sábado, dezembro 31, 2005

2006: não deixem de lutar para ser felizes!

(…)
O negro espectro que plana sobre as nossas cabeças mais do que ameaçar uma parte de nós, constitui um perigo para todos. As relações entre os portugueses deterioraram-se com as injustiças, as mentiras, as falsas (e, por isso, hediondas) promessas.
(…)
Vivemos numa dessas épocas tenebrosas. O País não está coeso, nem espiritual, nem social nem politicamente. A ética cívica e o sentido da solidariedade, bandeiras republicanas, decompuseram-se de tal modo que, perante as negações, aparentemente sem remédio, a prefiguração do salvador da pátria reemerge do pior dos nossos abismos ancestrais.
(…)
Os crimes (porque de crimes se trata) cometidos em nome da "competitividade", do "desenvolvimento sustentado", da "modernidade", espezinharam quase todas as formas de benevolência e de compaixão. Católicos de genuflexão, rosário e reza, trepados aos diversos Governos, do PS e do PSD, tripudiaram sobre os preceitos mais rudimentares das suas crenças, e alimentaram a ganância, a busca do lucro, o crescendo da precarização do trabalho e do desemprego.
(…)
Dir-se-á: mas os restaurantes estão cheios, as viagens são cada vez mais e para longes sítios, carros há-os por todo o lado. É verdade que há gente feliz. É verdade que há gente cheia de lágrimas. Esta última é a maior de todas as maiorias. O sinistro avejão que paira, medonho, representa um sistema de valores contrário às aspirações populares, e elimina, completamente, a possibilidade de uma sociedade mais justa, mais fraterna, mais comprometida com a própria noção de comunidade e de partilha. Não há sistema sem imposições.
Chegámos a um patamar onde a necessidade de mudança é um imperativo. No entanto, a "mudança" resulta de decisões governativas, nunca de iniciativas presidenciais, a não ser que, subrepticiamente, se pretenda alterações profundas ao regime. Seja como for, a situação tornou-se dilemática. E não está posta de parte a eventualidade de um golpe de Estado constitucional.
Dilectos: aconteça o que acontecer, cá estamos para o que der e vier. Independentemente da consciência das incertezas, Boas-Festas, um Bom Ano, e - por favor! - nunca deixem de lutar para ser felizes!

Ano Novo, vida velha

A partir de 1 de Janeiro, as portagens nas pontes 25 de Abril e Vasco da Gama vão aumentar, respectivamente, 4,3 e 5 por cento na classe 1 (ligeiros de passageiros).

Prestação da casa pode subir 10% até final de 2006.

Pão, tabaco e portagens sobem mais em 2006 do que preços tabelados.

Ano novo, preços novos. Tudo mais caro a partir de Domingo. Alguns produtos como o pão, os cigarros ou as portagens vão mesmo subir acima da inflação.

Os impostos sobre os combustíveis vão aumentar mais de quatro cêntimos por litro a partir do início de 2006, prevendo-se uma incidência de 10% no gasóleo e 7% na gasolina.


Hoje vamos celebrar o quê?

quinta-feira, dezembro 29, 2005

Memórias


Alentejo, 1955
© Henri Cartier-Bresson / Magnum Photos

Nazaré, 1955
© Henri Cartier-Bresson / Magnum Photos

A nossa "guerra"

"Ao Presidente da República, como comandante supremo das Forças Armadas, cabe-lhe a defesa do território. Mas não temos inimigos, defender o território é lutar pelo desenvolvimento do país."

Quo vadis Portugal?

Um estudo recente dos Institutos de Estatística de Portugal e de Espanha veio comprovar aquilo que nós já sabíamos: o nosso nível de desenvolvimento é bem inferior ao do país vizinho, com excepção da região de Lisboa que, dando razão ao velho ditado "Portugal é Lisboa e o resto é paisagem", é a única que se compara com as regiões mais abastadas de Espanha, como Madrid e Catalunha.
Portugal, que é actualmente o único país da União dos 25 com um crescimento abaixo da média europeia, pode no entanto "gabar-se" de estar à frente na sinistralidade automóvel e possuir a maior árvore de Natal da Europa! Nalguma coisa havíamos de ser os primeiros, ora!…

quarta-feira, dezembro 28, 2005

Empresários têm défice de formação

Segundo o documento "A Península Ibérica em números", publicado pelos institutos nacionais de estatística de Portugal e de Espanha, no ano passado, apenas um em cada quatro patrões portugueses era licenciado ou tinha completado o ensino secundário, o que representa metade da percentagem registada em Espanha.
No que respeita à formação dos empregados, ainda no ano passado, a Espanha tinha também o dobro de empregados licenciados ou com o ensino secundário completo em relação a Portugal, que se ficava pelos 27 por cento, situação, apesar de tudo, ligeiramente melhor que a que se refere aos empresários.
Já na União Eueropeia, os valores médios daqueles indicadores são de 71 por cento, no caso dos patrões, e de 72 por cento, no caso dos empregados.
Duas conclusões se podem daqui extrair:
1. Resulta daqui claramente por que é que a nossa produtividade é bem inferior à da Espanha e da média europeia.
2. As razões da nossa baixa produtividade não podem ser exclusivamente assacadas aos nossos trabalhadores, como alguns gostam de fazer, uma vez que os nossos empresários têm uma formação comparativamente pior.

Woody Allen, ontem, no CCB

Realizador e comediante genial. Até a tocar clarinete é divertido!



terça-feira, dezembro 27, 2005

O "grande timoneiro"…

Dando cada vez mais fartos e brilhantes exemplos dos seus conhecimentos em matéria constitucional, Cavaco Silva veio desta vez propor a criação de uma secretaria de Estado para acompanhar as empresas estrangeiras "esquecendo-se" que, na condição de (candidato a) Presidente da República, está a ingerir em assuntos que são da exclusiva competência do Governo.
E acrescenta à insconstitucionalidade que isto revela, a sua estranha concepção de "liberdade" e "transparência" do mercado, de resto já muito praticada por Salazar na década de 60 para "comprar" a conivência e o silêncio de algumas grandes potências capitalistas perante a política e a guerra colonial!
Decididamente, este homem não tem perfil para Presidente da República. Nunca irá "esquecer" que foi primeiro-ministro (e mau). E em Belém iria querer ser o "grande timoneiro"…
Não há, portanto, nada a fazer senão evitar a sua eleição! A todo o custo…

O Carrasco vai ser julgado? Tarde de mais…

Augusto Pinochet subiu ao poder no Chile através de um golpe militar, em 11 de setembro de 1973, que derrubou Salvador Allende, o primeiro presidente socialista eleito democraticamente num país latino-americano.
Com a ditadura de Pinochet, o Chile deixou de ser a sociedade liberal que era desde 1930. Tornou-se palco de uma repressão criminosa, torturas e assassinatos. Cerca de trinta mil chilenos foram mortos e mais de cem mil foram presos sem julgamento. Foi o reinado do terror. Quem se opôs à junta de Pinochet foi perseguido e eliminado. O Estádio Nacional de Santiago a última prisão para milhares de vítimas.

Pinochet, que governou o Chile de 1973 a 1990, começou por ser indiciado e incriminado pelo Juiz espanhol Baltazar Garzón, em 1999, mas a defesa do ditador conseguiu sempre impedir o seu julgamento alegando razões de saúde.

Agora, o Supremo Tribunal chileno rejeitou o apelo para que Pinochet não fosse submetido a julgamento pelo seu envolvimento na “Operação Colombo”, que resultou em 119 desaparecidos, a primeira de uma série de acusações relacionadas com violações dos direitos humanos cometidas enquanto esteve no poder.

segunda-feira, dezembro 26, 2005

Canção de Natal

Aurélio Malva - Bento Airoso


Oh Bento airoso mistério divino
Encontrei a Maria à beira do rio
E lavando os cueiros do bendito filho

Oh Bento airoso mistério divino
Maria lavava, S. José estendia
E o Menino chorava c'o frio que fazia

Oh Bento airoso mistério divino
Calai meu Menino, calai meu amor
É que as vossas verdades me matam com dor


Tradicional de Paradela, Miranda do Douro
Recolha de Michel Giacometti, 1960

domingo, dezembro 25, 2005

Um dia como os outros

Dia de natal

Tristeza vai-te embora
Tristeza
pequena morte
Chega a noite, vai-se o dia
e assim há-de desaparecer este pobre diabo
que eu sou
com calças rotas
camisola cosida
Esperavas um milagre nesta noite de natal?
A camisola não recebeste
as calças não tas deram
Bem feito
para não acreditares em anjos.

Mário, 1960
in "a criança e a vida", de Maria Rosa Colaço

sábado, dezembro 24, 2005

Prendas do Natal

MEU QUERIDO JESUS:

Aqui estou neste sítio pobre
nesta rua fria
com as árvores vermelhas
a anunciar a tua chegada,
Os anjinhos de estrelas
que vieram a meu lado
quando eu estava sentado naquela rocha
disseram-me que não chorasse
porque teria umas calças vermelhas
e uma camisola de lã branca.
Mas só tenho os pés roxos
os dedos não os sinto
Se me deixasses uma caixa de fósforos
para me aquecer
ou me levasses nos braços para o céu
como se fosse um farrapo de neve
essa era a minha melhor prenda de Natal

Victor Moreira, 1960
in "a criança e a vida", de Maria Rosa Colaço

Carta para o Pai Natal


Ho ho ho ho ho ho
Merry Christmas

olá, pai natal, é a primeira vez que escrevo para ti
venho de Lisboa, o pessoal chama-me AC
desculpa o atrevimento, mas tenho alguns pedidos
espero que não fiquem nalguma prateleira esquecidos
como nunca te pedi nada,
peço tudo de uma vez e fica a conversa despachada
talvez aches os pedidos meio extravagantes
queria que pusesses juízo na cabeça destes governantes
tira-lhes as armas e a vontade da guerra,
é que senão acabamos a pedir-te uma nova terra
ao sem-abrigo indigente dá-lhe uma vida decente
e arranja-lhe trabalho em vez de mais uma sopa quente
e ao pobre coitado e ao desempregado
arranja-lhe um emprego em que ele não se sinta explorado
e ao soldado manda-o de volta para junto da mulher,
acredita que é isso que ele quer
vai ver África de perto, não vejas pelos jornais
dá de comer às crianças, ergue escolas e hospitais
cura as doenças e distribui vacinas
dá carrinhos aos meninos e bonecas às meninas
e dá-lhes paz e alegria
ao idoso sozinho em casa arranja-lhe boa companhia
já sei que só ofereces aos meninos bem comportados
mas alguns portam-se mal e dás condomínios fechados
jactos privados, carros topo de gama importados,
grandes ordenados, apagas pecados a culpados
desculpa o pouco entusiasmo, não me leves a mal
não percebo como é que isto se tornou um feriado comercial
parece que é desculpa para um ano de costas voltadas
e a única coisa que interessa é se as prendas estão compradas
e quando passa o natal dás à sola,
há quem diga que não existes, que quem te inventou foi a coca-cola
não te preocupes que eu não digo a ninguém
e se és pai natal, deves ser pai de alguém
para mim natal é qualquer hora, basta querer
gosto de dar e não preciso de pretextos para oferecer
e já agora para acabar sem querer abusar,
dá-nos paz e amor e nem é preciso embrulhar
muita felicidade, saúde acima de tudo
se puderes dá-nos boas notas com pouco estudo
desculpa o incómodo e continua com as tuas prendas...
feliz natal para ti e
já agora, baixa as rendas!

Feliz Natal!

sexta-feira, dezembro 23, 2005

Cavaco e o modelo norte-coreano

Depois do líder do "partido neo-salazarista" (eufemisticamente designado CDS) ter afirmado que "o terrorismo contemporâneo tem origens na esquerda", "esquecendo-se" que a Al Qaeda, a maior e mais perigosa organização terrorista da actualidade, foi apoiada e encorajada pelos Estados Unidos e pelo Paquistão (já para não falar das ligações à Arábia Saudita), que não são propriamente regimes de Esquerda, agora foi a vez do pequeno líder do "partido liberal" (mais conhecido por PSD) acusar o Governo de agir "ao melhor estilo norte-coreano" criticando e lamentando a aposta no betão em detrimento da inovação.
Para além dos dislates e da sede de revanche sempre tão característicos da Direita a que infelizmente temos direito, ficamos a saber que o grande timoneiro Cavaco, durante a sua "governação", também seguiu o modelo norte-coreano, tal foi a sua aposta no betão!…

Uma frase terrorista

Interrogado pelos jornalistas sobre o que pensava da afirmação do presidente do partido eufemisticamente chamado CDS-PP, de que "o terrorismo contemporâneo tem origens na esquerda", Manuel Alegre respondeu de forma sintética, exacta e não menos brilhante:
É uma frase terrorista!…
E pronto. Ficou tudo dito.

quarta-feira, dezembro 21, 2005

A Liberdade tem de ser sempre conquistada


Freedom - 2005 (clicar na imagem)

1' video col, computer animation 2D
Subject, screenplay and 2D animation: Bruno Bozzetto
Music and sound effects : Roberto Frattini

Celebration for the 60 years of freedom in Italy. Produced by "Comune di Bergamo".


RTP discriminou Manuel Alegre

Ao privar a candidatura de Manuel Alegre de se ver representada no painel que ontem à noite comentou os debates presidenciais, a RTP, serviço público de televisão suportado pelos impostos dos contribuintes, prestou um mau serviço à Democracia e desrespeitou grosseiramente os direitos dos cidadãos, ao violar de forma flagrante a "liberdade de expressão e informação" e impedir objectivamente "a possibilidade de expressão e confronto das diversas correntes de opinião", princípios expressamente consignados na Constituição.
Ontem à noite, A RTP não foi a televisão de todos os portugueses e isso é algo de intolerável numa sociedade que queremos livre e democrática!…

Clique aqui, preencha o formulário respectivo e proteste junto da RTP por esta grosseira violação da legalidade democrática! Exerça a sua cidadania!…

Soares espremeu Cavaco!

No debate de ontem à noite ficámos a saber o que já sabíamos: que Soares é um "ouvidor", o que, por muito simpático que seja, em termos práticos, significa o aval à política do Governo, qualquer que ela e ele sejam, e que Cavaco continua obsessivamente a pensar que pode "dirigir" a governação do país, como se estivéssemos num regime presidencialista.
No que mais se pareceu com uma luta de sumo, o certo é que Soares, com a fibra invejável dos seus 81 anos, alguma demagogia e até, por uma vez, insinuações — desnecessárias — à mistura, conseguiu espremer Cavaco e mostrar que ele não é o "presidente" que Portugal precisa!

Alegre acredita na vitória! Nós também…

No dia em que uma sondagem aponta Manuel Alegre como o segundo candidato presidencial mais votado, o nosso candidato não tem qualquer dúvida de que vai passar à segunda volta e acredita mesmo que vai vencer as eleições.