segunda-feira, janeiro 16, 2006

Contagem final

O nosso candidato-poeta é o que mais sobe nas sondagens. Alegremente.
O candidato do PPD/PSD e do CDS/PP caiu 5 por cento, mas não chega. E agora, que, ao que parece, a voz começa a faltar-lhe, vai certamente abrir menos vezes a boca e dizer menos asneiras. Bom para ele, mau para nós. Será?…

O problema

O problema não é o discurso demagógico do candidato da Direita.
O grande e decisivo problema é ainda haverem 56 por cento de papalvos que se deixam levar na "cantiga" de tal abantesma! E ele já mostrou que, para caçar votos, é capaz de cantar tudo, até a "Grândola, Vila Morena"…
Desgraça, será que a amnésia atacou tão forte em Portugal?…

Demagogia salazarista

O candidato apoiado pelos dois partidos da direita, PSD e CDS, afirma que também vem do povo e sabe "o que é trabalhar para subir na vida".
Verdadeiramente preocupante é que este discurso ainda possa resultar! Parece que o salazarismo ainda não está definitivamente morto e enterrado!…

Presidente do Chile: mulher e socialista!

Trinta e três anos após o golpe militar de extrema-direita do general Augusto Pinochet, que derrubou o governo legítimo do Presidente socialista Salvador Allende, extinguindo o regime democrático chileno e mergulhando o país num terrível banho de sangue, o Chile, recuperada a democracia, elege agora, pela primeira vez na sua história, uma mulher para a presidência. Michelle Bachelet, também ela médica e socialista, como Allende. Também ela empenhada, certamente, num Chile mais desenvolvido mas, ao mesmo tempo, mais justo e solidário.
Só espero que, desta vez, nenhum general golpista e assassino se lhe atravesse no caminho. Apesar do carrasco Pinochet, até hoje, nunca ter sido julgado e condenado pelos milhares de compatriotas mortos e desaparecidos por que foi responsável.

domingo, janeiro 15, 2006

Será o Boris Karloff?…

O meu dilecto amigo MF, referindo-se a estas "lindas" fotos que lhe enviei, garantiu-me que estou enganado, que não se trata do candidato da Direita à Presidência da República, mas sim do Boris Karloff a fazer de Gengis Draculão!....
Tem piada, mas receio bem que, em vez de um passageiro filme de terror, isto venha a transformar-se num longo e verdadeiro pesadelo se, até ao próximo dia 22, cinquenta e seis por cento dos eleitores não se libertarem da amnésia de que estão possuídos!

sexta-feira, janeiro 13, 2006

Ainda é cedo mas…

Se isto continuar assim… é uma "Alegria"!…

Socialismo e solidariedade

Para os pobres do seu país, que constituem a imensa maioria da população, este homem é um herói. Desde a sua primeira eleição, em 1998, gastou já milhões de dólares sem conta no desenvolvimento de programas de bem-estar social, levando hospitais e escolas aonde antes nada havia.
É socialista, afirma-se cristão e, para ele, a solidariedade não é uma palavra sem sentido. Apesar de Bush o considerar um "perigoso demagogo", não confunde o povo americano com o Presidente dos EUA e, por isso mesmo, está a fornecer petróleo para aquecimento durante este inverno, a milhares de famílias pobres do Estado de Massachusetts, a quase metade do preço de mercado!

quinta-feira, janeiro 12, 2006

Tenham medo!...

Por vós, mas acima de tudo pelos vossos filhos, tenham muito medo!




























Cortesia The great portuguese disaster 1985-1995

O regresso à escravatura

Num dia, um afirmou que a sustentabilidade da Segurança Social está comprometida e que daqui a dez anos não haverá dinheiro para pagar reformas. No dia seguinte, o outro esclareceu que, afinal, existem condições para vencer as dificuldades desde que sejam tomadas as medidas adequadas.
Por incrível que pareça, ambos são ministros do mesmo governo!

Com terrorismo verbal e chantagem psicológica deste tipo, a idade de reforma aos 65 anos deixa de ter discussão e, por este andar, seguindo o "bom" exemplo da Alemanha, facilmente haverão de subi-la para os 68. Ou, quem sabe?, acabar com o problema obrigando-nos simplesmente a trabalhar até cairmos de vez!
Com a selvajaria neo-liberal e a destruição do Estado-providência, o regresso à escravatura nunca esteve tão iminente!

quarta-feira, janeiro 11, 2006

Agora é a sério!

Mário Soares afirma-se preparado para tudo, porque acha que cumpriu o seu dever nesta campanha. E confessa que se perder a culpa será sua. Ou seja, ao terceiro dia da liça, fez haraquiri. Admitiu a derrota. Acabou.
Mais do que nunca, resta-nos Manuel Alegre! Vamos levá-lo à segunda volta!… Porque, a partir de agora, o combate é entre a Esquerda dos valores e dos direitos sociais e a Direita dos interesses instalados, a Esquerda da democracia e da liberdade e a Direita da coacção e do medo!
Só assim conseguiremos eleger um Presidente "Alegre"!… Em nome de Abril, do futuro, da esperança num Portugal mais justo e fraterno!…

terça-feira, janeiro 10, 2006

Eu estive lá!

Eu estive lá! Porque acredito na Esquerda dos valores e sou um cidadão livre e independente!

Eu estive lá! E cantei a Utopia, porque acredito na “cidade sem muros nem ameias”, com “gente igual por dentro, gente igual por fora”.

Eu estive lá! E cantei a Chula da Liberdade, para Manuel Alegre, com as palavras que só ele poderia ter escrito:
"Eu sou livre como as aves
e passo a vida a cantar
coração que nasceu livre
não se pode acorrentar."

domingo, janeiro 08, 2006

Vamos à pesca no cardume dos indecisos: a vitória é possível!

"A vantagem de Cavaco em “preferências” na abertura da campanha, é um bom sinal de tónico de vitalização para a esquerda. E talvez a esquerda até mereça e necessite deste abanão de, pela primeira vez, estar perante o alarme de um cenário em que a direita possa fazer uso e abuso de sinergia do poder em Belém e em São Bento.

E os 60% de Cavaco nas sondagens podem ser revertidos em factores favoráveis à esquerda. Por um lado, pode adormecer os ímpetos de empenho mobilizador da direita, contando com a vitória como favas contadas. Segundo, abanar as tendências abstencionistas na esquerda e no centro não cavaquista.

Há um número considerável de votos não decididos ou relutantes que se podem (e devem) ganhar. São eles que podem permitir a segunda volta. O pior que a esquerda poderia fazer seria tentar pescar (à linha ou com arpão) nos votos já decididos, à esquerda, ao centro ou à direita (falo, claro, da primeira volta). Esses implicam consumo de energia que fazem maior estrago que proveito, além de passarem a imagem derrotista de que o mais importante é o lugar (inútil) no podium dos vencidos. Cada fatia eleitoral ganha por qualquer um dos quatro candidatos da esquerda entre os eleitores dispostos ao “branco” ou á abstenção, unicamente esses, podem fazer a diferença e recriar a realidade eleitoral em que Cavaco navega." (João Tunes, in Água Lisa)

Saudação de Manuel Alegre



[012/2006]
Vamos mudar a vida

sábado, janeiro 07, 2006

Sejamos realistas, exijamos o impossível!

A "sondagem" definitiva é só no dia 22! Até lá temos de fazer tudo — mas tudo mesmo — para evitar o suicídio colectivo que seria a vitória e o regresso do responsável pela delapidação vergonhosa de milhões de euros de fundos comunitários, do responsável moral pela morte de doentes hemofílicos que utilizaram lotes de sangue importado, contaminado com HIV, do responsável moral por centenas de acidentes mortais devidos à "excelência" do traçado e das condições de "segurança" das suas famosas "auto-estradas" (IP3, IP4, IP5), do "mestre" do cassetete e do bastão (até das balas de borracha) no "diálogo" com os trabalhadores, os estudantes, os utentes da Ponte 25 de Abril (lembram-se?), enfim, do "brilhante" governante que, enquanto os nossos parceiros Espanha e Irlanda descolavam, nos deixou a vegetar na cauda da Europa…



Manuel Alegre está em segundo lugar mas isso de nada serviria se Cavaco vencesse à primeira! Não queremos o "prémio de consolação" de ter mais votos que Soares! Temos é de continuar a sonhar — e convencer os milhares de indecisos — que é possível, que é desejável, que é imperioso, obrigar Cavaco a ir à segunda volta! E depois, livrarmo-nos de vez de el-rei Sebastião e eleger Manuel Alegre Presidente de Portugal!

Como diria o Che, "Sejamos realistas, exijamos o impossível!"

sexta-feira, janeiro 06, 2006

Votem neles, votem!…

"(…) ninguém pode pedir ideias a Cavaco. Ele é aquilo: homem de boas contas, se calhar até de boas intenções, com vontade de ser califa no lugar do califa sem ser ignóbil. Não é de direita nem de esquerda, é pragmático. Nisso, é quase tão perigoso como Soares. Com uma diferença: as boas ideias de Soares não são dele. Leu-as em qualquer lado ou alguém as soprou ao seu ouvido. De uma forma ou de outra, nunca serão praticadas. Soares sempre teve mais do que fazer do que pôr as boas ideias em prática.


No fundo, nestas eleições, não há um confronto entre direita e esquerda. O caminho para Belém é um tardio ajuste de contas entre Soares e Cavaco. Neles, o Portugal de democracia trintona vê-se ao espelho: não tem uma ideia do que foi ou do que é, nem sabe para onde vai."

(Miguel Carvalho, Visão Online)

Então qual é a alternativa?
Acabar com os mitos sebastianistas e
votar Manuel Alegre!


Cavaco: a Direita pimba

Cavaco não é a direita de Santa Comba nem é a direita catedrática, letrada ou de salão.















Cavaco é a direita de Boliqueime. Um misto de adoração a Nossa Senhora de Fátima, fé no euromilhões, peregrinação ao hipermercado e carro de alta cilindrada pago a prestações a armar em poupança.


Miguel Carvalho, Visão Online

quarta-feira, janeiro 04, 2006

Coincidências

Quando eu nasci, as frases que hão-de salvar a humanidade já estavam todas escritas, só faltava uma coisa — salvar a humanidade.



Almada Negreiros (1893-1970)





Até aqui os filósofos limitaram-se a interpretar o mundo; a partir de agora o que importa é transformá-lo.



Karl Marx (1818-1883)

terça-feira, janeiro 03, 2006

Cavaquinho Alegre




Se o cavaco soares

Rasgando-o com alegria

Diferentes o som, os cantares

Serão como a noite do dia

segunda-feira, janeiro 02, 2006

O professor que "gostava" de ser de Esquerda!

O senhor Professor César das Neves descobriu que afinal sofre de um grave complexo: “desabafa” que gostava de ser de Esquerda, desfazendo-se em elogios aos “dignos e elevados” objectivos desta, mas acaba por confessar aquilo que nós, de Esquerda, já sabíamos: que o senhor professor não é de Esquerda, por razões que, do alto da sua cátedra, e às vezes de forma ruidosa — como se o falar alto lhe desse mais razão — imputa à Esquerda.
E isso, porque discorda dos meios que a Esquerda emprega para atingir aqueles objectivos, o que, no seu douto entender, origina “cinco grandes contradições”.

1. A primeira tem a ver com o pretenso “dogmatismo” da Esquerda e a sua prisão a “conceitos abstractos e modelos arcaicos”. Mas, já que o senhor professor aprecia o pragmatismo, diga-nos lá a que governos e políticas se devem os cerca de 2 milhões de pobres, os mais de 500 mil desempregados, a mais injusta repartição do rendimento nacional e o mais baixo crescimento económico da União Europeia que se verificam neste desgraçado pais? Não me vai dizer que é a governos de Esquerda e muito menos a políticas de Esquerda, ou vai? E uma vez que parecem ser a justiça social e a dignidade humana — que o senhor professor, ironicamente, designa de "direitos adquiridos" e "conquistas inalienáveis" — os empecilhos à competitividade, que tal recorrer ao “modelo chinês”, acabando de vez com quaisquer direitos sociais e sindicais, aumentando o horário de trabalho até aos limites da capacidade humana e reduzindo os salários ao mínimo de subsistência? É que, segundo a doutrina neo-liberal que vossa excelência defende e a sujeição plena à sacrossanta lei da selva, perdão, do mercado, de outra forma não iremos lá!…

2. “Na análise económica”, então, o senhor professor, académico tão conceituado, abusa de “chavões” “esmagadores”, acusando a “intervenção do Estado, toda paga com impostos dos trabalhadores”, de ter “criado e mantido enormes desperdícios e abusos.” No que até estamos de acordo, sobretudo no que se refere aos altos honorários, reformas e mordomias dos gestores das empresas públicas e dos comissários políticos dos sucessivos governos da “alternância” da política de direita.
Uma política verdadeira e consequentemente social-democrata (ou socialista, se quiser), empenhada na criação de riqueza, mas sem nunca esquecer a sua justa repartição, empenhada não no crescimento económico sem regras nem princípios mas sobretudo no desenvolvimento sustentado e acessível a todos, é possível! O Estado-providência é possível, é desejável, existe senhor professor! Veja o exemplo da Noruega: de há cinco anos a esta parte o pais mais desenvolvido do planeta. A Islândia, o segundo! A Suécia, o sexto!
Mas o senhor professor sabe (tão bem ou melhor do que este humilde “comentador”, que os EUA, paradigma do modelo neo-liberal que o senhor tanto aprecia, têm de contentar-se com o 10.º lugar, apesar da sua economia registar um apreciável crescimento que não chega para evitar défices monstruosos quer da balança comercial, quer do orçamento. E já agora a China — e por favor não me venha dizer que “aquilo” é Esquerda! — com o seu ultra-liberalismo-vale-tudo, apesar de “ameaçar” ser a primeira potência económica do séc. XXI, no seu 85.º lugar, está muito longe de ser — e por este caminho acho que nunca será — um pais desenvolvido e socialmente justo. E muito menos democrático.

3. A Esquerda é internacionalista e não é por referir a experiência mal sucedida do “socialismo num só país" de Estaline (que derrotou a tese da “revolução permanente” de Trotsky) ou os equívocos da Revolução Cultural maoista, que vai provar o contrário. De resto, lamento dizer que o senhor mente — o que não é bonito — quando afirma que a Esquerda “virou proteccionista numa luta míope e retrógrada contra a globalização”. A Esquerda defende é outro conceito de globalização, que não exclua os países do 3.º Mundo das vantagens do comércio internacional e do desenvolvimento, como o Fórum Social Mundial tem vindo a demonstrar. Claro que o senhor defende uma “globalização” sem regras porque acha que os consumidores assim terão produtos mais baratos. Esquece é que, no limite, sem empresas, sem postos de trabalho, sem salários, as famílias consomem o quê?

4. Na alegada luta da Esquerda contra a família, aqui é que — perdoe-me a frontalidade — revela a sua tacanhez de espírito. Vejamos.
Legalização do aborto, quando se é rica o suficiente, para se ir comodamente a Barcelona ou a Londres fazê-lo nas melhores condições clínicas e sem ser incriminada, para quê? A imensa maioria das mulheres, que não tem meios para recorrer a esse “luxo”, pois que se desenrasque e vá parar à barra do tribunal…
A eutanásia é apenas uma questão muito triste. Triste demais para se falar dela em duas palavras. Em todo o caso lembro-lhe apenas que nem todos somos crentes em Deus e por isso, pondo de lado a Religião e a Moral, cada um é dono do seu destino.
Quanto à prostituição já aqui disse o que penso: é preferível legislar, regulamentar, proteger, educar, em vez de assobiar para o lado e deixar que as coisas aconteçam por aí em qualquer lado e de qualquer forma.
E quanto aos casais de homossexuais, só temos certeza de uma coisa: não podem gerar filhos, tem toda a razão, mas não me venha dizer que, adoptando-os, não podem educá-los tão bem ou melhor que os casais heterossexuais e constituir famílias tão ou mais felizes. É tudo uma questão de amor, percebe senhor professor?

5. Para reforçar a sua tese podia ter acrescentado a célebre frase de Marx “a religião é o ópio do povo” mas, toldado por uma “irritação espúria” contra a Esquerda, esqueceu-a, provavelmente admitindo que nela haverá um fundo de verdade, se, como interpreto — e é legítimo fazê-lo — Marx se estava a referir à hierarquia da Igreja, que, como a História comprova, quase sempre esteve do lado dos mais fortes. O Papa João XXIII (o papa socialista) é a excepção à regra. E bispos “de Esquerda”, em Portugal, lembro-me apenas de D. António Ferreira Gomes e D. Manuel Martins, no Brasil, D. Hélder Câmara, e em El Salvador, D. Óscar Romero, exemplo na luta em defesa dos direitos humanos, assassinado com um tiro no peito, durante uma celebração eucarística, por um esquadrão da morte ultradireitista e que viria a perder o direito de canonização de Roma para Escrivá Balaguer, fundador da Opus Dei, uma organização secreta à Igreja Católica, de ultradireita.
Isto demonstra o quê? Que alem da instituição “Igreja” há também outra igreja que luta pelos pobres, defende os pobres, morre, se for preciso, pelos pobres.

Senhor professor César das Neves, não proclame a Esquerda e os seus valores de forma adúltera e leviana.
E sobretudo, como académico e articulista que, seguramente, é pago — e provavelmente bem — para escrever, faça-o com a devida fundamentação e evite as frases feitas. A bem da seriedade intelectual. Ainda que o senhor não seja de Esquerda!

domingo, janeiro 01, 2006

Queremos um Futuro feliz e urgente!

Pronto, 2005 já é passado.
Já recebemos 2006 com a nossa esperançosa taça de espumante e as doze passas dos nossos veementes desejos.


Mas o presente não será melhor que o passado, se não lutarmos pelo futuro, feliz e urgente, a que todos, sem excepção, temos direito.