presidencial a Cavaco! Ele sabe bem o que fez e por que o fez: quer "governar" com Cavaco Silva em Belém e livrar-se de vez de Soares e Alegre!

Como pode ser de Esquerda um dirigente e um directório partidários capazes de uma tal maquinação contra a Esquerda ???

Não, não temos de envergonhar-nos da Esquerda! Justamente porque se alguém é culpado da sua derrota é José Sócrates! E ele é tudo menos de Esquerda!

Perdemos uma batalha! O combate continua!…

A Direita elegeu o seu candidato à presidência da República, à primeira volta, por uma reduzida margem de 0,6 por cento dos votos validamente expressos, ou seja, por pouco mais de escassos 30 000 eleitores, num universo de mais de 8 800 000! Perder assim dói mas, em democracia, por um voto se ganha e por um voto se perde. Há que levantar a cabeça e olhar em frente! E, sobretudo, perceber como é que isto foi possível!…

Manuel Alegre, com os seus 20,7 por cento de votos e o seu segundo lugar destacado, não passou à segunda volta, como nós tanto desejávamos. Já não será o Presidente da República com que nós tanto sonhámos. Mas não foi por causa dele que a Esquerda foi derrotada. A sua candidatura, contrariamente ao que os dirigentes do PS pretendem, não dividiu a Esquerda, antes lhe adicionou muitos votos, grande parte dos quais, se ele não se tivesse candidatado, resultaria certamente em abstenção ou em votos brancos/nulos. Além do mais, a sua candidatura, livre e independente, mostrou que há mais vida democrática para além do espaço partidário. E revelou o poder dos cidadãos e a necessidade de reinventar a Esquerda.

A Jerónimo de Sousa (8,6%), que conseguiu segurar o eleitorado comunista, a Francisco Louça (5,3%), um pouco abaixo do resultado do Bloco de Esquerda e a Garcia Pereira (0,4%), residual, também não podem ser assacadas responsabilidades pela vitória de Cavaco Silva.

As razões do fracasso da Esquerda têm de ser imputadas à candidatura de Mário Soares. O candidato apoiado pelo PS, que não conseguiu segurar uma significativa percentagem de eleitores que votaram neste partido, nas legislativas, e que agora se terão abstido, ficou-se pelos 14,3 por cento. Era inevitável! Sócrates escolheu-o para perder, porque prefere "governar" com Cavaco em Belém. Deste modo, maquiavelicamente, livrava-se de uma só vez do "patriarca" e de Manuel Alegre. Jogada de "génio", se Alegre tivesse ficado abaixo de Soares! Assim, talvez o tiro lhe tenha saído pela culatra!…

Abril tão triste no País de Abril

País de Abril

São tristes as cidades sob a chuva

e as canções que se atiram contra as grades
— minha pátria vestida de viúva
entre as grades e a chuva das cidades.

É triste o cão que ladra no canil
quando é março ou abril e lhe prendem as pernas
é triste a primavera no País de Abril
— minha pátria perfil de mágoas e tabernas.

É triste: uns vestem-se de abril outros de trapos.
Tu ó estrangeiro é só por fora que nos olhas
— minha pátria bordada de farrapos
capa de trapos remendada a verdes folhas.

Abril tão triste no País de Abril. Por fora
é tudo verde. (Abril com máscaras de festa).
Por dentro — minha pátria a rir como quem chora
(A festa da tristeza é tudo o que lhe resta).

Abril tão triste no País de Abril. Aqui
a noite. Aqui a dor. Meninos velhos
— minha pátria a chorar como quem ri
em surdina em silêncio. E de joelhos.

Manuel Alegre, Praça da Canção, 1965

sexta-feira, janeiro 20, 2006

Por um Portugal alegre e solidário!

Apelo final

Não deixe que outros decidam por si, não se abstenha!


E, em caso de dúvida, já sabe, faça pim-pam-pum


Por mim, o cavaquismo não há-de regressar!

Eu estive ! Porque acredito na Esquerda dos valores e sou um cidadão livre e independente!

Eu estive ! E cantei a Utopia, porque acredito na “cidade sem muros nem ameias”, com “gente igual por dentro, gente igual por fora”.

Eu estive ! E cantei a Chula da Liberdade, para Manuel Alegre, com as palavras que só ele poderia ter escrito:

"Eu sou livre como as aves
e passo a vida a cantar
coração que nasceu livre
não se pode acorrentar."

Sondagens II: Manuel Alegre há-de ir à segunda volta derrotar Cavaco!

Das quatro sondagens ontem e hoje publicadas, três dão Alegre claramente à frente de Soares nas intenções de voto:
  • Católica (RDP/RTP/Público), Alegre 19,0% - Soares 15,0%
  • Aximage (Correio da Manhã), Alegre 19,5% - Soares 15,4%
  • Marktest (DN/TSF), Alegre 20,6% - Soares 12,4%
Apenas a Eurosondagem (Expresso, RR, SIC), de Rui Oliveira e Costa, indefectível soarista, não alinha por esta tendência e coloca Soares ligeiramente à frente de Alegre ("empate técnico"): 16,9% contra 16,2%.

Razão tem Manuel Alegre para dizer que a Eurosondagem tem razões que a razão desconhece!

Enfim, a sondagem final é no domingo e, se tudo correr bem, Manuel Alegre há-de ir à segunda volta derrotar Cavaco!

Sondagens I: A segunda volta ao virar da esquina!

As sondagens ontem e hoje publicadas — Católica, Aximage, Eurosondagem e Marktest — parecem evidenciar uma vitória de Cavaco à primeira volta. Com efeito, todas lhe atribuem entre 52 a 53 por cento de intenções de voto.

No entanto, se tivermos em consideração que todas aquelas sondagens referem a existência de uma elevada percentagem de indecisos, provavelmente superior a um milhão de eleitores, e que esses eleitores são, na sua grande maioria, de Esquerda (socialistas), e ainda, que Cavaco, durante a campanha, foi perdendo quase por completo, o apoio que chegou a ter de eleitorado de Esquerda, designadamente do PS, então, facilmente se conclui que tudo está em aberto e a segunda volta está aí ao virar da esquina.

Portugal, segundo Cavaco

O encerramento da campanha de Cavaco, no Pavilhão Atlântico, foi elucidativo da ideia que ele tem para o nosso país:
  • Na pista, transformada em restaurante de luxo, a gente da alta , vestida a rigor, para assistir à gala.
  • Nas bancadas, a plebe, para aplaudir o "salvador da pátria".
É este o Portugal "maior" de Cavaco. Afinal, um Portugal só para alguns!